Wake Me Up

45 Sempre a Garotinha do Papai


Notas iniciais
Olá, Gente, primeiro, eu nem sei como expressar o quanto estou feliz por, finalmente, conseguir atualizar essa fanfic. Sério, foram quase três meses de ausência, devido a um bloqueio criativo infernal que sofri, mas para o bem de todos e felicidade geral da nação, consegui concluir o capítulo 45 de Wake Me Up. Eu ouvi um amém?! kkk E, sim, quero confetes e balões, pois estou realmente contente com isso! =D Foi como tirar um peso das costas. Vocês não têm noção rsrs Em segundo lugar, queria contar para vocês uma novidade maravilhosa. Uma amiga minha, a Tatiane Nascimento, que aqui no Nyah atende pelo nome de Kha-Chan (segue link do perfil dela: https://fanfiction.com.br/u/17066/) e que também é uma leitora assídua de Wake Me Up, lançou o seu primeiro livro, na semana passada *.* Ele se chama "Corações Ardentes", é um belo romance, ambientado nos tempos da monarquia, cheio de conspirações e reviravoltas e com uns personagens apaixonantes, tipo o personagem principal que se chama Karlac e poderia muito bem ser meu futuro marido, maaaas.... kkk Enfim, só queria dizer que muitos aqui devem ter o sonho de lançar um livro ou algo assim e gostaria de pedir o apoio de vocês para a Tatiane. Caso se interessem por esse tipo de estória, vale a pena ir a uma livraria e dar uma olhadinha em Corações Ardentes ou procurar no site da Editora Biografia e, quem sabe, indicá-lo a outros amigos leitores que possam curtir a história. Nesse nosso mundinho literário, apoio é tudo, então, vamos nessa! Agora, sem mais delongas, já que concluí o capítulo e sei que vocês estão loucos para conhecer os pais da Rebecca, eu vou deixar de falatória aqui e vou deixar vocês lerem. Espero que gostem do capítulo, embora eu já avise que vão passar um pouco e raiva e ele é dedicado a Kha-Chan, por ter conquistado um de seus grandes sonhos. Sucesso, moça! Boa leitura,

Rebecca encontrou seus pais, Samantha e Benjamin Andrews, exatamente onde eles disseram que estariam: sentados em um dos bancos do jardim, em frente ao alojamento do St. Hilda's College. Já havia alguns meses que ela não os via, já que seus pais passavam grande parte do tempo viajando a trabalho, mas fora o novo corte de cabelo da mãe e o fato de que seu pai havia abolido, de vez, a barba curta que usava, Rebecca não notou nenhuma grande mudança neles.

— Mãe. Pai. – Ela os chamou assim que se aproximou do jardim e, como já esperava, seus pais se viraram em sua direção com sorrisos radiantes.

— Rebecca! – Sua mãe foi a primeira a se colocar de pé e se aproximar para abraçá-la e Rebecca retribuiu ao abraço dela como pode, já que estava com a bolsa de seu notebook e alguns livros nas mãos.

Tudo isso, é claro, tinha sido uma ideia de Aaron, que achou que toda a história de estar na biblioteca pareceria bem mais convincente se Rebecca aparecesse no alojamento da faculdade, carregando os materiais que havia levado para seu apartamento no fim de semana. Também havia sido uma ideia dele que ela deixasse sua mochila e suas roupas lá e as pegasse em um outro dia, pois nenhum pai acreditaria na história da biblioteca se sua filha aparecesse diante deles, carregando roupas suficientes para participar de um acampamento no final de semana e ninguém que Aaron conhecia era tão louco a ponto de dormir em uma biblioteca apenas para poder estudar um pouco mais. Nem mesmo Rebecca.

— Oi, minha menina. – Benjamin Andrews também se aproximou da filha e a cumprimentou com um meio abraço e um beijo no rosto, que fez Rebecca se lembrar dos tempos em que era criança e ele a colocava para dormir, depois de lhe contar uma história. Momentos raros, mas muito significativos para ela.

— Gostei do novo visual, pai. O senhor rejuvenesceu uns dez anos sem a barba. – Ela comentou, ajeitando os livros novamente nos braços, quando o pai se afastou. – Ah, e a senhora também está ótima, mãe. Adorei seu cabelo assim, mais curto.

— Você gostou mesmo? – Samantha Andrews passou os dedos pelos fios castanhos, parecendo verdadeiramente satisfeita com o resultado e Rebecca assentiu, deixando-a ainda mais contente com a escolha do novo visual. – Eu encontrei um salão maravilhoso em Bruxelas. Você precisa conhecê-lo O cabeleireiro é um verdadeiro gênio, não é mesmo querido?

— Ah, é, sim. E sua mãe tem falado tanto dele nos últimos dias que cheguei a pensar que ela o traria para casa conosco. – Benjamin confidenciou, brincalhão e Samantha lhe deu um tapa no braço que fez Rebecca sorrir. Ela conhecia a mãe o suficiente para saber que ela devia, sim, ter feito uma proposta de exclusividade ao cabeleireiro e que ele, de certo, havia recusado para continuar em seu salão em Bruxelas.

— Mas e quanto você, querida? Tem se divertido aqui na universidade? – Samantha voltou sua atenção novamente para ela e Rebecca teve que aturar outra sessão de abraços apertados que, dessa vez, também incluíram alguns apertos em suas bochechas e uma ajeitadinha básica na gola da camisa social branca de seu uniforme que a fizeram corar de vergonha.

— Querida, por favor, deixe a Becca respirar por um segundo. – Seu pai intercedeu por ela, que lhe agradeceu com um sorriso afetuoso. – Se não soltá-la um pouco vai acabar sufocando-a.

— Eu sei. Eu sei, querido. Mas é que são tantos meses sem vê-la, não é? – Samantha ajeitou mais uma vez a gola da blusa de Rebecca e se afastou um passo para trás, parecendo prestes a cair no choro. – Sempre que nos encontramos sinto como se tivéssemos passado séculos longe dela.

— Tudo bem, mãe. – Apesar de envergonhada, Rebecca sorriu para ela, compreensiva. Por causa de suas muitas viagens a trabalho, sua relação com os pais não era tão próxima quanto ela gostaria, mas isso não a impedia de sentir falta deles da mesma forma que eles pareciam sentir a sua. – Também senti saudades de vocês dois e a universidade tem sido divertida, sim. Estou gostando muito de Oxford.

Às suas costas, Aaron pigarreou, lembrando-a de que ele ainda estava ali e de que aquele era um ótimo momento para ela o apresentar aos pais e, só então, Samantha e Benjamin pareceram notar a presença dele também.

— Precisa de alguma coisa, meu jovem? – Benjamin Andrews o encarou parecendo confuso e, até mesmo, um tanto incomodado por vê-lo pairando ao redor da filha caçula daquele jeito e Rebecca se apressou em contornar a situação embaraçosa, fazendo sinal para que Aaron se aproximasse um pouco mais.

— Não, pai. Ele não precisa de nada. – Ela sorriu, tentando não deixar transparecer o nervosismo que sentia e ajeitou melhor a bolsa do notebook sobre o ombro, porque ela havia escorregado um pouco depois de toda a sessão de abraços. – Mãe, pai, este aqui é o Aaron. Um amigo meu aqui da universidade.

— Amigo? – Samantha trocou olhares com o marido, que assentiu, parecendo tão desconfiado quanto ela. – Pensei que o St. Hilda's fosse um colégio para moças.

— Ele não é do St. Hilda's, mãe. O Aaron é aluno da Trinity, assim como o Ty.

— Ah. Um aluno da Trinity College.

— Seu filho e eu fomos colegas de quarto, senhor e senhora Andrews. – Aaron se adiantou e estendeu a mão para cumprimentá-los. – Foi assim que Rebecca e eu nos conhecemos.

— Então, você é um amigo do Tyler? – Benjamin lhe deu um aperto de mão forte que, claramente, serviria para intimidar qualquer genro ou qualquer candidato a genro, mas Aaron se manteve impassível.

— Sim. Eu sou. – Ele respondeu com um sorriso brando, que não vacilou nem mesmo quando Rebecca lançou-lhe um olhar preocupado.

Ela sabia muito bem que Aaron e Ty estavam tão próximos de serem amigos, quanto a Terra estava próxima da Lua. Na verdade, Rebecca tinha quase certeza de que seu irmão preferiria enfiar alfinete nos próprios olhos a reconhecer o ex-colega de quarto como algo além de um inimigo mortal e, se Ty dissesse isso aos seus pais, toda aquela encenação amistosa que Aaron estava fazendo agora, estaria perdida.

— Tyler não nos fala muito sobre a sua vida na universidade. – Samantha continuou, apertando a mão dele com muito mais delicadeza que o marido. – Ele perdeu um ano de estudos em um curso de Engenharia que não conseguiu concluir e, acredito eu, ele pensa que nós o julgamos mal por isso, já que nenhum de seus irmãos mais velhos havia desistido de um curso antes.

— Mãe. – Rebecca a repreendeu com um olhar duro, indignada com o comentário feito sobre o irmão de quem ela mais gostava. – Esse não é um assunto adequado para o momento.

— Sua mãe só quer deixar claro que nós não o julgamos. – Benjamin interveio em favor da esposa. – Todos têm dificuldades, Becca. Seu irmão precisa que saber que ele não tem que fugir de todas as nossas reuniões de família apenas por causa disso. Ele está bem cursando Gastronomia. Nós o apoiamos.

Rebecca abriu a boca para retrucar, mas pensou melhor e se calou. Sabia bem que o motivo de Ty fugir das reuniões de família não era por ele ter desistido de um curso de Engenharia, mas dizer que os pais estavam enganados levantaria questões que ela não poderia responder, então, era melhor deixar que o assunto morresse ali.

— A gente não ia sair para comer alguma coisa? – Ela lembrou, rezando para que isso fosse suficiente para fazer seus pais esquecerem o assunto anterior. – Eu só preciso guardar essas coisas e trocar de roupa e estarei pronta para ir.

— Ah, sim. E, querida – Samantha sorriu e se aproximou para pousar as mãos sobre os ombros dela –, seu pai e eu adoraríamos conhecer o seu dormitório.

— Vocês querem conhecê-lo agora?

— Será uma visita breve. – Benjamin comunicou, vendo que Rebecca não havia ficado tão entusiasmada com aquilo quanto deveria. – Só queremos conhecer o lugar onde você passará os próximos quatro anos da sua vida.

— Bem, eu não vou passar os próximos quatro anos da minha vida trancada no quarto, certo? – Rebecca tentou brincar para dar um fim àquele clima desconfortável que pairava sobre eles, mas como Aaron foi o único que riu de seu comentário, ela suspirou e se deu por vencida. – Tudo bem. Já que insistem, eu levo vocês até o meu dormitório.

— Ah, seria maravilhoso. – Samantha apertou as bochechas dela uma última vez e, antes mesmo que Rebecca pedisse para que eles a seguissem, seus pais já estavam saindo do jardim e seguindo em direção ao alojamento.

— Sabe, eu amo os meus pais, mas, às vezes, eles conseguem me enlouquecer. – Ela comentou em voz baixa, enquanto seguia atrás deles, com Aaron em seu encalço.

— E por “às vezes” você quer dizer que eles te enlouquecem sempre que ficam por perto por mais de cinco minutos, não é?

Rebecca olhou para ele por sobre o ombro e suspirou, baixinho.

— Acho que isso fica bem óbvio sempre que a minha mãe aperta as minhas bochechas, não é mesmo? – Ela reprimiu uma risada repleta de frustração e Aaron acariciou seu ombro, endireitando-se quando Benjamin se virou para lançar a ele um olhar reprovador por causa de sua proximidade com a filha.

Ao chegarem a porta de entrada do alojamento, Rebecca e seus pais foram recebidos por Eleanor, a monitora que ela considerava como a mais rígida em relação ao cumprimento das normas da St. Hilda's College. Eleanor, estava sempre pelos corredores, dando bronca nas alunas que por um motivo ou outro corriam na escadaria ou que esqueciam-se de alguma peça do uniforme, como a gravata ou o blazer. Nada passava despercebido àqueles olhos e isso ficou bastante claro quando a monitora os deteve na porta, exigindo suas identificações.

— Eu me chamo Benjamin Andrews e essa é minha esposa, Samantha. – Seu pai comunicou, retirando a identidade da carteira e entregando-a para Eleanor, assim como sua esposa. – Somos os pais da Rebecca. – Ele apontou para a filha, que também entregou sua identidade estudantil para a monitora e aguardou. – Gostaríamos de conhecer o dormitório dela, se possível. Ainda não tivemos a oportunidade de fazer uma visita.

Eleanor observou as fotos nas identidades e os nomes escritos nelas e os comparou com a identidade estudantil que Rebecca havia lhe passado, antes de devolvê-los aos donos.

— Senhor e senhora Andrews, é um prazer tê-los em nossa universidade. – Ela abriu para eles um sorriso gentil que Rebecca nunca tinha visto estampado em seus lábios antes. – O dormitório da sua filha é no terceiro andar. Ela pode levá-los até lá. Espero que apreciem as instalações de nosso alojamento.

— Ah, sim. Muito obrigada. – A mãe de Rebecca agradeceu com um sorriso educado e passou pela monitora, sendo seguida de perto pelo marido. Rebecca fez o mesmo, mas parou quando Eleanor estendeu o braço, impedindo que Aaron entrasse atrás dela.

— Senhor Greed. – A monitora o encarou com olhos de águia e expressão severa. – Pensei ter dito que não queria encontrá-lo perambulando pelos corredores desse prédio novamente.

— Ah, não. Eu não estou perambulando hoje. – Aaron abriu seu melhor sorriso e apontou para os pais de Rebecca, que já estavam chegando aos pés da escadaria que levava ao próximo piso. – Eu estou com eles. Sou um amigo da família.

— Ah. Um amigo da família? – Eleanor estreitou os olhos, sem acreditar em uma só palavra. – Infelizmente a entrada de “amigos da família” não é permitida no alojamento, senhor Greed. Volte quando tiver uma filha que estude aqui.

— Mas eu…

— Sem mais, senhor Greed. – Eleanor o segurou pelo ombro e conduziu até o início da escadaria que levava ao estacionamento. – Pode esperar pelos seus amigos no jardim.

Indignado, porém sem ter como contestar aquela ordem sem ir parar no escritório de um Andrew Hamilton nada satisfeito, Aaron apenas acenou para Rebecca, indicando que a esperaria lá fora e ela acenou de volta para ele, antes de subir as escadas para alcançar os pais. Felizmente, ela havia se lembrado de trazer sua chave, mas nem precisou usá-la, pois, antes mesmo que pudesse encaixá-la na fechadura, uma Cadence muito alegre abriu a porta para recebê-la.

— Me conta tudo! – Cadence exigiu, praticamente puxando-a para dentro do quarto. – Vi o carro dele estacionado lá fora. Vocês…

— Saímos um pouco mais cedo da biblioteca. – Rebecca a interrompeu quase gritando e Cadence a encarou sem entender coisa alguma, até ver os pais dela parados na porta, observando o interior do dormitório com visível interesse.

— Esses… são os seus pais? – Ela perguntou, estampando, imediatamente, um sorriso radiante no rosto para esconder o constrangimento de quase ter dedurado a melhor amiga sem querer. – Oi. Eu sou a Cadence. Colega de quarto da Rebecca. É um prazer conhecê-los, senhor e senhora Andrews.

— Olá, querida. O prazer é todo nosso. – Samantha abriu um sorriso maravilhado para ela, trocando olhares com o marido, que assentiu em aprovação. Na visão deles, Cadence parecia uma ótima garota. Seu jeito doce e sorridente sugeria que ela era uma menina recatada, educada e pacífica e essas eram características que eles julgavam essenciais para considerá-la uma boa colega de quarto para a filha.

— Me desculpem pela bagunça. – Cadence apontou para os livros que havia deixado sobre sua cama. – A Rebecca não me avisou que vocês viriam visitá-la e eu estava terminando um exercício.

— Ah, não se incomode com isso. – Benjamin dispensou as desculpas com um aceno. – É sempre bom ver os jovens se empenhando assim nos estudos. Vocês têm um excelente espaço aqui, a propósito e ele possuí uma vista maravilhosa do jardim.

— Ah, sim. O espaço e a vista são ótimos. – Rebecca abriu um sorriso radiante para ele e lhe deu um tapinha nas costas. – Parece um bom lugar para se passar os próximos quatro anos da minha vida, não é pai? Cercada por árvores e pelo belo rio Cherwell e, tendo como companhia, uma garota maravilhosa como a Cadence. – Ela abraçou a amiga pelos ombros e Cadence não teve outra opção além de estampar em seu rosto o mesmo sorriso de assistente de palco que Rebecca estampava no dela – Espero que tenham gostado do nosso dormitório.

— Eu achei aconchegante. – Samantha admitiu, recebendo um aceno de aprovação do marido.

— Ah, isso é ótimo. Agora, se puderem me dar licença, eu preciso guardar as minhas coisas e trocar de roupa. – Rebecca soltou-se de seu abraço com Cadence e se apressou em conduzir os pais para fora de seu quarto.

— Ah, querida, porque não convida sua amiga para sair conosco hoje?

— Para sair? – Rebecca parou e olhou, rapidamente, para Cadence procurando por uma boa desculpa. Ela sabia muito bem que, após a briga no parque, colocar Cadence e Ty frente a frente, seria como dar início à terceira guerra mundial e não estava nem um pouco ansiosa para que isso acontecesse. – Sabe o que é, mãe? A Cadence tem um trabalho enorme para fazer hoje. – Rebecca lançou a ela um olhar que suplicava por compreensão e Cadence, rapidamente, entendeu a dica da amiga.

— É verdade. – Afirmou, com o tom mais educado e doce que possuía. – É um trabalho sobre História do Mundo Grego e meu professor é muito exigente. Não poderei sair hoje, mas, ainda assim, agradeço o convite, senhor e senhora Andrews. Talvez eu possa acompanhá-los em outra oportunidade.

— Nós adoraríamos, querida. – Samantha sorriu para ela e após receber um aceno de despedida, finalmente deixou que Rebecca a conduzisse até o corredor.

— O que seus pais estão fazendo aqui? – Cadence perguntou assim que Rebecca voltou para o quarto e fechou a porta.

— Sinceramente, estou me perguntando a mesma coisa. Eles disseram que estavam em uma convenção no País de Gales e que decidiram passar aqui para fazer uma visita surpresa.

— Mas e quanto ao Aaron? – Cadence se jogou na cama enquanto Rebecca se apressavam em trocar de roupa. – Eu o vi lá fora com você. Seus pais sabem que estão juntos?

— Eles não fazem a mínima ideia. – Rebecca olhou para ela, alarmada. – Eu o apresentei como um amigo e acho que eles engoliram a história, mas até quando essa farsa durará eu não sei.

— Mas vocês ficaram juntos no fim de semana? – Cadence abriu um sorrisinho maroto e Rebecca não soube disfarçar. – Ah, meu Deus! Você vai ter que me contar tudo! Sério. Eu quero saber os detalhes.

— Achei que você tinha dito que não deveríamos falar sobre sexo e Aaron na mesma frase.

— Bem, nós não devemos falar sobre o meu sexo com o Aaron na mesma frase. Acho que você concorda que isso soa bem estranho considerando que vocês dois estão juntos agora, mas os seus momentos tórridos com ele é outra história. Não quero saber de segredos sobre isso. Você vai me contar.

— Tudo bem. – Rebecca se deu por vencida. – Essa noite, assim que eu voltar para o dormitório, te contarei tudo.

— Com detalhes?

— Não o suficiente para me deixar envergonhada, mas verei o que posso fazer por você. – Rebecca terminou de substituir os sapatos pretos de seu uniforme por uma sapatilha, pegou sua bolsa e colocou dentro dela tudo de que precisava para seu passeio com os pais e, então, se despediu de Cadence e saiu do dormitório.

Seus pais estavam exatamente onde elas os havia deixado, sentados nas poltronas da ala comum do terceiro andar do alojamento, ambos muito concentrados em seus smartphones, como já era de costume devido à quantidade de trabalho com que lidavam.

— Estou pronta. – Ela anunciou, parando diante deles para chamar sua atenção. Às vezes, seus pais ficavam tão focados no trabalho que, apenas chamá-los, não era o bastante para trazê-los de volta a realidade. – Podemos ir?

— Claro. – Sua mãe guardou o celular e passou um braço em volta de seus ombros e, assim, abraçadas, elas acompanharam Benjamin de volta ao estacionamento.

Conforme havia prometido, Aaron estava lá, esperando por eles, enquanto Eleanor o mantinha sob seu olhar vigilante. Geralmente, nenhuma das monitoras ficava plantada na porta para impedir que um rapaz se esgueirasse para dentro do alojamento, mas, em se tratando de Aaron e de sua fama na universidade, Rebecca não estranhou que Eleanor estivesse tomando precauções.

— Obrigada pela companhia na biblioteca e pela carona de volta para cá. – Ela o agradeceu assim que se aproximou dele no carro. Sabia que seus pais estaria de olho em cada um de seus movimentos, então, manter a história coerente era tudo que podia fazer, embora quisesse abraçá-lo para se despedir.

— A gente se fala mais tarde? – Ele questionou em voz baixa, ignorando os alertas dela e se aproximando para depositar um beijo em cada uma de suas bochechas. Foi um gesto respeitoso, nada além de um cumprimento que qualquer homem se atreveria a dar a uma mulher em uma festa formal, mas até mesmo isso fez os pais de Rebecca se entreolharem questionadores e Aaron se perguntou se era mesmo possível que eles fosse assim, tão conservadores, ao ponto de ver com maus olhos até mesmo o mais simples dos beijos.

— Eu ligo para você quando eu voltar do passeio. Fale com a sua mãe mais tarde, se possível. Quero notícias do Christopher.

— Vou ao hospital para vê-lo mais tarde. – Aaron respondeu calmamente, mas, no fundo de seus olhos, Rebecca ainda podia notar que ele estava disposto a fazer qualquer coisa apenas para não ter de falar com a mãe. – Divirta-se com os seus pais.

— Eu farei o possível. – Ela sorriu e se afastou dele, mas não havia sequer dado três passos para longe quando a voz de seu pai a fez parar.

— Talvez o seu amigo queira vir conosco. – Ele sugeriu e Rebecca não soube o que responder.

Não sabia o que havia dado em seus pais para sair convidando todos os seus amigos para passar a tarde com eles, mas embora a ideia de ter Aaron por perto a agradasse, ela sabia que colocá-lo frente a frente com Ty era quase tão ruim quando colocar seu irmão frente a frente com Cadence. Aaron, no entanto, parecia não considerar o perigo da situação.

— Eu adoraria acompanhá-los, senhor Andrews. – Ele respondeu e o pai de Rebecca assentiu, deixando-a sem uma margem para fazê-lo desconsiderar o convite.

— Podemos ir todos em nosso carro. – Benjamin apontou para o sedã preto que ele e a esposa haviam alugado ao chegar à Oxford. – Passaremos na Trinity apenas para buscar o Tyler, então, temos um lugar vago.

— Por mim está ótimo. – Aaron acionou as travas de seu próprio carro e guardou as chaves no bolso da calça, caminhando animado até eles e fazendo Rebecca se perguntar se ele possuía um espírito aventureiro e suicida ou se apenas não havia assimilado o fato de que Ty estaria lá e de que ele ainda o odiava.

Sem ter como discutir o assunto, porém, Rebecca apenas se acomodou no banco traseiro do carro, ao lado de Aaron e afivelou o cinto, rezando para que Ty tivesse piedade de sua alma e não desmentisse diante dos pais. Ela tinha quase certeza de que, embora seu irmão odiasse Aaron com todas as forças, ele ainda a amava, incondicionalmente e era, justamente, nesse amor que ela estava confiando para que Ty não desse início a uma guerra.

— Ty sabe que estamos indo buscá-lo? – Ela teve que perguntar, pois seria, decididamente, uma perda de tempo ir até a Trinity para encontrá-lo se ele não estivesse em seu dormitório.

— Queremos fazer uma surpresa para ele, assim como fizemos para você. – Sua mãe respondeu já concentrada em sua agenda eletrônica, um objeto que a acompanhava tanto quanto um espelho ou um batom. – Ligaremos para ele quando chegarmos lá.

— Não seria melhor ligarmos antes, para saber se ele realmente está lá?

— E perder a expressão de surpresa no rostinho dele? – Sua mãe sorriu. – Não, querida. Ligaremos quando chegarmos.

Rebecca assentiu, sem querer discordar dos métodos de encontro da mãe e passou o restante do caminho prestando atenção à conversa dos pais e tentando não rir feito uma louca das caretas que Aaron fazia para ela sempre que ela o olhava.

Quando chegaram à Trinity College, seus pais encontraram uma vaga em frente ao alojamento e eles desceram do carro sendo imediatamente recebidos pela movimentação dos estudantes que iam e vinham pelo campus da faculdade, sobrecarregados de cadernos e livros.

— Ainda me lembro da primeira vez em que pus os pés nessa universidade. – Benjamin comentou, nostálgico. – Toda essa energia criativa e essa sede por saber é realmente inspiradora. Vocês têm sorte por estarem aqui. Oxford desperta o que há de melhor em seus alunos.

Aaron concordou com a cabeça, querendo ser educado, mas Rebecca revirou os olhos discretamente, já cansada daquele discurso. Ela ouvia aquelas palavras desde que se entendia por gente e, cada vez que seu pai ou sua mãe as repetiu tinha vontade de tapar os ouvidos e começar a cantarolar até que eles parassem. Realmente achava que a Universidade de Oxford era maravilhosa e que era uma grande honra ter sido aprovada para estudar ali, mas todo aquele discurso, agora, mais a irritava que a enobrecia.

— Vamos telefonar para o Ty agora? – Ela perguntou querendo encerrar todo aquele falatório, antes que o pai se empolgasse ainda mais e decidisse lhes contar sobre os seus tempos de glória na universidade. Aquele, certamente, seria um assunto comentado durante o passeio daquela tarde, mas enquanto ela pudesse evitá-lo, ela o faria.

— Porque não fazemos algo ainda melhor? – Sua mãe sugeriu, animada. – Porque não deixamos que o seu amigo nos leve até o dormitório do Tyler?

— Eu? – Aaron a encarou, surpreso e Samantha pousou seus olhos sobre ele, esperançosa.

— Sim. Você e o Tyler já foram colegas de quarto, então, nada mais justo que deixar que você nos guie pelo alojamento. – Ela tocou os ombros dele de maneira terna. – Faríamos uma surpresa maravilhosa para ele.

— Eu acho melhor telefonarmos. – Rebecca se posicionou, já imaginando o quanto o irmão se irritaria se Aaron aparecesse em sua porta após a briga que tiveram. – Ele pode não estar no dormitório e seria um enorme desperdício de tempo, subirmos todos esses lances de escada, para não o encontrarmos lá.

— A Rebecca tem razão. – Aaron concordou, fazendo-a respirar aliviada por, pelo menos dessa vez, ele ter compreendido a situação – É melhor nós telefonarmos antes. Se ele estiver no dormitório ele virá nos encontrar aqui.

— Eu ligo para ele. – Rebecca tirou seu celular da bolsa e, rapidamente, discou o número do irmão, para não dar a seus pais uma chance de retrucar.

Ela aguardou, ansiosa, enquanto o aparelho completava a chamada, mas se surpreendeu quando a música “Can't Be Tamed”, da cantora Miley Cyrus começou a tocar baixinho em um lugar bem próximo a eles. Ela sabia que aquele era o toque que Ty havia atribuído a seu contato, desde que ela e Vlad tinham começado a namorar, como uma espécie de piada entre irmãos, já que ele alegava que, apesar de todas as regras de seus pais, Rebecca tinha se recusado a ser domada e estava “de namorico por aí”.

Incapaz de ignorar tamanhã coincidência, Rebecca se virou na direção da música e teve que conter uma exclamação repleta de pânico, quando se deparou com Ty, pronto para atender ao seu telefonema, porém, sentando no colo de Mikhail, em um dos bancos próximos ao estacionamento.

A primeira coisa que passou por sua cabeça foi arrastar os pais para dentro alojamento da Trinity College o mais rápido possível, para que eles não se deparassem com aquela cena, mas sentiu o temor brotar no fundo de seu peito quando, para a sua infelicidade, percebeu que seus pais já o tinham visto e que não estavam nada contentes com aquilo.

Notas finais
OhOh! Não sei vocês, mas eu acho o Ty tão azaradinho. Toda a vez que alguém descobre sobre a opção sexual dele é assim, de um jeito trágico e, esse encontro aí, ainda vai gerar muuuuita treta! Preparem os forninhos! Espero que tenham gostado do capítulo, embora depois de tantos meses de bloqueio eu não esteja tão confiante assim no que escrevi, mas vou contar com o apoio de vocês para não me fazerem chorar, tá? =D Tenho esperanças de que esse bloqueio terrível tenha finalmente me deixado, então, acho que não demorarei mais 3 meses para atualizar a fic (acho), mas como ainda tenho outras histórias que preciso atualizar, certamente não vai sair capítulo novo essa semana (só se Gzuis interceder por mim, né). Beijos e mais beijos e até o próximo capítulo!