Wannabe Cinderela

1 Uma visita inesperada


Notas iniciais
Mais uma fic, gente! Na base da humildade, da gratidão a vcs que leem o que escrevo, da vontade de agradar, chego aqui com mais uma história que mistura amor, comédia e, pela primeira vez, até uma certa dose de surreal. ENJOY!

Rachel fazia caras e bocas para a lente do fotógrafo enquanto ele clicava incessantemente.

Quinn Fabray, sua empresária, bebericava uma xícara de chá e via sua agenciada posar para mais uma capa de revista famosa quando o celular de Rachel começou a vibrar e Quinn viu que era uma mensagem de Brody Weston que havia chegado.

A empresária, uma mulher bela, loira, jovem, de traços delicados e voz mansa e adocicada, teve ânsias de fúria.

Como Rachel era capaz daquilo?!

-Eu não acredito nisso! – a empresária quase gritou quando ela e Rachel estavam no carro da artista, após a sessão de fotos.

-Do que você tá falando, Quinny?- perguntou Rachel.

- Disso! – Quinn balançou o iPhone de Rachel na cara dela. – Brody Weston? Really? Você tá noiva! E do Jesse St. James, que acabou de estrear numa nova série!

-Ninguém precisa saber disso. Esse lance que eu tenho com o Brody é mais físico, não quer dizer que eu quero casar com ele ao invés do Jesse. – Rachel desdenhou.

-Rachel, se a imprensa fofoqueira descobre... ai, meu Deus, eu vou demorar mais tempo do que quando você foi clicada sem calcinha e bêbada para abafar o caso. Já vejo a Joan River tecendo quinhentos comentários maldosos sobre você.

-Aquela múmia é o que menos me importa, Quinn. Fala sério, você já viu o abdômen do Brody?

Quinn encarou Rachel seriamente:

- Você só pensa nisso? E a sua reputação? E a sua carreira? E o seu noivado?

-Quinn, eu sou Rachel Berry.

Parecia que ela estava acima do bem e do mal, e, se fosse analisar o mundo em que ela vivia.

Rachel Barbra Berry: atriz e cantora renomada do showbizz. Ganhadora de Oscar, Grammy e Tony, ela era protagonista de uma série de TV, estava em cartaz com um filme e era uma das estrelas mais conhecidas e reverenciadas da Broadway. Era quase como se sua vida fosse simplesmente pequena para tanto sucesso, tanto talento e tanta requisição para tantos trabalhos. Mas ela gostava, aliás, ela amava o brilho dos holofotes, o glamour, a ostentação, enfim, a fama. Rachel não se negava a gravar um filme, a série, um comercial, um disco... ela queria sempre estar no centro das atenções.

-Será que você não tem medo de que um dia sua sorte mude? – Quinn indagou, amuada.

- Sorte? Que sorte, garota? – Rachel revidou. – Tudo o que eu quero eu consigo porque eu sou talentosa e capaz. Eu posso tudo o que eu quiser.

-Rachel, você não é infalível. E você precisa pensar melhor na consequência dos seus atos.

Rachel bufou:

- Quinn, para de encher. A vida é minha, o corpo é meu, eu quero fazer tudo o que a vida me proporcionar, tá?

-Quer saber? Eu estou cansada de ser humilhada por você! – Quinn falou, indignada. — Você é prepotente, arrogante, convencida... eu me demito!

- Eu que demito você!!!! Sua chata! – Rachel berrou, e Quinn saiu do carro.

Rachel Berry estava possessa.

Louca da vida.

Quem Quinn achava que era para lhe dizer aquelas coisas?

Claro que ela não era nada daquilo.

“Eu posso passar dos limites, às vezes, mas é porque eu sou uma selvagem, eu gosto de emoções fortes, eu não sou tão má assim.”

Rachel olhou em volta. Já estava na sua enorme cobertura em um dos bairros mais caros de Manhattan, mas que estava vazia. Aliás, a casa dela só ficava cheia quando dava uma festa de arromba e convidava meio mundo. Depois, todos iam embora, e ela ficava lá, só.

Os porta-retratos da casa só exibiam a artista. Morena, baixa, pernas lindas, torneadas, cabelo castanho longo e tão bonito que tinha sido o responsável por fazê-la ser a garota-propaganda de uma conhecidíssima marca de xampu.

O celular da diva tocou, e ela hesitou um pouco para atender; era Jesse, seu noivo:

- Oi, amor. –ela atendeu, falando “amor” de uma forma tão burocrática que Jesse se espantou:

- Estou interrompendo algo?

-Não, querido, só despedi a Quinn e tô de péssimo humor.

-Mas, por quê? – Jesse estranhou. – Rachel, o que você aprontou?

-Nada! – ela mentiu, porque obviamente, não iria citar que fora por causa de Brody que sua briga com Quinn tinha começado. – Querido, eu vou desligar. Estou cansada.

-Mas, Rachel...

-Tchau, Jesse. – ela desligou.

“Mané”, Rachel pensou consigo mesma. “Qualquer dia, também dou um pé na bunda dele”.

-Dolores! – a diva berrou. – Quero que você prepare um jantar especial... vou receber um convidado.

- Hum, que bom? Será o senhor St. James? – a empregada perguntou, solícita.

- Deixa de ser intrometida, sua empregada fofoqueira. – Rachel respondeu, ríspida. – Não é da sua conta!

Mas o jantar não era para o noivo, e sim, para Brody. De alguma forma, ela achava que precisava se compensar pelo estresse.

Até que passos em direção à sala chamaram a atenção de Rachel:

- Dolores, eu já mandei... quem é você?!

Uma mulher elegantemente vestida, loira, bela e magra estava parada diante de Rachel. Ela não sabia de onde aquela mulher tinha saído, e nunca tinha lhe visto antes:

- Quem é você? Como você entrou na minha casa?

- Prazer, ou melhor, desprazer. Meu nome é Cassandra Jully. – a mulher respondeu com desdém à altura. – e você, é a grande, a estrela, a salve salve Rachel Berry, não é?

-Sou eu, sim. Olha, eu não quero saber, vou chamar a segurança e pôr você para fora daqui!

- Eles não podem me pegar, querida. Eu sou uma fada. Eu uso magia, esses lances todos.

Rachel estreitou os olhos:

- Desculpe? Você é louca, por acaso? Eu vou pôr você para fora!

Cassandra encarou Rachel friamente:

- Você é a minha missão da vez. Estrela de sucesso, rica, famosérrima, cheia de luxo, glamour... alguém que tem tudo o que a vida pode oferecer de mais rico e precioso, em termos materiais.

-Eu não preciso de alguém que invada a minha casa para me dizer o quanto eu sou incrível. – Rachel rebateu, sarcástica.

- Aí é que está, minha cara: você não é incrível. Você é má, mesquinha, egoísta, trata os outros como se fossem lixo e se acha a quintessência do que há de melhor entre as pessoas famosas do mundo todo. Por isso, você é minha missão da vez.

-O quê?! – Rachel estava quase sem palavras ao ser afrontada daquela forma.

- Eu sou sua “fada bota-na-linha”. O contrário de uma fada-madrinha.

Rachel riu, irônica:

- Quem é você, hein? Alguma namoradinha revoltada com cujo namorado eu fiquei? Ou uma artista que perdeu um papel para mim?

Cassandra Jully, impassível, disse:

- Eu já disse: eu sou uma fada, que não vai realizar seus sonhos ou qualquer coisa que a Disney tenha inventado, mas, sim, colocar você na linha, nos eixos. Você vai perder tudo, Rachel.

Rachel riu:

- E quem é você, queridinha, para tirar tudo o que eu tenho? Tudo o que eu construí?

-Ai, você é surda? Sou sua fada “bota-na-linha”. É sério. Amanhã, você, de diva, se tornará uma pessoa mais comum, mais pobre, mais insignificante que a empregada que você tratou tão mal há poucos minutos. Você terá que se recriar e aprender os verdadeiros valores da vida, Rachel.

E, antes que a diva pudesse esboçar qualquer reação, antes que pudesse esbravejar, ou fazer qualquer coisa, Cassandra simplesmente estalou os dedos e sumiu diante dos seus olhos.

“Eu só posso estar louca!”, Rachel arregalou os olhos começou a tremer, assustada. Pela primeira vez em muito tempo, escutou umas boas verdades e estava realmente impressionada.

Notas finais
Reviews???