War for Earth

4 O inferno é um lugar melhor


Notas iniciais
Por que seguir alguém que não se importa com você? Por que seguir alguém que te sacrificaria sem pensar? Encontrar um ponto fraco em quem você odeia lhe permitindo controlá-lo é algo que deve ser usado a seu favor sempre que for possível.

15 de outubro de 2625 10:14 AM

Ainda não acredito em tudo o que aconteceu, a única coisa que me convence que isto não é um sonho é o banco onde Ribble estava que no momento está encharcado de sangue. Nosso amigo tinha acabado de ir e eu já sentia falta dele como se não o visse á uma vida.

Já estávamos quase chegando na base. Sabíamos que as baterias já não aguentariam muito mais tempo e que a qualquer momento a nave poderia despencar.

– Não há como irmos mais rápido, a nave vai cair a qualquer momento. – pergunto Fide.

– Se quiser arriscar destruir toda a estrutura da nave e despencar em queda livre até a morte certa, fique á vontade para pular logo da nave e não nos leve para o inferno juntos. – retrucou White.

– Ei calma aí cara, estou apenas dizendo.

White ainda estava muito estressado com a morte de Ribble, sentia-se culpado por isso ter acontecido, e, por ser uma pessoa um tanto explosiva, acabou descontando nos únicos que estão perto, mesmo assim, tento não julgá-lo.

– Apenas continue indo. – disse Monroe, tentando acalmar as coisas. Por um momento o achei muito mais adulto, porém, foi por apenas um momento. – Tá me olhando por que palhaço?

– Vá se foder.

– Ei, se as crianças já acabaram, – disse White – acho que é importante saberem que chegamos.

– Ótimo, vamos começar a descer.

Ao pousarmos na base e sairmos daquela maldita banheira velha, tivemos a honra de ver aquela cena repulsiva. As famílias dos soldados de farda branca, agricultores, pilotos, etc, todos num enorme campo aberto, local onde também ficavam os nossos colchões, expostos ao vento gelado da noite e ao sol escaldante do dia. O número de pessoas que possui câncer entre nós é absurdo.

Um nível acima, está localizado os aposentos dos fardas verdes. Com direito á camas, duas refeições ao dia e uma incrível estrutura com um metal á prova e tiros blaster envolto ao prédio. Normalmente só é possível se tornar um deles se conseguir se concentrar em situações desesperadas e quando ninguém já pensa mais direito ou, também é possível se tornar um deles se tiver algum parente muito próximo no comando, como é o caso de Todd Meaner, soldado dos fardas verdes, é um lixo de todas as formas, assim como o pai George Meaner, o “grandioso” general-geral das tropas verdes.

E por fim, os fardas azuis, os melhores soldados de todo o exército terrestre. Para se tornar um deles é preciso matar pelo menos um dos killers. Estes são uma mutação dos lagartos, com uma carapaça dura como diamante, o quádruplo do tamanho e o triplo da força. Normalmente não utilizam armas, partem diretamente para o combate corpo a corpo. Entre eles está o general-geral das tropas azuis e não só deles como de todos nós, humanos que lutam na Terra, Morgan Monroe, um homem alto de cabelos escuros, e não só isso, mas como também pai de William, o mecânico de naves que agora nos acompanhava. Seu pai o obrigou a ser parte do exército, já começando na patente azul, porém como não tinha habilidade alguma com uma arma, foi treinado para ser mecânico e rebaixado para um farda branca, o que explica muito de sua rebeldia.

Estávamos sendo levados para dentro da fortaleza, nunca estivera antes dentro daquele lugar, era estritamente proibido que fardas brancas entrassem naquele prédio, e que aquele que fosse pego tentando entrar seria condenado á morte.

Logo, chegamos ao topo do prédio, onde ficava o nosso grade comandante, porém, não estavam apenas estes, como também George Meaner, Martin Taylor, o general-geral das tropas brancas, ainda com o braço enfaixado por causa do corte que havia feito e o comandante do ataque noturno que ocorrera, Phillip Mason.

– Senhor, o que faz aqui? – perguntei me direcionando ao general Taylor.

– Estávamos em uma reunião, parece que a Lightning 1 caiu mesmo. Mandamos uma equipe de busca atrás dos destroços que poderiam ter caído á uns 500 quilômetros ao oeste. Após algum tempo, fizeram contato conosco pelo rádio e disseram que boa parte da nave estava ali, totalmente destruída.

– O que quer dizer que agora somos só nós lutando contra todos eles! – gritou o general Meaner, me olhando como se me culpasse por tudo o que aconteceu. Me segurei para não ir para cima dele, meus pulsos já estavam fechados e prontos para socar a cara daquele escroto.

– Ah, merda, isso é horrível. – disse Fide já se escorando em algo para não cair de preocupação.

– Sim, mas antes de falarmos sobre qualquer outra coisa, quero que me respondam algo. Onde vocês estavam? – perguntou o general Monroe.

– Estava acompanhando seu filho para consertar a nave “Revenge”, quando recebemos o alerta do comandante Mason para recuar por meio dos soldados Fide, White e Ribble. Ao conseguirmos fugir, percebemos que Ribble havia tomado um tiro, e consequentemente, sem nenhum médico conosco, acabou morrendo. Um tempo depois, paramos no meio do nada para enterrá-lo e acabamos ficando um tempo por lá para descansar. Após um tempo, voltamos a nave até chegarmos aqui. – disse encarando Meaner, como se o ameaçasse tentar mexer comigo.

– Hum, entendo, eram amigos desse Ribble? – perguntou.

– Sim.

– E por que não o trouxeram para ser enterrado aqui?

– Antes de morrer, ele havia perdido o filho, Samwel Ribble que tentava defender a base num ataque na mesma noite. Não é só por este motivo, mas, por que ele gostaria de ser enterrado numa base que não oferece nenhum tipo de proteção á quem a defende com sua vida?

Olhava agora fixamente para o general Monroe esperando sua resposta, e apesar disso, conseguia sentir que Fide, White e William olhavam para mim pensando no que eu estava pensando para falar assim com o comandante geral.

– Hum, muito bem, – começou o general. – estão dispensados. Meaner, leve alguns dos melhores construtores e fortaleçam os muros da base.

– S-sim senhor.

Ao sair dali, me senti vitorioso, não acreditava no que havia acabado de fazer. Chegando ao pátio, White me jogou contra a parede.

– Qual o seu problema? Ele poderia ter nos matado!

– Sim ele poderia, mas eu sabia que não o faria, em um momento como esse, onde precisa de soldados vivos e não de mortos, além de que William estava conosco, não teria coragem de assassinar quem salvou seu filho da morte. Por que outro motivo acha que nos chamou?

Acho que ele ficou um pouco espantado com o que disse, me olhava com os olhos arregalados e me soltou em um instante, coloquei a minha mão em seu ombro e fui em direção ao local que estava minha mulher e meu filho.

– Senhorita Margaret, como está a senhorita?

– Nunca mais faça isso comigo. Comecei a achar que tinha morrido.

– Desculpe-me, prometo que não acontecerá mais.

– Pai! – olhei para o lado e vi vindo em minha direção meu filho Sam. Ele me abraçou como se eu tivesse saído por cerca de um mês. Sam tinha completado 18 no mês passado, tinha os cabelos escuros iguais aos da mãe, já era do meu tamanho, daqui a pouco já teria que levantar a cabeça para ver seu rosto.

– Como está?

– Muito bem, aonde estava? Por que só chegou agora aqui?

– Ribble morreu, paramos em um lugar para enterrá-lo.

– Meu Deus. – disse Margaret.

– Droga, eu juro que irei vinga-lo. – disse Sam.

– Como assim vinga-lo?

– Quando souberam sobre a queda da Lightning 1, chamaram todos os jovens com mais de 16 anos e nos transformaram em soldados. Amanhã, irá ter outro ataque e não só você irá, como eu também.

Comecei a ficar tonto, não acreditava no que estava ouvindo, meu filho indo para aquele lugar horrível, com perigo de ser morto por aqueles putos, eu não suportaria. – Você não irá para lá! Esconda-se na hora do embarque.

– Mas pai, eles disseram que aquele que se negar a embarcar será morto acusado de ser um desertor.

Não acreditava no que estava ouvindo, o comando havia mesmo ficado louco. Eu teria de fazer algo e rápido.