Notas iniciais
Olá, Aqui estou eu de novo e, como disse, eu não alterei quase nada nesse capítulo (só os diálogos do finalzinho), então vocês já sabem o que vai acontecer, né? Ainda assim, espero que minhas pequenas alterações tenham um efeito positivo nesse capítulo. Boa leitura.

Sem pensar duas vezes, Mikhail abriu caminho entre as pessoas que estavam ali e partiu atrás de Ty o mais rápido que pode. Ele havia saído do parque tão desesperado que Mikhail tinha medo que ele pudesse fazer alguma loucura e não queria deixá-lo sozinho por um segundo sequer.

– Ty, por favor, espera! – ele gritou enquanto atravessava a Longwall Street, mas Ty simplesmente o ignorou e continuou correndo feito louco em direção à Trinity College, obrigando Mikhail a aumentar o ritmo para conseguir alcançá-lo – Vamos conversar, Ty. Por favor.

– Vá embora.

– Não, Ty. Espera. – Mikhail o segurou pelo pulso quando, finalmente, conseguiu se aproximar dele, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Ty se virou e o acertou em cheio com um soco que o fez cambalear alguns passos para trás, levando as mãos ao nariz que, imediatamente, começou a sangrar – Porque você fez isso? – Mikhail perguntou lançando-lhe um olhar confuso.

– Porque isso é tudo culpa sua! – Ty berrou para ele, encarando-o com uma mistura de mágoa e ódio.

– Minha? – Mikhail limpou parte do sangue em seu nariz com a manga do casaco – Como isso pode ser minha culpa, Ty?

– Você passou a noite inteira flertando com a Cadence!

– Eu não estava flertando com ninguém! Eu só quis ser gentil com ela. Sua irmã queria que ela se sentisse bem conosco e eu só tentei ajudar.

– Aquilo não é ser gentil, Mikhail! Você sabia muito bem que ela estava dando em cima de você e não fez nada para afastá-la.

Mikhail soltou um suspiro profundo e o sangue em seu nariz voltou a escorrer, forçando-o a limpá-lo com a manga do casaco mais uma vez, antes de olhar para Ty.

–– Eu não consigo acreditar que você esteja com ciúmes da Cadence...

– E como eu poderia não sentir ciúmes dela? – Ty o interrompeu, encarando-o com raiva – Ela beijou você!

– Pelo amor de Deus, Ty! – Mikhail jogou as mãos para o alto – Que importância tem essa droga de beijo?

– Você acha que isso não é importante?!

– Eu tenho certeza que não é importante. – Mikhail o encarou com seriedade – A Cadence já estava meio bêbada quando me beijou e, mesmo que não estivesse, esse beijo não me afetaria em nada.

– Se ela te beijou é porque você permitiu! – Ty retrucou.

– Eu permiti? – Mikhail o encarou descrente – Como pode dizer isso quando você sabe muito bem que eu não gosto de mulher?

– Bem... Agora, graças à Cadence, a universidade inteira sabe que eu também não gosto. – Ty gritou para ele e antes que pudesse evitar as lágrimas começaram a brotar em seus olhos – Meu Deus, todo mundo sabe sobre a gente agora.

Mikhail se aproximou dois passos dele, mas Ty, ainda irritado, recuou dois passos para longe.

– Não chega perto de mim! – exigiu e Mikhail o encarou com tristeza.

– Porque você está fazendo isso, Ty? Porque está me afastando desse jeito?

– Eu não sei! – Ty passou as mãos pelo rosto tentando, inutilmente, enxugar as lágrimas que escorriam ali, desesperado – Eu não sei o que fazer agora, droga!

Ele começou a chorar ainda mais e abraçou o próprio corpo, no que pareceu ser uma frágil tentativa de autoproteção e parecia tão vulnerável que Mikhail quis correr até ele e abraçá-lo, mas se conteve por medo de que ele o afastasse mais uma vez.

– Eu sinto muito por tudo isso. – Mikhail disse calmamente – Eu sei que você não queria se expor dessa maneira e sei como deve estar se sentindo agora, mas eu te pedi tantas vezes para contar à Rebecca sobre nós antes que outra pessoa contasse e você sempre se recusou a fazer isso, Ty. Agora ela descobriu da pior forma.

Ty o encarou.

– Está tentando me dizer que a culpa disso tudo é minha?

– Não, eu não quis dizer isso. – Mikhail se defendeu rapidamente – Eu só... Eu só acho que se você tivesse contado à Rebecca sobre nós antes, toda essa confusão poderia ter sido evitada.

– E isso significa que você acha que a culpa é minha! – Ty gritou, acusando-o.

– Não. Eu não acho. – Mikhail tentou se aproximar dele novamente, mas Ty o empurrou para longe com tanta força que ele se chocou contra o muro de um dos prédios que havia atrás de si – Pare com isso,Ty. – ele praticamente implorou, enquanto se recuperava do empurrão – Porque você está fazendo isso? Caramba, eu não fiz nada para você.

– Eu não quero conversar sobre isso agora.

– Eu só estou tentando te ajudar...

– Eu não quero a porra da sua ajuda! – Ty gritou mais uma vez e Mikhail abaixou a cabeça, inconsolável.

– Tudo bem. – assentiu – Só... fica calmo, tá legal? A gente vai resolver isso.

– A gente vai resolver isso? – Ty repetiu com sarcasmo – Desde quando a gente resolve alguma coisa nessa droga de relacionamento que a gente tem?

– Você acha que o que a gente em uma droga? – Mikhail perguntou ressentido – sei que você está bravo agora, mas você não sabe o quanto dói ouvir você dizer isso.Eu tento o meu melhor para fazer isso dar certo, Ty. Eu juro que eu tento, mas você não coopera e eu não posso fazer isso dar certo sozinho.

– Sozinho? – Ty indagou, encarando-o com indignação – Você faz tudo sozinho agora?

– Sinceramente? Na maior parte das vezes eu faço mesmo. – Mikhail sustentou seu olhar – Nas horas mais difíceis você joga tudo para o alto e sou eu quem tem que se virar para por tudo no lugar, porque você prefere desistir de tudo o que nós temos a ter de se esforçar um pouquinho, Ty. Há mais de um ano eu venho dando o meu sangue por você, mas você parece nem se importar com isso.

– Você tem dado o seu sangue? – Ty soltou uma risada sarcástica – É muito fácil dizer isso quando não se tem nada a perder!

Mikhail lançou-lhe um olhar chocado.

– Eu não acredito que estou ouvindo isso de você. – disse ele – Eu realmente não acredito.

– E não é a verdade, Mikhail? Eu coloquei minha vida e a reputação da minha família em risco por você. E o que você fez por mim? – Ty perguntou com uma expressão desafiadora.

Mikhail o encarou por um breve instante e depois mordeu delicadamente o lábio inferior, antes de balançar a cabeça e virar as costas para Ty.

– Aonde você vai? – Ty gritou irritado.

– E isso importa? – Mikhail se voltou para ele gritando também – Por acaso qualquer coisa que eu faça tem alguma importância para você?

– Porque está me dizendo isso, seu estúpido?! – Ty perguntou aos berros e Mikhail cerrou os punhos e se aproximou dele, segurando-o pelos ombros com tamanha força que ele não pode fazer mais nada além de encará-lo assustado.

– Acha que eu também não me arrisquei por você, Tyler?! – Mikhail gritou furioso – Acha que eu nunca sacrifiquei nada por nós?! Quando eu contei à minha família sobre o nosso relacionamento, meu pai quis me expulsar de casa! Minha mãe mal olhou na minha cara por semanas e, até hoje, o meu irmão não fala comigo porque ele prefere me ver morto a me ver com você! Eu tive que suportar muita coisa para continuar contigo e não foi fácil, então não olhe para mim agora e diga que eu nunca fiz nada por você, porque isso não é justo comigo, droga!

Ty desviou o olhar do dele e abaixou a cabeça, sem palavras para expressar tudo o que se passava em sua cabeça. Mikhail nunca o chamava de Tyler, pois sabia o quanto ele odiava ser chamado pelo nome completo e, naquele momento, Ty só conseguia pensar que havia passado dos limites e o irritado mais do que qualquer coisa.

– Me desculpe. – Mikhail o soltou e, em seguida, se afastou devagar– Eu não quis ser rude com você. Não quis gritar. Eu sinto muito.

Ty assentiu com um breve aceno e ergueu os olhos para ele, surpreendendo-se ao ver que ele chorava. Em mais de um ano juntos, aquela era a primeira vez que via Mikhail chorar e a visão lhe foi tão desconfortável que ele sentiu seu coração se contrair dentro do peito e precisou engolir em seco algumas vezes, antes de se atrever a dizer alguma coisa.

– Porque você nunca me contou isso? – ele perguntou baixinho – Porque nunca me falou sobre a reação da sua família?

– Porque você não precisava saber. – Mikhail respondeu encostando-se ao muro onde Ty o empurrara minutos antes – Eu te amo, entende? Eu enfrentei a minha família inteira para ficar com você e faria tudo isso de novo quantas vezes fosse necessário, mas eu... Eu nunca jogaria essas coisas na sua cara, Ty. Isso nunca foi um sacrifício para mim.

Ty engoliu em seco novamente e precisou lutar contra as lágrimas que insistiam em inundar seus olhos.

– Eu... – ele começou indeciso sobre o que dizer. Sentia que cada palavra que saía de sua boca só complicava ainda mais sua situação e depois do que Mikhail lhe contara já estava mais do que arrependido de tudo que havia dito para ele.

– Quer saber, essa noite foi muito longa para mim. – Mikhail suspirou profundamente– Eu já fui agarrado por uma garota maluca, agredido pelo meu namorado e... tudo isso me deixou um pouco cansado.

– Mikhail... – Ty começou novamente, mas Mikhail ergueu a mão para ele, pedindo que se calasse.

– Você nem imagina o quanto eu te amo. – disse ele – Por Deus, Ty! Acho que eu te amo mais do que amo a mim mesmo e isso não pode ser saudável. Isso está me matando e eu não posso mais ficar assim.

– Por favor, não diga o que eu acho que você vai me dizer. – Ty implorou, correndo para abraçá-lo – Não me diz que...

– Você sabe que eu faria qualquer coisa por você, não sabe? – Mikhail perguntou passando a mão, carinhosamente, pelo cabelo de Ty antes de se desfazer de seu abraço – Eu daria a minha vida por você, mas... Infelizmente, acho que você não faria o mesmo por mim.

– Eu faria. – Ty tentou abraçá-lo novamente, mas Mikhail o manteve longe.

– Não, Ty. Você apenas acha que faria, mas nós dois sabemos que se você precisasse fazer alguma coisa, nesse exato momento, provavelmente sairia correndo sem fazer nada e estou ficando cansado de ficar sempre em segundo plano na sua vida. Tudo o que você me disse hoje doeu para caramba e eu não tenho certeza se aguento outro golpe desses. Eu sei que você me ama, tá legal? O que eu não sei é se você me ama o suficiente para sair da sua zona de conforto e lutar por esse relacionamento que a gente tem.

Ty o encarou triste e Mikhail precisou de muita força de vontade para não abraçá-lo.

– Eu não estou te dizendo que tudo acabou, sabe? Eu só estou te oferecendo um tempo para que você possa pensar bem no quer. – Mikhail explicou – Não quero que entre em uma situação da qual se arrependa e depois me culpe, como fez hoje. Eu não aguento mais isso.

– Eu sei. – Ty começou a chorar novamente – Eu sei que eu comenti um erro terrível e eu sinto muito, Mikhail. Eu sou um idiota, mas...

– Você não é um idiota. – Mikhail o interrompeu – Só precisa amadurecer um pouco.

Ele abriu um pequeno sorriso para Ty que fez o coração dele se apertar ainda mais e, não importava o que Mikhail pudesse dizer, Ty tinha plena certeza de que era um grande idiota.

– Tchau. – disse Mikhail, antes de virar as costas para ele e correr de volta para sua faculdade, deixando Ty completamente desolado no meio da rua.

***

Enquanto isso, Rebecca continuava no parque completamente atordoada com a revelação daquela noite. Não importava o quanto tentasse, ela não conseguia assimilar o fato de que seu irmão era gay, pois havia convivido com ele por dezoito anos e, nem em seus maiores devaneios, ela poderia suspeitar de algo assim. Era uma coisa difícil de acreditar.

– Rebecca, respire. – disse Vlad tocando o ombro dela levemente – Se continuar prendendo a respiração assim você vai desmaiar.

Rebecca virou-se para ele desesperada.

– Vlad, o que eu faço? – ela perguntou sem fôlego.

Seus olhos refletiam toda a confusão que se passava por sua cabeça naquele momento e ela parecia tão sem rumo quanto um navio a deveria no meio de uma tempestade.

– Eu não sei. – Vlad a abraçou – Eu sinceramente não sei, Becca.

– Porque ele nunca me contou? – ela perguntou mais para si mesma que para Vlad – Ele não deveria ter escondido isso de mim. Ele... Ele deveria ter me dito.

– Ele estava com medo, Rebecca. Ele achou que você não entenderia. – Vlad acariciou o topo de sua cabeça – Ele provavelmente ia te contar quando achasse que era a hora certa, mas as coisas acabaram fugindo do controle hoje.

Rebecca ergueu os olhos para ele.

– Espera. – ela disse confusa – Você... Você já sabia sobre o Ty?

Vlad passou a mão no próprio cabelo, pensando no que responder. Poderia mentir para Rebecca e dizer que apenas desconfiava do que Ty escondia, mas já tinha tido provas mais que suficientes, por uma noite, de que mentir só causava mais confusão. Então, optou por dizer a verdade.

– Sim. – respondeu ele, depois de um momento – Eu soube há alguns meses através do Mikhail.

– O que?! – Rebecca exclamou afastando-se dele – O Mikhail também sabia?

Vlad a encarou por um momento. Não queria ser ele a contar toda a verdade à Rebecca, mas já começava a achar que não teria outra opção. Estava claro que Rebecca queria uma explicação e ele não tinha certeza se conseguiria evitar isso por muito tempo, mesmo que não fosse uma tarefa sua explicar tudo a ela.

– É uma longa história, Becca. – disse ele, tentando se desvencilhar da situação – Acho que você devia conversar com o seu irmão...

– Responda a minha pergunta, Vladmir! – Rebecca exigiu.

Vlad suspirou. Realmente não teria como evitar as explicações.

– Sim. O Mikhail sabia.

– Então, eu era a única que não sabia de nada?! – ela perguntou séria – Não acredito que o Ty contou isso ao Mikhail e não contou a mim, que sou irmã dele!

– Não é bem assim, Rebecca...

– Então como é? – ela o interrompeu de novo, quase gritando, o que chamou a atenção de Cadence que estava terminando de dobrar os cobertores e tapetes por sugestão de Vlad, que achou melhor mantê-la afastada depois de toda a confusão.

Vlad praguejou mentalmente. Já começava a achar que deveria ter mentido e dito que não sabia de nada, mas agora que havia começado a contar, não tinha como parar. Rebecca com certeza o mataria se ele se negasse a falar.

– Seu irmão e o Mikhail estão juntos há mais de um ano. – Vlad despejou de uma vez, pois não havia uma forma fácil de contar aquilo.

Cadence largou o tapete que dobrava e virou-se para eles de olhos arregalados.

– Eles são um casal?! – ela exclamou pasma.

Até o momento, ela só imaginava que Ty fosse gay e tivesse desenvolvido uma paixonite pelo melhor amigo – como algumas vezes podia acontecer nesses casos –, mas jamais passou por sua cabeça que Mikhail também fosse gay e, principalmente, que ele e Ty tivessem um relacionamento há mais de um ano.

– Cadence, fique quieta aí por um momento, ok? – Vlad a bronqueou, virando-se para encará-la – Será que você pode fazer esse pequeno esforço, hein?

Cadence assentiu levemente, envergonhada, e voltou a dobrar o tapete que largara. Todos sempre lhe diziam que boa parte das confusões em que se metia era porque não conseguia manter a boca fechada e agora ela começava a concordar. Tinha o péssimo hábito de verbalizar tudo o que lhe vinha à cabeça.

Vlad lançou a ela um último olhar sério e, depois, voltou-se para Rebecca que o encarava sem reação até o momento. Ela estava tão inerte que Vlad começou a achar que ela, talvez, tivesse entrado em estado de choque, mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa a respeito, Rebecca caiu de joelhos no chão coberto de folhas do parque.

– Rebecca! – ele gritou correndo para ampará-la e Cadence ficou na dúvida se ajudava ou continuava quieta em seu lugar como ele havia mandado.

– Isso não pode ser verdade. – foi tudo que Rebecca conseguiu dizer antes que uma torrente de lágrimas inundasse seus olhos.

Ela não saberia dizer exatamente pelo que chorava naquele momento. Havia milhões de coisas passando por sua cabeça e o choque de todas elas quase a deixava louca. A única coisa certa em sua mente era o fato de que nada ali estava certo de verdade.

Ela sentia que, ao atravessar os portões do parque naquela noite, tinha entrado em um universo paralelo onde tudo o que pensava saber, até então, tinha virado de cabeça para baixo e a deixado sem uma base onde se apoiar.

– Rebecca, por favor, tente ficar calma. – Vlad pediu, pousando as mãos nos ombros dela com cuidado – Você está me deixando aflito assim.

– Ela acabou de descobrir que o irmão dela é gay e é você quem está aflito? – Aaron perguntou, aproximando-se devagar – Lamentável.

Rebecca voltou a si quase que imediatamente ao ouvir a voz dele e Vlad virou a cabeça em sua direção apenas o suficiente para ver que Aaron estava parado logo atrás dele, encostado a uma das árvores que os cercavam.

– Você não tem nada melhor para fazer além de me atormentar, não? – ele perguntou irritado.

– Te atormentar? – Aaron abriu um sorriso e se afastou da árvore, aproximando-se um pouco mais – Quem foi te iludiu dizendo que eu vim até aqui por sua causa? Eu vim pela Rebecca.

– Está a fim de levar outra surra, Greed? – Vlad se colocou de pé rapidamente e o encarou, cerrando os punhos, mas Aaron apenas riu.

– Olha, cara, eu estou a fim de muitas coisas hoje, mas nenhuma delas envolve você. Sinto muito. – ele respondeu, encarando Vlad com uma expressão divertida.

Rebecca logo se levantou também e se colocou entre os dois temendo que eles começassem a brigar novamente. A tensão entre eles era tão intensa que ela quase se esqueceu de que, um segundo antes estava tendo um ataque por causa da descoberta sobre Ty.

– Aaron, por favor, vá embora. – ela pediu, tentando permanecer o mais calma possível.

– Sim. Eu vou. Mas antes preciso ter uma conversa com você. – disse Aaron, olhando-a nos olhos e despertando ainda mais a raiva de Vlad com isso.

Ele bufou, inquieto, e Rebecca segurou sua mão com força numa tentativa de acalmá-lo um pouco.

– Nós não temos nada para conversar. – ela respondeu encarando Aaron com uma expressão séria – Vá embora.

– Por favor, Rebecca. Eu preciso mesmo falar com você. É um assunto importante.

– Duvido que seja. – Vlad disse entre dentes.

– Eu não falei com você. – Aaron retrucou, lançando-lhe um olhar enraivecido.

– Está falando com a minha namorada, logo, está falando comigo também.

– Então, você foi promovido a porta-voz e eu nem recebi um memorando? – disse Aaron dando um passo à frente.

Vlad também deu um passo à frente e Rebecca se reposicionou entre os dois da melhor forma que conseguiu.

– Parem com isso. – ela pediu nervosa – Cadence e Ty já preencheram a cota de confusões da noite e eu, realmente, não preciso que vocês criem mais uma.

– Então, ponha o seu namorado na coleira. – disse Aaron, abrindo um sorrisinho para Vlad.

– Chega, Aaron! – Rebecca disse ríspida – Se veio aqui para me irritar, saiba que não é uma boa hora.

– Não. Eu não vim te irritar. Sei que tenho feito isso com certa frequência, mas dessa vez eu só quero conversar. – Rebecca o encarou desconfiada e ele ergueu as mãos, como alguém faria ao se render – Eu juro. Não farei nenhuma brincadeira idiota. Eu preciso mesmo falar com você.

Rebecca desviou o olhar rapidamente para Vlad, que continuava parado atrás dela encarando Aaron como se pudesse matá-lo com o poder da mente, e depois se voltou para Aaron mais uma vez.

Era evidente que ele não a deixaria em paz enquanto Rebecca não lhe desse a oportunidade de conversar. Então, ela apenas assentiu brevemente para ele.

– Ok. Vamos conversar, mas se isso for alguma brincadeira sua, eu juro que te mato.

– Não é nenhuma brincadeira. – Aaron garantiu – Mas será que podemos conversar em particular?

– Não! – Vlad respondeu imediatamente – Se tem algo a dizer, diga na minha frente. Não vou te deixar sozinho com a Rebecca.

– Wow. – Aaron sorriu – Isso é apenas implicância ou está com medo de que ela não resista ao meu charme? – perguntou debochado.

– Vamos ver se ainda vai haver algum charme depois que eu quebrar a sua cara. – Vlad respondeu sério.

– Não comecem. – Rebecca pediu impaciente – E, Aaron, diga logo o que tem para me dizer, antes que eu desista de te escutar.

Aaron revirou os olhos e suspirou.

– Ok. – disse ele ignorando a presença de Vlad e concentrando-se apenas em Rebecca – Eu preciso de umas aulas de reforço.

Rebecca o encarou por um instante, completamente pasma com as palavras dele, mas depois começou a rir, deixando tanto Aaron quanto Vlad confusos com sua reação.

– Eu contei alguma piada? – Aaron perguntou sem entender o motivo de tanto riso.

– Ah, por favor, né? – ela respondeu ainda rindo – Você quer mesmo que eu acredite que você, Aaron Greed, veio até aqui me pedir aulas de reforço?

– Porque isso é tão inacreditável?

– Porque você não é o tipo de pessoa que se preocupa com os estudos, Aaron. Além do mais, nós nem cursamos as mesmas matérias. O que diabos você espera que eu possa ensinar a você? – Rebecca o encarou e cruzou os braços – Diga logo o que está armando.

– Não estou armando nada. – ele deu de ombros – Eu só estou com dificuldade nas matérias de Direito Civil e achei que você poderia me ajudar. Você é uma garota bem inteligente.

– Eu curso Psicologia, não Direito...

– Eu sei. – ele a interrompeu – Só achei que talvez você pudesse me ajudar com uns métodos de estudo. Sei lá. Me ensinar a fazer umas resenhas ou fichamentos. Algo assim.

– Procure uma professora particular. – disse Vlad – Talvez as professoras do jardim de infância consigam lidar com você.

– Eu não me lembro de ter pedido a sua opinião.

– E eu não me lembro de te dever algum respeito ou consideração.

– Tudo bem. Chega. – Rebecca intercedeu – Já basta dessa briguinha de vocês. E, Aaron, eu não vou te ajudar. Não sei porque você achou que eu poderia fazer isso, mas eu não posso. É melhor pedir a ajuda de outra pessoa.

– Ah, qual é? – Aaron resmungou, chateado – Não me diga que você ainda está brava por causa do que aconteceu aquele dia?

– Eu não estou brava.

– O que aconteceu que dia? – Vlad olhou para ela, confuso e só então Rebecca percebeu o erro que havia cometido.

– Em dia nenhum. – ela tentou se corrigir – Ele é maluco.

– Você não contou para ele? – Aaron a encarou, inquisitivo.

– Não me contou o que?

– Nada. – Rebecca acenou brevemente com a mão, fazendo pouco caso do assunto – É melhor a gente voltar para a faculdade. Não dê ouvidos ao que esse cara fala.

– Ah! Então é assim? – Aaron ergueu as sobrancelhas para ela – Simplesmente não dê ouvidos ao que esse cara fala, é? Então, será que você pode parar por um momento e nos explicar porque não contou ao seu namoradinho sobre o acidente?

– Que acidente?

– O acidente no qual ela machucou o joelho e teve que levar sei lá quantos pontos. Aliás – ele encarou Rebecca –, eu disse a você que ia precisar de pontos, não disse? Devia ter deixado eu te levar ao hospital quando eu te falei para ir.

– Você ia levá-la ao hospital? – Vlad questionou confuso – Espera aí. Será que alguém aqui pode me explicar do que nós estamos falando exatamente?

– Porque você não se senta? – Aaron sugeriu ainda encarando Rebecca com seriedade – Acho que sua namorada tem uma longa história para te contar.

Notas finais
Então é isso, minha gente, a mentira praticamente inofensiva que a Rebecca contou nos capítulos anteriores acaba de se voltar contra ela e advinha quem está mais que disposto a tirar proveito disso? Se você disse Aaron Greed, você acertou! O próximo capítulo vem com mudança por aí e eu espero que vocês gostem. Até amanhã!