Wanted Dead Or Alive

23 Capítulo 22 - Setenciados


Notas iniciais
REVELAÇÕES BOMBÁSTICAS! quero ver quem é esperto e vai entender a deixa XD.

Luis estava sentado numa cadeira de plástico ao lado do leito de Diana. Ela estava muito pálida, tinha alguns cortes na face e um braço quebrado. Os lábios estavam inchados.

Ele queria desesperadamente chorar, esmurrar alguma coisa, tamanha a raiva que estava sentindo. Raiva de Daniel Bellucci, raiva de si mesmo, raiva da esposa. Raiva do mundo. E o pior: sentia-se totalmente culpado pelo acidente. Com a intenção de acabar com Daniel, acabou com sua própria vida. Essa foi a última coisa na qual ele pensou quando o médico, cinco minutos atrás, saiu do quarto deixando a seguinte frase no ar: “Lamento, senhor, mas o bebê não sobreviveu”. Aquilo ecoou na sua mente mais uma vez.

Essa era a redenção pela qual ele tanto procurara. Prometeu a si mesmo, há tanto tempo atrás, destruir a Cosa Nostra e depois começar uma vida normal. Ter uma família: Uma bela esposa e um bebê lindo. Ele tivera isso uma vez, e desprezou. Agora, estivera desprezando novamente. Perdeu novamente. Era um fracassado, essa era a verdade.

Admirou o rosto de Diana, tão vulnerável, tão belo, e ao mesmo tempo, tão triste. Num súbito impulso, levantou-se da cadeira e saiu. Lá fora, procurou desesperadamente uma máquina de café. Seu celular tocou.

- Alô?

- Luis, compareça imediatamente ao local da última conferência.

- Cara, minha mulher está internada, perdemos o nosso filho, não posso ir.

- Faz parte do juramento, você se lembra? É uma obrigação sua.

- Dane-se.

Ele desligou o celular, nervoso. Não gostava que lhe ditassem regras. E também não conseguia ficar mais naquele ambiente, não conseguia mais olhar nos olhos de Diana sem sentir culpa ou raiva. Aproximou-se de uma enfermeira.

- Queridinha, eu preciso realmente sair por uns instantes. Sou o marido de Diana Bergamo, do quarto 105. Quero ser informado quando ela acordar.

- Claro senhor, assim que ela acordar, nós o contataremos.

Ele saiu pela porta da frente, quase correndo, entrou no seu carro. Ele sabia onde precisava ir. Os olhos que precisava encarar. A única pessoa que lhe sobrara. Foi para o Hospital Psiquiátrio Lebuonni.

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Quando ela finalmente abriu os olhos, tudo parecia girar. Ela não conseguia acreditar que estava viva. No começo, teve uma leve confusão mental, mas aos poucos foi se lembrando de tudo. As peças foram se encaixando. A cabeça, e todo o restante do corpo doíam muito. A boca estava terrivelmente seca. Por sorte, na mesma hora uma enfermeira entrou no quarto.

- Que bom, a senhora acordou! Sente-se bem? – a garota perguntou com voz suave.

- Meu corpo está doendo um pouco, e estou com muita sede. – ela disse bem baixinho.

- Irei providenciar um analgésico e um pouco de água.

A enfermeira já ia saindo quando Diana a chamou novamente.

- Moça, o meu bebê, ele está bem? – ela perguntou, tentando conter o desespero.

A enfermeira se aproximou e tocou-a no ombro.

- Infelizmente a senhora teve um aborto espontâneo. Mas não se preocupe, ainda será capaz de ter filhos no futuro. Tudo está bem.

Lágrimas começaram a brotar nos seus olhos, o desespero começava a tomar conta de seu ser.

- A senhora precisa se acalmar. Vou ligar para o seu marido.

- Não, não, por favor, não ligue pra ele. Por favor, moça, tenha compaixão de mim, não quero falar com ele agora... Por favor, por favor...

- Não fique assim, não vou ligar, pode ficar tranqüila.

Na mesma hora ela se acalmou. Ela sabia com quem precisava falar.

- Você tem um telefone com o qual eu possa fazer uma ligação?

- Acho que aqui na UTI não... Mas em pouco tempo deve ser transferida para o quarto, isto é, se tudo estiver bem. Vamos fazer uns exames agora, tudo bem?

Ela somente acenou com a cabeça, mas percebeu que aquela movimentação doía demais. Tudo doía. Menos pensar. Então, seu cérebro trabalhou a todo vapor enquanto levavam-na para a sala de exames.

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Ela acordou no seu quarto, toda coberta. Abriu os olhos lentamente, olhando para a janela aberta, vendo as ondas agitarem-se furiosamente. Foi então que ela se lembrou: Havia dormido no sofá, no colo de Stéfano. Só aquele pensamento já a fazia corar. Ela nunca imaginaria que dentro dela ainda pudesse houver tanta vulnerabilidade.

Levantou-se, vendo que estava atrasada para o trabalho. Acabou colocando a primeira roupa que encontrou. Nem parou para tomar café, saiu correndo pela porta da frente, passando por Giovanni e Stéfano sem cumprimentá-los.

Stéfano estranhou um pouco, achou que ela estivesse brava com ele, mas acabou descartando esses pensamentos.

Foi então que o celular tocou. O número era desconhecido, vinha de Palermo. E no seu celular antigo. Será que tinham descoberto alguma coisa? Ou era apenas algum velho conhecido querendo saber de seu paradeiro? Por via das dúvidas, resolveu atender. Soube quem era apenas ao ouvir a respiração descompassada do outro lado da linha.

- Alô?

- Stéfano?

- Diana?

- Stéfano! Que bom que você atendeu! Eu... Estou muito aliviada agora.

- O que foi Diana, aconteceu alguma coisa com você? Está me deixando preocupado...

- Apenas me escute, Stéfano, por favor. Não sei por quanto tempo eu vou poder falar. Estou no Hospital...

- O que aconteceu com você?

- Me escute, por favor. Ontem eu sofri um acidente. Estava num baile de gala, me senti indisposta, uma pessoa me ofereceu carona e como não tinha nenhum táxi disponível acabei indo. Luís não me acompanhou. De repente, o motorista perdeu o controle e o carro capotou... Foi terrível.

- Diana, você está bem? Teve algo sério?

Ele sentiu certa tensão do outro lado da linha.

- Adeus. Depois nos falamos.

E assim, a ligação caiu, e Stéfano, ainda perplexo ficou ouvindo o barulhinho irritante do telefone. Não sabia o que pensar só que estava muito preocupado. Com certeza Diana estava escondendo-lhe coisas. Ele a conhecia muito bem, e ela definitivamente não estava nos melhores momentos. Subitamente começou a se lembrar do que parecia tanto tempo atrás, quando os dois saíam para jantar todas às sextas-feiras e ficavam até altas horas da madrugada conversando no Skype sobre diversos assuntos. Quando tudo era mais fácil e não existia toda essa loucura. Mas se não houvesse essa loucura, não haveria Alicia. E só esse pensamento causou-lhe arrepios.

Por fim, resolveu concentrar-se no seu próprio trabalho, e começou a ler os e-mails do dia, trocados pelos mafiosos. Mas não tinha nada muito relevante ali; ou simplesmente sua cabeça não queria trabalhar naquele momento, estando imersa numa vida muito longe dali, em tempos distantes...

Ele simplesmente resolveu sair. Conhecer a cidade em que já morava há tanto tempo e que nunca vira direito. Viu tudo sem muito interesse, apesar de apreciar a bela paisagem Napolitana. E ficou por um bom tempo, vagueando nas ruas calmas de Mondragone, à procura de uma resposta para toda aquela insanidade.

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Ele ficou esperando numa salinha confortável enquanto a atendente ia buscar a paciente. De repente, ela apareceu sempre tão bela, com os cabelos curtos como sempre e os olhos sérios. Quase não se deu ao trabalho de esboçar um sorriso ao vê-lo.

- Você por aqui? – perguntou.

- Por que o espanto? Não posso vir visitá-la?

- Isso é muito incomum e você sabe disso. Alguma coisa aconteceu. O que foi dessa vez, Luis?

Ele pediu a ela que se assentasse, e se assentou ao lado dela no sofá vermelho da sala. Ela não mostrou nenhuma reação, mas viu o desespero nos olhos dele.

- Minha vida ta uma bagunça! A Diana, minha mulher perdeu o bebê ontem. E a culpa foi minha... Mas eu simplesmente não consigo aceitar isso, sabe.

- Engraçado que você vem a um Hospital de loucos e pede a um deles que seja seu analista. – ela comentou com sarcasmo.

- Estou falando sério. Você é a única pessoa que me sobrou, a única que sabe de tudo, pra quem eu não preciso fingir alguma coisa... Eu preciso falar com você senão irei enlouquecer.

- E então me fará companhia aqui no Hospital... Sinceramente, Luis, o que você espera que eu lhe diga? Essa é a sua recompensa pelo passado. Você não tentou matar sua filha? Agora o seu futuro filho lhe foi tirado. Aqui se faz aqui se paga. Você causou a dor de toda uma família, agora é a sua vez de sofrer.

- Você fala isso com uma frieza tão grande que me deixa assustado.

- A vida me ensinou isso, meu caro. O máximo que se pode ter é o mínimo de realidade vivendo num Hospital para pessoas perturbadas, quando você é forçado a ficar lá. Por mais de vinte anos. Acha que a minha vida está sendo uma maravilha? Veio aqui checar mais uma tragédia que você causou nesse mundo? Se for só isso, pode ir embora, seu estrago já está feito. – disse ela, enquanto lutava com as lágrimas que tentavam sair. Ela precisava enfrentar seus fantasmas interiores, e essa era a única forma.

- Então tudo bem, eu vou embora. Aproveite seus dias nesse manicômio. – ele disse com desdém, mostrando seu ego ferido.

- Acho que você começou a confundir as coisas, amigo. Você está muito mais louco do que eu.

E ele saiu dali ainda mais chateado. Nunca se sentira tão só em toda sua vida. E quanto a seus fantasmas interiores, ele sabia que eles jamais morreriam.

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-Eu não acredito! Você não pode fazer isso comigo, Luis. Não pode! E quanto a tudo o que vivemos juntos? Nossa filha? Será que nada disso valeu? Nada foi verdadeiro? – ela questionava aos prantos. Estava ajoelhada no chão da sala, por não agüentar manter-se em pé.

- Cale a boca, Giovanna. Isso não tem a ver com você. – ele gritou irritado. Depois se ajoelhou de frente para ela e passou a mão por seu rosto alvo. – Você não está no meio dessa história. É o seu irmão, ele é o culpado de tudo.

- Tira as mãos de mim! Eu tenho nojo de você. Nunca me senti tão usada em toda minha vida. Eu te amava de verdade, Luis, para que toda essa ganância? Onde você pensa que isso pode te levar? Você ficou louco!

- Eu não sou louco! – ele começou a gritar de novo. – Eu não sou louco! Nunca mais repita isso, ouviu? Eu quero mais é desfrutar do que esse mundo tem de melhor pra me oferecer, não vou me contentar com pouca coisa não.

Naquele momento uma voz começou a ressonar pelo ambiente, fazendo ambos se calarem. Era o bebê, que estava chorando.

Giovanna pegou a garotinha nos braços e começou a embalá-la para fazê-la silenciar-se. Mas a menina não parava de chorar. Pelo contrário, chorava cada vez mais alto.

- Cala a boca dessa menina logo! Se não eu mesmo vou ai.

- Você não vai encostar um dedo nela, seu nojento! Comigo pode fazer o que você quiser, mas na minha filha você não toca.

- Quer saber? Vocês duas estão no meu caminho. Eu não queria ter que tomar atitudes drásticas... Mas não acho que seja possível deixá-las de lado.

Ele começou a sair do cômodo. Giovanna estava sem ação. Alicia se calara. Aquilo só podia ser um pesadelo.

- Você ficou louco... Louco.

Louco.

Louco.

Você. Ficou. Louco.

E mais uma vez ele acordou assustado no meio da noite, por seus fantasmas que o impediam de viver em paz.

Notas finais
E então? assustados?