Wannabe Cinderela
9 Fissura no tempo
Notas iniciais
Depois de um final de semana cheio de aventuras, descanso e, no caso de Finn e Rachel, de muito romance, estava na hora de voltar a trabalhar.
Ashley, a filha mais velha do casal Benson, iria fazer vinte e três anos, e organizar uma festa sempre era sinônimo de esforço redobrado. AshleyEla não era chata como Jim, estudava e era responsável, e adorada pelos pais e os irmãos mais novos, os gêmeos de dez anos, Jennifer e Kevin, mas era bastante exigente, por isso, queria uma festa de arromba da qual todos saíssem comentando.
– Não acredito que a gente mal chega da folga e já tem isso para fazer! – grunhiu Santana, em frustação.
Havia talheres para polir, compras para fazer, casa para arrumar...
– Keep calm and trabalha, latina. – disse Kurt, um pouco mais conformado.
Na cozinha, a governanta Beiste e a aniversariante debatiam o menu do aniversário com Mercedes, que anotava tudo com atenção, enquanto Rachel colocava as roupas de cama de toda a casa para lavar.
– Bom dia. – Finn sussurrou ao seu ouvido, e ela retribuiu-lhe com um beijo leve nos lábios:
– Bom dia, meu amor.
Finn ajudou-a a pôr as colchas, lençóis e edredons nas máquinas de lavar da lavanderia enquanto ela dosava o sabão para cada lavagem:
– Sabe, eu deveria ganhar também por ser auxiliar de lavanderia. – Finn comentou, rindo.
– Ah, você não tem mais do que a obrigação de me ajudar, meu bem. – Rachel gracejou. — Assim, sobra mais tempo para a gente...
Ela o puxou pelo colarinho do uniforme de motorista e Finn envolveu-a em seus braços, sentando-a sobre a pia. Começaram a se beijar de forma sensual e quente, ela com os dedos em seu cabelo, ele com as mãos postas em seus quadris, e de repente, o mundo parecia ter sumido.
–Oh, meu Deus! Meus olhos! Meus olhos! – berrou Kurt, aturdido, quebrando o beijo do irmão e a namorada.
– Caramba, Kurt, para quê esse estardalhaço? – Finn perguntou, recompondo-se.
–E vocês precisam ficar se pegando na hora do trabalho? Segurem estes hormônios! – ralhou o mordomo.
– Calminha, Kurt. – Rachel sorriu.- Amar faz bem. Eu que o diga. – suspirou.
–Imagino que você não diria isso com este desembaraço todo se a mãe de Finn o visse nessa situação com você quando for nos visitar no Natal.
Rachel olhou interrogativamente para Finn, que coçou a nuca, sem jeito:
– Obrigado de novo por sua aparição totalmente desnecessária, Kurt! – Finn resmungou, colocando Rachel de volta ao chão.
O mordomo saiu com raiva, esquecendo até do que tinha ido fazer na lavanderia, e Rachel encarou o namorado:
– Quanto a esta história de Natal... han... não precisa se preocupar. – disse Rachel.
– Ah. Er...
– Você parece ter ficado desconcertado com o que o Kurt disse. Fica frio, a gente tá junto há pouco tempo, você não tem a obrigação de me apresentar aos seus pais.
–Não, Rachel, o que é isso! É que... o chato do Kurt melou a surpresa que eu te faria. Eu quero que você vá passar o Natal comigo, em Ohio. E eu ia fazer o convite do jeito certo, mas... enfim. Quer ir? Vai ser legal.
Rachel olhou para Finn e seu jeito doce, meio sem tato, e por isso mesmo extremamente sexy encarando-a em expectativa como um menino sobressaltado:
– Claro que eu vou, Finn. – respondeu Rachel, abraçando a cintura dele. – Eu vou adorar.
–Eu ainda tô vendo vocês de pegação! – grasnou Kurt, impaciente.
Então Finn pegou Rachel no colo e a levou para a cozinha, onde seus amigos estavam:
– Alguém se incomoda se eu beijar minha namorada?
– Finn! Me põe no chão! – Rachel pediu, mas estava rindo e vermelha como pimentão de vergonha.
–Nãooo!!! – todos gritaram, para antipatia de Kurt.
Puck puxou o coro:
–Beija! Beija!
Então Finn deslizou o corpo de Rachel pelo seu, que rodeou o corpo do motorista com as pernas e os dois trocaram um beijo cinematográfico, rodopiando no meio da cozinha, enquanto todos batiam palmas e assoviavam.
{...}
Cassandra roeu a pontinha das unhas, nervosa.
O sistema das fadas estava certo? Será que era aquilo mesmo que ela estava vendo?
–Ok, quem ficou responsável pelo oráculo nesta semana? – ela levantou-se e perscrutou as outras fadas ao seu redor.
O Centro Das Fadas era um lugar que parecia um escritório normal, mas muitos destinos eram decididos ali.
Uma fada alta, de cabelo curto e loiro e mal-encarada surgiu na frente de Cassandra:
– Não há nada de mal com o oráculo da semana, Cassie-Cass.
– Mas, Sue... de onde esta garota saiu? Justo agora que a Rachel vai tão bem? Algo deve estar errado.
– Fissura no tempo, talvez. – Sue avaliou o prognóstico que Cassandra havia imprimido e lhe mostrava. – Estas falhas são imprevisíveis para nós, então, não dava para você saber que isso vai acontecer com maior antecedência.
Cassandra suspirou:
– A Rachel verdadeiramente melhorou.
– Eu sei, mas, se ela melhorou, então é hora de ser testada, não é? – indagou Sue. – Nesta nova fase da nova vida da sua missão, ela deverá lidar com frustrações, para vermos se ela adquiriu resiliência. Até porque ficar com aquele bofe maravilhoso não é nenhuma provação, né?
–Ok. – bufou Cassandra, se retirando.
Sue era a fada- chefe, a supervisora das fadas do departamento de Cassandra, e ela precisava acatar suas ordens, mas a fada bota-na-linha de Rachel detestava quando acontecia aquilo que, no mundo mágico, se convencionava chamar de “fissura no tempo”: um evento no qual eles não podiam intervir ou mesmo, prever com antecedência.
–Só me resta cruzar os dedos para a Rachel conseguir passar por essa. – a fada bufou.
{...}
A enorme mansão dos Benson estava lotada naquela noite de festa. Amigos de Ashley, dos seus pais, gente rica e famosa: todos tinham sido convidados para uma festa que prometia estar nas colunas sociais de toda Nova York no dia seguinte. A aniversariante era loira e bela, e parecia estar tentando se enturmar com todas as pessoas importantes naquela festa.
–Olha ela... – sussurrou Santana, apontando para a aniversariante. – Rachel, por que uns nascem para vir a festas como estas vestindo Prada e outras para ficar com um uniforme como esse? – ela indagou, apontando para o uniforme preto com detalhes em branco que ela e os outros empregados da casa estavam vestindo.
– Às vezes, Sant, é preferível não estar no Prada, pode ter certeza. – retorquiu Rachel.
– Como assim? Você já foi rica para saber? – zombou a latina. – Duvido que quem viveu no glamour se acostuma com a pobreza.
Rachel revirou os olhos... “ela nunca entenderia”, pensou consigo mesma.
– O que vocês estão fazendo aí de cochicho? – ralhou Beiste.- Circulem com estes petiscos pela festa, por favor!
Então cada empregada foi para o seu lado, oferecendo petiscos delicadamente para os convidados. Rachel foi repor sua bandeja quando sentiu alguém tocar em seu ombro:
– Olá... posso pegar um?
–Br...o...Brody?! – ela ficou atônita.
–O próprio. – ele estendeu a mão. – Brody Weston, você deve me reconhecer porquê eu tô na nova série produzida pelo Spielberg.- ele sorriu um sorriso de mil megawatts.- E aí, não vai me passar um salgadinho?
–Claro... – ela ofereceu para ele, automaticamente.
Então, no mesmo momento veio Jesse St. James na sua direção, ou melhor, na de Brody:
– Ora, se não é o grande St. James. – o primeiro que havia se aproximado de Rachel comentou.
Os dois se cumprimentaram e Rachel sentiu-se dentro de uma espécie de pesadelo.
– Você não me é estranha... – comentou Jesse, olhando a empregada atentamente.
“Claro, idiota, eu era sua noiva e te traía com o outro idiota que tá na sua frente”, ela teve vontade de gritar.
– Eu também acho seu rosto familiar. – comentou Brody. – Ah! Ela parecia aquela atriz...
Rachel sentiu um frio mortal percorrer seu corpo. Justo eles estavam lembrando dela?
– Barbra Berry!
Rachel arfou. Ok. Barbra Berry.
Então os dois saíram andando, conversando animadamente.
Rachel voltou a circular pela festa, tratando de passar bem longe dos seus dois “ex”, quando viu outra pessoa, agora desta sua nova vida, mas que ela queria evitar tanto quanto Brody e Jesse: era Jim Benson, o irmão da aniversariante.
– Oi, empregada gostosa que tem continhas a acertar comigo. – ele disse, aproximando-se dela.
–Mas que droga! – ela xingou entredentes. – Hoje só pode ser meu dia de sorte.
– Rachel, não é?
– Sim, senhor. – ela confirmou impaciente.
– A proposta que eu te fiz há um tempinho ainda está de pé... – ele falou malicioso, tocando o braço da empregada com intimidade.
Rachel manteve-se ereta:
– Sr. Benson, eu me lembro bem de que lhe dei um fora na outra vez e vou dar de novo: vê se me erra. – ela sibilou.
Convidados passavam por eles, mas Jim segurou o cotovelo de Rachel:
– Eu queria muito que você me desse uma chance.
– Que obsessão é essa que o senhor tem por mim? Eu tenho namorado, e é o Finn Hudson, o motorista, então, tire essas suas mãos de cima de mim!
Rachel fez um movimento brusco e Jim cedeu, com um sorriso cafajeste nos lábios:
– Você ainda vai ser minha, gostosinha invocadinha. É só uma questão de tempo. Mas eu sou paciente, não tem motorista nenhum que vá me tirar desta parada.
Ele voltou para a festa, mas Rachel sentiu-se desgastada demais. Ela continuou o seu trabalho e no fim da noite, quando finalmente a festa acabou, ela sentiu-se esgotada e vazia.
Cassandra surgiu ao seu lado, quando a empregada finalmente chegou ao seu apartamento e retirou seus sapatos:
– Dia difícil? – a fada indagou.
– Muito. Na mesma noite eu fui importunada pelo Brody, o Jesse e pelo Jim, dá para imaginar?
– Eu sei, eu sei...
Rachel fixou um olhar atento sobre a fada:
– Você também parece cansada.
Cassandra desabafou:
– Rachel, vou ser bem direta: tava olhando o oráculos dos próximos dias e parece que vai acontecer um evento que magicamente nós denominamos de fissura no tempo.
–O quê? – Rachel espantou-se.
– A fissura no tempo são coisas que ocorrem no destino e que simplesmente não podemos prever ou controlar. Tipo, um dos exemplos de que tá havendo uma fissura no tempo no seu caso foi o fato de você ter dado de cara com dois homens do seu passado.
– Mas eles não me reconheceram. – Rachel argumentou, um pouco assustada.
– Mas eles lembraram de você, de algum lugar... só não acertaram o nome porque, quando você sumiu, eu troquei toda sua vida e você se tornou Barbra Berry.
– Como você arranjou explicação para o meu sumiço repentino?
– Eu inventei uma fuga. Para todos os efeitos, as pessoas lembram vagamente de você, mas não o bastante. É como se você tivesse enlouquecido, fugido e nunca foi encontrada.
Rachel arregalou os olhos, mas depois gemeu, cansada:
– Então, você veio aqui me avisar sobre esta fissura do tempo? Só isso?
– É... bem, você não precisa agir diferente, nem nada. Só saiba que está chegando a hora de você ser mais forte, certo? – garantiu a fada.
Batidas na porta:
– Rach? Você tá aí? – Finn perguntou.
Cassandra deu tchauzinho com a mão e sumiu num estalar dedos.
– Oi, amor. – Rachel cumprimentou-o, abrindo a porta. Ela enterrou o rosto na curva do pescoço de Finn, abraçando-o bem apertado.
– Que foi? O que houve? – Finn perguntou, pegando-a no colo.
Ele a pôs no colo e fechou a porta, esfregando levemente suas costas:
– Houve alguma coisa ou isso é só cansaço? – Finn riu, colocando-a na cama.
– Eu só... só gosto muito de você. E quero que você saiba disso. – ela disse, segurando seu rosto. – Hoje me deu um click. Hoje eu percebi de vez que não há cara que chegue aos seus pés.
Finn arqueou uma sobrancelha, depois sorriu:
– Eu também gosto muito de você. Você é maluquinha, parece que fala sozinha, veio de não sei de onde, mas eu não abro mão de você.
Ele beijou-a delicadamente, e Rachel aceitou o carinho de bom grado, abrindo a boca e agraciando a língua dele com o calor e a paixão da sua.
– Sabe, eu quero muito que você conheça minha casa em Ohio... — ele falou roucamente em seu ouvido. – Você é muito importante para mim.
Rachel lembrou o que Cassandra havia lhe dito sobre a tal fissura no tempo, mas que também ela não devia mudar nada:
– Eu vou adorar. Tenho certeza! Agora – ela disse, pegando a mão dela e virando-se. – Tira meu uniforme... vamos tomar banho juntos, hein? O que você acha? – ela sorriu sedutoramente.
– Eu acho incrível . – Finn deslizou o zíper, feliz, beijando as costas da namorada.
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