Walking After You

4 Capítulo 3: Duvet


Notas iniciais
Oi pessoal! :3 Faz um tempo já, hehe. Eu tava que meio sem ideias de como escrever... Porque a história já tá praticamente montada, como eu mesma disse antes. Mas tá difícil ;___;
De qualquer forma, enrolei de novo, mas acho que já virou rotina né? Tentei dar o meu melhor nesse capítulo. Demorei um tempão pra decidir o que ia acontecer, mas pretendo levar as coisas mais lentamente mesmo. Então, vocês podem esperar uma fanfic longa UEHUHEU.
Eu quero dar os avisos, mas só vou dar no final pra não dar spoiler do que vai acontecer no capítulo ^^ As coisas vão ficar bem intensas de agora em diante -q
Ah, e "duvet" é edredon em inglês, HUHEUH, sei que pode ficar meio confuso, mas na verdade o nome do capítulo é esse porque é o título da música que eu tava ouvindo para escrevê-lo: http://www.youtube.com/watch?v=WidfjUJdk_8 / http://letras.mus.br/boa-inglesa/124104/#traducao
Chama-se Duvet - Boa. Eu acho que combina demais com o capítulo, tanto a letra quanto a música em si, é bem triste e tal. Então fica aí pra quem quiser ouvir enquanto estiver lendo! UHEUHE.
Acho que eu falei demais. Desculpa, são muitas novidades -n
Boa leitura~

“Shizuo Heiwajima,

Aposto que você está se perguntando quem jogou as mesas em você, não é? Eu posso dizer que está. Mas isso é algo que não lhe interessa. Foi só uma prévia do que está por vir.

O que importa é que eu te conheço muito, muito, muitíssimo bem. Sei todos os seus movimentos e suas fraquezas. E não pense que isso é um blefe. Porque aposto que você odiaria se algo acontecesse com as poucas pessoas que você consegue manter próximo a si, não é mesmo? Como Kasuka, Shinra, Tom... E até mesmo Izaya agora, não é? Haha.

Não se preocupe. Eu não farei nada por enquanto. Só posso dizer que busco vingança por algo que você fez comigo, Heiwajima. E eu sei muito bem o que fazer e como fazer para conseguir o que quero.

Mas não queria te deixar desprevenido, pois seria bom que você se preparasse.

Finalmente chegou a hora de acertarmos as contas.

Mandarei notícias em breve. Sei que você deve estar se mordendo de raiva agora, mas se quer uma dica: não aja impulsivamente, porque isso é uma espécie de jogo. E você sabe muito bem, Heiwajima, que em um jogo basta mover uma peça erroneamente que toda a sua estratégia vai pelos ares. E você perde. Mas eu te garanto que perder nesse jogo aqui não vai te trazer bem algum. Pelo contrário.

Bom, é isso, o recado está dado. Foi bom falar com você!

Até logo.”

O loiro suspirou longamente, um pouco irritado e sentindo seu corpo pesar. Era difícil para ele apoiar-se nas próprias pernas, então se sentou para tentar relaxar um pouco mais. Seus machucados doeram um pouco ao fazê-lo, mas não era algo que não podia aguentar. “Ah, mais essa agora...” Pensou. Além de ter de pensar em uma resposta para Izaya, também teria de pensar quem seria o maluco que estava querendo acabar com a sua vida.


Uma coisa que Heiwajima sabia muito bem era que muitos em Ikebukuro o odiavam a ponto de quererem matá-lo. Shizuo nunca fora a pessoa mais receptiva e amigável do mundo. E nem mesmo fazia questão de ser. Sempre mantivera seu jeito rude. Tal fato chateava as pessoas a sua volta, embora estas não tivessem coragem o bastante para encará-lo, pois o temiam. Afinal, era o homem mais forte de Ikebukuro – ou pelo menos, um deles. Mas vez ou outra aparecia um sem noção desse tipo, dizendo que não iria sossegar até vê-lo a sete palmos do chão. Tais ameaças nunca foram motivos para preocupar-se, mas desta vez, ele sentiu um frio na espinha e sua intuição lhe disse para tomar cuidado. Shizuo podia ser teimoso, mas suas percepções eram quase sempre exatas. Teria de ser cauteloso ao máximo de agora em diante. Infelizmente, a primeira coisa que esses malditos pensavam em fazer para afetar Heiwajima era caçar as pessoas mais próximas dele. O primeiro alvo deveria ser Kasuka. Sempre era. O loiro se queixava da falta de originalidade dos malandros dos dias atuais. Era sempre isso... Eles nunca aprendiam a lição até Shizuo espancá-los de uma vez. Já estava se tornando repetitivo.


Mas este em especial, mexia com ele. Parecia alguém conhecido. Alguém que marcara a presença, mas não o bastante para ser lembrado. Heiwajima nunca enfrentara de fato um adversário que fosse à sua altura em nível de força e não se recordava da maioria dos rostos ou nomes dos homens que já lutara contra. Até porque tais dados nunca se mostraram realmente necessários. Tinha de reconhecer que ele não era a pessoa mais inteligente do universo, mas era bom de briga. E isso era inegável. Ninguém conseguia vencê-lo. Ele era mais do que violento, como o próprio Izaya dizia: ele era a própria violência. Um homem invencível como ele não poderia ser derrotado tão facilmente, não era? Era o que Shizuo queria acreditar naquele momento. Mas não conseguia. Aquilo simplesmente não convencia. O jeito como o remetente daquela carta havia escrito de maneira tão descrita e precisa o assustava. Como se ele realmente soubesse de algum método para encurralar Heiwajima e matá-lo. E além do mais, o sujeito sabia de algo sobre ele e Izaya – embora fosse um acontecimento recente, e que havia passado pela boca de pouquíssimas pessoas; todas confiáveis. Mesmo que o loiro lutasse para acreditar que aquele era mais um dos milhares de “desafiantes” que ele recebia vez ou outra e que em maioria eram fracotes insignificantes, algo o impedia de fazê-lo. Aquela carta exalava uma aura assassina. E Shizuo queria saber o que estava acontecendo. Mas pelo visto, teria de esperar por mais informações.


Aquilo não era nada bom. Shizuo podia ser forte, mas não conseguia se multiplicar para proteger cada um que o escritor da carta havia mencionado. Não tinha certeza se era um cara perigoso, mas era bom se manter atento – por via das dúvidas. Apesar da vontade de ficar perto daqueles que se preocupava para impedir que algo acontecesse com eles, Heiwajima não era tão inteligente para bolar um plano mirabolante que faria a estratégia do inimigo cair por terra. Mas conhecia um certo informante que saberia muito bem como fazer algo do gênero. Seria difícil contatá-lo, disso o loiro tinha certeza – o mesmo havia dito que ficaria longe da cidade por alguns tempos, e imprevisível como era, sabe-se lá onde teria se metido. Mas pior do que isso era que seria muito mais difícil ter de trabalhar com ele. Izaya não só era seu “inimigo”, mas tinha uma personalidade que contrastava com a de Shizuo. Pois enquanto Orihara divertia-se com risinhos de deboche e vendo seus tão amados humanos em situações potencialmente mortais, Heiwajima jamais cogitaria agir de tal maneira. Era direto, bruto e ingênuo. Não gostava de brincadeirinhas, de entrelinhas, de indiretas – coisas que o informante estava acostumado a fazer quase como se fossem seu próprio hobby (e Shizuo não se espantaria se realmente fosse). Mas a participação de Izaya ali se mostrava necessária, pois a vida do próprio estava em perigo também. E isso era algo que, apesar de não saber o porquê, Shizuo não podia arriscar de forma alguma. Talvez pela necessidade de protegê-lo que havia crescido dentro dele durante esse pouco período de tempo, talvez porque essa necessidade já estivesse lá guardada em um lugar bem obscuro de seu consciente e havia decidido se mostrar apenas agora. Vai saber... Nem mesmo Heiwajima entendia seus próprios pensamentos no momento. Estavam todos embaralhados, com milhões de ideias sendo processadas em sua cabeça. Ideias que não levavam a nenhuma conclusão. E assim, o loiro via-se entrando em um beco sem saída.


Mas sua prioridade no momento era falar com Izaya sobre isso. Não era uma decisão impulsiva. Aliás, era algo até bem sábio. O próprio Heiwajima havia se surpreendido por ter tomado tal atitude. Shizuo não brincava quando coisas que convinham a ele – e apenas a ele – envolviam sua família (constituída principalmente por Kasuka) e/ou seus poucos amigos. Por isso, não importava quais medidas tivesse de tomar dali em diante. Se fosse para que ninguém saísse machucado, ele o faria. Heiwajima nunca se importara em ser ferido... Como o monstro que era, estava mais do que acostumado com a dor. A dor sempre estivera com ele em todos os momentos de sua vida, tanto que havia se tornado algo familiar para ele. Estivera carregando esse fardo desde criança, e sabia que carregaria até o fim de sua vida. Era o preço a ser pago por ser daquele jeito: levar consigo uma dor eterna. Que não era só física, mas também psicológica. Era a dor de ser sozinho. Embora às vezes, algumas pessoas – mesmo que só um pouco – conseguiam amenizar sua dor só de lhe fazerem companhia. Shizuo não estava em condições de abrir mão daquela mísera felicidade que sentia de vez em quando. Podia soar egoísta o quanto fosse, mas aquelas pessoas eram importantes para ele se sentir completo. Eram importantes para que ele se sentisse bem. De forma direta ou indireta, elas sabiam atravessar todas aquelas barreiras que o envolviam, até chegarem ao seu íntimo e verem o que há por trás de toda aquela força. Verem que Shizuo Heiwajima não é só aquele monstro que aparenta ser.


Depois de acalmar-se um pouco pensou em alguma forma de falar com Izaya, para que pudessem se encontrar e conversar sobre a carta. Orihara deveria saber de algo, afinal, não era um informante por nada, não é mesmo? Decidira tomar essa questão como prioridade e ficar devendo a resposta ao moreno. Sabia que se ele lhe ajudasse, estaria provando que estava sendo honesto em relação aos seus sentimentos. E se não o ajudasse, saberia que tudo aquilo não passava de uma mentira estúpida. Era matar dois coelhos com uma cajadada. O único problema é que nenhum dos dois havia dado satisfação um para o outro. Eles não haviam trocado contato, nem dito quando se encontrariam de novo. Sabia que Izaya provavelmente tinha o seu número de telefone, mas Heiwajima não tinha nenhuma informação sobre o informante. Não o conhecia, afinal de contas. Nunca foram amigos, e o loiro sinceramente não via motivos para manter contato com alguém que odiava demasiadamente como o detestável Orihara. Ou pelo menos, não até agora. Mas pensava o quanto seria estranho se alguma vez em sua vida houvesse topado com o moreno e ao invés de tentar matá-lo ou estourar seus miolos, simplesmente parasse e falasse “Ei, que tal você me dar o seu número de telefone?”. Com certeza seria algo inusitado. Mas tal pensamento o fez rir um pouco. Talvez fosse mais para quebrar a tensão do que por achar de fato engraçado. Mas não se importava.


Pensou algum tempo em como resolveria aquilo tudo... E logo Shinra veio à sua mente. Sabia que Izaya confiava no médico o bastante para informá-lo de onde estaria. Afinal, o próprio Orihara considerava Kishitani como um amigo. Decidira então ir ao encontro dele no dia seguinte, para poder explicar o que havia acontecido e talvez clarear mais um pouco a mente. Duas cabeças pensavam melhor que uma; não era? Mas naquele momento, estava exausto demais para continuar focado naquele assunto. Pessoas eram algo difícil de lidar. O dia havia sido cheio de contratempos e muito cansativo. Então, ele apenas tomou um banho quente e relaxante, pôs seu pijama e deitou na cama para tentar ter uma boa noite de sono. Coisa que não conseguiu. Foi uma noite terrível, pois toda a vez que conseguia adormecer acabava tendo vários sonhos esquisitos com pessoas que se importava, e na maioria dos sonhos, coisas ruins aconteciam com elas. Coisas tão ruins que o faziam acordar com um aperto no peito e dificuldades para respirar. Suou frio durante a noite toda, parecia estar passando pelo inferno. O que seriam aquelas sensações? Shizuo não sabia responder. Mas algo o deixava atônito. E aquilo o fazia perder o sono. Agradeceu ao ver o sol raiar, pois não conseguia mais aguentar toda aquela preocupação e aquele medo dentro dele. Pela primeira vez, sentia-se realmente assustado com a situação que se encontrava. Sentia medo. E toda a vez que se lembrava da maldita carta, não podia pensar em outra coisa se não que tinha certeza de quem era aquela pessoa. Embora não se recordasse. Tinha certeza que não era alguém que estava lá para brincadeirinhas. Era alguém perigoso.


Enrolou por mais algumas horas, tentando afastar todos aqueles maus pressentimentos que o invadiam, mas era impossível tirá-los dali. Finalmente tomou coragem para sair da cama e sentia seu corpo todo dolorido. Ao olhar-se no espelho do banheiro quando foi vestir suas roupas percebeu que suas olheiras eram profundas e feias. Deixando-o com aparência ainda mais abatida – não estava acostumado com noites mal dormidas, então o efeito triplicava a intensidade. Colocou seu uniforme de trabalho, como de costume, e foi preparar o seu café da manhã. Ligou o rádio para tentar se acalmar, e este ainda se encontrava na estação de músicas estrangeiras, assim como Izaya havia deixado. Lembrou-se do moreno cantando, enquanto estava no recinto. Não pôde deixar de esboçar um sorriso tímido lembrando-se do quão adorável ele estava naquele dia. Tão animado por estar ouvindo aquela canção. Infelizmente, a música que tocava naquele momento era um tanto melancólica, e embora não pudesse entender o que a mesma dizia, entendia muito bem que soava triste.


“Loneliness, is such a sad affair

and I can hardly wait

to be with you again.

What to say

to make you come again

come back to me again

and play your sad guitar?”*


A voz do cantor o entristecia um pouco. Olhou para o relógio e viu que já eram nove horas da manhã. Não parecia. O dia estava feio e nublado. As nuvens carregadas escondiam o brilho do sol e deixavam as ruas da cidade ainda mais cinzentas. Havia poucas pessoas transitando a pé, a maioria resolvera sair com seus próprios carros em vista de como o clima estava naquele momento. Nas ruas, só se via uma névoa pouco densa se formar. Heiwajima não queria sair de casa em um dia como aquele, mas teria de fazê-lo cedo ou tarde. E quanto mais cedo melhor. Recebera uma mensagem de Tom avisando-o de que não trabalharia hoje devido a tempestade que estava por vir. Ótimo. Assim teria mais tempo livre para resolver os problemas da tempestade que ele estava para enfrentar. Era bom se apressar se quisesse ir até a casa de Shinra e Celty. Já havia esquentado seu leite, então apenas pegou um pedaço do bolo de morango que estava guardado em sua geladeira há algum tempo e comeu em mordidas grandes e apressadas, dando goles em sua bebida vez ou outra, para que não engasgasse.


Depois da refeição, colocou seus sapatos sociais e seus óculos escuros, guardou a carta em um dos bolsos e saiu. Não demorou muito para chegar à casa de Kishitani, ou talvez fosse só porque estivera imerso em seus pensamentos durante todo o trajeto e não teve tempo para pensar se estava de fato demorando ou não. A verdade é que ele havia levado algum tempo para chegar até lá, mas estava muito distraído para perceber. Algumas gotas de chuva já começavam a cair do céu quando ele finalmente chegou ao seu destino. Entrou sem cerimônias, e pôde ver que Shinra e Celty ainda estavam tomando café. Sentia muito por estar atrapalhando os pombinhos apaixonados, mas aquele assunto era algo muito urgente e que não poderia esperar. Sentou-se em uma cadeira e colocou a carta sobre a mesa para que todos pudessem vê-la. Shinra observou o conteúdo e não parecia exatamente surpreso, assim como Celty. Como já havia mencionado antes, gente querendo matar Shizuo Heiwajima era algo praticamente rotineiro.


O médico pigarreou e ajeitou os óculos antes de começar a falar:


– Shizuo... Não acha que está se precipitando um pouco?

– “É.” – Digitou Celty. – “É muito alarde para algo comum.”

– Eu também acho. – O loiro sacou um maço de cigarros do bolso, tirando um deles lá de dentro e acendendo-o com o isqueiro que estava segurando em sua outra mão. – Mas dessa vez eu senti que pode ser perigoso. Não sei como explicar, mas aconteceu.

– Perigoso como? – Questionou Shinra, enquanto Shizuo soltou a fumaça do cigarro no ar após uma longa tragada.

– O maluco sabe do Izaya. – Celty parecia estar atenta as palavras de Shizuo. A Dullahan sentira-se um pouco satisfeita por ver que o amigo estava se preocupando com o tão odiado inimigo. – E só vocês sabem do que aconteceu entre mim e ele, certo?


Shinra suspirou, dando-se por vencido. Talvez Heiwajima realmente tivesse razão.


– Ok, Shizuo, eu entendo aonde você quer chegar. – Começou cauteloso, a última coisa que Kishitani queria era ver o loiro irritado. – Mas o que você acha que a gente pode fazer? Quer dizer, é ótimo que você esteja preocupado com a gente e tudo mais, mas não podemos fazer nada além de esperar por mais informações que nos guiem até quem está por trás de tudo isso.

– Eu sei muito bem que vocês não podem fazer nada. – Respondeu honesto. – Por isso que eu quero que você ligue para o Izaya.


O médico engasgara com a própria saliva, e mesmo Sturluson parecia um pouco surpresa com um pedido daqueles vindo de Shizuo. Para imaginar que um dia ele estaria pedindo pela ajuda de Orihara, era realmente algo que nenhum dos dois esperava ver algum dia.


– Olha, – Ele disse. – é só que eu não quero que nada aconteça ao Kasuka, a vocês, ao Tom e até mesmo a pulga maldita.

– “Isso é realmente impressionante, Shizuo.” – Disse Celty, em seguida digitando um emoticon que expressava felicidade. – “Vê-lo preocupado com o Izaya.”


No fundo, ela tinha certeza de que Heiwajima estava convicto da verdade nos sentimentos de Orihara e começava a corresponder ao informante da mesma forma, por isso estava confiando nele para ajudá-lo dessa vez. Por isso queria protegê-lo. Estava mais do que óbvio. Só Shizuo não percebia o que ele mesmo estava sentindo. A Dullahan viu tudo aquilo como algo que uniria ainda mais os seus laços. E embora um clima de certa forma pesado pairasse no ar, Celty sentia que aquilo era algo decisivo no relacionamento de Shizuo e Izaya. Muita coisa dependeria de como aquele caso iria se desenrolar.


– Acho que Izaya está em Shinjuku. – Shinra levantou-se da cadeira e foi pegar seu telefone. – Vou ligar para ele, e aí vocês conversam.


O loiro nada respondeu, apenas terminou de fumar o seu cigarro calmamente. Sentia-se um pouco nervoso, pois aquela seria a primeira vez que tentaria ter uma conversa normal com Orihara, e isso era algo que poderia ser bastante imprevisível. Shizuo não sabia como agir, e também não sabia o que deveria falar. Ele estava prestes a falar com alguém que havia se declarado para ele há pouco. Não sabia se estava psicologicamente preparado, mas teria de fazer um esforço. A vida daqueles com que ele se importava eram mais importantes do que as particularidades que envolviam seu relacionamento conturbado com o informante. Começou a pensar nos possíveis diálogos que poderiam acontecer. Ele tentaria ser o mais simpático o quanto podia, pois não queria machucar ainda mais os sentimentos de Izaya. Não tinha ideia do quanto o informante já havia sofrido em todos aqueles anos que se conheciam, mas queria fazer de tudo para amenizar a tristeza do mesmo.


Shizuo nunca se apaixonara, e não sabia como era ter alguém que você quer cuidar pela vida toda, alguém que te agrada mesmo tendo defeitos e alguém que você pode se tornar dependente porque a pessoa sempre vai estar lá por você. Também não sabia como era ficar triste por causa de alguém. Nem mesmo fazia ideia se essas coisas poderiam de fato acontecer. O máximo de conhecimento que tinha sobre esse campo estava recluso aos trechos de alguns filmes que assistira enquanto zapeava os canais pela televisão ou pelas sinopses de livros que lia quando visitava alguma biblioteca por não ter nada para fazer. Mas sabia que o amor era um sentimento tão intenso quanto o ódio. E o ódio era algo que Heiwajima podia dizer que conhecia muito bem. A diferença era que o amor sempre proporcionava coisas boas quando correspondido, mas o ódio correspondido nunca lhe trouxera nada de bom, pelo contrário. O ódio por Izaya lhe tomou por tanto tempo que ele nem mesmo parou para pensar que talvez o informante gostasse dele em segredo, e continuou a feri-lo e a desejar sua morte sempre que se encontravam. Ficou cego pelo ódio antes que percebesse. “Ah, pulga maldita...” Suspirou em sintonia com seus pensamentos. ”Se pelo menos as coisas pudessem ter sido um pouco diferentes entre nós. Eu poderia ter feito diferente com você.”


Outro suspiro demorado e profundo. Um misto de cansaço e arrependimento. Mas não deveria ficar daquele jeito. Não era hora nem lugar para ficar se lamentando pelo que havia acontecido. O que já fora feito não poderia ser reparado. Teria de seguir em frente e apostar suas expectativas no que ainda estava para acontecer. Pelo menos agora que sabia o que Orihara sentia de fato poderia tentar fazer diferente. Poderia tentar ser um pouco mais sentimental e cuidadoso. Ele iria compensar Izaya por tudo o que já havia lhe feito de mal, custasse o que custasse, Heiwajima prometeria a si mesmo que o faria. Não sabia como, já que nunca fora do tipo conquistador. Pelo contrário, era extremamente desajeitado e não sabia nada sobre esse tipo de coisa. Mas tentaria o seu melhor. Sabia que poderia se esforçar um pouco mais, se fosse pelo maldito informante. Maldito informante que mexia tanto com ele... E apenas com algumas palavras. Algumas palavras que poderiam fazer Shizuo ir ao céu e ao inferno ao mesmo tempo. Seria mesmo possível que alguém fosse daquela forma? Provavelmente não. Mas Izaya sempre fizera coisas inimagináveis. Isso era algo de se esperar de alguém como ele.


Shinra logo voltou com o telefone em suas mãos e discou o número de Izaya, entregando o aparelho para Heiwajima, que ajeitou seus óculos escuros e engoliu seco ao ouvir o barulho do outro lado da chamada. Sentia-se ansioso, um frio na barriga lhe invadira no momento em que pegara o celular de Kishitani. O telefone chamou algumas vezes, mais do que Shizuo poderia contar – até porque estava muito nervoso para fazê-lo. Mas cada vez que a linha apitava, seu coração palpitava por imaginar que o momento em que ouviria a voz de Izaya estava cada vez mais próximo. A adrenalina corria por suas veias de forma tão rápida que ele sentia seu corpo inteiro ficar quente e começava a suar. Sua respiração estava um pouco pesada, aquele momento era algo esperado e inesperado ao mesmo tempo. Seu estômago dava voltas, inquieto.


Então, ele ouviu o “clique” de quando alguém atendia a ligação. E logo, uma voz familiar invadiu a linha. Seu coração bateu a mil naquele momento.


Shinra? – Seu tom estava um pouco rouco, como se tivesse acabado de acordar. A voz de Orihara era um pouco diferente pelo telefone, mas o loiro sempre a reconheceria.

– Izaya-kun, é o Shizuo. – A voz de Heiwajima saiu um pouco falha. Ouviu-se um “oh!” surpreso sair abafado.

Shizu-chan? O que houve?


_

* http://www.youtube.com/watch?v=Y21VecIIdBI

A tradução do trecho é:

"Solidão é um assunto triste,

e eu mal posso esperar

para estar com você novamente.

O que dizer

para trazer você de volta

voltar para mim novamente

e tocar sua triste guitarra?"

(Superstar — Sonic Youth)

Para mim, essa mostra o quanto o Shizuo estava se sentindo sozinho porque estava com medo de ficar sozinho de novo. D: Enfim, achei que o trecho se aplica a história de alguma forma, então coloquei. É tão boa quanto a música que eu me inspirei para escrever o capítulo, então escutem ok? (ou não)

Notas finais
Agora que vocês estão ~a par dos acontecimentos~ -Q, posso falar o que eu tava querendo falar desde o começo:
Vocês provavelmente estão curiosas pra saber quem é que está por trás de tudo. Eu não vou falar quem é, muaahahaa, massss, eu vou dar uma uma dica: não é ninguém que vocês conheçam! Mais pra frente, vou introduzir um personagem novo ^^ Então não se preocupem em pensar que é alguém da light novel ou do anime. Porque não é! UEHUEH
E bom, também queria dizer para vocês ficarem atentas aos detalhes! Às vezes eu posso deixar umas dicas sobre o personagem misterioso :3
Enfim, é isso! Tô falando demais hoje, e também escrevi bastante pra compensar minha ausência. Espero que estejam gostando, tem muita coisa por vir >
Mereço review?
Beijinhos :*