Walking After You

22 Capítulo 21: Hope


Notas iniciais
Bem, eu havia postado um aviso, mas aí ele foi apagado porque é contra as regras postar avisos (?). Enfim, não vou me prolongar muito aqui, vou fazer um breve resumo do que eu tinha postado (BRIMKS, claro que eu vou me prolongar porque todo mundo sabe que eu falo pelos cotovelos): Eu tinha perguntado se alguém queria que eu voltasse a escrever a história, nem sei se as pessoas leem ainda ou se estão dispostas a ler... E que é ok se vocês quiserem me bater por ter ficado taaanto tempo fora. O negócio é que: essa fanfic é muito importante pra mim e eu decidi terminá-la. Ela com certeza foi uma das coisas mais importantes que eu já escrevi na minha vida, comecei a escrevê-la quando eu ainda era novinha e realmente me esforcei para que ficasse bom. WAY me fez conhecer pessoas incríveis que eu posso até ter perdido no meio do caminho, mas que eu não vou me esquecer nunca. Essa reta final vão ser mais dois capítulos além desse e um epílogo. Talvez eu me empolgue pra escrever mais, ou talvez não. WHO KNOWS q Anyway, boa leitura!

– Shizuo? Shizuo?! Você está aí? – Shinra exclamava.

Celty havia escancarado a porta com um chute, sem muita paciência para esperar. Kishitani já vinha gritando há pelo menos vinte minutos e nem sinal do loiro aparecer para atendê-los. A preocupação terminou por falar mais alto, levando-a a fazer o que fez. Adentraram o apartamento rapidamente, vagando por todos os cômodos. Orihara os havia pedido, sabe-se lá por que, que fossem supervisionar o que Shizuo estava fazendo naquele dia. Era um pedido inusitado, mas Shinra não achou que houvesse nada de mais. A Dullahan, no entanto, podia presumir o que levara o informante a requisitar aquilo e quis atendê-lo prontamente. Heiwajima estava jogado no chão, desmaiado, o que fez com que o moreno de óculos corresse para socorrê-lo.

– Céus... – Shinra suspirou, agachando-se para sentir o pulso de Shizuo. Celty fora para a cozinha pegar um copo de água para quando o rapaz acordasse. – O que aconteceu aqui? – Sacudiu-o com cuidado, abanando-o para que voltasse a reagir. Um desmaio podia ser algo bastante preocupante.

Heiwajima abriu os olhos vagarosamente, sentindo a cabeça e o corpo inteiro ficarem doloridos devido ao baque da queda. Por quando tempo havia ficado caído ali? Izaya foi a primeira coisa que veio à sua mente, lhe fazendo recuperar completamente a lucidez. Será que estava bem? Ou era tarde demais? Levantou-se bruscamente, sentindo o enjoo revirar seu estômago e regurgitando ali mesmo, só dando tempo para virar a cabeça para o lado e não acertar o amigo de óculos – ou a si mesmo. Sturluson chegou com a água bem a tempo. Entregou o copo nas mãos de Kishitani, que prontamente ofereceu a Shizuo. O loiro limpava os cantos da boca e fazia uma careta que expressava sua irritação e seu desconforto com o cheiro pútrido de seu próprio vômito. Péssima hora para aquilo acontecer, certamente. Uniu as sobrancelhas ao se dar conta da presença de Shinra e Celty por ali. Não havia chamado ninguém e ter de receber visitas era a coisa mais desnecessária que poderia acontecer no momento. Ainda sim, secretamente estava grato por eles terem aparecido a tempo para salvá-lo. Uma pena que o mau-humor o impedia de expressar isso em palavras.

– O que estão fazendo aqui? – Indagou rudemente, bebendo a água toda num gole só. O gosto era horrível, azedo e estranho, mas Shinra lhe garantiu que lhe faria sentir melhor. Preferia não questionar o que o médico havia colocado ali.

– Ora, ora. Não seja tão ingrato. – O moreno sorriu, coçando a cabeça. – Izaya mandou que viéssemos ver como você estava. – Explicou. – Não muito bem, aparentemente.

– Izaya? – Arregalou os olhos. – Quando?

– Ontem. Na verdade, pode-se dizer que ele deixou um recadinho bem “amigável” na nossa cabeceira. Eu achei bastante desnecessário, mas Celty insistiu que viéssemos.

– E-Ele está bem? – Gaguejou, finalmente recuperando as forças para se levantar, com ajuda da Dullahan e de Kishitani. Encarou-se no espelho. Estava com o rosto pálido. Abatido. Perguntava-se se havia ficado daquela maneira do dia para a noite. “Merda. Essa pulga um dia ainda vai acabar comigo... Mesmo que seja sem querer.”

– “Não sabemos.” – Sturluson retrucou. – “Tentei falar com ele hoje, mas... Sinto muito...”

– Cora. – Heiwajima murmurou para si. Era frustrante não ter conseguido mudar os pensamentos da moça. Tinha medo de que ela já tivesse se descontrolado o bastante para ter dado um fim à sua pulga. Desviou o olhar para a janela. A lua minguante brilhava lá fora, no céu vagamente estrelado de Ikebukuro. Muitas horas já haviam se passado. Ficara mais tempo desacordado do que gostaria.

– “Não fique assim, Shizuo.”

– Sim. Por que acha que viemos aqui? – O médico sorriu sugestivamente. Odiava ver aquele olhar desolado e sem esperanças de Shizuo. Simplesmente não parecia com ele. Nada era impossível demais para o homem mais forte de Ikebukuro. – Não achamos que ela iria tão longe. Mas, agora que aconteceu, não podemos simplesmente ficar parados esperando a morte bater na porta do Izaya.

– Uh... – Shizuo suspirou. – Eu gostaria de pensar assim. Mas já é tarde, não temos como saber onde ela está. Deve estar inalcançável, a essa altura...

– Eu não acredito que no que estou ouvindo. – Shinra contestou, arqueando as sobrancelhas com incredulidade. – Por favor, Shizuo. Você tem a moto mais veloz à sua disposição, e ela está disposta a te levar em qualquer lugar que você queira. – Explicou. – E eu não sou lento como você. CN só pode ter ido até o oeste da cidade durante todo esse tempo. Pelo menos, é o resultado mais otimista de meus cálculos.

– Izaya te pediu para fazer isso também?

– Na verdade, não.

– “Ele não queria ser salvo, Shizuo.” – Celty insistiu, e, honestamente, o loiro sabia que era verdade. Izaya sempre tivera essa teimosia que o fazia acreditar que podia agir sozinho, que não dependia dos outros e que morreria na hora que tivesse de morrer. Essa inconsequência irritava o loiro, mas era a última coisa em que ele pensava no momento. Só queria vê-lo bem. – “Mas ele vai. Nós vamos salvá-lo.”

– Ande logo. – Apressou o moreno. – Você vai precisar de um banho pra tirar esse cheiro horrível de vômito do seu corpo.

Heiwajima o fez, por mais que realmente não tivesse muitas esperanças. Ajeitou-se para ir atrás de Izaya rapidamente, colocando a mesma roupa do dia anterior, que estava esparramada pelo chão da casa. Esforçava-se para não se deixar abater, mas não era fácil negar a realidade dos fatos. Shinra mesmo havia dito que havia feito o mais otimista dos cálculos, e, como todos sabem nem sempre a vida é tão otimista quanto queremos que seja. Nem sempre os finais felizes estão a nos esperar. Tragédias acontecem e, em alguns casos, podem ser inevitáveis. Não conseguia pensar em outra coisa ao agarrar firmemente a cintura da Dullahan e subir em sua moto. Percorriam a cidade apressadamente, como um raio negro passando por entre aqueles postes iluminados. Como se fossem a escuridão, tomando as ruas preenchidas por claridade. A noite era fria, movimentada e animada, como costumava ocorrer em Ikebukuro. A cidade nunca parava. Independente do que estivesse acontecendo, ou de com quem estivesse acontecendo. Ela sempre estaria ali, repleta de mistérios e de várias outras histórias para contar. Ou para omitir.

Shizuo sabia que várias outras pessoas deveriam estar com problemas também. Talvez algumas até tivessem problemas maiores que os dele, naquele momento. Mas, apenas por um instante, divagou que, se de fato existisse algum Deus, ou qualquer entidade ou força que atendesse às preces das pessoas, esse era o momento certo para que essa coisa o ajudasse. Era o momento certo para que, só uma vez, prestasse atenção no que estava ocorrendo com ele ao invés do que ocorria com as outras pessoas. Que olhasse por Izaya e o fizesse aguentar firme. Nunca tivera fé. Nunca pensara em rezar. Nunca acreditara que milagres aconteciam por intervenção divina. Achava patético que pessoas depositassem suas preces em algo tão incerto. Mas não estava em posição para dizer o que era verdade ou não. Pelo menos, não naquele momento. E não lhe custaria nada pedir, por mais egoísta que fosse.

Nunca se vira tão desesperado quanto naquele momento. Estava num estado de transe tão grande que qualquer um que o visse não o reconheceria. Shizuo costumava ser calado, mas sempre mantinha a expressão rígida e ameaçadora. Entretanto, naquela noite, aparentava estar completamente desolado. Tinha olheiras fundas embaixo dos olhos, e nem se importara em colocar seus óculos escuros – coisa que costumava fazer mesmo à noite. Seu olhar era vazio, parecia não estar prestando atenção em nada. E, de fato, não estava. Apenas olhava para os lados procurando algum sinal do informante, qualquer um que fosse. O mundo poderia explodir que ele continuaria desesperadamente procurando por Orihara. Porque precisava vê-lo. Vivo ou morto. De preferência vivo, mas, de qualquer forma, apenas queria saber o que estava acontecendo. Sua raiva por Cora, que até então havia abrandado após conhecer a história da moça, voltara tão rápido que sequer parecia que algum dia tinha ido embora.

Sturluson parava em alguns lugares para que descessem da moto e procurassem melhor, mas ela terminava por fazer todo o trabalho. Shizuo estava em transe total. Às vezes, mantinha-se parado num estado meio catatônico, o que deixava a Dullahan bastante preocupada. Nunca havia o visto desse jeito.

– “Shizuo. O que está acontecendo?” – Perguntou, pela milésima vez. O loiro havia demorado pelo menos dez minutos para ler o que ela escrevera, porque as letras simplesmente se embaralhavam na tela do telefone da motoqueira e não pareciam fazer o mínimo sentido. Apertou os olhos mais uma vez, dando um suspiro longo em seguida.

Seus olhos se encheram de água mais uma vez, inexplicavelmente. Ele desviou o olhar para o chão, sentindo-se extremamente fraco e incapaz. Seu corpo todo doía e parecia querer vacilar mais uma vez. Não sabia se estava esperando por algum consolo ou por palavras doces da Dullahan, mas certamente foi surpreendido quando recebeu soco de Celty ao invés de qualquer gesto amigável. Um soco estrondoso, que ecoou por todo o beco em que se encontravam, bem no meio de seu rosto. Um soco que o fez arregalar os olhos com incredulidade por ter sido tão certeiro. Um soco que lhe fez engolir o choro de súbito, substituindo-o por uma expressão perplexa. E, por fim, um soco que talvez tivesse quebrado seu nariz, mas o que importava era que o loiro finalmente parecia estar voltando a realidade.

– “PÁRA COM ISSO!” – Ela avançava para cima dele, colocando o celular praticamente em sua cara. O loiro ia andando para trás, esperando que Sturluson não lhe desferisse outro golpe. – “Izaya está em perigo agora. Eu sei que talvez seja tarde. Mas... Pare de ficar com essa cara desolada... Pare de agir como se tudo já estivesse perdido. Você não sabe se realmente está. Ele pode estar vivo e sofrendo. E você aí... Se martirizando ao invés de tentar fazer algo.” – Ela digitava rapidamente, fazendo transparecer sua fúria através das palavras duras. – “Pare de agir como um covarde. Porque isso eu sei que você não é, Shizuo.”

Heiwajima cobria o nariz, sentindo o gosto do sangue descendo para a sua boca. Deu um sorrisinho um tanto masoquista, mostrando os dentes que adquiriam um tom escarlate cada vez mais rápido. Tinha sorte de Izaya sempre ter sido bem mais fraco do que Celty, porque se recebesse socos como aquele mais frequentemente, não tinha certeza se iria aguentar. A motoqueira era realmente muito forte, e estava empenhada em trazer o loiro de volta a si. Não podia negar que estava precisando daquele golpe, e que realmente estava agindo como um covarde. Nunca quis que as pessoas tivessem pena dele. Independente se era um monstro, nunca quis que se comovessem com sua solidão ou com qualquer coisa a seu respeito. Agora definitivamente não era a hora para afrouxar sua postura e ficar esperando que as notícias sobre Izaya chegassem até si próprio. Queria ser quem descobriria o que havia acontecido. E que interviria se fosse necessário. Izaya sempre havia lhe protegido, mesmo que fosse mais fraco, mesmo que não lhe dissesse nada. Era a sua hora de parar de enrolar e tentar retribuir da melhor forma possível.

– Obrigado, Celty. – Deu um riso breve, e a Dullahan encheu-se de satisfação. – Mas preciso de um cigarro antes de continuarmos nossa caminhada.

– “Ah!” – Sturluson tirou um maço dos bolsos e entregou-o para o loiro. – “Izaya também mandou isso daqui junto com o recadinho de ontem.”

Shizuo sorriu. “Tch. Essa pulga. Me salvando mais uma vez.” Tirou o isqueiro que sempre carregava no bolso de trás da calça e puxou um cigarro da carteira. Estranhou o isqueiro de metal mais bem elaborado que estava em suas mãos, ao invés do preto usual que sempre carregava consigo. “Isso definitivamente não é meu.” Uniu as sobrancelhas, e a motoqueira percebeu o estranhamento de Heiwajima. O objeto tinha um desenho religioso, era uma imagem de Nossa Senhora, o que era bem esquisito e de mau gosto. Era mal esculpido, pesado e de aparência velha, mas o fogo ainda funcionava e era bastante intenso. Uma chama quase hipnotizante. Entretanto, ainda sim, era bastante estranho colocar uma imagem santa num isqueiro. Heiwajima ficou particularmente desgostoso ao ver a cobra asquerosa que se encontrava aos pés da santa, sendo pisoteada pela mesma.

– É coisa do Izaya também? – Perguntou, mostrando para a Dullahan o objeto. Ela o examinou vagarosamente.

– “Não...” – Retrucou. – “É a Virgem Maria. Já vi essa imagem! Era a padroeira da Igreja abandonada da cidade... Aquela que pegou fogo.”

Foi então que tudo finalmente fez sentido.

Shizuo deixou o cigarro que havia levado à boca cair, estupefato. Pegou o isqueiro das mãos da Dullahan e analisou-o bem perto. Estava quase apagado, mas podiam-se ler as iniciais CN nele. Era de Cora. Como havia ido parar ali? Ela havia falado que sempre sonhara em se casar na Igreja com Vicenzo. Será que...?

– Ela está lá. Com Izaya. Eu tenho certeza. – Disse, fazendo a motoqueira ficar totalmente confusa. Não fazia sentido algum. Por que deduzira isso assim do nada?

– “Shizuo, você tem certeza? A Igreja era tão perto do seu apartamento. Acho que ela não faria isso...”

– É claro que faria. – “Como eu pude ser tão burro?” Era óbvio que ela iria para lá. Não havia lugar melhor para se vingar. – Celty... Precisamos ir para lá. Quanto tempo acha que levamos?

– “Vinte minutos, talvez?”

– Então vamos. – Disse, convicto.

– “Você sabe que se não for isso... Vai atrapalhar tudo, não é? Talvez assim realmente fique tarde.”

Celty tinha de ser honesta com o loiro. Havia uma chance e ela era pequena como todas as outras. Era arriscado e improvável. Duvidava seriamente que a moça tivesse escolhido um lugar tão perto. Mas Heiwajima estava convencido de que era isso mesmo. Era uma certeza que ecoava com tanta força em sua mente que não pensava na possibilidade de ser diferente. Não conhecia Cora muito bem, mesmo depois de ouvir sua história, a única coisa que podia afirmar sabiamente sobre a mulher era que ela era imprevisível. Mas também era muito fiel à Vicenzo, e estava querendo vingá-lo. Que lugar melhor para seu grand finale?

Subiram novamente na moto da Dullahan, e partiram mais rápido do que nunca.

–x-

Se havia uma coisa que Izaya pensara da primeira vez que viu Shizuo, quando ainda estavam em Raira, era que ele era bonito como o diabo. Todos os outros reparavam na força destrutiva e no olhar ameaçador do loiro, mas o informante apenas conseguia reparar na beleza estonteante do rapaz. Ele tinha traços dinâmicos e um cabelo porcamente descolorido com água oxigenada. Na maioria das vezes em que estava sozinho, estava fumando um cigarro encostado na parede, por mais que a monitoria nunca permitisse isso, mas ninguém ousava desafiar Shizuo Heiwajima além do próprio Orihara.

Nunca se imaginou apaixonado por ele. Tinha uma obsessão por testá-lo que não era novidade para ninguém, mas apenas por ele ser absurdamente forte. Ou, ao menos, achava que era por isso. Sempre reparava nele e o espreitava quando ele estava matando aula para cochilar no telhado. Shinra costumava lhe dizer que ódio era um amor muito forte, mas Izaya só conseguia achar graça de tal afirmação. Pff. Amar Shizuo? Sinceramente, nem que fosse o último homem no mundo.

Mas, ah, ele era bonito. Bonito e tentador como qualquer coisa que o diabo tinha a oferecer.

Nunca acreditara em karma, mas definitivamente o ditado popular “aqui se faz, aqui se paga” lhe servia bem. Seu sentimento por Shizuo lhe surgira como um fardo, a princípio. E surgira sorrateiro, ladino e ardiloso. O sentimento parecia um pecado cujo informante não conseguia se comedir para não cometê-lo. Talvez por ter feito tão mal às pessoas, fora retribuído com um sentimento tão assustador quanto o amor. O amor, que a maioria das pessoas considerava algo lindo, era para Izaya o mais destrutivo de todos. Já vira pessoas se deteriorarem por vários motivos, mas nenhum costumava ser tão devastador quanto amar alguém.

As pessoas que amam verdadeiramente são capazes de se tornar pessoas completamente diferentes quando são forçadas a colocar seus sentimentos à prova. O próprio Orihara agia de maneira irreconhecível quando se tratava de Shizuo. Nunca sentira anseio em proteger alguém, mas, estranhamente, sentia isso quando se tratava do loiro. O amor era constantemente representado pelo escarlate, que, por coincidência ou não, também era a cor do sangue. Muitas pessoas se entregavam de forma tão doentia pelo amor, que às vezes estavam dispostas até mesmo a sangrar pelas pessoas que amavam. Era tenebroso. O informante não tinha medo de muitas coisas, mas sempre tinha cuidado para não se meter com pessoas apaixonadas.

Infelizmente, não conhecia a história de Cora tão bem para ter tido aquela cautela toda ao entregar Vicenzo para seus antigos cúmplices da máfia. De todas as coisas que lhe doíam mais naquela situação, definitivamente a pior delas era ter de pensar que a última vez que olhara para o rosto de Shizuo fora naquela manhã. Parecia sereno dormindo. Aquela imagem lhe acalmava um pouco, mas não silenciava seus gritos ao sentir Cora lhe agredir com os golpes mais diversos. Ela havia quebrado sua costela e o arranhado até deixar boa parte de sua carne exposta. O cheiro de sangue inebriava o informante, que já sequer conseguia se manter acordado. Olhava nos olhos da mulher, que àquela altura, havia perdido toda a razão.

Seus olhos eram ferinos, amargurados e assustadores. Eram os olhos de alguém que ama, afinal de contas. Os olhos de uma mulher que havia perdido a única pessoa que lhe faria companhia. Perguntava-se se Shizuo teria aqueles olhos quando o encontrasse ali, quando aquilo tudo tivesse acabado. Talvez Cora fosse se sentir vazia depois de matar o informante, mas talvez ela realmente visse um sentido no que estava fazendo. Não importava. Izaya já estava praticamente sem consciência, e já havia encarado que aquele era seu fim, mas não conseguia parar de pensar no rosto de Heiwajima. Havia sido assim desde o primeiro momento em que o conhecera, e seria assim até seu último minuto... Pensaria naquele rosto tão bonito que chegava a doer.

Talvez o amor realmente tivesse lhe feito bem, apesar de também ter lhe feito sofrer boa parte de seus anos. Os momentos que passara com o loiro, sobretudo naqueles últimos tempos, foram completos. Foram assustadores. Foram maravilhosos. Em seus últimos momentos de lucidez, Izaya só conseguia pensar como as coisas realmente pareciam finalmente ter um significado. Só queria Shizuo ao seu lado mais uma vez para que pudesse ficar em paz. Era como uma música que havia ouvido há não muito tempo.

To die by your side is such a heavenly way to die.

“Me deixe ver seu rosto pela última vez, Shizu-chan.”

– IZAYA!

Notas finais
Eu revisei alguuumas vezes, mas vai que tem uns errinhos né, me avisem. LKSÇLFD~S. Desculpem por ter ficado um ano e alguns meses fora. Espero que me perdoem pelos reviews não respondidos, mas quero que saibam que eu li todos e ;u; Os posts a partir de agora vão ser semanais~ Beijos e até a próxima!