Wake The Dead
4 Capítulo 4
Notas iniciais
desculpem ó.ò
Cheguei a casa e minha mãe estava olhando o canal de previsão do tempo. Eu não sei como uma pessoa culta como ela é capaz de ficar o dia inteiro olhando uma coisa dessas.
- O que esta fazendo em casa Robert? — perguntou ao notar a minha presença na sala.
- Ahn... O... Professor se matou! — falei a primeira coisa que veio na minha cabeça.
- Sério?? — perguntou assustada.
- Não, mas é o que eu queria que ele tivesse feito! — falei pegando uma maçã na fruteira sobre a mesa e fui para o meu quarto.
Abri a porta e achei David Bowie deitado na minha cama. Atirei a mochila sobre o sofá e me deitei na cama junto a ele. David abriu os olhos, se levantou girou em torno de si mesmo umas três vezes antes de deitar a cabeça sobre minha barriga, e voltar a dormir. Fechei os olhos e adormeci quase instantaneamente. Acordei com minha mãe me cutucando.
- Vem almoçar. — falou alisando meus cabelos. Eu murmurei um \"já ‘tô indo\", e me espreguicei quase derrubando o cachorro da cama. Levantei e fui para a cozinha. Eu não tava com fome, mas como a minha mãe detesta comer sozinha, achei melhor comer mais um pouco. Estou vendo que até o fim do ano eu ‘tô mais gordo que uma baleia.
Sentei á mesa, e minha mãe me serviu. Quando eu ia colocar a garfada de comida na boca, o telefone tocou e eu fui atender.
- Alô?! — falei no meio de um bocejo. — Pai? Ahn... A mãe? Peraí...- tapei o fone e gritei — mesmo sem precisar, já que minha mãe tava no meu lado -, a chamando.
Ela pegou o telefone me olhando com o cenho franzido, e sacudindo a cabeça, como se eu tivesse feito alguma coisa errado.
Voltei para a mesa e comecei a comer. Cinco minutos depois ela voltou para a mesa e começou a comer.
- O que o pai queria? — perguntei puxando assunto.
- Avisar que não vem almoçar hoje. — falou olhando para o prato.- Bert...- me olhou e começou a brincar com a comida. Bert? Ai meu Deus! Ela só me chama de Bert quando o assunto é serio. Olhei para ela, e ela começou a falar. — Sabe filho... Você ta com 20 anos, já esta na hora de morar sozinho, ter sua casa. — falou voltando a olhar para a comida.
- Mas... O que foi que eu fiz? — perguntei preocupado
- O que você fez? — perguntou me encarando.
- É! Eu devo ter feito uma coisa muito grave para a senhora me mandar para fora de casa. — falei apoiando os braços sobre a mesa, deixando a comida de lado.
- Você não fez nada... — ela falou fazendo uma expressão triste no rosto.- Eu só achei que você gostaria de ter a sua casa, para poder chamar seus amigos, dar festa, essas coisas.
- Mãe, eu não preciso dessas coisas. Eu sou um santo virgem e casto — falei a fazendo rir.
- Eu, quando tinha a sua idade, já tinha o meu apartamento. Seu pai e eu moramos lá por um tempo, antes de você nascer. — falou com o olhar perdido.
- E nessa época já existia camelo? — perguntei voltando a minha atenção para a comida.
- Mas é claro que já! — ela falou me olhando como se olhasse um maluco.
- É brincadeira, mãe... — falei antes que ela resolvesse me tacar um copo na cabeça.
Depois da comida, fui passear com David Bowie no veterinário. Eu ainda não havia o levado para tomar a anti-rábica. Aproveitei e mandei dar um banho nele, já que ele adora dormir na minha cama, e eu não quero que ela fique com cheiro que cachorro morto.
Voltei para casa umas sete da noite, dei um beijo de boa noite na minha mãe e fui dormir.
Na manhã seguinte acordei com minha mãe gritando na sala. Abri a porta e vi meu pai avançando sobre ela.
- Richard, para! — ela gritava. Meu pai estava com uma cor estranha e olhos negros. — Aah! - minha mãe gritou quando ele a mordeu no pescoço.
Fui até ele e o empurrei contra a parede que dividia a sala da cozinha. Quem ele pensa que é para ficar mordendo minha mãe? Um cachorro?
- Mãe, a senhora ‘tá bem?- perguntei preocupado, olhando a mordida que ele havia feito.
- Est... Beeert! — ela gritou apontando para minhas costas. Virei-me e vi meu pai vindo para cima de mim, com a boca toda manchada com o sangue da minha mãe. Ele tentou me morder, mas eu fui mais rápido, peguei o abajur e bati com toda a força que eu tinha contra a cabeça dele, deixando-o desacordado no chão.
- Mãe, coloca uma roupa que eu vou te levar no hospital. — falei a olhando nos olhos. Ela assentiu com a cabeça e foi para o quarto.
- Vem David! — falei chamando o cachorro para o quarto. Quando ele viu meu pai mordendo a minha mãe, ele correu para baixo da mesa, chorando. Troquei de roupa, peguei a chave do carro da minha mãe e bati na porta do quarto a chamando — Mãe?
- O Richard vai ficar bem? — perguntou me olhando com lágrimas nos olhos.
- Claro mãe. Eu só o fiz dormir. — falei tentando acalmá-la. — Vamos? — chamei, e ela veio andando lentamente.
Abri a porta do carro e o cachorro foi o primeiro a entrar, entrei e dei a partida. Minha mãe demorou mais um tempinho, olhando para casa, entrando no carro logo depois. Ela ficou um tempo calada, olhando para os pés.
- Mãe?! — a chamei, e ela me olhou com uma expressão triste no rosto — Você esta bem?- perguntei
- Estou... — respondeu e virou o rosto para a janela. — Bert!- me chamou puxando meu braço. — O que é aquilo? — perguntou apontando para um amontoado de gente no meio da rua.
Apertei os olhos, tentando enxergar as pessoas. Elas estavam na frente de uma casa, agachadas no chão. Pareciam que estavam comendo alguma coisa. Parei o carro na frente da casa, olhei para a minha mãe, e disse:
- Não sai daqui! — desci do carro, e fui até o amontoado de gente. Eles comiam aquela coisa, como se fosse a ultima vez que iam comer. Cheguei perto — uns cinco passos — deles e vi o que eles estavam comendo. Bom, ver eu não vi, mas descobri o que era quando vi dois pés saindo do meio do \"bolo\".
Voltei para o carro o mais rápido possível. Quando eu entrei no carro, minha mãe perguntou o que aquelas pessoas estavam fazendo, mas quando eu ia responder, a imagem delas comendo outra pessoa me veio em mente, me fazendo enjoar. Eu devo ter ficado branco, roxo ou outra cor qualquer, porque minha mãe perguntou se eu estava passando mal. Eu neguei com a cabeça, respirei fundo — varias vezes seguidas- e dei a partia no carro.
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