Wake Me Up
26 Reconciliação
Notas iniciais
Ty bateu à porta do dormitório de Vlad insistentemente. Ele havia acabado de sair de sua aula, quando escutou alguns boatos sobre uma briga épica em frente ao alojamento do St. Hildas College que tinha contado com as participações especiais de sua irmã, seu cunhado e seu detestável colega de quarto e, agora, tudo o que Ty queria era esclarecer as coisas.
– Vlad! – Ty gritou esmurrando a porta do dormitório com punhos cerrados – A gente precisa conversar! Abra logo essa merda de porta!
– O Vlad não está aqui. – a voz forte de Mikhail se fez ouvir através da porta e o coração de Ty deu um salto dentro de seu peito.
Já fazia três dias que ele não falava com Mikhail e, ouvir a voz dele, fez com que toda a saudade que vinha sentindo desde a briga que tiveram se manifestasse com toda a força.
– Você pode tentar ligar para o celular dele. – disse Mikhail, abrindo a porta e surpreendendo-se ao ver o rosto de Ty coberto por hematomas – Meu Deus! O que houve com você?
Mas Ty nem ouviu a pergunta. Todas as palavras ficaram suspensas no ar, quando Mikhail apareceu diante dele apenas com uma toalha enrolada ao redor de sua cintura, deixando-o completamente embasbacado. Ele ainda estava um pouco molhado e cheirava a sabonete de eucalipto e Ty, praticamente, teve de se segurar no batente da porta para não pular em cima dele.
Sentia falta de abraçá-lo e beijá-lo, mas acima de tudo, sentia falta de tê-lo por perto para conversar, jogar basquete ou simplesmente estudar. A companhia de Mikhail fazia falta de uma forma que Ty nem sabia que era possível e esse era apenas um dos males em estar apaixonado e estragar tudo como um grande idiota.
– Ty! – Mikhail o chamou, estalando os dedos em frente ao seu rosto – Você ouviu o que eu disse?
– Hã? – Ty sacudiu a cabeça numa tentativa de limpar sua mente de tais pensamentos – Quer dizer, sim. Eu ouvi e... Isso foi só um desentendimento com alguns idiotas da minha turma. – ele deu de ombros, sem jeito – Está tudo bem.
– Está doendo muito? – Mikhail questionou, tocando o rosto dele verdadeiramente preocupado e Ty quase se derreteu sob o toque dele.
– Estava. – respondeu um pouco sem fôlego – Mas está tudo bem agora. Já não dói tanto.
– Fizeram isso por causa da festa de sexta? – Mikhail olhou para ele com pesar – Juro por Deus que eu vou acabar com a raça de quem te agrediu. Não podem te tratar desse jeito só porque...
– Está tudo bem. – Ty o interrompeu – Ontem foi uma droga, mas hoje ninguém mexeu comigo. Consegui ir para aula e andar pelo campus normalmente. Acho que Aaron assustou todo mundo.
– O Aaron? – Mikhail franziu a testa confuso.
– Longa história. – Ty suspirou – Outro dia eu te conto, mas o que você estava dizendo sobre o Vlad mesmo? Ele saiu?
– Ah. – Mikhail sacudiu a cabeça e soltou o rosto de Ty, afastando-se um pouco – Eu estava dizendo que se você quiser falar com o Vlad pode tentar ligar para o celular dele. Ele saiu ontem à noite e ainda não voltou. Falou algo sobre encontrar a sua irmã em um bar ou algo assim... Provavelmente eles ainda devem estar juntos.
– Ah, tá. – Ty concordou com um breve aceno – Então, eu vou... Vou tentar ligar para ele. Valeu.
Ele se virou para ir embora, sentindo-se repentinamente constrangido por estar diante de Mikhail depois de tudo que tinha falado para ele durante a briga, mas antes que pudesse dar um passo para longe da porta, Mikhail o segurou pelo braço e o fez parar.
– Espera. – disse, puxando levemente o braço de Ty para fazê-lo se virar em sua direção novamente – Está tudo bem com você? Quero dizer... Fora as coisas ruins que aconteceram ontem?
– Na medida do que é possível... – Ty respondeu de maneira triste.
– Hum... – Mikhail soltou o braço dele e se encostou ao batente da porta – Desculpe, é que é meio estranho não ver um sorriso no seu rosto, sabe? Você costumava estar sempre sorrindo.
– Bem, eu te amo e estraguei tudo. – Ty deu de ombros – Agora você não fala comigo e estou morrendo de saudade, então... eu não tenho tido muitas razões para sorrir ultimamente.
Mikhail engoliu em seco.
Ao pedir um tempo, esperava que isso fizesse Ty tomar alguma iniciativa para remediar todos os erros que havia cometido. Entretanto, quase três dias haviam se passado desde então e Ty não havia feito simplesmente nada para tentar consertar as coisas. Era frustrante, mas não tão inesperado, afinal, Ty era assim mesmo. Sempre precisava de empurrãozinho para seguir na direção certa.
– Você quer entrar? – Mikhail sugeriu um tanto sem jeito – Quem sabe a gente pode conversar e procurar uma forma de resolver isso.
O rosto de Ty se iluminou no mesmo instante e algo parecido com um sorriso começou a tomar forma em seus lábios, o que fez Mikhail se animar um pouco. Sim. Era frustrante saber que, mais uma vez, qualquer tentativa de reconciliação teria de partir de sua parte, mas não ter Ty por perto durante três dias tinha se tornado uma tortura e ele o amava apesar de tudo.
– E enquanto conversamos, você pode esperar pelo Vlad. – Mikhail acrescentou – Ele está fora desde ontem à noite, então, é provável que já esteja voltando para cá.
– É. Acho que é uma boa ideia. – Ty concordou.
Mikhail afastou-se um pouco para lado para dar passagem para Ty, que entrou no dormitório e, por hábito, seguiu direto para a cama de Mikhail, onde se jogou com sapatos e tudo.
Mikhail o encarou com um meio sorriso.
– Você nunca vai aprender a tirar os sapatos antes de fazer isso, não é? – ele disse em um tom divertido.
Ty olhou para ele envergonhado.
– Desculpe. – disse sentando-se na cama e inclinando-se para desamarrar o cadarço de seu tênis.
– Não. Tudo bem. – Mikhail sorriu e se sentou na poltrona ao lado da cama – Eu não me importo com essas coisas. E, para falar a verdade, eu até senti falta de ter os seus sapatos sujos sobre os meus lençóis limpos nesses últimos três dias, sabe?
Ty abriu um pequeno sorriso, mas terminou de tirar os tênis antes de colocar os pés na cama novamente.
– E então, o que fez durante o fim de semana? – Mikhail perguntou depois de um breve momento de silêncio constrangedor.
– Nada de mais. Eu apenas fiquei no meu dormitório, assistindo séries e ouvindo música. – Ty deu de ombros – Oxford não oferece muitas opções de atividades para praticar sozinho e eu não estava muito no clima de sair do quarto depois do que aconteceu.
– Sei como é. – Mikhail assentiu.
– E você? O que fez? – Ty questionou.
Aquela era uma pergunta bem simples, mas ainda assim ele esperou ansioso pela resposta. Embora seu fim de semana tivesse sido tão entediante quanto assistir a um programa de pesca na TV, sua neura e ciúme não podiam deixar de cogitar a possibilidade de o fim de semana de Mikhail ter sido bem agitado.
– Eu só fiquei no quarto. – Mikhail respondeu para o alívio de Ty – E joguei basquete com o Vlad. Apenas uma vez, é claro, pois ficou meio difícil encontrá-lo aqui depois que ele e sua irmã começaram a namorar.
– Sei como é. – Ty repetiu as palavras de Mikhail – E, por falar nisso, você sabe que briga foi essa que aconteceu entre eles?
– Briga? – Mikhail perguntou confuso.
– É. Está todo mundo comentando que eles tiveram uma briga feia em frente ao alojamento do St. Hildas hoje.
– Sério? Bem, eu não estou sabendo de nada disso. Não vejo o Vlad desde ontem à noite e, como não tive aula essa manhã, não estou a par das fofocas do dia.
– Pois é. Eu também estou meio por fora desse assunto, mas eu ouvi algumas pessoas falarem sobre essa briga quando saí da aula e, por isso vim aqui. Queria o Vlad me explicasse o que aconteceu.
– Porque você não ligou para a sua irmã e pediu uma explicação para ela? – Mikhail perguntou.
– Eu liguei, mas o celular dela está desligado e, na verdade, fiquei com um pouco de medo de que ela atendesse, porque nós não nos falamos desde a festa de sexta e eu não sei como ela reagiu a tudo aquilo.
Mikhail assentiu.
– Entendi. Mas você vai precisar falar com ela em algum momento. Não pode deixar as coisas ficarem assim entre vocês e, quanto a essa briga dela com o Vlad, acho que deve ter sido algo bem sério, já que ela até desligou o celular.
– Eu sei e acho que foi algo bem sério, sim. –Ty concluiu – Parece que até o Aaron está envolvido.
– O Aaron? – Mikhail soltou um assovio baixo – Então, com certeza, esse deve ter sido um quebra pau dos grandes. Talvez seja melhor eu ligar para o Vlad e tentar descobrir o que aconteceu.
– Não. Acho melhor a gente esperar um pouco e ver se ele aparece. Caso contrário, nós ligamos para saber o que aconteceu. – Ty sugeriu.
Estava preocupado com toda essa suposta briga entre Rebecca, Vlad e Aaron, mas pela primeira vez, em três dias, ele tinha a oportunidade de tentar consertar as coisas com Mikhail e não queria deixá-la passar.
– Tudo bem. – Mikhail concordou – Vamos esperar um pouco, então.
Ty assentiu e houve mais um minuto de silêncio constrangedor, antes de ele criar coragem para abordar o assunto que queria:
– Sabe, eu pensei muito no que você me disse aquele dia. – Ty começou, esfregando as mãos uma na outra por causa do nervosismo – Você tinha razão em tudo o que disse e eu sinto muito por ter sido tão idiota.
– Você não é idiota, Ty. – Mikhail o encarou.
– É muito legal você dizer isso, mas vamos encarar a realidade, ok? – Ty se colocou de pé – Por mais que você queira ser gentil comigo, isso não vai mudar o fato de que eu realmente sou um idiota. Eu tenho agido como um estúpido com você há muito tempo, Mikhail, e eu nunca parei para pensar que você poderia estar enfrentando muitos problemas por minha causa. Me desculpe por isso.
Ty parou, esperando que Mikhail se pronunciasse, mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, a porta do dormitório se abriu e Vlad passou por ela como um raio, deixando os dois completamente assustados ao verem seu estado.
Parecia que ele havia sido atropelado por um trem. Suas roupas estavam sujas de terra e grama e havia um hematoma enorme ao redor de seu olho esquerdo, que estava quase fechando por causa do inchaço.
– Fala sério! – Vlad exclamou ao ver Ty de pé no meio do quarto – Eu passei meia hora batendo na porta do seu dormitório e durante todo esse tempo você estava aqui?!
Vlad fechou a porta do quarto com violência e Ty permaneceu encarando-o boquiaberto, enquanto Mikhail se colocou de pé num salto.
– O que diabos aconteceu com você? – ele perguntou, aproximando-se de Vlad para analisar o hematoma em seu olho.
– Não te interessa. – Vlad o afastou de si com uma das mãos e depois se aproximou de Ty – Eu preciso da sua ajuda, cara. Preciso que ligue para a Rebecca para mim, porque nós brigamos e agora ela não me quer me atender.
– Nossa! E, por acaso, foi a Rebecca quem fez isso no seu olho? – Mikhail perguntou apontando para o hematoma no rosto de Vlad.
– Claro que não! – ele respondeu cerrando os dentes por causa da raiva – Isso foi o Aaron.
– Espera aí. – Mikhail disse sentando-se na beirada de sua cama – Você está me dizendo que brigou com a Rebecca, mas quem te bateu foi o Aaron?
Vlad apenas assentiu.
– Sou eu ou essa sua história não faz sentido nenhum? – Mikhail perguntou confuso.
– Ela faria sentido se eu te dissesse que a Rebecca passou a noite no apartamento do Aaron, que voltou com ele para universidade hoje de manhã e que, agora, os dois estão tão inseparáveis quanto Bonnie e Clyde¹? – Vlad disse com raiva.
– Como é que é?! – Ty se pronunciou finalmente – A minha irmã passou a noite com o Aaron?
– Exatamente.
– E como é que você deixa isso acontecer, Vlad? – Ty olhou para ele pasmo.
– Eu o que? – Vlad retribuiu ao olhar dele com indignação – Sinceramente, a Rebecca não pediu minha permissão para fazer isso, tá legal? Ela simplesmente me mandou uma mensagem e depois desligou o celular para que eu não a incomodasse.
– A Rebecca fez o que?!
– Pare de ficar fazendo pergunta idiota, Ty! – Vlad exclamou nervoso – Eu acabei de dizer o que ela fez!
Ty respirou fundo e depois voltou a se sentar na cama, ao lado de Mikhail, que fez sinal para que Vlad se sentasse na poltrona.
– Tudo bem. Vamos nos acalmar e tentar resolver isso, ok? – Mikhail sugeriu.
– Eu não quero me acalmar. – Vlad disse com impaciência, recusando-se a se sentar – O que eu quero é que o Ty ligue para Rebecca. Ela está com raiva de mim e está com o Aaron agora. Tenho medo de que aquele desgraçado se aproveite da situação.
– A minha irmã está com o Aaron? – Ty perguntou preocupado, colocando-se de pé novamente – Porque você não me disse isso antes, Vlad?
– Porque vocês não me deixaram falar! Você ficou parado aí parecendo um zumbi e o Mikhail ficou tendo chilique por causa do meu olho roxo.
Mikhail olhou feio para ele.
– Eu não tenho chiliques, tá legal?!
– Tem sim. E, inclusive, está a ponto de ter outro chilique só porque eu falei que você tem chilique. – disse Vlad.
Mikhail mostrou-lhe o dedo do meio e Vlad mostrou-lhe a língua.
– Será que vocês podem para de brigar feito garotinhos de cinco anos e se concentrar no verdadeiro problema? – Ty pediu, colocando-se entre eles – A minha irmã está com o Aaron agora e vocês estão discutindo por causa dos chiliques do Mikhail!
Mikhail fechou a cara para Ty e ele abriu um sorrisinho nervoso.
– Não que você tenha chiliques, é claro. – Ty se apressou em dizer.
– Sei...
– Olha, não importa se o Mikhail tem chiliques ou não, ok?! – Vlad se exaltou – Apenas pegue a droga do seu celular e ligue para a Rebecca, Ty.
– Não vai dar.
– Porque não? – Vlad gritou impaciente.
– Porque a Rebecca desligou o celular! – Ty gritou em resposta.
– Ah! Mas que inferno! – Vlad bufou e se jogou sobre sua cama, socando o travesseiro.
– Fica calmo, Vlad. – Mikhail pediu – Espancar o seu travesseiro desse jeito não vai ajudar você a resolver nada.
Vlad riu.
– Eu sei que não, mas como eu posso ficar calmo quando a minha namorada está com o maior galinha dessa universidade e ainda por cima desligou o celular? – ele perguntou irritado.
– É. Realmente é meio difícil ficar calmo nessas condições. – Mikhail admitiu.
– Sério? Não me diga. – Vlad disse com sarcasmo voltando a socar o travesseiro.
– Eu não consigo acreditar que a Rebecca fez isso, sabe? Passar a noite no apartamento do Aaron. Desligar o celular desse jeito... Esse não é o tipo de coisa que a minha irmã faria. – Ty comentou.
– Ela não é mais a sua irmãzinha, Ty. – Vlad gritou para ele – Ela mudou muito depois que chegou aqui. Você teria percebido isso se não se preocupasse apenas consigo mesmo.
– Como é que é? – Ty perguntou, surpreso com a atitude de Vlad – Eu não me preocupo apenas comigo mesmo.
– Aí é que você se engana. – Vlad retrucou colocando-se de pé novamente – Você é um egoísta que não se importa com nada mais além dos seus próprios problemas, Ty.
– Vlad! – Mikhail exclamou em tom de advertência.
– Isso não é verdade. – Ty se defendeu – Eu me importo com as pessoas que eu amo.
– Jura? Então, porque foi mesmo que você e o Mikhail brigaram, hein? – Vlad perguntou aproximando-se de Ty e encarando-o.
– Eu... – Ty começou sem saber exatamente como responder aquela pergunta.
– Eu... Eu... – Vlad o imitou fazendo careta – Cai na real, Ty! Você não passa de um hipócrita!
– Vlad! – Mikhail gritou, puxando-o pela gola da camiseta.
– Me solta, porra! – Vlad gritou de volta.
– Para com isso! – Mikhail exclamou sacudindo com força – Não é porque você está bravo, que pode sair descontando a sua raiva nas pessoas. O Ty não tem nada a ver com o seus problemas. Foi você quem brigou com a Rebecca, não ele.
Vlad fechou a cara para Mikhail e depois retirou as mãos dele da gola de sua camiseta empurrando-o para longe.
– Quer saber? Vão se foder vocês dois! – ele disse com raiva antes de sair do quarto batendo a porta com força.
Mikhail balançou a cabeça de forma negativa e depois se voltou para Ty, que encarava o chão com cara de choro.
– Não leve a sério o que ele falou. – Mikhail disse aproximando-se de Ty – Ele falou aquilo da boca para fora.
– Ele pareceu estar falando bem sério. – Ty disse com tristeza.
– Eu sei. Mas ele é assim mesmo, sabe? – Mikhail explicou segurando as mãos de Ty – É difícil o Vlad se irritar com alguma coisa, mas quando isso acontece ele acaba descontando a raiva dele em todo mundo que encontra pela frente. É um grande defeito, mas não leve a mal. Eu conheço bem o meu primo e sei que, assim que ele se acalmar, ele virá correndo te pedir desculpas. Não é nada pessoal, Ty. Ele só está nervoso.
Ty respirou fundo e assentiu.
– Bem, de qualquer forma, ele não estava totalmente errado. Eu tenho sido mesmo um egoísta. – Ty deu de ombros – Eu fui egoísta com você e acho que também fui egoísta com a minha irmã. Eu fiquei com tanto medo do que ela iria pensar de mim depois daquela noite no parque, que passei três dias inteiros sem falar com ela e, agora, olha a confusão em que ela se meteu.
– Não fique se martirizando. – Mikhail o consolou – A Rebecca não é mais criança. Ela tem total consciência das coisas que faz, então, toda essa confusão não é sua culpa. Provavelmente ela e o Vlad teriam brigado mesmo se vocês tivessem passado vinte e quatro horas por dia conversando.
– Sim. Eu sei, mas... Ela é minha irmã e eu sinto que devo protegê-la, entende? Eu sei que o Vlad é uma boa pessoa e que vai cuidar bem dela. Agora, o Aaron... Eu com certeza, não quero a Rebecca perto de alguém como ele. O problema é que eu não sei se posso fazer muita coisa para mudar isso. Tipo, se o Aaron e a minha irmã já estão tão próximos quanto o Vlad disse, como eu vou fazer para afastá-la dele agora?
– É. Isso seria meio complicado. – Mikhail concordou.
Ty fez que sim com a cabeça, mas logo depois, um sorriso iluminou seu rosto.
– O que foi? – Mikhail o encarou confuso.
– Acabei de me lembrar de uma coisa que eu posso fazer. – Ty disse contente – Vou contar a minha irmã toda a verdade sobre o Aaron!
– Você quer dizer que...
– Eu direi a ela tudo o que o Aaron já fez comigo. – Ty o interrompeu – Todas as chantagens e toda a raiva que ele já me fez passar. Tenho certeza que a Rebecca não vai querer ficar perto de um cara que chantageia o irmão dela.
– Mas se você contar tudo para ela, o Aaron não vai mandar aquela foto para o seu pai? – Mikhail questionou, preocupado.
Apesar de querer resolver logo toda aquela história, ele ainda pensava no bem estar de Ty, o qual estaria ameaçado caso o pai dele descobrisse toda a verdade sobre sua opção sexual.
– Não sei. Talvez sim. Talvez não. É difícil saber como funciona a mente psicopata do Aaron. – disse Ty – Mas, de qualquer forma, eu já estava pensando em contar tudo para minha família mesmo. Então não vai fazer diferença.
Um sorriso tomou conta do rosto de Mikhail.
– Sério? Você faria isso mesmo? – ele perguntou empolgado.
– Faria, sim. – Ty sorriu – Você enfrentou a sua família por mim, então nada mais justo do que eu fazer o mesmo. Quero te provar que eu também sou capaz de fazer qualquer coisa por você.
– Você não precisa fazer isso, Ty.
– Eu sei. Mas eu quero fazer isso, Mikhail. – Ty disse, olhando-o nos olhos – Passar três dias achando que eu tinha estragado tudo com você, me deu essa certeza. Eu não quero mais esconder o nosso relacionamento de ninguém. Nem mesmo dos meus pais. Eu quero ficar com você para sempre e não me importo mais com o que os outros vão ou não pensar disso. Eu vou fazer o que é certo agora.
Mal Ty havia terminado seu discurso, Mikhail já estava puxando-o para junto si. Havia esperado mais de um ano para ouvir aquelas palavras saírem de sua boca e agora que isso finalmente tinha acontecido, tudo o que Mikhail queria era envolvê-lo em seus braços e não soltá-lo mais.
– Eu te amo, sabia? Eu te amo muito. – Mikhail disse sorridente.
– Eu sei e eu também te amo muito. – Ty respondeu, passando os braços ao redor do pescoço de Mikhail e beijando-o de forma cálida.
Ele não sabia se era porque havia passado três dias afastado de Mikhail ou se era porque agora se sentia livre, mas aquele beijo pareceu melhor do que qualquer outro que eles já tivessem trocado e aquilo só lhe deu mais certeza de que havia tomado a decisão certa.
Assim que possível conversaria com Rebecca e, então, contaria tudo a seus pais. Provavelmente as coisas ficariam bem difíceis depois disso, mas valia a pena correr aquele risco por Mikhail.
Ele o libertava.
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