Wake Me Up
8 Destilando o Veneno
Notas iniciais
Cadence se remexeu na cama com um sorriso nos lábios. Ainda de olhos fechados, espreguiçou-se e passou a mão no lugar ao seu lado, onde Aaron deveria estar deitado. Encontrou apenas o vazio.
Abriu os olhos, sendo momentaneamente cegada pela claridade que invadia o quarto do apartamento de Aaron, e depois olhou ao redor, sem encontrá-lo.
Rapidamente colocou-se de pé e enrolou o lençol branco, com o qual estava coberta, ao redor do corpo sem se preocupar em vestir suas roupas que ainda estavam espalhadas pelo chão. Espreguiçou-se mais uma vez e saiu lentamente do quarto, dando de cara com a empregada de Aaron. Ela limpava os móveis da sala, mas parou quando viu Cadence e abriu um sorriso gentil para ela.
– Bom dia. – a mulher a cumprimentou.
Cadence ajeitou um pouco melhor o lençol em seu corpo e abriu um sorriso tímido.
– Bom dia. – disse, envergonhada e olhou ao redor – Onde está o Aaron?
– Ele saiu já faz algum tempo. – respondeu a mulher, largando a flanela com a qual limpava os móveis e seguindo para a cozinha – Disse que estava indo para a faculdade e pediu que eu preparasse o café para você.
Cadence a acompanhou até a cozinha e olhou tristemente para a mesa onde havia pães frescos, diversos biscoitos, manteiga, café, chá, suco de laranja e algumas frutas.
Havia tido a noite mais maravilhosa de sua vida ao lado de Aaron e esperava encontrá-lo ao seu lado naquela manhã. Eles poderiam preparar qualquer coisa para o café da manhã e depois ir para Oxford ou, quem sabe, matar a aula do primeiro período e aproveitar para ficarem mais um tempo juntos, pois era assim que ela havia imaginado que seria. Mas ele já não estava mais ali.
– Tudo bem? – perguntou a mulher, arrastando uma das cadeiras para Cadence.
Cadence forçou um pequeno sorriso.
– Sim. Será que eu posso tomar o café daqui a pouco? – perguntou ela – Quero tomar um banho antes.
– Claro. – a mulher abriu mais um sorriso gentil.
Cadence seguiu para o banheiro para tomar um banho rápido antes de se vestir novamente e a empregada de Aaron a seguiu com o olhar.
Ela se chamava Emma. Era uma mulher de meia idade e trabalhava para Aaron havia dois anos, lavando suas roupas e limpando seu apartamento três vezes por semana. Nesses dois anos já havia perdido a conta de quantas garotas encontrara ali na mesma situação de Cadence e isso a fazia pensar em sua filha: Amelie.
Amelie tinha pouco mais de dezesseis anos e Emma nunca permitia que ela a acompanhasse até o apartamento de Aaron, porque receava que ela pudesse encontrá-lo por lá.
Não é que Emma pensasse em Aaron como um serial killer que seduzia garotas inocentes e tirava-lhes sua pureza antes de matá-las. Ela apenas sabia que sua conduta era deplorável e não queria correr o risco de Amelie acabar se interessando por ele, afinal Aaron era um garoto atraente.
Quando Emma olhava para Cadence, era como se olhasse para sua própria filha e, como qualquer mãe, sentia-se triste, por que sabia que Aaron apenas a magoaria. Estava ciente de que aquela seria a primeira e a ultima vez que a veria ali, pois era sempre assim que acontecia e chegou a cogitar a ideia de dizer à Cadence que ela havia sido enganada como tantas outras, mas precisava do emprego. Por isso, apenas a olhou com pesar e ficou calada, fazendo o que sempre fazia: fingir que o belo garoto de olhos verdes para quem trabalhava não era um completo cafajeste.
Cadence tomou seu banho, vestiu suas roupas e apanhou suas coisas, depois se sentou à mesa e comeu um pouco antes de voltar para Oxford. Teve de ir andando para a universidade, pois Aaron já havia voltado para lá em seu carro e ela não tinha dinheiro suficiente ali para pagar um táxi. Felizmente, o apartamento dele ficava apenas a algumas quadras de distância de Oxford.
Quando finalmente chegou à universidade, seguiu direto para seu dormitório e encontrou Rebecca sentada na escadaria do alojamento. Ela ainda usava as roupas da noite anterior, então Cadence supôs que ela tivesse passado a noite com o garoto que estava discutindo com Aaron antes de eles saírem.
Rebecca se colocou de pé no momento em que a viu.
– Você não deveria estar na aula? – perguntou Cadence de mau humor.
– Eu estaria se pudesse pegar minhas coisas, mas você me trancou do lado de fora do quarto. – disse Rebecca.
Cadence olhou para ela surpresa.
– Passou a noite inteira aí me esperando? – perguntou sentindo uma pontada de culpa.
Havia brigado com Rebecca, mas nem por isso desejava que ela sofresse tendo que passar a noite sentada nos degraus da escadaria do alojamento do St. Hilda’s. Estava brava, sim, mas não era cruel.
– Não. – Rebecca respondeu, acompanhando Cadence até o quarto – Passei a noite com a Margareth, mas estou sentada ali desde as sete da manhã. Achei que você voltaria a tempo para a primeira aula.
– Eu perdi a hora. – disse Cadence, abrindo a porta e dando passagem para Rebecca.
Rebecca entrou e sentou-se na cama tirando imediatamente as sapatilhas que usava e Cadence entrou logo depois, fechou a porta e jogou-se na cama, enfiando a cara no travesseiro.
Rebecca olhou para ela, tentando resistir à vontade de perguntar se estava tudo bem. Tinha medo que mais uma vez Cadence se irritasse com a pergunta e isso só piorasse as coisas entre elas.
Para sua surpresa, foi Cadence quem iniciou uma conversa.
– Viu o Aaron por aqui? – perguntou ela, sentando-se na cama para retirar os sapatos também.
– Ele não estava com você? – Rebecca perguntou confusa.
– Sim, mas ele voltou mais cedo para a universidade. Só queria saber se ele tinha passado por aqui para ver se eu já tinha voltado.
– Não que eu o tenha visto. – disse Rebecca, agradecendo mentalmente por isso.
Depois do que acontecera no dia anterior não queria ver Aaron Greed tão cedo, embora soubesse que já era uma grande conquista não ter esbarrado nele assim que colocou os pés em Oxford, afinal, para sua tristeza, isso ocorria com certa frequência.
– Ele deve estar na aula ainda. – disse Cadence e Rebecca concordou com um pequeno aceno de cabeça, apenas para não criar mais problemas com Cadence. Na verdade, achava que Aaron não iria procurá-la tão cedo.
O celular de Rebecca tocou, sobressaltando tanto ela quanto Cadence. Havia passado tanto tempo sem o aparelho que havia até esquecido que o possuía. Rebecca pegou o celular e logo um sorriso tomou conta de seu rosto, quando ela viu que era Vlad quem telefonava.
– Oi. – disse, tentando não parecer assustadoramente animada com a ligação.
– Bom dia. – a voz forte de Vlad respondeu do outro lado – Vejo que conseguiu entrar no seu quarto.
– Sim. Eu consegui. – Rebecca respondeu, sorrindo.
– Isso é uma grande vitória. – disse ele – Como foi sua noite? Dormiu bem?
– Sim. E você? – disse Rebecca amaldiçoando-se por não conseguir pensar em nada melhor para dizer.
– Mais ou menos. –Vlad respondeu pensativo – Eu fui obrigado a dormir no chão essa noite.
– Por quê? – Rebecca perguntou confusa.
– Bem... Não é nada importante. – ele sorriu um pouco e Rebecca pode ouvir a voz grave de Mikhail dizer alguma coisa indecifrável do outro lado da linha.
– Você e o Mikhail estão brigando? – perguntou ela.
– Não exatamente. – Vlad respondeu com um tom divertido – O problema é que o Mikhail fala como um cachorro rosnando.
Houve um barulho de algo caindo, seguido de alguns resmungos de Mikhail e Vlad e Rebecca não conseguiu reprimir o riso. Cadence, que já havia se deitado novamente, abriu os olhos e a encarou de mau humor. Rebecca lançou-lhe um olhar de desculpas e depois saiu do quarto. Cadence parecia muito irritada e seria melhor conversar com Vlad longe dela.
– Conseguiu ir para sua aula hoje? – perguntou Vlad, depois de um tempo.
– Não. A Cadence chegou há dez minutos.
– Bem, pelo menos você conseguirá ir para a segunda aula.
– Felizmente. – disse Rebecca.
Houve um instante de silêncio constrangedor, até que Vlad voltou a falar:
– Err... Eu posso passar aí para te ver? – ele perguntou, receoso.
Rebecca corou imediatamente. Embora ela e Vlad tivessem quase se beijado na noite anterior, ainda sentia-se envergonhada com ele.
– Agora? – perguntou ela, por fim.
– Não. Não poderei ir agora, pois tenho umas coisas para fazer por aqui. Mas eu posso ir mais tarde, quando você tiver um tempo livre? – perguntou ele.
– Venha depois da segunda aula. – ela sugeriu, tímida.
– Perfeito. – Vlad concordou – Por volta das seis horas eu estarei aí, então.
– Combinado. – disse Rebecca.
Depois de se despedir de Vlad e desligar o celular, Rebecca voltou para seu quarto. Cadence já havia caído no sono, por isso ela se trocou em silêncio e aproveitou as horas que tinha antes da segunda aula para tirar um cochilo também.
Quando acordou, tomou um banho rápido, vestiu seu uniforme e acordou Cadence para que ela não perdesse a mais uma aula. Pegou seus materiais e seguiu para uma lanchonete próxima ao St. Hilda’s para comer alguma coisa antes de seguir para sua aula de Psicanálise I.
Estava concentrada, saboreando um belo pedaço de torta de morango, quando Ty aproximou-se sorrateiramente por trás dela e tapou seus olhos.
– Advinha quem é. – disse ele e Rebecca segurou suas mãos e as afastou de seus olhos, rapidamente.
– Que susto, Ty. – ela colocou a mão sobre o peito e ele riu.
– Calma, Becca. Eu nem disse que era um assalto ou algo assim.
– E nem ouse fazer isso! – ela socou o braço dele levemente.
Na verdade, Rebecca não havia se assustado com a atitude de Ty e, sim, por que imaginou que fosse Aaron já a perturbando.
– Tudo bem. – disse Ty, sentando-se à mesa com ela e roubando um pequeno pedaço de sua torta de morango – Como foi sua noite com o Vlad? Se divertiu?
– Foi ótimo. Passeamos num parque perto daqui, depois jantamos num restaurante francês chamado Côte Brasserie. – Rebecca sorriu – O Vlad é legal.
Ty assentiu com a cabeça e depois olhou de esguelha para Rebecca.
– E ele beija bem? – perguntou.
– Ty! – Rebecca jogou um dos guardanapos sobre ele.
– O que? Só estou perguntando. – Ty deu de ombros – Não é nada demais.
– Isso não é coisa que se pergunte. – disse Rebecca depois de dar outra mordida em sua torta – Não é educado.
– Mas ele beijou você, não é? – Ty perguntou com um sorriso malicioso.
– Não. Ele não me beijou. – ela ficou vermelha – E vamos mudar de assunto.
Ty revirou os olhos, achando graça da atitude de Rebecca. Conversar com ela era como tentar falar sobre garotos com uma menina de doze anos. A diferença é que uma menina de doze anos talvez ficasse menos envergonhada que sua irmã.
– Como foi sua noite com o Mikhail? – perguntou Rebecca e Ty engasgou-se com o pedaço de torta que estava mastigando, fazendo com ela precisasse se levantar e dar alguns tapas nas costas dele – Meu Deus, Ty! – ela exclamou assustada – O que foi que houve?
– Nada. Eu só engoli a torta rápido demais. – Ty pigarreou tentando limpar a garganta e tomou um gole do suco de Rebecca – Porque perguntou isso?
– Para mudar de assunto. Vocês não iam assistir a um filme? Eu só queria saber se tinha sido bom.
– Foi legal. – disse ele apenas, enquanto concentrava toda sua atenção em arrumar os enfeites que havia sobre a mesa.
– Vlad não quis matar vocês pela bagunça que fizeram? – questionou ela.
– Ele quis sim. – Ty confirmou com um pequeno sorriso – Talvez ainda queira.
Rebecca assentiu e depois deu uma olhadela em seu relógio, levantando-se apressada em seguida.
– Ai meu Deus! Eu preciso ir. – disse ela erguendo o braço para chamar o garçom – Minha aula já vai começar.
– Pode ir. – disse Ty – Eu pago a conta para você.
– Obrigada. – Rebecca deu-lhe um beijo rápido no rosto e pegou seus livros de cima da mesa. – Eu vejo você depois.
– Tenha uma ótima aula. – disse Ty.
– Você também. – Rebecca gritou enquanto corria em direção ao prédio do St. Hilda’s.
Ty pagou a conta e depois seguiu para o ginásio da Brookes onde havia marcado de jogar basquete com Mikhail, aproveitando que Mikhail não tinha aula no segundo período e que ele próprio não estava com a menor vontade de ir para sua aula de Antropologia da Alimentação Humana.
Ao chegar à porta do ginásio, viu Mikhail em seu típico uniforme vermelho, já ensaiando algumas jogadas. Apesar de cursar Engenharia Industrial Mecânica, Mikhail era melhor em basquete do que qualquer um que Ty já tinha visto. Conseguia fazer cestas de três pontos com perfeição toda vez que tentava e, muitas vezes, acertava cestas até mesmo estando do outro lado da quadra. Seria um talento muito bem aproveitado em qualquer um desses grandes times de basquete, mas para Mikhail o esporte era apenas um hobby.
Mikhail correu para o fundo da quadra e arriscou uma jogada. A bola rodopiou algumas vezes pelo aro e depois entrou na cesta.
– Bravo. – disse Ty calmamente, aplaudindo enquanto se dirigia ao centro da quadra para encontrá-lo.
Mikhail abriu um pequeno sorriso e o abraçou depositando um leve selinho em seus lábios.
– Está atrasado. – disse ele.
– Encontrei a Rebecca no meio do caminho e parei para conversar um pouco com ela. – Ty explicou – Vou colocar meu uniforme e já volto.
Ty se dirigiu ao vestiário, onde guardou sua mochila em um dos armários e colocou seu uniforme vermelho, depois retornou para a quadra. Mikhail lançou a bola para ele e se posicionou no centro da quadra.
– Sobre o que você e a Rebecca conversaram? – Mikhail perguntou e Ty quicou a bola no chão algumas vezes, antes de passá-la para ele.
– Ela quis saber como tinha sido a nossa noite. – ele respondeu dando de ombros.
Mikhail afastou-se um pouco do centro da quadra e depois lançou a bola na cesta do lado contrário, fazendo uma cesta perfeita.
– E o que você respondeu? – ele indagou correndo para pegar a bola e depois lançando-a para Ty novamente.
– Que o filme tinha sido legal. – disse Ty, jogando a bola na cesta mais próxima a ele e errando – Droga!
Mikhail pegou a bola novamente, olhou para ele por um instante e depois lançou a bola na cesta do lado contrário ao que estava. Outra cesta perfeita.
– Ty... Sabe que um dia vai ter que contar para sua família sobre nós, não sabe? – perguntou Mikhail, aproximando-se dele.
Ty olhou tristemente para o chão.
– Eu sei. – respondeu ele – Apenas me dê um tempo, ok? Eu contarei a eles assim que possível.
Mikhail segurou o queixo de Ty e o ergueu, fazendo-o olhar em seus olhos.
– Tudo bem. Não estou te pressionando. Apenas prefiro que eles saibam por você, que por outra pessoa. Entende?
Ty assentiu com um leve aceno de cabeça e Mikhail o abraçou e depositou um beijo terno em sua testa.
– Odeio te ver triste assim. – disse ele – Não queria que tivesse que passar por esse tipo de coisa.
– Não se preocupe. Eu vou ficar bem. – respondeu Ty retribuindo ao seu abraço e abrindo um pequeno sorriso – Agora esqueça isso. Vamos jogar.
Mikhail abriu um sorriso também e girou a bola de basquete na ponta de seu dedo indicador.
– Está afim de uma aposta?
– Que tipo de aposta? – Ty indagou.
– O primeiro que fizer vinte e um pontos ganha o que quiser e o perdedor não terá direito de recusar.
– Essa sua aposta é muito abrangente. – disse Ty receoso.
– E é isso que a torna legal. – Mikhail deu uma piscadela para ele.
– Você só diz isso porque sabe que eu nunca vou ganhar de você. – Ty fez um biquinho.
– Talvez hoje seja o seu dia de sorte. – Mikhail deu de ombros e Ty roubou a bola das mãos dele.
– Já aviso que estou tentado a pedir que você compre o Castelo do Drácula para mim. – ele disse, brincalhão – Ele está à venda e custa 130 milhões de dólares, então é melhor começar a economizar.
Mikhail pensou um pouco.
– Você nunca pediria isso.
– Eu não teria tanta certeza. – disse Ty – Acha mesmo que tudo o que pensaria em pedir seria você?
– Bem, eu sei que tudo o que eu quero se resume a você. – respondeu Mikhail tomando a bola de Ty e, depois, abraçando-o. Ty sorriu para ele e depositou um selinho em seus lábios, então Mikhail largou a bola de basquete e inclinou-se para beijá-lo de forma apaixonada.
– Que belo casal. – disse Aaron parando na porta do ginásio, com um sorriso satisfeito.
Ty afastou-se bruscamente de Mikhail e virou-se assustado para ele.
– Ora, não tenha medo. – disse Aaron com sarcasmo – Eu vim em paz.
Mikhail o encarou, furioso.
– O que quer aqui, Greed?
Aaron adentrou alguns passos na quadra e pegou a bola que Mikhail havia largado.
– Vim buscar o meu trabalho. – respondeu ele, quicando a bola algumas vezes no chão – Você já terminou de fazer, não é Ty?
– Ty não tem que fazer trabalho nenhum para você. – disse Mikhail – Faça você seus próprios trabalhos.
Aaron olhou para ele entediado e, em seguida, lançou a bola na cesta, acertando-a quase tão perfeitamente quanto Mikhail faria, depois caminhou até Mikhail e Ty e parou encarando Mikhail de forma séria.
– Eu vou explicar só mais uma vez para ver se esse seu cérebro russo consegue entender. – disse ele – Eu mando e vocês obedecem. É assim que funciona.
Mikhail avançou para Aaron, mas Ty se colocou entre os dois, apreensivo.
– Eu podia lhe dar uma bela surra agora mesmo, Greed. – Mikhail esbravejou.
– Vá em frente. Faça isso. – Aaron aproximou-se ainda mais, desafiando-o – Amanhã o rostinho bonito do Ty estará espalhado nas páginas das maiores revistas de fofoca do mundo. Imagine a manchete: “Filho de Grande Empresário Americano é Flagrado aos Beijos com Outro Homem!” Seria maravilhoso, não é? – ele abriu um sorriso diabólico – Só não sei se seu pai iria gostar da novidade, Ty. Ouvi dizer que ele é meio homofóbico.
– Vá se ferrar, Greed! – disse Ty com raiva, soltando Mikhail e virando-se para Aaron.
– Não fique bravo, Andrews. Não é nada pessoal. – respondeu Aaron sem se abalar – São apenas negócios. Você faz os meus trabalhos e eu guardo o seu segredinho. É uma troca justa.
– Você é um desgraçado! – disse Mikhail.
– Sim, eu sei. Não é nada que eu já não tenha escutado antes. Agora me faça um favor e diga ao seu namorado para ir pegar meu trabalho, porque eu já estou atrasado para minha aula.
Ty fechou a cara e foi até o vestiário pegar o trabalho de Aaron em sua mochila. Havia passado a madrugada inteira fazendo-o, mas tinha muita vontade de rasgá-lo bem na cara de Aaron agora. Quando voltou para a quadra Mikhail havia se sentado em uma das arquibancadas mais afastadas de Aaron, mas ainda o encarava com raiva. Aaron, por outro lado, estava encostado no poste de aço que sustentava a cesta de basquete sem se importar com sua ira.
– Aqui está seu trabalho. – disse Ty, praticamente atirando-o para Aaron – Agora dê o fora.
Aaron olhou para Ty, indiferente e folheou o trabalho, analisando um pouco seu conteúdo. Em geral sabia que Ty os fazia perfeitamente, mas achava muito divertido conferir enquanto Ty o observava enfurecido. Quando terminou, Aaron abriu um sorriso satisfeito.
– Muito bem, Andrews. – disse ele dando alguns tapinhas leves no rosto de Ty – E agora que eu tenho o que quero, já vou indo. Podem continuar com a pegação de vocês. Finjam que eu nunca estive aqui.
Aaron saiu do ginásio e Ty respirou fundo, tapando o rosto com as mãos, mas logo em seguida desabou no chão, aos prantos e Mikhail correu para ampará-lo.
– Eu o odeio. – disse Ty, desesperado, assim que Mikhail o alcançou – Ele é um monstro, Mikhail!
Mikhail sentou-se ao lado dele e o envolveu em seus braços, reconfortando-o.
– Precisa acabar com essa chantagem do Aaron, Ty. Conte logo aos seus pais sobre nós e mande esse desgraçado para o inferno.
– Não é tão fácil! – Ty exclamou desolado – Não posso contar nada a eles. Não antes de ser independente o suficiente para sair de casa. Meu pai me mataria.
Mikhail olhou triste para Ty. Amava-o mais que tudo e não queria que ele sofresse daquela forma por causa de alguém como Aaron Greed, mas sabia que Ty tinha razão. Ele não podia contar nada aos pais até ser completamente independente deles.
Então Mikhail apenas abraçou Ty com força e permitiu que ele chorasse. Não podia fazer nada contra Aaron naquele momento, mas prometeu a si mesmo que quando tudo tivesse se resolvido o faria pagar por cada lágrima que Ty já tinha derramado por causa dele.
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