Notas iniciais
Com um comando completamente louco, John se vê com uma decisão, salvar seu filho ou continuar obedecendo á esses filhos da puta. E uma pequena ajuda comparece em um momento difícil.

15 de outubro de 2625 17:48 PM

Como se já não bastasse eu ter que arriscar a minha vida matando essas coisas sem que os comandantes “fodões” tenham que mover um dedo, agora querem colocar a vida do meu filho em risco também. Ainda não sei o que fazer e daqui a pouco iremos embarcar para a guerra. Estou incapacitado de fazer qualquer coisa, se eu disser que ele não irá entrar, será morto, porém, se entrar pode acabar sendo morto.

– Cuide bem do nosso filho. – disse minha mulher me abraçando forte e chorando. Eu não conseguia pensar em chorar, tinha que bolar uma ideia para tirá-lo dali, estava tudo em minhas mãos.

– É claro querida, calma, prometo que o trarei de volta.

– E você – virou-se para Sam – fique junto de seu pai, confie nele sempre.

– Eu prometo. – ele respondeu, com uma expressão de confiança no rosto, queria poder ter a minha de volta.

Iríamos atacar a base de comando central, já atacada oito vezes no passado, todas miseravelmente fracassadas. A ideia de ter que levar meu filho para lá era desesperadora, mas não havia nada que eu pudesse fazer.

Após mais alguns minutos, os soldados começaram a ser levados para embarcar nas naves, não acreditava que iríamos para a guerra com Maliko, normalmente escalado para pilotar para os fardas verdes. Fomos nos aproximando da nave para podermos embarcar, já via Fide entrando na nave de Martha White, a namorada de Paul, esta tinha longos cabelos loiros e era um pouco mais baixa que eu, conversei com ela apenas uma vez, quando eu e Paul nos conhecemos. Pilotava a nave Problem, e era considerada a melhor pilota da base.

Já White, ficara encarregado de armar a nave Alfa e por isso ir com ela. Praticamente todas as naves iriam para o ataque, exceto Revenge, que ainda estava consertando e algumas outras que apresentavam qualquer problema.

– De novo você? – perguntou Maliko.

– É, parece que terá que me aturar mais uma vez. – disse e dei um sorriso de canto. Maliko, não deu sorriso algum, estava mesmo incomodado por ter que me levar novamente com sua nave, na verdade, nunca o tinha visto sorrir ou ficar satisfeito quando o assunto eram os americanos. Tanto é que sua nave foi apelidada de Fuck the America. Mas mesmo assim, não me importei.

– Você conhece ele pai?

– Sim, ele é um dos melhores pilotos que há na base.

Olhei para Sam, que parecia interessado no assunto, desde pequeno ficava fascinado com esse assunto de pilotar naves.

Após cerca de meia hora parados no mesmo lugar dentro daquela lata velha, esperando a confirmação de que estava tudo pronto, começamos a voar, foi muito quieto dentro da nave a viagem inteira, até por que, a maioria ali não se conhecia, éramos todos de diferentes tropas e até de diferentes fardas. Alguns fardas verdes vieram conosco, tudo por que desobedeceram algumas ordens. Os únicos deles que conhecia eram Steve Anthrope, um soldado comum que há pouco tempo havia destruído um de nossos pequenos postos avançados com um lança-chamas e Noah Brown que conseguiu derrubar uma parte do muro de defesa quando no teste de pilotagem bateu nele.

Já não aguentava mais ficar naquele silencio, já havia escurecido há algum tempo, e não se escutava nada lá fora. Estava extremamente incomodado. Até Maliko anunciar.

– Estamos bem perto de uma das bases do inimigo, recebi a ordem da Alfa para pousarmos, preparem-se para sair.

Meu coração, como sempre antes de se iniciar a batalha, disparou, respirei fundo e quando a porta abriu, pulei para fora. Estava tudo muito calmo, a única coisa que se podia ver era a base do inimigo há cerca de uns 10 quilômetros de onde estávamos. O comandante da operação, Martin Tols, um dos comandantes das tropas verdes, disse que seria melhor avançar a pé para que evitássemos ser percebidos. Não acreditava no que aquele cara estava me dizendo, andar 10 quilômetros? Acho que está todo mundo ficando louco.

Ao sairmos da nave, comecei a procurar White e Fide, mas não os encontrava, havia muitas naves e vários soldados, seria praticamente impossível encontra-los lá.

–Ei, onde está indo? — Olhei para trás e vi Tols, com os braços cruzados, me encarando como se estivesse fazendo algo errado. – Estou procurando alguém.

– Volte agora mesmo para junto da tropa, temos ordens específicas de ir ao encontro da base deles. – Ele me olhava com desprezo, mas já não me importava mais, deveria ficar junto deles para proteger meu filho.

Começamos a andar em direção á base e logo as tropas já começavam a se espalhar. E, após mais alguns minutos apenas minha equipe estava em meu campo de visão. Se algo desse errado, as naves estariam a poucos metros, sendo carregadas com armas e munição reserva para auxílio. Não havia muito com o que me preocupar, exceto com Sam, que parecia muito confiante.

Olhei para Tols e ele estava conversando com alguém através dos comunicadores, e após desliga-lo, se virou para a tropa e disse – Muito bem, recebi informações de que metade de nossas naves contornaram a base e irão atacar pelo norte, estas são as que carregam as bombas. – White e Fide poderiam estar lá, que eles consigam sobreviver onde quer que estejam — O nosso objetivo é atrair a atenção dos desgraçados para que estas naves consigam completar seu objetivo. Nós avançaremos até uma cratera que está a cerca de um metro ao norte e começaremos nosso ataque assim que for dado o sinal.

Voltamos a andar quando escutei um barulho alto vindo do sul, olhei e eram as naves, voando em chamas e em alta velocidade pelo céu. Vi muitos soldados correndo também.

– O que está acontecendo? – Tols perguntou, mas assim que este soldado se virou pra responder, um tiro o atingiu no crânio explodindo-o.

Olhamos para trás, e vimos vindo em nossa direção vários dos malditos lagartos. Não conseguia desviar o olhar. Apenas escutei um grito me dizendo “Corram”, e eu desesperadamente comecei a correr, já nem me lembrava mais de Sam, havia o perdido de vista, já devia estar muito á minha frente. O único que consegui ver e identificar era Tols, que vinha um pouco mais á frente, quando uma das naves caiu em cima dele, o esmagando, ao ver aquilo, cai no chão, larguei minha arma e comecei a lacrimejar, nunca havia ficado com tanto medo na minha vida, quando senti duas mãos me levantando por trás. Olhei para a pessoa e era Sam. Não acreditava naquilo, eu em meio á batalha com medo feito um bebe enquanto meu filho vinha me resgatar. Ao pensar nisso, peguei minha arma, limpei o rosto e me virei para os desgraçados.

Um a um, eu atirava e destruía. Eu, Sam e William Monroe, que estava em nossa nave, estávamos utilizando a nave que havia esmagado Tols como uma pequena barreira para nos protegermos, quando ouvi tirou atrás de mim, havia esquecido da base que naquele momento destruía nossas tropas, e em meio á todo aquele caos, com todas aquelas naves em chamas caindo sobre os soldados e as armas da base atirando e destruindo a todos, vi Paul, Fide e o comandante da minha tropa Philip Mason correndo desesperadamente fugindo de todas aquelas rajadas de tiros.

– EI, PESSOAL, AQUI!!.

Eu gritava feito um louco, até que eles me viram e vieram correndo em minha direção, Carl fora atingido no pé e estava apoiado em White.

Ao chegarem, encostaram Carl na nave destruída e Phillip começou a falar.

– Temos que encontrar uma nave, está tudo acabado.

– Mas e as naves que estavam vindo pelo norte? Elas vão trazer as bombas.

– Esqueça, elas foram destruídas, estão todos mortos e nós logo estaremos também se não fizermos logo algo.

Não acreditava no que estava escutando, tudo estava acabado, aquilo tudo fora apenas um desperdício de vidas, nem chegamos a destruir alguma das defesas da base deles, coisa que todos os ataques anteriores até aquela base foi feita.

De repente, várias naves começaram a cortar o céu, eram várias, traziam mais soldados e outras alguns médicos para tratar alguns dos feridos.

Uma nave desceu bem próximo de onde estávamos e ao vê-la nunca pude estar mais feliz, era Martha, a namorada de White, com sua nave Problem. Logo embarcamos dentro dela e começamos a subir.

– Martha, como é bom ver você. – disse Paul.

– Hum, depois você tem que me recompensar por isso ok? – disse Martha sorrindo.

– Desculpe interromper, mas, poderia nos levar para longe do fogo cruzado?

– Não. O General Morgan disse que quem abandonar a batalha será caçado e morto por deserção, na verdade, nem poderia tê-los buscado aqui, mas não conseguiria ficar em paz sabendo que os deixei lá, vou levar vocês para um lugar mais seguro. — Não acreditava no que estava ouvindo, Morgan definitivamente quer nos matar, olhei para baixo e vi de cima toda aquela guerra e nossas tropas cercadas, sendo destruídas, sem nenhuma chance de sobreviver, e ainda pensava em Sam morrendo, e olhava para todos os que estavam ao meu redor, Fide com o pé fodido, White e Phillip cansados, William, que além de estar morrendo de medo, era um pouco mais velho que meu filho, e Martha, que já havia se sacrificado muito por nós. Não aguentei, retirei as mãos de Martha para longe e comecei a pilotar a nave, virando para longe da batalha, só pensava em fugir daquele lugar.

– O que está fazendo – me perguntou desesperada Martha.

– Vamos sair daqui.

– Nós seremos mortos idiota. – disse White.

– Não se não formos pegos. – Martha tentava retirar minhas mãos do controle da nave.

– “O que está fazendo unidade Problem, retorne ao campo de batalha agora mesmo”.

Uma voz ecoou do comunicador, em alto e bom som permitindo que todos ouvissem.

– Não. – respondi com uma voz raivosa.

– “Retorne para cá imediatamente!”

– Vai se foder filho da puta.

Dei um soco no comunicador fazendo com que ele se quebrasse.

– Agora que não poderemos voltar mesmo.

–Então por favor, pilote para um outro lugar.

Martha pegou o controle da nave e continuou a ir para longe, apesar de um pouco brava, estava com um sorriso no canto da boca. Ao me virar, vi todos me encarando, uns dando risada e outros apenas olhando um pouco assustados. Não vou precisar me preocupar com Sam em perigo por agora, o que me preocupa mesmo é Margaret, que estava na base sob o comando daqueles escrotos, deveria voltar lá para resgatá-la, só não sei como.