Walking After You

8 Capítulo 7: Omen


Notas iniciais
E aí gente, tudo bem? :3
Aí vai outro capítulo para vocês. Tentei mesclar os sentimentos com as ações, então acho que ficou bem dinâmico, e grande(os meus capítulos estão cada dia maiores, q.)
Novamente, eu revisei, mas posso ter deixado algum erro passar porque olha a hora né, e eu tô morrendo de sono D:
Não tenho muito o que falar... Vejam por vocês mesmas!
Boa leitura ^^

Shizuo se lembrara de ter lido algo parecido no jornal; o próprio irmão havia lhe contado que era o seu primeiro papel realmente dramático nos cinemas, mas não percebeu aonde o informante queria chegar com seu raciocínio: o que Kasuka tinha a ver com tudo aquilo?


– Está sim. – Respondeu. – E daí?

– Talvez CN estivesse falando sobre ele quando menciona preto e branco! – Izaya tentava conectar as ideias, e ficava surpreso em ver como tudo soava bem, e não parecendo loucura (como imaginara que seria). – Preto seria o demônio que ele irá interpretar e branco seria o anjo. Não é uma história sobre dois irmãos gêmeos... Algo assim?


Shizuo arregalou os olhos ao ver como Orihara podia ter razão.


– É verdade, pulga! – Comemorou, enquanto procurava um maço de cigarros dentro da gaveta de sua mesa de cabeceira. – Acho que não tem mais nada que possa ser, certo?

– Nada que eu possa pensar no momento, pelo menos, Shizu-chan. – O moreno respondeu convicto.

– Então no domingo nós só precisamos avisar para que os seguranças de Kasuka fiquem ainda mais atentos a ele, e ficaremos lá caso algum imprevisto aconteça! – Ao achar o que procurava, acompanhado por um isqueiro, sacou o cigarro e acendeu-o sem se importar com o modo que Izaya ralhou-lhe logo depois de dizer que aquele era um bom plano.

– Shizu-chan, por favor, tente fumar menos. – Suspirou. – Nem mesmo alguém como você pode aguentar fumar que nem uma chaminé sem sofrer nenhum efeito colateral.

– Prometo que será só esse por hoje. – O loiro tentou compensar Orihara com as palavras. – Terei que guardá-los para momentos em que eu esteja mais nervoso, de qualquer forma.

– Você trabalha hoje? – Perguntou o informante.

– Sim, de tarde.

– Ótimo! – Exclamou. – Então você vem comigo fazer compras agora.


Heiwajima encarou Izaya um pouco assustado, que tipo de afirmação era aquela?


– Você só come comida ruim. – O informante explicou. – E se vou morar aqui, eu quero ter boas refeições. Não ligo se você só se importa com seu leite. Se continuar não dando a mínima para a sua alimentação, você vai morrer.


O loiro deu risada.


– Você me lembrou da moça que costumava me dar um copo de leite quando eu ia visitá-la. – Sorriu dando uma tragada em seu cigarro. – Ela se preocupava comigo do jeito que você se preocupa.

– Idiota. – Bufou. – Não estou preocupado com você, estou preocupado comigo que terei que comer esse macarrão instantâneo horroroso que você compra. Vou morrer de desnutrição! – Dramatizou.

– Vou colocar minhas roupas. – Shizuo continuou a rir despretensiosamente enquanto amassava a ponta do cigarro e se levantou, indo em direção ao armário pegar suas roupas.

– Mas e as minhas roupas? – Izaya se lembrou de um detalhe importante.

– Não sei se espera que eu te empreste as minhas de novo, mas realmente não dá. Ficariam tão grandes em você que cairiam. – Deu uma boa olhada no físico magro de Orihara. – Coloque as roupas de ontem, a essa hora da manhã não acho que o mercado seja muito cheio.


E assim fizeram, os dois foram se trocar para sair. Shizuo foi tomar banho, e pensou imediatamente em como estranhava o modo como estava se dando bem com o informante (ele até o havia feito rir!) e isso o fazia se esquecer de todos os problemas que tinha no momento. Seria estranho se dissesse que estava aproveitando a companhia de Izaya? Provavelmente seria, e Heiwajima tentou negar tal verdade. Mas de fato estava, e não podia enganar a própria mente. Sabia que Orihara tinha um jeito interessante e esquisito de demonstrar que gostava dele, e aquilo o fazia prestar ainda mais atenção nessas pequenas atitudes. Atitudes que lhe faziam sentir-se, de certa forma, apaixonado. Era complicado entendê-lo e isso não era novidade alguma; mas o loiro sabia bem que Izaya era especial. Não admitia para si, tampouco admitiria em voz alta. Mas secretamente se apaixonava pela maneira que o moreno levava a vida. Era sempre um enigma, fazendo as coisas de sua própria maneira... Mas quando Heiwajima o via ali, tão simples e sereno, isso o fazia se apaixonar só um pouquinho por ele. Ou pelo menos, o fazia perceber que estava. Pois apaixonado ele já era há muito tempo; uma pena que ignorara completamente aquele sentimento por causa do ódio e da discórdia que havia entre os dois. Mas isso mudaria, mais cedo ou mais tarde, os dois sabiam que se entenderiam e não haveria mais a grande lacuna preenchida pela dor do relacionamento violento que costumavam ter. O que teria naquela lacuna ao invés do rancor que ali se mantivera por tanto tempo? Nenhum dos dois sabia. Mas preferiam deixar isso para um futuro – fosse ele distante ou próximo – onde eles começariam a entender melhor a si mesmos. Sobretudo para Shizuo, ser amado era um completo mistério. Sempre se pegava ponderando quando estava sozinho se um monstro como ele seria capaz de amar, ou de receber amor. Achava que não. Mas achava errado. E Orihara estava ali para mostrar aquilo para ele. E justo Izaya...


Ainda considerava outro mistério a intensidade do sentimento do informante, ou a veracidade do mesmo. Mas mesmo um lerdo como ele podia ver que o moreno estava sendo sincero até ali. Embora fingisse muito bem, tanto simpatia quanto falsidade, ninguém que chore como ele chorou estaria fazendo pose. Ainda sim, era tão difícil engolir aquela história que ela soava como cerveja para Heiwajima: amarga e ruim. Tudo era muito surreal para ele, e ao mesmo tempo em que seu íntimo desenvolvia sentimentos por Izaya quase que secretamente, seu exterior se recusava a tentar uma aproximação por medo de se decepcionar, por medo de tudo aquilo não passar de uma brincadeira boba para testá-lo. Por medo de tudo aquilo não passar de uma mentira muito bem bolada. Ele não queria que fosse aquilo por nada no mundo. Mas perguntava-se se realmente não estava sendo enganado. E se estivesse, o que Orihara ganharia com isso? Inúmeras dúvidas surgiam em sua mente; tantas que chegou mesmo a se perguntar se ele não tinha algo a ver com CN, e se não estava o fazendo de idiota para apunhalá-lo pelas costas depois. Sentia-se culpado por tais coisas passarem por sua cabeça, mas era inevitável. Foram inimigos por tantos anos que a verdade repentina não lhe caía bem aos ouvidos e lhe permanecia intragável. Mas, se Izaya estivesse realmente sendo sincero, sabia que se sentiria muito pior do que já estava se sentindo por tê-lo feito passar por tanta angústia devido à sua ignorância. Queria acreditar nele – e algo o dizia que estava tudo bem fazê-lo –, mas simplesmente não conseguia. Por que era tão difícil? Por alguns minutos, ele fechou os olhos enquanto a água quente escorria pelo seu rosto e pediu para que pudesse fazer as coisas diferentes no passado. Tantas coisas poderiam ter sido evitadas se ele estivesse ciente do que se passava na cabeça de Izaya naquela época... Tantas coisas...


Era difícil para ele imaginar-se como um amigo para Orihara, mas sabia que teria tentado não magoá-lo – ou pelo menos não tanto quanto fizera – se soubesse. Era contraditório. Shizuo perdera a conta de quantas vezes se contradisse naqueles últimos dias. Acusava o informante de enganá-lo, mas acreditava em suas palavras e gestos. Dizia para si mesmo que não perdoaria Izaya caso estivesse sendo feito de bobo, mas pedia para qualquer força divina que fosse capaz de lhe ouvir que lhe desse uma segunda chance para consertar as coisas com ele. Aquela pulga que estava constantemente em seus pensamentos, fossem estes bons ou ruins. Era horrível ver como tudo na vida do loiro girava em torno do informante sem que ele ao menos percebesse ou pudesse fazer algo para mudar isso. Durante todos aqueles anos, sua vida se resumira naquele homem. Tão cruel; tão inescrupuloso e, de repente, tão sensível e sentimental. Nem parecia o mesmo Izaya Orihara que conhecera em Raira. Questionava-se se não era sua culpa que ele estivesse ficado daquele jeito. Talvez. Mas mesmo se fosse, não importava. Águas passadas nunca lhe interessaram. O que importava era que Heiwajima gostava daquele lado do informante que estava sendo visto por ele pela primeira vez. Um lado que não era nem um pouco parecido com o maníaco egocêntrico que ele um dia foi. Aquele Izaya era um alguém que Shizuo sabia que poderia facilmente gostar. Pois era extremamente agradável tê-lo como companhia. Talvez aquele ali em sua casa fosse o verdadeiro Orihara por trás de toda a pose orgulhosa e petulante que fora mantida como sua única face por todo aquele tempo. Mas era como diziam: máscaras podem ser consistentes, mas não são muito duradouras. Uma hora ou outra, elas caem.


O loiro, quando se deu por si, notou sua demora e apressou-se em sair do banho. Izaya já estava pronto, dizendo que não iria tomar banho porque não queria colocar sua roupa suja quando estivesse limpo. Shizuo achou graça disso, e assim seguiu com ele até ao mercado. Orihara parecia um pouco distraído, olhando para o céu da manhã, o sol estava fraco e coberto por nuvens que mais pareciam algodões, era um lindo dia, com toda a certeza, tanto que poderia ficar ali encarando a paisagem quanto tempo lhe fosse permitido. Mas tinha coisas para fazer. Os dois pararam no mercado mais próximo que encontraram. As ruas não estavam movimentadas por ser muito cedo. Aliás, Ikebukuro era uma cidade completamente noturna: ninguém dava às caras antes das seis horas. Ou pelo menos, ninguém interessante. Ainda sim, os vendedores e compradores se surpreenderam em vê-los juntos, embora nenhum tivesse coragem de encarar nenhum dos dois, por medo e por respeito. E isso era algo muito bom, pois Shizuo odiava que o encarassem e provavelmente iria quebrar o caixa ou arremessar um refrigerador na multidão que se aglomerasse em volta deles. Izaya, por outro lado, não faria nada diretamente. Mas ninguém se meteria com Shizuo, nem mesmo brincando. Brincar com a vida era algo muito sério para se arriscar.


Começaram a passar pelas alas após pegarem um carrinho para depositarem os alimentos. Orihara ia pegando todo o tipo de comida saudável que lhe aparecesse pela frente. Aliás, sempre optava por pegar coisas naturais a industrializadas. Odiava comidas gordurosas e o loiro logo deduziu que seus hábitos alimentares deveriam ser impecáveis. Não ficou surpreso com aquilo, pois Izaya tinha jeito de ser bastante fresco quando se tratava de comida. Shizuo nunca se importou com o que comia ou bebia, pois sua preferência sempre foram os doces. Especialmente bolo de morango. Era o seu favorito! No entanto, algo lhe dizia que com o informante em sua casa esse tipo de coisa mudaria. Teria de começar a comer seus bolos escondido, mas pelo menos ainda teria seu bom e velho leite.


– Acho que essa conta vai sair meio cara, hein? – Disse Shizuo, ajeitando os óculos escuros.

– Calado, Shizu-chan. – Respondeu Izaya. – Quem vai pagar sou eu.

– Ah, então tá explicado porque você tá derrubando tudo dentro desse carrinho. – Heiwajima suspirou aliviado, pois não sabia se teria dinheiro o suficiente para bancar aquele tipo de comida caso tivesse de pagar.


O informante ia colocando as frutas dentro da sacola e se sentiu um pouco envergonhado com o comentário do loiro.


– Me desculpe se eu tenho um paladar refinado. – Argumentou.

– Não, não é isso. – Shizuo pigarreou. – É só que você come como se fosse da realeza, pulga.

– Eu sou da realeza, Shizu-chan. – Respondeu com uma risadinha.

– Oh, sim. Deve ser. – A ironia de Heiwajima surpreendeu o informante.

– Nossa! Quem diria que eu iria viver o bastante para te ver fazer um comentário irônico?

– É a convivência. – Retrucou enquanto sua pele corava de vergonha.

– Pode não ser. – Izaya parecia extremamente concentrado na sessão dos vegetais. – Eu nunca falei com você o bastante para saber.

– Tem razão. Mas eu fico feliz que estejamos nos falando agora.


Izaya inclinou a cabeça por alguns segundos, encarando Shizuo com uma expressão perplexa, tentando digerir o que o loiro acabara de falar.


– Se eu te dissesse que eu inventava diálogos imaginários com você enquanto estava sozinho em casa, o que você diria? – O informante disse, pegando um alho poró e colocando no carrinho de compras (que já estava entupido, por sinal).


Shizuo gargalhou.


– Diria que você é louco. – Sorriu limpando o canto dos olhos, que estavam marejados por causa da risada.

– Eles eram bem interessantes, se você quer saber. – Retrucou orgulhoso.

– Ah, é? – Arqueou as sobrancelhas. – E eu falava o quê?

– Com certeza não era “oi, pulga, você é irritante” ou “oi, Izaya-kun, eu vou te matar”. – Izaya tentava imitar a voz de Shizuo ao pronunciar aquelas frases, fazendo o loiro rir novamente.

– Eu não falo desse jeito! – Heiwajima grunhiu ainda bem-humorado. – Me diga o que era, porque agora eu quero saber.

– Eu não falaria por nada nesse mundo. – Izaya negou com a cabeça, rindo logo em seguida ao ver o bico emburrado que Shizuo fizera.

– Por quê?

– Isso é constrangedor, Shizu-chan. – Orihara respondeu fazendo uma voz um pouco mais afeminada do que o de costume. – Não se pergunta a uma dama quanto ela pesa, por exemplo.

– Mas você não é uma dama!

– Não sou... – Respondeu. – Mas eu não falei nesse sentido, Shizu-chan. Quis dizer que existem coisas que não se deve perguntar por ser inconveniente.

– Mas se trata de mim, Izaya-kun. – Respondeu ainda insistente. – Eu acho que é apenas natural que eu saiba, não?

– Talvez. Quem sabe um dia? – Izaya deixou certa dúvida no ar. – Mas agora nós vamos para o caixa, porque eu já terminei por aqui.


Foram pagar e nada mais disseram durante o caminho de volta para casa, Shizuo estava muito ocupado carregando as sacolas pesadas para o informante, que carregava as que eram mais leves para ajudá-lo. Mal chegaram em casa e o celular de Heiwajima tocou: era Tom avisando que ele entraria mais cedo naquele dia. A despedida dos dois foi breve e o loiro saiu correndo – por sorte já estava arrumado e comeria algo pelo caminho. Izaya ficou lá guardando as compras e depois fez uma salada pra lá de esquisita para almoçar. Sentiu-se aliviado por ver que a geladeira de Shizuo agora estava repleta de comidas deliciosas, assim como a dispensa. Aquelas compras deram realmente muito caro, mas valeria a pena, pois com certeza duraria um mês inteiro. Orihara aproveitou para dar uma ajeitada na casa, embora esta estivesse relativamente limpa. Apenas tirou pó de algumas prateleiras e varreu o chão para não acumular poeira. Suas roupas chegaram pouco depois de ter terminado de fazer suas tarefas domésticas, e ele logo tomou um banho para esperar Shizuo chegar em casa. Já era noite, o relógio apontava oito e quarenta; o céu já estava coberto de estrelas e a cidade já era iluminada pela luz da lua. O informante ficou observando a cidade pelo parapeito da janela por um longo tempo, as pessoas que passavam eram demasiado interessantes para que ele saísse de lá. Pensar que cada uma tinha sua própria história de vida, seus problemas e suas felicidades... Pensar que cada humano era completamente diferente um do outro sempre lhe fôra algo fascinante. Passava tanto tempo fantasiando sobre o passado de cada cidadão que lhe prendia a atenção que até se esquecia do mundo à sua volta. Aquilo fôra seu passatempo por tantos anos e nunca se vira entediado observando o comportamento de seus amados seres vivos. Sorriu sadicamente ao ver uma jovem adolescente ser abordada por um grupo de homens muito mais velhos do que ela. Sabia onde aquilo iria parar, mas não faria nada para impedir. Seu papel no mundo, em sua opinião, era apenas observar a multidão silenciosamente. Não deveria intervir em assuntos que não lhe interessassem. E era em momentos como aquele que Izaya se via preso em sua outra personalidade. Sentia-se voltando ao seu antigo “eu” – aquele que não se relacionava com ninguém e apenas aproveitava a miséria alheia. Sabia bem que era detestável o que fazia, mas sempre lhe parecera tão divertido que nem mesmo cogitava parar. “Velhos hábitos nunca mudam” chegou à conclusão enquanto ria descontroladamente. Aquele informante era, com certeza, o que Shizuo odiava. Também era o que o próprio odiava. Pois lhe lembrava de quando tentava esconder o amor que sentia com o prazer de ver os outros em situações miseráveis. Foram tempos muito bons e muito ruins para ele. Tempos que não poderia esquecer nem mesmo se tentasse muito. Embora não pudesse negar que sentia falta do velho Izaya, o que estava se tornando também não era tão ruim. Aliás, aquele ali, agora, era o que sempre fôra. E era o que Shizuo parecia não se importar tanto com a existência.


Terminou por sair dali, havia ficado tempo o bastante para matar as saudades. Decidiu esperar Heiwajima sentado no sofá, mas parecia que o loiro estava realmente atrasado. Um sentimento estranho lhe invadiu o peito, e apenas pediu para que nada tivesse acontecido ao seu amado enquanto não estava por perto. Nem passava pela cabeça de Izaya o que CN era capaz de fazer, e ele preferia que as coisas ficassem daquele jeito. Pediu tanto para qualquer entidade para que Shizuo estivesse bem que terminou por esperá-lo chegar em casa são e salvo. Queria recebê-lo calorosamente, mas, assim que viu a silhueta do loiro aparentemente saudável, não aguentou e terminou por pegar no sono e adormecer no sofá, do jeito que estava, logo em seguida. O loiro o levou até a cama e dormiu ao seu lado, sem se importar em preparar o colchão. Estava cansado demais para isso. Havia sido um dia exaustivo, e tudo o que queria era dormir, dormir e dormir.


O dia seguinte passou rapidamente, parecia que só havia dado tempo deles alertarem os seguranças de Kasuka que algo estava prestes a acontecer. Os rapazes ficaram assustados e surpresos com a notícia repentina, embora alguns nem mesmo tivessem acreditado, mas era melhor prevenir do que remediar. Hanejima Yuuhei era uma estrela renomada no showbiz. Renomada demais para correr o risco de ser perdida. Shizuo e Izaya terminaram por passar a manhã e a tarde inteira bolando um esquema para manter o irmãozinho do loiro em segurança durante todo o domingo. Heiwajima temia o que poderia acontecer caso se descuidassem, então fez questão que ambos ficassem ao lado do caçula o dia inteiro, começando às oito horas da manhã. Aparentemente, estava tudo planejado. Mas nenhum deles sabia o que CN estava prestes a fazer, ou como faria. A mulher sabia muito bem como esconder a presença, então redobraram o número de câmeras em todos os lugares da casa de Kasuka, para que não deixassem nem um vulto passar. Ficariam monitorando-o 24 horas, sem perdê-lo de vista. Tanto externamente quanto internamente. Todas as medidas necessárias estariam tomadas e prontas até o “dia santo”, só lhes restava esperar e pedir para que CN não fizesse nada muito impossível.


Talvez porque não queriam que o dia crucial chegasse, este aterrissou como um jato. E quando viram, já estavam acordados às sete da manhã num dia ensolarado de domingo. Tudo apontava que aquele seria um quente e conturbado, pois o sol raiava intenso e não havia nem sinal de nuvens no céu. Izaya preparara todos os mantimentos necessários para eles passarem o dia ao lado do jovem Heiwajima na noite anterior. Tomaram seus banhos, se aprontaram e tentaram se acalmar. Sobretudo Shizuo, que já amanhecera o dia fumando trocentos cigarros e Orihara teve de dar um calmante para ele relaxar. O coração do informante batia a mil por estar se deparando com uma nova rival, era tudo muito esperado e inesperado ao mesmo tempo. CN era impossível de desvendar ou prever. Confusa demais para que ele pudesse entender; sua cabeça estava cheia de sensações ruins e suas mãos e face suavam mais do que o costumeiro. O suor era tão intenso que lhe umedecia os cabelos já molhados por causa do banho gelado. Não sabia o que era aquilo, mas sua intuição parecia prever que algo muito ruim aconteceria ainda naquela tarde. Apenas algo muito ruim. Não fazia ideia do quê. E nem queria. Se fosse mesmo tão ruim quanto sua mente lhe dava a impressão que seria, esperaria para ver quando chegasse à hora. Só queria que tudo ficasse bem até a madrugada cair para que os dois pudessem voltar para a casa sem nenhum ferimento. Mas sabia que era impossível que isso acontecesse. Sabia que pelo menos alguém sairia ferido dali. Orihara estava disposto a se ferir pela segurança Shizuo e por Kasuka. Se havia alguém que merecia apanhar, esse alguém era ele, que já estava mais do que acostumado com a dor. Shizuo também não conseguia esconder que estava tenso e nervoso. A ideia de confrontar uma completa desconhecida lhe assustava por completo, assim como fazia com o informante. Não dava para saber o que iria acontecer, e isso o estressava. Cada tragada de cada cigarro lhe fazia querer fumar ainda mais, como se fosse resolver alguma coisa... Ambos sabiam que seria um dia longo, então era melhor se prepararem. E, de fato, se prepararam. Para o pior.


Os seguranças de Kasuka foram buscá-los na casa de Shizuo, e, durante todo o trajeto, não trocaram sequer uma palavra. Estavam muito agoniados para terem uma conversa descontraída. Shizuo temia que algo fosse acontecer com seu querido irmãozinho, e não conseguia pensar em outra coisa que não isso. Queria chegar logo para ter certeza de que ele estava bem, pelo menos até aquele momento. E que havia tido uma boa noite de sono. Heiwajima não parava de olhar para os lados, como se estivesse com medo que CN aparecesse do nada para pegá-los e só estivesse usando Kasuka como uma distração para fazê-lo. Izaya também observava o trajeto atentamente, os dois estavam em alerta. Sentiam medo, sentiam seus corações cada vez mais apertados. Shizuo nunca sentira tanta vontade de vomitar como naquele dia; só de cogitar a ideia de que poderia perder alguém ali, naquele dia, fazia seu forte estômago se embrulhar todo. Sensação parecida com a que tivera no sonho, agora ele se lembrava. Suas mãos e pernas estavam trêmulas e ele sentia que iria fraquejar logo. Mas não podia. Não em um momento como aquele. Não havia pregado o olho durante a noite, mas isso não era desculpa para deixar a guarda baixa. Estava assustado com as possibilidades, mas prometera a si mesmo que não deixaria nada acontecer. Nem à Kasuka e nem à Izaya. Cerrou os punhos, tentando parar de vacilar e respirou fundo. Precisava de outro cigarro. Nem pôde acreditar quando viu que o carro estacionava à frente da casa do irmão caçula.


Abriu a porta do carro apressadamente e saiu correndo, quase que arrombou o portão de tanta impaciência que sentia. Orihara o seguia fazendo algumas manobras de parkour no ar para acompanhar o ritmo do loiro e talvez para tentar relaxar os músculos com alguma atividade física, por mais breve que fosse. Quando chegaram ao quarto de Kasuka – onde os dois iriam permanecer o dia inteiro – Shizuo suspirou aliviado por ver que o irmão estava bem. Izaya também suspirou de alívio, pois pelo menos assim o loiro se acalmaria um pouco. Mas ele não. Ele tinha um pressentimento estranho. Muito estranho. De certa forma, algo parecia não estar certo. Algo começara a intrigá-lo há alguns dias, mas não pensou muito sobre o assunto. Infelizmente, o tal pensamento resolveu voltar justo naquele dia e tomar conta de sua mente. Não conseguia tirar a cabeça do que poderia ser... Mas simplesmente não conseguia deduzir, também. Isso o irritava profundamente. Sentia que deveria parar para raciocinar, mas era muito complicado tentar pensar numa situação como aquela. Todos os seguranças de Hanejima Yuuhei o cercavam e se viam qualquer vulto faziam um alarde enorme, apontando suas pistolas para todas as direções do recinto onde estavam. E quanto ao Hanejima? Bem, ele continuava com o jeito monótono e tedioso de sempre. Izaya perguntou-se milhares de vezes o que Mairu e Kururi viam de tão interessante naquele garoto. E também o que qualquer um via nele. Estava sempre sério e calado quando se encontrava sozinho, não era nem um pouco interessante observá-lo. Seu rosto não era nem mesmo bonito. Orihara preferia mil vezes as feições de Shizuo do que as de seu irmão mais novo. Mas aparentemente ele era o único. “Sorte a minha” concluiu.


As horas passavam vagarosamente e ninguém se pronunciava. Nada acontecia. Apenas alguns sustos, mas a maioria era por causa dos gatos da vizinhança que saltavam de um telhado para outro e criavam sombras diversas. Izaya começou a sentir a presença de CN quando já eram cinco horas da tarde, assim como Shizuo. Então, resolveram fazer uma ronda na casa para ver se a encontravam. Buscaram por todos os recintos. Nada. Olhavam cada canto da casa – até mesmo os que não caberiam um ser humano normal – na esperança de encontrá-la. Mas nunca havia nada que não fosse o pressentimento de que ela estava lá. E por mais que se sentissem aliviados ao ver que não estava em lugar nenhum, isso também os deixava atônitos. Queriam achá-la. Estavam ansiosos para vê-la, para ver do que era capaz, para saber como ela faria as coisas. Frustravam-se por não encontrar nada e alegravam-se por terem mais um pouco de tempo para aproveitarem. Terminaram por ir para fora da casa, que era uma mansão, na verdade. Demoraram algum tempo para passar por toda ela – era enorme, afinal de contas. Não acharam nem mesmo um resquício da presença de CN. A única coisa que acharam era um gato preto miando bem alto na frente da casa, provavelmente buscando por seus companheiros. Os miados eram cada vez mais irritantes e o gatinho parecia extremamente triste, então Heiwajima foi até ele e o pegou cuidadosamente. Começou a acariciá-lo para ver se o bichano se acalmava. Este o fez, satisfeito, e Shizuo continuou a afagar os pelos do gato. Izaya observava àquela cena atento; era notável como o loiro conseguia lidar bem com bichinhos, no geral. Vê-lo daquele jeito tão carinhoso enquanto mexia com o gatinho era adorável. Orihara sentia vontade de afagá-lo também, mas teria de se contentar apenas em olhar para a cena. Não queria se arriscar. Pensou que aquela cena era uma ótima cena para ser vista antes de morrer, e sorriu, afastando os pensamentos ruins e se esquecendo por alguns minutos de tudo o que os envolviam.


O sol se punha no horizonte, alaranjado, tornando o céu maravilhosamente agradável. A brisa noturna já invadia Ikebukuro e refrescava os dois, os cabelos de Shizuo eram embaraçados pelo vento e ele parecia estar despreocupado, como se não quisesse mais pensar em nada que não fosse afagar o gatinho – que saiu de seu colo e pulou serelepe em seu ombro, fazendo-o rir. Heiwajima então tirou o maço de cigarros do bolso e pôs-se a fumar, sem se importar com o olhar de reprovação que o informante lhe lançara quando o fez. Izaya suspirou e decidiu que não iria mais irritá-lo por causa dos cigarros, não adiantaria, de qualquer maneira. Nada poderia pará-lo. Apoiou-se no muro e cruzou os braços sem se importar também. Apenas queria esquecer-se dos pensamentos ruins que invadiam sua mente. Podia sentir que o clima ficara mais leve repentinamente, como se, mesmo que por um instante, as coisas realmente tivessem melhorado. Como se CN tivesse ido embora. O loiro tragava o cigarro lentamente enquanto fitava o chão. O gatinho fazia malabarismos em sua cabeça, tentando ser notado, mas ele mantinha-se estático. Parecia submerso em seus pensamentos de tal maneira que nem percebia o que estava acontecendo ao seu redor. Izaya tentava deduzir no que ele estava pensando, em vão. Apenas queria um passatempo para esquecer-se de tudo o que estavam passando, mas Heiwajima era muito incerto para que o informante desse um palpite certeiro.


– Nee, Izaya-kun. – Shizuo o chamou melancolicamente, sem tirar os olhos de onde estava encarando. Era a primeira vez que eles tinham uma conversa decente depois do dia do mercado. – Eu me pergunto se nós vamos estar bem amanhã.

– Gostaria de poder dizer algo, mas eu não faço ideia do que vai acontecer conosco. – Respondeu.

– Tem tanta coisa que eu deveria ter te falado, pulga. – Shizuo voltou a acariciar o gato que subira em sua cabeça após ter acabado de fumar.

– Não fale como se nós fôssemos realmente morrer, Shizu-chan! – Izaya tentou animar o loiro. – Nós vamos salvar todo mundo.

– Como você sabe?

– Eu só sei. – Mentiu.


De repente, a harmonia da conversa foi interrompida, pois Izaya havia visto uma fumaça densa saindo de um lugar que parecia conhecer bem.


Não muito longe dali, mas certamente afastado. Um lugar familiar para ele... Era... "Oh!"


Seu coração praticamente saltou de sua boca quando percebeu o que estava acontecendo.


Agora tudo fazia sentido. Era essa a peça que estava faltando para completar o quebra-cabeça. Era isso que estava martelando em seus pensamentos por tanto tempo... A informação que conectava todos os fatos!


Não era Kasuka a primeira vítima. Mas sim...


Não tinha tempo para pensar, precisava sair dali com Shizuo o mais rápido possível.


Apenas rezava para que não fosse tarde demais.

Notas finais
Mereço review? :3
_
Bom, eu sempre imagino como seriam os diálogos do Shizu-chan e do Izaya kun quando estou sozinha *fujoshi obcecada* entãão, pensei que seria algo assim que aconteceria caso os dois estivessem juntos... Adoro ver o relacionamento deles se desenvolvendo *chora*
Sei que a cena de "ação" não foi muito de ação... Mas é porque não era o Kasuka mesmo, então não tinha muito o que fazer. A CN tava lá mas não fez nada T.T Agora, quem será o preto e o branco eu deixo o mistério no ar, muahahaha! qn
Ah, e a cena do Shizu-chan com o gatinho: desculpa, mas eu não resisti UEHUH. Eu acho muito fofo quando caras brincam com bichinhos, ainda mais ele ;o; q.
Enfim, como eu disse, tava com saudade das coisinhas piegas e resolvi tentar voltar um pouco com esse aspecto nesse capitulo... Não sei se deu certo ou se a mistura de tudo ficou terrível. x_x eu realmente espero que não tenha ficado muito ruim e seja só eu e minha paranoia eterna.
Mas, enfim, é isso aí... Se eu for falar tudo o que eu acho vou escrever outro texto só nas notas. UEUHE.
Obrigada por estarem acompanhando ^^
Um beijo :*