Wanted Dead Or Alive
22 Capítulo 21 - Alicerce
Notas iniciais
Era uma noite calma em Mondragone. Alicia estava sentada na varanda olhando para o mar e tomando uma taça de vinho. Stéfano estava lá dentro tentando descobrir novas pistas no seu notebook. Como que sincronizados, ao mesmo tempo os dois saíram de seus lugares e chegaram até a sala, e até as portas bateram ao mesmo tempo. Eles sorriram com esse fato, quase envergonhados.
- E então, novidades? – Alicia perguntou.
- Pouca coisa. A Revista está realmente fechando. Estão programando a manchete sobre a Instituição para daqui umas duas edições. Acham que isso pode aumentar o número de investidores interessados na revista. E provavelmente depois disso, Luis deve fazer o que faz de melhor: Receber o prestígio pela matéria, sair da revista e ir embora da Itália como um covarde. Ele é um idiota.
- Não sei não, Stéfano... Algo deve prendê-lo aqui. Ele deveria ter ido embora há muitos anos. É arriscado ficar no mesmo lugar quando se muda de identidade.
- Realmente, e nós descobriremos o que é.
Stéfano sorriu para Alicia. Ela sorriu de volta. Estavam numa dimensão quase mágica ali, um olhando nos olhos do outro com uma intensidade anormal. Era quase como um ímã. O sorriso, de repente, sumiu dos lábios.
E a porta bateu. Vozes foram ouvidas. Eles saíram daquele transe.
- Não acredito! – bradou aquela voz feminina tão doce que Alicia reconheceria em qualquer lugar. Patrícia. – Sua vadia, como ousou não me contar sobre isso!
Alicia olhou nos olhos da amiga, fingindo um sorriso. Giovanni olhava para Alicia murmurando desculpas.
- Ah, então, Pati. Desculpe-me. Eu não queria contar nada pra ninguém por enquanto.
- Por favor! Eu não me incluo na categoria “ninguém”. Melhores amigas se lembra? Mas tanto faz, eu sei que você é meio reservada. Estou feliz por vocês, gente! Sempre soube, desde aquele dia na livraria, que não tinha acabado ali. Vocês pareciam ímãs.
- Obrigada, Pati. Também fico feliz que não tenha mais que esconder nada. – mentiu Alicia.
- Vá buscar um vinho, Pietro (Giovanni). Vamos celebrar hoje à noite! – disse Patrícia com alegria.
Stéfano estava olhando para o chão com as mãos no bolso, e Giovanni estava paralisado ainda na porta.
Instantes depois ele volta com quatro taças e um vinho tinto.
- Um brinde a nós quatro e nossa felicidade. – disse Pati.
- A nós! – todos repetiram.
- Agora só falta uma coisinha... – começou de novo a loira tagarela. – Um beijo do casal mais lindo do mundo, depois de mim e do Pietro (Giovanni) óbvio.
Stéfano e Alicia se olharam nos olhos. Ele buscava por uma aprovação, e acabou encontrando. Passou o braço por sua cintura, aproximando-a dele e foram chegando cada vez mais perto, ambos sentindo as respirações descompassadas, os rostos quase se tocando. Ela segurou-se em sua nuca. As bocas colidiram bem devagar. O coração palpitava rápido demais. O mundo começou a girar.
Aquilo poderia ter durado uma eternidade, mas durou pouco mais que um minuto. Tudo foi voltando ao eixo. Mas os dois sabiam que aquela experiência jamais seria esquecida. Não tinha sido algo puramente mecânico, como era com Paolo. Não era uma encenação, como deveria ter sido. Foi algo totalmente verdadeiro. E por toda a noite, aquela encenação-não-encenada se desenrolou, mostrando a Alicia que era aquela vida que ela sempre quisera ter, quando no meio do filme que estavam assistindo, ela dormiu nos braços de Stéfano.
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Mais uma reunião da Ordem acontecia. Os homens estavam em uma casa de praia bem no fim da cidade, perto de uma vila de pescadores. Não era nada primoroso, mas ajudava-os a se esconder. Novamente, estavam dispostos na grande mesa de madeira da mesma maneira. Após todo o ritual inicial, sentaram-se e Luis foi o primeiro a falar.
- Temos a oportunidade perfeita, irmãos, de acabar com Daniel Bellucci. – disse ele. – Como todos sabem na noite de sexta-feira ocorrerá uma festa beneficente para a arrecadação de fundos para o Hospital Santa Mônica. E Daniel Bellucci é um dos maiores doadores do hospital, portanto sua presença é garantida. Ele deve levar também o Conselheiro junto. Alguns de nós fomos chamados, e devemos comparecer.
- Certo, já sabemos disso. Onde entra a oportunidade perfeita de extermínio? – perguntou Lucca, impaciente.
- Ora, pensem comigo: Ele estará desprotegido. A última coisa em que Daniel pensaria é que tem alguém tentando matá-lo, ainda mais numa festa tão cheia de pessoas. Ele irá como uma pessoa normal. É nessa oportunidade que nós entramos meus caros.
- Você está certo. Qual é o plano? – perguntou Paolo.
Luis sorriu e começou a falar.
Depois de uns minutos, foi feita uma votação. A decisão fora unânime: O plano iria entrar em vigor.
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Diana estava sentada em seu apartamento olhando para as belas roupinhas que comprara no dia anterior. Fora uma alegria descobrir que o bebê que carregava era uma menina. Por mais incrível que parecesse pra ela agora, Luis esteve presente em todos os momentos no dia anterior, como um pai coruja. Claro, quando disseram que era uma menina, ele ficou assustado. Teve uma daquelas crises que ele sempre tinha. Mas depois fez de tudo para agradá-la. Levou a mulher para almoçar no restaurante que ela mais gostava, foi com ela até uma loja de roupas infantis e ajudou-a a escolher algumas peças.
Depois ele tirou o restante do dia de folga, levou-a até a praia e ficou sentado com ela na areia, conversando sobre a vida e sendo muito carinhoso. Aquilo fazia Diana ficar ainda mais confusa: Como aquele cara maravilhoso que ele era com ela podia se transformar num monstro terrível capaz de mandar matar uma garota aparentemente inocente? Como era capaz de manter tantos segredos, fazer parte de instituições tão secretas e conspiratórias, e nem ao mesmo ser ele mesmo: Falsificar uma identidade, ter outra vida? Era aparentemente impossível. E isso a deixava frustrada. Triste. Mesmo com toda aquela bajulação e carinho, tudo o que ela queria era se esconder em seu quarto, sozinha, e chorar.
Não sabia o que esperar do futuro. Não queria pensar no futuro. Ela só queria uma coisa: Descobrir quem era realmente o homem com quem ela estava. E mesmo que fosse a última coisa que ela fizesse, ela iria até o fim.
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- Senhorita Alicia Bellucci, você me deve sérias explicações. – exclamou Giovanni abrindo a porta do quarto de Alicia sem pedir.
Ela evidentemente estivera dormindo. Abriu os olhos com dificuldade.
- Feche a porta e venha aqui. – ela disse meio grogue.
Ele obedeceu. Sentou-se na beirada da cama, e assim também fez Alicia enquanto se espreguiçava.
- Alicia, o que foi aquilo ontem? Você e Stéfano estão mesmo tendo um caso?
- Não. Era encenação. Você sabe como a Pati é... Quando ela cisma com alguma coisa, vai até o fim. Ela não ia aceitar uma desculpinha qualquer.
- Sim, eu sei como minha namorada é... Ela é louca. Mas não me refiro exatamente a isso. É só que aquilo não pareceu nada encenado pra mim. Aliás, nos últimos tempos você tem estado muito próxima dele, pra quem o odiava há pouco tempo atrás... Mesmo não estando tão junto de você nesses últimos dias, Alicia, você tem que saber que eu consigo ver por trás da máscara. Sempre consegui. E foi exatamente por isso que eu decidi ser seu amigo, decidi te ajudar a escapar.
- Eu sei Giovanni. Você é um ótimo amigo, o melhor que qualquer pessoa pudesse querer. É só que... Eu não sei exatamente. Não sei como deveria me sentir, não sei nem quem sou direito. Tudo em que eu acreditava desmoronou. As únicas pessoas que me sobraram foram vocês. Eu só não sei como me sinto em relação ao Stéfano. É complexo demais.
- Não seja tão dura consigo mesma, Allie. Não fique com dó de si. Se você não for forte, ninguém o será pra você.
- Eu prometo que eu vou tentar.
- Tentar? Essa não é a Alicia que eu conheci. Você VAI fazer o que eu estou te falando. Pode começar indo lá arrumar esse cabelo, que ta começando a desbotar.
- É eu sei.
Ela se levantou realmente determinada: Ia fazer o que Giovanni lhe dissera. Chega de sentir pena de si mesma. Ela era uma sobrevivente.
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Era mais uma festa chata de gente rica. Era a terceira na mesma semana. Diana estava muito irritada. O bebê sentia essa irritação e se debatia muito dentro de sua barriga. Ela estava sentada numa mesa cheia de gente fresca, vestindo um vestido caríssimo e desconfortável, ao lado do marido. Mas ninguém podia negar que estava extremamente bela, com os cabelos dourados caindo em cachos pelas costas.
- Então, queridinha, como vai o bebê? – perguntou uma das socialites sentadas ao lado dela. Uma mulher morena de meia idade usando um vestido verde escuro que Diana achara muito brega. Além disso, notadamente tinha muito botox e a voz era meio nasal. Muito, muito irritante.
- Tudo ótimo. – respondeu fingindo um sorriso.
- Já sabe o sexo?
- É uma menina. Ficamos sabendo há pouco tempo.
- Ai, que coisa linda. Vai ser uma linda menininha loira, pode apostar. Hahaha.
- É, pois é, vai sim. Se me dá licença, preciso ir ao toalete.
Ela se levantou abruptamente, indo até o banheiro. Não havia ninguém lá. Ela se olhou no espelho. Notadamente, estava muito bonita. Mas nos seus olhos estava estampada a tristeza. Ela não sabia aonde se metera. Seu marido, alguém que ela achou que a amasse, era um falsário. Ela esperava um bebê dele. Stéfano, quem outrora amara está desaparecido e correndo grandes riscos. Sua vida era uma droga. Uma completa droga. Quando aquilo teria fim?
Antes que as lágrimas saíssem dos olhos, ela respirou fundo e foi caminhando para o seu lugar. Olhando de relance, conseguiu reconhecer Daniel Bellucci, um dos homens que seu marido mais odiava. Ele estava sentado na mesa entre amigos e também a viu. Os dois trocaram um aceno de cabeça, apenas para não serem mal educados. Luis estava comentando algo com um cara do seu lado quando ela chegou, sem que ele visse.
- Vai dar tudo certo, cara. Dessa noite não escapa! – ele exclamou.
- O que, meu amor? – ela apareceu dizendo.
- Nada, querida. Assuntos de negócios.
- Querido, quero muito ir pra casa. Estou cansada.
- Pode ir. Tem alguns taxis lá fora. Pode pegar um. Eu vou ter que esperar um pouco ainda. Mas prometo que não demoro.
Ela estranhou um pouco. Tinha algum plano pra ser executado naquela noite, ela sabia disso. Mas o cansaço acabou vencendo-a.
- Tá certo então. Addio, amore mio.
- Addio.
E ela se foi. Lá fora, nenhum táxi disponível. Estava quase voltando pra dentro. Uma voz lhe parou.
- Precisando de carona, senhora? – perguntou um cara vestido de motorista.
- Pior que sim. Não encontro nenhum táxi disponível. E estou um pouco exausta, sabe como é gravidez...
- Sim. Meu patrão estava indo, mas como bom filantropo que é, pediu que eu lhe oferecesse carona antes dele ir.
- Quem é seu patrão?
- Daniel Bellucci. Um bom homem, senhora.
- Estou tão cansada, que serei obrigada a aceitar.
- Acompanhe-me, por favor.
Ela foi em direção do grande carro preto. Não muito longe dali, Daniel Bellucci estava feliz. Aquela moça, de alguma forma, lhe lembrara Alicia. O cabelo cacheado caindo pelas costas, o vestido dourado que a moça estava usando e que era igual a um que ele trouxera para a sobrinha de Paris. A impaciência no jeito de andar, o olhar meio triste... Não sabia nem quem era aquela mulher, mas queria ajudá-la, por mais sutil que fosse aquela ajuda.
Diana estava sentada no banco traseiro, usando o cinto de segurança. Era muito medrosa com essas coisas. Estava quase cochilando, mas um barulho a fez despertar. Uma freada brusca. De repente o carro começou a girar na pista, o motorista na frente gritava. Ela também. Depois de duas capotadas, ela jazia inconsciente, enquanto os bombeiros tentavam retirar-la do meio das ferragens.
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