Walking After You

6 Capítulo 5: Maudlin


Notas iniciais
Oi gente! c: Me empolguei esse fim de semana e terminei escrevendo outro capítulo para vocês, hehe. E como eu mal posso esperar pra chegar no momento de tensão, vou postar logo. ^^ Esse aí não ficou muito levado pro lado sentimental de ninguém, eu acho que foquei mais na estratégia e na situação. Não sei se sou muito boa pra coisas que não sejam sentimentais, mas eu dei o meu melhor. Espero que gostem.
Boa leitura! ♥

A foto estava um pouco embaçada, mas ainda sim, dava para ter uma visão mais ou menos nítida de quem ou o quê estava lá. Era em preto e branco, como se tivesse sido tirada por uma câmera de segurança em um horário tarde da noite. Uma silhueta encostada numa parede qualquer fumando um cigarro. Pelas curvas, dava para se julgar que era uma mulher. Vestia um sobretudo preto e tinha os cabelos desgrenhados, como se estivesse sem penteá-los há dias, embora mantivesse a aparência lisa e natural. Não parecia ser uma pessoa ameaçadora olhando dali, logo, Shizuo estranhou.


– Acho que é bem improvável que uma mulher tente fazer algo comigo. – Pegou a foto e tirou os óculos para olhar melhor. Ainda não parecia nada amedrontadora. Suspirou. – Ela até parece amigável de longe.

– Temos que duvidar de todos nessa cidade. – Retrucou Shinra. – O que você sabe sobre ela, Izaya-kun?

– Aí é que está... Dos três, ela é a que tenho menos informações a respeito. – Respondeu sutilmente. – As únicas coisas que eu sei é que ela é conhecida por CN no submundo de Ikebukuro e já participou dos Dollars efetivamente. Além de tudo, ela é estrangeira.

– Ela nem mesmo parece um ser humano nessa foto. – Shinra deu o seu palpite. – Tem uma descrição mais precisa do físico dela?

– É escocesa. – Izaya respondeu. – Seus cabelos são castanhos, mas ela usa peruca constantemente, e dizem que seus olhos são tão azuis que dá agonia olhar para eles por muito tempo. O que eu sei é bem limitado, veremos o que meus contatos vão conseguir.

– Então você está se focando só nela? – Perguntou Shizuo, tentando pegar um cigarro do bolso, mas Izaya fez que “não” com a cabeça e ele se conteve.

– Os outros não são tão interessantes quanto ela. – Orihara esboçou um sorrisinho malicioso. – E acho que ela é a mais perigosa dos três. Não por ser de fato ameaçadora, mas por não sabermos nada sobre sua pessoa. Então é plausível.


Heiwajima ainda parecia estar inabalável.


– Não acho que seja ela também, Shizuo. – O médico tentou ser razoável, em vista que o loiro não parecia estar entendendo o alarde todo por causa de uma mulher que parecia inofensiva. – Mas pesquisar não nos fará mal algum.

– Seria bom se mandassem outra carta. – Shizuo levantou-se e começou a caminhar em círculos pela sala, grunhindo como um bicho e deixando escapar alguns “Morra! Morra! Morra” vez ou outra. – O infeliz disse que iria me deixar a par do que ele iria fazer. Então por que está se mantendo silencioso até agora?

– Acalme-se, Shizu-chan. – Izaya levantou-se e andou atrás dele. – Temos que ser pacientes em horas como essas.


Shizuo virou-se para Orihara e tentou se acalmar a pedido do informante. Kishitani foi até a cozinha e buscou um copo de leite para o rapaz, que bebeu tudo em um só gole e ainda quebrou o copo depois.


– Ok, só nos resta esperar. – Izaya concluiu sorridente e em seguida encarou a porta. – Então, se vocês me permitem, eu vou voltar para o lugar onde estou hospedado agora...


Heiwajima arregalou os olhos e segurou um dos pulsos do moreno, que se assustou com o gesto e se arrepiou todo com o toque do loiro. Era tão firme que ele não podia resistir – e nem tentou, pois bastaria uma puxada do homem para que ficasse sem um dos braços.


– O que foi, Shizu-chan? – Perguntou assustado.

– Eu... Você- Você não pode! – Exclamou. – Seja quem for esse maluco, ele está atrás de você também!


Izaya sorriu ternamente e depois soltou um risinho cínico.


– E você quer que eu durma aonde, Shizu-chan? – Perguntou em tom de brincadeira.

– Na minha casa, onde eu posso ficar de olho em você. – Orihara arregalou os olhos com as palavras do loiro e ficou mais vermelho do que gostaria.

– Sh-Shizu-chan! – Foi a única coisa que conseguiu dizer.

– Não vem com essa de “Shizu-chan”. – Soltou o pulso do informante e aproximou seus rostos, colocando o dedo indicador bem no nariz do pobre Izaya. – Se você não ficar na minha casa eu vou te matar, pulga. Estamos entendidos?

– Não acho que tenha como recusar, já que você pediu tão amigavelmente. – Disse irônico, fazendo com que as bochechas de Shizuo esquentassem e suas veias latejassem como se estivessem prestes a explodir. O loiro soltou um grunhido e se afastou em um movimento brusco.

– Ok, se o casal não se importar, eu vou voltar a dormir também. – Kishitani bocejou em alto e em bom tom. – Fiquei esperando por Celty e não preguei o olho noite passada. Até mais.


Dito isso, Izaya e Shizuo ficaram corados de vergonha. Mas Shinra nem mesmo percebeu, de tão sonolento que estava. Recolheu-se rapidamente e os dois se viram sozinhos mais uma vez. Era um pouco estranho... Da última vez que estiveram juntos as coisas haviam terminado de um modo incerto, havia muitas dúvidas pairando no ar e questões mal resolvidas. Mas ali não era hora para falar sobre elas, também. E agora, o que aconteceria? Heiwajima queria manter o informante por perto por medo que este pudesse se ferir enquanto estivesse investigando o suspeito. Ou que o maluco resolvesse raptá-lo. Não queria tirar o olho dele nem mesmo por um segundo. Sabia que Shinra tinha Celty para protegê-lo e Kasuka tinha seus seguranças, mas Izaya e seu complexo de superioridade irritante com certeza não deveriam ter ninguém. E era por isso que Shizuo deveria estar lá por ele. Esse, além de ser o seu jeito de agradecer pela ajuda que Orihara estava concedendo, também queria passar mais tempo com o informante para ver se entendia o que passava na cabeça dele – e na sua, que também estava confusa demais depois de tudo aquilo que estava acontecendo tão repentinamente. Era um plano até que bem surpreendente para ter saído da cabeça dele. Um silêncio desconfortável e mortal rodeava os dois, que apenas se entreolhavam timidamente, sem saber o que fazer. Perto de terceiros eles conseguiam agir normalmente – Shizuo violento e Izaya com suas piadinhas inoportunas – mas, quando estavam sozinhos, o informante se tornava no frágil Izaya novamente e Shizuo em uma manteiga derretida. A posição de ambos mudava completamente.


Heiwajima foi corajoso o bastante para quebrar o silêncio e sugeriu que eles fossem buscar as coisas do informante para levarem até a casa dele, mas o mesmo protestou, dizendo que não era necessário, pois ele iria pedir para que levassem até lá. Então, Shizuo perguntou se eles não deveriam ir embora – era um pouco estranho ficar na casa de duas pessoas que estavam adormecidas. Izaya teve de concordar, e assim, os dois seguiram por um caminho silencioso e pouco movimentado até a casa de Shizuo (embora tivessem parado por algum tempo, para que Izaya ligasse para alguém levar sua bagagem até lá), havia poucas pessoas passando pela rua e o fim de tarde fazia com que o sol criasse grandes sombras por causa dos edifícios, a brisa naquele dia era calma e leve, muito agradável para ambos. Ao longo do trajeto, o loiro pensava no quão esquisito era estar ali e não estar arremessando máquinas de venda automática no homem ao seu lado. Orihara mantinha suas mãos no bolso e assobiava baixinho uma canção qualquer – que Shizuo pensou que deveria ser uma daquelas estrangeiras que ele tanto gostava. Pode ver que o informante parecia um pouco incomodado, olhava para os lados constantemente e às vezes acelerava o passo. Embora fizesse isso de forma quase que imperceptível Heiwajima não pôde deixar de notar. Tentava acompanhá-lo naturalmente, mas às vezes isso ficava difícil. Uma espécie de aura demoníaca pairava por todos os lugares que passavam, e Shizuo podia sentir que havia olhos fixos nele. Olhos que pareciam ansiar por comê-lo. Seus pelos se eriçaram e ele tremeu. Era justamente isso que Izaya temia, mas o loiro havia acabado de perceber que estavam sendo seguidos por alguém. Xingou-se mentalmente, perguntando-se como logo em seguida Shizuo percebera, sendo que estava agindo discretamente. Mas não foi por causa do informante, e sim porque havia sentido a presença de quem quer que fosse. Era assustador. Sentia suas pernas bambas e respiração dificultosa, como se fosse desmaiar. Se sua intuição estivesse certa, e se aquela pessoa fosse com quem estava prestes a se envolver, não queria nem pensar no que aconteceria.


Olhou para o lado de canto de olho e por um segundo pôde jurar que vira um par de olhos de gato o observando de algum lugar, mas quando se virou para olhar direito não havia mais nada ali. E a presença se espalhou ainda mais, como se não quisesse ser notada, mas ao mesmo tempo como se estivesse em todo o lugar. Aquilo fez todo o seu corpo congelar, Orihara também sentia muito medo. Não faziam ideia de com quem estavam lidando. A única coisa que podiam deduzir era que se tratava de alguém mortalmente perigoso. Mas não faria nada ali – Izaya chegou a conclusão de que seu novo inimigo quase tão sádico quanto ele, talvez ainda mais. E, sinceramente, qual seria a diversão de matar Shizuo bem ali? Seu passatempo acabaria logo e isso o entediaria. Isso o relaxava, mas ao mesmo tempo o deixava extremamente intrigado. Uma pessoa que não quisesse ser notada esconderia qualquer rastro de sua presença, então a intenção do indivíduo era realmente ser percebido pelos dois. Isso era um tanto estranho. Mas mostrava que – quem quer que fosse – essa pessoa não tinha medo deles. Se fosse alguém normal, ou com a consciência intacta, pensaria antes de ser descoberto por dois caras como Shizuo e Izaya. O homem mais forte de Ikebukuro e um dos mais temidos estavam ali, juntos, e mesmo assim o sujeito estava fazendo questão de deixar claro que os seguia. Deveria ser um louco mesmo.


E pior, deveria ser alguém que estava disposto a morrer para cumprir o seu objetivo. Que tipo de pessoa guardaria um ódio tão mortal de Heiwajima – que sequer pensava antes de agir? E outra, as pessoas sabiam como ele era, ninguém mexeria com ele de maneira tão descuidada. O maluco deveria estar convicto de que podia vencê-lo. Mas, depois de terem presenciado aquela aura demoníaca e assassina, os dois tinham suas dúvidas se ele (ou ela) não podia mesmo fazê-lo. Orihara tinha quase certeza de que aquela deveria ser CN, falara com ela algumas vezes, o bastante para saber que esta exalava uma aura parecida – e isso quando ela agia normalmente, vai saber quando estava estressada. Izaya não falara para Shizuo, mas aquela mulher matou muito mais gente do que podia se contar nos dedos, e só trabalhava para máfias da elite. Não havia um alvo que ela não tivesse eliminado, por pior que este fosse. O informante temia por Heiwajima. Não queria assustá-lo, mas sua vida estava realmente correndo perigo. Só queria poder ter mais informações para poder protegê-lo. Ele era o único que poderia.


Às vezes pensava como seria perdê-lo, e queria chorar só de cogitar a possibilidade. Seria muito injusto se o tirassem dele logo que havia finalmente buscado aceitar seus sentimentos. Não poderia acontecer agora. Queria tirá-los dali o mais rápido possível, já sentia seus olhos marejarem e sua visão ficar embaçada, não deixaria nada acontecer com seu amado monstro. Então, ignorando o fato de estar tentando disfarçar que sabia o que estava acontecendo, limpou os olhos e segurou firme na mão de Heiwajima e saiu correndo disparado. Shizuo arregalou os olhos com o gesto de Izaya, mas o moreno agarrou sua mão com tanta força que ele não ousou tentar se soltar. Os dois seguiram rapidamente até a casa do loiro, que podia ouvir a respiração cansada de Orihara. Não deveria estar acostumado a se esforçar tanto assim com os pés. O informante podia fazer piruetas no ar, mas em terra, não era lá tão ágil. Sabia que deveria estar fatigado, então Shizuo – que tinha uma resistência admirável – parou por alguns segundos e colocou Izaya em seus braços como se ele fosse um bebê recém-nascido e pesasse menos que uma pluma. Saiu em uma velocidade superior à de antes. Ele sim era habilidoso com as pernas. O informante podia sentir o coração do loiro acelerado devido à adrenalina. Vê-lo daquele ângulo era realmente bonito, embora estivesse um pouco constrangido por estar sendo carregado de tal forma. Mas não durou muito. Em pouco menos de dez minutos já estavam parados à frente do lar de Shizuo, que colocou Orihara em pé novamente e curvou-se um pouco, depositando as mãos nos joelhos e ofegando rapidamente. Seus cabelos estavam úmidos devido ao suor e gotas escorriam sobre sua pele. Entregou as chaves para Izaya, que abriu a porta e deu espaço para que ele entrasse e fosse beber uma água. Riu um pouco ao ver que Heiwajima colocou a boca no galão d’água que guardava em sua geladeira sem se importar com a presença do moreno ali. Despejou um pouco do líquido sobre seu rosto depois de tirar os óculos, e terminou molhando sua camiseta social branca, que formou um relevo transparente sobre seu abdome perfeitamente definido. Izaya suspirou ao se dar conta da bela visão que estava tendo e ficou encarando-o por alguns minutos. Coisa que não durou muito, pois Shizuo o encarou como se a atitude do moreno fosse um tanto esquisita e franziu as sobrancelhas, fazendo com que ficasse vermelho e passasse a encarar o chão timidamente, cabisbaixo.


– O que está olhando, pulga? – Perguntou um pouco mal-humorado, colocando o galão de água vazio em cima da pia da cozinha.

– N-Nada! – Exclamou desajeitado, apertando os olhos logo em seguida.


Heiwajima aproximou-se e colocou sua mão na cabeça de Izaya cuidadosamente, bagunçando seus cabelos logo em seguida. Aquela cena foi um pouco constrangedora para ambos.


– P-Por que você está f-fazendo isso? – Gaguejou o informante. – Idiota.

– A culpa é sua, pulga maldita. – Shizuo tirou a mão imediatamente, sentindo-se ofendido. – Você me olhou com uma cara de cachorro abandonado e eu não resisti!


O loiro fez uma careta e fechou a cara logo em seguida. Orihara o encarava e logo em seguida começou a rir. E limpando a borda dos olhos marejados por causa da atitude cômica de Heiwajima, disse:


– Você realmente não faz ideia de como lidar com seres humanos, Shizu-chan!

– Argh! – Bufou irritado.

– Eu estou brincando. – Ele sorriu ternamente. – Fico feliz que você esteja começando a aceitar o que sinto por você.


Shizuo corou e virou o rosto levemente.


– Nã-Não é nada disso... Pulga...


Izaya aproximou-se dele, mas em seguida virou-se e saiu correndo em direção ao quarto do rapaz e voltou com o rádio em mãos.


– Vou colocar uma música, você parece tenso. – Conectou o aparelho na tomada e ligou, automaticamente a rádio estrangeira começou a tocar uma melodia bastante animada, que o fez aumentar o som. Parecia que só quando Orihara estava ali tocavam músicas tão bonitas. – Olha só, é Camera Obscura! – Comemorou.

– Camer... O quê? – Perguntou sem entender o que o informante acabara de pronunciar.

– Minha banda favorita. – Ele começou a cantarolar e a balançar a cabeça no ritmo da música, que, por sinal, era muito agradável.

– Você é muito mais esquisito do que eu pensava que fosse... – Shizuo sorriu vendo os gestos de Izaya. – Sobre o que essa música fala?

– A cantora está dizendo que queria que o coração dela fosse frio, frio como orvalho da manhã, mas está mais quente por causa do cara que ela ama. E ela se odeia por isso. – Disse despretensioso. – Eu conheço alguém parecido com ela.

– Ah, é?


Orihara riu de si mesmo, ele bem sabia a quem estava se referindo. Heiwajima desabotoou a blusa molhada e a jogou em cima da mesa. Izaya não pode deixar de reparar (novamente) na barriga – que agora estava descoberta – do loiro, uma visão ainda melhor do que a que tivera antes... Era realmente lindo. Perguntava-se como poderia existir uma pessoa tão perfeita quanto Shizuo. Quando o quesito era beleza, o loiro apresentava um físico impecável de tão bonito. Não era à toa que as mulheres ficavam bobas por ele. Além de tudo, seus traços fortes e expressivos o deixaram ainda mais único. Era o tipo de beleza rara de se ver, praticamente impossível.


I'm in training to become as cold as ice

(Estou treinando para ficar frio como gelo)

I'm determined to protect my feelings, to disguise

(Estou determinado a proteger meus sentimentos, para disfarçar)

When I said I didn't love you I told you a lie

(Quando eu disse que não o amava, eu menti)

There no one above you although I try

(Não há ninguém acima de você, embora eu tente)

Would you laugh at the time I spent calling your name

(Você riria do tempo que gastei chamando seu nome)

Over and over and over and over again?

(Mais e mais e mais e mais uma vez?)


A música continuava a tocar em alto e bom tom, Izaya pensou no quanto era irônico estar ali, novamente, ouvindo uma música que também se encaixava em sua relação com Shizuo de forma perfeita. Mas não podia fazer nada em relação a isso, aquela rádio tocava em maioria músicas românticas. Aproximou-se do loiro, ainda cantando. Heiwajima apenas o observava com uma expressão singela. Parecia estar gostando de vê-lo daquele jeito – e realmente estava. Gostava da maneira que Orihara agia com espontaneidade, fazia querê-lo dançar também. E olhe que ele odiava qualquer tipo de barulho. Mas ultimamente as atitudes do informante estavam tão cheias de vida que ele não podia deixar de notar, e de se alegrar também.


– Acho que essa música reflete bastante o que eu sinto por você, Shizu-chan. – Disse informante, enquanto o loiro olhava no fundo de seus olhos, tentando ler sua expressão. Seu tom era um pouco melancólico.


Ele desviou o olhar e segurou as mãos de Shizuo e pôs-se a brincar com elas como se não fosse dizer mais nada. Heiwajima queria saber o resto. O toque das mãos do moreno era suave e demonstrava certa delicadeza, era mesmo um homem frágil. Mas adorável.


– Por que você gosta de mim, Izaya-kun? – Shizuo estava pensativo. Izaya engoliu seco, pensando no que responder, mas depois apenas deu risada.

– Ah, Shizu-chan! Sempre me perguntando coisas que eu não sei responder. – Seus olhos se fechavam um pouco por causa do sorriso suave e sincero que levantava suas maçãs do rosto levemente rosadas.

– Sabe, pulga, – O loiro apertou suas mãos gentilmente. – quando você sorri desse jeito eu termino te odiando um pouco menos.


Izaya pareceu um pouco surpreso ao ouvir aquelas palavras, porque sua boca se abriu um pouco e seus olhos arregalaram. Em seguida, se fecharam um pouco, ficando marejados. “Idiota” pensou consigo mesmo, enquanto soltava das mãos de Shizuo e depositava a cabeça sobre o peito descoberto do loiro, que se espantou com o gesto, mas em seguida o envolveu em um abraço. Estava gelado e relativamente úmido, provavelmente por causa da água que ali caíra há pouco, mas ainda sim, sua pele continuava extremamente macia e confortante. Orihara não se importou e entrelaçou o pescoço de seu amado Heiwajima em resposta, e ficaram ali por alguns minutos sem pronunciar uma palavra sequer, enquanto a música ecoava aos fundos. Izaya sentia vontade de chorar, mas não de tristeza.


The trouble is I got me close to hating me

(O problema é que cheguei próxima a me odiar)

When I wake up in the morning it’s your face I see

(Quando acordo de manhã é seu rosto que vejo)

Oh, you once made me feel less afraid

(Oh, você me faz sentir menos medo)

You've got me pouring myself all over this page

(Você me fez chorar por todo esse trecho)


– Eu não sei por que eu te amo tanto, Shizu-chan. – Ele murmurou de maneira praticamente inaudível. – Só sei que eu me odeio por sentir-me dessa forma.

– Se odeia? – Perguntou sem entender.

– Você não sabe o quanto. – Respondeu fechando os olhos lentamente. – Odeio como eu me sinto só quando você não está por perto e como você me deixa vulnerável, também.

– Você não precisa mais odiar nada disso agora, Izaya-kun. – Shizuo trouxe o informante para mais perto de si. O atrito causado por seus corpos estarem tão colados dava a impressão de que eram um só. – Eu não pretendo sair do seu lado tão cedo.

– Isso é uma promessa? – Izaya abriu os olhos devagar e levantou a cabeça para encarar Heiwajima.

– É uma promessa, pulga. – O loiro deu um beijo estalado na testa de Orihara.


Os dois ficaram se entreolhando sem dizer nada, enquanto a música finalmente acabava. A troca de olhares era o bastante para que entendessem que estavam apreciando a presença um do outro. Izaya pensava no quanto amava Shizuo, e no quanto era sortudo por tê-lo ali com ele. Heiwajima apenas encarava a expressão tão bonita e ilegível do informante à sua frente. Sorriam como se estivessem em perfeita sintonia – e provavelmente estavam. Era em momentos como aqueles que deixavam seus sentimentos mais ocultos se manifestarem. Sentimentos tão complexos para os dois. Mas sabiam que podiam ser eles mesmos sem temerem um ao outro, porque só tinham um ao outro, e sempre seria daquele jeito. Ninguém mais poderia aceitar monstros como eles. Orihara foi se aproximando devagar do loiro e abriu sua boca lentamente. Shizuo automaticamente entendeu o que Izaya queria e também começou a se aproximar. Estavam tão perto um do outro que podiam contar os poros do rosto de cada um e sentir suas respirações. O coração do informante batia descompassado, enquanto o do loiro acelerava ao ver que estavam cada vez mais perto. Estavam nervosos e ansiosos por aquele momento há sabe-se lá quanto tempo. De certa forma, esperavam por aquilo, mas, por outro lado, parecia totalmente inesperado, como se fosse algo improvável de acontecer. E provavelmente fôra, por muito tempo, dessa forma. Mas agora não mais. O moreno começava a fechar seus olhos lentamente e a única coisa que separava seus lábios dos de Heiwajima eram alguns poucos milímetros. Estavam prontos para selarem o tão esperado beijo e...


A campainha tocou. Fazendo-os levarem um susto e se afastarem em um movimento brusco que machucara ambos. Shizuo quase arremessou Izaya para longe, esticou tanto os braços que seus músculos ficaram doloridos imediatamente. Sem tempo de se recuperar do baque, o loiro correu para abrir a porta, ainda ofegante por causa do acontecimento inoportuno. Orihara estava um pouco irritado, por estar tão próximo de beijar Shizuo e algo daquele tipo acontecer. Provavelmente nunca teria uma chance tão boa como aquela novamente. Amaldiçoou quem havia tocado aquele aparelho maldito – de início, pensou que era quem iria entregar sua bagagem, mas lembrou-se que prometera mandar o endereço de onde ficaria para ele por mensagem, e não o fez. Heiwajima também deixou escapar alguns palavrões, principalmente porque havia ficado assustado com o toque repentino e estridente. Era frustrante, tanto Shizuo quanto Izaya queriam aquele beijo – embora nunca fossem admitir isso. Era a oportunidade perfeita para degustarem os lábios um do outro mais uma vez. Mas não, alguém tinha que ir lá e interrompê-los.


A porta foi aberta, mas não havia ninguém lá. No tapete de entrada, porém, havia um envelope. E no ar, a dissipação de uma aura demoníaca.


_


A música que estava tocando é Honey in the Sun — Camera Obscura. Se quiserem ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=fU42cXy608o (Camera Obscura é, coincidentemente ~rere~, minha banda favorita! Eu A-M-O essa música, e acho que tem super a ver com a cena do capítulo, que ficou breguinha e romântica T_T Fazer o quê? Amo coisas piegas! Haha)

Notas finais
E aí? O que acharam? Mereço review?~
Eu particularmente acho que a cena romântica ficou de partir o coração ♥ Eles são lindos demais juntos, eu não consigo me conter quando vou escrever essas coisas UHEUHE
Sei que não dá pra saber muita coisa da CN agora, mas eu pretendo desenvolver uma personagem bem legal e inesperada! Como eu já disse, eu odeio enrolação, e como já tá na cara que é ela que tá por trás de tudo mesmo (se não tava, desculpa u.u), eu me inspirei nessa garota: http://25.media.tumblr.com/tumblr_lwshmijWWv1qdnwiro1_500.gif para fazê-la. Não encarem isso como um spoiler, porque o que ela vai fazer e porque ela tá fazendo isso que são os verdadeiros mistérios! E sobre isso, eu vou me manter calada, 2bjs UHEUH
E eu realmente pensei em fazer eles se beijarem, mas acho que seria muito repentino, sendo que eles estão na fase de aceitação ainda. Ali foi pura coisa do momento. Ainda tem um looongo caminho até o Shizuo aceitar os sentimentos do Izaya de verdade, e como vai ser um processo gradativo, nem sei quando vai ter outro beijo. Veremos, né? :3
É isso! Espero que tenham gostado. Farei o possível para postar final de semana que vem, maaaas, não sei se terei inspiração por causa desse bônus aqui.
(Nossa, escrevi uma bíblia né, socorro, mas é issaê)
Beijinho :*