War for Earth
6 Que se dane a sanidade
Notas iniciais
16 de outubro de 2625 05:49 AM
Provavelmente serei morto se voltar pra porra daquela base, mas tenho que voltar, minha esposa está encarcerada lá. Fico pensando no que está acontecendo.
– Ei seus escrotos, precisaremos pousar logo, a nave está ficando sem combustível. – disse Martha.
– Tudo bem. – eu disse – o local que iremos não é tão longe.
– E onde seria isso? – perguntou Fide.
– A antiga base das tropas humanas.
Esta base foi atacada cerca de 50 anos após o início da guerra logo após um dos ataques á base central dos lagartos. Desde então, foi abandonada, muitos dizem que ela foi dominada por eles, mas, como nenhum ataque foi organizado para retomá-la, acredito fortemente que não há nada lá.
– Ali, estou vendo ela. – disse Martha.
– Ótimo, vamos pousar do lado de fora, para que nós possamos verificar lá dentro.
– Certo.
Era completa escuridão lá dentro, não era possível ver uma palma á nossa frente, se entrássemos lá, e houvesse algum dos filhos da puta morreríamos com certeza.
– Droga, o que faremos? – perguntou Fide.
– Eu tenho uma ideia. – disse White. – o comandante Mason tem algumas granadas, vamos explodi-las dentro da base para que crie um barulho estrondoso.
– É, e a base, por ser fechada, vai criar um eco se estendendo por ela inteira. – completei.
E assim fizemos. Quando as granadas explodiram, meus tímpanos quase estouraram, foi muito alto, mas nada saiu de lá.
– Vamos, não tem ninguém.
– Não tenho tanta certeza disso, e se eles estiverem escondidos? – disse White.
– Mesmo que isso pudesse ter acontecido, nós saberíamos, aliens também sentem dor, eles provavelmente berrariam.
– Hum, eu não sei.
Apesar de todo esse medo de White, ainda tenho confiança de que esta base é segura. Demos uma olhada na área que ficaríamos e logo Fide foi procurar por algum gerador para conseguir eletricidade. De repente, luz, em todos os lugares.
– Ótimo, agora poderemos ficar em paz.
– Certo, só se lembre de desligar á noite. – disse White.
– O que? Pra que?
– Pra nenhum daqueles filhos da puta nos encontrar.
– Os aliens não vão nos encontrar aqui, é muito afastado da área deles.
– Eu não estou falando dos aliens. Se formos pegos pelo pessoal da nossa base, acabou, seremos mortos por deserção.
Havia esquecido por um instante desse detalhe. Éramos procurados por fugir da batalha. Ou seja, agora não deveríamos nos preocupar apenas com os aliens malditos, mas também com os líderes humanos escrotos e seu exército de idiotas. E pensar que tenho que voltar pra lá.
Ficamos o dia inteiro revistando a base atrás de alimento e de gasolina para reabastecer a nave, acabamos achando alguns enlatados e vários barris de gasolina.
– Estou indo dormir. – disse Sam. – você vem?
– Sim, claro, só tenho que fazer umas coisas. – respondi.
Iria ir para a base buscar Margaret naquela noite, mas antes, precisaria conseguir uma carona. Martha ainda estava acordada, apesar de todo o estresse que havia passado conosco naquele dia, acho que aceitaria me ajudar.
– Ei Martha, preciso que me leve para perto da base.
– O que? Está maluco?
– Tenho que buscar minha esposa.
– Isso é idiotice.
– Não importa, eu tenho que ir busca-la, por favor, você não terá que entrar na base.
– Ah, que merda. Certo, vamos logo.
– Muito obrigado.
Fui calmamente buscar algumas coisas para que conseguisse lutar se precisasse, uma pistola, umas duas granadas, e umas outras coisas. Tentava fazer o máximo de silencio possível, se acordasse qualquer um, demoraria mais um tempo para que pudesse explicar.
Tinha acabado de arrumar tudo quando olho para cima e vejo Sam, de pé me encarando. Que merda, o último que eu queria acordar era ele.
– Por que ainda está acordado? – perguntei tentando esconder a bagagem de mão atrás do corpo.
– Aonde vai? – perguntou, ignorando totalmente minha pergunta.
Se eu mentisse para ele, só me faria demorar mais, e de tudo que tenho pouco, tempo é o principal deles.
– Não vou mentir. Vou ir buscar sua mãe.
– Eu vou com você.
– Não. Você vai ficar aqui. Não vou demorar muito. – expliquei.
– Não, eu vou.
– Eu não estou pedindo pra você ficar aqui. Eu sou seu pai e estou mandando.
– Tá.
Estava fervendo de raiva, mas também não quis saber, me virei e fui para a nave que já estava pronta.
– Vamos logo, não quero me atrasar para o café da manhã. – falei.
– Falando em comida, tenta passar em algum lugar para recolher algumas das sementes para fazermos uma horta.
– Não temos comida o suficiente?
– Apenas enlatados, uma hora eles vão acabar, precisamos de algo que forneça comida constantemente pra gente.
– Tá, eu vou tentar.
Saímos da base por volta das 23:00 PM, houve algum momento entre esse horário e 04:00 AM onde desmaiei de cansaço, não descansava desde antes de ir para a última batalha, já não me aguentava em pé, quando acordei, estávamos em cima de um campo cheio de corpos, com certeza houve uma guerra lá, este parecia bem recente, quando reconheci aquela nave que todos conheciam, a nave Alfa, a melhor de todas as naves de transporte, totalmente destruída, esta havia ido para a batalha na qual eu tinha escapado dois dias antes, ou seja, era o mesmo campo de batalha. Porém, estávamos muito ao sul do local onde a batalha que me lembro, aconteceu. Provavelmente, tiveram que recuar, que merda, comando idiota, sacrificando vidas de outras pessoas sem motivo.
Voamos por cerca de mais uma meia hora, e começamos a descer, achei estranho, olhava em volta mas não via a base em lugar algum.
– Por que paramos aqui? – perguntei.
– Eu só venho até aqui, o resto é com você.
– Você tá brincando, vai, me leva mais pra perto.
– Devia ter pensado nisso antes de fugir deles, eu não vou arriscar a minha segurança e de eles todos na base serem encontrados para você não ter que andar muito.
– Mas...
– Pense que seu filho também está lá.
Não aguento as mulheres, elas conseguem foder a sua mente, e utilizar todas as suas fraquezas imagináveis para te fazer concordar com elas. Não havia como eu argumentar contra isso, acabei admitindo a derrota, peguei as coisas e comecei a andar.
Estava um sol senegalês, suava feito um filho da puta e já sentia a perna começar a tremer. Mas já via a base, eu teria que entrar de modo que eles não me vissem, para isso, havia um caminho que os fardas brancas haviam secretamente criado para fugir se as coisas piorassem por causa dos aliens malditos. Nem mesmo o escroto do general Morgan Monroe sabia sobre ela.
Sua entrada ficava á quase um quilometro de distância da base, logo atrás de uma pequena elevação de terra de uns cinco metros, o bastante para que não me vissem se aproximar.
Demorei um pouco para encontra-la, mas a achei. Ao longo dela haviam algumas curvas que tornavam o caminho mais longo, além também de ser muito abafado, com umas três entradas de ar ao longo dela, finalmente, consegui sair, embaixo de uma das mesas onde serviam a comida para os fardas brancas. Tentei sair o mais sorrateiro possível para que não me percebessem.
Ao andar pelo campo, vi que havia muito menos pessoas do que me lembram, e muitos estavam ainda feridos ou perderam membros. Em meio á todos aqueles, vi Patrick Carter, um amigo antigo, já não o via a semanas, ele havia ido em uma missão em busca de suprimentos ao sul, e demoraram tanto que pensamos que haviam morrido.
– Patrick!
– John? Você está vivo? Todos acham que você está morto.
– É, até então eu achava que você estava morto também.
– Houve um problema no comunicador e ficamos sem poder nos comunicar, mas não tivemos grandes problemas.
Patrick era loiro, com os cabelos cacheados, tinha os olhos azuis, era amigo dele desde criança. Já tinha sido um farda verde, mas foi rebaixado por ter brigado e raspado as sobrancelhas de Todd Meaner, um dos soldados dos fardas verdes filho do general George Meaner.
– Viu a Margaret?
– Sim, ela está perto de um dos muros, tem ficado ali desde a volta dos que sobraram, ela achaque você e seu filho morreram.
– Patrick, eu estou sendo procurado por deserção, vem comigo, este lugar é ladeira a baixo.
– Eu não sei cara, tudo o que tenho está aqui.
– Confie em mim, vou buscar Margaret e já vamos embora.
Comecei a correr que nem um maluco, estava morrendo de saudade de ver Margaret, a encontrei chorando encostada no canto.
– John!
– Oi amor, eu disse que voltaria.
– Onde está Sam?
– em um lugar seguro e agora eu vou te levar para lá.
– Espera, olha, é o general Morgan, parece que ele vai falar.
Olhei para a torre e lá estavam os generais Morgan, Martin e George.
– Olá a todos, sei que obtivemos muitas perdas nesta última batalha e eu sinto muito por isso, porém, ouvi dizer que muitos aqui culpam a mim por esta terrível tragédia, aqueles que pensam assim leventem a mão e falem diretamente a mim. – falou o general Morgan.
Uma pessoa acabou levantando a mão, não o conhecia.
– Eu...
POW
Um tiro vindo das torres o acertou, despedaçando o seu crânio fazendo com que uma possa de sangue se formasse no chão.
– Mais alguém?
Um silêncio completo tomou a multidão, tanto os fardas brancas quanto os fardas verdes, era possível ver todos chocados com o que havia acontecido.
– Muito bem – continuou – alguns soldados na última batalha que travamos contra os aliens desertaram em meio ao caos, e todos fardas brancas, isso. Em minha opinião, só me faz crer que este comportamento provém de quem os ensina.
Dois fardas azuis, que eu conhecia muito bem, Robert Campbell, o melhor amigo de Sam e Ethan Fide, o irmão esnobe mais velho de Paul Fide, seguraram o general Martin pelos braços.
– O que estão fazendo me soltem.
Quando olhei novamente para o general Morgan, ele segurava uma pistola em direção á cabeça de Martin e sem nem mudar de expressão, atirou.
POW
Quando vi, o general já estava caído no chão. Morgan ainda virou para o outro lado e atirou em Meaner. Isso não pode estar acontecendo.
Fale com o autor