Wannabe Cinderela

2 Welcome to the jungle


Notas iniciais
Não existe nome melhor para a nova fase da vida de Rachel Berry nesta fic! kkkkk Divirtam-se! Obrigada pelos comentários!

Aquilo só podia ser fruto da sua imaginação.

“Talvez o efeito daquelas bolinhas ainda esteja mexendo com meu corpo”, ela pensou, lembrando da última festa em que tinha ido.

Rachel decidiu ir dormir. Era completamente louco estar fazendo aquilo tão cedo para os seus padrões, mas, depois de ver uma mulher se desmaterializar na sua sala, dizendo que era um tipo de fada, bem diante dos seus olhos, ela perplexa e tonta demais para qualquer outra coisa.

Os empregados estranharam, mas decidiram não incomodá-la. Então, cedo da manhã, receberam um comunicado de que tinham sido dispensados. Não trabalhariam mais para Rachel Berry, ela se mudaria e desejava que todos fossem embora imediatamente.

Outra coisa mais estranha ainda aconteceu quando Rachel levantou e saiu do quarto: seu apartamento estava totalmente vazio. Todos tinham ido embora e seus móveis tinham sumido. Boquiaberta, em choque, em pânico, tudo ao mesmo tempo, ela correu para o quarto para se trocar, mas, quando chegou lá, tudo também tinha sumido.

Não havia absolutamente nada.

Ela correu para o seu closet. Todas as suas roupas, bolsas, calçados, joias, tudo havia evaporado. Apenas sua carteira de identidade estava sobre uma prateleira. Rachel puxou uma gaveta e encontrou uma blusa, uma calça jeans simples e um par de sandálias também muito simples e barato.

-Meu Deus, o que tá acontecendo?! – ela se desesperou, com lágrimas nos olhos. – Ok, parou! – ela berrou. – Já entendi que é uma pegadinha! Podem trazer minhas coisas de volta! Podem aparecer, câmeras! – ela gritava histérica para as paredes, como se ali realmente tivesse alguém lhe escutando.

-Você realmente não me levou à sério, não é? – uma voz soou atrás de Rachel e ela se virou rapidamente.

- VOCÊ! Devolva minha vida A-GO-RA! – ela apontou o dedo inquisidoramente para a mulher loira a sua frente.

- Hum-hum. Eu te falei que você ia perder tudo, lindinha. Já começou.

- Vem cá, por que você me odeia tanto? Você quer o quê? Dinheiro? Eu te dou. Me processe, se quiser. Mas para de fazer terrorismo comigo. Ai, meu Deus, hoje eu tenho que gravar, faz as minhas coisas aparecerem! – Rachel falava rápido, em total descontrole.

Cassandra bufou e revirou os olhos:

- Olha, Rachel, eu li o relatório que me deram a seu respeito. – ela estalou os dedos e um pergaminho enorme surgiu em suas mãos. – Você aqui é acusada de ser chata, insuportável, mimada, egoísta, egocêntrica, traidora, manipuladora, mesquinha, desrespeitosa, mentirosa... mas não de burra.

-Quem escreveu isso sobre mim? – Rachel indagou com os brios fervendo.

- Existe um plano superior a este em que vivemos, que não é o que vocês, humanos mortais, convencionaram a chamar de “céu”, mas algo que está entre ele e a Terra, entende? Tipo, quando Shakespeare saiu com umas fadas, aliás, que o inspiraram a escrever Sonhos de uma Noite de verão, ficou obcecado pela ideia de que “existem mais coisas entre o Céu e a Terra do que supões nossa vã filosofia”. Pois é, a vã filosofia de vocês não imagina que neste instante, fadas, duendes, elfos, bruxos e outros tipos de seres estão por aí...

-Fazendo a desgraça dos outros como você tá fazendo com a minha? – Rachel a interrompeu.

- Não. Tentando remendar as besteiras que vocês fazem. – completou Cassandra.

- Eu quero minha vida, minhas coisas, meus empregados de volta.

- Então, faça por merecer. Você foi agraciada com um talento ímpar, Rachel. Você era uma criança de classe média, nariguda e filha de dois pais gays, que poderia muito bem ter tido uma vida medíocre. – Cassandra falava incisivamente. – No entanto, você conseguiu chegar ao estrelato de uma forma inacreditável. Você poderia ser uma pessoa melhor, porque já passou por tantas dificuldades! Sofreu bullying na escola, levava banhos de raspadinha, levou muitos “nãos” na cara, chegou a passar fome quando veio morar em Nova York... e, mesmo assim, não perdeu uma só a vez a chance de humilhar os outros quando se viu bem estabelecida.

Rachel ouvia a tudo de cara amarrada, mas sabia que cada palavra da fada era verdade. Lembrou das raspadinhas que levava todo dia, das palavras grosseiras, das horas em que ficou com fome e sem dinheiro esperando para fazer testes que não davam em nada...

- O que vai acontecer comigo? – ela perguntou duramente, tentando não deixar a fada ver as lágrimas em seus olhos.

- Você vai embora daqui.

-Como assim? E o meu trabalho?

- Rachel, você não tem mais nada! Vai começar tudo do zero! Sem luxo, sem fama, sem grana, sem nada! Vaza, garota! – Cassandra estalou os dedos e sumiu.

-Essa desgraçada vai me pagar! – Rachel vociferou, vestindo com raiva borbulhante a roupa que estava na sua gaveta.

Quando saiu, ninguém lhe cumprimentou. Estava com uma roupa superbásica, sem maquiagem, o cabelo amarrado num rabo-de-cavalo. Na rua, as pessoas passavam por ela e não esboçavam nenhuma reação. A cada rosto que não demonstrava o mínimo interesse que fosse nela, Rachel constatava que não era mais famosa. “Roubaram minha vida de mim”, ela choramingava, andando sem rumo entre a multidão que abarrotava as ruas nova-iorquinas.

Já era à tarde e Rachel estava tonta de fome. Cassandra, a observava, à distância, e viu que já era hora de ela se interpor no destino de Rachel mais uma vez:

- Hum, e se... – Cassandra falava consigo mesma. – Ele é bom. – constatou, e estalou seus dedos.

Rachel atravessou a rua chorando. Estava tonta de fome, uma chuva fina começava a cair, e ela estava arrasada, ninguém lhe reconhecera, ninguém estava preocupado com ela...

-VOCÊ TÁ LOUCA?!

Gritos, uma pancada forte, e de repente tudo foi escurecendo, uma dor engolfou todo o seu corpo.

{...}

-Não se mexa! Você tá bem?

Um rosto de um rapaz belo, moreno, de sardas delicadas e de olhos cor de uísque pairava sobre Rachel.

- Hum, não sei. Quem é você? – ela indagou, mais tonta do que lembrava estar.

- Eu sou Finn Hudson. – ele coçou a nuca, sem jeito. – Eu atropelei você.

Rachel arregalou os olhos, notando que estava numa enfermaria de um pronto-socorro, tomando soro e com um dos braços enfaixado:

- Você o quê?! Eu... eu não vi nada...

- É que foi muito rápido. Você passou pelo meu carro do nada, atravessou a rua sem noção do que tava fazendo, acho. – ele se justificou. – Mas o médico disse que tá tudo bem com você.

Rachel se remexeu na cama, incomodada:

- Claro que não! Eu fui atropelada, eu exijo uma indenização!

Finn fez uma cara exasperada:

- Olha, eu tenho testemunhas de que você atravessou a rua sem prestar a atenção. E, depois, eu prestei socorro, te trouxe ao hospital e vou ter que me entender ainda com meus patrões por causa da sua negligência. Sabia que você amassou o carro deles?

Rachel estava com dor, raiva, e o pior, sem saber o que fazer:

- Eu...eu não tenho para onde ir. – grunhiu.

-Como? Não tem casa, família, amigos? – Finn estranhou.

-Não, eu... eu atravessei a rua daquele jeito porque tava morrendo de fome e sem destino. – ela admitiu, sentindo-se humilhada até à raiz dos cabelos.

Finn novamente coçou a nuca, aflito. Rachel reparou melhor nele: como era lindo! Alto, forte, ombros largos, uma leve barba por fazer, um nariz e uma boca... uau!

-Ok, eu acho que posso te levar para onde eu vivo.

- E onde é? – ela estremeceu. – Olha, eu posso me virar, não precisa...

-Não, você vem comigo. Eu posso te abrigar por uns dias na casa onde eu vivo.

{...}

Durante todo o trajeto, Rachel se manteve calada. Finn tinha sido mais um que simplesmente não parecia tê-la reconhecido como a artista famosa que ela era. Até que eles viraram numa curva em particular e ela comentou:

- Hamptons? Você mora aqui?

-Meus patrões moram. Eu sou um motorista, ainda não percebeu? – ele perguntou, irônico.

As casas pelas quais o carro passava eram verdadeiros cenários cinematográficos. Mansões enormes, luxuosas e excêntricas despontavam aos olhos de Rachel. Ela já conhecia o lugar, e sempre tivera vontade de comprar um daqueles imóveis; tinha, inclusive, comentado com o noivo, Jesse, de que eles poderiam ir morar naquele balneário de luxo.

- Aqui é onde eu trabalho. – disse Finn, apontando para uma mansão gigantesca. – Esta é a casa da Família Benson.

- Dos Benson, donos de uma das maiores jazidas de petróleo dos Estados Unidos? – ela arregalou a boca.

- Isso aí. – Finn sorriu com o canto da boca. – Olha, eu vou te deixar escondida no meu quarto, por enquanto. Ninguém ainda pode saber que você tá por aqui, ok?

Rachel olhou dentro dos olhos daquele motorista bonito e achou que, depois de ter perdido tudo, talvez ter sido atropelada por ele tenha sido até lucro:

- Ok. – ela respondeu.

Notas finais
Reviews???