Notas iniciais
Olá, Fiquei enrolada com umas coisas aqui em cassa e demorei para vir postar o capítulo, mas aqui está e, como eu disse, sem mudanças, porque eu amo esse capítulo kkk Boa leitura.

Aaron estacionou o carro em uma vaga na Campebell Road, retirou a chave da ignição e virou-se para Rebecca que, desde que havia saído do St. Hilda’s College, encarava os próprios pés com uma expressão triste, completamente absorta em seus pensamentos.

– Bee. – Aaron a chamou baixinho – Já chegamos.

Rebecca ergueu a cabeça e olhou para as casas bem ornamentadas ao redor, através das janelas.

– Onde estamos?

– Você já vai descobrir. – Aaron respondeu saindo do carro para abrir a porta para ela, que olhou receosa para ele por um momento, antes de dar de ombros e segurar sua mão para sair do carro.

Eles caminharam por cerca de cinco minutos, seguindo pela Cornwallis Road, até chegarem a um grande portão de grades negras, ladeado por duas belas colunas de concreto, que continham placas de bronze com informações sobre a inauguração do local.

– Florence Park. – Rebecca leu em voz alta o nome escrito acima das informações.

– Você vai gostar daqui. – Aaron disse, enquanto empurrava o portão para frente para abri-lo – Esse lugar é incrível.

– Eu corro o risco de ser presa por invasão se te seguir? – Rebecca perguntou puxando seu casaco para mais junto do corpo por causa do frio e olhando ao redor.

O parque estava completamente vazio e o vento soprava com força, arrastando consigo uma grande quantidade de folhas secas que se chocavam contra seus corpos, fazendo Rebecca desejar que Aaron tivesse lhe prevenido a respeito do itinerário para que, assim, ela pudesse ter se agasalhado um pouco melhor.

– Não estamos invadindo. – Aaron explicou com um sorriso – O Florence é um parque comunitário e é um dos mais bonitos de Oxford também. Ele é muito movimentado no verão e na primavera, mas está deserto agora porque as pessoas costumam evitá-lo no outono e no inverno.

– Eu nem imagino o porquê. – Rebecca disse no exato momento em que uma rajada de vento passou ruidosamente por eles, fazendo centenas de folhas secas dançarem ao seu redor.

Aaron riu.

– Acredite, não é tão ruim quanto parece. – disse ele, retirando uma folha do cabelo de Rebecca – Apesar do frio e do vento incessante, esse lugar é perfeito no outono.

– Assim como o Central Park? – Rebecca perguntou, olhando para as árvores de folhas amareladas ao redor.

–Sei lá. – Aaron deu de ombros – Eu não conheço o Central Park.

– Ah, qual é? – Rebecca olhou para ele rapidamente – Todo mundo conhece o Central Park. Mesmo que você nunca tenha ido à Nova Iorque, tenho certeza de que já o viu em algum filme ou, pelo menos, em alguma foto. Ele é o parque mais famoso do mundo.

Aaron ergueu uma sobrancelha para ela.

– O que foi? – Rebecca perguntou confusa.

– Porque todos os americanos têm essa mania irritante de achar que as coisas do seu país são melhores que as dos outros?

– Nem todos os americanos pensam assim. – Rebecca se defendeu – Eu, particularmente, acho que o Westminister é bem mais grandioso que a Casa Branca e também acho que nenhum brinquedo da Disney World é capaz de superar a Big Eye. Vocês levaram o conceito de Roda Gigante muito a sério quando construíram aquela coisa.

– Concordo quanto ao Westminister. – Aaron disse com uma expressão divertida – Mas tenho sérias dúvidas quanto a Big Eye ser melhor que o seu parque temático.

– A Disney não é tão legal quanto dizem. – Rebecca concluiu dando de ombros, o que fez Aaron rir.

Eles seguiram pelo interior do Florence Park, até alcançarem um playground infantil feito de madeira, onde Aaron parou e se sentou em dos balanços, fazendo sinal para que Rebecca se sentasse no balanço ao seu lado.

– Diferente das outras pessoas, eu costumo evitar esse lugar durante o verão e a primavera. – Aaron disse assim que Rebecca se sentou – Mas no outono e no inverno, sempre que posso, eu venho para cá.

– Você gosta de ser da “turma do contra”? – Rebecca perguntou, impulsionando-se um pouco para trás para fazer o balanço se movimentar.

– Não. – Aaron sorriu – Eu apenas gosto de como esse lugar fica nessas duas estações. No verão e na primavera é tudo muito barulhento e espalhafatoso por aqui, mas no outono e no inverno... Esse lugar é mágico.

– Eu não sabia que você era do tipo que gostava de paisagens. – Rebecca comentou.

– E eu não sou. – Aaron respondeu dando um pequeno impulso em seu balanço também – Eu não gosto de todas as paisagens naturais que existem no planeta, sabe? Eu só gosto desse lugar e, ainda assim, é apenas no outono e no inverno.

– E o que o torna tão especial para você nessas duas estações? – Rebecca indagou, olhando para as árvores ao seu redor que, em sua opinião, não tinham nada de especial.

Ela nunca tinha sido uma grande admiradora de parques urbanos, mas sempre que viajava com os pais, Rebecca tinha de acompanhá-los em um tour pela cidade que sempre envolvia uma visita a algum parque, já que seus pais eram grandes amantes do paisagismo.

Na companhia deles, ela já havia visitado os Jardins de Butchart, no Canadá; o Griffith Park, em Los Angeles; o Fort Canning Park em Singapura e, até mesmo, o Master Of The Nest Garden, na China – todos muito bem ornamentados e listados entre os dez parques urbanos mais lindos do mundo – e, ainda assim, nenhum deles havia chamado sua atenção.

Comparado a esses parques, o Florence não tinha nada que pudesse ser considerado grandioso ou diferente e Rebecca não conseguia entender porque Aaron o achava tão incrivelmente mágico.

– Meu pai me trouxe aqui uma vez quando eu tinha cinco anos. – Aaron respondeu calmamente – Nós morávamos em Londres, viajamos quase duas horas de carro para chegar aqui e eu me lembro de ter ficado muito puto com o meu pai por ter me feito acordar cedo e vir até Oxford só para ver um monte de árvores. – Aaron riu – Me lembro de ter dito a ele que, ao invés de vir aqui e passar frio, nós poderíamos ter nos sentado na varanda de nossa casa e, simplesmente, olhado as árvores de nosso jardim enquanto tomávamos chocolate quente, mas ele me disse que as árvores do nosso jardim não se comparavam a esse lugar e que, enfrentar algumas adversidades para ver coisas bonitas, não era ruim. Então, nós nos sentamos bem aqui e ele passou horas me ensinando a apreciar a forma como o sol batia nas folhas amareladas das árvores e fazia todo esse lugar brilhar, como se estivesse coberto de ouro. Foi um dia bem legal – Aaron concluiu – E, quando nós voltamos para casa, naquele dia, meu pai prometeu que me traria aqui durante o inverno, para que eu pudesse ver como as árvores pareciam ser feitas de cristal quando o gelo grudava em seus galhos.

Aaron fixou o olhar num conjunto de árvores logo à frente e Rebecca o encarou, emocionada. O Florence Park já não lhe parecia mais tão sem graça quanto antes e ela estava ansiosa para saber um pouco mais sobre a vida de Aaron.

– E, então? – Rebecca se atreveu a perguntar depois de um longo momento de silêncio – Você e seu pai voltaram aqui no inverno?

– Não. – Aaron respondeu colocando-se de pé – Ele morreu.

Rebecca olhou para o chão, constrangida por ter tocado em um assunto tão delicado e sentindo-se cem vezes idiota e insensível.

– Eu sinto muito pelo seu pai. – ela disse baixinho – E por você não ter visto as árvores com ele no inverno.

– Tudo bem, Bee. – Aaron ergueu o rosto dela com delicadeza – E eu voltei aqui no meu primeiro ano da faculdade. – ele abriu um pequeno sorriso – As árvores parecem mesmo ser feitas de cristal.

Rebecca abriu um sorriso comovido e olhou ao redor, apreciando as árvores douradas que reluziam sob a luz fraca do sol e tentando imaginar como elas ficariam cobertas com cristais de gelo durante o inverno. Mesmo com a ventania e o frio cortante, ela estava começando a sentir vontade de voltar ao Florence Park outro dia e ver, pessoalmente, a beleza das árvores de cristal das quais Aaron havia falado.

– Sabe, esse lugar não é como o Central Park. – Rebecca disse colocando-se de pé também – Ele é muito mais bonito. Ele é realmente mágico.

– Fico feliz que tenha gostado. E, se você quiser, eu posso te trazer aqui no inverno para você ver como é. – Aaron propôs com um sorriso divertido – Parece a Vila do Papai Noel, mas sem as renas e os duendes e seja lá mais o quê exista no natal.

Rebecca riu.

– Seria muito bom voltar aqui com você no inverno. – ela concordou animada.

– Ótimo. – Aaron disse satisfeito – Quer conhecer o restante do parque agora?

Rebecca assentiu e ele a segurou pela mão e a guiou em direção a um pequeno jardim semicircular no centro do parque.

Os dois passaram as três horas seguintes andando para lá e para cá em meio as rajadas de vento e chuvas de folhas secas, enquanto Aaron mostrava à Rebecca seus lugares favoritos, as quadras de esporte, a pequena choupana no extremo norte do parque e o Centro de Atendimento Infantil que havia ali.

– Já são quase quatro horas. – Rebecca disse ao olhar seu relógio, depois de visitar praticamente todas as árvores do Florence Park.

– Sério? – Aaron se surpreendeu – Que tal a gente ir a algum lugar para comer, então? Você deve estar faminta já que não almoçou hoje.

– É. – Rebecca admitiu com um sorriso envergonhado – Meu estômago começou a roncar há um tempinho.

– Ok. Vamos comer, então. – Aaron disse guiando Rebecca de volta ao lugar onde havia estacionado o carro.

Como a maior parte dos restaurantes já estava fechada àquela hora, eles atravessaram a cidade até um pequeno café na Broad Street, onde comeram torta e tomaram cappuccino.

Durante todo o tempo, Rebecca fez o que pode para não pensar em Vlad e na briga que tiveram, pois não queria voltar a chorar e acabar por passar o dia inteiro triste por causa de tudo o que ele lhe dissera.

Estava ciente de que tinha errado ao passar a noite no apartamento de Aaron e desligar o celular sem dar melhores explicações para Vlad e, até compreendia o motivo de sua raiva, mas realmente não esperava aquele tipo de atitude dele. Ficar com raiva era uma coisa, agora, julgá-la como ele havia feito e ainda ofendê-la chamando-a de “qualquer” era uma coisa completamente diferente.

Ainda queria conversar com Vlad e encontrar uma forma de resolver as coisas com ele, é claro, mas precisaria de um tempo para superar a mágoa que estava sentindo antes de qualquer tentativa de reconciliação. Enquanto isso, agradecia por Aaron estar se mostrando uma companhia agradável ao invés de um babaca completo. No fim das contas, ele realmente parecia ser apenas uma pessoa mal compreendida que só precisava de um amigo de verdade.

De volta ao St. Hilda’s College, Rebecca respirou aliviada por não encontrar Vlad, mais uma vez, esperando-a na porta do alojamento. Uma única discussão de relacionamento em público já era o bastante para um dia e ela, realmente, não estava com humor para outra briga.

Então, com medo de que Vlad pudesse aparecer ali de repente e começar outra confusão, Rebecca se apressou para se despedir de Aaron.

– Obrigada por me fazer companhia hoje. – ela disse olhando rapidamente para os lados para se certificar de que Vlad não estava por perto – Eu gostei muito do nosso passeio.

– De nada. – Aaron disse com um sorriso – Foi bem legal passar o dia com você. A gente podia sair de novo qualquer dia desses.

– É. A gente pode marcar um dia. – Rebecca respondeu já se encaminhando para as escadas do alojamento.

– Que tal amanhã? – Aaron propôs pegando-a de surpresa.

Rebecca parou onde estava e se voltou para ele.

– Amanhã? – ela perguntou confusa.

– A gente podia ir almoçar. – Aaron coçou a parte de trás de seu pescoço, parecendo um pouco constrangido – Você tem um intervalo de duas horas entre as suas aulas e eu conheço alguns lugares legais, então... bem, a gente podia ir almoçar.

Rebecca o encarou, meio boquiaberta, enquanto pensava no que responder. Passar o dia com Aaron tinha sido bom, mas ela não estava totalmente certa de que almoçar com ele no dia seguinte teria o mesmo resultado. O humor de Aaron não era algo muito estável e era bem possível que, em um único almoço, ele acabasse com toda a boa impressão que ela tinha dele agora. Além do mais, Rebecca tinha certeza absoluta de que Vlad teria um ataque se soubesse que ela tinha aceitado almoçar com Aaron.

– E então? – Aaron perguntou apreensivo – Quer almoçar comigo amanhã?

– Errr... – Rebecca começou indecisa – Eu posso responder amanhã?

Aaron pensou um pouco a respeito.

– Tudo bem. – ele respondeu dando de ombros – Me passa o seu número para eu te ligar amanhã, então?

– Hum... ok.

Rebecca abriu sua bolsa rapidamente para pegar uma caneta e depois puxou o braço de Aaron para anotar o número de seu celular na palma da mão dele, mas isso a fez se lembrar do dia em que foi ao seu apartamento e viu Makayla fazer a mesma coisa usando um batom. Uma lembrança nada agradável, por sinal.

– É melhor você anotar. – Rebecca disse, soltando o braço de Aaron e estendendo-lhe a caneta – A minha letra é feia.

Aaron riu, mas pegou a caneta e anotou o número que Rebecca lhe ditou.

– Eu te ligo amanhã, então. – ele disse devolvendo a caneta à Rebecca e depositando um beijo rápido em sua bochecha, antes de se afastar rumo ao estacionamento, deixando-a completamente paralisada.

Rebecca observou atônita enquanto Aaron entrava no carro e dava marcha à ré e, apenas quando seu carro sumiu de vista, foi que ela conseguiu voltar a si e subir as escadas em direção ao seu dormitório.

Aaron havia lhe roubado um beijo durante a Festa de Boas Vindas e outro no dia em que ela tinha ido ao seu apartamento e, para Rebecca, ambas as experiências haviam sido confusas e terríveis, mas esse beijo, apesar de tê-la surpreendido, tinha sido bom. Não bom da forma como os beijos de Vlad eram para ela – com todo aquele sentimento de paixão envolvido –, ele tinha sido apenas carinhoso. E, mesmo sem perceber, Rebecca sorriu.

– O que você acha que está fazendo?! – Cadence questionou assim que Rebecca abriu a porta.

Rebecca olhou para ela por um instante e depois encostou a porta.

– Eu não sei do que você está falando. – ela disse caminhando até sua cama, onde jogou sua bolsa e se sentou para tirar os sapatos.

– Não se faça de boba, Rebecca. – Cadence se levantou e se postou de frente para ela com os braços cruzados – Estou falando da cena que acabou de rolar entre você e o Aaron lá embaixo. O que foi aquilo?

– Você estava me espionando? – Rebecca perguntou erguendo a cabeça para encará-la.

– Isso não vem ao caso agora. O que importa é que você e o Aaron pareciam bem próximos ali embaixo. – Cadence reclamou apontando para a janela – O que aconteceu com o Vlad?

– Nós brigamos. – Rebecca respondeu de forma automática.

– Isso a universidade inteira já sabe. – Cadence retrucou de mau humor – Mas vocês nem terminaram ainda – pelo menos não oficialmente, é claro – e você já está saindo com o Aaron?!

– Eu não estou saindo com ele, Cadence. – Rebecca refutou com raiva.

– Então, como você explica o fato de vocês dois terem passado o dia juntos?

– Nós somos amigos. Só isso!

– Amigos? – Cadence soltou uma risada sarcástica – Há uma semana você o odiava e, então, você passa uma noite no apartamento dele e agora me diz que são amigos? Você só pode estar louca se acha que eu acredito nisso!

– Pode parar, tá legal?! – Rebecca se colocou de pé – Já basta o Vlad para achar que eu transei com o Aaron, não preciso que você venha me dizer isso também.

Rebecca se desviou de Cadence, pegou sua toalha e se dirigiu irritada para o banheiro, mas Cadence a seguiu até lá.

– Então, vocês não ficaram juntos? – ela questionou, segurando a porta antes que Rebecca a fechasse – O que vocês fizeram no apartamento dele, então? Assistiram a um filme e comeram pipoca?

– Não. Nós não assistimos a um filme e também não comemos pipoca. – Rebecca respondeu irritada – Também não transamos ou sequer demos uns amassos se é o que você quer saber. Eu apenas o encontrei completamente bêbado em um estacionamento e o levei para casa, aí acabei dormindo por lá, mas foi só isso!

– Só isso? – Cadence a encarou – Você acha que eu sou idiota? Quer mesmo que eu acredite que não aconteceu nadinha entre vocês durante a noite inteira? É do Aaron que nós estamos falando, Rebecca!

– Não! Não é apenas do Aaron. – Rebecca retrucou irritada – Também estamos falando de mim e eu não sou esse tipo de pessoa, Cadence! Diferente de você, eu não vou para a cama com o primeiro cara que me leva a um apartamento!

No momento em que as palavras saíram da boca de Rebecca, ela se arrependeu de tê-las pronunciado. Não tinha a intenção de ofender Cadence daquela forma, mas já era tarde para consertar seu erro, pois no instante seguinte uma expressão furiosa tomou conta do rosto dela.

– Como é que é?! – Cadence gritou empurrando a porta do banheiro com força e fazendo Rebecca cambalear alguns passos para trás – Repete isso!

– Cadence, eu não quero discutir... – Rebecca começou a dizer, mas antes que pudesse concluir sua fala, sentiu a mão de Cadence atingir seu rosto com força.

– Eu mandei você repetir o que disse, sua vadia! – Cadence gritou novamente, pegando Rebecca pelos cabelos.

– Vadia é você! – Rebecca retrucou, virando-se e acertando um belo tapa no rosto de Cadence também.

Com a força do tapa, Cadence cambaleou para trás e esbarrou na prateleira de acrílico do banheiro, derrubando todas as coisas que havia sobre ela, enquanto Rebecca se esforçava para livrar seus cabelos das mãos dela e, em meio a toda aquela confusão, ambas acabaram escorregando no xampu que havia se espalhado pelo chão e caíram.

O barulho da queda, dos gritos e dos palavrões que uma proferia para a outra enquanto brigavam no banheiro se espalhou pelo corredor do alojamento, chamando a atenção das outras alunas que saíram de seus quartos e se amontoaram em frente à porta do dormitório de Cadence e Rebecca para ouvir melhor tudo o que se passava lá dentro.

Não demorou muito para que duas monitoras aparecessem para verificar o motivo de toda aquela agitação no corredor e quando elas ouviram a algazarra que acontecia dentro quarto das garotas, não pensaram duas vezes e entraram no dormitório, onde se depararam com Rebecca e Cadence se estapeando pelo chão.

– O que está acontecendo aqui? – uma das monitoras gritou para elas, que pareceram não escutá-la e continuaram a se agredir – Parem já com isso, vocês duas!

Como a ordem não surtiu nenhum efeito, as monitoras correram até elas e se esforçaram para separá-las, enquanto Cadence e Rebecca trocavam chutes, tapas e até mesmo alguns socos, para a alegria das expectadoras em sua porta, que assistiam a tudo aquilo tão animadas quanto os fãs do UFC. Algumas até filmavam toda a pancadaria com os celulares.

Quando as monitoras finalmente conseguiram separar as duas, as alças do vestido rosa de renda que Cadence estava usando estavam rasgadas, seu cabelo estava totalmente bagunçado e ela tinha dezenas de arranhões ao longo dos braços, além de alguns hematomas avermelhados no rosto. Rebecca estava praticamente na mesma situação, exceto pelo fato de que, ao invés de estar com alguma peça de roupa rasgada, ela estava com o rosto um pouco sujo de sangue por causa de um corte que havia em seu lábio inferior.

– O que diabos aconteceu com vocês duas? – a mesma monitora que havia interceptado Aaron no alojamento algumas semanas antes perguntou para Cadence, segurando-a pelos ombros com força.

Ela olhou de cara feia para Rebecca, que a encarou com a mesma expressão de desagrado, mas nenhuma das duas disse uma palavra.

– Ótimo. – a monitora que segurava Rebecca disse nervosa – Não querem falar? Tudo bem. Podem guardar toda a história para o Reitor, pois é para lá que vocês irão agora.

A monitora que segurava Cadence assentiu e a conduziu para fora do quarto.

– O show acabou, garotas. Todo mundo de volta aos seus dormitórios. – ela gritou para as alunas que estavam paradas em frente à porta.

– Andando. – a outra monitora ordenou para Rebecca, que se encaminhou para fora do quarto, enquanto ela a segurava pelo braço.

O caminho até a reitoria pareceu extremamente curto e, antes mesmo que Rebecca ou Cadence pudessem pensar no que diriam aos pais caso fossem expulsas, elas já estavam sentadas em frente à mesa de Andrew Hamilton, que as encarava com visível desagrado.

– Eu costumo receber muitos alunos desordeiros aqui. – o reitor começou enquanto rodava uma bela caneta prateada, com o emblema da universidade, entre os dedos – Mas eles, geralmente, são garotos, metidos a valentões e que têm o péssimo hábito de acharem que são o macho alfa de alguma matilha. Logo, creio que não preciso dizer o quanto estou surpreso e desapontado ao vê-las aqui nesse estado, senhoritas.

Andrew Hamilton olhou rapidamente para o vestido rasgado de Cadence, depois para o lábio ensanguentado de Rebecca e, então, se levantou.

– Gostaria de saber o motivo de tamanha violência. – ele disse percorrendo a sala lentamente – Senhorita Andrews, poderia começar com as explicações, por favor?

Cadence olhou para Rebecca com raiva e ela retribuiu a igual maneira, antes de começar a falar:

– Cadence e eu nos desentendemos. – Rebecca disse apenas.

– E poderia me dizer o motivo do desentendimento, senhorita Andrews? – o reitor perguntou, enquanto se concentrava em arrumar alguma imperfeição invisível nas cortinas vermelhas de sua janela.

Rebecca engoliu em seco sem saber o que responder. A verdade é que, de certa forma, ela e Cadence haviam brigado por causa de Aaron, mas dizer ao reitor que elas haviam se agredido daquela forma por causa de um garoto com o qual nenhuma das duas tinha algum relacionamento parecia muito humilhante.

– Temos certas divergências. – Rebecca respondeu por fim.

– E, por certas divergências, a senhorita se refere à...? – o reitor questionou, voltando para mesa e se sentando.

– Gostamos do mesmo garoto. – Cadence respondeu antes que Rebecca pudesse dizer alguma coisa – Em resumo, ela está a fim do meu namorado.

– Ele não é seu namorado! – Rebecca retrucou indignada com a cara de pau da colega ao contar uma mentira como aquela.

– Então, de certa forma, você está confirmando que está a fim dele? – Cadence a encarou.

– Claro que não. – Rebecca respondeu rapidamente e depois se voltou para o reitor – Ele não é namorado dela e eu não estou afim dele. Somos apenas amigos, mas ela não entende isso.

Andrew Hamilton ergueu a mão indicando que as informações bastavam.

– Senhoritas – ele disse apoiando os cotovelos na mesa e entrelaçando os dedos –, eu não acredito que as duas se agrediram assim por causa de um motivo tão fútil. Duas moças bonitas e inteligentes como vocês brigando por causa de um garoto. Um garoto! Vocês têm noção do quanto isso é vergonhoso?

Rebecca e Cadence se encararam por um momento e depois viraram a cara uma para a outra, fazendo Andrew Hamilton soltar um suspiro cansado.

– Bem, senhoritas, considerando que as duas têm um currículo impecável e que é a primeira vez que se envolvem em alguma confusão nessa universidade, eu apenas lhes darei uma advertência oral, mas se continuarem com esse tipo de atitude, serei obrigado a lhes dar uma advertência escrita ou, até mesmo, expulsá-las. – o reitor concluiu – Portanto, sugiro que as duas voltem para o seu dormitório e não causem mais nenhum transtorno. Estamos entendidos?

Cadence e Rebecca balançaram a cabeça afirmativamente.

– Muito bem. – o reitor fez um gesto em direção à porta – Estão dispensadas.

Cadence e Rebecca se retiraram rapidamente da reitoria e percorreram em silêncio o caminho de volta para o alojamento do St. Hilda’s. A tensão entre elas era quase palpável e Rebecca começava a pensar seriamente na ideia de pedir para mudar de dormitório.

Mesmo que ela e Cadence não fossem mais se agredir daquela forma, para ambas, dividir um quarto depois daquela briga seria uma tarefa impossível. Então, assim que chegou ao dormitório, Rebecca pegou uma mochila e colocou algumas peças de roupa dentro.

Tentaria conseguir uma autorização para mudar de quarto na segunda-feira, mas enquanto não conseguisse, ficaria no apartamento de Margareth, pois acordar cedo para vir para a faculdade era melhor que correr o risco de ficar ali, com Cadence, e não acordar mais.

Rebecca terminou de arrumar a mochila e saiu do dormitório recebendo um “já vai tarde” de Cadence como despedida. Ela desceu as escadas devagar e ligou o celular, que automaticamente foi bombardeado por dezenas de chamadas não atendidas, mensagens de texto não lidas e avisos de recado de voz, que ela ignorou para discar o número do táxi. Depois ela telefonou para Margareth para avisá-la que iria passar um tempo em seu apartamento, mas deixou para dar maiores informações sobre isso pessoalmente.

O táxi chegou cerca de dez minutos depois e após passar o endereço ao taxista, Rebecca se sentou no banco de trás e fechou os olhos, tentando se lembrar se havia quebrado algum espelho durante a infância, porque não era possível que uma pessoa tivesse tanto azar assim.

Primeiro tinha brigado com Vlad, depois com Cadence e, agora, tinha sido praticamente expulsa de seu dormitório. Era um desastre!

Quase no mesmo instante em que ela concluiu o pensamento, seu celular começou a tocar e um número desconhecido apareceu na tela do aparelho, deixando-a indecisa quanto a atender ou não. Não estava com humor para falar com ninguém naquele momento, mas a curiosidade a instigava a atender a ligação e, por fim, foi o que Rebecca fez.

– Alô. – ela atendeu de forma receosa.

– Bee? – a voz de Aaron ressoou do outro lado da linha e Rebecca sentiu a respiração falhar.

– Sou eu. – ela respondeu em voz baixa e Aaron sorriu do outro lado da linha.

– Desculpa se eu te assustei. – ele disse tranquilamente – É que eu não consegui esperar até amanhã.

Notas finais
São tantas emoções, né? É o Aaron sendo fofo, é a Rebecca se sentindo mexida por ele, é a Cadence surtando igual ao Vlad... Aliás, da primeira vez que decidi editar a fanfic eu pensei em retirar essa parte da briga das garotas e fazê-las serem melhores amigas 4ever, mas eu gosto tanto dessa briga delas que decidi deixar kkk eu não presto mesmo! Enfim, sem surpresas nesse capítulo, exceto para quem está lendo pela primeira vez e, por hoje, é só. Beijos e até amanhã!