Wanderer

3 II - A Sombra e o Guardião


Notas iniciais
Olá. Nesse capítulo temos a aparição de dois personagens importantes e está cheio de dicas que serão importantes no decorrer da história. Ignorem os erros que encontrarem e boa leitura.

— Hey! — A voz soou de algum lugar e me encolhi ainda mais.

O monstro se voltou para o intruso, me soltando e eu fui ao chão sem forças para me manter em pé.

— Você. — A criatura sibilou, lançando seus olhos vermelhos para o estranho. — Sempre interferindo, Guardião.

Comecei a me arrastar sobre a grama para fora de seu alcance, enquanto eles se encaravam e conversavam até que me encontrei segura de trás de uma árvore.

Fitei meu pulso e vi, com horror, que havia uma marca negra sobre minha pele branca. Aquilo queimava como inferno e parecia me corroer de fora para dentro.

— Você se mante em coisas que não lhe dizem respeito, Guardião. — A criatura gargalhou.

Os chiados da criatura soltava me fez voltar a atenção para o que estava acontecendo, esquecendo totalmente a marca.

Espiei curiosa e vi. Havia um homem ali, encarando a criatura com estrema coragem. Ele reluzia como luz e iluminava toda a escuridão ao nosso redor. Trazia nas mãos um cristal, e o apontava para a criatura de sombra.

Percebi com horror que a criatura temia a luz, temia aquele diamante e temia aquele homem. Mas ainda gargalhava sonoramente, causando-me arrepios.

— Nossa batalha jamais terá fim, Guardião. — A criatura sussurrou, dando voltas e mais voltas ao redor do estranho. Até que parou bem a minha frente e voltou os olhos vermelhos para mim. — Você não irá protegê-la para sempre.

— Você e a escória vão retornar ao Éter. — O homem rosnou, elevando ainda mais o cristal brilhante.

— Não iremos, e você sabe disso. — A criatura sussurrou.

Eu me escondi atrás da árvore, sentindo a marca queimar. Seu riso soou novamente, antes do silêncio reinar novamente.

Ouvi um suspiro profundo, e a luz diminuir enquanto o estranho sussurrava algo em outra língua. Ouvi seus passos sobre a grama, e o vi surgir bem ao meu lado.

Levantei os olhos lentamente da grama para meu salvador, no intuito de agradecê-lo, mas o que quer que eu quis se dizer, ficou preso na garganta.

O homem a minha frente fugia de todos os padrões que estava acostumada ver. Ele parecia ser jovem, mas seus olhos azuis eram pesados e cansados. Os cabelos eram dourados e longos, como uma cortina caindo em seus ombros. E era muito bonito.

— Ele tocou em você? — Perguntou, se ajoelhando a minha frente e inspecionando meus braços, pernas e rosto com os olhos.

Subitamente eu escondi meu pulso.

— O quê? — Exclamei absorta com sua beleza.

— Ele tocou em você? — Repetiu, agora mantendo os olhos azuis sobre os meus.

— Não. — Respondi, e ele suspirou aliviado.

Se afastou de mim andando em círculos a minha frente por um momento. Parecia pensativo apertando o cabo da adaga entre os dedos longos e pálidos.

— O q-que era aquilo? — Quis saber, um momento depois.

O desconhecido se voltou para mim novamente. Seus olhos azuis ainda mais cansados.

— Era um demônio. — Ele suspirou. — Houve um abalo no equilíbrio. Muitos dos demônios fugiram do Éter.

Eu arregalava os olhos a cada palavra que soava por seus lábios. Eram insanidades. Nada daquilo existia de verdade. Eu devia estar drogada, imaginando homens bonitos me salvando de um monstro feito de sombra.

Mas a marca em meu pulso ainda doía o bastante para saber que era real.

Ele percebeu meu olhar incrédulo e soltou outro suspiro, um ainda mais profundo. Se ajoelhou a minha frente e eu tratei de esconder meu pulso novamente.

— Você está segura agora. Eu sou um Guardião. — Contou, como se aquilo pudesse fazer algum sentido para mim.

— Ah. — Foi tudo que eu disse.

O estranho se deixou cair a minha frente, realmente exausto, com os braços apoiados sobre os joelhos dobrados. Eu conseguia ouvir sua respiração ofegante no silêncio que nos cercava.

— Quem é você? — Me vi perguntando, com os olhos fixos nos seus.

— Sou Alden, o Sexto Guardião. — Aquilo devia fazer algum sentido pra mim, mas não fazia. — E você?

— Prazer. — Falei, suspirando. — Isobelle.

— Isobelle? — Ele repetiu, com as sobrancelhas claras arqueadas.

Eu quase ri, aquela era a reação que todos tinham. Meus pais tinham um gosto excêntrico e peculiar para nomes.

— Me chame apenas de Belle. — Eu sorri, dando de ombros.

— Belle. — Ele repetiu, e eu me controlei para não fechar os olhos ao ouvir meu nome soar por seus lábios. Mas seu rosto assumiu uma expressão seria e firme e senti-me arrepiar. — Você não é daqui.

— Não, não sou. — Suspirei profundamente. — Não faço nem ideia de onde estou.

— Você se perdeu? Para onde estava indo?

Eu queria poder responder suas perguntas. Dizer que era de New York, e que não fazia ideia de como fora parar ali. Mas senti que dizer tais verdades causaria mais confusão ainda. Ele ainda poderia me achar louca e me abandonar ali, e a possibilidade de estar sozinha e aquele monstro retornar me causava pavor.

— Eu não sei. Eu não me lembro. — Menti.

— Não se lembra? — Havia dúvida e confusão nublando seus olhos azuis, mas, logo a compreensão tomou seu rosto. — Você deve estar cansada, precisa descansar para suas lembranças retornarem.

— Mas e aquele demônio? — Só a mera lembrança dele me fez encolher sobre o gramado.

Alden percebeu e tocou meus ombros com os dedos longos e brancos em sinal de compreensão.

— Ele não vai voltar, eu estou aqui e vou protegê-la, Belle. — Havia tanta convicção em sua voz que me vi confiando em suas palavras.

— Tem certeza? — Vi-me perguntando, completamente apreensiva.

— Um demônio nunca enfrentar um guardião duas vezes ao dia. Mesmo um príncipe. — Contou e e senti um arrepio subir por meu corpo.

Era estranho ouvi-lo falar sobre demônios com tanta naturalidade. Eu havia sido criada em uma família católica, e esse assunto sempre foi tabu em minha casa. Então, sempre imaginei demônios com uma aparência terrível, espalhando o mal no mundo.

Mas aquele demônio que me atacou, ele não era vermelho, não possuía chifres ou um rabo e não carregava um tridente, como minha imaginação fértil de criança idealizava. Era apenas sombras e escuridão.

Uma visão tirada de meus profundos pesadelos.

— Tente dormir um pouco. Quando o sol nascer, vamos para o Templo. — A voz de Alden me trouxe de volta e eu sorri, agradecida.

Eu queria ter perguntado que Templo era esse, mas o sono me abateu. Me vi deitando ao chão, sobre o gramado sentindo estranhamente confortável e segura. Algo fora posto sobre meu corpo e o aroma de pinheiros preencheu meus pulmões.

Consegui ouvir Alden sussurrando algum cântico antes de finalmente me entregar a escuridão.

Notas finais
Obrigada aos que chegaram até aqui!!! Espero que gostem de Alden e do Príncipe. Até o próximo. ;*