Walking on starlight
3 Parte 3
Notas iniciais
Thorin tossiu o resto de água que ainda residia em seus pulmões. A dor de não conseguir respirar direito por conta da quantidade elevada de líquido dentro dele nem era o que lhe incomodava, era o fato de ele sentir aquele cheiro nojento de Orcs empesteando suas narinas desde que ele entrara naquela maldita floresta. Os elfos podiam se orgulhar de muitas coisas, é verdade, mas jamais poderiam dizer que a Floreta Negra era um lugar seguro para se viver. Batendo nos ouvidos, retirou o resto de água que ali estava e olhou para seus companheiros. Todos estavam bem, com exceção de Kili. Fili conversava baixinho com o irmão, que parecia ignorá-lo e olhar ao longe, como se esperasse por alguém. Thorin não era burro, ele sabia muito bem o que havia acontecido com o mais jovem e isso tinha a ver com a elfa dos cabelos vermelhos. Cuspiu no chão. Elfos são o mesmo que merda.
Bilbo se aproximou do líder da companhia, andando de uma forma orgulhosa, como se sua ideia de entrar em barris tivesse sido a melhor de todas desde que eles saíram do Condado. Isso estava começando a irritar o líder da Companhia.
– O que você quer, hobbit? – Perguntou Thorin, irritado.
– Já está tarde e os outros querem descansar um pouco. Kili está esquisito e Balin acha que deve ser algum resfriado ou alguma infecção por causa daquelas celas antigas e completamente anti-higiênicas.
Thorin lançou um olhar de desaprovação aos anões, que tiveram de mandar um hobbit por serem covardes demais para lhe dizerem isso por conta própria. Voltando a olhar para o pequeno, Thorin deu de ombros e se sentou em uma pedra, apoiando a cabeça em sua mão cheia de calos.
– Podemos acampar por aqui – O alívio era perceptível pela respiração dos anões – Mas já vou avisando que voltaremos à viajar amanhã cedo. Ainda temos que passar pela Cidade do Lago e isso não será fácil. O dia de Durin se aproxima. – Por fim ele completou, com um tom mais amigável e menos autoritário- Descansem.
Assim que Thorin parou de falar, Fili se virou para o irmão que parecia estar em outro lugar.
– Por que eu tenho uma impressão de que você está assim por causa daquela elfa? – Perguntou ele, mantendo a expressão séria.
– Não sei do que você está falando – Respondeu Kili sem olhar diretamente para o irmão.
– Sinceramente, Kili, todos sabem. Percebemos sua paixão por aqueles seres esguios de orelhas pontudas em Valfenda – Fili abafou uma risada – Ele era mesmo um belo elfo.
– Cala a boca – Respondeu Kili jogando sua bota molhada em Fili – Sinceramente, eu não sei o que está acontecendo comigo. Aprendemos a vida toda que os elfos são seres cruéis e sem honra, mas agora... Eu vejo que eles não são bem assim, Fili. Eles são bons e até mesmo atraentes se formos pensar bem – Um sorriso se formou nos lábios do anão – Eles podem ser gentis e valentes. Alguns deles até devem ter honra. Uma raça toda não pode pagar pelos erros de seu rei.
– É exatamente isso que estamos fazendo, Kili – Os dois jovens se viraram e viram que Balin fumava seu cachimbo bem perto deles. O anão da longa barba branca provavelmente escutara a história toda – Estamos pagando pela ganância do avô de Thorin e vocês sabem muito bem disso. Com os elfos não é muito diferente; todos estão pagando pela fama de covarde de Thranduil, apesar de em minha opinião ele ter tido seus motivos.
– Que motivos, Balin? – Perguntou Fili com raiva – Ele traiu o juramento que fez ao nosso povo, ele não merece nada além do nosso desprezo.
– Não precisa se preocupar meu jovem, pois nada do que você tem atrairia o senhor da Floresta Negra e além disso no momento ele está bem, protegido enquanto muitos dos seus morrem em combates com Orcs e aranhas gigantes. O mundo está mudando, meu jovem Fili. Não podemos julgar nenhuma das raças que ainda são boas, pois não podemos ficar contra aqueles que serão nossos aliados quando aquilo que há de realmente maligno tomar conta da Terra Média.
Fili ficou quieto, mas Kili ainda falava muito em seus pensamentos. A Terra Média estava em perigo, mas também estava Tauriel. Ela havia permitido que eles escapassem, por algum motivo que ele ainda desconhecia, mas ele sabia que ela arranjaria problemas com seu rei por causa disso. Seus lábios se repuxaram num sorriso. Talvez o motivo fosse nobre. Talvez ela quisesse salvá-lo de alguma coisa que seu rei pudesse lhe infligir. Ou talvez ela só estivesse interessada em fazer justiça, mas pesar que Tauriel estava preocupada e se importava com ele era melhor do que pensar que ela era simplesmente uma mulher justa.
A chegada do pequeno hobbit Bilbo o tirou de seus pensamentos. Os cabelos cacheados dele podiam dizer o contrário, mas o hobbit estava demonstrando ter mais coragem do que barriga ultimamente. Fili deu um tapa nas costas do pequeno, que fez com que ele se arqueasse um pouco, mas mesmo assim não parava de sorrir.
– Muito obrigado por nos libertar, ladrão – Falou o anão, dando uma gargalhada satisfeita – Aquela elfa deve ter se sentido muito mal de não saber o que estava enfrentando.
– Ela deixou que escapássemos – Falou Kili, sem nem perceber que não estava mais na privacidade dos seus pensamentos – Ela permitiu nossa fuga, por mais errado e imperdoável que isso fosse aos olhos de seu rei. Tauriel deixou que fugíssemos. Não tiro o crédito do que o senhor Bolseiro fez, mas a agilidade élfica é tamanha que todos aqui sabíamos que ela nos capturaria novamente se quisesse.
– Concordo com ele – Disse Bilbo, com a expressão mais séria – Aquela elfa é uma boa mulher... Ou só foi lenta demais em seus movimentos.
– Estou ouvindo direito?
A voz de Thorin fez com que todas as rodinhas de discussão se calassem e se virassem para ele, que estava agora mais próximo do grupo em que o hobbit se encontrava.
– Vocês estão falando de forma positiva a respeito de uma elfa? – Thorin cuspiu no chão novamente – Ela é tão ruim quanto qualquer um de sua raça e eu achava que pelo menos você Balin conseguisse ver isso.
– A verdade deve ser dita, Thorin; A garota elfa nos permitiu fugir. Ela viu Kili, ele mesmo nos disse.
– O que? – Thorin olhou para o mais jovem com seus profundos olhos azuis – Você quase arruinou nossa fuga para passar mais um tempo olhando para aquela elfa?
– E-eu não fiz por mal...
– Estou aturando muito de sua infantilidade, Kili – Thorin aumentou o tom de voz, demonstrando sua raiva para todos que podiam escutá-lo – Qual é o seu problema dessa vez? Está encantado pelos elfos de tal maneira que correr se tornou difícil? Ou você simplesmente esqueceu a que raça pertence?
Kili não disse nada. Ele sabia que estava errado em querer qualquer coisa que fosse com um elfo ou de ter tentado confiar em alguém pertencente àquela raça, ele só não sabia o porquê de tudo isso. Um elfo havia traído Thorin e agora ele achava que nenhum deles era digno de confiança? Tauriel era diferente, ele podia sentir.
– Você é um anão da linhagem de Durin – Falou Thorin, fazendo com que a atenção do anão voltasse para ele – E espero que comece a se comportar como um ou seria bem mais prático se aquela elfa o tivesse acertado com uma de suas flechas.
Thorin se virou e foi até a água lavar o rosto. Kili abriu um meio sorriso pensando em como a elfa realmente o havia acertado com suas flechas, mas não jeito que o seu líder esperava.
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