Wake Me Up
5 O Encanto do Predador
Notas iniciais
Rebecca, Cadence e Aaron seguiram para um restaurante nos arredores do campus e, após encontrarem uma mesa, Aaron se retirou para telefonar para o amigo que ele dissera que convidaria para fazer companhia à Rebecca.
Assim que ele saiu, Cadence pulou para a cadeira ao lado dela, com um enorme sorriso no rosto e a animação vibrando por seus músculos, contaminando todo o ambiente ao redor.
– Você devia ter me avisado que tinha um amigo tão gato assim. – ela comentou com os olhos brilhando e Rebecca se esforçou para não soltar um gemido de repulsa.
– Ele não é meu amigo. – ela rebateu, de mau humor.
– Seu conhecido, então. Tanto faz. – Cadence a dispensou com um aceno – A questão é que ele é o cara mais lindo que eu já vi.
Rebecca revirou os olhos e fez uma careta.
– Ele não é tudo isso.
– Ah, fala sério! Não me venha com essa, Rebecca. – Cadence estava praticamente suspirando – Você viu aquele corpo? E aquele rosto de anjo com os olhos verdes mais sedutores que Deus já criou?
– Você está praticamente colocando-o num pedestal.
– Garota, eu queria mesmo era colocá-lo na minha cama. – Cadence a abraçou elétrica e Rebecca soltou-se de seu abraço e se afastou um pouco.
– Começo a achar que seus pais tinham razão sobre não te deixar estudar em Oxford. – disse ela – Seu autocontrole é péssimo.
Cadence apenas sorriu.
– Becca, não existe autocontrole quando se fala daquele garoto. Nem mesmo Madre Tereza se controlaria se o conhecesse.
– Madre Tereza discordaria dessa sua afirmação. – Rebecca retrucou.
– Ah! Qual é?! Vai me dizer que você não o acha bonito?
– Não. – disse Rebecca, mas quando Cadence franziu o cenho para ela, Rebecca resolveu tentar outra abordagem – Quer dizer, sim, ele é lindo. Mas Cadence, ele é perigoso.
– Perigoso como? – Cadence indagou.
– O Aaron está querendo te conquistar.
– Ah, então ele já conseguiu o que queria. – Cadence olhou sorridente para onde Aaron havia seguido para telefonar e isso fez Rebecca querer dar dois tapas na cara dela e sacudi-la.
– Cadence, será que você pode prestar atenção em mim? – Rebecca pediu – Esse garoto não é o que aparenta ser. Sabia que, antes de você aparecer, ele estava me convidando para almoçar com ele?
Cadence pensou um pouco a respeito, depois deu de ombros.
– Provavelmente ele queria um momento para falar com você sobre mim.
Rebecca colocou as mãos sobre o rosto, inconformada. Seria mais fácil convencer um leão faminto a ficar longe de um suculento pedaço de carne, que convencer Cadence a ficar longe de Aaron.
– Algum problema? – perguntou Aaron, postando-se logo atrás de Cadence que, rapidamente, pulou de volta para sua cadeira e abriu um sorriso para ele.
– Problema nenhum. – disse ela lançando um olhar significativo para Rebecca, que revirou os olhos mais uma vez.
O ato não passou despercebido por Aaron, que olhou de uma para outra, desconfiado.
– Só estávamos conversando sobre o primeiro dia de aula. – Cadence se apressou em dizer – E o seu amigo?
Aaron sentou-se ao lado dela, parecendo esquecer rapidamente toda a desconfiança e passou o braço ao redor de seus ombros, como havia feito antes.
– Infelizmente ele está ocupado e não poderá vir. Seremos apenas nós três hoje. – disse ele – Você se importa, Rebecca?
Rebecca o encarou por um instante. Estava bem claro, pela expressão no rosto de Aaron, que cada uma de suas palavras era mentira. Era provável que ele nem mesmo tivesse telefonado para o amigo. Certamente tinha apenas se afastado do restaurante e olhado a paisagem enquanto os minutos se passavam. Talvez tivesse comemorado o fato de seu plano ter dado certo com uma dancinha da vitória, mas mesmo tendo plena certeza disso, Rebecca não podia simplesmente se levantar e ir embora. Ty a havia alertado sobre Aaron e, agora, era seu dever fazer o mesmo com Cadence. Mesmo que ela não concordasse no início, agradeceria depois.
– Não. Não me importo. – ela respondeu, finalmente.
– Ótimo. – disse Aaron, radiante – Então, não vamos perder mais tempo. Peçam o que quiserem.
Os três fizeram seus pedidos e seguiram com o almoço, enquanto Cadence se encantava com cada gesto e cada palavra de Aaron, o que fazia Rebecca querer vomitar.
Ela não conseguia acreditar que Cadence não podia enxergar o cafajeste que havia por trás daquele Dom Juan de belos olhos verdes e frases feitas. Cada atitude de Aaron Greed era tão falsa quanto uma nota três dólares, mas ninguém podia negar que ele sabia ser encantadoramente sedutor quando queria e, se a própria Rebecca já não soubesse que tipo de pessoa ele era, talvez estivesse tão abobalhada quanto Cadence estava naquele momento.
Quando finalmente todos terminaram de comer, Cadence se colocou de pé.
– Preciso retocar minha maquiagem. – disse ela – Você me acompanha, Rebecca?
Cadence não usava nenhuma maquiagem além de um gloss, algo que ela poderia retocar ali mesmo se quisesse, mas estava claro que ela apenas queria uma desculpa para conversar em um local reservado e era exatamente disso que Rebecca precisava.
– Claro. – ela respondeu, pondo-se de pé também.
– Não vamos demorar muito. – Cadence disse a Aaron.
– Não se preocupe, Cady. – disse Aaron, usando o apelido que havia criado para ela e que a fazia sorrir feito boba sempre que ele o pronunciava.
Cadence arrastou Rebecca para o banheiro e mal esperou a porta se fechar para começar a tagarelar:
– Ai, meu Deus! Você viu como ele é perfeito? – ela praticamente saltitou pelo banheiro e quase era possível ver fogos de artifício explodindo em seus olhos – Eu acho que nós formamos um belo casal, não é? Ele já até inventou um apelido carinhoso para mim. E isso, com certeza, é um bom sinal...
– Cadence, pare! – disse Rebecca já impaciente, interrompendo-a – Você não percebe que o Aaron não está nem aí para você?!
Houve um minuto de silêncio constrangedor enquanto Cadence absorvia as palavras de Rebecca e, no segundo seguinte, os olhos dela estavam praticamente faiscando.
– Como é que é?! – ela exclamou, irritada.
– O Aaron não gosta de você. Ele só está te usando para me atingir. – disse Rebecca nervosa – Ele me convidou para almoçar e eu não aceitei e foi por isso ele te convidou. Ele não quer nada com você. Você é apenas o joguinho sujo dele. Só isso.
Cadence parou por um segundo, boquiaberta com todas as declarações de Rebecca, mas depois seu rosto começou a assumir um tom avermelhado e, se estivessem em um desenho animado, suas orelhas provável estariam soltando fumaça.
– Está me dizendo que eu não sou boa o bastante para o Aaron ter me convidado para almoçar, é isso? Que eu sou apenas uma segunda opção para ele?
Rebecca pensou por um momento. Da forma como Cadence havia colocado as palavras parecia algo horrível de se dizer a alguém, embora não fosse uma mentira que era exatamente assim que Aaron a via.
– Bem, não é exatamente assim. – Rebecca tentou contornar a situação.
– Então como é? – Cadence perguntou, colocando as mãos na cintura e encarando-a.
– Bem... É só que o Aaron não é confiável, Cadence.
– E como você pode saber disso se só está aqui há dois dias?! – Cadence retrucou e suas mãos já estavam meio trêmulas de raiva – Você nem o conhece.
– Meu irmão é colega de quarto dele e já me contou que tipo de pessoa ele é. – Rebecca explicou – Acho que é melhor você ficar longe dele. É sério.
–Ah, claro. – Cadence soltou uma gargalhada repleta de sarcasmo – Isso não tem nada a ver com o fato de que, talvez, você só me queira longe do Aaron, porque está a fim dele, não é?
– Eu o que?! – Rebecca exclamou, horrorizada com o fato de Cadence pensar aquilo sobre ela – É claro que não estou a fim dele!
– Eu vi você olhando para ele durante o almoço inteiro. E nem tente negar porque eu vi. – disse Cadence, exaltada – Acho que está apenas despeitada porque recusou o convite dele e, quando ele me convidou, você viu o que tinha perdido.
Dessa vez foi Rebecca quem riu.
– Não acredito que estou ouvindo isso. Você é louca ou o que? Eu não estou nem aí para o Aaron.
– Sério? Então porque simplesmente não foi embora e nos deixou almoçar em paz já que acha que ele é tão ruim assim? – Cadence indagou.
– Não fui porque quero proteger você dele.
– Ora, poupe-me, Rebecca! Acho que eu já sou bem grandinha para me proteger sozinha. E você mal consegue cuidar da sua própria vida e ainda quer controlar a minha?
Rebecca encarou Cadence, que a encarou de volta com um olhar duro. Ela estava completamente encantada por todas as mentiras de Aaron e não havia nada que Rebecca pudesse dizer sobre ele que a fizesse mudar de ideia. Seria uma batalha inútil tentar convencê-la de que ele não valia nada. Aquela conversa já estava terminada há muito tempo. Insistir só pioraria as coisas.
– Tudo bem então, Cadence. Faça como quiser. – disse Rebecca dirigindo-se para a porta – Eu não vou interferir mais.
– É melhor mesmo. – disse Cadence, virando as costas para Rebecca e concentrando-se em seu reflexo no espelho – Quando eu voltar para a mesa espero não te encontrar por lá.
– Seu pedido é uma ordem. – disse Rebecca fazendo uma reverência irônica para ela, antes de sair batendo a porta do banheiro com força.
Ela caminhou a passos largos e pesados até a mesa, onde Aaron esperava e assim que o viu sentiu a raiva fluir por todo o seu corpo.
– Rebecca, que bom que voltou. – ele disse com um sorrisinho torto nos lábios – Eu estava mesmo querendo falar com você a sós. O que você acha de ir a festa de boa vindas comigo na sexta-feira, hein?
Rebecca semicerrou os olhos para ele, mas não respondeu nada. Apenas pegou sua bolsa e se dirigiu furiosa para fora do restaurante.
Aaron se levantou e a seguiu.
– Ei. Espera um pouco aí. – disse ele, segurando-a pelo pulso – E a minha resposta?
Rebecca respirou fundo e, então, virou-se, rapidamente, depositando um belo tapa no rosto de Aaron. Seus cinco dedos ficaram marcados na face dele, mas Rebecca não se importou. Apenas soltou-se dele e seguiu seu caminho, bufando de raiva.
– Acho que isso é um não. – disse Aaron, colocando a mão sobre o lado esquerdo do rosto onde ela o havia acertado.
Ele observou, com uma expressão satisfeita, Rebecca se afastar do restaurante e seguir de volta para a universidade. O golpe tinha sido forte e ele podia sentir seu rosto formigando no lugar onde Rebecca o havia estapeado, mas ainda continuava com um sorriso no rosto. Aaron gostava de coisas difíceis e Rebecca estava se tornando um desafio muito divertido.
Cadence aproximou-se dele devagar e tocou seu ombro, fazendo-o se virar e assim que ela viu a marca avermelhada em seu rosto, seus olhos se arregalaram.
– Meu Deus! Foi a Rebecca quem fez isso? – ela perguntou, olhando Rebecca se afastar rapidamente do restaurante.
– Acho que ela não gostou de eu ter te chamado para almoçar. – disse Aaron, usando sua melhor cara de inocente e dando um pequeno abraço em Cadence – Mas isso não importa. Só me importo com você agora.
O coração de Cadence disparou e ela quase perdeu o equilíbrio por um segundo enquanto fitava aqueles olhos verdes sedutores. Aaron esperou que ela dissesse alguma coisa, mas como ela não disse nada – pois ainda estava meio sem fôlego – ele continuou:
– Cady, quer sair comigo essa tarde?
– Hã?! – os olhos de Cadence se arregalaram e ela sacudiu a cabeça tentando organizar os pensamentos – Quero dizer, eu... eu não posso. – respondeu com certa dificuldade – Tenho aula.
Aaron fez um biquinho e se aproximou dela, envolvendo sua cintura com as mãos.
– Poxa. Você vai mesmo me deixar passar a tarde sozinho?
– Não é que eu não queira ir, sabe? Eu quero. É só que... Eu ainda tenho aula no segundo período. – disse Cadence lutando contra a tontura e a falta de ar causada pelo calor das mãos de Aaron em sua pele.
– Eu também tenho aula. – ele respondeu aproximando-se um pouco mais dela e abrindo um sorriso charmoso – Uma aula muito chata, provavelmente lecionada por um professor muito velho e ranzinza, então, é óbvio que eu prefiro ficar a tarde inteira com você. De verdade, Cady. Eu realmente gostei de te conhecer.
Aaron passou o dedo indicador sobre os lábios de Cadence e ela fechou os olhos por causa daquele toque cálido que fazia suas pernas ficarem bambas.
– Também gostei de te conhecer. – ela respondeu afetada.
– Então venha e passe a tarde comigo. – Aaron sugeriu – Tenho certeza que eu sou muito mais interessante que a sua aula.
– Eu não sei se eu posso. – Cadence respondeu, receosa.
– Relaxa. É só o primeiro dia. Os professores nunca passam nada importante. – Aaron deu de ombros, despreocupado – Além do mais, eu conheço uns lugares legais por aqui e gostaria muito de mostrá-los a você.
– Sério?
– Sério. – Aaron assentiu e Cadence pensou um pouco a respeito.
Aaron era veterano. Sabia mais sobre Oxford do que ela e se ele achava que matar o primeiro dia aula não traria problemas, provavelmente ele tinha razão. E, em todo caso, ela poderia pegar a matéria da aula de hoje com alguma colega de turma. Uma falta não faria mal a ninguém, não é? O fato era que ela queria muito passar o dia com Aaron e não estava nem um pouco a fim de trocá-lo por uma aula chata de Antropologia Cultural.
– Bem... Acho que eu posso ir com você hoje. – ela finalmente respondeu e Aaron a abraçou ainda mais forte e deu um beijo rápido em sua bochecha, que a fez corar como nunca.
– É por isso que eu adoro você, Cady. – disse ele com um grande sorriso, guiando-a de volta para dentro do restaurante – Vamos pagar a conta e, depois, vou te mostrar o meu lugar favorito aqui em Oxford. Ninguém nunca vai lá, então poderemos ficar a vontade.
Cadence vibrou com a ideia de passar a tarde ao lado de Aaron, num lugar onde não houvesse nem Rebecca nem ninguém para incomodá-los e Aaron vibrou com a ideia de poder colocar uma garota a mais em sua lista de conquistas.
***
Rebecca atravessou o campus, nervosa. Não culpava Cadence por te se iludido com Aaron, mas o culpava por tudo o que havia acontecido. A palma de sua mão direita ainda formigava pelo tapa que ela havia dado em Aaron, mas ela não se arrependia de tê-lo feito. Nunca havia sido uma pessoa agressiva, mas estava satisfeita por ter batido nele no restaurante. Foi um tapa bem merecido.
Ela já estava subindo a escadaria que dava acesso ao dormitório do St. Hilda’s, quando ouviu Vlad gritar seu nome. Virou-se e o encontrou a alguns metros de distância correndo para alcançá-la. Ele provavelmente estava atrás dela há muito tempo, mas como ela estava absorta na raiva que sentia de Aaron, não o havia escutado.
– Caramba! Onde é o incêndio? – ele perguntou com um sorriso que inundava não apenas sua boca, mas seus olhos também.
– Desculpe. Eu não ouvi você me chamar. Estava distraída. – Rebecca explicou envergonhada – Precisa de alguma coisa?
– Não. Eu só queria conversar mesmo. – respondeu ele, parando aos pés da escada e colocando as mãos nos bolsos de sua calça capri preta. – Isso é, se eu não for te atrapalhar, nem nada.
Rebecca olhou em seu relógio. Sua próxima aula começaria em vinte minutos e ela não queria se atrasar, mas havia passado tanta raiva com Aaron Greed, que precisava de alguém como Vlad para ajudá-la a se acalmar um pouco.
– Não vai atrapalhar, não. – ela desceu as escadas e foi ao encontro dele – Vamos andar um pouco por aí para conversar?
Vlad assentiu e eles caminharam até as margens do rio que passava próximo ao alojamento do St. Hilda’s e se sentaram em um dos bancos ali.
– E aí, como foi a sua aula hoje de manha? – Vlad perguntou – Era tudo o que esperava ou mais assustador ainda?
– Na verdade, foi bem legal. – Rebecca respondeu com um sorriso – Melhor do que eu imaginei que seria. E a sua?
Vlad se recostou no banco, espreguiçando-se.
– O de sempre: computadores, softwares, fórmulas estranhas... Nada de mais. – ele deu de ombros – O início das aulas não é tão divertido quando se está no terceiro semestre de Engenharia da Computação e os professores já não querem mais fingir que são bonzinhos, sabe?
Rebecca sorriu, mas então percebeu que Vlad não parava de observá-la e, automaticamente, começou a se sentir desconfortável por estar sob seu olhar penetrante, algo que Vlad logo notou.
– Desculpe. – disse ele constrangido – Eu estava olhando o seu uniforme.
Rebecca respirou aliviada e se levantou girando devagar para que Vlad pudesse analisá-lo melhor.
– E então, o que achou? – perguntou ela.
– Ele é... Exótico. – disse Vlad com cautela, mas depois não conseguiu reprimir o riso – Minha nossa, Rebecca! Me desculpe. É que esse seu uniforme é horrível.
– Eu sei. Ele é horrível mesmo. – disse ela, rindo também.
– Parece que ele saiu do século passado. – Vlad continuou – É sério. Acho que quem criou isso odiava as alunas do St. Hilda’s, porque é quase um castigo ser obrigado a usar essa coisa.
Vlad tocou a barra da saia de Rebecca fazendo uma careta. Se ainda restava alguma dúvida de que o uniforme do St. Hilda’s era horrível, Vlad com certeza tinha acabado com todas elas.
Rebecca sentou-se novamente, ainda com uma crise de riso por causa dos comentários de Vlad sobre seu uniforme e, toda a raiva que sentia por causa de Aaron, aos poucos foi desaparecendo enquanto conversava com Vlad. Isso lhe trazia uma sensação agradável.
Vlad se aproximou um pouco mais e retirou uma pequena mecha de cabelo do rosto de Rebecca, depositando-a atrás da orelha dela.
– Você tem um sorriso muito bonito. – disse ele e Rebecca corou instantaneamente.
– Obrigada. – ela respondeu envergonhada e, ao mesmo tempo, contente – Seu sorriso também é bonito.
Vlad sorriu em agradecimento e se colocou de pé, aproximando-se um pouco da margem do rio e abaixando-se para pegar algumas pedras pequenas ali.
– Errr... Rebecca, tem uma coisa que eu queria te perguntar. – disse ele parecendo constrangido.
A curiosidade se apoderou de Rebecca no mesmo instante e ela se ajeitou melhor no banco para encará-lo.
– Diga. – respondeu tentando não demonstrar toda a sua curiosidade.
Vlad atirou algumas das pedras no rio e depois se voltou para ela, ainda um pouco desconfortável.
– Bem... É que o seu irmão e o Mikhail marcaram de assistir um filme essa noite lá no nosso dormitório e eu... Eu não estou muito a fim de ficar segurando vela para eles, então.... – Vlad começou, mas Rebecca o interrompeu.
– Você não está a fim de “segurar vela”? – ela questionou confusa.
Vlad virou-se novamente para o rio e recomeçou a jogar no lago, uma a uma, as pedras que restaram em sua mão.
– Eu não quis dizer exatamente isso, sabe? Quis dizer que... Bem, eles se conhecem há mais tempo e por isso conversam mais entre si... Então... Eu meio que fico sobrando lá, você entende? – Vlad se corrigiu – Enfim, o que eu queria saber era se você gostaria de sair comigo hoje à noite.
Rebecca pensou um pouco. Ela não tinha nenhum compromisso para aquela noite e ficar no dormitório com Cadence depois de sua pequena briga não seria nada agradável.
– Acho que sair com você será legal. – ela respondeu por fim.
– Isso é um sim? – Vlad perguntou receoso.
– Sim. – Rebecca sorriu.
– Legal! – ele comemorou – Posso te buscar às sete horas, então?
– Sete horas parece perfeito. – ela concordou.
– Então estamos combinados.
Com isso eles encerraram a conversa e Vlad acompanhou Rebecca até a escadaria do dormitório do St. Hilda’s, onde trocaram seus números de telefone para facilitar o contato e depois se despediram.
Rebecca pegou os livros que usaria na aula do segundo período e se dirigiu para a faculdade. Os materiais escolares de Cadence ainda estavam sobre sua cama. Um sinal de que ela continuava com Aaron e não tinha ido para a aula ainda, mas Rebecca não se importou.
Cadence dissera que já era grande o suficiente para tomar conta de si mesma e, se ela queria jogar a vida e os estudos fora se envolvendo com alguém como Aaron Greed, era uma decisão dela.
Rebecca não iria mais se intrometer.
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