Wannabe Cinderela
4 Com a mão na massa
Notas iniciais
Rachel acordou e viu que Finn já saíra. Ao seu lado na cama, ele havia colocado sua roupa que tinha posto para lavar na noite anterior, já devidamente limpa e engomada. Ela apertou o rosto contra a roupa: estava cheirosa, macia. “Esse cara não existe mesmo”, ela sorriu para si mesma.
Sobre a mesa que havia na sala, um bilhete com a caligrafia rápida de Finn dizia que ela poderia ir lá na cozinha da mansão tomar café, e daí, falar com a governanta Beiste. Momentaneamente, ela ficou com medo de encarar aquelas pessoas: eles não sabiam que ela era famosa, mas, mesmo assim, ficou apreensiva por ter que lidar com gente que, no mínimo, olharia com muita curiosidade para ela.
[...]
- Eu juro que se tiver que esfregar, varrer e espanar todos os trocentos quartos desta mansão sozinha hoje de novo, eu me mato! –bradou Santana, passando manteiga no pão na hora do café.
- Nem me fale, querida, minhas unhas não suportarão mais trabalho braçal se tiver que te ajudar. – comentou Kurt, com seu jeito de mordomo esnobe.
- Tudo o que sei é que, se a nova empregada for gostosa, vou chamar pra sair, vocês estão um porre! – declarou Puck.
Rachel bateu timidamente na porta da cozinha e se esgueirou para dentro. Santana, Kurt, Puck, mais Mercedes, que também estava lá, olharam-na, curiosos:
- Você é a garota que dormiu com o Finn na noite passada, não é? – a cozinheira perguntou, claramente interessada numa fofoca.
- Bom dia, princesa, em que posso ajudá-la? – indagou Puck, rapidamente envolvendo a cintura da morena. – Temos pão, torradas, leite...
- Puck! – Finn gritou assim que viu o amigo agarrando Rachel. – Deixa a garota em paz!- Aliás, bom dia, Rachel. Dormiu bem? – ele perguntou.
-Ótima. – Rachel respondeu, embevecida, sorrindo meio boba. Aquele homem lindo tinha um poder sobre ela, começava a sentir.
Uma cara de zoação apareceu no rosto de todos, e Finn percebeu logo:
- Gente, eu e ela não temos nada! Rachel, estes são os meus amigos: Santana, Mercedes, Kurt, que aliás, é meu irmão e Puck, que já fez o que sempre faz quando vê mulher nova no pedaço.
Rachel sorriu para todos e finalmente falou algo com eles:
- Oi. Bom dia...
-Senta aqui, vou te servir. – disse Finn, puxando uma cadeira para ela.
Todos tomaram o café em silêncio. As provocações pararam um pouco, como se estivessem meio travados pela presença de Rachel ali. Ela não estava à vontade, mas também não se sentia mal. Tomar café com os empregados não era tão ruim quanto poderia achar.
-Bom dia. – cumprimentou uma mulher enorme adentrando a cozinha. Ela tinha um ar afável, mas também parecia ser séria, e até um pouco dura.
- Bom dia, sra. Beiste.- cumprimentou Mercedes, primeiro. – Qual o menu de hoje?
- Bem, Jones, os Benson voltarão de férias hoje, deverão estar exaustos. Prepare algo leve, talvez os gêmeos queiram sanduíches e batata frita. Hudson, já sabe, não é? – ela se virou para Finn. – Busque-os daqui a pouco no aeroporto. Puck, limpe as piscinas agora, e dê um jeito no gramado. Kurt, ajude Mercedes a fazer a lista do que está faltando e que devemos encomendar para o jantar que o senhor Benson dará ao grupo de investidores alemães. E Santana, levante-se, garota! Ainda estamos sem outra arrumadeira...
-Ahn, sra. Beiste... esta é Rachel Berry. Ela quer a vaga de empregada. – disse Finn.
A mulher olhou fixamente para Rachel. A ex- estrela meio que congelou, mas manteve a pose determinava. Nunca deixaria transparecer que estava morrendo de medo de virar empregada, porque daquilo dependia ter toda a sua vida passada de volta.
-Você tem experiência? Carta de recomendação?
-Não, mas... eu tenho muita vontade de agregar valor a esta mansão. – Rachel respondeu de queixo erguido.
- Ah, garota, tá zoando? – Santana não se segurou e riu. – esfregar privar não agrega valor a nada!
-Santana, a governanta aqui sou eu! – Beiste ralhou. E, virando-se para Rachel. – Você é amiga do Hudson?
-S-sou. Sou demais. – confirmou Rachel.
-Sra. Beiste... Rachel está na pior, precisando realmente de um emprego. Ela está disposta a ficar com a vaga que era da Sunshine. – apoiou Finn, segurando os ombros dela. Rachel sentiu-se mais segura com aquela forma de carinho e proteção.
A governanta continuou a pensar, pensando que decisão tomar, até decidir:
- Ok, você pode fazer um teste. Tudo porquê o Hudson, em quem eu confio, está me dando a palavra dele. Geralmente não costumo contratar ninguém assim, mas... enfim. Santana, ajude-a. Dê para ela um dos seus uniformes e diga o que ela terá que fazer.
Rachel olhou para Finn, num misto de gratidão e procura de encorajamento, e ele lhe deu um de seus lindos sorrisos de canto de lábio, criando covinhas adoráveis:
- Vai dar tudo certo.
-Eu vou tentar. – ela disse.
[...}
- Você viu o jeito que o meu irmão olha para ela? – Kurt comentou com Mercedes.
A cozinheira, envolta por verduras e legumes que fatiava para fazer a salada preferida da sra. Benson, que chegaria dali a pouco, palpitou:
- Nesse mato tem cachorro. Ela surgiu como, “do nada”?! Onde Finn a conheceu?
- Você sabe como meu irmão é... – Kurt continuou. Aproveitava que tinha que polir os talheres de prata para ficar fofocando na cozinha com a amiga. – O Finn é muito fechado, só se dá o luxo de cantar e tocar a bateria de vez em quando na banda... vai ver que realmente seja verdade o que disse sobre a forma como a encontrou.
- Tá, tudo bem, Lady Hummel. Mas eu acho que ele já gosta dela. E vice-versa. – disse Mercedes.
- ¿Qué estás hablando? – perguntou Santana, em espanhol, que chegou cerrando as unhas.
-O que você já tá fazendo aí tão folgada, Santana? – espantou-se Kurt.
- Já terminei tudo, ué.
- E cadê a garota novata? – quis saber a cozinheira.
-Limpando o quarto do Jim.
-NÃO! Você não fez isso com a coitada! – Kurt soltou um gritinho. – A coitada!
-Santana, você é péssima. –riu Mercedes.
- Se ela conseguir limpar o quarto do Jim e passar por ele, queridos, ela terá o meu respeito... e, depois, não tava a fim de entrar no quarto daquele nojento.
Rachel estava ali, parada, de frente à porta branca do quarto do tal de Jim Benson. Santana lhe explicara que ele era o segundo dos quatro filhos do casal de milionários. Rebelde, ovelha negra da família, não tinha viajado em férias junto com os outros e seu quarto era conhecido pela bagunça e sujeira imensa.
-Você ficou uma gracinha com esse uniforme, sabia? – zombou Cassandra, que, para variar, apareceu do nada.
-Oh, olá. Que bom te ver. – Rachel disse, sarcástica. – Você aqui enchendo meus ouvidos era tudo o que eu queria.
- Ah, que é isso, Ray — Rach. Você precisa ser uma boa menina de agora em diante, esqueceu?
-Não, não esqueci, assim como também não esqueci de que a razão por estar passando por esta humilhação é sua! – vociferou Rachel.
-Ai, não me cansa. Pega seu carrinho cheio de produtos de limpeza, sua vassoura maravilhosa e vai lá. Arrasa! – a fada empurrou sua “missão”, e abriu a porta.
“Que porra é essa?!”, foi a primeira coisa que passou pela cabeça de Rachel.
O quarto todo fedia, e estava um caos. Garrafas de todos os tipos de bebida estavam espalhadas pelo chão, assim como latinhas de energético, tocos de cigarros (alguns bem suspeitos), restos de comida ( havia uns pedaços de pizza mofando) e objetos aleatoriamente largados em todo canto.
Ela se dirigiu ao banheiro. Imundo, fétido. Rachel teve vontade de vomitar, voltar, surtar, chorar. Como ela foi parar naquela situação humilhante? Mesmo sentindo as lágrimas queimarem seus olhos, ela fungou e foi em frente. “Você nunca deixou ninguém te parar. Você é Rachel Berry!”
E a limpeza começou. Rachel não lembra de quanto tempo ficou limpando o banheiro, mas só se distraiu quando sentiu duas mãos masculinas segurarem firmemente suas nádegas:
- Mas o quê... AHHHHH! – ela berrou, e, sem pensar, jogou o balde com água, sabão e água sanitária na cara do homem que a agarrava.
-VOCÊ É LOUCA?! – o rapaz urrou de dor, lavando convulsivamente os olhos.
- E você, é tarado? – Rachel gritou. – Eu sou a nova empregada, não uma garota de programa!
- Então, tá despedida! Eu te demito, sua doida! Saia já do meu quarto!
Rachel saiu choramingando, humilhada, ofendida, decepcionada. Mesmo tendo passado horas ali, não tinha conseguido nem limpar o banheiro. Com a vista turva de lágrimas, ela saiu à esmo pelo jardim, e esbarrou em Finn:
- O que houve? – ele indagou, preocupado, abraçando-a.
-E-e-eeu fui de-mi-mi-tidaa – ela chorava e gaguejava.
-Por quê? A senhora Beiste não gostou do que você fez?
-Ela não viu, mas eu nem consegui fazer nada direito... o quarto do tal de Jim era tão imundo, e aí, aí... ele me agarrou, eu joguei sabão com água sanitária na cara dele... e ele me demitiu.
-Chiu, tudo bem. – Finn a abraçou mais forte, e ela se apegou mais a ele, sentindo como era bom ter os braços de Finn envolvendo-a de forma tão protetora. – O Jim não manda em nada. E a Santana não devia ter mandado você limpar o quarto dele. Vamos falar com a governanta.
Explicado todo o imbróglio, sra. Beiste balançou a cabeça. Aquilo já era esperado, Jim Benson era um rapaz sacana que adorava abusar daquela forma das empregadas novatas:
- Vamos lá ver o que você fez. – ela disse.
O quarto de Jim estava alvo e simplesmente mais arrumado do que nunca se tinha visto antes. Tudo estava limpo, cheiroso, no lugar.
- Incrível, Rachel! – Finn exclamou, e sem pensar, levantou-a do chão num abraço.
- Como você fez isso? – Beiste indagou, impressionada. – Parece... mágica.
- Acho que foi, mesmo. – Rachel murmurou. De repente, sua fada não era tão ruim assim.
[...]
- Hoje você foi muito competente, Rachel. O emprego é seu. – disse Beiste. – E, Santana... da próxima vez, exijo que faça o mesmo no quarto do Jim que a novata aqui fez. Aquilo sim foi serviço de primeira.
-E aí, Rachel, vamos comer? – Finn perguntou.
Todos os empregados encontravam-se reunidos à mesa. Santana estava com cara amarrada por não ter tido como zombar da nova empregada, mas todos os outros sorriam e conversavam. Mercedes tinha preparado macarronada, e todos se serviam ao redor de uma mesa que ainda tinha muitas fatias de pão e azeite.
Rachel olhou ao seu redor. Uma empregada corpulenta e negra gargalhava sem parar das tiradas de um mordomo cool e gay, enquanto um jardineiro musculoso devorava pão e macarrão. Ao seu lado, um motorista charmoso e bonitão sorria para ela, que se espantava como, mesmo com a boca suja com molho de tomate, ele ficava sexy. “Acho que posso viver mesmo por aqui”, ela refletiu, abocanhando uma boa fatia de pão com molho.
Fale com o autor