Wannabe Cinderela
19 Desenrola
Notas iniciais
Finn e Rachel permaneceram calados e se olhando com intensidade após o beijo. Então, ele tocou com delicadeza o rosto dela:
– Eu posso dormir aqui, com você?
Rachel soltou um suspiro:
– Pode. Pode sim.
Ela abriu a porta e eles entraram, sem o fulgor de antes, em que se beijariam até pararem na cama. Lentamente, chegaram lá e, depois de ir ao banheiro, ela voltou de camisola, encontrando-o de camiseta e cueca, deitado.
– O que nós estamos fazendo, Finn? – ela sussurrou, sentando defronte a ele.
– Eu amo você, Rachel. Me desculpa pela minha indecisão. – ele abraçou-a. – vamos voltar, hum? Esse beijo... sua declaração... por que a gente vai ficar sofrendo, se desentendendo?
– Finn. – ela endireitou a postura, olhando-o dentro dos olhos. – Eu preciso saber, de todo o coração, se você realmente prefere ficar comigo que ficar com a Camille. – aquilo era extremamente importante, ante às coisas que Cassandra lhe contara sobre o elo que deveria ser fortalecido.
–Eu não quero nada mais com a Camille. Eu quero você, e só você. – ele falou firme, sem desviar o olhar, antes de trazê-la para junto de si e beijá-la, depositando toda a certeza que tinha.
Finn estava totalmente ciente naquele momento do que queria, e, ao ver que poderia perder Rachel por causa de uma hesitação entre seu presente e seu passado, ele sentiu que era um erro deixá-la.
– Você foi o melhor acidente que já me aconteceu, Rach.- ele murmurou, descendo os lábios pelo pescoço dela.
{...}
Holly estalou os dedos, naquela manhã, decidida a resolver de vez o que ela julgava ser uma situação sem outra alternativa. Foi com a visão da fada de cabelos lisos, longos e muito loiros, vestida de forma provocante e com botas de cano alto que Camille acordou:
– O que você faz aqui tão cedo? – indagou a chef, um pouco confusa.
– Você me disse que tinha certeza de que o motorista iria voltar com você. – a fada atacou-a. – No entanto, sabe onde ele dormiu esta noite? Na cama da empregada! Da Rachel!
– O quê? – a francesa levantou-se da cama, já completamente desperta. – Mas eles já tinham até terminado! Eu fiz tudo certo!
– Não, Camille, não fez! – Holly desdenhou. – Com certeza, a Cassandra deve ter dito à Rachel que eu estou te ajudando. Bem, mais dia, menos dia, eu sabia que isso iria acontecer, mas por que você ainda não deu a poção que preparei para o Finn tomar?
– Porque isso me parece absurdo demais!
– Absurdo?! – Holly gritou. – Você aceitou entrar neste programa de ajuda mágica disposta a tudo, e agora isso é absurdo? Eu estou usando uma poção do amor de uma das bruxas mais famosas da história, e você é incapaz de reforçar o elo com o Finn!
Camille redarguiu:
– Eu não posso simplesmente forçá-lo a beber esta poção! Além do mais, se você é fada, por que está usando magia bruxa?
Holly balançou o cabelo para o lado, empertigada:
– Os fins justificam os meios.
–Eu sei qual é o meu fim. – Camille ponderou. – Eu quero recuperar o que eu perdi. Mas, qual é o seu fim, Holly? Você está me usando, não é?
– Eu não te devo satisfações. Estou desempenhando o meu papel aqui muito bem, você aceitou minha ajuda, eu estou fazendo o melhor. – a fada arrematou. – Você ainda está em posse da poção; se não usá-la até o dia da festa, vai estregar e não servirá de mais nada. Ou você usa, ou vai perder o Finn para sempre.
{...}
– Se você ficar fazendo isso, eu não vou querer sair dessa cama. – Rachel ronronou, enquanto Finn passeava os dedos pelas curvas dela.
– Quem disse que eu quero sair daqui? – ele riu de lado, deixando suas covinhas aparentes.
–De jeito nenhum! – Rachel riu, tomando coragem e levantando-se. – Eu não quero ser a responsável por fazer um dos membros da DSB sumir justo no dia da apresentação no festival!
Finn imitou a ação dela, levantando-se também:
– Se não fosse este show, hoje o dia seria todo só para mim e você. – ele sussurrou, arrepiando Rachel ao falar ao seu ouvido. – Eu não quero mais me separar de você. É burrice ficar hesitando entre você e a Camille. Eu tenho pena dela, que sofreu muito, mas não a amo mais, e cada minuto com você me prova isso.
– Eu te amo. – ela disse emocionada, ficando na ponta dos pés.
– Eu também te amo . – ele declarou, beijando-a.
Finn vestiu-se e foi para o seu quarto se arrumar e ajeitar a mochila, prometendo voltar e pegar Rachel para irem juntos, agora que tinham se reconciliado, para o grande show da DSB.
Cassandra apareceu logo em seguida, sorrindo satisfeita:
– OWNNN, que bom, assim, sim!
–Ai, que susto! – a empregada exclamou.
– Vejo que você e o Finn passaram a noite “reforçando o elo”, né? – a fada disse, irônica.
– Segui suas ordens. – Rachel deu de ombros, mas no fundo estava morrendo de vontade de rir, porque finalmente Finn tinha se decidido por ela.
– Acho que descobri por quê a Holly está tão empenhada em me derrubar. – a fada anunciou.
–Além da inveja dela? – Rachel perguntou.
– Sue vai se aposentar, e ela está cotada para ser a nova chefe das fadas bota-na- linha. E eu também, aí é que está. Hoje nós soubemos no Departamento Mágico. Ela deve estar mais ansiosa que nunca para pôr o plano em prática, se for o que estou pensando, e ainda bem que o Finn nos ajudou bastante.
–Será que o perigo já passou, então? Tipo, se o Finn se decidiu por mim, então...
Cassandra olhou para a ex-estrela com desdém:
– Não seja ingênua! Se a Camille quiser dar uma poção para ele, vai fazer isso em um dia quente com a desculpa de que ele precisa se refrescar.
–Mas ele não a ama mais! – Rachel refutou, agora ficando preocupada de novo.
–Mas a poção é poderosa. – Cassandra insistiu. – O amor que vocês dois têm é forte, mas se ele chegar a tomar a poção, estaremos praticamente perdidas.
–Rachel? – Finn indagou, abrindo e leve a porta – Já tá pronta?
Cassandra estalou os dedos e sumiu, a tempo de Finn não vê-la. Tentando fazer uma cara feliz, espantando um pouco o temor que voltou a se apoderar dela, Rachel sorriu e disse:
– Quase, amor.
O festival fez a DSB mergulhar em um ensaio muito puxado, mas Finn fez questão de que Rachel os acompanhasse no backstage, sorrindo furtivamente para ela sempre que podia. Absorta no amor por ele, no elo, na possível poção que Finn deveria evitar, ela não viu que Quinn, que se tornara a empresária da banda, se aproximara dela.
– Oi, como vai? – a loira perguntou. – Você é a namorada do Finn, não é?
–Ah, oi, Quinn! – Rachel não conseguiu refrear o tom íntimo, depois, falou mais moderamente. – Sim, sou.
– Acho que hoje eles vão arrebentar. Eles têm muito potencial, e o festival busca justamente isso, gente nova, para cima, que traga frescor para a música.
– Tomara que sim, mas eu tenho a mesma impressão que você; eles são muito bons, empenhados... e este é o sonho deles. Hum, Quinn... acho que depois deste festival eles tenham que fazer mais shows, não é?
–Sim, é o que eu espero! – a empresária riu. – Eles estão em uma vitrine incrível, algum produtor pode vê-los, gostar do som... tudo pode acontecer.
Elas ficaram em um silêncio confortável até Quinn perguntar, um pouco sem jeito:
– Você... hum... você sabe se os outros meninos têm namorada? Porque eu só vejo você tietando aqui.
– Bem, como não convivo muito com o Artie e o Sam, não sei da vida amorosa deles, mas quanto ao Puck, ele tá livre, isso posso garantir. – Rachel afirmou, lembrando bem do dia em que ele dera o fora na sra. Benson e que aquilo quase tinha dado em desastre.
– Não tem namorada?! – Quinn se surpreendeu, excitada. – Mesmo? – ela emendou, tentando se controlar, mas Rachel bem percebeu o interesse dela.
–Mesmo. – a empregada foi enfática. – Olha, se quiser investir... essa é a hora! – Rachel piscou o olho, rindo.
Quinn ficou vermelha, mas parecia seriamente inclinada a seguir o conselho da namorada de Finn e investir no musculoso e charmoso guitarrista da DSB.
O show foi exatamente o que se esperava deles: ótimo, animado, envolvente. O público cantou junto os covers que eles tocaram e pareceram gostar muito das músicas inéditas. Claramente, os meninos da DSB estavam vivendo o melhor momento da banda.
Rachel foi surpreendida por Finn quando ele, ainda todo suado e com a adrenalina à mil por causa do show, abraçou-a efusivamente, retirando seus pés do chão:
– Vocês foram demais! – ela gritou, segurando-o firme.
– Você me deu sorte, Rach! – ele afundou o rosto no cabelo dela, apaixonado, feliz.
Ao canto, Puck e Quinn engatavam uma conversa animada; Artie e Sam tiravam fotos e conversavam com fãs.
Tudo estava indo muito bem.
– Bem, ainda vamos ter que enfrentar outra batalha em poucos dias. – ele pôs a garota no chão.
–Qual?
– A festa dos Benson!
Rachel assentiu com a cabeça e lembrou que Camille iria embora depois desta festa, o que queria dizer duas coisas: ou eles se veriam livres dela ou as coisas iriam degringolar de vez.
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