Wake Me Up

18 Bancando o Cupido


Notas iniciais
Olá, Demorei um tempão para postar esse capítulo, mas como vocês devem saber (ou não) minhas férias acabaram e o tempo está corrido. Estou até pensando em dizer aos meus professores que minha vida acadêmica está prejudicando o meu desempenho nas fanfics. Acho que nós vamos rir muito disso e depois eles vão me reprovar. XD Em todo caso, vamos ao novo capítulo e, sim, esse é inédito. Espero que gostem. Boa leitura.

Quando o celular de Rebecca começou a tocar, alertando-a sobre a chegada de uma nova mensagem, ela já estava deitada em sua cama com um curativo enorme no joelho esquerdo e praticamente dopada por causa da quantidade analgésicos que havia tomado. Nada daquilo parecia ter adiantado muito, no entanto, pois sua perna continuava doendo e o ferimento em seu joelho continuava sangrando, exigindo que ela trocasse o curativo a cada quinze ou vinte minutos, mais ou menos.

Fazendo uma careta por causa da dor, Rebecca se ergueu sobre um dos cotovelos e esticou o outro braço para alcançar o celular sobre a cômoda. O nome de Ty estava estampado na tela, logo acima de uma mensagem que já começava com um pedido de desculpas, mas antes mesmo que Rebecca pudesse pensar em lê-la, seu celular começou a vibrar novamente e a foto de Vlad apareceu ali, cobrindo o texto por completo.

Pega de surpresa, Rebecca acabou clicando no ícone que encerrava a chamada, mas um segundo depois percebeu o erro e retornou à ligação de Vlad, que atendeu quase imediatamente.

– Oi. Está ocupada? – ele perguntou antes mesmo que ela tivesse a chance de dizer qualquer coisa – Se estiver, eu posso ligar mais tarde. Não quero te atrapalhar.

– Não. Está tudo bem. Não estou ocupada. – Rebecca se apressou em responder – Desculpe ter desligado. Eu estava lendo uma mensagem do Ty e acabei encerrando a sua chamada sem querer. Precisa de alguma coisa?

– Não. Na verdade só liguei para saber como você está. Não tive notícias suas o dia todo. Está tudo bem com você?

– Está. – Rebecca olhou para a faixa que cobria seu joelho, a qual já estava ficando suja de sangue novamente e fez uma careta. – Na verdade, não. – decidiu ser honesta – Não estou nada bem. Acho que vou precisar da sua ajuda.

– O que aconteceu? – o tom naturalmente calmo de Vlad logo cedeu lugar à preocupação e Rebecca se sentou na cama, prendendo um pouco a respiração por causa da dor intensa que irradiou por sua perna ao fazer aquele simples movimento.

– Eu me machuquei hoje enquanto voltava para a universidade depois do almoço. – ela explicou após parar um breve instante para recuperar o fôlego – Cortei o joelho e mal estou conseguindo andar. Acho que vou precisar de alguns pontos, mas não queria ir para o hospital sozinha.

– Como foi que se machucou? – Vlad perguntou e foi só nesse momento que Rebecca se deu conta de que não sabia se seria uma boa ideia contar a verdade ele.

Vlad já tinha deixado bem clara a total aversão que sentia por Aaron e, embora Aaron fosse realmente um babaca, Rebecca achava que não seria justo se Vlad começasse outra briga com ele por causa de um acidente que ela própria tinha provocado ao atravessar a rua com o semáforo ainda aberto. Entretanto, Rebecca tinha quase certeza de que era exatamente isso que aconteceria se ela contasse a Vlad que Aaron a havia atropelado e, para evitar que os dois voltassem a brigar, como haviam feito na festa de boas vindas, ela decidiu que seria melhor guardar toda a verdade para si.

– Eu tropecei. – respondeu, usando a primeira desculpa em que conseguiu pensar na hora – Tinha uma parte da calçada que estava irregular e eu acabei caindo enquanto voltava do The Grand Café. Achei que podia cuidar do ferimento sozinha, mas ele não para de sangrar e, agora, eu não sei mais o que fazer.

Um barulho de gaveta abrindo e fechando, seguido por um pequeno farfalhar de tecido ecoou do outro lado da linha enquanto Vlad parecia se vestir. Eram quase dez horas da noite e Rebecca imaginou que ele, provavelmente, já estava se preparando para dormir quando lhe telefonou, o que a fez se sentir instantaneamente culpada por fazê-lo sair da cama a essa hora para ir com ela ao hospital.

Já estava achando que tinha sido uma idiota por não ter aceitado a oferta de Aaron e deixado que ele a levasse ao pronto socorro quando ele sugeriu que fossem, mas um segundo depois Rebecca se lembrou de como ele tinha sido um completo babaca quando Cadence os flagrou no dormitório e se forçou a esquecer o pensamento. A última coisa que ela queria agora, depois da grande sacanagem que Aaron havia aprontado com ela, naquela tarde, era ter de se sentir grata por algum favor que ele pudesse ter lhe prestado. Preferia sangrar até a morte antes disso.

– Estou indo buscar você. – Vlad voltou a falar, apressado – Vista alguma coisa quente enquanto isso. Vou conversar com uma das monitoras e ver se ela me deixa ir ao seu dormitório para te ajudar a descer as escadas. Vai ficar tudo bem, Becca. Te encontro daqui a pouco.

Ele encerrou a ligação antes mesmo que Rebecca pudesse concordar com o arranjo e, sem ter mais o que fazer, ela se levantou e foi procurar por algo quente para vestir. Acabou trocando o pijama que usava por um macacão preto e curto de algodão – já que precisaria ficar com o joelho livre para ser examinado –, calçou meias grossas e um velho par de Sneakers e pegou a blusa de frio mais quente que tinha no armário.

Aproveitou o restante do tempo para verificar se tinha tudo de que precisava dentro de sua pequena bolsa de documentos e cartões de crédito e também decidiu retirar a faixa que havia enrolado no joelho, deixando-o coberto apenas por uma gaze larga fixada com um esparadrapo, para facilitar o trabalho do médico que a atenderia.

Cerca de quinze minutos mais tarde, com Rebecca já devidamente arrumada, Vlad bateu à porta de seu dormitório, acompanhado por uma das monitoras do alojamento. Rebecca já a havia visto pelos corredores outras vezes, enquanto entrava ou saía do prédio, mas apenas agora, com a monitora parada diante dela, encarando o ferimento em seu joelho com uma expressão preocupada, foi que Rebecca parou por tempo suficiente para prestar atenção ao nome escrito em seu crachá: Miranda Jameson.

– Você tem um corte bem feio aí. – Miranda comentou, franzindo a testa em uma expressão incômoda – Deve ter sido difícil subir as escadas com o joelho desse jeito.

– Foi um pouco. – Rebecca respondeu, lembrando-se de que, na verdade, ela não tinha encontrado problema algum para subir as escadas porque Aaron a carregara até ali e sentindo-se automaticamente culpada por estar mentindo não apenas para Vlad, mas também para uma monitora, logo depois de ter permitido que um garoto a levasse até o quarto, quebrando a regra mais importante do alojamento.

– Está pronta para ir? – Vlad perguntou, desviando-se de Miranda e entrando em seu dormitório – Eu chamei um táxi e ele está esperando a gente lá embaixo. Pegou seus documentos? Você vai precisar.

Rebecca assentiu e apanhou a bolsa que havia organizado, de cima da cômoda, mostrando-a para ele.

– Ótimo. – Vlad se aproximou e passou um braço ao redor de sua cintura e outro abaixo de suas coxas, erguendo-a do chão – Eu vou te levar lá para baixo para você não forçar o seu joelho, ok? Se segura em mim.

– Tá bem. – Rebecca ajeitou a bolsa no ombro e depois jogou os braços ao redor do pescoço dele, segurando firme, enquanto Vlad a carregava para fora do quarto.

Pensou em pedir a Vlad que pegasse sua chave, que ainda estava na fechadura do lado de dentro da porta, mas antes que pudesse abrir a boca para dizer qualquer coisa, Miranda se adiantou e fechou a porta, retirando a chave da fechadura e entregando-a a ela.

– Obrigada. – Rebecca agradeceu, guardando a chave dentro da bolsa, recebendo um breve aceno de Miranda como resposta.

– Onde está a sua colega de quarto? – ela perguntou e Rebecca teve de pensar por um momento antes de responder.

Desde que Cadence havia saído, naquela tarde, depois de flagrá-la com Aaron no dormitório, ela não havia dado qualquer sinal de vida e Rebecca já estava ficando preocupada. Sabia que a amiga estava chateada por achar que ela havia traído sua confiança e só esperava que Cadence não fizesse nenhuma besteira e que lhe desse a chance de se explicar depois, mas não podia dizer tudo isso à Miranda, porque Vlad não fazia a menor ideia do que tinha se passado com ela naquela tarde.

Era como Margareth costumava dizer: é impossível mentir apenas uma vez. Uma pequena mentira sempre te força a contar mentiras maiores para acobertar a primeira.

– Acho que ela deve ter saído para jantar. – Rebecca respondeu por fim – Provavelmente já deve estar voltando.

Miranda assentiu e, sem mais nenhuma palavra, Vlad a carregou escada abaixo até o táxi que, como ele havia dito, já estava esperando por eles em frente ao alojamento. Assim que entraram, Vlad pediu ao motorista que os levasse ao hospital São Bartholomew, na Manzil Way e Rebecca passou todo o caminho até lá envolvida pelos braços fortes dele.

Apesar de achar que seu ferimento não era tão grave ao ponto de precisar de tamanha correria ou cuidado, Rebecca ficou feliz em saber que Vlad se preocupava tanto assim com seu bem-estar. Ele havia saído de seu dormitório àquela hora e se prontificado a leva-la até o hospital, sem reclamar ou fazer qualquer exigência e ela se sentia extremamente grata por tudo aquilo.

O Centro Médico São Bartholomew estava praticamente vazio àquela hora e Rebecca foi atendida rapidamente por um médico gentil e cuidadoso que quase a fez perder o seu medo de agulhas ou sua fobia à hospitais. Obviamente ela tinha se desesperado quando ele pegou a agulha e a linha de sutura para cuidar do corte, mas depois dos primeiros pontos ela já se sentia calma o suficiente para não querer sair correndo do consultório a cada vez que ele perfurava sua pele.

Ao todo, Rebecca levou doze pontos no joelho e saiu do hospital carregando uma caixa de analgésicos e alguns anti-inflamatórios. Havia recebido também um atestado para faltar as aulas do dia seguinte e uma recomendação para que, durante os próximos dez dias, evitasse ao máximo forçar o joelho. Ela deveria voltar ao hospital em cinco dias para retirar os pontos – algo que o médico fez questão de garantir que não doeria tanto – e, se tomasse os devidos cuidados, a única recordação que teria do acidente, além de suas próprias lembranças, é claro, seria apenas uma cicatriz fina que sumiria cada vez mais com o passar do tempo.

De volta ao alojamento do St. Hilda’s, Miranda mais uma vez os recebeu na porta e os acompanhou por todo o caminho enquanto Vlad carregava Rebecca até o dormitório. Quando chegaram ao quarto, Cadence já havia voltado, seja lá de onde ela havia se escondido durante todo o dia, e estava largada sobre a cama, ouvindo algo em seus fones de ouvido, enquanto abraçava o travesseiro. Ela relanceou os olhos para Vlad e Rebecca, mas não se incomodou em cumprimentar nenhum deles antes de se levantar e seguir para o banheiro, batendo a porta com força ao passar.

– Parece que alguém aqui acordou com o pé esquerdo hoje. – Vlad comentou com um meio sorriso ao qual Rebecca não conseguiu retribuir.

Ao invés disso, ela apenas se recostou ao batente da porta e estendeu a mão para segurar a dele.

– Obrigada por ter me ajudado hoje. – agradeceu – Teria sido uma tortura ir ao hospital sem você. Eu tenho... Um pouco de medo de agulhas e... De médicos. Nada muito grave.

– É. Eu notei que não era grave quando você quase esmagou a minha mão ao ver o médico arrumar a linha de sutura. – ele brincou – Sorte a sua não ter medo dessas coisas. Algumas pessoas desmaiam.

– Não sou uma dessas. – Rebecca riu – Na maior parte das vezes eu só... Caio em um sono profundo. Sabe como é.

– Sei. Conheço muita gente que sente essa vontade louca de dormir sempre que vê uma agulha ou um médico. Acho que deve ser por causa do jaleco branco. Dá um sono... – ele riu – Mas falando sério, Rebecca, você sabe que não precisa me agradecer. Pode contar comigo para qualquer coisa, seja para te levar ao hospital ou para te ajudar a esconder um corpo. – ele entrelaçou seus dedos aos dela e chegou um pouco mais perto – Eu vou estar aqui sempre que precisar.

– Obrigada. E eu vou me lembrar disso quando eu precisar de ajuda para esconder um corpo, viu? – Rebecca deu um leve soco em seu ombro e Vlad sorriu.

– É só chamar. – ele se inclinou e depositou um beijo em sua boca, mas seus lábios mal haviam se tocado quando Miranda pigarreou, chamando a atenção de ambos – Bem, acho que eu tenho que ir agora. – Vlad acariciou a bochecha dela, levemente – Eu te ligo amanhã para saber como você está. Se cuida.

– Tudo bem. – Rebecca soltou a mão dele e acenou brevemente para Miranda enquanto essa conduzia Vlad de volta pelo corredor.

Quando os dois sumiram de vista e desceram às escadas, Rebecca voltou para dentro do quarto e só teve tempo de se sentar na beirada da cama para retirar os sapatos antes de Cadence sair do banheiro e voltar para o dormitório, encarando-a com um misto de raiva e desprezo.

– Dois caras em um único dia. – Cadence comentou com a voz repleta de sarcasmo – Porque não coloca logo uma placa na porta do quarto dizendo: “Prostíbulo. Entre sem bater.”

– Você está sendo uma bruxa agora, sabia? – Rebecca reclamou, tentando não se deixar abalar tanto pelas palavras duras dela – Você sabe muito bem que eu não fiz nada do que você acha que eu fiz.

– Eu sei? Tudo que eu sei é que eu entrei nesse quarto e encontrei o Aaron, sem camisa, na sua cama, com você embaixo dele. Acho que não é preciso ser nenhum grande gênio para saber o que vocês estavam prestes a fazer aqui.

Rebecca soltou um suspiro profundo e terminou de retirar os Sneakers, jogando-os num canto próximo de sua cama.

– Se você quer saber, nós estávamos brigando. O Aaron entrou aqui sem a minha permissão e eu estava discutindo com ele por causa disso, mas ele é um grande imbecil e me jogou na cama. Foi isso o que você viu quando entrou. Nada mais.

– Ele estava sem camisa. – Cadence retrucou parando diante dela e olhando-a de cima – Que raios de discussão é essa que ocorre com um cara sem camisa dentro de um quarto?

– O tipo de discussão que começa porque o cara em questão precisou tirar a camisa para estancar o sangue de um corte no meu joelho e que termina porque esse mesmo cara entrou no nosso dormitório contra a minha vontade. – Rebecca estendeu a perna e Cadence olhou rapidamente para o joelho dela como se só agora tivesse notado os pontos negros que o pontilhavam.

– O que aconteceu com a sua perna?

– Eu estava voltando para a universidade, depois de um almoço desastroso com o meu irmão e o Aaron me atropelou.

– De propósito? – os olhos de Cadence se arregalaram.

– Não. Para ser justa com ele, a culpa foi minha. Eu estava distraída e atravessei a rua sem olhar. Mas para ser justa comigo – Rebecca apontou para si mesma –, ele é um grande idiota.

Cadence se sentou na cama e encarou um ponto qualquer da parede enquanto parecia pensar em tudo aquilo e Rebecca, por sua vez, levantou-se e foi até seu armário guardar a bolsa e os remédios que tinha largado sobre a cama. Mesmo com os analgésicos, o corte em sua perna ainda latejava um pouco, mas pelo menos ela não corria mais o risco de sangrar até a morte.

– Então, deixa eu ver se eu entendi. – Cadence quebrou o silêncio – O Aaron te atropelou e você machucou o joelho, aí ele precisou tirar a camisa e usá-la como uma espécie torniquete, então... como foi que vocês acabaram aqui, dentro desse quarto, jogados sobre a sua cama?

– Longa história. Mas para resumir – Rebecca terminou de guardar suas coisas e voltou a se sentar –, o Aaron me atropelou, eu não conseguia andar, ele me ofereceu uma carona e, mesmo sem eu concordar, decidiu entrar no alojamento e me ajudar a chegar ao quarto. Então, mais uma vez sem eu concordar, ele decidiu entrar aqui e nós brigamos, aí eu quis bater nele e ele me jogou na cama e, então, você apareceu. Fim.

– É um belo de um resumo. – Cadence franziu as sobrancelhas – Então, vocês não se beijaram? Nem nada?

– Não nos beijamos, nem nada. – Rebecca assentiu – A gente só brigou. Não sei porque ele inventou aquela história.

– Acho que ele só queria me provocar...

– E conseguiu. – Rebecca lançou a ela um olhar acusatório e Cadence ruborizou um pouco, constrangida pela cena que tinha protagonizado.

– Eu sei. Eu só...

– Sabe o que é realmente uma droga nisso tudo? – Rebecca a interrompeu – Você nunca acredita em mim, Cadence. Sempre que se trata do Aaron, eu falo uma coisa, mas você prefere acreditar no que ele diz. Isso é tão injusto! Eu nunca traí a sua confiança, sempre tentei te ajudar e ele... Bem, você sabe o que ele te fez. Achei que já tivesse percebido que o Aaron é um mentiroso sem caráter, mas você continua desconfiando de mim.

– Eu sei. Eu sei. – Cadence se pôs de pé – Eu não deveria acreditar nele, mas é que... Argh! Becca, eu não sei o que acontece comigo. Não consigo parar de pensar nele. Sempre que o vejo pelo campus com alguma garota eu sinto ciúme e quando eu vi vocês dois aqui, o sangue subiu à minha cabeça. Eu só conseguia pensar que você tinha tirado ele de mim. Sei lá. É tudo muito louco, mas eu não consigo controlar isso. Eu não consigo esquecer aquele maldito imbecil!

Ela parou e olhou para Rebecca como se procurasse por alguma compreensão ou conforto e Rebecca suspirou. Não podia dizer que entendia exatamente como ela estava se sentindo, afinal, não tinha nenhuma situação em sua vida com a qual pudesse comparar, mas ainda assim ela conseguia compreender um pouco.

Aaron, sendo um babaca ou não, tinha sido o primeiro garoto na vida de Cadence e algo assim deixava uma marca. Tudo bem, tinha sido apenas por uma noite e tudo não passara de uma grande mentira, mas algumas coisas, mesmo que tenham sido um erro, são difíceis de se esquecer. Para Cadence, Aaron certamente devia ser uma dessas coisas.

– Olha, quer saber o que eu acho? – Rebecca deu dois tapinhas no espaço ao seu lado e Cadence se sentou ali, após um pequeno instante de hesitação – Você precisa sair dessa. É sério. Precisa desencanar. Tem centenas de garotos nesse campus, então, esquece o Aaron. Ele não tem nada de bom para te oferecer, você sabe. Procure... se concentrar em outras coisas. Deixa ele para lá.

– Não é tão fácil assim. – Cadence disse com pesar – Se fosse, eu já teria esquecido.

Rebecca pensou naquilo por um momento. Cadence tinha razão. Mas isso não mudava o fato de que ela precisava tirar Aaron da cabeça antes que ele a machucasse ainda mais e, pensando nisso, Rebecca percebeu que talvez pudesse ajuda-la. Não conhecia muita gente no campus – principalmente quando se tratava de garotos –, mas conhecia Vlad, cujo primo ela sabia que era legal e descomprometido, então, talvez ela pudesse fazer alguns arranjos.

Só precisava que Cadence e Mikhail passassem algum tempo juntos, para se conhecerem melhor e, talvez, descobrirem interesses em comum. Talvez, no fim das contas, um cara como Mikhail fosse tudo o que Cadence precisasse para esquecer Aaron de uma vez por todas e, não quis se animar muito, mas achava que seria extremamente divertido se sua melhor amiga na universidade acabasse namorando o primo de seu namorado. Eles poderiam até sair juntos, como em um daqueles encontros de casais que ela via nos filmes. Seria perfeito.

– Vou te apresentar uma pessoa. – Rebecca disse antes que pudesse se conter – Ele se chama Mikhail e é primo do Vlad. E eu não estou dizendo que vocês têm que ficar juntos. – acrescentou antes que Cadence pudesse discordar de seu arranjo – Só estou dizendo que vocês podem se conhecer e que, talvez, você goste dele. Ele é um cara super legal. Você vai ver.

Cadence a olhou de esguelha, não muito entusiasmada com aquela ideia e sem ter nenhuma certeza de que aquilo funcionaria, mas Rebecca parecia tão esperançosa que ela não viu razão para recusar. Talvez Mikhail acabasse por ser mostrar um cara realmente interessante e, em todo caso, se isso não acontecesse, ela podia usar a situação para mostrar a Aaron que já tinha esquecido seu caso com ele e, quem sabe, até pudesse usar isso para lhe fazer um pouco de ciúme. Parecia um bom plano.

– Tudo bem. – concordou com um suspiro cansado – Só espero que ele não seja um daqueles nerds estranhos e cheios de espinha.

– Pode ficar tranquila. – Rebecca passou um braço ao redor de seus ombros e sorriu – O Mikhail é um gato.

Notas finais
Então, galerinha, espero que tenham gostado do capítulo que não teve nada que possa ser considerado demais, mas que eu precisava ter escrito. Espero que tenham gostado e esse fim de semana eu espero ter tempo de poder postar o capítulo 19. Beijos e até lá.