Wanna Play?

1 Alli - Arranjando um emprego de meio período


Notas iniciais
NOVA SÉRIE!!! Eu sei que eu sumi! (Nunca fui muito presente, pra ser exato) Agora vou me explicar. Bem, estou com muitos problemas por aqui e perdi toooooooooooooooooooodos os meus roteiros de "Indigentes" e outras séries que pretendia postar. Logo, "Indigentes" está em hiato. Acho que me lembrarei de avisar isso à Liga depois. Tá, bola pra frente! Essa será minha nova série daqui em diante e eu vou fazer o máximo pra não acabar como a outra. Essa história é um romance, e quem curte games vai amar. Pessoalmente, sou péssimo nesse gênero, mas vou arriscar mesmo assim. Espero que gostem e comentem. Críticas bem-vindas! Tee-hee! Obs: "Notas de edição" nas notas finais.

Da primeira vez que o vi, ele estava no mesmo lugar que está agora — pegando um controle e selecionando seu personagem favorito. Naquela vez, há um ano atrás, foi por acaso. Eu só tinha pegado um caminho alternativo pra ir pra casa. Foi naquela hora que o vi pela primeira vez, e ,desde aquele dia, nunca mais tomei outro caminho quando voltava da escola.

O seu companheiro de jogo logo chega e seleciona outro personagem, com um ar cansado, mas logo os personagens começam a se espancar e os olhos de ambos se preenchem de concentração na partida. Os dois sorriem e de vez em quando soltam uma ofensa ao outro, que dá o troco no jogo. Parece ser bem divertido.

Daqui deste banco, tem-se uma boa visão da loja de jogos onde os dois trabalham — jogos enfileirados em uma organização impecável, chão branco de azulejos brilhantes, videogames suntuosos em vitrines de ótimo acabamento e, é claro, ele.

– Eu venci! – declara ele. – Então é você quem limpa o chão hoje.

– Que injusto – diz o companheiro em uma voz baixa, tão quase inaudível que nem parece um protesto.

– Vitória é vitória! Quer uma revanche? Prometo que pego leve dessa vez.

Ele sorri e fico feliz. Sempre torço pra ele, de uma maneira ou de outra. Levanto do banco e limpo a saia. Enquanto dou os primeiros passos para continuar a caminhada pra casa, resolvo dar uma última olhada para a loja. Lá está ele, olhando pra mim com a boca aberta, como se estivesse com as palavras na ponta da língua. O silêncio continua por alguns segundos até que as palavras finalmente saem:

– Quer jogar?

Sinto uma gota de suor descer bem lentamente da testa até o clavícula. Minha garganta seca e sinto as batidas do meu coração nas minhas têmporas. Queria que algo quebrasse esse silêncio.

– O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO, DESGRAÇADOS?

Sua face se enche de uma expressão de terror e seu companheiro parece mais assustado ainda. Logo e, seguida, passos pesados anunciam a presença da fonte da voz – uma garota de cabelos negros na altura dos ombos, óculos e com a mesma camisa da loja que eles usam. É uma garota bastante bonita, mas a maneira com a qual falou é realmente assustadora.

– Calma, Emily! – diz ele, fazendo um sinal de pare com a mão. – É a hora do almoço e...

– G-E-R-E-N-T-E! Me chame de "gerente", entendeu?

– Tá, tá! Mas...

– A hora do almoço significa que vocês têm que estar almoçando, droga! Sem "mas"! – A expressão de Emily assume um caráter furioso.

– Você anda muito estressada desde que saiu do colégio! Por favor, se acalme! – tenta ele novamente.

– Videogames não enchem a barriga de vocês, droga! Vocês querem morrer? – Não funciona.

O outro rapaz que jogava com ele, um pouco mais baixo e de cabelos e olhos castanhos, treme cada vez mais violentamente à medida que a tensão aumenta. Sentindo que é a minha deixa, me aproveito da situação e continuo a caminhada olhando para baixo, tentando disfarçar o constrangimento.

*****

O jantar é a mesma coisa de sempre. Tomo sozinha a sopa que os cozinheiros fazem pra mim. Como sempre, meu pai e meu irmão não estão. Tomo um banho e me jogo na cama. Encaro o travesseiro por alguns instantes e em um ímpeto o abraço, deixando escapar as palavras:

"Eu quero jogar com você."

Cubro a boca com a mão e sinto pouco a pouco a sensação das duas palavras que ele me disse voltarem. Quanto mais penso nisso, mais minha vontade de jogar cresce, e logo me vejo atolada em pensamentos. Quando sinto que não sei mais o que fazer, ligo pra minha melhor amiga, Rahja, e, como sempre, ela me diz para esquecê-lo, que esquecê-lo é melhor e que somente coisas ruins me aguardarão se eu persistir nisso. Dou um jeito de fingir que a ligação caiu.

Me dói ouvir isso. Não consigo esquecê-lo. Uma possibilidade dessas é inconcebível. Passei um ano pensando que somente observá-lo me faria feliz, mas agora que ouvi suas palavras e seus olhos direcionados a mim, estou faminta por mais. Pensamentos voltam a lotar a minha cabeça e me pego pensando numa possibilidade muito maluca. Meu pai não aprovaria de maneira alguma. Mas quem liga? Ele nunca está aqui mesmo.

Levando da cama e corro para a escrivaninha para planejar a loucura que estou prestes a fazer, ignorando todos os avisos de Rahja.

*****

Emily me ligou hoje de manhã. Tenho que passar lá depois da escola, como sempre faço, mas à medida que vou me aproximando do local, sinto minhas pernas tremerem e tropeço duas ou três vezes. Quando tomo coragem para aparecer em frente à loja, suspiro aliviada por ver que ele não está lá.

– Chegou mais cedo do que eu esperava, Alastria! – Reconheço a voz de Emily que ouvi pelo telefone e me viro em direção a ela.

– Ah, sim. Eu estava meio ansiosa – digo, coçando a cabeça e tentando afogar o meu nervosismo soltado uma pequena risada.

– Venha, vou te mostrar a loja.

Ela me leva para o lado de dentro, me apresentando as seções da loja. A voz dela parece bem animada e alegre hoje, ao contrário daquele dia. Estranho a maneira que ela se refere aos aparelhos de videogame — consoles– e aos jogos — videogames, raramente falando games. Sempre pensei que videogames fossem os aparelhos em si, mas agora estou feliz de ter aprendido o termo correto, pois vou precisar.

Olho em volta e me absorto em pensamentos novamente. Todos aqueles games e consoles são tão coloridos e bonitos, mas tudo parece tão vazio sem aqueles olhos cor de mel e aquele cabelo loiro. Pergunto a mim mesma onde ele está tantas vezes que esqueço Emily falando sozinha.

– Ei, Alastria!

A voz dela me tira do transe de surpresa, me assustando um pouco.

– Pois não, gerente?

– Emily está bom. Gostei de você. Você parece curtir o lugar, mas não parece do tipo do tipo que gosta de jogos. Você tem algum interesse em especial aqui?

– Eu tenho alguns... interesses... – Me pego pensando nele antes que perceba, mas me esforço ao máximo para não cair num transe e completar mais a resposta: – Mas eu gosto de jogos!

– Gosta, é? – Ela ergue uma sobrancelha e a imagem da Emily intimidadora daquele dia volta à minha mente.

– Sim, eu não... desgosto deles. – Não consigo evitar de sorrir ao pensar nas vezes que vi ele jogando e sinto o meu rosto ficando quente.

– Isso é bom! – A expressão intimidadora some e dá lugar a um sorriso de orelha a orelha. — Meu pai gosta de gente assim!

– Seu pai?

– Sim, o dono dessa loja. – A maneira que ela fala isso sai extremamente natural, sem nenhuma intenção de se gabar.

– Onde ele está?

Seu rosto fica extremamente sério e ela parece estar buscando uma resposta.

– Ocupado, eu presumo? – diz ela, sem mais nem menos. Então após alguns segundos de silêncio começa a rir. – Venha, vou te mostrar as pessoas que trabalham aqui.

A parte que eu mais esperava não parece mais tão assustadora assim, mas a ausência dele me causa insegurança. E se ele tiver sido despedido? E se tiver sido por minha causa?

– Este aqui é Geniard Hernandéz, mas todos o chamam de Geez – diz ela indicando com a mão o rapaz que estava tremendo naquele dia.

Ver Geez me deu um pouco de alívio, mas a ausência dele ainda me incomodava.

– Muito prazer! – disse, tentando sorrir o mais docemente possível.

Ele não respondeu. Logo virou o rosto para uma caixa e voltou a organizar os jogos.

– Não se preocupe. Ele só é tímido. Logo ele se acostuma com você – diz Emily, tentando amenizar a tensão.

Decido confiar nela e olho ao redor para procurar por ele. Não acho o que procuro, mas noto uma porta preta estranha na parte mais interna da loja.

– Que porta é aquela? – indago. Emily parece surpresa pela pergunta.

– Ela é... — Ela parece tão confusa quanto quando perguntei pelo seu pai. — Não entre lá. Ignore-a por enquanto.

A expressão dela permanece séria por alguns instantes, mas logo ela recupera o bom humor e tenta disfarçar a situação:

– Não é nada perigoso – ela ri. – Se está procurando o banheiro, é bem aqui à direita.

– Deixando o banheiro de lado, gostaria de conhecer o resto dos funcionários.

– Eu já falei que gostei de você? Gosto como você é direta. – Ela passa os olhos na loja com um olhar preocupado e ajeita os óculos. – Ainda tem o... – ela pausa – Caramba! Cadê aquele irresponsável? – e então explode de raiva.

– Ouvi me chamarem? – Reconheço a voz vinda do lado de fora da loja e logo minhas pernas voltam a tremer.

Ele entra com uma caixa de console debaixo do braço e a deixa no chão bem à nossa frente. E então começa a arfar freneticamente. Ainda bem que força não é o que me atrai nele.

– Que bom que reconhece suas desqualidades! – fala Emily, se dirigindo ao rapaz que eu tanto queria conhecer.

– Esse fracote aí é Dianiel Scherb. Todos chamamos ele de Dian.

Ele se dirige ao bebedouro sem nem me notar e à medida que ele bebe àgua, minha garganta seca. Depois de três copos, ele reponde a Emily:

– Dian, por favor! Você sabe que eu acho meu nome estranho!

– Pois bem, Dian. Essa é a sua aprendiz, nossa nova vendedora.

Ele crava os olhos em mim e vem em minha direção. Vejo-me presa no mesmo transe do seu olhar.

– Você é a garota daquele dia! – Ele parece surpreso e sai correndo e volta em poucos segundos com uma camisa amarela nas mãos e a estende em minha direção sorrindo. – Prazer em conhecê-la!

Olho para a camisa e então para o rosto dele. Pego a camisa e dou o sorriso mais doce que já dei até agora. Antes que pudesse retribuir o cumprimento, ele continua:

"Sabia que você queria jogar!"

Notas finais
Comentem e critiquem. Sugestões do que melhorar e até mesmo ideias pra novos personagens são muito bem-vindas! Notas de Edição [EDIT]: 14/06/2014 - Edição inicial terminada. Fico devendo somente o itálico nas palavras estrangeiras; devido às sugestões de um ser chamado Gustavo, mudei alguns trechos da segunda parte da história. Valeu, Gustavo! 20/06/2014 - Travessões e itálico adicionados. Avisem-me sobre quaisquer erros no capítulo por meio das mensagens.