Walking After You

2 Capítulo 1: Disorder


Notas iniciais
Oi gente~ primeiro eu queria pedir perdão por ter demorado para postar, eu tô atolada de trabalhos e semana de provas é complicado, mas agora eu tô praticamente de férias e vou atualizar a fic mais regularmente, ou assim eu espero (:
Segundo: obrigada a todas vocês que estão acompanhando, eu demorei um pouco para escrever o capítulo e acho que fiquei satisfeita com o resultado, espero que vocês gostem também!
Terceiro: vem muito drama pela frente -QQ. Sim, eu fui bolar o plot da história esses dias '3', mas ficou bem legal, juro x_x
Boa leitura..

Incrível como as coisas passavam rápido em Ikebukuro. Alguns dias depois, Shizuo havia voltado ao normal. Não se lembrava do que havia acontecido, e só estava com algumas bandagens para cobrir os machucados mais feios – que a esse ponto, já estavam praticamente cicatrizados. Sentia-se diferente, de certa forma. Mas por mais que tentasse, a única coisa de que se lembrava eram três mesas caindo sobre sua cabeça. Quando acordou na casa de Shinra e Celty, nenhum deles tocou no assunto. Talvez por pena de Izaya. Sabe-se lá por quanto tempo o informante mantinha esse sentimento em segredo. Bem, alguma hora teria de deixar transparecer. E antes tarde do que nunca. Mas também porque não sabiam como seria a reação de Heiwajima aos sentimentos do arqui-inimigo. Apesar disso, desde aquele dia Shizuo sentia-se estranhamente confortado, como se estivesse sendo envolvido por um calor terno. Um sentimento um pouco novo para ele, para alguém que nunca foi amado. O que seria aquela sensação? Pela primeira vez, não parecia estar tão sozinho. O que havia acontecido com ele? Era o que se perguntava frequentemente. Mas as respostas estavam todas embaralhadas em sua cabeça. Desde aquele dia, tudo parecia confuso.


Não só para ele. Izaya também não sentia mais vontade de irritá-lo como antes. Não depois do que havia acontecido. “The night you can’t remember, the night I can’t forget”*, o trecho da música de Magnetic Fields ecoava em sua cabeça. Ele apenas observava o loiro de longe, a fumar o seu cigarro encostado na parede – na maioria das vezes –, ou então batendo em um vagabundo qualquer na rua. Só de ver sua silhueta faziam os olhos do moreno ficarem marejados. Um sentimento que havia sido oculto por ele há tanto tempo, por que só agora? Preferia ignorá-lo. Preferia ignorar qualquer sentimento que lhe viesse à cabeça. Porque era isso que o diferenciava dos demais humanos. Limpou as lágrimas com raiva, sentindo suas bochechas quentes. Estremeceu furioso e deu um soco no poste mais próximo.


Toda essa frustração que havia sentido por todos esses anos esvaiu-se em seus punhos juntamente com um grito. Por ora, deveria bastar. Não se importava que Ikekuburo inteira ouvisse. Seus sentimentos nunca seriam correspondidos, eles nunca entenderiam aquilo. A distância que existia entre os dois não era só física... Ambos preferiam manter-se em seus próprios cascos. Não queriam se relacionar entre si, nem com outras pessoas. Não poderiam. Quem os aceitaria? Um deles, uma besta, e o outro, um sociopata com mania de grandeza. Não havia lugar no mundo para nenhum deles. Orihara levou sua mão à boca, lembrando-se do toque suave de Shizuo. Era inacreditável que alguém com tamanha força pudesse ser tão cuidadoso com outra pessoa – ainda mais se a pessoa em questão fosse Izaya Orihara.


As lágrimas escorreram ainda mais grossas ao perceber quão sozinho era. Um miserável. Saiu correndo pela rua, e virou na esquina, sentou-se no chão de um beco qualquer e ficou observando as luzes da cidade. O mundo não parava para ninguém. A vida continuava fora daquele beco escuro e úmido. Não sabia se era ali que havia beijado Shizuo... Mas quem ligava se fosse. Só queria ficar sozinho por algum tempo. Abafou seu choro com o casaco. Não que alguém fosse ouvir. A cidade era movimentada, as pessoas não tinham tempo para perceber cada movimento que cada um fazia. Esse era o trabalho de Izaya. Mas sinceramente, nem mesmo ele sabia se continuaria com aquilo. Faltava disposição.


Sentiu algo encostar-lhe, e levantou a cabeça de súbito para ver o que era. Celty sentou-se ao seu lado, fazendo-o sentir-se aliviado. A Dullahan parecia preocupada com ele. Talvez por seu estado catatônico depois de tudo o que havia acontecido realmente a surpreendesse.


– “É por causa dele?” – Perguntou despretensiosa. Izaya pensou que mulheres deduziam isso rápido por serem mais sensitivas, mas talvez só estivesse completamente óbvio.

– E por que mais seria? – Orihara riu de sua própria desgraça, novamente.

– “Não sei, só me pareceu conveniente perguntar.”

– Eu não sei o que eu faço, Celty. – Entre soluços, passou a manga de seu casaco para limpar suas lágrimas. Celty envolveu-o num abraço terno, como que o consolando. Ver Izaya agindo dessa forma não era familiar para ela.

– “Já experimentou ser mais honesto consigo mesmo?” – Sugeriu a motoqueira sem cabeça.

– O que você quer dizer com isso?

– “Estou dizendo que se você não falar para ele o que você sente de verdade, vai continuar frustrado.” – Izaya deu um sorriso irônico ao ver o que Celty havia digitado. Era bem mais fácil falar do que fazer.

– Como se ele fosse acreditar no que eu falo...

– “Você não vai saber antes de tentar.” – É, ela tinha um ponto. – “Shizuo é muito mais humano do que você pensa que ele é, Izaya.”


Dito isso, Sturluson levantou-se e limpou suas roupas. “O mundo não é tão cruel quanto você pensa”, foram as últimas palavras dela antes de partir em sua moto e sumir pela cidade. Izaya levantou-se algum tempo depois, não poderia ficar ali sentado para sempre, afinal de contas. Suspirou longamente antes de partir por Ikebukuro também. O choro parou, à medida que ele tentava voltar ao normal. Por que era tão difícil parar de pensar nele? Nos filmes e na televisão, o amor sempre parece algo, no mínimo, bonito de se ver. Mas aquilo estava bem longe de como as coisas realmente eram. A dor que Izaya sentia por não poderia ter Shizuo, nem agora, nem nunca... Aquilo poucos filmes mostravam.


Estava frio, e logo começou a chover forte. Um dia de sorte, Izaya pensou, zombando de si próprio – algo que havia virado rotina, nesses últimos dias. Amaldiçoou-se por ter a imunidade tão baixa, amaldiçoou-se por ter ficado parado no beco por tanto tempo, ao invés de fazer seu trabalho, amaldiçoou-se por tudo. Ficou distraído por tanto tempo que a cidade havia escurecido um pouco. Não havia muitas pessoas na rua. Nenhum rosto amigo... Mas é claro que não. Ele não podia contar com ninguém. Sentia seu corpo pesar e começou a tremer, mesmo tendo colocado seu capuz, isso não impedia a água de molhar seu rosto e seu cabelo. Estava congelando e podia sentir as suas pernas fraquejarem ainda mais. As gotas escorriam por sua face à medida que caminhava.


Pensou que morreria ali mesmo. Estava ficando mais e mais difícil caminhar, seus sapatos estavam encharcados, assim como sua roupa. Sua cabeça doía e sua visão estava embaçada. Apoiou-se em um muro qualquer, seu corpo inteiro havia começado a doer. Talvez... Fosse melhor ficar ali e esperar a morte chegar. Deixou-se cair no chão brutalmente. A dor era no mínimo algo bom para ele. Pôde sentir cada osso de seu braço estralar com o impacto da queda. Deveriam ter quebrado. Não que isso fizesse diferença, já que naquele estado, Orihara não duraria muito tempo. Morreria de frio agora, ou doente depois.


Olhou para os pingos de chuva caindo fortemente contra o chão. Ali estava uma cena inédita. Izaya Orihara no estado mais digno de pena que poderia estar. O próprio Izaya sentia pena de si mesmo, mas isso sempre fora assim. Muitos já disseram que não havia finais felizes para pessoas como ele. Aqui se fazia, aqui se pagava, afinal de contas. Suas pálpebras ameaçavam se fechar a qualquer momento, e ele já não tentava mais lutar contra isso. Estava exausto; talvez aquela fosse a melhor saída.


– Izaya...? – Uma voz familiar, grossa, de tom forte e um pouco agressivo o chamou.


Estaria morto assim tão rápido? Ou apenas delirando antes de partir?


Definitivamente não. O sacolejo que Heiwajima lhe deu fez com que todos os seus sentidos voltassem ao normal – com algumas costelas fora do lugar, porém. Apertou os olhos com as forças que lhe restavam para ver se era realmente real: Shizuo estava à sua frente. Com os cabelos molhados, os óculos embaçados e a típica roupa de garçom encharcada e pregando em seu corpo. Mas ele estava lá. Por quê? Ele havia ido lá só para resgatar Izaya? Ou o havia encontrado por acidente? Não importava. Era Shizuo Heiwajima quem o estava segurando.


– Merda. – Grunhiu o homem, pegando o Izaya praticamente inconsciente que estava caído no chão sem dificuldades. – Você quer morrer, pulga maldita?!


Orihara não respondeu nada, apenas segurou-se firmemente no loiro. Que corou um pouco e saiu correndo como um louco no meio daquela chuva em direção a sua casa. Era o único lugar para o qual poderia levar Izaya, desde que não fazia ideia de onde o infeliz morava. Também não fazia ideia do motivo de estar fazendo aquilo, sinceramente, nunca foi de bancar o herói por ai. Apenas havia visto o informante caído no chão e sentido que precisava tomar alguma atitude. Não que Izaya fosse fazer o mesmo por ele – ou pelo menos, ele não sabia de nada até então –, mas algo em seu subconsciente o fez querer ajudá-lo. Estava arfando de cansaço, não pelo peso de Izaya, mas por estar correndo o mais rápido que suas pernas permitiam. E tudo aquilo para... Salvar Izaya. Shizuo não sabia se deveria se sentir irritado com aquilo, mas não tinha tempo para pensar. Não com o informante naquele estado. O mais importante era levá-lo para longe da chuva.


Izaya não podia fazer muita coisa além de sorrir. Mas quando sentiu que os pingos pararam de cair, abriu os olhos lentamente. Ainda estava nos braços de Shizuo, mas não durou muito tempo. Logo, o loiro o colocou no chão e depositou a mão em sua testa para medir a temperatura. Orihara ardia em febre, o que fez com que o rapaz emprestasse algumas de suas roupas para ele se trocar e remexesse as prateleiras de sua casa buscando por algum remédio eficaz. Achou um remédio para abaixar a febre e outro para a futura dor de garganta que Izaya sentiria. Não sabia como aqueles medicamentos haviam ido parar ali, mas ele estava feliz de tê-los encontrado, principalmente por ainda estarem no prazo de validade. Ao ir para o quarto, encontrou Izaya jogado na cama dormindo.


– Izaya-kun. – Shizuo o cutucou levemente. – Acorde.

– Hnnn? – Gemeu o informante, Heiwajima imaginou que ele estivesse sentindo muita dor.

– Eu trouxe uns remédios para gripe, acho que você deveria tomar. – Colocou um copo com água para o informante. – Então abra a boca.


O loiro coçou a cabeça, um pouco constrangido. E Izaya inclinou-se um pouco, abrindo a boca e encarando Shizuo, fazendo com que sua pele ficasse um pouco corada. Mesmo sem jeito, ele colocou a medida certa dos medicamentos e os deu na boca de Izaya, que sorriu ternamente e voltou a se deitar, observando seu tão amado Heiwajima, sentindo-se sonolento. Estava cansado demais para pensar em qualquer coisa, mas sentiu-se feliz ao ver que Shizuo era quem estava cuidando dele. O rapaz apenas retribuiu o olhar com uma encarada desajeitada. Pensou que a pulga deveria estar apenas delirando, não tinha jeito de Izaya dar um sorriso sincero alguma vez na vida, a não ser que estivesse realmente doente – como era o caso.


Heiwajima viu Izaya adormecer lentamente, ainda se questionando por ter feito tudo aquilo por alguém que odiava tanto. Não importava mais, uma vez que já havia sido feito. Talvez não odiasse a pulga tanto quanto pensava... “Ótimo, agora eu estou sendo afetado pela doença dele”, pensou, grunhindo um pouco. Mas tinha de admitir que, pelo menos dormindo, Izaya não parecia tão ruim quanto realmente era. Shizuo o cobriu com alguns cobertores – ou um bando deles, para que ficasse aquecido – e resolveu tomar um banho e trocar suas roupas, caso o contrário ficaria resfriado também.


A água quente escorrendo pelo corpo do loiro o relaxava lentamente. Sentia-se um pouco estranho por estar tão preocupado. Por que Izaya estaria fazendo aquilo? Não parecia do tipo que iria se render tão fácil a uma chuva forte. O que estaria acontecendo com ele? Parecia melancólico. Mas Shizuo não poderia perguntar o motivo, afinal de contas, a única coisa que realmente sabia sobre Orihara era o fato de ser um tremendo filho da puta. Não tinha liberdade de perguntar algo do tipo para ele. Embora o odiasse, também odiava vê-lo naquele estado miserável. Nem parecia o mesmo que havia conhecido em Raira. Isso o irritava. O moreno sempre havia sido a pessoa mais detestável do mundo, e agora estava agindo dessa forma? Shizuo perguntava-se o que estaria armando dessa vez. Mas chegou a conclusão que nem mesmo Izaya iria tão longe só para se divertir. Ele entendia se machucar um pouco, mas Izaya parecia estar mesmo querendo morrer ali, jogado no chão. E sabendo o quanto ele era odiado por boa parte de cidade, ficar dando bobeira sozinho no meio da rua era insano.


Ao sair do banho, enxugou-se e colocou seu pijama. Sentou-se na cama e levantou-se imediatamente, corando de leve... Não iria dormir na mesma cama que Izaya. Era melhor dormir no sofá. Orihara parecia estar tendo um sonho bom, o que fez Shizuo sorrir involuntariamente. E colocar as mãos por entre os cabelos de seu tão odiado inimigo. Não entendia o motivo disso também, mas não se importava. Estava feliz por Izaya estar seguro. Com cuidado para não acordá-lo, depositou um beijo em sua testa e sentou-se no chão – não era nada demais, só queria fazê-lo sentir-se mais seguro. Talvez fosse melhor ficar observando-o por alguns minutos, só para garantir que nada aconteceria. Parecia tão frágil. Shizuo apoiou os braços na cama e ficou olhando os traços de Izaya. Eram delicados como os de uma garota. Parando para pensar, nunca ficaram próximos sem brigar, então era a primeira vez que Heiwajima via a face do moreno claramente. Ele era bastante pálido, mesmo estando corado por causa da gripe.


Sentiu suas pálpebras cansadas. A preocupação com Orihara fez Shizuo esquecer completamente do quão abatido estava. Terminou dormindo, e na manhã que seguiu, o loiro tomou um susto por acordar todo dolorido. Dormiu no chão, sem travesseiros, sem aconchego, só o tapete para aquecê-lo. Suas costas estavam estraçalhadas, e Izaya ainda estava ali. Acordando também. Ao olhar para Shizuo, pensou estar sonhando, mas ao sentir a dor em um de seus braços, viu que aquilo era a realidade.


– Acho que eu quebrei um braço. – Disse o informante, com o a voz rouca.

– Se você tivesse quebrado, a esse ponto, já estaria inchado, mas não está. – O loiro levantou-se e estralou a coluna para aliviar um pouco o cansaço. – Só deve estar machucado porque você caiu que nem uma batata no chão.


Shizuo riu um pouco, talvez tentando quebrar a tensão. Izaya corou um pouco e desviou o olhar. O loiro então foi fazer café para os dois e pegar os remédios para dar ao informante, que tentou levantar-se para ajudar – queria demonstrar sua gratidão por Shizuo, mas só dizer “Obrigado” soaria um pouco estranho. Embora isso, foi parado pelo loiro na mesma hora, este ordenou que ficasse de repouso pelo menos até que sua febre abaixasse. Izaya ficou observando o teto e a mobília da casa de Heiwajima. Era bastante simples, e até organizada para um homem que morava sozinho. Era incrível como monstros como eles tentavam se ajustar na sociedade, pensava o informante. Na cabeceira da cama, tinha um rádio – deveria ter sido presente de Kasuka, presumiu Orihara. Estava tudo bastante quieto, então resolveu colocar um pouco de música. Procurou sua rádio favorita: a de músicas internacionais. Mesmo o gosto musical de Izaya conseguia ser tão exótico quanto ele.


Shizuo voltou para o quarto alguns minutos depois e se assustou ao ver de onde o som saía. Nunca tinha testado aquela coisa, era surpreendente que funcionava. Não fazia ideia do que a canção que Izaya ouvia – balançando a cabeça levemente – estava falando. Mas achou engraçado ver o moreno se divertindo. Quem diria que mesmo ele fazia coisas que pessoas normais fazem? Shizuo abafou uma risada e colocou um prato com duas torradas e leite para Izaya, que levou um susto e se perguntou há quanto tempo estava sendo observado.


– Leite? – Arqueou as sobrancelhas, encarando o copo.

– Prefere água? – Retrucou, dando uma mordida em suas torradas.

– Você tem os gostos parecidos com o de uma criança de cinco anos. – Provocou Izaya, com um sorriso irônico e uma risadinha maliciosa.

– Eu deveria ter te deixado morrer ontem. – Shizuo parecia estar falando mais consigo mesmo do que com qualquer outra pessoa, mas ainda sim, Izaya sentiu-se um pouco magoado. Deu um gole no leite, como que indicando trégua.


Shizuo continuou a comer sem dizer uma palavra.


– Quer que eu mude a estação de rádio? – Perguntou Izaya, algum tempo depois, para quebrar o silêncio.

– Não precisa. Eu acho que gosto dessa música, mesmo que não faça ideia do que essa mulher esteja falando.

– O nome da mulher é Kimbra. – Izaya sorriu. – E esse trecho diz “open up your heart to me, the Sun won’t shine if you’re not looking, love is all that you need”**.


Izaya não pode deixar de achar graça em como a música se encaixava em sua relação com Shizuo. Até pensou em comentar isso... Talvez Celty tivesse razão, e ele devesse ser mais honesto consigo mesmo. Mas era tão difícil, pois cada vez que seus olhos se encontravam com os de Shizuo, tão escuros e ameaçadores, ele sentia um frio na espinha. Nunca iria acontecer, não importava o quanto ele desejasse. Shizuo, no máximo, sentiu-se obrigado a trazê-lo para a sua casa e cuidar dele. Izaya encarou a janela e decidiu que talvez fosse melhor ir embora logo – ainda não estava curado, longe disso, mas não queria ficar ali e obrigar o loiro a tornar-se responsável por ele. Seguido de um longo suspiro, terminou de tomar o seu café.


Nem percebeu que Shizuo havia ido se trocar, provavelmente para o trabalho. Levantou-se com um pouco de dificuldade em fazê-lo, mas conseguiu colocar suas roupas, que já estavam secas e amassadas, em seu corpo frágil. As roupas de Shizu-chan eram confortáveis, mas teria de se desfazer delas cedo ou tarde, não era? Calçou seus sapatos calmamente, enquanto Shizuo voltou para o quarto ajeitando a sua gravata. Izaya mordeu o lábio inferior ao ver a cena... Será que ele fazia ideia do quão sexy estava sendo naquele momento? Algo o dizia que não.


– Nee, Izaya-kun. – Ele terminou de se arrumar e sacou um maço de cigarros do bolso. – Sei que é meio tarde para isso, mas foi você quem mandou aqueles filhos da puta jogarem as mesas na minha cabeça?


Izaya pareceu surpreso com a pergunta, engasgou um pouco, mas fez que não com a cabeça. Não havia engasgado pelo questionamento de Heiwajima, mas sim porque não queria relembrar daquele dia.


– E o que aconteceu depois? – Perguntou, acendendo o seu cigarro e tragando-o, enquanto sentava-se novamente. – Eu fiquei com amnésia depois daquilo, e não consegui lembrar o que houve de jeito nenhum.

– Eu... Acho que é melhor assim. – Izaya disse com dificuldade, engolindo o choro. – É melhor você não ficar sabendo.

– Por quê? – Indagou, arqueando as sobrancelhas levemente. Estava ficando curioso.

– Porque só ia piorar as coisas para mim. – Izaya abaixou a cabeça, realmente irritado. Será que ele não se lembraria de nada nunca? Algumas lágrimas começavam a escorrer sobre seu rosto.


Levantou-se e ajeitou as suas roupas, ainda sem olhar para Shizuo. Limpou o rosto – de todas as coisas, ser visto chorando era a mais vergonhosa delas –, e apressou os passos para a porta, ainda que todo o seu corpo doesse e sua cabeça parecesse que iria explodir de tanto latejar, queria chegar até a porta e sair dali. Shizuo foi atrás dele, sem entender o que estava acontecendo e colocou uma de suas mãos para impedir o informante de sair dali. Izaya tentou se soltar, mas era impossível com a força de Shizuo... E o fasto de estar ainda mais fraco do que o normal por causa da gripe.


– M-Me solte... – Gaguejou, entre alguns soluços.

– Nem pense em ir embora antes de sar... Você está chorando?! – Perguntou o loiro, deixando seu cigarro cair no chão.


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* http://www.youtube.com/watch?v=5oxLUCQ2_gc a tradução do trecho é "A noite que você não consegue se lembrar, a noite que eu não consigo esquecer" a música é The Night You Can't Remember — the Magnetic Fields

** http://www.youtube.com/watch?v=hwVd5mhYZVY a traduçao do trecho é "Abra o seu coração para mim/o Sol não irá brilhar se você não estiver olhando/o amor é tudo de que você precisa" e a música é Cameo Lover — Kimbra, eu particularmente acho que o Izaya tem cara de quem gosta desse tipo de música~


Notas finais
E aí? O que acharam? ~ Mereço review? =3=
Espero que tenham gostado :3
xxx