Walking on starlight
4 Parte 4
Notas iniciais
Tauriel amarrava as botas de couro o mais apertado que conseguia. Sua mochila já estava cheia de flechas, cantis com água e lembas. Ela tinha o suficiente para semanas de viagem, mas depois de todas as suas pesquisas, ela percebeu que não demoraria tanto tempo para encontrar os anões. Ela precisava alertá-los, dizer a eles que a ira de Thranduil os seguiria, não importando aonde fossem. O rei ainda não havia sido avisado da fuga de seus prisioneiros, mas quando fosse, uma tropa seria mandada para encontra-los e ele a colocaria no comando... Tauriel sabia que não aguentaria fazer mal àqueles anões, ainda mais agora, que ela sabia toda a sua história e seus objetivos, objetivos esses muito diferentes daquilo que ela crescera escutando.
– Para onde você pensa que vai?
Ela olhou para trás, desesperada e viu que se tratava de Legolas. Uma parte do desespero se fora, mas a outra ainda estava em seu peito, avisando que ele não era confiável... Ele era o príncipe, se ele sabia de algo, o rei rapidamente ficaria sabendo.
– Vou caçar – mentiu ela, forçando um sorriso – Estou a fim de matar algumas aranhas. Até te convidaria se não estivesse precisando de um tempo sozinha.
Legolas levantou as sobrancelhas. O elfo reconhecia quando a amiga mentia, eles se conheciam desde muito pequenos.
– Eu sei muito bem o que você vai fazer, Tauriel – ela engoliu em seco, enquanto o elfo loiro se aproximava – Você vai atrás daqueles anões fedorentos, não vai?
Tauriel soltou uma risada nervosa.
– P-por que eu iria atrás deles se eles ainda estão presos?
– Tauriel – Legolas levou a mão à testa, como se estivesse com dor de cabeça – Sabe o que meu pai vai fazer quando nos descobrir? Bem, eu não sei... Mas vai doer.
– Me desculpe, eu... – Ela arregalou os olhos – Você disse “nos descobrir”?
Legolas levantou a capa verde que usava e mostrou uma bolsa que ele carregava junto ao cinto e o arco preso às costas.
– Que tipo de honra eu teria se não fizesse algo pela mulher que eu amo pelo menos uma vez na minha vida.
Aquelas palavras deixaram o rosto de Tauriel da cor dos seus cabelos. Ela olhou para baixo, fitando suas botas de couro, pois não sabia o que responder à Legolas. Claro, ela o amava. Sim, amava demais... Mas pelo jeito não era da mesma forma. Ela já havia gostado mais de Legolas sim, quando os dois eram menores e sem tantas preocupações, quando ele não era o grande príncipe e ela não era a líder do exército, quando ele era só o Legolas e ela era só a Tauriel. Agora estava tudo mundo confuso em sua cabeça. O único homem que ela conseguia pensar no momento era o rei, que pediria sua cabeça em um bandeja assim que ela e Legolas saíssem de seus domínios.
E também tinha o anão sem barba, mas não era aconselhável pensar nele ao lado de Legolas, ainda mais depois de uma declaração como aquela que ele havia acabado de fazer.
– Legolas eu... – ela tentou pensar muito bem no que diria, pois não queria magoá-lo de forma alguma – Eu agradeço muito sua ajuda, mas acho que o reino precisa de você e, além disso, se nós dois sumirmos, seu pai pode pensar o pior... Ele pode achar que, bem, fugimos para nos casar ou algo do gênero – Rapidamente, ela completou – Não que isso seja um problema, claro que não, mas eu não queria ter de dar essa notícia desse jeito ao seu pai.
– Que notícia? – perguntou ele, sem realmente entender o que eu dizia.
– Bem, que seu filho, Legolas Verde-Folha, está noivo da líder de seus exércitos. Ele já não aceitaria em condições normais, imagine nestas?
Legolas abriu um sorriso e Tauriel respirou aliviada, mas com uma pontinha de culpa em seu peito. Um dia ela teria de lhe dizer a verdade, mas não seria agora.
– Bom, eu tenho que ir – Ela falou, batendo as mãos na coxa, mais para fazer alguma coisa com elas do que por algum motivo especial – Nos vemos quando eu voltar.
Antes que ela se virasse para descer as escadas até os portões, Legolas segurou seu rosto com as duas mãos e encaixou seus lábios aos dela. Não era uma sensação boa, era como beijar um irmão. Tauriel fechou os olhos e só rezou para que ele a soltasse logo.
– Boa sorte – falou ele, dando-lhe um beijo na testa – Anar kaluva tielyanna(que o sol brilhe sempre em seu caminho).
Com um sorriso inseguro no rosto, Tauriel marchou até as escadas e ao chegar nos portões, limpou seus lábios com a manga de sua capa. Os elfos que ficavam na entrada abriram assim que ela se aproximou, sem fazer perguntas... Afinal, acima dela só havia o príncipe Legolas e o rei Thranduil. Ela os cumprimentou com um leve e controlado aceno de cabeça, mas assim que os portões foram fechados atrás de si ela começou a correr, praticamente a voar, usando toda a agilidade provida por sua raça.
...
Kili acordou no meio da noite, enquanto todos os outros dormiam, exceto Dwalin, que estava de guarda. Assim que viu o mais novo se levantar, o anão se deitou onde estava mesmo e começou a roncar quase que imediatamente. Grande erro, já que Thorin havia proibido Kili de fazer guarda por ficar sonhando acordado demais.
O anão mais jovem se espreguiçou e chutou algumas pedrinhas que encontrara jogadas no chão. Estava pensando nela novamente? Estava. Os cabelos ruivos de Tauriel dançavam em sua mente quando ele escutou um som esquisito. Parecia uma flecha, sendo atirada contra uma superfície muito dura. Um grito. Um baque de alguma coisa caindo no chão. Mais gritos. E aquele cheiro.
Cheiro de orc.
– ACORDEM – Gritou o anão, pegando seu arco e suas flechas perto de onde dormira – ORCS!
Antes que eles pudessem pensar, um grupo de orcs invadiu seu acampamento improvisado, pisando em panelas de barro e despertando até mesmo os mais sonolentos. A espada de Bilbo estava completamente azul, mas ela não precisava avisar que orcs estavam ali uma vez que isso todos conseguiam ver. Do meio dos orcs, como em um sonho, veio Tauriel, com a bochecha cortada pela lâmina da espada de um orc e um ferimento mais profundo em seu braço. Quando viu que ela estava ferida, Kili sentiu uma ira inacreditável e começou a atacar orcs, sem nem pensar no que estava fazendo. Eles mal conseguiam vê-lo pois além de ser mais baixo, era mais ágil do que aquelas criaturas. Após atirar uma flecha no meio dos olhos de um orc e ver sua ponta do outro lado do crânio do mesmo, ele deu alguns passos para trás e suas costas tocaram a superfície macia das costas de Tauriel.
– Olá – ele falou, não conseguindo evitar um sorriso.
– Como está? – perguntou ela, enquanto mirava uma flecha em orc que atacava Bilbo... e o acertava bem do lado esquerdo do peito.
– Já estive melhor – ele realmente estava tentando ser engraçado num momento como aqueles – O que está fazendo aqui?
Terminando de perguntar isso, Kili deu um soco em um orc que e aproximava dos dois.
“Não, orc de merda, eu estou ocupado agora, não venha me atrapalhar.”
– Olha, vocês fugiram – ela se virou de frente para ele e reparou que ele era até alto para um anão – Estou fazendo meu trabalho.
Mais uma flecha atirada pela elfa, mais um orc morto.
– Então você estava sentindo minha falta? – Perguntou o anão com um sorriso nos lábios e o coração batendo mais rápido do que bateria se ele estivesse sendo atacado por uma horda de orcs... Mas não era isso que estava acontecendo?
– Digamos que sim – Ela sorriu de volta e em seguida o empurrou para que um orc não o esfaqueasse por trás. Do seu cinto, ela tirou uma adaga, a enfiou na testa do orc e deu um pulo, abrindo um talho no crânio cinzento da criatura. Jogou os cabelos ruivos para trás e guardou a faca novamente em seu cinto – Mas eu acho que você sentiu mais a minha falta.
Com orcs mortos ao redor, Kili se levantou, enquanto seus colegas tomavam fôlego e com um sorriso falou:
– Meu nome é Kili.
– Tauriel – ela sorriu de volta, se abaixando e tirando uma mecha cacheada dos olhos escuros de Kili – Você não tinha me dito seu nome.
– Você não me perguntou – ele deu de ombros – E além do mais, eu não sou desse tipo de anão.
– Você me pediu para revistar suas calças – Ela cruzou os braços na altura do peito.
Kili sentiu seu rosto queimando sob o olhar da elfa. Ele teria dito alguma besteira se Fili não tivesse se aproximado.
– Então você é a elfa que todos estão falando a respeito?
Ela pareceu realmente surpresa.
– Todos? Achei que só o moço das calças aqui gostasse de mim.
– Ninguém falou em gostar – Fili abriu um sorriso – AGORA!
De repente, todos os anões apareceram, alguns segurando cordas, outros com suas espadas em punho e em menos de dez segundos, eles tinham a elfa dos cabelos vermelhos amarrada junto à fogueira.
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