Wake Me Up
7 Sob as Estrelas
Notas iniciais
Aaron soltou Rebecca e virou-se devagar, encarando Vlad com desprezo. Os dois já haviam se esbarrado pelo campus algumas vezes e Aaron sabia que Vlad era um amigo de Ty, pois já o tinha visto andando pela universidade com seu colega de quarto, mas aquela era a primeira vez que os dois chegavam a se falar de fato e a situação não podia ser menos favorável para uma primeira conversa.
– O que foi que você disse? – Aaron perguntou assumindo, mais uma vez, o tom desafiador que já lhe era tão característico, mas Vlad, por sua vez, sequer piscou.
– Eu disse exatamente o que você ouviu. – ele respondeu sem se abalar – Agora, porque você não faz um favor a si mesmo e deixa a Rebecca em paz antes que eu obrigue a fazer uma visita surpresa ao seu dentista, hein?
Aaron soltou uma gargalhada e depois olhou para Vlad, medindo-o de cima a baixo.
– Eu adoraria te ver tentar. – disse ele dando um passo perigoso na direção de Vlad, que imediatamente cerrou os punhos, pronto para um embate, mas antes que os dois pudessem começar uma briga, Rebecca se colocou entre eles e segurou a mão de Vlad tentando arrastá-lo para longe de Aaron e de suas provocações.
– Não ligue para o que ele diz. – ela pediu – Vamos sair daqui.
– É, Vlad. – Aaron cruzou os braços e sorriu – Seja um bom cãozinho e vá com a sua dona.
– Não me provoque, Greed. – Vlad se soltou de Rebecca e se aproximou dele com uma expressão ameaçadora capaz de fazer muita gente tremer, mas Aaron permaneceu tão impassível quanto uma árvore.
Estando assim tão próximos, Vlad podia olhá-lo de cima e ele era bem uns dez centímetros mais alto que Aaron e também mais corpulento, mas Aaron parecia não se intimidar nenhum pouco com esse fato.
Rebecca, por outro lado, se colocou mais uma vez entre os dois e pousou as mãos sobre o peito de Vlad, temendo que ele começasse uma briga. Ela sabia que não conseguiria segurá-lo caso isso acontecesse, mas esperava que sua presença ali o impedisse de avançar contra Aaron, pois por mais que achasse que ele merecia mesmo uma boa surra, não queria que Vlad se metesse em nenhuma confusão por sua causa e uma briga logo em frente ao alojamento do St. Hilda’s com certeza geraria muitas delas.
–Vamos embora, por favor, Vlad. – ela praticamente implorou – Não vale a pena brigar com ele. Você sabe que ele só está querendo te provocar.
Vlad baixou seus olhos para Rebecca, que o encarou de forma quase suplicante e, depois de um segundo, assentiu e voltou-se novamente para Aaron.
– Eu vou ignorar você agora apenas porque a Rebecca me pediu. – disse ele – Não farei isso da próxima vez, então, espero que esteja ciente.
Aaron abriu um sorrisinho.
– Oh! Alguém, por favor, me esconda. Estou morrendo de medo do cara grande e mau. – debochou.
– Se eu fosse você ficaria com medo mesmo. – Vlad o alertou.
– E se eu fosse você tomaria cuidado com os lugares por onde anda de agora em diante. – disse Aaron e Vlad o encarou com raiva.
– Você está me ameaçando, Greed?
– Eu? Ameaçando você? – Aaron se fez de bobo – Eu jamais faria isso, Vlad. Estou apenas te dando um aviso. E você sabe: quem avisa amigo é.
– O que está acontecendo aqui? – perguntou Cadence, aproximando-se deles e olhando para Vlad e Aaron e depois para Rebecca que continuava parada entre os dois, com as mãos espalmadas no peito de Vlad, segurando-o.
– Cady! – Aaron desvencilhou-se deles e foi até ela, exibindo um sorriso radiante – Você está maravilhosa.
– Você acha mesmo? – ela deu uma voltinha e, quando Aaron assentiu, a expressão de raiva em seu rosto se atenuou de imediato e ela abriu um sorriso bobo – Obrigada. Que bom que gostou.
– Na verdade, eu adorei. – Aaron passou o braço em volta de seus ombros e, depois, se voltou novamente para Vlad e Rebecca – Bom, nós já vamos indo. – ele disse tranquilamente – Até mais Rebecca e... Vlad, eu te vejo por aí.
Ele sorriu e depois seguiu com Cadence em direção à saída sul de Oxford, brincando com as argolas dos brincos dela como se a confusão anterior nunca tivesse acontecido.
– Eu odeio esse cara! – Vlad exclamou nervoso – Ainda não consegui encontrar alguém mais detestável que Aaron Greed nesse mundo.
– Espera aí. – disse Rebecca confusa – Você o conhece?
– É impossível estudar em Oxford e não conhecê-lo, Rebecca. Chamar atenção faz parte do DNA do Aaron e ele é colega de quarto do seu irmão, afinal. – Vlad explicou – Quem conhece o Ty sabe que ele está sempre reclamando do Aaron.
Rebecca deu um pequeno tapinha em sua própria testa.
– É verdade. Eu me esqueci desse detalhe.
– Não importa. – Vlad balançou a cabeça e respirou fundo – Vamos esquecer o Aaron, está bem? Não quero estragar nossa noite falando sobre esse idiota. – ele sorriu – Você está pronta?
– Estou. Só preciso buscar a minha bolsa lá no quarto. Você me espera aqui?
– Claro. – Vlad assentiu e Rebecca abriu um sorriso para ele antes de subir as escadas correndo.
Seu plano era pegar sua bolsa, esquecer todas as chateações que Aaron a havia causado naquele dia e aproveitar sua noite ao lado de Vlad, mas tudo isso foi por água abaixo quando ela chegou ao quarto e viu que Cadence havia trancado a porta depois de sair.
– Mas que droga! – Rebecca exclamou chutando a porta várias vezes – Que droga, Cadence!
Como Aaron a havia arrastado para fora do alojamento sem nenhum aviso, todas as suas coisa tinham ficado trancadas dentro do quarto e isso incluía sua chave. Rebecca até cogitou a ideia de ligar para Cadence e mandá-la voltar para abrir a porta, mas logo a descartou, pois seu celular também estava dentro do quarto e ela ainda não havia decorado o número de Cadence para ligar para ela de outro telefone. Então, sem saber mais o que fazer, Rebecca apenas desceu as escadas quase chorando de raiva. O dia inteiro havia sido uma grande porcaria e parecia ficar pior a cada minuto que se passava.
Ela encontrou Vlad sentado na escada do alojamento, mexendo no celular, enquanto cantarolava uma música russa qualquer.
– Desistiu de pegar sua bolsa? – perguntou ele, colocando-se de pé assim que ela se aproximou.
– A Cadence trancou a porta do nosso quarto e todas as minhas coisas ficaram lá dentro. – Rebecca explicou – Parece que hoje não é o meu dia de sorte.
– Ah. – Vlad franziu as sobrancelhas e coçou a cabeça, pensativo – Você tem lugar para dormir?
– Sim. O meu dormitório. – Rebecca respondeu convicta – Por quê?
Vlad olhou para ela, cauteloso.
– Errr... Rebecca... Se a sua colega de quarto é a única pessoa que tem a chave do seu dormitório e ela acaba de sair com Aaron Greed, então... Bem, se eu fosse você eu começaria a pensar em um plano B.
Rebecca encarou Vlad por um segundo, tentando ler em sua expressão o que ele queria dizer com ela precisar pensar um plano B, mas logo sua ficha caiu e ela percebeu o grande desastre que aquilo significava: Cadence certamente passaria a noite com Aaron e ela ficaria sem um lugar para dormir.
– Mas que beleza! – ela exclamou sentando-se na escadaria, desolada. – Não vou nem perguntar se tem como ficar pior, porque com a sorte que tenho eu não iria gostar da resposta.
– Que tal você passar a noite com a sua tutora? – Vlad sugeriu – Ty disse que ela veio para a universidade com você, mas que foi para um hotel depois. Você poderia dormir lá com ela.
– Boa ideia. – o rosto de Rebecca se iluminou por um momento, enquanto ela avaliava a possibilidade, mas logo ficou triste novamente – Não vai dar.
– Por quê?
– Porque a Margareth deixou o nome e o endereço do hotel escritos para mim, mas eu nem cheguei a ler e guardei o papel na minha gaveta. – Rebeca suspirou – Em resumo: eu não sei em que hotel ela está.
– E você não pode ligar para ela e perguntar?
– Eu poderia se eu me lembrasse do número dela, mas eu não me lembro. A Margareth trocou de telefone recentemente e eu ainda não consegui decorá-lo.
– Temos um grande problema então. – disse Vlad sentando-se ao lado dela na escada.
Rebecca concordou, tristemente, mas depois seu rosto voltou a se iluminar e ela se colocou de pé, num salto.
– Meu irmão está no seu dormitório, não é? – ela perguntou animada.
– Provavelmente. – Vlad respondeu confuso – Ele ainda não tinha chegado quando eu saí, mas já deve estar lá agora. Por quê?
– O Ty tem o número da Margareth. Vou ligar para ela e pedir o endereço. – Rebecca disse contente – Você me leva até o seu dormitório?
Vlad a encarou, por um instante, sem reação.
– Você... quer ir lá, tipo... agora? – ele perguntou, por fim.
– Sim. – ela respondeu enérgica – Algum problema?
– Não. É só que... É mais fácil ligar para ele e pedir o telefone da Margareth, não é? – Vlad sorriu e Rebecca avaliou a sugestão, sentindo-se boba por não ter pensado naquilo.
– Você tem toda razão. – ela concordou – Me empresta o seu celular?
– Sem problemas.
Vlad entregou o celular à Rebecca e ela discou o número de Ty, aguardando ansiosa. Quando não estava ocupado, seu irmão sempre atendia depois de um ou dois toques, mas dessa vez o celular chamou por um minuto inteiro e depois caiu na secretária eletrônica.
– Ele não atende. – Rebecca encerrou a chamada – Vamos ter que ir até lá mesmo.
– Tente mais uma vez. – sugeriu Vlad e ele próprio pegou seu celular de volta e discou o número de Ty, mas assim como na tentativa anterior, a ligação caiu na secretária eletrônica e o mesmo aconteceu com o celular de Mikhail quando ele tentou.
Vlad olhou ao redor novamente, procurando outra solução, pois não queria ter de ir até seu dormitório naquele momento, mas como não tinha mais opções e Rebecca precisava ligar para sua tutora, ele apenas respirou fundo e se levantou.
– Vamos lá. – disse ele, rendendo-se e, então, seguiu com Rebecca para o alojamento da Brookes College.
Quando chegaram lá, Vlad bateu na porta algumas vezes, mas assim como aconteceu com os telefonemas, não obteve nenhuma resposta.
– Será que eles saíram? – Rebecca perguntou, preocupada, mas Vlad fez que não com a cabeça e tomou à frente.
– Mikhail! – gritou ele, voltando a bater na porta incessantemente.
– Já vai. – A voz forte de Mikhail ecoou através da porta.
Um minuto depois ele abriu a porta e Ty postou-se atrás dele, encarando Rebecca e Vlad com um sorriso nervoso.
– Oi gente. Achei que vocês iam sair hoje. Desistiram? – ele olhou para Vlad pedindo explicações e Vlad apenas revirou os olhos, impaciente.
– A colega de quarto da Rebecca a trancou fora e ela está sem a chave e sem o celular. – ele explicou – Ela precisa da sua ajuda.
– Ty – Rebecca adiantou-se –, você poderia ligar para a Margareth e pedir o endereço do hotel onde ela está? Eu preciso de um lugar para dormir e quero saber se eu posso passar a noite lá com ela.
– Ah, sim. Claro. – Ty sorriu e voltou para dentro do quarto – Entra aí, Becca. Deixa só eu encontrar o meu celular que eu já ligo para ela.
Vlad e Mikhail o seguiram e Rebecca entrou no quarto depois deles, surpreendendo-se com a grande bagunça que havia no lugar. Margareth sempre lhe dissera que os garotos eram grandes bagunceiros, mas Rebecca não imaginava que fossem tão bagunceiros ao ponto de deixar praticamente tudo, inclusive seus cobertores e travesseiros, espalhados pelo chão daquela maneira.
– Ah, qual é?! – Vlad exclamou irritado – Olha o que vocês fizeram com a minha cama! Eu falei para não fazerem isso!
– Foi mal, Vlad. – disse Ty, retirando cobertores e travesseiros do lugar enquanto procurava por seu celular.
– Foi mal?! Não, cara, isso foi péssimo. Eu já disse que a minha cama...
– A gente já entendeu, Vlad. – Mikhail deu um beliscão no braço do primo e o olhou feio – A gente arruma tudo antes de você voltar, tá? Agora fica quietinho.
Vlad o encarou, sério.
– Se você acha que vou me contentar com isso, você está muito enganado. – disse ele – Quando eu voltar a gente conversa.
Ty finalmente conseguiu encontrar seu celular embaixo da cama de Mikhail e então ligou para Margareth, que passou o endereço do hotel e o número do quarto em que estava para Rebecca. Ela anotou tudo e depois devolveu o celular para o irmão.
– Podemos ir agora. – disse para Vlad, que se levantou e seguiu com ela para fora do dormitório, lançando um ultimo olhar enraivecido para Ty e Mikhail antes de fechar a porta.
– Eles são dois bagunceiros, não é? – disse Rebecca rindo, assim que ela e Vlad saíram do alojamento da Brookes.
– Nunca mais deixo esses dois sozinhos naquele dormitório. – Vlad respondeu – Mas vamos mudar de assunto. O que você acha de darmos uma volta por aí?
Rebecca assentiu e ele segurou a mão dela, guiando-a através do campus.
– Aonde vamos? – ela quis saber.
– Você verá.
Vlad levou Rebecca até o Headington Hill Park, que ficava a cinco minutos do centro da cidade. O Headington Hill era um parque simples e bem organizado, onde era possível desfrutar do encantador estilo dos parques antigos e, como estavam entrando no outono, os caminhos por onde passavam estavam cheios de folhas secas caídas pelo chão.
Depois de uma pequena caminhada pelo parque, Vlad sentou-se em um dos bancos de madeira e Rebecca sentou-se ao seu lado para observar a paisagem. A noite estava agradável e estrelada, o que tornava o Headington Hill Park ainda mais belo e quase fazia Rebecca esquecer o dia infernal que tivera.
– Olhe só isso. – disse ela olhando para o céu, maravilhada – Em Nova Iorque quase não dá para ver as estrelas assim. A noite está linda, não é?
– Sim. Muito linda. – Vlad assentiu, mas sua atenção não estava voltada para o céu de Oxford e, assim que percebeu que ele olhava para ela, Rebecca o encarou, tímida.
– Assim você me deixa com vergonha, Vlad. – disse ela corando.
– Desculpe. – ele abriu um sorriso – Mas você fica muito fofa quando está com vergonha, sabia? Eu adoro olhar para você.
Rebecca apenas assentiu, maravilhada com as palavras dele. Ela também gostava de olhar para ele, principalmente quando ele sorria, e diante de tudo o que havia acontecido naquele dia, parecia que ele era o único que conseguiria fazê-la sorrir agora.
Tudo o que Rebecca sabia sobre romances era o que via nos filmes e nos livros, mas estar ali com Vlad era como ser protagonista de um filme de conto de fadas. Tudo estava perfeito e parecia que nada seria capaz de estragar aquele momento.
Vlad olhou em seu relógio por um breve instante e depois se voltou para Rebecca sorrindo.
– O que acha de irmos jantar agora?
– Acho uma boa ideia. – respondeu ela.
Já eram quase nove da noite e a ela começava a sentir seu estômago protestar pela falta de alimentos.
– Você tem alguma preferência? – perguntou Vlad – O céu é o limite.
Rebecca sorriu.
– Deixo você escolher.
Vlad ponderou um pouco.
– Você gosta de comida francesa?
– Adoro. – Rebecca respondeu animada.
– Ótimo. Tem um restaurante perto daqui que se chama Côte Brasserie. – disse Vlad – Fui lá algumas vezes e é bem legal. Se quiser podemos jantar lá.
– Por mim tudo bem.
Vlad e Rebecca então atravessaram o parque e seguiram para a George Street, onde ficava o Côte Brasserie. Vlad deixou que Rebecca escolhesse a mesa e ela optou por uma mais ao fundo do restaurante.
O Côte Brasserie era um restaurante pequeno, porém encantadoramente acolhedor, por isso era o restaurante favorito de muitos casais por seu ambiente aconchegante e charmoso.
Vlad e Rebecca fizeram seus pedidos, que chegaram dez minutos depois.
– Obrigada por vir comigo hoje. – disse Vlad enquanto saboreava seu jantar – Você me salvou de uma noite muito entediante.
– Eu que agradeço o convite. Aliás, peço desculpas por toda a confusão em que te coloquei hoje. Não queria que você tivesse se desentendido com o Aaron daquele jeito.
– Não precisa pedir desculpas. – Vlad segurou uma das mãos dela – O Aaron é um idiota. A gente acabaria se desentendendo por algum motivo até o fim do curso. Ele já brigou com praticamente todo mundo dessa universidade.
– Sério? – Rebecca perguntou, surpresa – Sei que ele é detestável, mas achei que ele só brigava com o Ty.
– Aaron Greed?! – Vlad exclamou divertido – Ele arruma confusão com todo mundo, seja da Trinity College ou de qualquer outra faculdade. O cara é simplesmente um babaca.
– Ele deve ter algum problema. – disse Rebecca pensativa.
– O problema dele é ter nascido. – disse Vlad fechando a cara.
Rebecca apenas sorriu. Estava na cara que Vlad não gostava nenhum pouco de Aaron, então eles tinham algo mais em comum.
– E então – perguntou Vlad –, o que há entre você e o Aaron?
– Como assim? – Rebecca indagou, confusa.
– Sei lá. – Vlad deu de ombros – Ele invadiu o alojamento do St. Hilda’s e saiu te arrastando do prédio daquele jeito. Achei que havia alguma coisa entre vocês.
– Não. Ele só queria falar com a Cadence. Não tem coisa nenhuma entre nós. Acho que ele apenas sente prazer em me atormentar. – Rebecca respondeu nervosa.
– Que bom, porque mesmo não suportando o Aaron, acho que eu me sentiria meio culpado por querer roubar a namorada dele. – disse Vlad.
Rebecca quase se engasgou com o suco que estava bebendo. Primeiro porque Vlad tinha achado – mesmo que por pouco tempo – que ela e Aaron tinham alguma relação e, segundo, porque ele, de certa forma, havia acabado dizer que gostava dela.
Vlad abriu um pequeno sorriso.
– Acho que eu te assustei, não é? – disse ele, tímido.
– Não. – Rebecca respondeu sem graça – É que você me pegou de surpresa... Pode me dar licença um minutinho?
Vlad assentiu com um aceno de cabeça e Rebecca se retirou da mesa, procurando pelo banheiro mais próximo. Já estava começando a ficar vermelha de vergonha e a sentir uma leve falta ar. Estava feliz por Vlad ter algum sentimento por ela, mas não sabia como agir diante daquilo.
Ela molhou o rosto algumas vezes e caminhou para lá e para cá pelo banheiro durante algum tempo, apenas tentando se acalmar. Quando finalmente achou que estava calma o suficiente para falar com Vlad sem desmaiar, voltou para a mesa.
– Desculpe por isso. – disse Vlad, tristemente, assim que ela se sentou – Eu costumo falar demais.
– Não precisa pedir desculpa, não. Eu... Fiquei feliz em saber que você... Gosta de mim. – disse Rebecca, receosa.
Vlad não havia dito exatamente que gostava dela e ela apenas tinha deduzido isso a partir do comentário dele, mas talvez tivesse entendido tudo errado.
– Fica feliz mesmo? – perguntou ele um pouco mais animado – Não acha estranho, nem nada? Afinal eu te conheci ontem.
– Bem... Eu também gosto de você, sabe? – Rebecca voltou a ficar vermelha.
– Você está falando sério? – perguntou Vlad incrédulo.
Rebecca escondeu o rosto entre as mãos.
– Estou.
Vlad olhou para Rebecca e depois retirou as mãos dela de seu rosto.
–Não faça isso. – disse Vlad – Eu adoro ver suas expressões. Elas te tornam ainda mais verdadeira.
Rebecca olhou envergonhada para ele e depois para o relógio de parede que ficava logo atrás de sua mesa.
– Está ficando tarde. – disse ela.
Vlad consultou seu relógio de pulso mais uma vez.
– É verdade. É melhor levar você para o hotel da sua tutora.
Ele chamou o garçom e pediu a conta, depois segurou a mão de Rebecca, fazendo-a se levantar. Os dois se dirigiram até um ponto de táxi e de lá para o hotel onde Margareth estava hospedada.
– Posso te contar um segredo? – perguntou ele enquanto a acompanhava até a porta do hotel, parecendo envergonhado.
– Claro. – disse ela, parando a poucos metros da porta.
– Quando você foi até o ginásio da Brookes ontem e o Ty te apresentou para nós, eu mal consegui te cumprimentar. – ele abriu um sorriso tímido – Assim que eu te vi, te achei tão linda que perdi a fala. Tudo o que pude fazer foi acenar para você. Você deve ter me achado um idiota.
– Não. – respondeu Rebecca, surpresa com aquela revelação – Na verdade, nem reparei que estava assim. Você me pareceu muito maduro e seguro. Eu... Te achei encantador. – ela confessou.
– E eu te achei simplesmente perfeita, Rebecca.
Vlad se aproximou de Rebecca lentamente e acariciou seu rosto, fazendo sua pele se aquecer com aquele toque cheio de ternura.
– Será que seus pais me matariam se eu beijasse você agora? – perguntou ele, olhando-a nos olhos.
Rebecca respirou fundo.
– Acho que sim. – respondeu com certa dificuldade.
Vlad pensou um pouco a respeito.
– Acho que quero correr o risco. – decidiu por fim.
Ele se inclinou para Rebecca e ela fechou os olhos, sentindo sua respiração forte e seus lábios se aproximarem pouco a pouco.
– Becca. – Margareth a chamou, fazendo-a se sobressaltar.
– Margareth. – disse Rebecca envergonhada, afastando-se de Vlad bruscamente.
Ele mordeu o lábio levemente e olhou para o chão, sem graça.
– Tudo bem? – perguntou Margareth olhando de Rebecca para Vlad.
– Sim. Err... Margareth, esse é o Vlad. – Rebecca os apresentou – Vlad essa é minha tutora. Margareth.
– É um prazer conhecê-la, senhora. – disse Vlad apertando a mão de Margareth.
– O prazer é meu, Vlad. – disse Margareth sorridente – Vou deixar vocês se despedirem. Te espero lá dentro, Becca.
Margareth voltou para dentro do hotel e Rebecca e Vlad se encararam, caindo na risada logo depois.
– Desculpe por isso. – disse Rebecca.
– Não se preocupe. – disse Vlad segurando a mão dela – Bem, é melhor eu ir embora agora. Boa noite... Becca.
Vlad se inclinou novamente para ela, mas dessa vez deu-lhe um pequeno beijo na testa e depois se afastou.
– Boa noite, Vlad. – disse ela, corando.
Vlad voltou para o táxi e depois que ele partiu, Rebecca entrou no Hotel quase dançando de felicidade. Margareth a esperava no hall e assim que elas entraram no quarto, Rebecca se jogou na cama e abraçou o travesseiro suspirando.
– Então, esse é o famoso Vlad. – disse Margareth, jogando o edredom sobre Rebecca – Ele é bonito.
– Ele é mesmo, não é? – Rebecca não conseguia parar de sorrir.
– É sim. Agora é melhor dormir. Ainda tem aula amanhã.
– Está bem.
Rebecca fechou os olhos, mas sua mente continuou a mil por hora. Tudo em que ela conseguia pensar era em Vlad e em seu quase primeiro beijo. Tudo havia sido tão perfeito que era como se ela já estivesse sonhando
Mal podia esperar para ver Vlad no dia seguinte.
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