Warriors of Light - A Busca
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Capítulo 10
John McLean
– O que era aquilo? – perguntou Amélia.
– Uma Ignis Cobra.
– O que?
– Cobra do fogo. É uma cobra amaldiçoada por domadores do fogo, que logo cresce e vira esse monstro.
– Como sabe disso?
Hesitei por um momento.
– Pérola me ensinou.
– Ah.
Andamos até o trailer em silêncio, a grama baixa da campina fazendo barulho aos nossos pés.
Entramos no veículo e avistamos Mia deitada em um dos bancos, com Josh ao seu lado.
– Uma Ignis Cobra, é claro... – ela murmurava – Como eu fui burra. A maneira que as folhas se mexiam, o barulho de seu rastejar, os sibilos baixos...
– Não foi culpa sua, Mia, naquela situação... – começou Josh.
– Não. – Mia tentou se sentar, mas Josh a deitou novamente. – Me solte! Bem, eu devia ser o cérebro da equipe. Agir pela razão, e não pelo...
– Coração? – Amélia perguntou.
Mia negou com uma careta.
– Não, pelo medo.
– Mas você bolou um plano, ele era ótimo. – disse Amélia, depois de um tempo.
– As Ignis Cobras tem super audição e inteligência. Entendem cada palavra que falamos, e preveem nossos movimentos. Argh! Se eu escrevesse em um papel, talvez...
– Mia, tem alguma coisa errada. – disse Josh.
– Claro que tem, a minha burrice!
– Não Mia, Ignis Cobras não aparecem de repente.
Ela arregalou os olhos.
– Estamos sendo seguidos.
Assenti, não muito surpreso.
– Pérola mandou um dos domadores do fogo para cá. Precisamos ser rápidos e sair daqui, ou ele irá nos atacar.
Amélia arregalou os olhos.
– Precisamos sair daqui agora. John, é melhor ir dirigir. Vamos seguir pela estrada que estávamos.
– Não. – disse Mia – Aquela é uma estrada deserta, será fácil de sermos atacados. Precisamos pegar uma rodovia.
– Mas vai demorar muito. – disse Amélia – Pela estrada deserta é mais rápido e mais fácil.
– Se Sr. Johnson quisesse algo fácil, ele teria aberto um portal até o objeto dos guerreiros da luz e entrado lá.
– Mas...
– É melhor irmos pela rodovia, mesmo. – disse Josh – Depois paramos o trailer em algum lugar para descansar, e vamos dividir os turnos de vigia.
– Ótimo. Josh, me passe a pomada. – mandou Mia.
Josh jogou uma pomada dourada à ela, e Mia a passou no corte. O sangue desapareceu, mas o corte continuava lá.
– Como...? – Amélia começou à perguntar.
– Foi feita pelos curandeiros do Condomínio. Cura um pouco as feridas, mas não o suficiente. A dor diminui pelo menos. – explicou Mia, se levantando e pulando para o banco de carona.
Pulei para o banco de motorista e comecei à dirigir. Depois de um tempo de viagem, Mia falou:
– Ainda não me conformo que você saiba dirigir.
Ri.
– Se quiser eu te ensino.
– Jura?
– Claro. Mas vai ter que me dar um Doritos.
Ela fez bico.
– Você é mau.
– Sei disso.
Ela abriu sua bolsa e tirou um pacote de Doritos. Abriu-o silenciosamente. Depois de colocar um na boca, se inclinou por cima do banco e fechou a cortina que separava os bancos da frente dos de trás.
– Ninguém pode saber disso, okay? Ou acaba mais rápido. – ela disse.
Peguei um, rindo.
– Pode deixar.
Passamos alguns minutos comendo Doritos em silêncio.
Mia olhou para a janela e ergueu a cabeça. – Já está anoitecendo.
Afirmei.
– É uma estrada deserta, acho que teremos que montar guarda.
– São 23:30. – ela disse, olhando no relógio. – Podemos ir à meia noite, que tal?
– Claro.
***
Parei no acostamento da estrada. Enquanto desligava o trailer, Mia pulou para trás para avisar Amélia e Josh sobre o descanso e os turnos de vigilância.
– Eu vou primeiro. –ouvi Josh. – Tenho insônia mesmo.
– Okay, depois sou eu. – escutei a voz de Mia – Depois John e depois Amélia. Okay? – ela abriu as cortinas, os vibrantes olhos verdes na minha direção.
–Claro. 2 horas cada? – perguntou Amélia.
– Não, se forem duas horas cada sairemos às oito, e será melhor às sete. Eu posso ficar das quatro até as cinco e meia e Amélia das 5 e meia às 6 e meia. De acordo? – perguntei.
– Claro. – Mia assentiu. – Vamos lá então.
Ela segurou o braço direito de Amélia, pegou sua bolsa e a mochila de Amélia.
– Trouxe pijamas? – a ouvi perguntar enquanto as duas entravam no dormitório.
– Depois eu me troco. – disse Josh. – Aproveita para se trocar no banheiro enquanto não mudo de ideia.
Assenti.
***
– John, ei John. – ouvi estalos e vozes.
Abri os olhos lentamente, e me deparei com uma Mia de aparência cansada.
Ao me sentar, pude vê-la melhor. Ela estava com os cabelos presos em um rabo de cavalo baixo mal feito, caindo sobre o ombro esquerdo. Vestia uma camiseta cinza e folgada, com a estampa “Don’t Kiss Me”, com ela pude ver suas curvas; e apenas meias nos pés.
– É o seu turno. – disse Mia, a voz rouca.
Murmurei algo parecido com “estou indo” e levantei da cama. Caminhei em passos pesados até o banheiro e lavei meu rosto. Estremeci quando a água gelada entrou em contato com minha pele.
Peguei minha espada e saí do trailer, tomando um red bull. Fiquei atento à qualquer barulho, mas nada aconteceu, a menos que você ache dois coelhos apaixonados perigosos.
Durante meu turno, fiquei pensando nos guerreiros da luz. Quem eram eles, afinal? O que era aquele objeto? E por que diabos o Sr. Johnson mandaria quatro jovens de 13 anos em uma missão tão perigosa? E o corredor?
E por que Sr. Johnson não nos contou quase nada?
***
A gritaria do lado de fora do dormitório me acordou. Após lembrar que eu estava numa missão, peguei minha espada e saí correndo.
– O que aconteceu? – perguntei, a encontrar Mia, Josh e Amélia sentados em uma mesa.
– O que aconteceu... – Mia começou – Foi o fato de que Amélia dormiu no meio do turno.
– E...? – perguntei.
– E que fomos atacados. – continuou Josh – Tentaram incendiar o trailer. E Amélia não pode apagar o fogo porque estava dormindo.
Ela enterrou a cabeça nas mãos.
– Eu sinto muito mesmo! Não queria ter feito aquilo! – murmurou.
– Mas fez. E quase fomos mortos. – cuspiu Mia.
– Okay, eu entendo que a situação é complicada, mas temos que evitar brigas entre nós... certo, Mia? – tentei acalma-los.
Ela revirou os olhos, pegou sua mochila e foi em direção ao banheiro.
– Okay, acho melhor vocês se trocarem também. – eu disse – Porque já vamos voltar para a estrada.
***
Mia sentou-se no banco de carona, bufando. Ela colocou o cinto com raiva e tratou de olhar para a janela por um bom tempo.
Pude ouvir uma música pesada e tratei de perguntar qual banda era para Mia.
– Hã? – ela perguntou, virando-se para mim e tirando seus headphones.
– Qual é a banda? – repeti.
– The Pretty Reckless. – respondeu.
– É boa.
– Com certeza.
Ficamos uns minutos em silêncio, até que não me segurei.
– Por que tanta implicância? – perguntei.
– O que? – ela pareceu surpresa.
– Por que implica tanto com Amélia? – perguntei.
– Eu não implico. Só... acho muita irresponsabilidade dormir no meio de seu turno e por a vida de todos em risco. – ela respondeu.
– Não, é o jeito como você olha para ela. Dá para ver a raiva.
Ela olhou para a janela, claramente tentando não me encarar. Depois voltou à colocar os fones.
– Eu não tenho raiva dela... é só... ah, esquece. – ela disse, balançando a cabeça e aumentando o volume da música em seu celular.
Passamos alguns minutos em silêncio, eu esperando a música acabar para perguntar algo à ela.
– O que você... o que acha que é o objeto? – perguntei.
Ela respondeu sem desviar o olhar da janela:
– Sinceramente? Não faço ideia. O que acha que aquele corredor significa?
Parei para refletir.
– Será que... que o objeto estava...
– Escondido no corredor? Perto de todos os domadores menores?
Dei de ombros.
– Tem outra ideia?
– Será... não, esqueça.
– O que?
– Nada, não é nada. É idiotice.
– Tudo bem... – respondi.
– Eu pensei em uma coisa. – ela disse depois de um tempo – E se eu e você dividirmos os turnos, dirigindo o trailer?
– Acho que pode ser... quando? – perguntei.
– Essa noite. – ela respondeu simplesmente.
– Essa noite? – eu estava perplexo – Mas você teria que aprender a dirigir hoje.
– Exato. – ela sorriu.
– Dá trabalho. – eu disse – Acho que outra hora, talvez.
– John. – ela se virou, e pude ver que seus olhos estavam marejados. Percebi que outra música tocava, e reconheci como Perfect – Simple Plan.
Agora tudo fez sentido.
– Tudo bem. – cedi – Depois do café da manhã, começamos.
– Yey! – ela sorriu.
Não aguentei. Sorri também.
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