Walking After You

5 Capítulo 4: Noir


Notas iniciais
ANTES DE TUDO: AEEEEEE, FANFIC DE CAPA NOVA, YAYYYYY~! Isso porque vai começar uma segunda etapa! E eu já tava enjoada da outra, argh
Enfim, tô no meu prazo. Prometi que postaria em no máximo duas semanas e cá estou :3 Teria postado antes, mas comecei a fazer academia e tô só o pó ;____;
De qualquer forma, se eu atualizei mais cedo dessa vez, agradeçam a Reira-chan que me fez perceber que eu tava sendo meio desatenta às minhas leitoras q Desculpa, pessoal 3 não quero decepcionar vocês jamais, por isso tentei postar mais rápido e pretendo seguir assim o3o Os reviews de vocês todas me deixam super feliz e eu quero dar um abraço eterno em todas as minhas leitoras ♥ então foi mal por todas as demoras, pretendo compensar isso de agora em diante!
Noir significa preto em francês, não sei direito porque coloquei esse nome no capítulo e.e adoro francês qqq
E também porque tava ouvindo muitas músicas em francês pra escrever esse capítulo.
http://letras.mus.br/blur/4771/#traducao
http://www.youtube.com/watch?v=0DjHKqb365A
Se quiserem ouvir, o nome é To the End - Blur, na verdade, são alguns trechos em francês, mas eu acho essa música a cara do Izaya da fanfic! ^^
Bom, agora, chega de avisos e vamos ao que interessa! Boa leitura~ c:

Shizuo pigarreou antes de continuar:

- Eu... Hum... É- Será que tem como você vir para Ikebukuro? – Perguntou despretensiosamente. – Tem um maluco querendo me matar, e surpreendentemente ele não é você. Não sei o porquê, mas isso me deixou um pouco assustado... Você sabe... Ou pelo menos espero que saiba. Talvez não. Nem eu mesmo sei do que eu estou falando. Mas o que eu quero dizer é que... Sua vida também está em perigo. E eu preciso de você aqui.

Não pôde ouvir, mas o coração de Izaya acelerou com o pedido. De tal forma que ele nem mesmo conseguia raciocinar direito. O modo como o loiro estava apreensivo quando pronunciou aquelas palavras tão gentis o fazia esboçar sorrisos sem querer. Tinha certeza de que o abraçaria se estivesse mais perto – e agradecia por não estar, pois isso com certeza seria muito embaraçoso.

- Isso é surpreendente vindo de você, Shizu-chan. – Orihara tentava manter-se o mais sutil possível pelo telefone, mas estava ficando um pouco complicado se conter. – Eu não esperava ver você tão cedo, mas não acho que posso negar esse pedido.

O tom levemente irônico de Izaya começava a irritar Shizuo. Sempre tivera o pavio curto, e sempre teria, não importava se sua opinião sobre o rival estivesse mudando, ainda não suportava seu jeito cínico de agir nas horas mais inoportunas. Aquilo era algo sério e, no mínimo, preocupante. Será que ele não conseguia ver isso?

- Por favor, pulga, poupe as zombarias. Eu também estou preocupado com você.

- E eu fico honrado. ­– O moreno riu debochado do outro lado da linha, embora tal gesto fosse para esconder o quanto o Shizuo o deixava pensativo. – Não estou de zombarias.

- Ótimo. – Retrucou o loiro (apesar de ter saído mais como um grunhido). – Quando você vem?

- Não sei, quando der. – Respondeu o informante. – Mas não se preocupe porque vai ser logo.

- Eu vou estar te esperando.

- Até mais, Shizu-chan.

- Eu espero te ver em breve, Izaya-kun. – Dito isso, o loiro desligou.

Izaya ficou segurando o telefone por alguns minutos, parecendo um idiota, e tentando digerir não só as últimas palavras de Shizuo – que saíram muito mais serenas do que Heiwajima realmente queria –, mas sim a conversa toda. Aquele jeito tão doce... Por que ele estava agindo daquela maneira? Seu azedo Shizu-chan estava mudando, ao que parecia. Isso o deixava feliz, em meio a toda a tristeza que estivera sentindo durante o tempo que passara apenas na companhia de Namie – que não era lá das melhores, ele tinha de admitir. Aquela ligação fôra completamente inesperada, mas assim era o seu amado: sempre imprevisível. Sinceramente, Orihara pensava que nunca mais voltaria a ouvir aquela voz. Nem mesmo para gritar o seu nome enquanto arremessava coisas em sua direção. Pensava que nunca mais iria ver Shizuo novamente, pois tinha certeza que o loiro não se sentia da mesma forma em relação a ele. E, pela experiência que tinha, sabia que não havia nada pior que um amor não correspondido. Insistir naquilo só poderia lhe trazer mais tristezas – como sempre fizera desde o dia em que se apaixonou pelo loiro. Mas não foi o que aconteceu. Ao invés de deixá-lo de lado Shizuo o havia procurado e dito que precisava dele. Odiava o modo como Heiwajima conseguia fazer as coisas certas na hora certa. Sempre arranjava um jeito de surpreender Izaya. E isso era a coisa que mais odiava – e ao mesmo tempo amava – naquele monstro. Ou nem tão monstro assim.

O informante olhou para a janela, o dia estava chuvoso e o céu estava horrível. Quem diria que um dia feio como aquele seria um tão feliz para ele? Terminou chegando à conclusão de que dias bonitos em tardes de verão românticas não faziam realmente o tipo dele – ou de Shizuo. O amor deles era um amor feio. Um amor que havia rendido muitas feridas e cicatrizes por parte de ambos. Um amor que havia se consolidado por meio de ódio e de rejeição. Não era uma história que se via em livros ou filmes de romance. Era dolorosa demais para ser contada – ou apreciada por alguém. Eram duas aberrações apaixonadas... Quem iria querer ler algo assim? Orihara ria de si mesmo por invadir sua cabeça com pensamentos estúpidos, embora verdadeiros. Havia sofrido por causa de Heiwajima durante tantos anos que nem se importava mais em admitir que o amor deles sempre fôra algo terrível, pois o mesmo sabia bem disso. Seu sentimento – que era pra ser tão bonito – repeliu seu amado por tantos anos e o fez chegar ao fundo do poço. Preso em uma depressão profunda e em uma angústia que nunca ia embora de seu peito. Vivendo uma solidão eterna. Era doentio, no mínimo.

Izaya encarou seus braços que estavam cobertos pelas mangas compridas de sua blusa preta. Ali haviam muitas feridas, por exemplo. Feridas de todas as exaustivas perseguições, feridas de tantas vezes que havia caído e feridas que ele mesmo fizera com sua faca para ver se a dor ia embora. Também tinha cortes em seu abdome e pernas. Sempre havia gostado de se machucar. Tal sentimento apenas cresceu ao conhecer Shizuo. Mas havia parado de fazer isso por prazer há tempos, fazia para ver se conseguia amenizar a dor que sentia em seu íntimo concentrando-a em outro lugar. Não que desse certo... Mas os cortes profundos de sua faca já haviam virado rotineiros para ele. Nem sequer sentia como se realmente doessem. Nada nunca doía tanto quanto a dor que o invadia frequentemente, e ficava ali tanto tempo que também se tornara normal. Chorar também havia se tornado algo normal para ele. Suas lágrimas eram praticamente suas companheiras quando ele estava só – até já as considerava suas amigas. Chorava para que a dor fosse embora, mas era outra coisa que não dava certo. A verdade é que o próprio se considerava um caso perdido. Todos aqueles sentimentos eram um beco sem saída. E seguira daquele jeito por tantos anos que podia contar nos dedos os dias que não sentira um vazio enorme dentro de si.

Todas aquelas brincadeiras com humanos que ele dizia serem tão divertidas só serviam para distraí-lo desde que havia se apaixonado. Caso o contrário, a única coisa que poderia pensar era em Shizuo. Terminara criando afeto pelos seres que conseguiam fazê-lo se esquecer de todos os seus sofrimentos. Por isso amava tanto os humanos: porque eles eram um bom passatempo. Eram manipuláveis e frágeis, podiam ser facilmente quebrados, mas dificilmente voltavam a ser o que eram antes. Eram como papéis amassados. Papéis amassados com que Izaya podia fazer o que bem entendesse sem dar à mínima. Não sentia nada por eles. O único que conseguia fazê-lo demonstrar seus sentimentos era Shizuo. “Eu fui me apaixonar logo pelo mais difícil”, era o que pensava constantemente. Heiwajima sempre parecera tão inalcançável para ele. Mas lá estava Orihara... De sentimentos confessados e tendo melhoras significativas em sua relação com o loiro cabeça-dura. Que estava sendo até bem flexível, por sinal. Sentia-se aliviado. Quem diria que um dia os dois ficariam no mesmo recinto sem nenhuma morte? Ou que falariam um com o outro pelo telefone? Era mesmo difícil de acreditar. Mas estava acontecendo. E, embora nenhum dos dois realmente admitisse – talvez por não conhecerem tão bem aquele sentimento tão estranho que era a felicidade –, sentiam-se bem pelas coisas estarem daquele jeito.

Namie havia acabado de voltar de uma loja de conveniência onde havia ido buscar alguns doces para Izaya e não pôde deixar de perceber a alegria incomum do chefe. Não era como quando ele estava sentindo-se feliz por algo sádico que havia feito, era como se estivesse feliz por algo bom estar acontecendo... Como se ele estivesse se sentindo satisfeito consigo mesmo? Perguntava-se se deveria ou não questionar o motivo de toda aquela alegria, e terminou por não se conter:

- Por que você está com esse sorriso estonteante, chefinho? – Perguntou irônica, enquanto despejava as sacolas sobre a mesa e tirava o conteúdo que cada uma guardava dentro delas. – Quem morreu dessa vez?

Izaya torceu o nariz.

- Ninguém, Namie querida. – Manteve o mesmo tom zombeteiro da secretária. — Por enquanto, ninguém.

- Mas pra você estar com essa expressão alguém com certeza está prestes a bater as botas. – Respondeu honesta.

- Pense o que quiser. – Deu de ombros. – Não é da sua conta, de qualquer forma.

Namie mostrou a língua para Orihara e virou-se, levando as guloseimas para a cozinha. Mas parou no meio do caminho e encarou o informante mais uma vez.

- Se ninguém vai morrer e você já está sorrindo de orelha a orelha, a única explicação é que você vai ver o Shizuo em breve. – Voltou a se dirigir para a cozinha.

O moreno nada respondeu, ficou ali com um sorriso bobo por causa das últimas palavras de sua enxerida e perspicaz secretária. Então era verdade que a expressão de pessoas apaixonadas era fácil de ler, huh? Abafou um risinho e resolveu se mexer. Havia muito trabalho a ser feito e pouco tempo. Mas era verdade. Ele não podia negar que após aquele telefonema o dia havia ficado muito mais bonito a seu ver.

Shizuo esperou ansiosamente pela vinda de Orihara, fumando todos os maços de cigarro que conseguia (coisa bem comum quando estava apreensivo). Demorou uma semana e mais alguns dias, pois o informante estava ocupado com um trabalho importante. A espera parecia eterna para o loiro, assim como para Izaya, que mal podia esperar para ver seu amado de novo. Ele não havia falado nada sobre sua confissão, mas o informante decidiu deixar o tempo que fosse necessário para que Heiwajima dissesse o que realmente queria – ou se não queria nada. E, independente da resposta, o moreno continuaria a persegui-lo. Era um pouco estranho que os dois passassem de inimigos para aliados, ainda mais depois de tantos anos, mas nenhum dos dois realmente se queixava disso. Era o jeito que as coisas tinham de ser. Embora ansiosos, os dois também não faziam ideia de como agiriam quando estivessem cara a cara. Mas não se queixavam disso também. E assim que Heiwajima recebeu a ligação de Shinra avisando que Izaya havia chegado à Ikebukuro e estava em sua casa, parou o que estava fazendo e saiu correndo para vê-lo. Queria ver se estava realmente bem, pois não haviam se falado durante todos esses dias.

Ao chegar, viu Shinra e Izaya sentados. O informante estava com uma xícara de chá nas mãos e degustava lentamente, enquanto o médico comia algumas bolachas, distraído e absorto na conversa que estavas tendo com o velho amigo. Shizuo pensou que Celty deveria estar dormindo àquela hora do dia, pois suas noites eram na maioria das vezes bem conturbadas devido às rondas noturnas. Não havia necessidade de perturbá-la. Os dois pareciam surpresos de ver Heiwajima ofegante na porta, mas o loiro logo se recompôs e ajeitou seus óculos escuros e sua gravata. Em seguida, tirou um cigarro do bolso, acendendo-o e tragando-o logo em seguida. O loiro adentrou na sala e ajeitou-se no sofá. Seus cabelos estavam um pouco úmidos por causa do suor da correria, mas o que importava era que ele estava ali, e que Izaya aparentava estar bem. O informante estava com um olhar sereno, assim como quando se encontraram pela última vez. Era bom vê-lo sem seu olhar debochado e sorriso repleto de ironia. Gostava mais de vê-lo quando estava com um breve sorriso de canto, imperceptível por qualquer um que não fosse Shizuo. Talvez o loiro só percebesse por conhecê-lo tão bem, mas gostava daquele sorriso tímido. Era o seu preferido – definitivamente. Os cabelos de Orihara estavam despenteados como o usual, mas havia algo nele que o deixava ainda mais atraente. Talvez o modo como as camadas estivessem despejadas sobre sua testa e uma parte de seus olhos estivesse especialmente bom naquele dia, talvez ele sempre tivesse sido bonito daquele jeito e era Shizuo que nunca parara para reparar de fato. O jeito como seu casaco envolvia seu corpo também lhe parecera extremamente agradável naquele dia, assim como a brancura de sua pele. Todas as suas características formavam um conjunto harmonioso que era muito bonito de olhar. Ou pelo menos era o que Heiwajima achava.

- Deveria parar de fumar por um tempo. – Alertou Shinra. – Esteve fazendo isso como um louco nesses últimos dias, Shizuo.

O loiro apenas lançou um olhar mortal de reprovação para Kishitani, que não disse mais nada, e apagou a ponta do cigarro com os dedos.

- Como vai, Shizu-chan? – A voz de Izaya estava um pouco falha, como se ele estivesse tentando parecer o mais natural possível.

- Melhor do que eu esperava. – Shizuo deu uma boa olhada no informante, analisando-o dos pés a cabeça. E respondeu àquela pergunta mais como se tivesse soado “Como eu estou?”. – Você demorou bastante, achei que tinha acontecido algo.

- Eu sei me cuidar, Shizu-chan, não precisa se preocupar comigo. – Orihara retrucou, dando outro gole no chá.

- Se você soubesse não sairia pela chuva pra morrer, pulga. – Izaya corou levemente, embora fosse difícil notar. – Mas vejo que você se recuperou rápido.

- Pelo menos eu não saio andando pelas ruas enquanto um maluco que eu nem sei quem é está me ameaçado de morte. – Contornou. Mas em seguida tirou um papel do bolso e colocou em cima da mesa de centro.

- O que é isso? – Questionou Shinra, pegando o papel e ajeitando os óculos para ver melhor.

- Pesquisa. – Izaya sorriu satisfeito. – Ou vocês acharam que eu passei todos esses dias em Shinjuku fazendo nada?

Shizuo e Shinra se entreolharam, ainda sem entender muito bem o que Orihara queria dizer com aquilo.

- Essa é uma lista de pessoas potencialmente perigosas em Ikebukuro. – Explicou. – Era maior, mas eu diminuí para pessoas que tem algum envolvimento como Shizu-chan.

Heiwajima arregalou os olhos ao observar a lista. Era bem grande, só deveria caber naquela folha porque a fonte que Izaya usara era minúscula e ocupava frente e verso. Ele nem se lembrava de ter brigado com aquele tanto de gente – até porque não era como se tivessem sido lutas marcantes.

- Eu acho que tem algo errado com essa lista. – Disse ao arquear o cenho. – Não tem como eu ter batido nesse tanto de gente...

- Você prefere confiar nos seus instintos primitivos ou no cara que te perseguiu a vida toda, Shizuo? – Perguntou Shinra. – O Izaya sabe mais sobre a sua pessoa do que você mesmo.

Kishitani tinha um ponto. Shizuo assentiu com a cabeça e Orihara continuou a explicar o que havia feito:

- Ainda sim, essa lista é superficial. – Fez uma pausa. – E pelo que e pesquisei sobre cada uma dessas pessoas, só três conseguiram chegar perto de te matar, e eu acho que deveremos manter o olho nessas aí.

- Mas isso é impossível! A única pessoa que já teve chance de me matar foi você, eu acho. – Heiwajima afirmou. Shinra olhou para os dois um pouco assustado com a naturalidade com que o loiro falava aquele tipo de coisa. Parecia nem mesmo se importar de estar no mesmo lugar que o “inimigo”. Eles realmente haviam mudado.

- É aí que você se engana, Shizu-chan. – Respondeu. – Eu fui o único que tentou te atacar diretamente. Esses aí querem te encurralar pelas costas.

- E como eu me salvei todas às vezes, então? – Questionou.

- O meu palpite é que foi pura sorte. – Izaya tirou uma caneta do bolso e sublinhou o nome dos três suspeitos. – Essas pessoas não estavam de brincadeira, Shizu-chan.

- E você tem alguma informação útil sobre eles? – Perguntou Shinra, cruzando os braços.

- É o que vou descobrir agora. – Izaya dobrou o papel e guardou no bolso de seu casaco novamente. – Eu fiz minha pesquisa, mas não o bastante para dar uma prévia de quem eles são e o que fazem. Está muito cedo para isso. Mas meus contatos vão dar um jeito e logo nós teremos um relatório completo.

- Ágil como sempre, Izaya. – Shinra sorriu. Orihara balançou a cabeça como que concordando. Embora estivesse mais flexível desde que se declarara, nunca perderia o jeito narcisista e o ego enorme. Isso era impossível de se esperar de alguém como Izaya. – Acho que não há muito com o que se preocupar já que você está conosco.

A verdade era que o informante sempre fôra o centro de seu próprio mundo, talvez por isso fosse tão difícil para ele aceitar seus sentimentos por Shizuo verdadeiramente. Ele não podia simplesmente ceder o seu lugar para um estranho. Isso não é algo que se faz quando se tem um orgulho como o dele. Não estava acostumado a se importar com os outros, nem mesmo sabia como era querer ter alguém por perto. Sempre vivera em uma realidade completamente diferente de seus tão amados humanos. Ditava as regras em seu mundo, ele era o seu próprio deus. E de repente, chegava aquele loiro mal-humorado e azedo e começava a ocupar um lugar cada vez maior em sua mente. Começava a fazê-lo se apaixonar por seu jeito distraído, violento e impulsivo. Quem diabos ele pensava que era? Foi o que Izaya se perguntou por tantos anos. E mesmo com todo o ódio que sentia por ter alguém que considerasse mais importante do que a si mesmo, continuava a observar cada movimento daquele que tanto odiava.

A imagem dele descansando no telhado, parecendo tão calmo e relaxado, com os olhos semicerrados – o informante se lembrava tão bem dos tempos de Raira que era como se tivessem acontecido há poucos dias. O pôr-do-sol fazia com que a claridade que restava iluminasse a pele e deixasse os cabelos ainda mais dourados de um Heiwajima sonolento, descansando sobre aquele lugar. O vento fraco ia contra o seu rosto e balançava os seus cabelos levemente, fazendo-o sorrir vez ou outra. Izaya gostava tanto daquela cena que perdera a conta de quantas vezes já estivera ali, só para observá-lo entre as sombras, sem que o loiro o notasse e se aborrecesse. Gostava tanto de vê-lo assim... Sem preocupações e sem quebrar tudo o que via pela frente. Daria tudo para ver aquele sorriso pacato em seu rosto sempre. Odiava pensar em como um sorriso tão bonito se desmanchava ao vê-lo. Sabia que nunca Shizuo nunca sorriria para ele. Como poderia? Era bobagem até mesmo fantasiar.

Eram polos opostos e personalidades contrastadas. Shizuo era como o sol e Izaya era como a lua. Sempre foi assim, sempre seria. Enquanto o loiro era atraía todas as atenções, Orihara era discreto e agia silenciosamente. Embora de maneiras diferentes, ambos eram igualmente temidos. Como poderiam ser tão parecidos e tão diferentes ao mesmo tempo? Até parecia que o destino não queria que seus caminhos se cruzassem. Mas, então, a vida resolveu pregar uma peça nos dois, e agora, estavam ali. Era um pouco difícil para eles, de início, a convivência e tentar agir com naturalidade, apenas ignorando tudo o que aconteceu no passado. Mas a conversa terminava por fluir de um jeito ou de outro. Sobretudo para Izaya, não era fácil ter ao seu lado a pessoa que o fez deixar o seu orgulho de lado e o fez ficar esquisito daquela maneira. Não gostava da ideia de estar apaixonado, mas já havia aprendido a conviver com ela. Não era como se conseguisse parar de se sentir de tal forma em relação à Heiwajima. E já havia desistido de tentar enganar a si mesmo. Nunca deu certo, e isso acabava ainda mais com seu estado físico e mental. Mais um pouco, e enlouqueceria completamente.

Quando Orihara se declarou era porque a questão já havia se estendido ao extremo, caso o contrário, teria continuado a manter aquilo para si. Mas como as coisas haviam chegado àquele ponto, não voltaria atrás. Não era de seu feitio fugir por medo. Embora não soubesse que atitudes tomar dali em diante, ficaria até o fim. Agora que Shizuo tinha consciência daquele turbilhão de sentimentos que ficaram escondidos por tanto tempo, poderia tentar conquistá-lo. Ou domá-lo. Izaya nunca soubera de fato que termo usar com o loiro. Tentaria os dois, conhecia tão pouco de sua verdadeira natureza que era difícil dizer. Ficava feliz por ter a confiança do amado. Não sabia até que ponto Heiwajima acreditava em suas palavras, porém, se o indomável monstro havia lhe dado uma chance para se provar o informante não o decepcionaria.

Pegou-se observando a silhueta de Shizuo discretamente, havia se estirado no lugar onde sentava e parecia sonolento – embora se mantivesse acordado. Seu peito subia e descia com sua respiração lenta, fazendo com que alguns flashbacks de Raira invadissem os pensamentos de Izaya e este sorrisse quase que imperceptivelmente. Sorriso que se desfez quando se lembrou de algo que havia deixado de esclarecer. Tossiu para chamar a atenção de Shinra e Shizuo, que logo se posicionaram novamente.

- Nee, pessoal. – Começou. – Sabem a pesquisa que eu mencionei? Então... Todos têm motivos “sérios” – Desenhou aspas no ar. – para tentarem matar o Shizu-chan...

- E daí? – Perguntou Shizuo. – Nós já sabemos disso, pulga.

- Não. Não. Me deixe terminar. – Pediu educadamente. – Todos... Exceto por uma pessoa.

- E quem seria essa pessoa? – Foi a vez de Shinra questionar.

Izaya enfiou a mão no bolso e de lá tirou uma foto curiosa, colocando-a sobre a mesa logo em seguida.

- Essa aqui.

Notas finais
Eu revisei algumas vezes, mas posso ter deixado algum erro maldito passar. Me avisem se perceberem algum e.e
Entããão, foi meio que um desafio pra mim esse capítulo sobre a consciência do Izaya ;_; eu nem sei o que se passa por lá, mas tentei dar o meu melhor. Ficou OOC e eu reconheço, mas eu acho que isso é algo que ele - pelo menos na fanfic - pensaria. Acho que mais por frustração do que por qualquer outra coisa ele odeia o Shizu-chan. E meio que eu coloquei meu ponto de vista aí ._. não sei se vai agradar todo mundo, maaaas eu espero que sim! Also, a cena da Raira, não sei porque, mas me lembrou o Hibari de KHR quando eu escrevi UEHUHE '-'
Não sei se já perceberam, mas as coisas estão começando a ficar tensas -Q Já tenho ideias para um novo capítulo, então agora é só esperaaaar. ^^
Obrigada por estarem acompanhando~
Mereço review?
:*