Wake Me Up
6 Quase um Conto de Fadas
Notas iniciais
Aaron conduziu Cadence até o estacionamento da Trinity College, onde ele havia deixado seu carro: um belo Range Rover Evoque azul. O veículo, de superfície brilhante e cor intensa, sempre encantava as garotas, mas não era por isso que Aaron tinha um carinho especial por aquele carro e, por algum motivo, todas as garotas pareciam se encantar por ele também.
– Uau! – Cadence exclamou impressionada, aproximando os dedos da superfície do carro sem chegar a tocá-la realmente – Esse é o seu carro?
– É. – Aaron abriu a porta para ela – Você gostou?
– Está brincando?! – Cadence entrou no carro, apressada, e deu uma boa olhada em seu interior – Ele é o máximo!
Aaron sorriu e, depois de fechar a porta para ela, se dirigiu ao lado do motorista.
– E então, aonde você vai me levar? – Cadence indagou assim que ele entrou no carro e deu a partida.
– Você vai descobrir quando chegarmos lá.
Aaron dirigiu rumo à South Oxfordshire permitindo que Cadence escolhesse as músicas que ouviriam ao longo do caminho e reprimiu a vontade de desligar o som quando ela optou por Taylor Swift.
Ele simplesmente odiava Taylor Swift, mas tantas foram as garotas que entraram em seu carro e optaram por ouvir as músicas dela que, agora, ele já sabia até cantar algumas e, embora não conseguisse entender o porquê, as garotas sempre ficavam eufóricas quando o ouviam cantar um trecho ou outro de uma música quando, às vezes, ele se distraía.
Os dois percorreram alguns quilômetros pela autoestrada até entrarem em uma pequena estrada de terra que era cercada por bosques. Andaram cerca de quinze minutos por essa estrada e, então, Aaron estacionou.
– Já chegamos? – Cadence perguntou olhando para as árvores ao redor, com uma expressão confusa.
– Ainda não. Nós vamos precisar andar um pouco. – Aaron apontou para uma pequena trilha no meio do bosque. – Venha.
Os dois desceram do carro e seguiram pela trilha por alguns minutos até encontrarem uma velha cabana no meio de uma clareira.
Apesar de sua aparência antiga, a cabana era bonita. Suas paredes rústicas de madeira eram cobertas por plantas trepadeiras, que a fazia parecer uma cerca viva. Ao seu lado havia um lago com um pequeno píer, também de madeira e algo que há muito, muito tempo deveria ter sido um belo jardim.
A água escura do lago era repleta de vitorias régia e, sua margem, coberta por uma relva muito verde e alta.
– Agora chegamos. – disse Aaron com um sorriso satisfeito.
– Que lugar é esse? – Cadence, observou o local com curiosidade. Não ia negar que o lugar tinha um certo charme, mas quando Aaron disse que lhe mostraria seu lugar favorito em Oxford a última coisa que lhe passara pela cabeça era um cabana velha no meio do nada.
Notando a confusão da garota, Aaron segurou sua mão e a guiou para mais próximo da cabana, parando a alguns metros da construção.
– Esse lugar funcionava como um acampamento de verão a muitos anos atrás. –ele explicou – Eu costumava acampar aqui quando era criança, mas depois que o dono morreu, o acampamento fechou e o lugar ficou abandonado.
– Então... O seu lugar favorito em Oxford é um acampamento abonado? – Cadence desviou os olhos da cabana a sua frente e se voltou para Aaron, enrugando o nariz em uma pequena careta – Bastante original. – comentou, fazendo-o soltar uma gargalhada.
– Gosto daqui porque é tranquilo. – ele respondeu puxando-a para mais perto – E, também, porque é um dos poucos lugares onde se pode ficar sozinho.
Aaron depositou um beijo rápido nos lábios de Cadence e depois se afastou com um sorriso satisfeito, enquanto ela permaneceu imóvel, tocando delicadamente os próprios lábios, ainda extasiada.
– Venha, Cady. – Aaron a chamou, retirando-a de seus devaneios – Vou te mostrar como ela é por dentro.
Ele empurrou com força a porta da cabana que se abriu com um rangido alto e, depois, fez o mesmo com as pequenas janelas brancas do local, permitindo que os raios de sol iluminassem o lugar já que não havia mais energia elétrica ali há anos.
A cabana não era muito grande e estava praticamente vazia, mas havia uma pia antiga e uma grande mesa de madeira com algumas cadeiras no local que deveria ter sido a cozinha. Na sala havia um pequeno sofá e alguns banquinhos de madeira, uma lareira e um pouco de lenha empilhada num canto e, no quarto, havia algumas camas beliches de aparência antiga e um pouco empoeiradas e um guarda roupas muito velho.
Aaron sacudiu um pouco o lençol de uma das camas e depois se sentou nela, dando dois tapinhas no lugar ao seu lado, pedindo à Cadence que se sentasse ali.
– Você costuma vir muito aqui? – ela perguntou, sentando-se no lugar que ele indicara.
– Um pouco. – Aaron a abraçou – Mas é bem melhor com você aqui.
Cadence olhou envergonhada para ele, encontrando seu olhar penetrante. Era como se Aaron pudesse enxergar através dela, no fundo de sua alma, e aquilo a hipnotizava. Ele se aproximou devagar e tudo o que Cadence pode fazer, um segundo antes de sentir os lábios dele nos seus novamente, foi fechar os olhos.
Dessa vez o beijo foi longo e intenso.
Aaron inclinou o corpo de Cadence para trás, deitando-a sobre a cama e, em seguida, inclinou-se sobre ela, percorrendo seu corpo com as mãos devagar. A cada toque de Aaron era como se Cadence estivesse um pouco mais perto do paraíso e o calor do corpo dele sobre o seu parecia ser suficiente para incendiar o mundo inteiro.
Cadence reclinou um pouco a perna e a saia de seu uniforme subiu alguns centímetros, despertando ainda mais o interesse de Aaron, que aproveitou para passar a mão por toda a extensão de suas coxas, mas assim que ele alcançou a curva do bumbum de Cadence, ela segurou sua mão e a retirou de debaixo de sua saia.
– O que foi? – ele perguntou confuso.
– Rápido... Demais. – Cadence respondeu ofegante, afastando-o um pouco e voltando a se sentar.
Aaron reprimiu um suspiro de frustração e sentou-se também.
– Desculpe, Cady. – ele beijou delicadamente o pescoço dela – Eu me empolguei.
– Tudo bem. – Cadence depositou um selinho nos lábios dele e depois se levantou e foi até a janela – Sabe, apesar de velho, esse lugar até que é bonito.
– Essa é apenas uma parte dele. – Aaron se levantou também e a abraçou por trás de forma carinhosa – Tem uma cachoeira logo mais adiante e um pomar, mas acho que ele já não deve ser tão bonito quanto costumava ser.
– Sério?! – Cadence exclamou empolgada – Podemos ir lá?
Aaron olhou em seu relógio e pensou um pouco. Eram pouco mais de duas da tarde e eles levariam cerca de meia hora para chegar à cachoeira, então daria tempo de ficarem um pouco por lá e voltarem antes de o sol começar a se pôr.
– Claro, gatinha. – ele segurou a mão de Cadence e a guiou em direção à porta, com um sorriso nos lábios.
Os dois adentraram no bosque que cercava a cabana e seguiram para a cachoeira por uma trilha bem mais fechada e mais longa que a trilha que haviam usado antes para chegar ali e, conforme se aproximavam era possível ouvir, cada vez mais forte, o barulho estrondoso da água despencando das pedras lá em cima e caindo no riacho.
Quando finalmente chegaram, Cadence soltou a mão de Aaron e correu para o leito do rio, maravilhada com a visão grandiosa da cachoeira.
– Ai-meu-Deus! – ela exclamou animada – Ela é linda, Aaron. É a coisa mais linda que eu já vi.
– Isso quer dizer que não há espelhos na sua casa, porque essa cachoeira nem de longe é tão linda quanto você. – Aaron se aproximou e acariciou o rosto de Cadence com ternura.
Ela corou no mesmo instante e desviou o olhar do dele, para evitar que caísse novamente em tentação. Em um lugar tão lindo quanto aquele e com Aaron ao seu lado, dizendo-lhe coisas tão bonitas, seu autocontrole não era muito confiável, então, para amenizar os pensamentos voluptuosos que preenchiam sua cabeça, Cadence se afastou dele e se abaixou para tocar a água esverdeada do riacho.
– Quer entrar? – Aaron perguntou mantendo-se alguns passos atrás dela.
– Eu não trouxe roupa de banho. – ela se colocou de pé novamente e se virou, bem a tempo de ver Aaron tirar os sapatos e o blazer preto do uniforme da Trinity College.
– Nem eu. – disse ele e o coração de Cadence quase parou quando Aaron retirou o restante de sua roupa, com um sorrisinho provocativo nos lábios.
Aquela era a coisas mais sexy que ela já tinha visto, mas, ao mesmo tempo, era também a mais constrangedora e Cadence teve que fechar os olhos para não morrer de vergonha quando Aaron entrou, completamente nu, no riacho.
– Venha, Cady. – ela a chamou – A água está uma delícia.
Cadence permaneceu imóvel por um minuto, relutante. Já havia infringido milhares de regras de seus pais em uma única tarde e gostava disso. Era a primeira vez em sua vida que se sentia totalmente livre para fazer o que quisesse e quando quisesse, mas não sabia se era tão rebelde ao ponto de tirar sua roupa e entrar no riacho com Aaron.
– Cady, se você não entrar eu vou começar a me sentir um idiota. – disse ele e Cadence fez uma careta por causa do nervosismo.
– Calma. – ela disse tentando criar coragem. – Me dê um minuto.
Devagar e ainda de olhos fechados, ela começou a retirar os sapatos e o blazer azul de seu uniforme e, antes de prosseguir para as outras peças, ela respirou fundo e contou até dez. Já tinha chegado até ali, afinal, e as gotas de água brilhando na pele de Aaron o deixavam tão convidativo, que ela não poderia – e nem queria – negar a ele aquele mergulho.
– Feche os olhos. – ela pediu, sentindo que seu rosto começava a corar novamente quando começou a desabotoar os botões da blusa.
Aaron fez o que ela pediu e colocou as palmas das mãos sobre olhos e, então, Cadence retirou o restante de seu uniforme e de sua lingerie e entrou rapidamente no riacho. Seu corpo inteiro tremia, mas ela não sabia dizer se era por causa da temperatura da água ou da adrenalina.
– Já posso abrir os olhos? – Aaron perguntou, virando o rosto na direção em que Cadence estava.
– Eu sei que você não fechou os olhos de verdade. – ela retrucou e Aaron abriu um sorriso malicioso confirmando sua afirmação – Você é um grande trapaceiro.
– E você é linda. – Aaron retirou as mãos dos olhos e nadou para perto de Cadence. O que ele realmente queria ter dito era que ela era gostosa, mas esse não era um adjetivo próprio para ser usado em um primeiro encontro com uma garota que ele tinha certeza que era virgem.
Sem saber exatamente como deveria reagir àquela abordagem, Cadence submergiu e depois emergiu a uma pequena distância de Aaron. Ela tinha tido coragem para ficar nua e entrar no riacho com ele, mas ainda não tinha coragem suficiente para deixá-lo se aproximar tanto.
– Eu exijo reembolso. – ela disse numa fraca tentativa de encontrar outra coisa em que se concentrar – Você disse que água estava boa, mas na verdade ela está fria.
– Sério? – Aaron fingiu estar surpreso e nadou até ela novamente – Eu te ajudo a esquentá-la, então.
Ele tentou abraçar Cadence, mas ela nadou para longe dele outra vez e se escondeu atrás de uma das rochas.
– Isso se você conseguir me pegar. – disse atirando um pouco de água no rosto dele que sorriu com malícia.
– Pode apostar que eu consigo. – ele respondeu, dando um duplo sentido à frase, e então nadou atrás de Cadence mais uma vez.
Eles nadaram para lá e para cá no riacho enquanto Cadence tentava se desvencilhar de Aaron, mas ele era mais rápido e ela não conseguiu fugir por muito tempo. Logo Aaron a encurralou e a prendeu em seus braços, beijando seu pescoço.
– Te peguei. – disse ele, sentindo o contorno dos seios de Cadence contra o seu corpo – Qual é o meu prêmio?
Cadence fingiu pensar um pouco e depois o beijou nos lábios, rapidamente.
– Este está bom? – ela perguntou sorridente e Aaron negou com a cabeça.
– Eu consigo pensar em um prêmio muito melhor. – disse ele, olhando-a de forma penetrante.
Cadence desvencilhou-se de seu abraço mais uma vez e virou às costas para ele, envergonhada. Ela também conseguia pensar em muitas coisas melhores que um selinho, mas ainda não tinha coragem de dar um passo tão grande.
– Acho melhor não, Aaron. – disse, ainda sem olhar para ele – Desculpe. Eu não estou pronta para isso.
Aaron encarou suas costas nuas por um instante, frustrado com aquela resposta. A coisa que mais o irritava em garotas virgens – além da falta de experiência na cama – era a insistência delas em manter a pose de boa moça. Ele já havia tido experiências como essa o suficiente para saber que, no fim, todas elas sempre cediam, então achava todo aquele diálogo uma grande perda de tempo.
Sua experiência, porém, também tinha servido para ensiná-lo a tentar novas abordagens. Por isso, ao invés de ficar ali, parado, pensando em como era frustrante ter de passar por todas aquelas etapas a cada nova conquista, Aaron apenas assentiu e se afastou de Cadence, nadando de volta à margem.
Ela o observou enquanto ele saía do riacho e, em silêncio, recolocava seu uniforme e seus sapatos. A última coisa que queria era que Aaron se lembrasse dela como uma garotinha boba e chata, mas, naquele momento, ela sentia que havia estragado as coisas.
– Você ficou bravo? – Cadence perguntou receosa. Não era todo dia que caras como Aaron surgiam em seu caminho e ela não queria ser a garota que estragaria tudo apenas para que, no dia seguinte, ele estivesse correndo atrás de alguém como Rebecca, em busca de algo que ela não havia lhe dado.
Aaron recolheu as roupas dela do chão e depois abriu um largo sorriso, sentindo que sua nova abordagem começava a funcionar como ele imaginava.
– Claro que não estou bravo, Cady. – ele respondeu e apontou para o sol – É que está ficando tarde e é ruim andar pelo bosque à noite. Vamos terminar nosso dia em outro lugar, tudo bem?
Cadence assentiu aliviada e saiu do riacho tentando cobrir seu corpo com as mãos, mas Aaron se aproximou dela e segurou seus braços levemente, impedindo-a de fazer isso.
– Porque ainda está com vergonha, Cady? Achei que já tínhamos superado essa parte. – ele sorriu e então acariciou o rosto de Cadence, escorregando suas mãos até a cintura dela antes de depositar um beijo em sua boca.
Um suspiro de êxtase escapou dos lábios da garota e, satisfeito com aquela reação, Aaron entregou as roupas à Cadence e esperou até que ela terminasse de se vestir, olhando com certa abominação para seu uniforme que parecia ter sido criado para esconder toda a beleza do corpo feminino e deixar as garotas o menos desejável possível.
– Deveriam abolir esse uniforme da face da terra. – ele comentou com um careta de desprezo – Você é tão bonita, mas olhar para esse uniforme é como assistir a um filme de terror.
– Eu odiei esse uniforme também. – Cadence riu – Pareço uma noviça.
– Uma noviça muito gostosa. – Aaron passou os braços redor dos ombros dela e, abraçados, eles andaram de volta à cabana.
O sol já estava baixando-se no horizonte e, depois que Aaron fechou novamente as janelas e a porta do local, ele e Cadence seguiram pela trilha até o lugar onde ele havia deixado o carro.
– Aonde vamos agora? – ela perguntou colocando o cinto de segurança e virando-se para Aaron, que olhou o relógio rapidamente.
– Vamos voltar para a universidade. – ele respondeu, concentrando-se na estrada a sua frente – Aí você pode tomar um banho de verdade e tirar esse uniforme feio e, depois, nós podemos ir ao meu outro lugar favorito.
– Outra cabana no meio do nada? – Cadence perguntou divertida.
– Não. Esse é um local público, mas se quiser posso te levar a um lugar bem mais reservado. – ele sorriu.
– E qual seria? – Cadence indagou, curiosa.
– Um local chamado meu apartamento. – Aaron respondeu e Cadence arregalou os olhos, surpresa.
– Você tem um apartamento também?
– Sim. Ele é bem útil quando preciso dar um tempo da universidade. Oxford, às vezes, me sufoca. – disse Aaron – E então, quer conhecê-lo?
Cadence pensou por um momento, sentindo-se animada com a ideia de visitar o apartamento de Aaron. Nenhum garoto a havia convidado para conhecer seu apartamento antes e aquilo fazia com que ela se sentisse especial.
– Se eu aceitar... – perguntou ela – Quais serão suas intenções comigo?
Aaron a encarou por um segundo e depois soltou uma gargalhada.
– Ah, meu amor, serão as piores possíveis. – respondeu animado.
***
Rebecca saiu de sua aula do segundo período e seguiu para a biblioteca. Não tinha nada para estudar, mas precisava matar um tempo antes de voltar para o dormitório e começar a se arrumar para sair com Vlad.
Não tinha visto nem a sombra de Cadence na faculdade e não conseguia acreditar que, em menos de um dia de aula, Aaron já havia corrompido a mente dela daquela forma. Ele era pior que um demônio.
Às seis da tarde Rebecca guardou seus materiais, deixou a biblioteca e seguiu para o dormitório. Guardou sua mochila, tirou os sapatos e se dirigiu ao seu guarda roupas tentando encontrar algo legal para vestir. Quando finalmente encontrou, tirou os óculos, pegou sua toalha e foi tomar um banho.
Ao sair do banheiro deu de cara com Cadence jogada sobre a cama. Seu cabelo estava meio úmido e ela tinha um enorme sorriso no rosto, que se apagou assim que viu Rebecca.
– Oi. – Rebecca a cumprimentou.
Cadence apenas lançou um olhar mal humorado para ela e se dirigiu para o banheiro, sem responder nada. Quando a porta se fechou com baque surdo, Rebecca foi se arrumar amaldiçoando Aaron mentalmente. Em meia hora ele havia destruído qualquer chance de bom relacionamento que pudesse haver entre ela e Cadence e, agora, ela teria que passar quatro longos anos sendo odiada por sua colega de quarto.
Vinte minutos depois Cadence saiu do chuveiro com uma toalha enrolada no corpo e outra no cabelo. Abriu seu guarda roupas, pegou um vestido preto de alças de renda e uma calcinha também preta e os vestiu.
– Vai sair com o Aaron de novo? – Rebecca perguntou antes que pudesse se conter e Cadence, mais uma vez, fechou a cara para ela.
– Sim. – ela respondeu retirando a toalha do cabelo e ligando o secador.
Rebecca a encarou por mais um instante, mas depois desviou o olhar e sacudiu a cabeça, lembrando a si mesma que não iria mais se meter na história de Cadence e Aaron e depois voltou a se arrumar.
Mal havia terminado quando alguém bateu à porta de seu dormitório e, como Cadence ainda estava enrolada secando seu cabelo, Rebecca se levantou e foi abrir a porta, quase tendo um ataque cardíaco quando deu de cara com Aaron.
Ele usava tênis, bermuda branca e uma camisa social preta, cujas mangas estavam dobradas até a altura de seu cotovelo. Havia um largo sorriso estampado em seus lábios e seu cabelo loiro estava oculto por gorro cinza escuro.
Era expressamente proibido que garotos entrassem no alojamento do St. Hilda’s, mas lá estava Aaron, parado em frente à porta de seu dormitório como se aquilo não fosse uma afronta às regras passível de expulsão.
– O que está fazendo aqui? – Rebecca perguntou nervosa, olhando de um lado a outro do corredor.
– Vim buscar a Cadence. – ele respondeu calmamente – Ela está aí?
Rebecca saiu do quarto e fechou a porta para que Aaron não tivesse a brilhante ideia de entrar ali de repente. Ela e Cadence já estariam em apuros se as pessoas o vissem no meio do corredor e seria pior ainda se ele inventasse de entrar em seu quarto.
– Está, sim, mas você não pode ficar aqui. Saia. – disse Rebecca num tom baixo.
Aaron cruzou os braços em frente ao peito e olhou para ela com uma expressão desafiadora.
– E se eu não quiser?
– Saia logo, Aaron! – Rebecca fechou a cara para ele, já cansada de seus joguinhos, e o empurrou em direção à saída.
– Ai. – ele fingiu um biquinho. – Não precisa ser tão agressiva.
– Então não seja tão idiota. – Rebecca retrucou de forma ríspida e Aaron parou, encarando-a por um segundo.
– Idiota? – ele repetiu e, quando Rebecca permaneceu encarando-o sem dizer uma só palavra, ele a segurou pelos quadris e a ergueu do chão, jogando-a por cima do ombro, enquanto se dirigia para a saída.
Pega de surpresa, Rebecca reprimiu o gritinho assustado que ameaçou escapar por seus lábios e, imediatamente, começou a bater nas costas de Aaron com toda a força que tinha.
– Me ponha no chão! – ela pediu tentando não gritar de raiva para não chamar a atenção das monitoras do alojamento – Me ponha no chão agora, Aaron!
– Acho que não. – ele respondeu, sem demonstrar qualquer incômodo com os golpes dela.
Somente quando já haviam descido a escadaria do St. Hilda’s e se encontravam fora do alojamento, foi que Aaron colocou Rebecca no chão e a imprensou contra uma árvore próxima ao prédio, segurando-a para que ela não fugisse.
– Muito bem. – disse ele – Vamos conversar.
– Não temos o que conversar. – ela o encarou com toda a raiva que podia e começou a se contorcer embaixo dele – Me solte!
– Me obrigue. – Aaron disse com um sorriso cínico.
– Como queira. – Vlad respondeu parando logo atrás de Aaron e encarando-o de forma ameaçadora – Mas, antes que eu realmente quebre os seus dentes, que tal você soltá-la por vontade própria hein, seu imbecíl?
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