Wanted Dead Or Alive
21 Capítulo 20 - Subconsciente
Notas iniciais
Naquele momento tão crucial da reunião eles já sabiam a resposta para o enigma.
- Daniel está nos traindo. Ele sabe onde está Alicia. – disse Luis com toda calma do mundo.
- O pior é que isso faz todo o sentido. Primeiro: Colocar um novato inexperiente pra procurá-la, quando “ela punha em risco” toda a Organização. Segundo: Ele está sendo muito brando com o Franco, nunca pedindo respostas concretas, sempre adiando... E o Franco, Stéfano ou qualquer seja o nome daquele infeliz, como já sabemos têm escondido ela. Tudo se encaixa. – completou Álvaro.
- O poder da Organização NUNCA poderia ter sido passado pra esse clã maldito dos Bellucci. Todos são uns babacas sentimentais. Sempre colocou em risco a organização. E isso não vem de agora, vem de pelo menos duas gerações atrás. El Gran Lino Bellucci, avô do Daniel encobriu os assassinatos contra membros da Organização que não queriam concordar com suas idéias e que foram cometidos pelo próprio filho, Pietro Bellucci, que veio a ser pai de Daniel, e que, ao invés de expor para a Máfia seus problemas para que pudessem ajudá-lo, confiou a morte do amante da esposa a um agiota qualquer desqualificado. E agora Daniel, escondendo Alicia. Francamente, isso deveria ter um fim. – comentou Luis, furioso.
- Acho que isso nos leva a uma conclusão... – disse Lucca com um sorriso nos lábios.
Os outros homens na mesa esboçaram o mesmo sorriso de canto, totalmente discreto. Mas por dentro, Luis, ele queria chorar de tanta alegria.
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Aproveitando a distância do marido, que iria ficar longe durante toda a madrugada, Diana saiu de casa em seu carro e foi parar no prédio da Italian. Ela saiu por volta das oito da noite, assim que o marido saiu de casa. O prédio ainda estava aberto, vários funcionários trabalhavam na arte final da revista que deveria sair em dois dias. Ninguém notou nada de diferente em sua entrada. O porteiro já tinha ido embora. Ela subiu diretamente para o escritório do marido, no décimo quinto andar e abriu a porta com a chave reserva que ele tinha guardado no esconderijo dentro do guarda-roupa. A sala dele era a única que não possuía câmeras nem detector de presença, uma vez que ele sempre precisava fazer rápidas visitas ao escritório no meio da noite e recebia ligações e visitas importantes, que ninguém poderia ver. Elas sempre subiam pelos fundos e entravam pelo elevador particular de Luis.
Diana adentrou no espaçoso cômodo e acendeu a luz. Na sua mente ela revia todo o esquema, tentando não se esquecer de nada. Caminhou até a escrivaninha. Ligando o grande computador, tentou entrar na pasta Diana, que continha uma foto dela. Qualquer pessoa pensaria que era uma pasta de fotos, como dizia na descrição. Mas enganavam-se. Ao abrir a qüinquagésima sétima foto tão comum quanto às outras, uma senha era pedida. Ela sorriu e digitou a senha, a qual descobrira depois de muito tempo no escritório com o marido. Era uma combinação alfanumérica correspondente ao nome do mesmo misturado com o nome da cidade: 5P5A8L8E4R4M4O7777
Após isso, o sistema se modificava e na tela, uma mensagem pedia para aguardar um momento. O coração dela já estava acelerado. Ela não sabia o que esperar. Dentro da barriga, sentindo o nervosismo da mãe, a bebê se mexeu com força, fazendo-a se sentar.
Agora uma “cópia” do computador antigo era aberta. Um novo sistema operacional, com novas pastas e documentos. Outra senha de acesso era pedida. Dessa ela também se lembrava. Ela o ouvira repetir várias e várias vezes, mas nunca havia entendido. Depois dos documentos que leu tudo fez sentido. Ela digitou: PugnaehostesHocestmissio. Era parte do juramento da Ordem. O sistema foi desbloqueado e ela pode navegar pelas pastas. Ela clicou no documento “Agenda”. Lá, encontrou todos os cronogramas secreto do marido, com as reuniões da ordem e encontros com pessoas secretas, escritas com codinomes. Mas algo a mais lhe chamou a atenção.
“Visita ao Hospital Psiquiátrico Lebuonni”.
Nunca ouvira falar nada sobre Hospital Psiquiátrico. Estaria lá algum membro de sua família de verdade que ele visitava de vez em quando por remorso? Anotou o nome do lugar para pesquisar depois em casa. Depois, outra coisa chamou sua atenção. Um programa, chamado Sistema de segurança. Ela clicou. Abriu-se uma janela que tinha a data e hora do dia, uma câmera filmava uma pequena parte em especial, perto da Estante. Lá, perto de um livro meio velho um ponto vermelho reluzia. Um alarme com raios infravermelhos, invisíveis a olho nu, mas visíveis no monitor. Era impossível se aproximar do lugar sem ser notado ou descoberto. Tinha algo naquela estante que Luis protegia com todas as forças. E Diana prometeu pra si mesma que iria descobrir. Desligou tudo direitinho e arrumou tudo, para parecer intacto. Saiu sem fazer barulho e voltou pra casa, chegando poucos minutos antes do marido.
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Alicia não conseguia dormir. Lá para o meio da noite, com o cobertor sob os ombros, ela foi para a varanda. Ela gostava de ficar vendo o mar, isso a fazia pensar, e relaxar. Trazia um pouco de paz naquele mundo conturbado. Mas ao chegar lá, viu que não estava sozinha. Stéfano estava sentado no primeiro degrau da escada com um copo na mão. Ele parecia destruído. Ao redor de seus olhos tinham enormes manchas arroxeadas, devido à falta de sono. O cabelo estava todo desgrenhado, jogado pelo rosto. Os olhos azuis tinham perdido todo o brilho.
Alicia também não estava tão bem. O rosto parecia inchado e tinha enormes olheiras. Mas aos olhos de Stefano ela nunca deixaria de ser estonteante.
- Também não conseguiu dormir? – perguntou ela baixinho.
- Eu geralmente nunca consigo. – ele respondeu sem emoção.
Ela se assentou do lado dele na escada e suspirou. Tinha descoberto nele uma espécie de ponto de paz. Talvez porque dele, não conseguia esperar uma traição. Ele trocara muita coisa por ela. E ela se sentia muito agradecida. Na verdade, ela não sabia como se sentia. E nem queria pensar naquilo agora. Só queria encontrar meios de viver.
- Eu tenho novidades. Ia esperar para contar de manhã, mas como você está aqui... – ele disse.
- Fala logo.
- A revista Italian está falida. Parece que Luis andou desviando algum dinheiro, uns sócios descobriram e retiraram suas ações. Ele está louco atrás de novos acionistas. Se não conseguir em pouco tempo, a revista fecha.
Num súbito momento, a visão de Alicia se abriu. Ela tinha um plano. Aquela era uma sensação tão antiga, que parecia quase nova agora. Ela finalmente voltara a pensar.
- Eu tenho um plano, Stefano.
- Conte-me então.
Ela começou a faltar.
Na manhã seguinte, quando Alicia chegou à livraria, ela ainda parecia bem mal. Não dormira nem sequer um segundo na noite anterior, passara a noite conversando com Stefano sobre suas idéias. Patrícia notou.
- Val... Você ta acabada! – exclamou a amiga.
- Bom dia pra você também, Pati. Dormi mal essa noite.
- O que ta acontecendo com você, hein? Nesses últimos dias você tem faltado, e quando vem, chega assim, destruída, totalmente sem forças pra trabalhar. Me conta o que está acontecendo... –implorou Patrícia.
- Ai, Pati, são os problemas da vida. Tive uns problemas familiares, fiquei realmente mal. Mas obrigada por se preocupar, vai ficar tudo bem.
- Ok, amiga. Já sabe né, se precisar de alguém pode contar com a Pati aqui!
Patrícia abraçou a amiga. Sentia que tinha algo muito errado ali. Ela começou a reparar melhor em Alicia. Notou nela os pequenos fios ruivos brilhando no sol. Achou muito estranho.
- Valéria, seu cabelo é natural preto?
Alicia nem pensou muito pra responder
- Não, ele era castanho. Mas eu gosto de preto, acho que combina melhor com minha pele.
- É realmente fica melhor.
Mas definitivamente, aqueles fios não eram castanhos. Ela se lembrou do estranho que chamou a amiga por outro nome. Alicia. O nome da mulher que assassinara seu pai há meses atrás. A razão por trás do seu fracasso nessa cidadezinha interiorana. Será que tinha algo haver? Será que ela queria assassiná-la também? Ela não sabia. Não sabia de nada. Mas aquilo nunca saiu de sua cabeça.
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Daniel não conseguia mais conter sua emoção. A sobrinha estava viva! Finalmente ele podia viver em paz. Passou tanto tempo atemorizado, com medo de perder a Alicia, que quando ouviu sua doce voz do outro lado do telefone, queria ter ido até lá no mesmo dia até Mondragone para vê-la, e comprovar que era verdade. Era o que ele planejava fazer em breve. Estava, mais uma vez, conversando com o conselheiro em seu apartamento.
- Quando você pretende ir até lá, Daniel? – perguntou o amigo.
- Não sei, quero que seja o mais breve possível. Mas tudo tem que ser feito com muita cautela, senão podem descobrir.
- Já que meu papel aqui é de conselheiro... E depois que você vê-la, o que vai acontecer, já pensou nisso?
- Não, ainda não pensei. Sinceramente não sei o que fazer depois. Talvez eu dê pra ela um dinheiro pra ela fugir e nunca mais aparecer, sei lá. Eu só sei que depois de tantos meses, eu preciso vê-la, comprovar que ela está realmente viva.
- E se descobrirem?
- Aí eu não sei meu amigo. Mas antes, prefiro que me matem a vê-la morta. Eu vivi muito já. Desfrutei das melhores coisas dessa vida, meu caro, e das piores também. Aquela garota, ela não viveu. Perdeu os pais quando era muito nova, não teve amigos, viveu uma vida toda muito depressiva. Ela nunca comentou, mas eu sei que ela nunca superou o assassinato dos pais. O seu suposto prazer era na Irmandade, fazendo justiça com as próprias mãos, à sua maneira. Eu quero dar a ela a oportunidade de viver a vida que ela quiser, e não que ela fique presa num compromisso que ela assumiu por pressão, como aconteceu comigo.
- Você está certo, Daniel. Realmente, ela merece viver. Viver uma vida em que possa desfrutar dos bens que possui trabalhar num emprego normal e formar uma família. Esse não é o sonho de todos nós?
- É sim. E o dela vai se realizar. Eu te garanto. Em breve, estaremos em Mondragone.
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