Wake Me Up

21 Acertando as Contas


Notas iniciais
Olá, Estão para a encrenca? encrenca em dobro? rsrs Trocadilho idiota eu sei, mas não resisti. Espero que gostem das mudança que fiz nesse capítulo. Boa leitura.

Vlad alternou o olhar entre Aaron e Rebecca enquanto esperava por uma explicação. Inicialmente, ele tinha plena certeza de que Aaron estava apenas tentando criar uma intriga em seu relacionamento, mas a cada segundo que se passava, o silêncio de Rebecca começava a incomodá-lo um pouco mais.

– Rebecca, se você tem algo para me contar, por favor, conte logo. – Vlad pediu quando a espera, finalmente, se tornou insuportável para ele.

– É. Vamos lá, Rebecca. Conte ao seu namorado o que realmente aconteceu aquele dia. – Aaron a pressionou.

Rebecca olhou para Vlad, cuja expressão era um misto de impaciência e preocupação, e depois olhou para Aaron que a encarava com uma expressão desafiadora e logo se arrependeu de ter lhe dado a chance de conversar. Deveria mesmo era ter lhe dado um belo soco, pois era isso que ele merecia.

– Eu... – ela começou sem saber como revelar para Vlad todas as mentiras que tinha contado sobre o dia do acidente.

Tinha certeza que assim que ele soubesse de toda a verdade, eles começariam a brigar e, talvez, Vlad até quisesse terminar o namoro depois, algo que Rebecca compreenderia perfeitamente, mas com o que ela não sabia se conseguiria lidar.

– Puxa vida, porque você não conta logo a verdade para ele? – Aaron perguntou passando um braço ao redor dos ombros dela, pegando-a totalmente de surpresa e fazendo Vlad encará-lo enfurecido.

– Tire as mãos da minha namorada! – ele vociferou, segurando Rebecca pelo pulso e empurrando Aaron para longe dela, bruscamente.

– Calma, cara. – Aaron ergueu as palmas das mãos para ele e abriu um sorriso convencido – Se eu quisesse fazer alguma coisa com a Rebecca, eu teria feito quando estávamos no quarto dela.

– Do que você está falando? – Vlad perguntou entre dentes e depois se voltou para Rebecca – Do que ele está falando?

O sorriso nos lábios de Aaron se alargou e ele desviou sua atenção de Vlad para Rebecca que, a essa altura, já estava tão pálida quanto um fantasma.

– Você quer fazer as honras ou eu mesmo posso contar a ele? – indagou.

– Me contar o que?! – Vlad alternou o olhar novamente entre os dois, mas como Rebecca permaneceu calada, ele a segurou pelos ombros a virou para si – Me fala.

Nervosa, Rebecca baixou os olhos para o chão e respirou fundo. Sentia-se horrível por ter mentido, mas preferia não ter que esclarecer as coisas para Vlad naquela noite, depois de tudo o que já havia acontecido e, ainda por cima, tendo Aaron como plateia. Agora que ele havia trazido o assunto à tona, porém, ela não tinha outra opção a não ser contar toda a verdade a Vlad, pois sabia que, se permanecesse calada, ele acabaria imaginando coisas bem piores que aquelas que, de fato, tinham acontecido.

– Eu não machuquei o joelho tropeçando em uma calçada. – Rebecca despejou de uma vez – Eu sofri um acidente com o Aaron. Na verdade, ele meio que me atropelou e, como eu não conseguia caminhar, ele me ofereceu uma carona até o St. Hilda’s e me carregou até o meu dormitório.

– Ele o que?!

– Mas não aconteceu nada entre nós. – ela se apressou em dizer – Ele apenas me ajudou a chegar até o meu quarto, Vlad. Eu juro. Foi só isso.

– E porque você não me contou? – Vlad questionou, soltando seus ombros e se afastando um passo – Porque não me disse que ele te atropelou e que te deu uma carona e que, ainda por cima, te levou até o seu quarto, Rebecca?

– Eu queria ter te contado. – ela explicou rapidamente – Queria mesmo, Vlad. Eu pensei em te falar, mas eu fiquei com medo de você reagir de uma maneira ruim.

– Tipo como ele está reagindo agora? – Aaron se intrometeu e Vlad partiu para cima dele, obrigando Rebecca a se colocar entre os dois.

– Por favor, pare. – ela pediu desesperada – Eu só queria evitar que mais brigas como esta acontecessem, Vlad. Foi por isso que não te contei nada. Eu só queria evitar mais confusões.

– Mentindo para mim? – ele questionou alterado – Me fazendo de idiota?

– Não. Claro que não. – Rebecca respondeu, angustiada – Eu só... Achei que você não entenderia. Achei que ficaria bravo se soubesse que Aaron tinha tme atropelado, porque não foi exatamente culpa dele. Fui eu quem atravessei a rua sem olhar e, depois, achei que você ficaria ainda mais irritado se soubesse que ele havia entrado no meu quarto e me ajudado. Eu não queria brigar.

– Quer saber o que me deixa realmente bravo? – Vlad retrucou – Todo esse tempo eu fiquei me martirizando, pensando em como você teve que se virar sozinha naquele dia, porque eu não estava por perto para te ajudar quando você se machucou. Eu escrevi a droga de um e-mail para o reitor, pedindo que ele desse uma olhada nas calçadas da universidade para evitar que outra pessoa caísse e se machucasse como você e, todo esse tempo, você estava apenas mentindo para mim, Rebecca, porque você não se machucou por causa de uma droga de calçada. Você foi atropelada por esse imbecil – ele apontou para Aaron – e ele não só te deu uma carona até o alojamento do St. Hilda’s, como também foi prestativo o bastante para burlar uma das regras mais importantes da sua faculdade e entrar no seu quarto sem permissão.

– Eu sei. – Rebecca assentiu, aflita – Eu sei que eu deveria ter te contado, Vlad, mas eu já disse que não aconteceu nada. Ele só me ajudou e...

– Você não deveria ter mentido para mim. – Vlad a interrompeu, ainda irritado – Eu com certeza teria ido tirar satisfações com o Aaron por ter te atropelado e, provavelmente, também teria ficado bravo pelo fato de ele ter entrado no seu quarto, mas eu teria entendido depois, Rebecca. Você não deveria ter mentido para mim desse jeito.

– Eu sei. – Rebecca respondeu, entristecida – Eu sinto muito mesmo por tudo isso, Vlad. Eu... Foi um erro não ter te contado. Me desculpe.

Vlad não respondeu nada, mas dava para ver em seu olhar que ele ainda estava magoado com aquela revelação e Rebecca sabia que, a maior parte de sua mágoa, não era pelo fato de ela ter deixado que Aaron a ajudasse ou por ela ter deixado que ele a carregasse até seu quarto, embora ela não tivesse realmente deixado que ele fizesse isso. Vlad só estava magoado porque ela havia mentido para ele e, agora, ela entendia que, embora suas intenções ao ocultar tais fatos dele fossem nobres, aquela não tinha sido a atitude mais louvável que ela tivera na vida.

– Bem, agora que já resolvemos esse pequeno mal entendido e que todos sabem que a minha índole é impecável, podemos voltar ao assunto das aulas de reforço?

Vlad fechou a cara para Aaron e Aaron, apenas para provocá-lo, retribuiu abrindo um largo um sorriso para ele, mas antes que os dois pudessem começar a discutir por causa disso, os amigos de Aaron e as três garotas que os acompanhavam se aproximaram deles, cada um carregando uma pequena mochila.

– Nós vamos voltar para a Trinity. – disse o garoto de cabelos negros do qual Rebecca se lembrava muito bem por causa do episódio na ponte – Você vem com a gente ou vai ficar por aqui com esses idiotas?

Rebecca se voltou para o garoto, encarando-o com um misto de choque e raiva e Aaron tentou conter uma gargalhada.

– Meu Deus, William, você é extremamente perverso. – ele disse ainda se segurando para não rir.

– Do que você está falando, Aaron? Todo mundo nessa universidade sabe que eu sou apenas sincero. – William respondeu, arrancando risadinhas das três garotas que os acompanhavam e fazendo Rebecca fechar ainda mais a cara.

– Tá. Que seja. – Aaron disse em um tom divertidamente cético.

– E então, você vem com a gente ou não? – o garoto loiro ao lado de William perguntou novamente.

Aaron se afastou da árvore onde tinha se recostado enquanto Vlad e Rebecca discutiam e se espreguiçou um pouco. O movimento fez sua camiseta subir alguns centímetros e revelou um pequeno pedaço de seu abdômen e parte do cós de sua cueca boxer branca, atraindo os olhares de todas as garotas ali e fazendo com que Rebecca quase começasse a rir ao ver o desejo ardente que emanava dos olhos delas. Estava claro que, embora duas delas estivessem acompanhando seus amigos, o alvo de seus maiores desejos não eram eles e, sim, o próprio Aaron.

– Acho que vocês podem ir, Adam. – Aaron respondeu finalmente para o garoto loiro, abaixando os braços e acabando com alegria das garotas que o olhavam – Não vou voltar para a Trinity hoje. Acho que vou levar a Makayla para fazer um tour no meu apartamento.

Ele piscou para Makayla – a garota loira que tinha se sentado no colo dele durante a festa – e ela quase pulou de alegria com a ideia. Rebecca ficou se perguntando se Makayla sabia que Aaron apenas iria apenas usá-la e descartá-la como sempre fazia com todas as garotas com quem ficava, mas pela forma como ela agia, Rebecca imaginou que ela já soubesse e que apenas não se importasse com isso.

Aaron abriu um sorrisinho.

– Ótimo. Então, está tudo certo. – ele puxou Makayla para junto de si e prendeu o polegar no passador de cinto de sua minissaia – Garanto que você vai gostar do passeio, gatinha.

– Eu sei. – Makayla sorriu e passou os braços ao redor do pescoço dele e Aaron, por sua vez, conduziu suas mãos até a cintura dela, enquanto lhe dava um beijo tão escandaloso que quase fez Rebecca querer vomitar.

Vlad desviou o olhar de toda a cena parecendo tão enojado quanto Rebecca com tudo aquilo e Rebecca olhou para Cadence, que já tinha terminado de guardar os cobertores e tapetes nas mochilas, e encarava o showzinho de Makayla e Aaron praticamente fuzilando-os com o olhar. Era evidente, para Rebecca, que com o desastroso rumo que as coisas tinham tomado naquela noite, seu plano para fazer Cadence tirar Aaron da cabeça tinha ido completamente por água abaixo e, agora, ela só esperava que a amiga não se metesse em outra confusão por causa daquele canalha.

Adam revirou os olhos para Aaron e Makayla e William pigarreou alto para chamar a atenção dos dois.

– Anda logo com isso, Aaron. – ele disse impaciente – Vocês terão a noite inteira para ficar se comendo quando chegarem ao seu apartamento, ok?

Aaron se soltou de Makayla exibindo um sorriso divertido e depois passou as costas das mãos na boca para tirar dali o gloss cor de cereja dela, que havia grudado em seus lábios durante o beijo.

– Bem, nós vamos indo, então. – ele disse, voltando-se para Vlad e Rebecca – Foi legal falar com vocês. A gente se esbarra por aí. E, Rebecca, vê se pensa melhor sobre as aulas. Acho que a gente podia aprender bastante um com o outro.

Ele deu meia volta e seguiu para o estacionamento, passando um braço ao redor dos ombros de Makayla e o restante de seu grupo partiu logo atrás dele, rindo e conversando animados sobre qualquer assunto fútil que lhes viesse a cabeça.

– Ele é tão nojento! – Rebecca exclamou um momento depois, fazendo careta na direção em que Aaron havia seguido – Você viu aquele beijo? Sério. O que foi tudo aquilo? Pensei que ele fosse engravidar a garota na nossa frente!

Vlad concordava com ela, pois não tinha palavras para descrever como a cena protagonizada por Aaron e Makayla tinha sido horripilante e, diga-se de passagem, totalmente desnecessária, mas não assentiu ou tão pouco disse algo a respeito do comentário. Apenas se afastou de Rebecca e seguiu até Cadence, tirando de suas mãos as duas mochilas que ela segurava com visível dificuldade.

– Vou levar vocês duas de volta ao St. Hildas. – disse ele – Acho que o Ty e o Mikhail não vão mais voltar para cá.

– Vlad... – Rebecca olhou para ele, mas ele acenou negativamente com a cabeça indicando que não estava a fim de conversar.

– É melhor a gente ir. – disse e virou as costas para elas, sem dar às garotas qualquer outra opção além de segui-lo até à saída do parque, acompanhando o ritmo das pessoas que também se dirigiam para lá.

Depois que Vlad as deixou no St. Hildas e se dirigiu para a Brookes, Rebecca e Cadence subiram as escadas arrastando os pés e seguiram para seu dormitório. O peso de todos os acontecimentos daquela noite estava sobre seus ombros e assim que elas entraram no quarto, ambas foram diretamente para suas camas e despencaram sobre elas.

– Essa festa foi um completo desastre. – Rebecca disse pensativa – Achei que nada superaria o desastre que foi a Festa de Boas Vindas, mas eu errei feio.

Cadence assentiu e depois suspirou e se virou para Rebecca.

– Desculpe pelo que fiz ao seu irmão. – ela disse constrangida – Eu não devia ter dito o que disse e, se eu não tivesse criado toda aquela confusão com ele, provavelmente o Aaron não teria tido a chance de estragar o seu namoro com o Vlad.

Rebecca saiu de sua própria cama e foi se deitar na cama de Cadence, abraçando-a em seguida.

– Não precisa se desculpar. – disse em um tom condescendente – Você não tinha como saber sobre o meu irmão, afinal, nem eu mesma sabia e até estava te dando a maior força para investir no Mikhail, né? Além do mais, os meus problemas com o Vlad são exclusivamente culpa minha. Fui eu quem decidi não contar a verdade a ele sobre aquele dia e, mais cedo ou mais tarde, ele ia acabar descobrindo. O Aaron sempre dá um jeito de estragar tudo.

– Ele foi um filho da mãe com você hoje. – Cadence comentou – Ele podia ter deixado essa passar, mas fez questão de te expor na frente do Vlad. Você pode ter mentido para ele e tudo, mas o que Aaron fez não foi legal.

– Não. Não foi. – Rebecca concordou, sentindo uma pontinha de raiva começar a brotar em seu peito ao se lembrar de como Aaron a havia pressionado e brincado com sua cara diante de Vlad.

– Mas voltando a falar do seu irmão – Cadence interrompeu seus pensamentos –, o que pensa em fazer agora que descobriu tudo?

Afastando de sua mente os problemas que tinha com Aaron e Vlad, Rebecca soltou um suspiro profundo.

– Sinceramente, vou precisar de um tempo para me acostumar com isso antes de pensar em conversar com o Ty.

– O fato de ele ser gay te incomoda? – Cadence perguntou soltando-se dela para poder se sentar na cama e retirar os sapatos.

– Não. Não é isso – Rebecca respondeu passando as mãos pelo rosto rapidamente – Eu amo o meu irmão, sabe? A gente tem as nossas desavenças, mas eu realmente o amo muito e esse detalhe a respeito dele não muda o que eu sinto. É só que... As coisas estão um tanto estranhas agora, entende? Eu não saberia como me portar perto dele no momento, não saberia nem o que dizer para ele e, pela forma como ele reagiu hoje, acho que ele se sentiria da mesma forma perto de mim. Seria um encontro desconfortável para nós dois, então, acho melhor esperar um pouco até ir conversar com ele.

Cadence concordou com um aceno.

– Essa é uma situação realmente complicada e... eu sei que você diz que não foi exatamente minha culpa, mas acho que eu deixei tudo ainda mais complicado quando revelei o segredo dele na frente de toda a universidade. – ela jogou seu sapato num canto do quarto e voltou a se deitar – Eu sou mesmo um ser humano horrível!

– Você não fez aquilo por mal. – Rebecca a consolou.

– Eu sei que não. Quero dizer, eu não imaginei que ele fosse realmente gay, sabe? Achei que ele ia retrucar e me dizer mais um monte de merda depois do que eu tinha dito, mas não imaginei que... Bem, não imaginei que a confusão fosse tomar aquelas proporções. Eu só queria irritá-lo, mas estava com tanta raiva por ele ter brigado comigo que passei dos limites. Eu deveria ter ficado calada.

– Bem, o que está feito está feito. – Rebecca se colocou de pé – Ainda não inventaram uma máquina do tempo, então não há como reverter as coisas que aconteceram hoje. Só o que podemos fazer é tentar consertar as coisas de agora em diante. – ela se espreguiçou – Vou tomar um banho e depois vou dormir. A noite foi longa e eu prometi para a Margareth que passaria no apartamento dela amanhã de manhã, então terei que acordar cedo.

– Tudo bem. – Cadence afofou seu travesseiro se ajeitou debaixo das cobertas – Dê um abraço na Margareth por mim amanhã.

– Pode deixar. – Rebecca seguiu para o chuveiro e Cadence fechou os olhos.

***

Na manhã seguinte, Rebecca acordou cedo para ir ao apartamento de Margareth. Seu corpo praticamente exigia que ela voltasse para a cama, mas como havia prometido a Margareth que iria, ela se forçou a se levantar e se arrumar.

Quando saiu, Cadence ainda estava dormindo profundamente e Rebecca tinha certeza de que ela acordaria com uma enorme dor de cabeça por causa da ressaca que teria depois de ter bebido tanto na noite anterior.

Ela seguiu de táxi até o apartamento de Margareth e não chegou a bater duas vezes em sua porta antes que Margareth a abrisse com um enorme sorriso estampado no rosto.

– Eu fiz biscoitos. – ela anunciou antes mesmo de dizer bom dia.

– Isso é bom, pois eu ainda nem tomei café. – Rebecca bocejou – A propósito, a Cadence te mandou um abraço.

– Ah, mande outro para ela quando a vir. – Margareth abriu um sorriso gentil – Ela podia ter vindo com você hoje.

– Acho pouco provável que ela queira sair da cama hoje. Fomos para uma festa ontem à noite e ela está bem cansada.

– Hum... Uma festa, hein? – Margareth piscou para Rebecca que apenas riu em resposta – Nesse caso, fica para a próxima então.

Margareth abriu espaço para que Rebecca entrasse no apartamento e depois as duas seguiram para a cozinha, onde o cheiro de biscoitos de leite e canela que preenchia o ar fez o estômago de Rebecca roncar alto.

– Sua mãe ligou ontem. – disse Margareth retirando o tabuleiro de metal de dentro do forno e depositando-o sobre a bancada da pia com cuidado.

– E o que ela queria?

– Queria saber como você estava indo na autoescola e se você e o Ty estavam bem. – Margareth deu de ombros – E, a propósito, onde será que está o seu irmão, hein? Eu o convidei para vir hoje também. Até achei que vocês viriam juntos, mas até agora nem sinal dele.

Rebecca engoliu em seco.

– Err... Acho que o Ty não virá hoje, Margareth. Ele... está com uns problemas. – ela respondeu devagar.

– Que tipo de problemas? – Margareth quis saber, enquanto colocava alguns biscoitos num prato para Rebecca.

– Bem... São uns problemas complicados. Não sei se ele ia gostar se eu te contasse.

Margareth se virou para encará-la.

– O Ty se meteu em alguma encrenca?

– Não. – Rebecca respondeu rapidamente – É que o problema é um tanto pessoal e eu não quero me intrometer. Ele te conta quando achar que deve, ok?

Margareth sorriu, aliviada.

– Jovens e seus problemas pessoais. – disse ela entregando o prato de biscoitos e uma xícara de chocolate quente para Rebecca – O que nós, meros adultos, podemos fazer contra isso, não é?

Rebecca sorriu também e se concentrou em tomar seu café da manhã. Ela queria poder contar a Margareth sobre o que tinha descoberto a respeito de Ty, mas se ele próprio não tinha feito isso ainda, não era ela quem iria fazê-lo agora. Aquele tipo de coisa era algo que apenas a própria pessoa deveria explicar para outra e, assim como ela não tinha revelado o que sabia sobre Aaron para Ty, não revelaria o que sabia sobre ele para Margareth.

Quando Rebecca terminou o café, ela seguiu com Margareth para a sala e as duas assistiram a um programa de culinária qualquer na TV enquanto conversavam sobre diversos assuntos, dentre os quais o que mais parecia interessar à Margareth era o namoro de Vlad e Rebecca, embora, depois dos acontecimentos da noite anterior, Rebecca não estivesse tão animada para falar sobre isso.

– Você podia convidá-lo para almoçar aqui qualquer dia. – Margareth sugeriu – Falamos tanto sobre ele, mas eu só o vi uma vez e foi tão rápido que mal tivemos tempo de trocar duas palavras.

– Vou falar com ele. – Rebecca concordou, desejando que realmente pudesse fazer isso e que a raiva e a mágoa que Vlad estava sentindo por ela acabasse logo – Só não fique contando a ele o quanto eu era bonitinha de fraldas ou coisas assim, ok? É vergonhoso.

– Ora, é vergonhoso por quê? Tenho certeza que o Vlad também usava fraldas quando era bebê e, além do mais, você ficava uma gracinha quando corria feito um pinguim pela casa usando aquelas fraldas cheias de desenhos.

– Viu? – Rebecca revirou os olhos para ela – É exatamente disso que estou falando, Margareth. Meu namorado não precisa saber que eu corria parecendo um pinguim.

Margareth riu.

– Ok. Ok. Sem coisas vergonhosas, então. Eu prometo.

– Obrigada. – disse Rebecca levantando-se do sofá e seguindo até a janela do apartamento para olhar a paisagem.

Sem perceber, seu olhar se voltou para as janelas do apartamento de Aaron. Suas cortinas brancas estavam completamente fechadas impedindo que ela visse o interior do apartamento e Rebecca começou a se perguntar se Aaron ainda estaria lá, ou se àquela hora ele já teria voltado para a universidade.

Ela sabia que a culpa do desentendimento entre ela e Vlad era mais sua culpa que dele, afinal, foi ela quem decidiu que seria melhor ocultar os fatos dele, mas ela não podia ignorar a parte de si que achava que Aaron tinha isso um grande idiota ao dar inicio àquela confusão, quando ele podia, muito bem, tê-la evitado ou, até mesmo, tornado a situação menos embaraçosa e complicada para todos. Ele podia ter agido de uma maneira melhor, mas obviamente, Aaron não estava interessado em fazer o bem. Tudo o que ele queria era tornar a vida das pessoas um inferno e, quando se tratava dela, parecia que quanto mais confusões ele pudesse criar, mais feliz ele ficava e aquilo a deixava furiosa.

Sua vontade era ir até ele e confrontá-lo. Perguntar o motivo pelo qual ele não podia simplesmente deixá-la em paz e não deixá-lo escapar até que ele tivesse respondido todas as suas perguntas com a maior honestidade que pudesse ter. E, antes que pudesse impedir, essa ideia completamente louca tomou conta de sua cabeça e Rebecca se pegou contando o número de andares e de apartamentos que havia no prédio vizinho até chegar ao apartamento de Aaron, numa tentativa de descobrir qual era o número do apartamento dele para que pudesse ir até lá.

Segundo suas contas, o apartamento dele ficava no quarto andar e era o ultimo – ou o primeiro – do corredor. Então, munida dessas poucas e nada exatas informações, Rebecca voltou rapidamente para o sofá e pegou sua bolsa.

– Que correria é essa? – Margareth perguntou ao vê-la recolar o casaco e correr para a porta – Aonde você vai?

– Acabei de me lembrar que tenho um trabalho enorme para fazer esse fim de semana – Rebecca mentiu, usando a primeira desculpa em que conseguiu pensar – Preciso voltar para a universidade. Te vejo depois, ok?

– Espera. – Margareth a seguiu – Você não quer que eu chame um táxi para você?

– Não precisa, não. A próxima avenida é cheia de táxis. Eu posso andar até lá e pegar um rapidinho.

– Bem, então eu te acompanho até lá. – Margareth propôs, mas Rebecca parou e a interceptou, antes que ela passasse pela porta.

– Não precisa. – ela afirmou, tentando não deixar muito na cara que havia algo errado acontecendo – É sério, Margareth. A próxima avenida é bem pertinho, não vou levar nem cinco minutos para chegar lá. Fique aqui, ok? Eu posso ir até lá sozinha.

Margareth a encarou confusa e Rebecca fez a melhor cara de paisagem que conseguiu, até que Margareth sacudiu a cabeça concordando.

– Tudo bem, mas me ligue assim que chegar ao seu dormitório, ok?

Rebecca deu-lhe um beijo rápido no rosto.

– Vou ligar.

– E tenha cuidado. – Margareth completou assim que ela se encaminhou para o elevador.

– Sem problemas. – ela respondeu com um aceno e então Margareth fechou a porta.

Enquanto se dirigia para o prédio vizinho, tudo em que Rebecca conseguia pensar era em como aquela ideia era estúpida e falha, mas agora que tinha começado não ia desistir dela. Era provável que se arrependesse da escolha depois, mas sua teimosia falava mais alto naquele momento.

Assim que chegou a porta do prédio, ela respirou fundo e entrou, seguindo direto para o balcão onde estava o recepcionista e obrigando-se a abrir para ele o sorriso mais inocente que conseguiu.

– Bom dia, senhorita. Em que posso ajudá-la? – o recepcionista perguntou de maneira educada assim que Rebecca se aproximou dele.

– Bom dia. Eu vim visitar um amigo que mora aqui. – Rebecca respondeu apontando para cima em direção aos apartamentos – Ele mora no quarto andar desse prédio, mas não me lembro bem qual é o número do apartamento. O nome dele é Aaron Greed.

O Recepcionista olhou para Rebecca de cima a baixo e depois abriu um sorriso.

– Ah, sim. Aaron Greed. – ele repetiu enquanto pegava o interfone – Ele mora no apartamento vinte e um, moça. Aliás, qual é mesmo o seu nome?

– Rebecca. – ela respondeu receosa.

– Rebecca. Ok. Vou interfonar e perguntar se você pode subir, está bem? Aguarde só um minuto.

O recepcionista discou alguns números no interfone e Rebecca aguardou, sentindo vontade de socar a si mesma por ter tido uma ideia tão idiota quanto aquela. Se soubesse que precisaria da autorização de Aaron para entrar no prédio e que ele seria avisado sobre sua chegada, ela jamais teria ido até lá. Agora, porém, era tarde demais para voltar atrás. Se ela se virasse e saísse correndo do prédio, tinha certeza de que o recepcionista contaria a Aaron e ele a atormentaria pelo resto da vida por causa disso. Então, tudo que ela podia fazer era aguardar enquanto o recepcionista falava com Aaron e respirar fundo.

– Pode subir. – o recepcionista disse assim que desligou – Ele está te esperando.

Rebecca se contentou em agradecer ao recepcionista com um pequeno sorriso e depois se dirigiu ao elevador. Assim que entrou, ela apertou o botão referente ao quarto andar do prédio e esperou enquanto o elevador subia, sentindo o coração martelar dentro do peito.

Como tinha imaginado, o apartamento de Aaron era o último do corredor e Rebecca esfregou as mãos uma na outra enquanto caminhava lentamente até lá, nervosa por saber que em poucos segundos estaria cara a cara com ele.

Quando, finalmente chegou em frente a porta do apartamento de Aaron, ela parou, respirou fundo pelo menos dez vezes e até pensou em dar meia volta até o elevador umas vinte vezes, mas se obrigou a não fazer isso. Tinha saído do apartamento de Margareth com uma missão e não iria embora até que a tivesse concluído.

– Seja o que Deus quiser. – disse antes de repirar fundo, uma ultima vez, e bater na porta.

Notas finais
Então, pessoinhas, nesse capítulo tivemos briguinha do casal VlaBecca e eu já estou praticamente ouvindo os coros de aleluia vindos de todos os BeccAaron shippers rsrs Espero que tenham gostado do capítulo e no próximo, vem mais confusão por aí, mas essa vocês já conhecem. Beijos e até o próximo.