Walking After You
1 Prólogo: Faint
Notas iniciais
Bom, eu vou ser breve: o prólogo ficou enorme e. :3 Mas eu espero que vocês gostem, de verdade. ♥
Divirtam-se =D
- IZAAAAAAAAAAAAAAYA-KUN! – Berrou Shizuo, enquanto arremessava máquinas de venda automática em Izaya, que corria, rindo da situação. – Quantas vezes eu vou ter que falar para você não colocar os pés em Ikebukuro?!
- Por que tão cruel, Shizu-chan? – Retrucou o moreno, sem parar de correr e fazer acrobacias pelo ar.
Shizuo o odiava, odiava o modo como ele o chamava, odiava aquela maldita pulga que ocasionalmente visitava a sua cidade. Queria matá-lo. Queria nunca mais ter de ver aquele sorrisinho metido à besta novamente. Izaya era um manipulador sociopata que gostava de remeter os outros a situações em que eles sofressem. Ele sempre admirou o caos. E adorava brincar com seus tão amados humanos. Porém, Shizuo nunca havia sido um humano amado para ele. Ele era um dos únicos humanos – se é que poderia ser chamado assim, Izaya pensava – que não conseguia manipular, e isso o fazia desprezá-lo. Shizuo era um monstro. Ele não era violento, ele era a própria violência. Não era à toa que era taxado como o homem mais forte de Ikebukuro.
Izaya constantemente se perguntava como as coisas haviam chegado àquele ponto. Os dois brigavam até cansarem, se amaldiçoavam até faltarem palavras e se odiavam mais do que qualquer coisa. E isso desde os tempos em Raira, de acordo com Shinra. Izaya sempre havia sentido essa vontade incontrolável de “brincar” com Shizuo. É claro que ele também amava brincar com os outros humanos. Mas as coisas se tornavam interessantes quando o loiro estava envolvido. Ele era algo como uma besta indomável, e tinha uma força medonha. Todos o temiam, uma vez que ele colocasse as mãos em alguém com intenção de feri-lo, essa pessoa poderia se considerar morta. Mas Izaya tinha habilidades sobre-humanas também. Só ele conseguia escapar de Heiwajima. Só ele tinha esse privilégio.
Eram dois monstros, Izaya pensava. E monstros como eles nunca seriam amados por ninguém. A única coisa que os restava era a companhia um do outro, e o ódio mútuo que sentiam. E embora não admitissem, talvez, em alguma parte do subconsciente de ambos, eles secretamente gostassem de passar algum tempo juntos, mesmo que fosse lutando até as forças se esvaírem. Pelo menos dessa forma, podiam sentir que tinham alguém que fosse semelhante. Outra aberração. Era irônico que duas pessoas tão diferentes conseguissem ser tão iguais. Mas o vazio que sentiam por serem sozinhos se preenchia por algum tempo, quando estavam juntos. O desprezo havia se tornado algo bom para eles, de certa forma. E aquele relacionamento tão indesejado, repleto de sentimentos ruins, era um conforto.
A corrida daquele dia estava se estendendo por mais tempo do que o normal, ambos pareciam bastante energéticos. As ruas estavam sendo completamente destruídas, pois toda a vez que Shizuo arremessava algo pesado, Izaya desviava, e o objeto terminava acertando outra coisa e causando um estrago tremendo. As pessoas observavam àquela cena horrorizadas. Era como uma perseguição de cão e gato. Mas os cidadãos de Ikebukuro já estavam praticamente acostumados com aquilo. Era quase como uma atração da cidade.
Izaya, um pouco distraído, entrou num beco sem saída. Ele estava cercado por Shizuo. Seria aquele o fim? Definitivamente deveria começar a focar mais seus pensamentos. Mas pensar em Heiwajima o distraía. Ele deveria parar com isso e começar a se concentrar em fugir. Mas àquela altura já não tinha para onde ir, então apenas ficou esperando que Shizuo acabasse com ele. Era um fim um pouco patético, mas Orihara ficava feliz de ser morto por Shizuo. Se fosse para alguém o matar, que fosse o homem mais forte de Ikebukuro.
Mas então algo inesperado aconteceu.
Uma mesa caiu bem na cabeça do loiro, seguida de outras duas, e ele caiu no chão, um pouco tonto. As mesas se quebraram. Apesar de resistente, nem mesmo Shizuo Heiwajima era capaz de suportar ser acertado na cabeça por três delas. Mas era espantoso ver como ele estava apenas atordoado, mesmo com o sangue escorrendo por sua cabeça, não reclamava e não pedia ajuda. Era orgulhoso demais para fazer algo assim. Izaya pode ouvir alguns passos de pessoas fugindo, essa era uma ótima oportunidade para fugir também. Mas vê-lo naquele estado fez com que Orihara ficasse parado por alguns instantes, fitando-o. Estava tão indefeso que chegava a dar pena. Nunca esperou ver uma cena daquelas em toda a sua vida.
- O que você ainda faz aqui, sua pulga? – Perguntou Shizuo, irritado por ter tentado levantar, mas caído em seguida. – Quando eu me recuperar eu vou estourar seus miolos!
Aquele homem seria um cabeça-dura teimoso até o final de seus dias, Izaya estava certo disso. Mas como não poderia reagir a nada, ele resolveu aproveitar a oportunidade. Arrastou Shizuo com dificuldade até a parede do fim do beco, o loiro apenas o encarou assustado, se perguntando o que ele faria. Não pensava que Izaya seria capaz de matá-lo sem que ele estivesse com condições para se defender, já que esta havia sido sua diversão por tanto tempo, seria um pouco estranho se o moreno tomasse uma decisão tão repentina assim. Soltou alguns palavrões, principalmente pelo fato de não conseguir se levantar para fazer o infeliz do Izaya apanhar tanto que ficaria inconsciente. Assim que recuperasse as forças, também sairia correndo atrás dos malditos que o acertaram num momento como aquele. Se não tivesse sido interrompido, com certeza teria acabado com Izaya.
Orihara se aproximou de Shizuo, ajoelhando-se, aproximando seus rostos. De perto, ele conseguia ser ainda mais bonito. Seus olhos tinham um castanho vívido e seus cabelos caindo sobre o rosto, que estava ensangüentado, o fazia ficar bastante sexy, ao ver de Izaya. Ele passou a língua levemente sobre o sangue que escorria, aquele era o sangue de seu tão odiado Shizu-chan. Aquela cena era tão prazerosa para Izaya que ele degustou cada momento. Shizuo parecia extremamente incomodado com tudo aquilo, mas não conseguia mover um músculo.
- Por que você está fazendo isso? – Perguntou o loiro com voz fraca, sua visão já começara a ficar um pouco embaçada.
- Quando eu digo que quero testar você, Shizu-chan, eu não quero dizer só em questão de força. – Izaya deu um sorriso malicioso. – Eu quero te testar de todas as maneiras possíveis, ok?
O moreno piscou e riu. Em seguida se aproximou ainda mais de Shizuo, dando-lhe um beijo lento que fez com que ele arregalasse os olhos. O que se passava na cabeça de Izaya naquele momento? Perguntava para si mesmo. Divertindo-se com a reação de Heiwajima, ele o beijou de novo. Mas dessa vez de maneira mais intensa. Uma de suas mãos estava no ombro de Shizuo, enquanto a outra estava depositada suavemente pela coxa do mesmo. O corpo de Izaya estava inclinado para ele, que demorou algum tempo para ter uma reação imediata. Orihara mantinha seus olhos fechados e parecia completamente submerso no beijo. Shizuo não demorou muito para fazer o mesmo. Aquele era o seu primeiro beijo, afinal de contas.
Mesmo que tivesse uma força absurda, Heiwajima atraía o interesse de muitas mulheres de Ikebukuro. Mas nunca correspondia, não tinha interesse nelas. Shizuo nunca teve sequer um interesse amoroso. Não tinha tempo para pensar nesse tipo de coisa, era muito ocupado. Quando não estava no trabalho, se preocupava com Kasuka e brigava com Izaya. Uma mulher nunca tivera espaço em sua rotina. Não tinha muita experiência, mas ficava irritado que seu primeiro beijo estivesse sido justo com aquele homem que tanto odiava. E mais ainda porque não estava sendo tão ruim quanto ele pensava. O gosto de Izaya era doce, e Shizuo sempre havia gostado de doces. Sua vontade de explorar a boca do arquiinimigo fez com que ele tentasse colocar a língua lá. Sem questionar, apenas abafando o riso, Izaya abriu a boca para dar passagem à língua de Heiwajima, que penetrou sua boca em um movimento feroz. Orihara fez o mesmo, mas de forma mais graciosa. Dentro da boca dele era quente, úmido e suave, pensou Shizuo.
Não era como se Izaya não estivesse gostando da situação, pelo contrário. O hálito de tabaco de Shizuo o atraía, e mesmo a língua dele conseguia ser ágil, deixando tudo ainda mais excitante. Penetrava bravamente pela boca do moreno, fazendo-o soltar alguns gemidos de vez em quando. Heiwajima também gemia às vezes, por causa do beijo de Izaya, e também porque doía um pouco fazer movimentos tão bruscos. Ele já se sentia um pouco sem ar, por causa da intensidade do ato, e tudo aquilo fazia sua cabeça girar. Fraquejava cada vez mais, Izaya também estava ficando afetado. Apesar de terem formas bem diferentes de fazê-lo, suas línguas lutavam ferozmente para ver qual era a mais forte. Mesmo em algo tão simples como um beijo, havia uma disputa de dominância entre os dois. Sempre fora assim, sempre seria.
Depois de alguns minutos, seus lábios finalmente se desgrudaram, Shizuo encarou Izaya, ofegante, porém ainda perplexo, sua visão estava pouco nítida. Ele não conseguiu ver o sorriso nos lábios de Izaya, aquela havia sido uma das únicas vezes que ele não havia dado um sorriso irônico, mas sim um sorriso sincero e dócil, quase como estivesse se rendendo. Provavelmente era involuntário. Orihara nunca demonstraria fraqueza perto de outros seres humanos. “Acho que está tudo bem, já que nós dois somos monstros” Pensou consigo mesmo. Ainda sim, suspirou aliviado por Shizuo estar quase desmaiando.
- P-por que você fez isso? – A voz de Shizuo era praticamente inaudível.
- Porque você é como eu, Shizu-chan. – Izaya colocou suas mãos no rosto de Shizuo, com cuidado para não machucá-lo.
- Você é doce. – Shizuo deu um meio sorriso e finalmente desmaiou.
Sua cabeça caiu no ombro de Izaya, que ainda estava assustado pelo que havia acabado de ouvir. Havia sido tão inesperado. E por quê? Do que Shizuo estava falando? Não adiantava perguntar. Ele nunca conseguia prever as atitudes de Heiwajima, e muito menos entendê-las. Aquele homem que estava depositando todo o seu peso sobre Izaya, era incomparavelmente inconstante. Aquelas palavras tão gentis fizeram o informante corar levemente. E em seguida preocupar-se. Shizuo estava ferido, ele não poderia fazer muito. Então sacou seu celular do bolso e discou o número da única pessoa que conseguia pensar no momento: Shinra.
- Izaya? – Perguntou Shinra com voz sonolenta do outro lado da linha. Izaya havia se esquecido completamente de que já eram duas horas da manhã.
- Nee, Shinra, a Celty está fazendo a ronda pela cidade hoje? – Perguntou o moreno, um pouco preocupado. Podia sentir a fraca respiração de Shizuo em seu pescoço, fazendo-o se arrepiar.
- Está sim. – Respondeu Shinra, agora parecendo um pouco mais animado. – Algum serviço?
- Mais ou menos. – Disse Izaya, procurando se situar. Nem mesmo ele sabia onde estava. – Eu estou num beco perto do centro de Ikebukuro, eu acho; perto daquela loja de conveniência amarela. Fale para ela vir para cá o mais rápido possível.
- Tudo bem.
- Ótimo. – Exclamou Izaya, sentindo-se aliviado. Quando ia preparar-se para desligar o telefone, Shinra disse:
- Aconteceu algo? – Indagou o médico. – Você parece preocupado.
- N-não. Tudo absolutamente normal.
- Então tá. – Deu de ombros. – Ligarei para a Celty.
- Obrigado, Shinra.
- É raro ver você se preocupar com alguém. – O homem parecia curioso. – Nem imagino quem seja.
Dito isso, Kishitani desligou o telefone. Como ele sabia que Izaya estava preocupado? Pelo menos por telefone, isso era um pouco difícil de deduzir. Mais do que um humano, Orihara considerava Shinra como um amigo. E este o conhecia muito bem. Eles sempre tiveram uma boa relação, esperava que pudesse contar com ele novamente, para que Shizu-chan ficasse bem. Izaya observava Shizuo desacordado, hesitou um pouco, mas colocou sua mão por entre os cabelos do rapaz. O sangue estava seco e exalando um cheiro bastante desagradável, mas pelo menos havia sido estancado. Shizuo parecia uma criança dormindo, sua roupa de garçom estava toda amassada e com alguns botões desabotoados, deixando à mostra o abdômen definido dele. Mesmo todo machucado, Heiwajima conseguia continuar bonito. Izaya suspirou e o acariciou delicadamente. Quão irônica deveria ser aquela cena, ele se perguntava. Ele, que sempre havia desejado o sofrimento de Shizuo Heiwajima, ao invés de deixá-lo ali apodrecendo, ligou e buscou por ajuda. Estava com o loiro em seus braços, tomando todo o cuidado do mundo para não feri-lo mais do que já estava.
- Acho que você consegue me amolecer com esses elogios idiotas e fora de hora, nee, Shizu-chan? – Izaya disse, sem esperar por uma resposta, apenas encarando docemente Shizuo, que mal se movia. – Até quando você me chama de pulga... Eu não me importo.
Izaya riu de sua própria desgraça. Ele era mesmo muito masoquista. Mas logo, voltou a assumir um semblante melancólico. Não era por medo de perder Shizuo – aquele ali era um vaso ruim de quebrar, não morreria tão fácil –, mas sim não entender o que estava fazendo. Sentia-se confuso e com raiva. Izaya odiava ficar vulnerável. Mas por Shizuo ser tão imprevisível, ele ficava assim. Odiava àquele monstro... Até onde sabia, desde os tempos de Raira, ele odiou Shizuo, e este correspondeu da mesma forma. Então por que mesmo que ele quisesse se esquecer do beijo – e desejar que nunca tivesse feito aquilo –, o gosto dos lábios de Heiwajima não saíam de sua boca? Por que ele havia se sentido tão bem enquanto beijava aquele que tanto desprezava? Ele não deveria ter salvado Shizuo, e sim fugido. Mas havia ficado tão fragilizado com o estado do rapaz, que não conseguiu deixá-lo na mão.
O único problema era que isso não deveria acontecer. Izaya sentia prazer em ver os humanos sofrendo, mas quando viu Shizuo, ficou extremamente comovido. Não suportou vê-lo daquela forma. Ele deveria se sentir bem com aquilo, então, por quê? Alguém o cutucou, era Celty. Izaya virou-se, e embora não pudesse ver seu rosto, pode perceber claramente que ela parecia bastante espantada. Não sabia há quanto tempo ela estava ali parada, mas Izaya torcia para que não tivesse visto aquela cena patética de alguns minutos atrás.
- “Foi você que fez isso com o Shizuo?” – Celty digitou no celular, trêmula.
- Não. – Respondeu, encarando o rapaz. – Uns caras jogaram três mesas na cabeça dele e saíram correndo.
- “Que horror!!”
- Pode me ajudar? – Izaya pediu. Mas Celty ainda parecia um pouco confusa. – O Shizu-chan é gordo demais para eu aguentar.
- “Ah, sim, claro...” – Celty guardou o celular e ajudou Izaya levantar Shizuo.
Juntos, eles levaram o moço desacordado para a moto de Celty. Ela materializou um capacete para Shizuo e entrelaçou seus braços em sua cintura, se posicionando na moto um pouco desajeitada. Izaya esperava que Shizuo chegasse inteiro à casa de Shinra.
- Então, acho que meu trabalho termina por aqui. – Izaya sorriu cinicamente, tentando esconder quão afetado estava no momento. – Até mais, Celty!
- “Izaya, espere!” – Pediu a Dullahan.
- O que foi?
- “Por que você está ajudando o Shizuo?” – Izaya pensou que a senhorita Sturluson estava sendo bastante incômoda naquele momento, mas já não tinha muito a perder, provavelmente a motoqueira sem cabeça já tinha seus próprios pensamentos sobre a situação.
- Não é óbvio? – Orihara tentou contornar. – Se Shizu-chan morresse, não seria nada divertido para mim, né? – Riu forçadamente.
- “Shinra me disse que você parecia muito preocupado no telefone. Não fazia ideia de com quem você estaria se preocupando, mas logo o Shizuo?”
Izaya desistiu, cansado de argumentar.
- Só não conte nada para ele, tudo bem? – Suspirou longamente, ajeitando seu casaco.
- “Você gosta dele?” – Izaya pensou um pouco antes de responder. “Gostar” e “Shizuo” na mesma frase só se tivesse um “não” no meio de tudo.
- Sinceramente, Celty, eu não sei.
- “Eu sempre achei que vocês formariam um casal bonito.”
- A Karisawa também. – Respondeu, lembrando-se da amiga de Dotachin, Erika, que era uma completa fujoshi e insistia que Shizuo e Izaya formavam o melhor casal de Ikebukuro.
- “Ele sabe que vocês estavam juntos?” – Perguntou.
- Não sei se ele vai se lembrar. – O informante virou-se para ir embora. – Mas caso não lembre, não fale nada.
Celty ligou a moto e partiu com Shizuo em suas costas, deixando o informante sozinho pelas ruas iluminadas da cidade. Assim que um se separava do outro, o vazio voltava. Izaya perguntava-se se haveria um jeito de que algum dia esse vazio sumisse. A madrugada estava quieta, e ele ainda tinha muito trabalho a fazer.
“Ah, Shizu-chan...” Suspirou novamente.
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