Walking After You

11 Capítulo 10: Stuck


Notas iniciais
Oi genteee ♥ Como vocês estão?
Décimo capítulo, quem diria... Eu acho que não esperava chegar até aqui, ainda mais sabendo que tem muito mais por vir. x) Bom, eu ia deixar passar "em branco", mas não dá, hehe. Isso porque eu devo tudo o que escrevi até agora à vocês. Sim, vocês, minhas leitoras lindas e amadas! :3 UHEUHEU
No começo, eu jurava que essa história não ia dar resultado. Eu escrevi por besteira, e eu até pensava em abandonar algumas vezes, porque os capítulos eram muito grandes e eu tinha preguiça de escrever, ficava revisando mil vezes, enrolava até onde dava, enfim... x.x Eu não era lá muito atenciosa, eu sei. E peço desculpas por isso de novo. Se eu continuei a escrever foi porque todas as vezes que eu lia cada review eu ficava com vontade de escrever a melhor fic do mundo só pra vocês ♥ *chora* Obrigada por estarem comigo até aqui.
Agora vou parar de enrolar porque tô ansiosa pra postar o capítulo :B
Boa leitura!

– Então, basicamente, você se encontrou com a CN? – Izaya perguntou.


Havia pegado uma lista telefônica e a folheava na sessão da letra “C”. Não sabia exatamente se acharia algo, mas não custava nada fazer uma pequena pesquisa. Shizuo assentiu com a cabeça, sem nada mais dizer. Orihara parecia muito concentrado no que fazia para que ele interrompesse. O informante abriu um sorriso, não muito tempo depois, e exclamou:


– Há! Eu sabia!


Shizuo tirou os óculos do rosto e tentou ver do que o moreno falava; este apontou para um nome no meio da lista telefônica, orgulhoso de si mesmo.


– Cora Noah! – Ele disse, satisfeito. – Com isso, poderemos descobrir mais sobre ela.

– Se pudermos saber mais sobre o passado dela, vai ser mais fácil descobrir o que eu fiz. – Heiwajima havia contado tudo o que acontecera para o moreno sentado ao seu lado assim que chegara em casa. Orihara não pareceu muito surpreso com a aparição da mulher, porém. Era quase como se estivesse esperando por isso.

– Esse nome não me é estranho... – Izaya agora mexia no celular, com uma expressão pensativa. Digitava com rapidez, como se estivesse buscando algo importantíssimo no aparelho. – Mas aqui não aparecem detalhes sobre ela.

– O que você está vendo aí? – O loiro inclinou o corpo para observar.

– Procurei o nome dela num site de busca. – Explicou. – Mas a única coisa que aparece aqui é o perfil dela nos Dollars. “Noah” era seu apelido, e ela participava efetivamente. Até parar de acessar o perfil no meio do ano passado.


Heiwajima não se recordava desse apelido em lugar nenhum, embora tivesse sido um membro dos Dollars por algum tempo, saíra por razões que não gostava nem mesmo de lembrar*.


– A data te traz alguma memória, Shizu-chan? – Izaya questionou-o. Shizuo esforçou-se para tentar se lembrar do que estava fazendo no meio do ano passado, mas nada lhe vinha à mente. Ele havia trabalhado, e apenas isso. – Não estou dizendo que ela ter dado uma freada no que estava fazendo tenha algo a ver com você. Mas devemos analisar todas as possibilidades...

– Eu não me lembro de ter conhecido ninguém como ela. – Respondeu. – Ela é... Muito diferente das pessoas com quem estou acostumado a lidar no dia-a-dia.

– Diferente, como? – Perguntou repleto de curiosidade.

– Ela é hipnotizante. – Orihara torceu o nariz, levemente enciumado, por causa da afirmação do loiro. – Seus olhos me prenderam, e eu não conseguia parar de encará-la. Ela meio que... Tem esse efeito... Sobre mim...

– Talvez seja intencional. – O informante decidiu acreditar na teoria mais óbvia. Recusava-se a pensar que Shizuo estava atraído por ela. Deu uma resposta curta, pois não queria prolongar o assunto. Ela o irritava, era uma humana muito chata (se é que era humana mesmo). Shizuo nem mesmo notou que Izaya havia ficado aborrecido com o que havia dito.

– Não sei dizer. – Retrucou o loiro, dando de ombros. Orihara entrou em estado de alerta ao ouvir isso. Tinha um mau pressentimento.

– De qualquer forma, temos que ver o que faremos em relação ao Kasuka. – Fechou a lista telefônica e colocou-a de lado, voltando-se para encarar Shizuo. Preferiu ignorar, novamente, a afirmação que acabara de ouvir. – Ele e CN interpretarão juntos. Mas será que ele sabe disso?


Shizuo parou para pensar por alguns minutos, Kasuka costumava comentar sobre seus novos trabalhos, mas nunca disse nada sobre Macbeth – ou pelo menos, não recentemente. Logo, deduziu que não sabia.


– Não, ele não sabe.

– E nós iremos contar para ele o que sabemos? – Questionou.


Izaya poderia fazer as coisas de seu jeito, se quisesse. Mas não ousaria. Sabia o quanto o irmãozinho de Heiwajima era importante para ele, nunca seria perdoado caso algo ruim acontecesse. Preferia deixar que Shizuo fosse a “cabeça pensante” dessa vez.


– Melhor não. – Respondeu Shizuo. – Não sabemos como CN irá abordá-lo... Mas ela precisa conseguir o que quer. – Orihara tentava acompanhar o raciocínio do loiro, mas parecia um pouco complicado demais, a seu ver. – Enquanto ela não conseguir, não vai sossegar.

– E o que ganhamos entregando Kasuka de mãos beijadas para ela?

– Não ganhamos nada, pulga. Me deixe terminar. – Shizuo disse rispidamente. Uniu as sobrancelhas logo em seguida, um pouco bravo. Odiava que lhe interrompessem. Izaya assentiu com a cabeça, dando espaço para que ele prosseguisse. – Quando ela achar que cumpriu o seu objetivo, estaremos lá. Eu não sei exatamente o que pode acontecer depois... Mas daremos um jeito.

– Shizu-chan, você já parou para pensar que isso pode colocar a vida do Kasuka em risco?

– Claro que sim. – Grunhiu. – Mas eu não vejo outra maneira. Enquanto ela não pegar o Kasuka, vai continuar tentando. Logo, é melhor que ela consiga o mais rápido possível.

– Então você quer salvar o Kasuka na hora, é isso?

– Exato.

– Eu posso pensar numa maneira mais simples e evitar possíveis dores de cabeça...

– Você não está me entendendo, pulga. – Shizuo ajeitou os óculos escuros; tinha certeza do que estava fazendo. – Vai ser assim. Já está decidido.

– E por quê?

– Você não a viu como eu vi. – Explicou. – Foi como se... Eu, de certa forma, já a conhecesse. Como se já nos conhecêssemos, algo assim.

– Não entendo. – Respondeu enciumado novamente. Ah, como odiava aquela mulher... Se tivesse a chance de matá-la, faria. De uma maneira lenta e dolorosa.

– Eu não estou te pedindo para entender, estou te pedindo para aceitar. – Heiwajima o encarou com bastante seriedade. – Sinto que sei o que ela vai fazer, e também que nós daremos um jeito de sair dessa.

– Shizu-chan, quando você fala desse jeito... Eu... – Disse Izaya. Não queria ter de trazer tal assunto à tona, mas simplesmente não conseguia mais se segurar. As dúvidas que lhe invadiam era muito maiores do que no início. Tinha de dizer algo.– O que realmente aconteceu entre você e ela? – Indagou.

– Não aconteceu nada. Eu nunca a vi antes, em toda a minha vida, juro pra você.

– Se nunca a viu, me espanta que a entenda tão bem quanto diz... – Alfinetou. – Você pode ter passado uma noite com ela e não se recordar, quem sabe...

– Você acha que eu saio dormindo com mulheres, assim, sem mais nem menos? – Perguntou sério. Cogitou falar que Izaya havia sido deu primeiro beijo, mas depois concluiu que era melhor deixar pra lá para evitar um possível constrangimento. Havia aprendido, em toda a sua vida, a ser um homem respeitador. Jamais sairia fazendo esse tipo de coisa (embora não faltassem ofertas de mulheres caindo do céu pedindo para dormir com ele, mas ele não tinha culpa de ser bonito).

– Eu não sei. – Respondeu honesto. – Às vezes eu não te entendo, de verdade. Você é a pessoa mais complicada do mundo para se lidar...

– Ótimo! – Aborreceu-se. Seu tom de voz se alterou, ficando mais alto.


Virou a mesa que os separava em um ataque de nervos, fazendo com que Orihara arregalasse os olhos ao ver tudo o que estava em cima dela se espatifar no chão sem aviso prévio. Não havia sobrado muita coisa da mesa, também. Já vira Shizuo irritado antes, mas vê-lo ficar assim, do nada, no meio de uma conversa, era um pouco mais assustador do que o de costume. Ainda mais em um lugar fechado. Por algum tempo, temeu pelo que poderia acontecer com ele se permanecesse ali, pela maneira como estava sendo encarado. Era um olhar mortal.


– Você começa a duvidar de mim sem motivos e eu que sou a complicação! – Levantou-se da poltrona, berrando.

– Acalme-se, Shizu-chan. – Pediu. – Eu só estou cogitando todas as possibilidades. – Izaya não queria admitir estar com ciúmes do efeito que CN surtia sobre Heiwajima, então repetiu o que havia dito algum tempo antes como uma desculpa qualquer.

– Você acha que eu esconderia uma coisa estúpida como essa de você, pulga?!

– Talvez.

– Ah, que beleza. – Resmungou alguns palavrões em alto e bom tom enquanto caminhava em círculos pelo recinto.


Izaya temeu que logo ele fosse explodir (ainda mais). E se levantou do lugar onde estava; dirigiu-se à porta quase que num salto. Não ficaria ali mais nem um minuto, pelo bem de sua saúde. Shizuo, vendo aquilo, correu atrás dele.


– Você atiça e depois foge, é isso? – Provocou.

– Shizu-chan, agora não. – Suspirou, tentando manter a calma. Afinal “quando um não quer dois não brigam”. – Eu preciso ajeitar umas coisas na minha cabeça.

– Ajeitar o quê?!

– Coisas. – Não deu uma resposta exata. Isso feriria demais o seu orgulho. – Sexta-feira eu volto. Então, esteja em casa...

– Sexta-feira você vai me contar o que diabos deu em você?

– Ah, bem que eu queria...

– Faça o que quiser, então. Não ficarei insistindo. – Shizuo se virou, deixando o informante livre para ir embora. Heiwajima quase voltou atrás em sua decisão, se arrependendo. Mas concluiu que seria melhor deixá-lo ir. Izaya não era do tipo que seria domado tão facilmente. Todos aqueles anos de inimizade serviram para que aprendesse alguma coisa sobre ele.


Mas foi só partir, que Izaya quis voltar imediatamente. Sabia que ter ciúmes era algo ridículo, uma atitude deplorável e dignamente humana. Mas não conseguia esconder que não gostava de Shizuo com CN. Nem um pouco. Odiou o modo como ele falou que ela o hipnotizava. Sabia que o loiro não tinha maldade em suas palavras, e justamente por isso, fazia com que Izaya pensasse que ele estava desenvolvendo algum tipo de sentimento pela mulher, involuntariamente ou não. Talvez ela estivesse o controlando para fazê-lo, mas, não podia deixar de pensar que talvez fosse ele próprio, em seu íntimo, estava se apaixonando sem nem mesmo se dar conta. Todos que a viram em algum momento de suas vidas falaram que ela era uma moça extremamente atraente... E sem exageros. Orihara não sabia dizer, mas provavelmente era verdade. Aliás, se Shizuo havia notado, com certeza era verdade. E se era realmente assim, como ele podia manter a calma diante de uma situação daquelas? Não que algum dia tivesse tido a certeza de que Heiwajima se apaixonaria por ele... Sabia que haviam se beijado duas vezes, e que ele estava apresentando um comportamento muito mais amoroso do que o costumeiro (amoroso para seus padrões, pelo menos), mas ele mesmo dizia – e isso incontáveis vezes – que queria compensá-lo por tudo que havia lhe feito passar. E talvez aquela fosse sua maneira de cumprir sua palavra. Izaya fazia de tudo para pensar que não, e que havia uma possibilidade que ele também mexesse com Shizuo pelo menos um pouquinho do tanto que Shizuo mexia com ele. Mas ao ouvir aquelas palavras mais cedo, uma insegurança enorme lhe invadira. Odiava o modo como Heiwajima lhe fazia fantasiar sobre as coisas e distorcer tudo o que ouvia. Mas essa era uma característica de pessoas apaixonadas, deduziu. Ou talvez, só fosse uma característica dele mesmo.


No caminho – nem sequer sabia o seu destino, mas preferiu se deixar levar – começou a sentir-se patético. Mais do que o de costume. E riu de si mesmo. De novo, a infelicidade começava a aparecer novamente, como uma velha – e indesejada, porém companheira – amiga. Havia passado dias agradáveis com Shizuo, provavelmente muito mais agradáveis do que boa parte de sua vida, mas agora estava sozinho de novo. Chegava a ser frustrante o modo como ele sempre terminava sozinho, não importando o que fizesse. Mas, não estava em posição para se queixar, pois aquela era a vida que ele escolheu para si. Não tinha nem mesmo o direito de reclamar. Poderia ter feito diferente, e, se quisesse, ainda havia tempo para mudar. Mas quem escolhe viver como Deus, escolhe viver por si só. Não era como se precisasse de alguém. Ou pelo menos, antes não era assim. Mas naquele momento, se via dependente de Shizuo. Dependente de sua voz, de seu olhar, de seu sorriso bonito – que vira tão pouco, infelizmente –, enfim, de sua presença. Tudo fazia falta. Izaya se sentia triste por gostar de alguém tão distante. Mas esse era o jeito de Heiwajima, e sempre seria. Parecia do tipo que gostava de resolver as coisas por si só, para não causar problemas aos outros. Parecia não querer preocupá-lo... E terminava por preocupar mais ainda. Idiota. Se ao menos ele conseguisse algum meio de desvendar aquele homem tão complicado. É claro que ele poderia se abrir mais, mas não parecia algo de seu feitio. Por ter sido sempre sozinho, Izaya imaginava que deveria ser complicado. Na verdade, ele sabia. Também era difícil para ele expressar o que, de fato, sentia. Mas ultimamente havia chutado o balde e dito tudo o que lhe vinha na cabeça. Apesar disso, fez porque sabia que era um caso perdido. E porque não tinha mais nada a perder. Sabia que com Shizuo não era assim, ele tinha pessoas que gostavam dele e o queriam bem, embora fossem poucas. Já Izaya, havia sido abandonado por seus tão amados humanos desde cedo... Ele caminhava sozinho. Nunca teve nada que pudesse realmente chamar de seu. E queria que fosse assim. Ou pelo menos, era o que achava antes. Mas já não tinha mais tanta certeza...


Embora isso, queria ajudá-lo a não se sentir tão mal por culpa da maldita CN. Shizuo, certamente, era o que mais estava sofrendo com tudo aquilo. E apesar de tentar da melhor maneira possível disfarçar tal fato, não funcionava com Izaya. O informante sabia que ele estava se sentindo mal, e queria poder fazer algo para mudar isso. Mas Heiwajima não permitiria. Preferia dizer que tudo estava bem para evitar questionamentos. Não gostava de falar de si mesmo, nunca gostou. Preferia ouvir. Sempre fôra um ouvinte, embora fosse difícil achar um assunto que lhe mantivesse entretido por muito tempo. Geralmente terminava por se irritar com o tagarela e bater nele. Ah, ele era sempre tão fechado e quieto... Orihara só podia esperar que isso mudasse com o tempo. Mas não acreditava que fosse realmente mudar, talvez uma amenizada, mas mudar, mudar mesmo, era impossível. Teria de aprender a conviver com essa característica do loiro de gênio forte. Não que não gostasse – pelo contrário, tinha certeza de que gostava de absolutamente tudo nele... Mas às vezes, nem que só uma vez a cada dez anos, era bom tentar conversar. Sabia que Shizuo não confiava muito nele – o que era plausível, no fim das contas –, mas conquistaria a confiança dele. Assim como a música da Kimbra que tanto gostava, o faria “abrir seu coração” para ele. E levaria o tempo que fosse necessário.


“Eu quero ver o Shizu-chan logo.” Foi o que passou em sua cabeça ao encarar o sol, que sempre o fazia lembrar-se de seu amado e seus belos cabelos dourados. Tão vivos e macios... Riu de si mesmo novamente. Mas dessa vez sem zombarias, apenas achou graça de seus pensamentos bobos àquela hora da manhã. Por alguns minutos, se esqueceu do que havia feito, mas foi só voltar o olhar para a cidade que todas as coisas ruins voltaram à sua mente.


Ah... Aqueles dias demorariam um bocado para passar...


Heiwajima também não conseguia se concentrar em seu descanso. Rolava de um lado para o outro na cama – que, por sinal, tinha o cheiro de Izaya, desde que eles vinham dormindo juntos por pura preguiça de pegar o colchão (ou talvez um desejo secreto de ficarem um pouco mais próximos) – sem conseguir pregar os olhos. Não importava o quanto estivesse exausto, não podia evitar ficar preocupado com o informante. Aonde teria se metido? E se começasse a chover e ele surtasse de novo? E se acontecesse algo ruim com ele? Ah, maldita pulga! Achava que podia entrar e sair de sua vida quando achasse conveniente... Suspirou. A verdade é que sempre fôra daquele jeito. Orihara aparecia e partia de tempos em tempos; mas Shizuo nunca – de fato – se dera conta da falta que o informante fazia. Talvez por ter mantido uma relação aparentemente “superficial” durante todos aqueles anos suas partidas fossem menos dolorosas. Mas naquele momento, em especial, sentia-se só. Muito mais do que o de costume. Nunca havia se tornado próximo de alguém como acontecera com o moreno durante aqueles dias. Esse era o problema de se apegar com outras pessoas: elas sempre terminavam por deixá-lo. E para piorar as coisas, não tinha como ter certeza se ele voltaria ou não... Conhecendo bem Izaya, sabia o quanto era inconstante. Poderia muito bem deixar de aparecer na sexta-feira por puro capricho. Bem, ele não tinha como fazer nada a respeito. Bastava esperar. “E justo quando eu achava que nós estávamos mesmo nos dando bem” Pensou, encarando pela janela. O que ele tinha feito de errado? Era a pergunta que martelava em sua cabeça. Heiwajima era lento para perceber esse tipo de coisa, e repassou a cena de mais cedo tantas vezes em sua mente que terminou por se aborrecer com ela. Não conseguia ver nada demais nas coisas que havia dito. Não havia nenhum motivo especial para o informante ficar estranho como ficou. E ainda duvidar de suas palavras! Oras... Era realmente estúpido.


Estúpido... Mas faria diferente se tivesse a chance. Era incrível como ele parecia ter uma capacidade imensa de fazer o pobre Orihara sofrer. A imagem dos olhos dele apresentando o mais puro horror ao vê-lo arremessar a mesa num ataque de fúria ainda lhe prendia. Aquilo fora um ato completamente animalesco de sua parte. E odiava isso. E assim como estar perto de Izaya todo aquele tempo terminou por lhe fazer se sentir mais humano, ele ir embora fazia parecer que estava voltando ao que era antes. Um monstro completamente sozinho. Talvez nunca tivesse deixado de ser e tudo aquilo não tivesse passado de uma mentira, ou outra brincadeira feita pela detestável pulga... Mas preferia pensar que não. Nunca foi do tipo otimista, nem nada assim, mas gostaria de pensar que as coisas se ajeitariam, eventualmente, entre ele e o informante. E que ambos haviam mudado desde o começo dos acontecimentos, que todos os eventos que se passaram tinham – nem que fosse um pouco – veracidade. Sua opinião sobre Izaya havia realmente mudado, pelo menos. O moreno era o único que conseguia conviver bem com ele. E quão estranho isso soasse... Sua presença se tornou até agradável, com o passar do tempo. Shizuo não sentia mais a fúria que lhe invadia ao sentir o cheiro dele, tampouco queria matá-lo. Também não sentia mais vontade de persegui-lo... Não sabia mais, ao certo, o que sentia (na verdade, o que passara a sentir). Talvez simpatia? Era muito complicado de explicar, e ele não perderia seu tempo tentando, de qualquer forma. Só sabia que era um sentimento confortante e que nunca sentira por nenhuma outra pessoa – e, ousava dizer, nem queria.


Shizuo era ingênuo demais para enxergar que o que sentia era, claramente, amor. Izaya se enganara ao sequer cogitar que o loiro estava desenvolvendo algum tipo de sentimento por CN. Apesar de estar claro que ela mexia com ele, não era da forma como Orihara mexia, pois isso seria impossível mesmo para alguém com todo o poder do mundo. Ela afetava seu psicológico, sabe-se lá o porquê. Mas a pessoa por quem o tão “complicado” Heiwajima estava desenvolvendo, mesmo que silenciosamente e discretamente, um sentimento mais intenso, era o (verdadeiro) informante. Seu jeito espontâneo, tímido e um tanto avoado agradava Shizuo mais do que o mesmo poderia colocar em palavras. Não sabia porquê, mas gostava de quando ele agia despretensiosamente. Sentia vontade de ficar ao seu lado, apenas observando-o fazer as coisas ao seu modo, em silêncio. Queria passar mais tempo ao lado daquele Izaya... Era quase como se a personalidade dele apaziguasse a fúria. Orihara acabara se tornando a “calmaria de sua tempestade”. É, aquele que fazia tanta questão de ressaltar a monstruosidade de Shizuo era também aquele que mais o enxergava como humano – e mais o fazia agir como tal. Soava como uma ironia. E era, para ambos. Se tornarem tão apegados aos que mais “detestavam” era a maior peça que o destino poderia lhes pregar. Mas nenhum dos dois se importava muito com isso, ou pelo menos, não mais. Haviam se acostumado de tal forma com a companhia um do outro que terminaram por se tornar velhos amigos (ou mais do que isso). Talvez no fundo, sempre tivessem sido velhos amigos mesmo, mas nunca perceberam. Ou nunca se deram a chance de perceber.


E agora, se sentiam extremamente solitários sem a presença um do outro. O dia passou devagar, e apesar de estar lindo de se ver, nenhum dos dois tinha ânimo para aproveitá-lo. Izaya terminou por voltar para Shinjuku, onde ficaria para esfriar a cabeça – apesar de considerar isso um bocado complicado, graças à secretária que tinha e que adorava encher sua paciência (e embora ele também gostasse de encher a dela, não estava exatamente no clima para isso). Heiwajima ficou enrolado nos cobertores o dia inteiro, embora saísse para fumar – sempre fazia quando estava nervoso ou ansioso, como era o caso – ou pegar um copo de leite na cozinha. Tentou se distrair olhando para o teto, mas, honestamente, ele já teve ideias mais inteligentes. Embora isso, não importava o que fizesse, tudo lhe levava a lembrar do informante. Sentia falta de sua pulga “detestável”. E era a mesma coisa com Orihara. Ah, se eles soubessem... Mas não. Ao invés, ficavam se questionando se o outro sentia o mesmo vazio que eles estavam sentindo. Não obtinham respostas, obviamente. Então, a única coisa que lhes restavam era imaginar. E imaginavam... Das melhores às piores respostas. Mesmo um relacionamento entre duas pessoas, digamos assim, “excêntricas” tinha seus momentos de relacionamento típico. Os momentos de insegurança, como aqueles, deixavam claro que apesar das aparentes divergências, eles também eram um casal normal – na medida em que Shizuo e Izaya conseguiam ser normais, pelo menos.


E apesar de tudo, de todos esses pensamentos confusos, de toda aquela solidão, os dias passaram, mostrando mais uma vez que o mundo não para pra ninguém. Assim, a sexta-feira chegou: sorrateira, indesejada...


Inevitável.

_

*No volume 6 da Light Novel o Shizuo deixa de fazer parte dos Dollars. Provavelmente vocês já sabem, mas caso não saibam, achei melhor explicar.

Notas finais
Ah, eu tava com saudade desses capítulos mais voltados pra emoções ♥
Sei que não ficou muito grande, mas eu fiz o que eu pude. Tô tentando fazer as coisas passarem mais devagar... Espero que esteja conseguindo, e que não tenha enferrujado pra escrever coisas piegas, já que faz um tempo que não exercito esse meu "lado" hehe ^^
É sempre um desafio escrever sobre os sentimentos do Shizuo, ele é muito complicado. Eu definitivamente me dou melhor escrevendo sobre o Izaya, mas espero que tenha conseguido passar minha ideia de que eles se tornaram mais próximos e mais amor durante esse tempinho que passaram juntos e tão com sdds. T__T
Honestamente, eu fiquei um pouco receosa quanto à esse conflito, mas é necessário. E eu acho que é algo que aconteceria, cedo ou tarde... Qual é, com uma mulher como a CN acho que qualquer um ficaria meio desconfiado, certo? xD (ou não). Mas as coisas vão se ajeitar, eu espero ;;
É isso que eu tinha pra falar ~escreveu a bíblia~, haha. Obrigada por estarem acompanhando, pela trocentésima vez ;o; Amo vocês ♥ vocês me fazem me sentir uma autora muito privilegiada, ok? *limpa a lagriminha*
Espero que tenham gostado desse capítulo, pretendo postar o outro logo!
Beijo :**