Notas iniciais
Oláres! Gente, quando eu sumo eu sumo por meses, mas quando a inspiração volta... ahaha, aí é só alegria, né? E, aproveitando que respondi todos os comentários dessa fanfic e que a inspiração resolveu fazer morada em mim nos últimos dias, eis me aqui com mais um capítulo. Esse não está tão longo, mas espero que vocês gostem. Boa leitura.

A manhã de Natal amanheceu tão fria quanto o iceberg que naufragou o Titanic. Havia pelo menos meio palmo de neve acumulada no parapeito da janela e, mesmo com o excelente sistema de aquecimento da casa, Rebecca sentiu um arrepio gélido subir por sua perna assim que se sentou na beirada da cama e pousou os pés no chão. Ela cogitou a ideia de voltar para o calor acolhedor que a aguardava embaixo do edredom de Aaron, mas sua bexiga estava muito cheia para isso e seu estômago também roncou baixinho em um visível ato de protesto.

O relógio na parede do quarto mostrava que ainda eram 7h30 e Rebecca resmungou, amaldiçoando-se por não ter conseguido dormir até mais tarde em um feriado como aquele. Aaron, por exemplo, estava praticamente em coma.

— Só um lanchinho. – Ela estipulou, fazendo um acordo consigo mesma. – Vou conseguir dormir um pouco mais depois que saciar a fome.

Então, ela agarrou seu baby doll e o vestiu de maneira apressada, antes de calçar os chinelos e se dirigir ao banheiro para fazer suas necessidades. Aaron ainda dormia como uma pedra quando Rebecca saiu do quarto e, sorrindo, ela percebeu que, se fosse rápida, ele nem notaria que ela tinha saído da cama.

Praticamente na ponta dos pés, Rebecca atravessou o corredor no andar de cima e desceu as escadas em direção à cozinha, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Todos ali pareciam ainda estar em sono profundo e a casa estava totalmente deserta naquela manhã já que Briana havia dispensado os funcionários para ficarem com suas famílias. Como era inverno, o sol ainda não tinha dado as caras direito no horizonte, deixando os corredores mal iluminados e Rebecca tentou não se esbarrar em nada pelo caminho já que ainda não conhecia o lugar muito bem.

Não foi tão difícil encontrar a cozinha, mas decididamente foi bem desagradável abrir a geladeira e se inclinar para mais perto do ar gelado que emanava do eletrodoméstico enquanto procurava por algo para comer. Por sorte, havia algumas fatias de mortadela de peru em uma bandeja plástica e um pote maionese na porta que Rebecca logo pegou. Agora ela só precisaria encontrar algumas fatias de pão.

Ao se afastar da geladeira, no entanto, Rebecca sentiu seu coração parar por um segundo quando deu de cara com Joseph de pé, logo atrás dela, segurando uma faca. O sangue fugiu de seu corpo e o frio que ela estava sentindo, um momento antes, tornou-se três vezes pior e a deixou paralisada. Nem mesmo um ruído escapou por sua garganta e Rebecca suspeitou que até mesmo o oxigênio do ambiente tivesse se escondido em algum lugar longe dela.

Pareceu terem se passado minutos, horas, enquanto ela encarava Joseph sem qualquer reação, com medo de que até mesmo o mais leve tremeluzir de suas pálpebras pudesse despertar algum instinto assassino nele e Joseph também não disse coisa alguma, tão pouco se mexeu, mas após algum tempo – que, por causa do pânico, Rebecca não soube dizer quanto havia durado – ele revirou os olhos para ela, impaciente, e bufou.

— Você vai ficar parada aí para sempre? – Perguntou, apontando para a geladeira que continuava aberta atrás dela.

Rebecca não soube o que responder. Na verdade, mesmo que soubesse, sua voz havia se perdido dentro dela após o susto e só o que ela conseguiu fazer foi separar um pouco os lábios enquanto seu cérebro se esforçava para se lembrar de como formar palavras.

— Ai, por Deus. – Joseph a empurrou para o lado, tirando-a da frente da geladeira e Rebecca praticamente deslizou para o canto como um peso morto, com suas pernas se movendo mais por instinto que por vontade própria.

Ele fuçou o interior da geladeira à procura de alguma coisa, mas quando não achou, fechou o equipamento e se voltou para Rebecca concentrando-se no pote de maionese que ela segurava de maneira precária.

— Pode me emprestar? – Questionou apontando para o pote que Rebecca logo estendeu para ele, embora ela nem se lembrasse de ter movido o braço. Joseph apanhou o pote da mão dela e a encarou, curioso, por alguns segundos. – Você é sonâmbula? – Perguntou estalando os dedos diante dos olhos de Rebecca e ela resfolegou um pouco, assustada com o movimento repentino. Joseph riu. – Você é estranha, garota. – Ele disse dirigindo-se até o balcão, onde havia depositado um prato com dois sanduíches.

Rebecca o observou enquanto ele abria cada um dos sanduíches e, com a faca, passava um pouco de maionese dentro deles. Quando terminou, Joseph fechou novamente os pães e pensou em jogar a faca suja dentro da pia, mas parou e olhou para Rebecca.

— Vai usar? – Acenou com a cabeça na direção do pote de maionese ainda aberto. Rebecca pensou a respeito.

Parecia que seu cérebro estava trabalhando em modo de economia de energia. Mesmo as simples respostas de “sim” ou “não”, levavam muito tempo para serem processadas, mas ela sabia que voltaria ao normal assim que Joseph saísse e a deixasse respirar de novo.

— Eu...

— Ah, vem aqui. – Ele a interrompeu, caminhando até ela com passos largos e segurando-a pelo braço para trazê-la até o balcão. – Você parece que esqueceu alguns neurônios no travesseiro quando se levantou.

Joseph pegou um prato do armário e retirou quatro fatias de pão de dentro de um pacote, depois, tomou a bandeja de mortadela de peru das mãos de Rebecca e organizou algumas fatias da mesma sobre os pães, antes de passar um pouco de maionese e fechar os sanduíches. Jogou a faca suja dentro da pia, guardou o pacote de pão de volta no lugar, recolheu o pote de maionese e a bandeja de plástico e os colocou na geladeira e, então, voltou para o balcão e estendeu o prato com os sanduíches recém-preparados para Rebecca.

— Bon appétit. – Disse calmamente e, assim que ela pegou o prato das mãos dele, Joseph deu meia volta e saiu da cozinha sem olhar para trás.

Rebecca ainda permaneceu em seu estado catatônico por mais alguns minutos, antes de pegar o prato com os sanduíches e praticamente correr de volta para o quarto de Aaron. Ela largou a comida sobre a cômoda e se enfiou novamente debaixo do edredom, sem saber se a leve tremedeira que dominava seu corpo era apenas por causa do frio ou se tinha alguma coisa a ver com o fato de Joseph tê-la aterrorizado até os ossos.

Fechou os olhos e respirou fundo tentando acalmar o coração. Nem ousou olhar na direção dos sanduíches porque um nó tinha se formado em seu estômago e destruído sua vontade de comer. Praguejou baixinho. Sentia-se ridícula por estar tão apavorada quando Joseph mal havia respirado em sua direção na cozinha, mas sempre que se lembrava das ameaças que ele lhe fizera e se recordava da imagem dele segurando aquela faca, parado a poucos centímetros dela, sentia o coração parar de novo.

Ele estava tão perto!

Se quisesse feri-la, ela nem saberia o que a havia atingido antes de estar caída no piso da cozinha. Perguntava-se como Joseph conseguia ser tão silencioso ao ponto de se esgueirar pelos cantos daquele jeito. Será que ele tinha razão e ela era mesmo muito desligada das coisas que aconteciam ao seu redor?

— Ai, Bee, seus dedos estão gelados. – Aaron protestou e só então Rebecca percebeu que estava agarrada a ele com tanta força quanto um filhotinho de macaco se agarrava as costas da mãe.

— Desculpe. Eu desci por instante e agora estou congelando.

Aaron se virou para ela, abraçando-a e colocando as mãos sobre as dela enquanto tentava aquecê-las.

— Tudo bem. – Ele disse pousando o rosto na curva do pescoço dela e depositando alguns beijos breves ali.

Ele voltou a adormecer quase imediatamente, mas Rebecca, apesar do conforto que o abraço de Aaron lhe trazia, demorou a pegar no sono novamente. Quando conseguiu, porém, dormiu como uma pedra e só acordou quando Aaron pousou uma bandeja com café da manhã na cômoda ao seu lado.

— O que é isso? – Ela perguntou sentando-se na cama ainda meio grogue.

Aaron sorriu para ela.

— Acordei e encontrei os sanduíches que você trouxe para mim. – Ele apontou para o prato que agora já estava vazio. – Não precisava ter se incomodado, Bee. Eu só quis retribuir o gesto.

Rebecca olhou para ele sem saber como começar a explicar que, na verdade, só tinha levado aqueles sanduíches consigo para o quarto porque estava com medo de que Joseph descesse e os encontrasse ainda no balcão e tomasse isso como uma ofensa pessoal. Aliás, se fosse explicar isso, para começo de conversa, ela também precisaria explicar que havia ficado aterrorizada ao vê-lo com uma faca na mão, o que, por sua vez, levaria à necessidade de explicar sobre as ameaças que ele havia lhe feito na varanda na noite anterior e, no fim, ela tinha certeza que Aaron estaria saindo do quarto diretamente para estrangular Joseph ou algo assim e aquilo não combinaria muito com o clima natalino do dia.

— Não precisava. – Ela estampou um sorriso afetado nos lábios e se inclinou para abraça-lo de leve. – Não foi nenhum incomodo, eu já estava na cozinha mesmo. – Deu de ombros, preferindo sustentar o gesto romântico que Aaron idealizara, em vez de contar a ele a verdade nua e crua.

— Precisava, sim. E eu não sabia o que você queria, então, eu trouxe um pouco de cada coisa que encontrei. – Ele esclareceu. – Aliás, não sou tão bom na cozinha quanto o Christopher.

Rebecca suspirou de maneira teatral.

— Só de pensar que, se eu fosse alguns anos mais jovem, poderia ter ficado com o irmão certo... – Brincou e Aaron fingiu-se de ofendido.

Os dois desfrutaram do lanche que Aaron havia trazido já que, claramente, os sanduíches de peito de peru preparados por Joseph não haviam sido suficientes para saciá-lo e, quando terminaram, Rebecca só se forçou a sair da cama e voltar para o próprio quarto porque lembrou que ainda precisava escovar os dentes.

Sua vontade era passar o dia inteiro deitada, curtindo o calor do corpo de Aaron sob o edredom, mas eles voltariam para Oxford logo mais a tarde e, apesar da desesperança que a atingia sempre que pensava na possibilidade de encarar Joseph de novo, não podia deixar de curtir aquele restante de tempo na companhia de Christopher e Briana.

Quando ela desceu para encontra-los, Christopher e Aaron já estavam implicando, amistosamente, um com o outro na sala de estar e Briana ria dos comentários de ambos enquanto Cristal e Ruffus faziam uma verdadeira algazarra no tapete. Rebecca mal podia esperar para ver tudo o que eles aprontariam em Oxford, mas, ao mesmo tempo, sentia pena do apartamento de Aaron porque estava claro que os dois cãezinhos não o deixariam intacto por muito tempo.

— Bee! – Christopher a cumprimentou, correndo para abraça-la pela cintura. – Quer fazer bonecos de neve lá fora?

Rebecca olhou para a paisagem branca através da janela.

— Não está muito frio para sair? – Perguntou receosa. Christopher negou com firmeza.

— Ora, foi para isso que inventaram os casacos. – Ele respondeu e a arrastou novamente ao andar de cima.

Tanto Christopher quanto Rebecca se enfiaram em pesadas roupas de inverno, com gorros, cachecol e luvas e calçaram botas impermeáveis e antiderrapantes. Ela se surpreendeu ao ver que Aaron também tinha se trocado para participar da atividade e que, até mesmo Briana, se juntaria a eles lá fora.

A neve no imenso jardim dos fundos da casa estava tão abundante e fofa quanto Rebecca imaginou e ela gargalhou muito quando seu pé afundou em cerca de 30 cm de neve e quase ficou preso. Foi preciso que Aaron e Christopher a ajudassem a sair.

Como não podia faltar, houve guerra de bolas de neve e Rebecca escolheu Aaron como sua primeira vítima da batalha, mas, para seu total desgosto, ele e Christopher pareceram ver nela um ótimo alvo também. Rebecca correu desesperada pelo jardim, desviando do máximo de bolas de neve que conseguia e rindo todas as vezes que eles a acertavam ou que ela tropeçava pela neve fofa e escorregadia. Em uma das várias quedas que levou, Rebecca aproveitou para fazer um anjo de neve e a Aaron a ajudou a se levantar para que ela não deixasse marcas de mão em sua obra de arte.

Os garotos pediram que Briana fosse a jurada na hilária competição para ver quem fazia o melhor boneco de neve do dia e ninguém se surpreendeu muito quando ela, de forma justa, escolheu o boneco de Christopher como o melhor, já que o de Aaron e o de Rebecca estavam pavorosos. Um dos botões que Aaron usara fazer os olhos do seu chegou a cair e, no fim, o boneco havia ficado caolho, enquanto que o de Rebecca tinha ficado com a cara meio torta.

— Eu vou ganhar na próxima. – Aaron alegou, não muito conformado com a derrota e Christopher o olhou com descrença, ao passo que Rebecca apenas sorriu, muito feliz por Aaron ter usado aquela expressão. Se haveria uma próxima vez, então, aquilo significava que ele pretendia passar mais natais com sua família.

Quando seus lábios já estavam, praticamente, roxos de frio e os casacos grossos que usavam já não conseguiam mais conter totalmente os arrepios que, vez ou outra, corriam por seus corpos, Briana decidiu que era hora de todos voltarem para dentro, mas Rebecca não teve dúvidas de que, apesar de curta, aquela tinha sido uma das melhores manhãs de natal que já vivera e ver o quanto Aaron e a mãe haviam se reaproximado só tornava o momento ainda mais especial.

Ela ficou feliz por Joseph não ter aceitado o convite de Christopher para que saísse com eles, mas o viu espiando-os pela janela de seu quarto, parcialmente escondido atrás da cortina. Quando se deu conta de que Rebecca o tinha flagrado, Joseph saiu da janela e não voltou mais, mas Rebecca se pegou olhando repetidas vezes para sua janela, só para se certificar de que ele realmente não estava lá. Joseph tinha passado a assombrá-la.

O almoço daquele dia ficou por conta de Christopher e Briana que realmente se empenharam em fazer uma boa refeição. Christopher se saiu melhor que a mãe, pois o bolo de frutas que ele tinha se disposto a fazer estava mesmo delicioso, já o pudim que Briana havia feito despedaçou-se ao ser desenformado e ela também deixou que a carne queimasse um pouco nas beiradas. Apesar disso, aquela foi uma refeição calorosa e divertida e Rebecca fez um acordo com Aaron para que os dois lavassem as louças depois.

Aaron estava secando uma dos últimos pratos que Rebecca havia lhe passado quando Joseph parou atrás deles na cozinha e se encostou junto à geladeira com uma postura despreocupada.

— Você leu os documentos? – Ele perguntou e Rebecca sentiu o corpo de Aaron se enrijecer no mesmo instante.

Ele terminou de secar o prato que tinha em mãos bem lentamente e, então, depositou-o junto aos outros antes de se virar para Joseph.

— Li. – Respondeu simplesmente.

Joseph o encarou como se precisasse de mais detalhes, mas Aaron virou as costas para ele, voltando a se concentrar na tarefa que realizava.

— Só? – Joseph perguntou sem contentar-se com aquilo. – Eu te entrego os papéis que podem mudar toda a sua vida e isso é tudo que você tem a dizer sobre eles?

Aaron suspirou visivelmente incomodado com a conversa.

— O que você quer que eu diga, Joseph? Muito obrigado? – Perguntou.

Joseph aprumou os ombros.

— Seria um bom começo, mas não estou interessado em agradecimentos. Quero saber o que vai fazer agora que tem as provas de que precisava contra o meu pai.

Rebecca franziu a testa e os encarou por um instante.

— Do que ele está falando? – Ela perguntou a Aaron, sem entender coisa alguma do que se passava. Documentos? Provas?

— Não contou a ela?

Aaron o encarou com ódio.

— Ela não é parte disso. Isso é entre o seu pai e eu.

— E eu. – Joseph declarou aproximando-se alguns passos de Aaron. – Fui eu quem encontrou as provas da fraude e fui eu quem as deu para você. Quero estar por dentro de tudo.

— De tudo o que? – Os punhos de Aaron se fecharam e Rebecca temeu que a paz naquela casa estivesse prestes a acabar.

— Tudo o que você fizer com as provas que eu te dei. – Joseph prendeu seu olhar duro ao de Aaron e Rebecca teve péssimos pressentimentos quanto àquilo.

— Que documentos são esses, Aaron? – Ela questionou, puxando-o um pouco pela camiseta para que ele se concentrasse nela. – Tem algo a ver com a empresa do seu pai, com a condenação que ele sofreu por, supostamente, ter fraudado o balanço patrimonial?

— Supostamente? – Os cantos da boca de Joseph se ergueram em um leve sorriso. – Você até que é bem esperta quando quer.

Rebecca o ignorou e também se esforçou muito para ignorar o fato de que ele, praticamente, a tinha chamado de burra. Continuou concentrada em Aaron.

Ele, por sua vez, a puxou para o canto da cozinha como se não quisesse ter Joseph como plateia.

— Meu pai não fraudou o balanço da empresa. – Aaron confirmou e Rebecca não se surpreendeu muito. Desde que lera aquela matéria sobre o caso e viu a forma como Erick agia com Aaron, ela já estava com uma pulga atrás da orelha. – O Joseph encontrou alguns documentos que comprovam que o Erick armou tudo para tirar a empresa do meu pai e condená-lo injustamente.

— E o Joseph te entregou tudo isso assim? – Rebecca franziu a testa, confusa. – Porque ele entregaria o próprio pai?

Aaron olhou brevemente para Joseph no extremo oposto da cozinha.

— Eu não sei. – Confessou. – Não entendo muito como o Joseph funciona e não confio nele, por isso quero investigar um pouco as coisas antes de tomar qualquer providência a respeito. Pretendo procurar um advogado assim que voltarmos para Oxford, mas, por enquanto, quero manter tudo em segredo.

Rebecca assentiu, concordando.

— E o que vai fazer quanto a ele? – Ela acenou discretamente com a cabeça para Joseph. – Ele não vai deixar que você aja sozinho. Você o ouviu, ele quer fazer parte dos seus planos e ele não me parece o tipo de pessoa que desiste fácil.

— Por enquanto, vou mantê-lo distraído. O Joseph me entregou as provas que preciso contra o Erick, mas se eu o excluir de tudo, ele pode mudar de ideia e se voltar contra mim. Se ele disser ao Erick o que eu tenho em mãos, ele vai arranjar um jeito de me impedir de denunciá-lo e eu sei, por experiência própria, que o Erick pode ser perigoso.

Rebecca sentiu um calafrio percorrer seu corpo. Não queria nem pensar no aquele monstro seria capaz de fazer com Aaron se descobrisse que seus dias de impunidade estavam próximos do fim.

— Só me prometa que terá cuidado. – Ela pediu, ultra consciente de que Joseph ainda estava parado ali, esperando por uma resposta. – Ele não entra em nenhum jogo para perder. – Rebecca o advertiu. – Seja lá o que ele tem em mente, saiba que ele vai se empenhar para sempre ficar um passo a sua frente. Não baixe a guarda com ele, Aaron.

— Não vou. – Aaron garantiu e Rebecca assentiu, sentindo-se nervosa pela situação.

Era como se estivesse liberando-o para pular direto na jaula dos leões. Por um lado tinha Erick que, em nome da ambição e sede de poder, foi capaz de trair aquele que não apenas foi seu sócio, mas, também, seu melhor amigo e o fez pagar por um crime que não havia cometido. E, por outro lado, havia Joseph, alguém cujo caráter e senso de dever era inexistente. Naquele momento, ele podia estar do lado de Aaron – por razões que ainda lhe eram desconhecidas –, mas quem poderia garantir que amanhã Joseph já não teria mudado de ideia e decidido ficar do lado do pai? Aquele era um jogo muito perigoso.

— E então? – Joseph perguntou quando Aaron e Rebecca voltaram para o seu lado da cozinha. Ele parecia muito seguro de si, como se tivesse vários planos B e C a sua disposição para o caso de Aaron se negar a inclui-lo em suas pretensões.

— Porque você quer tanto assim destruir o seu pai? – Aaron perguntou, cauteloso.

Joseph esboçou um sorriso.

— Você tem suas razões para derrubá-lo e eu tenho as minhas para querer vê-lo cair. – Disse simplesmente.

— E como eu posso confiar que você não vai me trair e armar para cima de mim?

— Não pode. – Joseph respondeu, sem rodeios. – Mas isso vai ser como estar apaixonado – seus olhos desviaram-se por um milésimo de segundo na direção de Rebecca –, você vai precisar pular do prédio e vai ter que confiar que eu vou estar lá para impedir que você dê de cara com o concreto.

Aaron franziu a testa, sem entender aquela colocação e Rebecca sentiu um frio percorrer sua barriga ao vê-lo usar a explicação que ela havia lhe dado sobre o amor um dia antes.

— Pois bem. Então, eu espero que você esteja lá. – Aaron concordou e Joseph sorriu para ele, estendendo-lhe um pedaço de papel.

— Esse é o meu número. Espero que você me ligue quando começar a agir. – Ele se aproximou e encarou Aaron com muita seriedade. – Espero mesmo, A.J., pois se você não vier atrás de mim, pode ter certeza de que eu vou atrás de você – ele olhou rapidamente para Rebecca e, depois, voltou a se concentrar em Aaron. – e de todo mundo que você ama. – Completou e virou as costas para os dois, saindo da cozinha.

Aaron resmungou irritado, mas Rebecca tremeu. Ela não tinha dúvidas de que Joseph era capaz de cumprir suas ameaças. Aaron, basicamente, havia acabado de fazer um pacto com o diabo.

Notas finais
E aí, meu povo, o que acharam desse pacto? Alguém aí está tão nervoso com isso quanto a nossa querida Rebecca? O que vocês acham que vai acontecer agora que o Joseph está envolvido e como vocês acham que o Aaron vai fazer para se livrar dele? Aliás, será que tem como se livrar do Joseph? Espero que vocês tenham gostado do capítulo e, assim que possível, eu volto com mais um novinho em folha. Obrigada por todos os reviews e por acompanharem a fic. Bjs.