Wannabe Cinderela
20 Tudo ou nada
Notas iniciais
Os jardins da mansão dos Benson nunca estiveram tão bem cuidados; Puck também nunca tinha tratado tanto as piscinas da residência. Kurt, Santana e Rachel nunca tinham polido, limpado, esfregado, lavado e verificado tanto os cômodos e os utensílios de prata e porcelana fina, as finíssimas toalhas de mesa ou os conjuntos de roupa de cama e banho da mansão, porque muitos dos convidados para a festança que o casal Benson daria acabariam se hospedando por lá. Finn perdera a conta das viagens que já dera levando e trazendo a patroa, os filhos dela, e todas as encomendas. Mercedes, mesmo à contragosto, estava servindo de auxiliar de Camille, que, afinal de contas, era a chef responsável por toda uma infinidade de iguarias que seriam servidas na festa.
Sob o olhar atento de Beist, entregas eram feitas e conferidas à toda hora, assim como nenhum detalhe da arrumação, da decoração da festa ou do que quer que fosse concernente a ela passavam desapercebidas; a governanta parecia um general prestes a enfrentar uma batalha homérica.
–Dios mio! – Santana jogou-se sobre uma cadeira, quase desmaiada de cansaço. – Ainda bem que essa festa é amanhã, não aguento mais!
– Eu também tô morto. – Kurt continuou, observando com pesar suas delicadas mãos bem mais sofridas do que de costume, depois de polir todos os talheres de prata.
Naquela hora, sentados à mesa para jantar antes de cada um ir para o seu apartamento descansar, enquanto as travessas de comida passavam, e todos riam e conversavam, Camille observava Finn e Rachel trocando olhares e gestos de carinho, claramente apaixonados e reconciliados. Será que ela deveria dar a poção para ele? Será que ela conseguiria viver sem ele?
{...}
–Humm, Finn... – Rachel suspirou quando sentiu o namorado encaixar-se atrás dela, apertando sua cintura e beijando seu pescoço.
– Eu tô pensando em algo, Rach... – ele sussurrou ao seu ouvido.
–Em quê?
– A Quinn ligou hoje para mim e o Puck, claro, também falou com os meninos... – ele mordiscou agradavelmente o lóbulo da orelha dela. – Ela marcou uns três shows só para a próxima semana!
–Sério?! – Rachel virou-se, radiante. – Meu amor, vocês já estão fazendo sucesso!
–Sim, sim! – Finn beijou-a com vontade na boca, ainda segurando-a bem pela cintura. – Acontece, Rach...
– Acontece o quê? – ela riu, passando carinhosamente os dedos pelo cabelo dele.
–Que para nos dedicarmos à banda, eu e o Puck estamos pensando seriamente em pedir as nossas contas logo após a festa.
Ela continuou a contemplar o rosto dele, sem saber bem o que dizer. Claro, aquela resolução não era uma surpresa, finalmente a DSB estava à caminho do sucesso, e era óbvio que Finn, assim como Puck, não iriam dividir o trabalho ali com a banda.
– O que você acha? – ele indagou, voltando a beijá-la. Parecia que depois da reconciliação ele tinha necessidade de estar o máximo possível com ela, tocá-la, fazê-la feliz.
– Ah, Finn. Isso já era o esperado, não é? Se a banda fizer sucesso, você não vai mais ser motorista pros Benson.- ela falou, cautelosa.
– Você tá com medo?
–Bem, eu... – ela se levantou de repente, incomodada. Finn acompanhou seu movimentou e ficou defronte à ela:
– Eu quero que você vá comigo, se você quiser.
Rachel arregalou os olhos, surpresa, e ele continuou:
– Rach, eu não sei de onde você veio, nem muita coisa do seu passado, mas, claramente, você não foi empregada a vida toda. Seu jeito de ser, a forma como parece entender tanto de música e de showbizz, e até o tempo que você levou a se acostumar com o serviço dão mostras disso. A gente podia alugar um pequeno apartamento em Nova York... na verdade. – ele coçou a nuca, levemente tímido. – Eu já andei olhando um e gostei muito.
– Mas... – ela estava estupefata.
– Eu sei que você não quer ficar sem seu próprio dinheiro, mas você pode procurar alguma coisa lá! Eu pensei muito mesmo sobre nós depois que você terminou comigo, e eu não quero mais essas intrigas, esse lance com a Camille. Cansei disso tudo. Quero algo novo com você.
–Ai, Finn! – ela jogou-se nos braços dele, chorando. Nem sabia porque estava tão emocionada, talvez, fosse porque nunca ninguém fizera tanta questão de ficar com ela sem nada em troca, ou talvez porque o amava tanto que se sentia sufocada de felicidade.
– Não, chora, amor. – ele a segurava sem esforço no colo, beijando seu cabelo, enquanto ela passava as pernas em torno dele.
– Eu te amo, Finn! – ela o beijou com desejo, as lágrimas sumindo e dando lugar ao ímpeto que sentia sempre que estava com ele.
– Você vai embora comigo? – ele indagou, ansioso.
– Sim! Sim! Sim! – ela o encheu de beijos fogosos, enquanto ele a encostava na parede e curvava-se sobre o corpo dela, logo arrancando sua camisola e ela tocando seu membro já totalmente pronto. – Eu quero ser sua para sempre. – ela gemeu ao ouvido dele, sendo a senha mágica para ele penetrá-la contra a parede, os dois grunhindo juntos, felizes. Ele estocava rápido, forte, e ela rebolava, provocante, arranhando as costa de Finn enquanto ele ia mais fundo no seu corpo quente e entregue a ele.
{...}
–Eu vou embora com o Finn, Cassandra. – Rachel anunciou, enquanto colocava seu uniforme de festa.
A fada soltou um suspiro e parecia incomodada com algo:
– Eu preciso conversar com você, nesse caso. – ela disse séria.
Rachel pôs um pouco de maquiagem no rosto:
– Ai, por favor, o que foi, agora? Mais alguma fissura, poção...?
–Você quer voltar para a sua vida antiga? – a fada cortou-a, objetiva.
Rachel ficou com a boca seca, assustada:
– Co-como?
– Você precisa se decidir. Quando nós pegamos a vida de alguém e damos outra, tudo fica pré-estabelecido, ou seja, você teria que se tornar empregada na mansão dos Benson. A partir do momento em que você alterar o futuro de forma drástica, como decidir ir morar em outro lugar com o Finn, você precisa decidir se quer realmente voltar ou se vai ficar nesta vida para sempre.
–E-eu já poderia voltar? – Rachel gaguejou.
Cassandra deu um sorrisinho meio sarcástico, mas deu o braço a torcer:
– Eu preciso admitir que sim, você fez tudo certo. Passou por privações, aprendeu com seus erros, amou alguém de verdade, parou de se sentir superior aos outros e de humilhá-los, ajudou sem esperar receber em troca, sofreu de verdade mas não deixou de amar o Finn... sim, isso faz de você muito habilitada a voltar para a sua vida, se quiser.
Rachel sentiu lágrimas rolarem pelo seu rosto recém-maquiado, e enxugou-as, confusa:
– Eu preciso pensar.
– Ok. – Cassandra sabia que ela estava colocando a sua missão em uma situação muito difícil. – Só não esqueça de que ainda temos que nos manter atentas; Camille ainda pode dar a poção para o Finn.
– Eu vou fazer de tudo. – Rachel disse, determinada.
– Bom, vamos torcer para esta francesa ir embora. Ainda bem que a festa finalmente chegou, esgotando assim as possibilidades de a Holly fazer alguma coisa. – Cassandra também estava preocupada, afinal de contas, sua maior rival poderia pôr todo o seu trabalho a perder.
A fada estalou os dedos e Rachel respirou fundo. Naquela noite, seria tudo ou nada.
Foi só descer e ver que dali a pouco tempo uma festa de arromba começaria. O DJ ajeitava seu material em uma pista de dança montada especialmente e uma orquestra também passava som no palco perto da piscina principal. Centenas de mesas decoradas, colunas, bufês organizados com todo tipo de comida que Camille seria capaz de inventar... Rachel teve que admitir que até ela, que já fora em muitas festas de cair o queixo, estava impressionada com aquela.
Quando os convidados chegaram, apenas ela não ficou particularmente entusiasmada; ela já conhecia “da sua outra vida” todos os famosos que estavam ali, mas seus amigos ficavam excitadíssimos ao reconhecerem determinado artista ali, pegando uma bebida ou canapé da bandeja deles.
Rachel a todo momento ficava procurando Finn com o olhar. Quando os olhos deles se cruzavam, ele, que estava de garçom naquela noite, mandava uma piscadela para ela, como se, mesmo não sabendo que ele poderia tomar sem querer uma poderosa poção do amor que poderia afastá-lo de Rachel, quisesse dizer que estava tudo bem.
A música estava alta, os convidados se divertiam, o high-society estava em peso conferindo as bodas de prata dos Benson, repórteres e fotógrafos se espremiam na entrada da mansão; aproveitando um momento de distração do marido, que conversava com vários empresários, Tania se esgueirou e chegou até Puck, que também estava como garçom naquela noite:
– Eu preciso falar com você. – ela sussurrou, discreta. Usando um vestido Prada vermelho cor de sangue, parecendo mais loira e bronzeada que nunca, ela estava quase devorando o rapaz com os olhos.
– Pelo amor de Deus, Tania. – ele revidou, baixo.- É sua festa de vinte e cinco anos de casada!
– E faz quase mesmo esse tempo que meu marido não me satisfaz.- ela sussurrou, quase súplice. – Por favor... nós podemos...
– Não, eu tô namorando. – ele cortou, ríspido.
– Eu preciso de você! – ela alterou a voz, e algumas pessoas olharam.
– Por que você precisa dele, querida? – a voz de Charles Benson soou atrás de sua mulher.
– E-ele... ele não quer servir ao convidados direito e eu estou pedindo, encarecidamente, que ele faça o trabalho direito! É um imprestável, sempre foi. – ela vociferou.
Puck ficou vermelho de raiva e resmungou entredentes:
– Mas é muito vadia mesmo...
–O que você disse? – o patrão o inquiriu.
Puck, que já tinha virado as costas, perdeu de vez a paciência e jogou a bandeja com coquetéis no chão:
– Essa sua mulher não passa de uma vadia! Ela fica correndo atrás de mim até na festa de bodas de prata de vocês, porquê não entende que eu não a quero mais! Isso mesmo, senhor Benson. – Puck pausou. O milionário estava lívido, branco feito papel, e Tania parecia em pânico; agora, todos os convidados olhavam para eles. – Eu fui amante da sua mulher desde que cheguei aqui, mas acabei meu caso com ela, e desde então, ela vive correndo atrás de mim.
Um soco na cara que não doeu muito mas surpreendeu o jardineiro e guitarrista da DSB o fez calar-se:
– Você está despedido! – Charles gritou, enfurecido.
– O senhor não vai agredir o Puck! – Finn saltou na frente do amigo. – Eu o estimo muito, senhor Benson, mas não vou deixar o senhor bater no Puck!
– Finn! Finn! – Rachel já chegava aflita, apertando o braço dele.
– Quer saber de uma coisa? – Puck disse, com o orgulho ferido. – Nós já íamos nos demitir mesmo, não é cara? Vamos embora, Finn.
Rachel sentiu o namorado se desvencilhar do braço dela e dizer que precisava seguir Puck.
Os rapazes rumaram para a cozinha em busca de se recomporem. Camille, que estava dando os últimos retoques no jantar principal, ouvira a gritaria e viu, pelas janelas da cozinha, que Finn viria com Puck. Era tudo ou nada.
– Vocês querem beber algo para se acalmar? – ela ofereceu um copo de suco de frutas vermelhas com vodca para Puck, dos coquetéis que estavam sendo preparados, e a poção que Holly lhe entregara para dar a Finn. O motorista não desconfiou porque era de cor idêntica a da bebida oferecia a seu amigo; com o sangue quente, como estavam, sorveram tudo rapidamente.
Finn sentiu-se tonto e como se agulhas finíssimas espetassem seu coração por alguns segundos. Cambaleou um pouco, fechando os olhos com força e, ao abri-los, eles só conseguiram mirar os de Camille.
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