Walking After You
9 Capítulo 8: Houdini
Notas iniciais
E o nome do capítulo é Houdini por causa da música do Foster the People, just so you know, porque a palavra houdini em si tá mais levada pra uma conotação sexual (?) hehe. Mas não é nada disso.
É também por causa do Harry Houdini, vai o link da wikipédia aí pra vocês porque tô com preguiça de explicar. Mas interpretem como quiserem x3 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Harry_Houdini)
Ah, e quase me esqueci, os palpites de vocês me surpreendem e_e hehe. Então, continuem, eu adoro lê-los ♥
Agora chega de papo, vamos lá. Boa leitura q
(Ah, e eu revisei mó rápido x_x ansiedade mata, então caso achem algum erro, me avisem)
Agarrou a manga da blusa social de Heiwajima, este o encarou um pouco assustado por trás dos óculos escuros. Por que teve de demorar tanto tempo para decifrar o enigma? Amaldiçoou-se inúmeras vezes. Mas não havia tempo para isso, teriam que correr se quisessem chegar ao lugar. Não era muito longe, mas também não era perto. E a pé, seria muito pior. Seu corpo já estava fatigado pelo cansaço da espera, e isso o fazia ponderar se conseguiria correr até onde pretendia.
– Shizu-chan! – Exclamou dificultosamente. Seu tom de voz era rouco por causa do desespero. – A CN não estava falando do Kasuka quando mencionou preto e branco...
– De quem ela estava falando, então? – Perguntou Shizuo, sem entender nada.
O gatinho pulou da cabeça do loiro e alcançou o chão com perfeição fazendo uma manobra digna de cinema, fugindo logo em seguida. Ambos pararam para prestar atenção na graciosidade com que o bichano fizera tal movimento, mas depois retomaram o assunto:
– Estava falando de Shinra e Celty! – Orihara apontou para o local onde ficava a casa dos dois, aonde a fumaça ia ficando cada vez mais densa.
Shizuo então deu uma olhada no local e viu que a pulga tinha razão. O lugar onde o casal morava era um pouco afastado da parte movimentada da cidade, Heiwajima não sabia ao certo onde ficava (era péssimo com coordenadas geográficas), mas sua intuição lhe confirmou que era ali. Ainda sim, não entendeu. Por que não era sobre Kasuka que CN estava falando? Pensou em questionar Izaya sobre o assunto, mas este o puxou pelo braço e saiu disparado em direção ao local, sem parar para dar explicações. Corria o mais rápido que suas pernas magricelas permitiam, e Heiwajima também – apesar de suas pernas serem muito mais resistentes. Orihara teve sorte de passar por um caminho onde havia muitas coisas em que pudesse subir para fazer seus malabarismos pelo ar e assim seguir mais depressa. Apesar de habilidoso, o nervosismo e o medo lhe fizeram cair algumas vezes, embora estivesse sentindo-se mais agitado do que o de costume, e isso geralmente ocasionasse numa melhora significativa em seus movimentos. A adrenalina corria em suas veias com uma velocidade incrível, e mesmo estando exausto não parava por nem mesmo um segundo. Explicaria para Shizuo depois a verdadeira resposta do enigma. Era realmente muito óbvia, e isso o surpreendeu. Não sabia que CN era do tipo exagerada, mas ela havia criado uma situação de tremendo alarde para pouca coisa. Pior, para algo que estava mais do que na cara. Bom saber. “O melhor jeito de derrotar o seu inimigo é conhecendo-o, afinal de contas.” Pensou Izaya. Ser tão fácil de decifrar foi o que dificultou a charada. Quão irônico era aquilo?
Enquanto Izaya se esforçava o máximo para correr, seu companheiro loiro se esforçava para não surtar ali mesmo. Estava muito mais do que bravo. Estava tão irado que não havia palavras para descrever o modo como se sentia naquele momento. Provavelmente por ter sido feito de idiota – algo que ele não gostava nem um pouco – e por pensar que algo poderia ter acontecido a Shinra e Celty, sendo que eles não tinham nada a ver com a história. E isso era culpa dele. CN o irritava mais do que qualquer um, até mesmo que Izaya. E o fato de ela estar fazendo pouco caso da vida das únicas pessoas que ele mantinha qualquer laço de amizade tornava seu ódio maior ainda. Achava realmente deselegante ferir mulheres, mas tinha vontade de estourar a cara daquela vadia com um soco. E se tentasse negar, estaria mentindo. Odiava violência, mas tinha de admitir que aquela ali com certeza merecia uma boa surra. Por que diabos ela estava fazendo aquilo? E por que o odiava tanto? Não conseguia se lembrar de fazer nada para nenhuma mulher – além de rejeitar suas confissões, mas isso não era motivo o bastante para desejar a morte de alguém. Ou era? Não fazia ideia. Entender o sexo oposto era complicado demais para o seu raciocínio lento.
Algum tempo depois – que nenhum dos dois parou para calcular – chegaram ao local. Estava em chamas, abafado e coberto de fumaça. O pouco que ainda se via estava embaçado por causa da névoa que se formara. Não havia passagens. Era difícil respirar; Izaya pensou que desmaiaria, e quase caiu, mas foi segurado por Shizuo no último segundo, que lhe falou para ficar de pé e aguentar mais um pouco. Orihara lamentou-se silenciosamente, pois temia que fosse tarde demais. Parecia que tudo iria desabar em questão de instantes. Seu olhar estava entristecido por pensar em perder um amigo querido como Shinra, e também gostava de Celty, apesar da constante implicância. Se ela morresse, sua cabeça não teria muita utilidade. Realmente, era inusitado da parte dele sentir-se mal por causa do que acontecia com terceiros, mas não conseguia esconder que estava desesperado só de pensar que aquela perda era devida a sua incapacidade. Era ferir demais o seu orgulho. O informante envolveu Shizuo com os braços enquanto lágrimas escorriam de seus olhos marejados, molhando toda a blusa – já úmida de suor – do loiro. O cenário do lugar logo atrás deles não mostrava nenhum indício de vida. Nunca se sentira tão deprimido e frustrado... Heiwajima o envolveu com seus braços de um modo desajeitado, não gostava de ver a pulga chorando, afinal de contas. Aquele gesto passava uma sensação de conforto para Orihara, mas não o fez se acalmar nem um pouco naquela hora.
– Shizu-chan, nós chegamos muito tarde... – Sua voz deixava aparente o estado de choque em que se encontrava. Estava trêmula, assim como todo o seu corpo. O lugar lhe fazia sentir-se péssimo. Encarou os olhos inexpressivos de Shizuo, que se tornavam meio embaçados por causa de sua visão. – Eles... Eles... Por minha causa...
– Oi, Izaya. – Shizuo tentou trazê-lo de volta a si. – Não é sua culpa, então se acalme. – Estava igualmente nervoso, mas não deixava tão claro quanto o informante. Sinceramente, Heiwajima também achava que Shinra e Celty haviam partido àquela hora.
– Mas... – Orihara fez menção de vomitar, seu estômago dava voltas diante daquela situação horrível. Shizuo colocou uma das mãos em seu rosto, ternamente e o interrompeu antes que dissesse mais alguma coisa:
– Eu vou lá. – Disse, soltando-se de Izaya em um movimento brusco. Não sabia o motivo de ter falado aquilo, agiu completamente por impulso. Talvez porque se recusasse a acreditar que eles estavam mesmo mortos, mesmo diante daquele ambiente deplorável. Sabia o quanto a pulga deveria estar sentindo-se mal, isso ficava claro no modo que ele o encarava cheio de receio. E Heiwajima não queria vê-lo assim. Faria o que precisasse para amenizar aquele sentimento.
– Shizu-chan! – Exclamou o moreno, segurando na blusa de Shizuo e impedindo sua partida.
– Não vai acontecer nada comigo, pulga. – Respondeu tentando parecer convicto, mas não deu muito certo; estava morrendo de medo. – Não se preocupe.
– Você ficou louco?!
– Claro que não. – Retrucou. – Só quero ter certeza.
– E tem como ficar mais claro que isso? – Orihara não conseguia conter suas lágrimas que insistiam em escorrer quase tão desesperadas quanto o mesmo. – Só um milagre faria com que eles tivessem sobrevivido até agora.
– Eu sei. – Disse. – Mas eu quero confirmar com meus próprios olhos.
Izaya bufou de raiva. Odiava o quanto Heiwajima era teimoso nas horas mais inoportunas; este lhe deu um beijo na bochecha, meio que se despedindo, e saiu correndo logo em seguida, antes que o moreno surtasse e fosse atrás também. Orihara ficou ali em estado catatônico por alguns segundos, tentando digerir todas as cenas, que passavam por sua cabeça incessantemente. Desde o dia em que CN deixou o seu primeiro rastro, até ali. Perguntava-se do que mais ela seria capaz de fazer, e o que mais ela tiraria de Shizuo. Terminou caindo de joelhos. Não sentia suas pernas e não havia ninguém por perto para pedir ajuda. Queria gritar, mas lhe parecia impossível... Queria ligar para os bombeiros, mas não conseguiria falar se ligasse; e não adiantaria de nada mesmo. A silhueta do loiro sumiu entre as chamas como se estivesse se tornado um só com aqueles tons avermelhados e alaranjados vívidos. Não sabia se voltaria a vê-lo, e isso o fez chorar mais ainda. O choro era abafado pela manga de seu casaco, enquanto ele observava o fogaréu inquieto. A textura dos lábios de Shizuo ainda estava marcada em sua bochecha, de alguma forma. Esperava que nada acontecesse com ele, pois sabia que não suportaria.
Shizuo, por outro lado, se aventurava dentro daquele inferno. Muitos ligamentos de madeira do lugar caíam sem aviso prévio, ele viu a vida passar diante de seus olhos inúmeras vezes em poucos minutos. Vasculhava cada recinto o máximo que podia, embora fosse extremamente complicado. O calor lhe fazia suar ainda mais, seus óculos escuros estavam tão embaçados que ele os tirou e os jogou para longe sem hesitar (sorte sua ter alguns pares reserva). A claridade do fogo lhe doía a vista, e o deixava tonto. Aquela fumaça era terrível para suas narinas; mas ele continuaria a revirar todos os quartos. Queria ver, nem que pela última vez, o corpo de Shinra e Celty. Xingava CN cada vez mais alto, e seus suspiros eram mais como grunhidos de puro ódio. Como queria ver aquela mulher a sete palmos do chão... Quando a visse cara a cara, nem saberia o que fazer. Provavelmente partiria seu corpo ao meio. Olhava cada recinto minuciosamente, em busca de qualquer sinal de vida. Nada. Já estava ficando desanimado e decidindo voltar – não queria deixar a pulga sozinha por muito tempo, afinal de contas. Pobre Izaya... Heiwajima não conseguia tirar sua expressão desesperada da cabeça. Só queria que ele ficasse bem. Não era sua culpa. Se havia algum culpado naquela história além de CN, deveria ser ele.
Mas então, quando fez menção de voltar, viu uma coisa preta caída em cima de algo que não pôde distinguir. Estavam completamente intactos – uma das poucas coisas naquele quarto que não estavam pegando fogo, aliás. Shizuo caminhou até lá, tomando cuidado para não dar nenhum passo em falso, já que o chão se encontrava afetado pelas chamas. Abriu um imenso sorriso ao ver que aqueles eram Shinra e Celty. A Dullahan estava caída sobre o médico como se estivesse tentando protegê-lo. Ambos se encontravam desmaiados, embora parecessem vivos. Heiwajima não perdeu tempo – atravessou o fogaréu e pegou os dois corpos sem dificuldade, colocando um de cada lado do seu corpo. Não eram muito pesados. Aliás, surpreendeu-se por ter achado que Sturluson era mais pesada do que seu namoradinho. Mas não falaria isso, pois sabia que ela se sentiria extremamente ofendida com o comentário. O loiro saiu correndo, desviando o máximo que podia das labaredas. Obviamente, havia algumas que eram inevitáveis, pois as chamas já estavam muito altas, e ele se queimou mais do que gostaria. Mas não se importou, de fato, logo ficaria melhor. Tinha um corpo bem resistente para ficar mal por causa de algumas queimaduras insignificantes. O que importava naquele momento era apenas levar o casal para fora de seu lar. Logo aquele lugar iria ao chão, então, quanto mais cedo saísse, melhor. Os pedaços de madeira que desabavam eram cada vez maiores, e todos os móveis estavam acabados. A casa sendo completamente destruída pelo fogo o deixava um pouco triste, mas sabia que o mais importante naquele momento eram as vidas de seus amigos, e estas estavam sãs e salvas. Ainda bem.
Suspirou aliviado quando se viu fora daquele inferno, e afastou-se o máximo que pôde com os indivíduos que carregava para poder respirar um ar mais puro e tirá-los completamente da zona de perigo. Quando já estava longe o bastante, finalmente pôde relaxar. Orihara estava cabisbaixo, mas logo que o viu seus olhos brilharam de pura alegria. Não conseguia acreditar naquilo. Shizu-chan havia voltado, e com Shinra e Celty! Era realmente muito bom. Heiwajima colocou os corpos dos amigos cuidadosamente no chão e Izaya saiu correndo – tirando forças sabe-se lá de onde – para abraçá-lo de novo. Seriamente pensou que nunca mais voltaria a ver o seu amado. E quando se sentiu envolvido por seus braços novamente, não pôde conter mais lágrimas. Mas estas não eram mais de medo, e sim de alívio e alegria. Nunca apertou alguém tão forte como fez com Shizuo naquele dia. Não se importava que ele estivesse pingando de suor ou com as feridas de seu corpo recém-abertas, ainda cobertas de sangue fresco (o que deixava sua blusa toda manchada, por sinal). Só não queria deixá-lo sair dali nunca mais. O tempo que o loiro passou lá dentro pareceu uma eternidade para o informante, mas agora ele estava ali ao seu lado, e nada mais importava. Era egoísta da parte de Izaya esse tipo de pensamento, mas era a verdade. O resto do mundo pouco lhe importava, contanto que Shizuo estivesse bem. Heiwajima também estava feliz de estar ali com a pulga chorona, embora se sentindo um pouco esmagado e dolorido. Seu corpo clamava por um descanso, mas sabia que não o teria tão cedo.
– Eu queria te matar. – Disse Izaya, em tom sério, limpando as lágrimas. – Nunca mais faça algo assim de novo, Shizu-chan. – O informante ralhou em tom autoritário, Shizuo achou graça. Lembrou-se de sua mãe.
– Sinto muito por te deixar preocupado, pulga. – Shizuo respondeu enquanto ria. Orihara fez um bico em resposta, mas logo voltou a sorrir.
O sorriso sincero de Izaya era uma das coisas mais bonitas que Heiwajima já havia visto em toda a sua vida. Era tão simples e bonito que o fazia querer sorrir também. Sentia-se estranhamente contente que o moreno estivesse preocupado com ele, embora culpado, não queria fazê-lo se sentir assim. Terminou por se aproximar mais do que deveria e trazê-lo para mais perto; Orihara, vendo o que estava prestes a acontecer, inclinou um pouco a cabeça em direção ao loiro e fechou os olhos, embora se sentindo um pouco surpreso. O guarda-costas fez o mesmo logo em seguida e selou seus lábios com os do informante num beijo suave. Não sabia muito bem o que fazer, então terminou por se deixar levar. Era o seu segundo beijo com o informante, mas parecia o primeiro – até porque não se lembrava do outro muito bem, em vista que estava meio grogue. A boca de Izaya tinha um gosto doce, exatamente o sabor que Shizuo gostava. Não sabia dizer o que era, mas era bom. A textura dos lábios de Orihara se assemelhava muito a de uma mulher, por serem demasiado delicados e finos. Ele mantinha as mãos envolvendo o pescoço de Heiwajima; este, por sua vez, desceu suas mãos até a cintura do informante. O fogo já abaixava, aos fundos, mas não era como se eles se importassem. Só conseguiam enxergar um ao outro naquele momento.
Ambos degustavam o beijo de forma lenta e paciente, não tinham a mínima vontade de acelerar os movimentos; estava muito bom da forma que estava. Logo que Orihara abriu a boca para que a língua de Shizuo a invadisse, ambas começaram a se roçar de um jeito carinhoso. O informante, que se lembrava claramente da primeira vez que isso havia acontecido, chegou à conclusão de que preferia o loiro agindo de forma mais passional, como naquela noite. Ele era cuidadoso e desajeitado, provavelmente por não fazer a mínima ideia de como aquelas coisas procediam e não querer machucar o frágil corpo do moreno; mas seus beijos eram, definitivamente, os melhores. E Izaya nem precisou experimentar muito para ter certeza disso. Sabia que não podia esperar muita coisa por ser a segunda vez que ele fazia algo como aquilo, mas melhoraria com o tempo. Amava o sabor dos beijos de seu amado, também. O gosto de cigarro nunca lhe parecera tão agradável, aliás.
Ficaram naquilo por algum tempo, na maior inocência, até que Shizuo se afastou um pouco. O rosto de ambos ficou muito próximo por pelo menos cinco minutos, e não trocaram nenhuma palavra. Apenas ficaram sorrindo discretamente um para o outro, sem se manifestarem. Os dois estavam realmente felizes, tanto que não conseguiam colocar em palavras. Não que precisassem. Nunca precisaram de palavras para demonstrar quaisquer sentimentos que tinham em relação um ao outro, estes sempre se manifestavam de maneiras bastante exóticas, até. Mas chegaram a conclusão de que preferiam gestos simples como aqueles.
– Eu achei que você não ia voltar, Shizu-chan. – Izaya murmurou.
– Você acha mesmo que eu ia te deixar aqui sozinho, pulga?
– Não. – Respondeu hesitante. – Mas eu fiquei com medo...
– Eu já errei bastante com você, Izaya-kun. – O loiro encarou o chão, um pouco culpado. – Não pretendo fazer de novo.
– Acho que eu posso me acostumar com isso. – Concluiu o informante, rindo e em seguida ficando na ponta dos pés para depositar um beijo na ponta do nariz de seu Shizu-chan.
Em seguida, soltou o loiro. É claro que era muito bom ter momentos como aqueles, mas precisava chamar os bombeiros para apagar o fogo e levar Shinra e Celty para um hospital. Logo, Izaya cuidou para que tudo isso fosse feito. Nem valeria a pena descrever o que aconteceu, em vista que ele achava esse tipo de coisa muito chata, apenas tentou apressar o mais rápido possível ligando para os seus contatos mais próximos. Shizuo sentia-se sonolento depois de tanta adrenalina. Era o cortisol lhe atacando. Orihara também só conseguia pensar em descansar depois do que havia acontecido. Aquele dia havia sido longo, apesar de ter terminado melhor do que esperava. Havia entregado Shinra e Celty a um médico de sua confiança, então não estava preocupado, sabia que eles ficariam bem. A casa nem tanto, mas o seguro deveria fazer alguma coisa a respeito. Logo que chegaram à casa de Shizuo, o loiro foi tomar banho. A noite era essencialmente fria, mas a cidade continuava movimentada. Não importava o que acontecia, Ikebukuro não parava por ninguém. Poucos ficariam sabendo do incêndio, e os que não ficariam sabendo, também não procurariam saber. Era uma cidade bastante ignorante com problemas. Mas não se importavam, sabe-se lá o escândalo que fariam se soubessem que a motoqueira sem cabeça e o médico maluco tiveram a casa incendiada por uma psicopata. Era melhor que continuassem ignorantes àquele tipo de notícia. A maioria dos cidadãos não sabia muito a respeito das partes obscuras da cidade, e, por razões óbvias, era melhor que fosse assim.
Shizuo estava bastante machucado por causa do fogo, seu corpo doía muito. Só depois do tremendo choque que começara a sentir as consequências de se esforçar demais. Izaya terminou tendo que ajudá-lo a cuidar dos ferimentos, e entraram juntos no banheiro. O loiro começou a se despir sem cerimônias e Orihara virou o rosto rapidamente, lutando contra a curiosidade de dar uma checada no abdome do guarda-costas mais uma vez – e, quem sabe, nas partes mais baixas dele. Heiwajima, sem entender o motivo daquilo, aproximou-se do informante, já completamente nu e o cutucou.
– O que foi, pulga? – Perguntou, olhando na direção para qual Izaya estava olhando.
– Shizu-chan! – Orihara repreendeu. – Tenha modos!
– Hã? – Shizuo ainda parecia não entender.
– Vá colocar a sua cueca e cobrir o seu... Seu... Você entendeu! – Izaya ordenou. Estava extremamente constrangido por estar tão próximo do loiro sem roupas.
Heiwajima achou graça da atitude do informante, mas pegou a cueca boxer mesmo assim e envolveu seu baixo ventre. O moreno, vendo que agora já podia olhar sem problemas, resolveu virar-se. O corpo de Shizuo estava cheio de arranhões, algumas marcas escarlate também riscavam o seu rosto. Os machucados não pareciam ser lá muito fundos, embora bem grandes. O cheiro de sangue seco pairava no pequeno banheiro fechado, irritando as narinas de Shizuo. Embora agradando a de Izaya. Ele fitou o rosto do guarda-costas, analisando como se encontrava no momento. Ele ficava muito bonito quando estava machucado, talvez ainda mais bonito do que quando estava normal. Tudo aquilo dava um ar ainda mais sexy a ele. Embora isso, Izaya sentiu uma pitada de culpa por tê-lo abraçado de maneira tão intensa mais cedo. Não deveria tê-lo feito se esforçar muito. O informante tirou seu casaco e sua blusa preta, ficando só com a sua calça. Não seria tão ruim se a calça molhasse, e, além do mais, se sentiria extremamente desconfortável se ficasse sem nada. Não gostava muito de seu corpo, apesar do narcisismo aparente. Era fraco demais, e cheio de hematomas. Embora isso, aquele não era o problema em questão, naquele momento o que importava era estancar os machucados de Heiwajima. E foi isso que Izaya fez.
Logo que a água começou a escorrer sobre o corpo do loiro, ele gemeu de dor e desgosto. Nunca se sentira tão mal. A fatiga se juntava com a dor aguda dos cortes sendo desinfetados pela água, e isso o fez morder o lábio inferior e apertar os olhos. Era insuportável, mas Izaya tinha mãos leves e cuidadosas, que trabalhavam agilmente para tornar a dor mais tolerante. Não era exatamente a melhor sensação do mundo, mas Orihara realmente sabia fazer aquele tipo de coisa. Embora isso, o clima era um pouco tenso devido ao constrangimento aparente que o informante sentia, tocar o corpo de Shizuo era estranho. Tinha de ser cauteloso. A pele do loiro era extremamente macia e bonita, assim como ele num todo. Izaya passava seus dedos levemente pelos machucados, repleto de curiosidade. Então era assim que os cortes que ele fazia com sua faca ficavam depois... Uma visão terrivelmente deslumbrante. Teve de confessar que se sentiu mal por estar tendo esse tipo de pensamento diante de um Heiwajima machucado. Mas era muito atraente para que Orihara deixasse de notar. Os cabelos molhados pingando sobre os ombros do loiro também não ajudavam, já que o deixavam ainda mais bonito. Izaya tratou de todos os machucados, mesmo os menores, com todo o cuidado do mundo, ignorando completamente a distração e a tentação. E quando fez menção para ir embora, após ter terminado o serviço, Shizuo segurou seu pulso.
– Nee, pulga, não consigo mexer meus braços. – Ele disse, sem graça.
Izaya não captou a mensagem de imediato.
– Você acabou de mexer um deles para me impedir de sair daqui, Shizu-chan. – Respondeu virando-se novamente. – Não seja bobo.
– Eles estão doendo, é sério.
O informante rolou os olhos.
– Ok, e o que exatamente você quer que eu faça? – Cruzou os braços.
– Lave meu cabelo, por favor. – Shizuo pediu com uma cara de cachorrinho abandonado irresistível. Izaya encarou o chão, sem saber o que dizer, mas terminou por fazê-lo. Um agrado para Heiwajima não faria mal de vez em quando, certo?
Colocou o shampoo em suas mãos – que por sinal, era uma marca para crianças, o que fez Izaya rir – e começou a massagear levemente o couro cabeludo de Heiwajima. Achou realmente estranho essa atitude infantil vinda dele, mas terminou concluindo que deveria ser por causa do cansaço e nada mais. Não iria criar esperanças, então apenas ficou ali, fazendo o que lhe fôra pedido. Os cabelos de Shizuo eram realmente macios, e agora entendia porque era tão cheiroso também. O shampoo tinha um aroma de kiwi delicioso. Depois de ajudar o loiro a enxaguá-lo, inventou uma desculpa qualquer para sair do banheiro e tomar um ar. Era muita coisa acontecendo em um dia só. Precisava de um tempo para ajeitar as ideias.
Shizuo saiu do banho algum tempo depois, e foi a vez de Izaya ir para lá. Não enrolou muito, não via a hora de deitar na cama e dormir como o anjo que nunca foi. As noites que antecederam a esse dia tão fatídico não lhe deixaram descansar nem por um minuto. Mas agora as coisas estavam melhores – sabe-se lá por quanto tempo, porém. Sendo assim, o quanto pudesse. Vestiu o seu pijama e se jogou na cama apressado. Shizuo estava na cozinha esquentando um copo de leite, mas logo voltou e se deparou com Orihara adormecido e deitado onde não deveria. Não reclamou, pelo contrário. Deitou-se ao lado dele assim que acabou com a bebida, aproximou-se e logo dormiu também. Uma noite de sono merecida por ambos depois de um longo dia. Não havia nada melhor!
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– Ah, e quanto ao enigma? – Shizuo perguntou.
– O que tem o enigma?
– Como você descobriu que estavam falando do Shinra e da Celty?
– Simples. – Orihara respondeu. – Branco é o jaleco do Shinra, preto é a roupa de couro da Celty. O Shinra ama a Celty sabe-se lá por quanto tempo, e isso explica a “chama acesa por tantos anos”. – Desenhou aspas no ar. – E virar cinzas é pegar fogo, como vimos que aconteceu.
– Isso parece bem planejado. – Heiwajima surpreendeu-se. Nunca teria pensado em algo assim.
– E foi. – Disse.
– Mas, sabe, você até que é uma pulga bem esperta, Izaya-kun.
– Eu sei, Shizu-chan. – Sorriu.
(Coloquei isso como uma espécie de "epílogo" do capítulo porque não sabia aonde encaixar, só encarem como um adendo mesmo. Não tem muito significado, só queria explicar o raciocínio que eu tive pra escrever a charada, rs. Espero que não tenha ficado muito maluco.)
Notas finais
Ah, e quanto as cenas mais romanticazinhas: puro fanservice -qq. Achei que tava na hora de dar alguma coisa ~a mais~ pra vocês :3 e acho que essa foi a melhor hora, já que o Shizuo não queria deixar o Izaya sozinho e o Izaya tava com medo de perdê-lo. Espero que tenham gostado ^^ e da cena no banheiro também, achei um amor T___T *inveja* Pode até ter sido repentino, mas acho que não conseguiria colocar em outro lugar.
Bom, fora isso, espero que não tenha exagerado muito na cena do Shinra e da Celty, sou péssima com cenas de tensão. E como o clímax já tinha sido no capítulo anterior, tentei dar uma amenizada pra acalmar o coração oiq
Anyway, obrigada por estarem acompanhando ♥ pretendo postar em breve, talvez não muito em breve porque semana que vem começa minha semana de provas x____x mas é isso aí q.
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