Wannabe Cinderela
21 Alone
Notas iniciais
Quando Rachel adentrou a cozinha, seus olhos correram em direção a Finn e Camille. Ele encarava a chef e ela tinha um sorriso trêmulo nos lábios.
–Finn? – Rachel tocou no braço dele, levemente. – Tudo bem?
–Ah, oi, Rachel. E a confusão lá fora, já acabou? – ele perguntou, simpático. Porém, o tom de voz neutro deixou a morena em pânico; não havia calor, intimidade e carinho.
– Galera, vou vazar. – anunciou Puck, saindo.
–As pessoas já voltaram ao normal, sim. – Rachel respondeu. – Vamos sair daqui ?
–Por quê?
–Finn, querido, nós precisamos conversar. – ela pediu.
O motorista olhou-a de um jeito confuso:
– Querido?
Camille, então, aproximou-se e pousou a mão sobre o ombro dele:
– Vamos sair daqui, Finn.
Rachel sentiu o chão faltar debaixo dos seus pés. Perturbada, atingida pela realidade como se por uma tsunami, ela começou a gritar:
– Você deu a poção para ele?! Você o fez beber a poção, francesa descarada?!
–Eu não bebi poção nenhuma, você está louca? – ele a mirou como se ela realmente estivesse colocando medo nele.
Camille empertigou-se:
– Você precisa entender que o Finn sempre foi meu. Eu era a namorada dele, ele me amava, antes de tudo. – sua voz era fria, mas havia uma nota de desespero nela também.
–Rachel. – Finn iniciou, suspirando. – Eu e a Camille ainda temos o que fazer nesta festa, e você também.
Rachel estava quase chorando e pediu em desespero:
– Finn, por favor, fala comigo!
–Mas eu já estou falando! – ele se exasperou. – O que você quer que eu diga? O que temos tanto para conversar?
– Nós nos amamos! Você não lembra disso?! – ela agarrou a lapela do paletó de garçom dele.
Finn encarou os olhos dela e sussurrou, retirando as mãos da jovem de si:
– Desculpa, mas... eu não lembro disso.
{...}
Rachel se arrastou ao longo da noite sem conseguir acreditar que Camille conseguira dar a tal poção para Finn e que ele agora esquecera que eles se amavam. No fim das contas, depois do barraco causado por Tania e Puck, o evento azedou e antes das três da manhã, e os empregados até que ficaram felizes com aquilo, porque poderia logo descansar.
A morena, porém, estava perdida. Sentou-se à beira da piscina, quando ninguém mais estava perto, com uma garrafa de uísque surrupiada ao fim da festa. Com os pés na água, bebendo, ela começou a pensar: que sentido haveria aquela vida sem Finn? Ela sabia que tinha sido por causa dele que conseguira suportar e superar a nova experiência. Com o apoio e o amor dele, ela tinha trabalhado duro, conhecido o valor do amor e da amizade verdadeiros, mas, agora...
–QUE É QUE EU VOU FAZER SEM VOCÊ, FINN?! – ela berrou, bêbada, a voz ecoando por todos os lugares. – QUE É QUE EU VOU FAZER SEM VOCÊ???
E, com a língua meio engrolada, ela começou a cantar, coisa que não fazia há tempos:
“I hear the ticking of the clock/ I'm lying here the room's pitch dark
I wonder where you are tonight/ No answer on the telephone
And the night goes by so very slow/Oh I hope that it won't end though/
Alone”...
(Eu ouço o tique-taque do relógio/Estou deitada na escuridão do quarto
Me pergunto aonde você está essa noite/Sem resposta no telefone
E a noite passa tão lentamente/Oh, eu espero que ela não termine,
Sozinha...)
Com o copo em punho, cheio de uísque, ela levantou-se e começou a cantar mais alto, andando pela borda da piscina, sem se importar se estava com os pés molhados e que facilmente poderia escorregar:
“Till now I always got by on my own/I never really cared until I met you
And now it chills me to the bone /How do I get you alone?
How do I get you alone?”
(Até agora eu sempre me virei bem por conta própria
Eu realmente nunca me importei até te conhecer/ E agora me gela nos ossos/Como eu deixo você sozinho?
Como eu deixo você sozinho?)
–Ai, meu Deus, que gritalhada é essa?! – Cassandra surgiu, como sempre , do nada, puxando Rachel para a grama. – Tá louca? Pensa que cantar rock brega dos anos oitenta e ainda por cima bêbada vai trazer o Finn de volta?!
–Me solta, Cassandra! – a empregada puxou o braço com um safanão.- Que me importa? Me deixa em paz!
A fada soltou o braço dela e bufou:
– Eu já sei o que aconteceu, sabia? Agora, para de agir feito uma destrambelhada e me escuta!
–Eu só quero beber! Beber e esquecer! How do I get you alone?! – ela continuou a cantar, enchendo o copo com mais uísque.
Cassandra também estava arrasada, mas aquela não era hora para derrotismo. Se ela desistisse de desmascarar Holly, ela assumiria o cargo de Sue como chefe das fadas! E, ainda por cima, ela não poderia deixar Rachel naquela situação, era provável ela regredir e pôr todo o seu esforço a perder.
– Rachel... eu... Rachel! – a fada berrou, estalando os dedos e fazendo a garota ficar paralisada, apenas falando:
– Que porra é essa, Cassandra?!
– Para quieta! Eu andei pesquisando, pensando que poderia passar por isso, e acabei descobrindo que a tal poção possui um antídoto. Acontece que eu não posso procurar nenhuma bruxa, isso seria me rebaixar ao nível da Holly.
– Grande coisa! – a outra desdenhou. – Acabou, Cassandra! O Finn não lembra mais que me ama! Ele me disse! – e começou a chorar.
Cassandra estalou os dedos e o feitiço foi desfeito; Rachel caiu sentada, chorando na grama:
– Ele não lembra mais do nosso amor!
Uma ideia pareceu florescer na mente da fada:
– Espera aí! Você viu o Finn demonstrar algum tipo de sentimento pela Camille? Um beijo? Um abraço?
–Não. – Rachel enxugou um pouco as lágrimas. – Mas ele disse claramente que não lembra que me ama.
– Essa pode ser uma brecha! O Finn certamente foi afetado pela poção, sem dúvida, mas ele não amava mais a Camille, o que faz com que, neste ponto, as coisas não tenham dado tão certo.
–Ai, Casssandra... tô cansada destas teorias malucas...
– Pois não deveria. – a fada revidou. – Rachel Berry, nós temos uma grande missão. – decretou, solene.
{...}
Finn acordou com as batidas de Puck na porta; abriu-a, esfregando a cara, ainda com sono, e viu o amigo com sua bagagem pronta:
– Cara, tô indo nessa. Você vai vir, né?
–Claro, não tenho mais nada para fazer aqui. – ele coçou a nuca. – Cara... eu tô me sentindo meio zonzo, meio aéreo, sei lá... parece que passaram uma borracha pela minha mente, eu sei que deveria estar me lembrando de algo, de alguém...
– Que estranho. – Puck comentou, colocando a mochila no chão.
– Sabe quando você quer lembrar de algo, vai, vai... de repente, tá quase conseguindo alcançar o fiapo de memória e, puff, você esquece.
–Finn, eu não sei bem o dizer. – Puck falou, meio desconcertado. – Olha, eu vou na frente, você tá com um papo muito brabo. Chama a Rachel, você não disse que ia morar com ela?
Finn olhou confuso para Puck:
– Por que eu iria morar com ela?
O seu amigo ficou incrédulo:
– Como assim?! Ela é sua namorada, cara!
– Como eu não lembro disso? – Finn estranhou. – Não lembro de ter nada com ela. Acho que deveria conversar com a Camille, isso sim.
–Finn, mamo, você tá muito estranho! – Puck ficou alarmado. – Você namorava a Camille há tempos, ela foi embora, sumiu, só reapareceu agora, e você tá junto com a Rachel, não com a francesa!
Finn apertava as têmporas, mais zonzo que antes:
– Como eu não consigo lembrar disso?!
–Oi, Finn. – cumprimentou Camille, adentrando o apartamento do motorista com uma bandeja. – Trouxe o seu café.
Puck também achava que estava começando a ficar louco ou algo assim:
– Vocês estão juntos? Ontem mesmo o Finn estava com a Rachel! Que maluquice é essa?
Camille respondeu séria:
– A vida íntima dos outros não te interessa.
Puck balançou a cabeça, incapaz de falar mais alguma coisa, estupefato por aquela mudança brusca com Finn e saiu.
Ela e o motorista ficaram à sós; Finn, concentrado nas palavras que Puck acabara de lhe dizer, procurando encaixar tudo na sua mente falha, e ela ajeitando a mesa:
– Já recebi meu pagamento, poderemos ir embora hoje mesmo. – anunciou, colocando suco de laranja para o rapaz. – A partir daqui, será vida nova, longe desta mansão e destas pessoas.
Ele voltou-se lentamente contra ela:
– Puck acabou de me dizer que eu estava namorando a Rachel.
Camille pigarreou; por um breve instante, o pânico pareceu cruzar seu olhar:
– Puck gosta muito dela e esperava que vocês ficassem juntos. Mas ontem à noite, simplesmente vimos que nos amamos e que não vamos mais ficar separados.
–Eu não lembro de nada... – Finn balbuciou. – Lembro que você foi embora; lembro de ter atropelado a Rachel; mas, por que as coisas não se encaixam? Por que eu tô com essa sensação de que apagaram alguma coisas da minha cabeça?
–Isso é bobagem! – Camille exclamou. – Nós nos amamos. Nós vamos embora daqui e você nunca mais vai pensar nela!
– Eu não sei se amo você. – Finn falou resoluto. – Por favor, saia do meu quarto.
– Mas, Finn...
– Saia, Camille.
Ela foi até seu apartamento desalentada: como Finn estava tendo aquela reação? Não era para ele estar caindo aos pés dela?
Entrou chorando, até se dar conta de que Holly estava na sala:
– Então, tudo certo?
– Não! Não tá tudo certo! – a francesa gritou, chorando. – O Finn não lembra que ama a Rachel mas também não tem certeza do que sente por mim! Grande poção a sua!
A fada pareceu chocada:
– Mas eu fiz tudo direito!
– Ah, com certeza não! – Camille, com os olhos vermelhos de choro e raiva retorquiu. – Eu, como chef, posso garantir que alguma coisa deu errado e desandou! Algum ingrediente, alguma forma de preparo, porque a magia não foi realizada completamente.
As narinas de Holly se expandiam e contraíam de fúria: como ela podia ter falhado com a poção?!
Cassandra reapareceu mais tarde naquele dia de silêncio e sossego na mansão. Os empregados ganharam folga, os patrões e os filhos tinham viajado. Apenas os restos da festa esperando por serem limpos jaziam tristemente pelos cantos.
Rachel tomou banho, tentou afastar a ressaca que tinha após beber uma garrafa de uísque. Estava decidida: iria voltar para a sua vida original. Nada mais valeria à pena ali. Claro que sentiria falta dos amigos empregados, dos meninos da DSB, e obviamente, de Finn, mas ela não tinha mais nada que fazer na mansão dos Benson, pois estava sozinha.
– Rachel, encontrei alguém que pode nos ajudar.
– Eu quero voltar, Cassandra. – ela disse, séria. – Você disse que eu já tinha “saldo” suficiente para voltar, e é isso o que eu quero. Aprendi todas as lições, fui amada, aprendi a amar, perdi o maior amor que já tive por alguém, me esforcei, me tornei humilde, sábia, responsável.
– Mas eu... – pela primeira vez, Cassandra ficou sem palavras.
– Não era este o objetivo da missão? Me tornar uma pessoa melhor? Então. Eis-me aqui, a versão melhorada de Rachel Berry.
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