Wannabe Cinderela
15 Como posso dizer?...
Notas iniciais
Os empregados da mansão dos Benson estavam reunidos na hora do café da manhã comentando sobre a banda de Finn e Puck finalmente estar fazendo progresso. Entre os risos, as piadas sarcásticas e as implicâncias deles, Camille sentia-se deslocada. Só havia sido contratada para planejar a comida que seria servida nas Bodas de Prata de Tania e Charles, e ela era uma “intrusa”; só de analisar o jeito de Finn com Rachel as coisas só pioravam para ela.
– Hoje eu quero que vocês deixem de moleza e comecem logo a faxina geral para a festa. – comandou a governanta Beiste, botando ordem na bagunça.- Puck, quero o gramado igual a um tapete! Ah, faça logo a lista das flores que a dona Tania quer na festa, precisamos contatar os fornecedores. Kurt, comece a polir os talheres de prata e a cuidar dos cristais; Rachel e Santana, quero o chão das salas principais brilhando! Finn, você tem que ir buscar as toalhas, tapetes e cortinas novas para a mansão, vá na SUV.
–E eu, faço o quê? – Mercedes limitou-se a perguntar, meio contrariada.
– Pode fazer o almoço normalmente. – respondeu a governanta.
A cozinheira corpulenta fez um muxoxo e partiu para as suas panelas, desistindo de rivalizar com a chef francesa.
–Han... posso falar com você, Rachel? – perguntou Camille, aproximando-se da morena baixinha quando ela foi à despensa pegar alguns produtos de limpeza.
Rachel retesou-se, mas respondeu impassível:
– Sim, pode dizer.
As duas ficaram cara a cara, estudando uma a feição da outra. A francesa pigarreou, hesitante:
– Eu acho que deveríamos conversar... hum... sobre o Finn.
–Por quê? – Rachel retorquiu, seca.
– Ele é o que temos em comum, não é?
– Ele é meu namorado, portanto, é assunto SÓ meu. – Rachel sibilou, tentando não perder o controle outra vez.
Camille bufou:
– Eu anda o amo. Desculpa dizer isso, mas estou sendo honesta. – suspirou. – Finn foi o homem mais maravilhoso que já apareceu na minha vida.
– E o que você fez, ah, sim, você sumiu, deixou o coitado numa pior, sem saber seu paradeiro... realmente, que grande forma de demonstrar o quão o Finn foi importante na sua vida! – Rachel a interrompeu, colérica.
– Você quer me ouvir? – Camille alterou um pouco a voz. – Eu estava mal. Meu pai morreu, eu... eu não sabia como viveria aqui nos Estados Unidos, estava sem emprego fixo, o Finn também...
Rachel permaneceu com o semblante nebuloso, com os braços cruzados.
– Eu entrei em depressão na França. Passei meses tomando remédio, não tinha forças para nada. Eu... eu pensava no Finn, mas uma tristeza profunda tomava conta do meu ser... perder meu pai, a quem eu tanto amava, que me criou sozinho... e estar em outro país, sem ter como me manter...
E começou a chorar. A chef começou a chorar e Rachel ficou sem saber o que fazer. Então, tinha existido um motivo realmente plausível para ela ter sumido! Depressão era uma doença grave, traiçoeira, e ela realmente tivera motivos para adoecer.
– Então, por quê... por que depois que ficou boa, você não veio atrás dele?
– Porque eu tive medo. – Camille fungou. – Ele devia estar tão magoado comigo! Com raiva, sentindo-se desprezado, enganado. Só queria que ele soubesse que não foi por falta de amor que eu sumi, mas porque eu não tinha condições psíquicas! Eu nem saía de casa, eu era um trapo humano.
Rachel comprimiu os lábios, aflita, totalmente desnorteada:
– O quê você quer que eu faça com esta informação? – ela indagou, por fim.
–Eu não sei. – a francesa limpou as lágrimas. – Só queria que você o fizesse feliz, já que eu não pude. Ele é muito especial, Rachel. Talvez, sabendo da verdadeira razão de eu ter sumido, você não fique achando que eu sou um monstro, porque eu não sou.
–Isto também foi um recado claro de que você está disposta a lutar por ele? – Rachel perguntou, entre desafiadora e amedrontada com tal hipótese.
Camille respondeu:
– O amor que tenho por ele sempre estará aqui.
{...}
A cabeça de Rachel dava voltas e mais voltas em torno do tópico “depressão da Camille”: esfregava o chão sem ânimo, o pensamento longe... pela primeira vez na vida, genuinamente, ela teve vontade que Cassandra aparecesse para elas poderem conversar!
A fada, no entanto, estava em um congresso de suma importância para a sua categoria. Durante alguns dias, ela teria que ficar confinada no departamento de assuntos mágicos do Céu Paralelo para aqueles momentos em que todos tinham que prestar contas do que tinham feito no último ano com suas missões.
Geralmente, ela ficava entediada, mas, a partir daquele ano, as fadas madrinhas (boazinhas e doces demais, que se vestiam sem graça e que só faziam coisas boas) tinham conseguido uma reunião só sua, em um salão cor-de-rosa, em que passavam o dia tomando chá com cupcakes.
Já às fadas bota-na-linha, como ela, tinha sido reservado um salão com mesa de sinuca, bartenders sarados distribuindo drinques poderosos e coloridos, com direto à sombrinhas nos copos. E lá estava Cassandra, sentada no balcão do bar, tomando uma dose de uma bebida deliciosa, quando aproximaram-se dela algumas de suas colegas: Holly Hollyday, April Rhodes e Emma Pillsbury. As duas primeiras eram loiras e magérrimas, a outra era menor e ruiva, e Cassandra ainda estava se perguntando por quê ela não estava junto com as fadas boazinhas no salão cor-de-rosa.
– Olha, se não é a Cassie- Cass! – exclamou Holly, afetada.
– Oi, amiga! – Cassandra tentou imprimir seu melhor tom de voz simpático. – Você está tão linda! Você também, April!
– Ahn? Ah, ‘brigada. – a outra loira agradeceu, já meio distraída porque estava acariciando o abdômen de um bartender e bebendo vermute.
– Hum, oi, Cassandra. – Emma cumprimentou, gentil e tímida.
–Oi, Emma, pensei que você tinha se tornado fada madrinha!
– É que ainda não consegui fazer o Michael Jackson voltar à vida normal, as pessoas acham que ele morreu e agora ele tá com medo de voltar... – a ruiva comentou, preocupada.
–Eu te disse que ter o Michael como missão não seria fácil... – Cassandra comentou.
–Vamos acabar de conversa fiada, fadas bota-na-linha?! – a voz enérgica de Sue Sylvester, a fada líder, ecoou pelo salão. – Podem sair, boytoys, depois vocês voltam e saciam os desejos primitivos das nossas fadas! E vocês, bando de assanhadas, vamos tratar de coisas sérias! – ela ordenou, estalando os dedos.
Poltronas de couro preto deram lugar à mesa de sinuca e Sue começou a reunião, puxando um pergaminho enorme:
– Em primeiro lugar, gostaria de dizer que estou muito orgulhosa do serviço da maioria de vocês. April, mesmo bêbada, conseguiu convencer a Rihanna finalmente largar o Chris Brown, apesar de ter sido culpa dela estar tão alcoolizada e não vigiá-la o bastante para a cantora ainda ter voltado com ele. – Sue iniciou. – Emma... bem, Emma, você continua tendo problemas com o Michael? – a líder das fadas bufou, frustrada.
– Ah, Sue, ele tá com medo de não conseguir voltar cem por cento para a sua vida normal, e acha que ser coreógrafo no Rio de Janeiro é mais fácil! – a fada ruiva argumentou.
– Querida, Michael não estava cem por cento desde que gravou Black or White, faz favor! Convença-o a voltar logo à vida dele! Ele já cumpriu sua missão!
Emma se encolheu em sua poltrona; Holly olhou para Cassandra:
– Soube que você pegou o caso da insuportável Rachel Berry...
– Sim, peguei.- Cassandra se empertigou; sabia que a outra fada desejava aquela missão que coube a ela.
– Tomara que você esteja se dando bem, apesar de saber que uma missão como esta tem muito contratempos. – alfinetou Holly.
Cassandra cruzou as pernas: aquele congresso de fadas seria beeem longo...
{...}
Rachel torceu o cabelo no alto da cabeça em um coque e vestiu uma blusa velha de Finn, que batia em seus joelhos. Aconchegou-se ao lado dele na cama, enquanto o rapaz lia algumas reportagens na Rolling Stone daquele mês. Passados uns quinze minutos de silêncio, ele beijou a testa dela e perguntou:
– O gato comeu sua língua?
–Não, é que tô cansada. Esfreguei chão o dia todo. – ela justificou-se.
–Mas, mesmo quando estamos cansados, você ainda tem ânimo... o que você tem? – Finn estava estranhando mesmo o comportamento da namorada.
Ela se ajeitou, segurando o rosto dele:
– Nada, meu querido.
Finn trouxe-a mais para perto de si, envolta em seus braços, e começou a cheirar e a beijar levemente seu pescoço. Ela fechou os olhos, e ele começou a descer os beijos rumo aos seus ombros, até subir e falar em seu ouvido:
– Eu sei que algo aconteceu... foi o idiota do Jim de novo?
– Não, não foi. – ela respondeu.
– Camille?
Finn sentiu-a retesar-se em seus braços, e ela nem precisou falar nada.
– Amor... – Finn murmurou. – Ela fez algo... ela disse algo com você? – o motorista insistiu.
– Não, ela não me disse nada que me magoasse, nem me fez nada de mal. – ela o tranquilizou. – Mas eu fico pensando... quer dizer, ela sumiu do nada, não foi? Você já perguntou francamente a ela o que aconteceu, ao invés de só ficar jogando na cara dela o seu lado da história?
– Eu não tô te entendendo. – ele coçou a nuca, surpreso. – Quer que eu vá lá perguntar isso a ela? Não é melhor deixar como está?
– O que eu acho, Finn, é que é melhor deixar tudo bem claro entre vocês dois de uma vez. Você está perto de mudar sua vida! Se tudo der certo, a DSB vai arrebentar no festival e você deixará de ser um simples motorista! Vai começar uma vida nova... e nada como começar uma vida nova do que resolver tudo na vida antiga.
– Eu não acredito em “vida nova”, Rach. É tudo uma vida só. – Finn retorquiu. – Isso é importante para você? Que eu vá lá e apare as arestas do que tive com a Camille?
– Sim. Eu, mais do que ninguém, acredite, sabe o que estar aparando as arestas da vida.
– Não entendo quando você fala assim, Rachel. Parece que está vivendo uma vida dupla, parece que está reparando um grande erro. – Finn começou a se incomodar. – Sabe, eu ainda tenho que ter uma conversa definitiva com a Camille, mas será quando eu sentir a necessidade, ok?
Rachel o olhava com os olhos bem atentos, suspirando fundo:
– Você deixou de amá-la totalmente?
Finn encarou-a perturbado:
– O que você acha? Bem, eu corri para os braços dela quando a vi, estamos juntos, ah, tô te enganando, querida... – ele respondeu, sarcástico. – Rachel, pelo amor de Deus! Claro que sim!
Rachel o abraçou forte, fazendo-o instantaneamente abraça-la com a mesma intensidade:
– Eu não quero te perder. Promete que vai ficar comigo, não importa o que houver?
– Claro, eu te amo, Rachel! – ele respondeu, sem hesitar.
– Me beija, por favor. – ela pediu, quase chorando.
Finn beijou-a com todo o fervor que tinha em seu ser; havia urgência, paixão, e havia a vontade de que aquele beijo traduzisse tudo o que eles sentiam um pelo outro, algo inexplicável, implacável, além do que eles sabiam dizer.
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