Wannabe Cinderela
22 Lembre-se com o coração
Notas iniciais
–Tem certeza, Rachel? – Cassandra indagou, ainda um pouco chocada.
–Você não acha que eu mereça voltar? – a morena retorquiu. – Você mesma disse...
– Eu sei o que eu disse! – a fada bufou. – Desculpe.
Era a primeira vez, desde que tinham criado aquele estranho vínculo, que Cassandra parecia realmente triste, chateada. Nunca tinha se apegado tanto a uma missão, mas, também, nenhuma tinha tido tanta interferência:
– Eu estou exausta, Rachel. – a fada admitiu. – Eu confesso que ainda não sei ao certo como combater a Holly. Nós precisamos de provas, e esta pessoa que eu achei pode ser útil, mas... você não merece mais ficar presa aqui.
– Será que eu ouvi isso mesmo? – Rachel se permitiu uma piadinha.
–Sim, e não vai ouvir de novo! – Cassandra se recompôs. – Quando você quer voltar?
Rachel olhou em volta; subitamente, seus olhos se encheram de lágrimas:
– Amanhã.
{...}
No outro dia, uma melancolia parecia tomar conta de todos. Finn e Puck estavam resolvendo suas contas com a governanta Beiste. Camille também estava arrumando suas malas; os outros empregados olhavam a todos chocados:
– Promete que vai comer direito? – Kurt falava choramingando um pouco quando abraçou seu irmão de criação. – Vai tomar leite antes de dormir mesmo que eu não faça?
– Vou, vou sim. – Finn afirmou.
Santana e Mercedes abraçavam Puck, também tristes.
Ele foi até Rachel e lhe deu um abraço apertado:
– Não sei o que houve com o Gigante, Pequena, mas eu vou descobrir, ok?
– Isso já não importa. – ela lhe deu um sorriso triste. – Apenas seja responsável com a banda e faça a Quinn feliz, tá certo?
Ele confirmou que faria tudo o melhor possível. Finn aproximou-se dela, também abraçando-a forte. Rachel, inconscientemente, enterrou o rosto na curva do pescoço do amado:
– Ah, Finn, que quero tanto que você seja feliz...- ela sussurrou.
Ele sentiu uma sensação diferente, como se seu coração estivesse recebendo o calor do sol ao abrir as janelas após um longo inverno:
– Eu acho que ainda podemos nos ver, não? – ele indagou, comovido pelo contato.
– Não. – ela balançou a cabeça. – Finn, só... lembre-se de mim quando vir as estrelas. Uma vez você e eu vivemos algo lindo sob elas. Lembre-se com o coração.
–Eu não entendo. – ele murmurou. – Eu acho que tem algo que eu deveria saber, mas parece que meu cérebro não ajuda.
– Por isso que eu te peço para lembrar com o coração, porque ele vai te dar as respostas. Você é um homem maravilhoso. Seu sorriso... sua bondade... seu caráter. Ninguém é como você, Finn. – ela chorava.
– Se eu ao menos soubesse por que você fala assim. – ele se sentiu mal.
– Eu sei o porquê.- Rachel fungou. – Mas não se perturbe. Você é incrível. Busque sua felicidade, mostre ao mundo o quão merecedor de todo o sucesso vocês da DSB são.
Finn assentiu, confuso, tocado pelas palavras de Rachel, sentindo algo que o cérebro parecia fazer questão de não decodificar com clareza.
Quando os meninos foram embora, Rachel disse:
– Bem, eu só queria que vocês soubessem que eu também vou.
Santana, Mercedes e Kurt ficaram abalados:
– Como assim? – os três perguntaram de uma vez.
Rachel inspirou profundamente:
– Eu nunca pensei que meus melhores amigos seriam uma cozinheira, um mordomo e uma arrumadeira. Nunca pensei que meu coração se quebraria tanto assim... – ela pausou, recuperando o fôlego. – Eu nunca tinha trabalhado como empregada antes de vir para cá, antes de o Finn me trazer. Eu era arrogante, idiota, mesquinha, prepotente. E vocês, com todo o carinho, as tirações de sarro, a alegria e a simplicidade me mostraram o quanto eu era pobre de espírito, e me deram tudo o que hoje eu tenho de bom em mim.
– Então, a nossa ideia de que você realmente nunca tinha sido empregada era verdade... – sussurrou Kurt. – Então, o que você era? De onde você veio?
–Isso eu não posso dizer, infelizmente. – ela balançou a cabeça. – Só espero revê-los por aí. Um dia.
Rachel saiu da cozinha; não iria pedir as contas, porque não precisava delas. Daquela casa, além dos amigos empregados, ela só sentiria falta do sr. Benson, que demonstrara humanidade. De Tania e de Jim, os dois com quem tivera contato, ela queria apenas distância. Foi pensando ainda em tudo o que tinha vivido que acabou esbarrando em Camille, no corredor que dava para o seu apartamento.
A chef de cozinha estancou, lívida. Rachel encarou-a bem dentro dos seus olhos:
– Ora, ora. Feliz? Não admito menos que isso. – Rachel disse.
– Eu não sei do que...
– Ah, faça-me o favor! – a morena interrompeu-a. – Eu deveria te dar uns tabefes. Eu deveria arrancar esse seu maldito cabelo loiro. Eu deveria matar você! – ela esbravejou. – Me diz, Camille: como você se submete a isso? Usar uma poção bruxa? Nunca te passou pela cabeça que a Holly só está te usando, sua idiota?
– Como você sabe da Holly?
– Porque eu também tenho uma fada no meu encalço! – Rachel esbravejou. – Espantada? – ela riu morbidamente com a cara assustada de Camille.- Só que a forma como a sua missão apareceu foi diferente da minha. Eu perdi muito, sua francesa intrometida! Aliás, eu perdi tudo! O Finn foi a melhor coisa que me aconteceu, e o que você faz? Você reaparece com essa história toda de querer recuperá-lo!
– Você não tem o direito de falar assim!
– Tenho! Tenho sim! Tomara que o Finn nunca consiga ficar com você de corpo e alma! Você teve uma doença séria, Camille, mas usar a poção foi um golpe baixo demais... ele nunca vai ser o que era antes com você, e sabe por quê? Porquê ele me ama, sempre vai amar. Mesmo que a cabeça não lembre, o coração irá se lembrar.
Camille ficou de cabeça baixa, sem dizer nada.
{...}
–Oi – Cassandra apareceu pela tarde. – Está pronta?
–Sim. – confirmou Rachel.
– Eu quero dizer que você cumpriu tudo com louvor. Você voltará para a sua vida exatamente no ponto em que a deixou, ou seja, naquela manhã em que eu te tirei tudo. Dessa vez, suas coisas todas estarão lá. Sua vida será a mesma, exceto pelo o que agora você é.
–Cassandra... você vai me dizer se conseguir desmascarar a Holly?
– Bem, se você ainda quiser saber disso... – a fada deu de ombros.
– Claro que sim! Eu exijo justiça!
– Ok. Vou te manter informada.
– Só mais uma coisa. – pediu Rachel. – Se... se eu voltar e vir o Finn? Aliás, como ficará isso, porque a banda vai ser empresariada pela Quinn.
–Bom, os dois mundos irão se tornar um só, exceto para você. Ninguém vai lembrar da Rachel empregada, a não ser que esta lembrança seja forçada por algo que eu não possa controlar. No geral, nem Quinn, nem Finn, ninguém da banda vai lembrar de você como está agora.
Rache ouvia a tudo atenta:
– E que coisa seria essa que você não pode controlar? – indagou.
A fada deu um sorriso enigmático:
– Digamos que tem certas coisas nas quais, ao contrário de outras fadas por aí, eu não me meta. Eu aviso qualquer coisa sobre minha tentativa de desbancar a Holly.
Silenciosamente, Rachel se aproximou da fada e a abraçou:
– Obrigada. Você me transformou em alguém que agora eu tenho orgulho de ser.
Cassandra retribuiu o abraço. Depois, pegou uma varinha de dentro da jaqueta que ela usava e avisou que Rachel faria uma viagem no espaço-tempo, e que não estanhasse se ficasse tonta. Dizendo palavras mágicas, ela balançou a varinha e faíscas voaram de sua ponta e envolveram a morena, que se sentiu dentro de um turbilhão, em que imagens e sons de tudo o que tinha vivido na sua vida, antes e depois, apareciam, como se se reunissem em uma vida apenas.
De repente, ela sentiu um baque macio e se viu na sua enorme cama no seu antigo quarto do apartamento de Manhattan. Mesmo sabendo que aquilo aconteceria, ela ficou em choque por longos minutos. Seus olhos tentavam se acostumar com aquela visão, como se nunca tivesse estado ali. Trêmula, ela se levantou e foi até à porta. Abriu-a e viu uma empregada pondo a mesa do café.
– Bom dia, srta. Berry. – ela a cumprimentou.
– Bom dia. – Rachel disse, dando-se conta de que não vestia mais a roupa com que estava na mansão dos Benson, mas com sua camisola. A empregada, surpresa por ela ter respondido, lhe devolveu um sorriso.
– Eu estou mesmo em casa? – ela perguntou para si mesma.
Depois de tomar banho, ela decidiu que a primeira coisa a fazer seria ir pessoalmente pedir desculpas à Quinn por tê-la despedido. Dirigindo ela mesma seu carro, chegou ao escritório da empresária e passou com naturalidade pelas pessoas, que a olhavam com admiração, desprezo, medo, pois ela era famosíssima, mas todos conheciam seu gênio forte. Uma jovem estagiária, que nunca vira Rachel, correu para ela e disse:
– Rachel, eu sou sua fã! Você pode me dar um autógrafo e tirar uma foto comigo?
As pessoas ao redor ficaram com a respiração suspensa, esperando mais um ataque de diva que humilharia a pobre moça. Mas qual não foi a surpresa quando Rachel sorriu e disse, “claro”. Ela assinou um pedaço de papel e tirou uma selfie com a fã. Há quanto tempo ela não sentia como era aquilo, ser reconhecida!
Gentilmente, Rachel perguntou à secretária se Quinn estava ocupada.
–Sim srta. Berry, ela está em reunião com uma banda, mas já está terminando.
Ela se sentou e esperou por dez minutos, quando viu Quinn saindo da sala, sorrindo e conversando com quatro rapazes. O olhar do mais alto e belo pousou sobre o de Rachel, e ela murmurou: “Finn”.
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