Wannabe Cinderela
5 Avançando nas relações
Notas iniciais
Rachel abriu primeiro um olho, depois o outro.
Suspirando, bocejou e sentou na cama.
Eram 6 da manhã.
–Acorda, preguiçosa. – uma voz, à qual estava cada dia mais habituada, soou de algum canto do quarto.
–Você não dorme, não?
–Ah, querida, eu sou uma fada, não preciso disso que vocês chamam de sono para recarregar minhas baterias.
–Pois deveria, Cassie. – Rachel já se sentia tão íntima de Cassandra que vez ou outra se pegava chamando-a assim. – Desse jeito, me atazanaria menos.
– Cala a boca, quem precisa ganhar a vida é você. – a fada ralhou. – vem cá, cadê o deus grego que atende pelo nome de Finn, hein?
Rachel revirou os olhos e, enquanto tomava banho, contava à Cassandra que ele deveria estar no seu apartamento ao lado, provavelmente tomando banho também.
– Essas paredes estão tão sem graça...
– E o que você queria? – indagou Rachel, saindo do banheiro. – Você me tornou empregada doméstica, não uma milionária.
–Algo me diz que assim teria mais sentido.
–Você tá mais para bruxa que fada, sua loira chata. – Rachel disse, vestindo seu uniforme de empregada.
Fazia um mês que ela estava trabalhando na casa dos Benson. Tinha ganhado um pequeno apartamento nos fundos da mansão, como os outros, e aos poucos, ia se adaptando. Sentia falta de cantar, de subir aos palcos, do glamour, mas até que estava se virando bem como empregada. Lavava louça, espanava, fofocava com Mercedes, Kurt e Santana e levava cantadas de Puck todo dia, além de receber os olhares e sorrisos mais ternos de Finn.
Estranhamente, parecia que a vida estava tomando um curso normal, ou o mais parecido com isso.
–Você não me ouviu dizer que as paredes do seu apartamento estão sem graça? – indagou Cassandra, enquanto Rachel se dirigia para a mansão.
– Sim, mas que insistência!
– Chame o bonitão para fazer algo nelas junto com você. – a fada sugeriu.
Rachel parou no meio do gramado ( havia descoberto naqueles dias que apenas ela podia ver a fada- bota-na-linha):
– Você tá querendo que eu me jogue para cima do Finn?!
Cassandra riu:
– Querida, eu nunca sugeriria isso... apenas... tente ser melhor, lembra? Este é o objetivo da sua missão.
Estalando os dedos, sumiu, deixando Rachel parada no meio do gramado.
–Você tem o costume de falar sozinha? – Kurt indagou ao vê-la entrar na cozinha.
–Ahn... não?
– Por que você tava parada no meio do jardim falando com o vento, então?
–Eu tava cantando. É isso. Eu tava cantando. – mentiu Rachel, passando rapidamente geleia numa torrada.
– Então você gosta de cantar? – Puck indagou. – Nós temos folga no próximo final de semana. Por que não vamos todos pro ensaio da DSB?
Os outros começaram a conversar animadamente, e Rachel perguntou:
– DSB?
– É a banda que eu, Puck, e mais dois amigos temos. – respondeu Finn, entrando na cozinha.
–Não sabia que você tocava numa banda... – Rachel comentou.
–Toco bateria, canto... mas como vê, ainda não sou um rockstar famoso.
–Ele é modesto, Berry. Finn até que faz sucesso com as gatas, mas dispensa quase todas. – assegurou Puck.
Rachel imaginou o quanto as meninas deviam pirar realmente por Finn tocando uma bateria, suado, sorrindo daquela forma despretensiosa e sexy que só ele sabia... e por que ela estava cruzando as pernas, excitada de repente? “Ai, Rachel, falta de homem dá nisso”, ela suspirou, tomando um longo gole de café.
–Bom dia.
Todos os empregados cumprimentaram imediatamente a pessoa que acabara de chegar. Era Tania Benson, a patroa deles.
Tania era uma típica perua: loira, e andava sempre cheia de joias e de roupas chamativas. Era bonita também; seu corpo escultural e bronzeado, conseguido às custas de muita malhação e plásticas, era mostra do esforço que ela fazia para não aparentar os seus quase cinquenta anos. Esnobe, ela pouco gostava de lidar com os empregados, mas naquele dia parecia ter ordens expressas para todos:
–Finn, quero que busque os gêmeos no tênis e depois me leve ao dentista; Kurt, Santana e Rachel, limpem meu closet. Detalhe: se sumir alguma coisa, eu vou saber e demito logo os três de uma vez. Mercedes, quero salada Caesar para almoçar. E Puck... bem, me acompanhe até à piscina, sim?
Todos trocaram olhares significativos quando o jardineiro e a patroa saíram juntos da cozinha.
– Isso ainda vai dar confusão pro lado do Puck... – Kurt comentou.
– Eu só quero saber quando eles vão parar de brincar com fogo! – Mercedes emendou, e começou a pegar suas panelas.
Finn já ia saindo quando Rachel, de repente, se lembrou do que Cassandra havia lhe dito e indagou:
– Finn, as paredes do meu apartamento estão tão sem graça... será que podíamos... han... comprar umas tintas... papel de parede... não sei... – que diabos estava acontecendo com ela?! Rachel nunca ficara tão nervosa assim perto de um garoto desde a época da escola!
Finn deu um pequeno sorriso de esguelha:
– Bem, eu acho que estou livre à tarde... pode ser?
–Sim, claro! – ela disse.
[...]
– Minha Santa Gaga! – Kurt suspirou, enrolando-se com uma encharpe de seda pura dentro do closet de sua patroa. – Isso aqui é o paraíso!
– Olhem para mim, babem.- disse Santana, vestindo um Valentino longo e vermelhíssimo.
Rachel meneava a cabeça, um pouco melancólica, olhando tudo ao redor dentro do closet de Tania. Instantaneamente, ela lembrou do seu próprio, e de suas roupas, calçados e joias. Tudo o que perdera e que agora faziam parte de uma vida que nem parecia ter sido real.
Ela pegou um Louboutin e apreciou com saudade do que ela tinha e adorava, com o qual fora à última festa do Oscar; ai, como queria sua vida de antes!
– Que foi, anã? – perguntou a latina, quase rindo do ar aéreo que Rachel tinha tomado.
– Ah, é que... deixa pra lá.
–Sabe de uma coisa? Eu tenho a impressão de que você nos esconde alguma coisa, sei lá. Jeito de doméstica, você não tem; pelo contrário, parece olhar para estas coisas com uma espécie de saudade, não é , Kurt?
O mordomo concordou:
– Você não veio deste mundo, não foi, Rachel?
“Eu não posso dizer o que era, eles vão me zoar para sempre”.
– Han, eu... eu era uma atriz em início de carreira, que nunca conseguiu trabalhos muito bons e aí acabei na sarjeta, e isso é tudo.
–Você era atriz? – os olhos de Kurt brilharam. – Eu fiz teste para a NYADA, mas não passei. A vida acabou me empurrando para cá, também. – ele suspirou. – Mas eu e meu namorado Blaine pretendemos nos mudar para Manhattan assim que pudermos. Eu quero tentar a sorte na Broadway. – ele revelou, com ar sonhador.
Santana sorriu:
– Eu também não quero passar minha vida toda aqui.
– Eu já te ouvi cantar junto com a Mercedes, garota! – Rachel disse. – Vocês são um arraso! Divas!
– O problema é que sonhos não enchem barriga, chica. – ela suspirou. – Dar um golpe que nem esta brega da dona Tania, talvez, mas cantar num lugar onde tantos querem brilhar não é fácil. Tenho família para ajudar...
Rachel ficou com um nó preso na garganta. Aquelas pessoas nunca tinham vivido um décimo do que ela, e mesmo assim, estavam ali, batalhando.
Fez então algo que sua “antiga eu” em momento algum pensaria em fazer: puxou cada um para um abraço e eles se uniram. Rachel pela primeira vez sentiu que tinha amigos de verdade.
[...]
– Hey! – Finn chamou Rachel. – Vamos comprar as coisas para ajeitar suas paredes!
Era o fim do dia, e eles se sentiram descansados ao irem no sossego da velha caminhonete de Finn rumo ao subúrbio.
– Por que você não usa o carro do sr. Benson? – perguntou Rachel, distraída, vendo as árvores passarem vertiginosas pela sua janela.
– Ele até deixa que eu o use quando não estou de serviço, mas eu não gosto. Tenho meu próprio carro, posso usá-lo. E você, hein?
– O que tem eu? – ela se encolheu no banco.
– Eu já ia te chamar mesmo para umas compras. Tá precisando mudar este guarda-roupa, né?
–Nossa, eu...
– Tudo bem, vamos passar no Walmart. Deve ter algo de que você goste.
Rachel nunca havia comprado roupas numa loja de departamentos, nem quando não era famosa! Seus pais a tratavam como sua “estrelinha”, e ela nunca usaria uma roupa daquelas... mas com Finn, ela até se divertiu. Provou saias, vestidos, blusas, calças, e sempre que colocava saía do provador para ele ver se gostava ou não. Ele fazia sinal de positivo, sorria, ou, se não gostava, apenas franzia a testa.
Depois de levar uma boa quantidade (barata) de roupa, eles foram comprar papel de parede e tinta.
– Você parece gostar de rosa. – Finn comentou.
– Meu quarto quando era adolescente era amarelo. – comentou Rachel. – Mas eu gosto de rosa também.
–Então, vamos levar esta cor rosa clarinha para pintar a sala, e no seu quarto... que tal este papel com florezinhas lilases?
Rachel sorriu:
– Como você consegue me conhecer tão bem?
Finn coçou a nuca, sem jeito:
– Eu gosto de observar. E você tem sido um objeto de estudo bastante interessante nestes últimos dias na minha vida.
–Eu não sei se acho isso bonito ou não. – ela disse. – Mas... devo dizer obrigada?
–Bem, você que sabe... só quero dizer que você é misteriosa, e não me contou muita coisa da sua antiga vida, mas isso não quer dizer que não possa tentar adivinhar que você é realmente.
– E como eu sou? Descobriu algo de relevante até agora? – ela o desafiou.
Finn encostou-se no balcão da loja e começou a divagar:
– Você é muito bonita, como uma artista, eu acho. É delicada, inteligente, tem uma gargalhada brilhante e um jeito defensivo, de quem não gosta que saibam muito sobre você. Acertei?
–Nunca haviam me descrito assim. – afirmou Rachel. – Você é um doce, Finn.
Voltaram para casa, após comprarem as tintas e o papel. Rachel sentia um afeto crescente por aquele rapaz alto, lindo e gentil que dirigia. Seu coração nunca tinha ficado daquele jeito por ninguém. A Rachel estrela, poderosa, determinada, não sentiria aquilo, mas aquela que ela era agora se sentia confortável com aquelas roupas, aquele carro e com aquele rapaz.
Quando subiram para o apartamento dela, tomaram um sustou: um grito de êxtase ecoou, e Rachel reconheceu a voz da patroa deles:
– Peraí, o que disseram sobre o Puck hoje cedo é verdade?! – ela quase gritou.
– É. – disse Finn. – Ele tem um caso com a sra. Benson. Não sei o que o Puck quer da vida.
– Caraca! – Rachel exclamou, abrindo a porta do seu apartamento. – E o sr. Benson?
– Acho que ele nem lembra que tem mulher ou filhos direito. Só liga para dinheiro.
Ela sentiu um arrepio. “O sr. Benson é bem parecido com o que eu era, então”.
Eles ficaram cerca de duas horas preparando cola, cortando, medindo e colando o papel na parede. Depois, foram pintar a sala. Ao final, estavam exaustos!
– Vou pegar algo para comermos. – ela disse.
Rachel voltou instantes depois com batatas, refrigerantes e um balde de frango frito.
– Estou comendo que nem uma louca. – ela riu.
– Eu acho que é o mais adequado para depois desse trabalho todo. – Finn replicou.
–Você me leva para ver o ensaio da sua banda na nossa folga?
– Claro... não sei se você vai gostar, mas, levo sim.
– E por que eu não iria gostar? – ela retorquiu, ficando de frente para ele.
– Ah, minhas fãs, elas são muito possessivas. – ele comentou com ar casual, mas sorriu um pouco sacana, fazendo as estruturas de Rachel balançarem um pouco mais.
–Ah, é? Fãs? – ela decidiu entrar no joguinho dele, e, ousada, subiu em seu colo.
Seus olhos se cruzaram e uma chama de desejo começou a queimar nas pupilas marrom-cor-de-uísque dele. Ela pegou a dica e chegou mais perto, sentindo a respiração de Finn ficar cada vez mais pesada:
– Elas fazem isso com você? Elas fazem seu coração bater assim? – ela pôs uma mão sobre o peito forte dele.
– Elas não chegaram ainda tão perto para eu saber... – ele sussurrou, a voz quente e quase fremente de desejo.
– E se chegassem? O que você faria? – ela avançou mais na sedução, louca para saber o que aquele homem belo de tantas formas diferentes poderia fazer se entrasse em erupção.
Finn não disse nada; seus lábios esmagaram os de Rachel em um beijo intenso, dominador, e suas línguas batalhavam por mais sabor, mais poder, o desejo viajando por seus corpos como corrente elétrica. As grandes e másculas mãos de Finn seguravam firmemente as coxas de Rachel, e ela gemeu quando a boca dele desceu pelo seu pescoço, deixando um rastro molhado e inebriante pela sua pele. Ela segurou o seu cabelo pela nuca, guiou-o novamente para a sua boca e suas línguas duelaram, ávidas, ágeis e indomáveis...
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