Wake Me Up

60 Reviravoltas


Notas iniciais
Adivinha quem voltou? haha Até eu estou surpresa com a rapidez com que terminei esse capítulo. Acho que agora finalmente consigo concluir essa fic. Amém? Amém. Espero que gostem do capítulo. Boa leitura.

Quando Aaron acordou na manhã seguinte, o sol já estava alto no céu e seus raios quentes atravessavam as frestas da cortina, lançando uma luz incômoda sobre seu rosto.

Era meio de semana e ele sabia que deveria estar na aula, assim como Ty, mas todo o seu corpo era pouco mais que um depósito de hematomas após a surra que havia levado de Joseph na noite anterior e seu colega de quarto ainda estava em um sono profundo, jogado na outra cama do dormitório.

— Merda – Aaron praguejou ao constatar que havia adormecido sem esperar pelo retorno de Rebecca. Ele sabia que ela e os garotos tinham voltado para a universidade porque a chave de seu carro estava jogada sobre a mesinha ao lado de sua cama e Ty estava dormindo, em vez de estar surtando de preocupação pela irmã e pelo namorado, mas, mesmo assim, ele queria tê-la visto com seus próprios olhos na noite anterior. – Que droga.

— Tudo bem? – Ty se remexeu na cama e deitou-se de lado para observá-lo melhor. A voz sonolenta dele denunciava que não devia ter dormido muito na noite anterior, mas mesmo assim ele havia acordado para ficar de olho em Aaron, quase como se pudesse sentir que o colega de quarto havia despertado também.

— Porque não está na aula?

— Porque garantir que você não vai ter uma crise e morrer me pareceu mais importante no momento – Ty bocejou. – Que horas são?

— Não faço a menor ideia, mas provavelmente já passam das dez.

Ty verificou o relógio.

— São dez e cinco. Você é bom nisso, hein?

— Que horas a sua irmã voltou ontem à noite?

— Pouco antes das onze – Ty se espreguiçou e se colocou de pé, devagar. – Está com fome?

Aaron negou com a cabeça, mas precisou trincar o maxilar por causa da dor que o atingiu. Parecia que sua cabeça pesava uma tonelada e ele sentia que seu rosto estava duas vezes maior do que deveria.

— Aqui – Ty apanhou um analgésico sobre a cômoda e encheu um copo de água, entregando ambos para Aaron. – É melhor tomar um desses.

Com algum esforço e um pouco de ajuda, Aaron conseguiu se sentar na cama e tomar o analgésico que Ty havia lhe oferecido. Odiava Joseph por ter feito aquilo consigo, mas odiava ainda mais a si mesmo por não ter previsto que aquilo aconteceria. Nunca deveria ter baixado a guarda com ele. Nunca.

— Acho que seria bom colocar um pouco mais de gelo no seu rosto – Ty caminhou até o frigobar do dormitório e apanhou um punhado de gelo do freezer, enrolando-o numa toalha antes de entregá-la a Aaron. Depois disso, foi até o banheiro escovar os dentes e jogar um pouco de água no rosto. – Eu vou sair para comprar um pouco de café e, quando voltar, vou refazer os seus curativos – avisou após sair do banheiro. – Deve ter uma escova de dentes nova aqui no armário, mas quanto menos você se movimentar, melhor. Então, se puder esperar eu voltar...

— Preciso mijar – Aaron disse já se levantando e Ty se apressou em ajudá-lo a se estabilizar, porque até para isso seu corpo falhava.

— Quer que eu te ajude?

— Vai segurar para mim? – Aaron brincou e Ty murmurou um palavrão para ele em resposta. – Estou brincando, Ty. Se puder me ajudar a chegar ao banheiro, eu agradeço.

— Claro – Ty resmungou e o conduziu até o banheiro, onde ele tinha mais apoio para se segurar. – Eu não demoro. Tente não cair e bater a cabeça na pia até lá, ok? – Alertou e saiu do dormitório, deixando Aaron sozinho para fazer suas necessidades.

Até mesmo urinar doía e Aaron não sabia se era porque alguns dos chutes de Joseph haviam atingido seus rins ou se era porque, em algum momento daquela agressão, ele havia chutado suas bolas, afinal, não tinha ficado acordado muito tempo para ter certeza enquanto Joseph o espancava. Ele poderia conferir agora se estava tudo em ordem com o “carinha lá de baixo”, mas inclinar a cabeça não apenas doía como o inferno como também lhe deixava zonzo e ele realmente não queria correr o risco de desmaiar no banheiro e bater a cabeça, então, apenas rezou para que o filho da puta de seu irmão postiço não o tivesse aleijado.

— Aaron? – A voz de Rebecca ressoou dentro do dormitório e ele bochechou um pouco de creme dental e água na boca porque era o máximo que conseguia fazer sem sentir uma dor excruciante, antes de sair do banheiro, apoiando-se precariamente nos móveis do quarto. – Como está se sentindo hoje?

— Vou sobreviver – ele tentou sorrir para Rebecca, mas a dor que sentiu fez o sorriso se transformar em uma careta muito rápido.

— Senta aqui – Rebecca correu para ajudá-lo a voltar para a cama e ele aceitou a ajuda dela, sentindo-se envergonhado por sequer conseguir se manter de pé sozinho. Joseph tinha lhe fodido totalmente e ele o odiava por isso. – Onde está o Ty?

— Foi comprar café. Deve voltar em breve.

— Ele deveria ter te levado para o hospital ontem – Rebecca resmungou, olhando para ele com pesar. – Você está todo machucado, Aaron.

Aaron segurou as mãos dela.

— Eu vou ficar bem, Bee. E fui eu quem pediu ao seu irmão para não me levar ao hospital ontem, então, não fique brava com ele.

— Devo ficar brava com você, então? O que tinha na cabeça para não ir ao hospital? Você sabe que precisa e nem tente mentir para mim.

— É uma longa história, Bee, eu posso te contar depois. Agora, me diga, como você está?

— Não fui eu quem levou uma surra, Aaron. Eu estou bem.

— Fiquei preocupado com você ontem. Não pode sair correndo daquele jeito e encarar o Joseph sozinha. Você sabe que ele é perigoso.

— Eu sei, mas eu também não podia ficar parada, esperando para ver o que ele faria com a Cristal e o Ruffus se eu os deixasse lá, não é?

— Claro que não, mas precisa tomar cuidado com ele, ok? Se ele te ferisse... se ao menos encostasse um dedo em você, não sei o que eu faria.

Rebecca assentiu.

— O que aconteceu entre vocês naquele estacionamento? – Ela perguntou, embora já soubesse a resposta. Joseph havia lhe contado o motivo da briga na noite anterior, mas ela queria ouvir da boca de Aaron, queria saber se ele mentiria para ela de novo, assim como vinha fazendo com a questão do processo contra Erick.

— Eu não sei – ele deu de ombros, mas não passou despercebido à Rebecca que ele desviou os olhos dos seus. – Só nos desentendemos. Você sabe como o Joseph é. Lidar com ele é como tentar desarmar uma bomba relógio.

Rebecca sentiu seu coração afundar dentro do peito. Sabia que Joseph era imprevisível mesmo, mas não podia acreditar que Aaron estivesse mentido para ela de novo. Aquilo era algo que esperava de alguém como Joseph, não dele. Estava decepcionada.

— Eu vi os e-mails, Aaron – ela confidenciou, soltando as mãos dele. – Sei que os advogados já analisaram os documentos e que só estão esperando que você dê permissão para que abram um processo contra o Erick.

O espanto no rosto de Aaron ao ouvir suas palavras foi a resposta que ela precisava e a magoou ainda mais. Ela se colocou de pé.

— Porque mentiu para mim, Aaron? E porque continua mentindo? Achei que estávamos juntos nessa, que eu estava aqui para você e você para mim, mas você está me escondendo coisas. O que aconteceu com você?

— Bee, eu posso explicar tudo.

— Espero que possa mesmo, porque não sei se vou conseguir confiar em você de novo se continuar mentindo para mim desse jeito.

— Eu não queria ter mentido.

— Então, me explique porque você mentiu – Rebecca voltou a se sentar na cama, ao lado dele. – Eu posso entender os seus motivos, Aaron, mas se só me disser a verdade.

Aaron suspirou e passou as mãos pelos cabelos loiros, bagunçando ainda mais os fios já desalinhados. Ele estava um caco e nem precisava se olhar no espelho para saber disso. Devia estar patético aos olhos de Rebecca naquele momento.

— Recebi a resposta do escritório de advocacia há alguns dias – ele disse sem olhar para ela. – A princípio fiquei satisfeito com a conclusão dos advogados e estava disposto a abrir aquele processo contra o Erick no mesmo instante, então, eu me lembrei de como tinha sido para mim quando a polícia entrou na minha casa e levou o meu pai para a delegacia por causa da fraude na empresa e, simplesmente, não tive coragem de submeter o meu irmão a algo assim, Bee. Eu sei que o Erick é um crápula, mas ele ainda é pai do Christopher e o meu irmão está doente, prestes a fazer uma cirurgia arriscada – Aaron sentiu as lágrimas inundarem seus olhos e se amaldiçoou por ser tão fraco. – Imagine o que uma situação dessas poderia fazer a saúde dele. Foi por isso que eu decidi esperar. Achei que conseguiria enrolar o Joseph por um tempo, pelo menos até Christopher se recuperar um pouco da cirurgia, mas ele acabou descobrindo tudo – Aaron contou. – Imagino que tenha sido ele quem te mostrou os e-mails ontem, não?

— Sim, foi ele. Também foi ele quem me contou que esse foi o motivo pelo qual ele te agrediu e eu não sei em que mundo paralelo eu entrei para o Joseph ser aquele que me diz a verdade e você ser a pessoa que mente para mim. Deveria ser o contrário, não é?

— Eu sabia que o Joseph ficaria com raiva quando descobrisse que eu não tinha a intenção de abrir um processo contra o Erick de imediato e eu sabia que ele viria tirar satisfações comigo por isso. Eu só não quis te envolver ainda mais nisso tudo, Bee. Não te contei por medo dele te machucar por minha causa, não porque não confio em você.

— E você acha que não me machuca te ver machucado assim? – Rebecca apontou para ele. – Sei que queria me proteger da ira assassina do Joseph, mas poderíamos ter encontrado uma maneira de lidar com isso juntos, Aaron. Eu podia ter ajudado você.

— Eu sei, me desculpe.

— Não minta para mim de novo – Rebecca decretou. – Agora precisamos encontrar um jeito de lidar com o que vem por aí porque, sabendo o quanto o Joseph odeia o próprio pai, eu sei que ele não vai desistir de derrubar o Erick, quer você o ajude ou não.

— O que quer dizer?

— O Joseph foi molestado quando criança – Rebecca contou e, mesmo sentindo uma dor absurda, Aaron não conseguiu impedir que seu queixo caísse diante daquela informação.

— O Erick...

– Não. Andrew Hamilton – Rebecca o corrigiu. – Ele abusou do Joseph durante a infância e parte da adolescência, pelo que sei. E, como os últimos eventos mostraram, o Joseph não foi o único, não é?

— Eu não sabia disso.

— O Erick sabia – Rebecca afirmou. – É por isso que o Joseph está tão empenhado em se vingar do pai.

— Eu não acredito que... Como ele pode não fazer nada? O Joseph é filho dele.

— E o Andrew era o irmão dele. Mais que isso, era o homem que ele ajudou a se tornar reitor dessa universidade. Alguém que poderia afundar a boa reputação do Erick caso esse crime viesse à tona. Então, ele fez o que foi melhor para os negócios: mandou o Joseph para uma clínica psiquiátrica e fingiu que nada tinha acontecido.

— Não, Bee. Isso é o que Joseph diz, mas o Erick o mandou para aquela clínica porque a minha mãe o obrigou a fazer isso depois que ele matou o meu cachorro.

— É mesmo? Pare e pense comigo, Aaron: desde quando o Erick ouvia o que a sua mãe tinha a dizer? Desde quando ele acatava um pedido dela? Depois de tudo o que me contou sobre a sua vida, eu não acredito que o Erick tenha mandado o Joseph para aquela clínica só porque sua mãe disse a ele que deveria. Ele nunca fez nada por ela antes, porque faria naquela situação.

— Porque o Joseph assassinou o meu cachorro, Bee.

— E desde quando o Erick se importava com você ou com o Screapy? Acha mesmo que ele perderia uma única noite de sono por causa de algo assim?

— O que está tentando dizer?

— Estou dizendo que eu acho que o Joseph matou o seu cachorro porque já não conseguia mais lidar com as coisas que aconteciam com ele e só precisava extravasar isso de alguma forma.

— Matando o meu cachorro?

— Sim. É perturbador, mas é possível. Eu também acho que depois disso ele surtou e decidiu que iria denunciar o Andrew pelos abusos que sofria e, talvez, tenha sido um golpe de sorte a sua mãe sugerir interná-lo. Acho que o Erick apenas uniu o útil ao agradável.

Aaron olhou para ela, incomodado.

— Você está tentando justificar o que ele fez ao Screapy, Bee?

— Não tem justificativa para algo assim, Aaron. Eu apenas acho que não dá para jogar toda a culpa disso em cima do Joseph, entende? Ele era estuprado pelo próprio tio, a mãe preferia fingir que não sabia de nada e o pai, embora soubesse, tão pouco se importava com o que acontecia. E ele era uma criança, Aaron! Ele tinha oito anos quando tudo isso começou. Você consegue imaginar como a cabeça dele ficou depois de tantos anos de abuso e negligência? Não me admira que ele tenha se tornado essa pessoa fria e violenta.

— Ele matou o meu cachorro, Bee!

— E o quão morto por dentro você acha que ele sentia antes disso acontecer? – Rebecca esbravejou, tentando fazê-lo enxergar as coisas pelo seu ângulo. – Eu não estou defendendo o que ele fez ao Screapy sete anos atrás ou o que fez a você ontem a noite, porque esse tipo de violência é indefensável, mas eu estou te pedindo para se colocar no lugar dele por um momento, Aaron. Poderia ter sido você em vez dele, poderia ter sido seu irmão! Como a gente pode condenar alguém que passou por tudo isso e simplesmente taxá-lo como um monstro? Eu... Eu sei que o Joseph fez e faz coisas horríveis, mas ele está doente, Aaron. Mentalmente doente. Ele precisa de ajuda, entende? Ajuda de verdade dessa vez e não o tipo que ele recebeu nos últimos seis anos.

— O que quer dizer com isso, Bee? Eu não estou entendendo onde você quer chegar.

— Quero dizer que eu entendo porque você não abriu esse processo contra o Erick e concordo com a sua decisão. A saúde do Christopher é a prioridade agora e eu te apoio totalmente nisso, mas eu quero te pedir uma coisa.

— O que? – Aaron a encarou confuso. Todo aquele discurso sobre Joseph e sua doença não podiam ser um bom sinal.

— Nós vamos esperar que o Christopher se recupere da cirurgia e, então, você vai abrir esse processo contra o Erick. E quando ele for preso, você vai procurar a mãe do Joseph e, juntos, nós vamos encontrar ajuda para o caso dele, em uma clínica séria e com profissionais de verdade. Você me promete?

Àquela altura, Rebecca já estava em prantos e, apesar de não entender o porquê aquilo a afetava tanto, Aaron não pode negar seu pedido. Ele sabia que Rebecca levava sua futura profissão muito a sério e se ela achava que Joseph precisava de ajuda psiquiátrica em vez de uma cela de prisão, que era ele para discordar?

— Eu prometo. Vamos fazer do seu jeito.

— Ótimo – Rebecca enxugou as lagrimas e tentou se acalmar.

Ela havia passado a noite inteira pensando sobre aquilo, pesando os prós e os contras de cada decisão e avaliando suas opções. Cogitou abrir um boletim de ocorrência contra Joseph por ameaça, mas ainda que ele fosse preso por isso, ele apenas sairia da cadeia pior do que havia entrado e, de qualquer forma, ela duvidava que uma medida protetiva fosse impedi-lo de cumprir a ameaça que havia feito. Já tinha visto casos parecidos darem errado de muitas maneiras e não valia a pena arriscar.

Por fim, a única conclusão a que conseguiu chegar foi a de que Joseph precisava de ajuda. Ele havia passado por muitos traumas, lidado com coisas que nenhuma criança ou, até mesmo, um adulto deveriam lidar e estava claro que tudo isso havia contribuído para transformá-lo no monstro que ele era agora.

Se eles pudessem ajudá-lo a obter uma ajuda profissional decente, se ele passasse por um tratamento de qualidade, talvez conseguisse reduzir seu transtorno psicossocial a um nível em que ele não representasse perigo às pessoas ao seu redor. Ela já tinha visto um documentário a respeito, com uma criança psicopata que havia sofrido abusos do próprio pai e sabia que, com a ajuda correta, Joseph também poderia melhorar, assim como aquela criança melhorara.

Ela precisava pelo menos tentar.

— Os cães estão bem? – Aaron perguntou puxando-a para perto novamente, tentando mudar aquele assunto tão pesado para outro que não a deixasse tão nervosa.

— Sim. Eu os levei para o apartamento da Margareth, ela vai ficar com eles por alguns dias. Não sei onde o Joseph está agora, mas, de qualquer forma, pedi que um chaveiro mudasse a fechadura do seu apartamento. Seu porteiro disse que ele faria o serviço hoje.

— Foi uma ótima ideia.

— Alguém precisa cuidar de você já que você não cuida, não é? E, antes que eu me esqueça – Rebecca o beliscou na barriga –, não minta mais para mim. Você sabe que somos uma dupla agora. Não pode me deixar de fora das coisas assim.

— Tudo bem, tudo bem – Aaron riu um pouco, afastando a mão dela de seu corpo. – Prometo que nunca mais vou esconder coisas assim de você, mas você também tem que me prometer que nunca mais vai fazer o que fez ontem. Vamos resolver as coisas juntos a partir de agora.

— Tá, eu prometo – Rebecca revirou os olhos. – Posso te ajudar com esses machucados?

— Ah, com certeza. Prefiro suas mãos em mim que as do seu irmão.

— Engraçado, porque você não reclamou delas ontem enquanto eu te dava banho – Ty disse ao abrir a porta do dormitório, pegando Aaron e Rebecca de surpresa.

Ela começou a rir no mesmo instante, mas Aaron pareceu um pouco envergonhado com o comentário.

— Eu tinha acabado de levar uma surra, Ty. Não estava em condições de avaliar as coisas direito.

— Sei... – Ty riu e colocou suas compras sobre a cômoda. – Eu trouxe café da manhã. Você precisa comer alguma coisa.

— Obrigada por cuidar dele – Rebecca agradeceu, apertando a mão de Ty brevemente.

— Não foi nada. Ele até que é divertido quando não está totalmente consciente. É uma pena que a gente não possa bater nele de vez em quando e aproveitar esses raros momentos.

— Eu guardo segredo se você guardar – Rebecca piscou para Ty.

— Eu sei que vocês são irmãos e que, por isso, tem que se apoiar, mas qual é, gente? – Aaron reclamou, fazendo ambos rirem.

Rebecca se ocupou dos ferimentos de Aaron, refazendo os curativos e aplicando pomada onde achou que deveria. Depois, dividiu com ele o café da manhã que Ty havia trazido porque também não tinha comido nada até aquele momento.

Ela preferiu deixar os problemas que tinham para depois e apenas se concentrar nas coisas boas que estavam acontecendo, como o fato de que Aaron estava se recuperando e o fato de que ele e Ty pareciam ter se resolvido e, agora, estavam até brincando um com o outro.

Em breve Christopher faria sua cirurgia e, então, Aaron poderia abrir o processo contra Erick e reaver a empresa do pai. Depois disso, eles procurariam ajuda para Joseph e se tudo corresse bem, talvez Christopher pudesse ter os dois irmãos por perto em alguns anos. Ela sabia o quanto o garoto desejava aquilo e, lá no fundo, ela também desejava, pois achava que todos mereciam um final feliz depois de tudo que haviam enfrentado.

A manhã correu de maneira calma, com ela, Ty e Aaron no dormitório, coversando e rindo de algumas bobagens e, por um instante, Rebecca realmente acreditou que tudo se resolveria no tempo certo, mas isso foi antes de Cadence telefonar para ela, contando sobre as mais recentes notícias.

— Liga a TV agora – a ruiva disse assim que Rebecca atendeu ao telefone e só pelo tom de voz dela Rebecca soube que havia problemas a caminho.

— O que foi dessa vez? – Ela perguntou já se colocando de pé para ligar a TV do quarto dos garotos.

— Você vai querer ver isso. A universidade inteira tá surtando.

No instante em que sintonizou no telejornal, Rebecca entendeu o porquê do surto.

Os repórteres estavam diante de uma imensa casa em Londres, que Rebecca reconheceu logo de cara, cobrindo a prisão de Erick Hamilton, mas ao contrario do que ela esperava, a manchete não trazia notícias sobre a descoberta das fraudes na empresa do padrasto de Aaron e, sim, notícias sobre a reviravolta no caso do suicídio de Andrew que, ao que tudo indicava, não havia se matado de fato. Havia sido assassinado pelo próprio irmão.

— Mas o que? – Aaron pegou o controle da TV e aumentou volume, tentando entender o que estava assistindo. – O Erick está sendo preso?

— Foi ele quem matou o reitor? – Ty verbalizou confuso. – Não tinha sido um homicídio seguido de suicídio? Ele não tinha deixado até uma carta?

Ainda em choque com as recentes notícias, Rebecca apenas piscou para as imagens que assistia, sem acreditar que aquele fosse o mundo real. Não estava entendendo mais nada.

– Meu Deus, o Christopher – Aaron se colocou de pé tão rápido que quase caiu, mas Ty conseguiu segurá-lo a tempo. – Eu preciso ir para Londres.

— Você não vai conseguir dirigir assim – Rebecca também se levantou, mas sentia as próprias pernas tremerem por causa do nervosismo. – Eu vou com você.

— O que está acontecendo? – Ty questionou sem entender nada do que se passava. Ele não estava a par do parentesco entre Aaron, Erick e o ex reitor da universidade e conhecia de Christopher apenas o pouco que lhe contaram.

— Longa história, Ty.

— Pois bem, vocês vão arranjar tempo para me contar tudo agora, porque nenhum dos dois vai sair desse quarto antes de eu saber o que está acontecendo aqui.

— Ty...

— O Erick é meu padrasto – Aaron contou de uma vez. Queria manter a promessa que havia feito a ele na noite anterior, de manter Rebecca a salvo de toda a bagunça que era sua família e nada melhor que começar sendo sincero. – Minha mãe se casou com ele quando eu era criança e o Christopher, meu irmão, é fruto desse segundo casamento.

— Então, você era parente do nosso reitor?

— De certa forma – Aaron deu de ombros. – Eu nunca fui o enteado mais amado pelo Erick e só vim para Oxford porque ele me queria longe de problemas e, principalmente, longe da vida dele. Nunca falamos para ninguém que eu tinha alguma ligação familiar com o Andrew, mesmo que de “família” não tivéssemos nada.

— Então, o seu irmão caçula, aquele que está doente e prestes a fazer uma cirurgia de risco, é filho do cara que agora está sendo acusado de matar o reitor dessa universidade e que, por acaso, é seu padrasto? É isso mesmo?

— É isso aí.

— E você sabia de tudo isso? – Ty olhou para Rebecca, acusatório.

— Sabia.

— Puta que pariu, se os nossos pais descobrem um negócio desses, eles te matam e depois me matam, porque sou seu irmão mais velho e deixei você se meter nessa merda toda, Rebecca.

— Eu tenho dezoito anos, Ty. Acho que posso decidir por mim mesma as merdas com as quais me envolvo.

— Eu sei disso, mas nossos pais... Eu espero que eles estejam viajando muito para não verem o que está acontecendo por aqui, porque se eles souberem...

— De qualquer maneira – Aaron os interrompeu –, eu preciso voltar para Londres. Preciso ficar com a minha mãe e o meu irmão. Não sei como eles estão lidando com toda essa bagunça.

— Eu vou com você.

— Ficou louca?! Aquele lugar deve estar um inferno, olha a quantidade de repórteres em frente àquela casa – Ty apontou para a TV. – Nossos pais vão me matar se eu deixar você ir até lá.

— Eu não vou deixar o Aaron ir sozinho, Ty.

— E eu não vou deixar você ir sozinha.

— Bem, então, chegamos a um impasse. O que a gente faz agora? – Rebecca questionou.

Ty apenas se esticou para pegar os tênis e alguns casacos no armário.

— Já faz algum tempo que não vou a Londres mesmo – disse e atirou um casaco para Aaron, enquanto se abaixava para calçar os tênis. – Vai ser bom sair um pouco de Oxford para variar.

Notas finais
Então, vocês concordam ou discordam da Rebecca quanto ao futuro do Joseph? Acham que ele precisa de tratamento ou de uma prisão de segurança máxima? Aliás, tem mais alguém perdido nesses últimos acontecimentos também ou é só o nosso trio aqui? rsrs Muitas respostas - e confusões - estão vindo e eu espero que estejam curiosos. E, sim, eu já comecei a escrever o próximo capítulo (vamos ver quando eu termino, né?), então, vejo vocês em breve. Até a próxima ♥