Wake Me Up
19 Ao Ar Livre
Notas iniciais
Quando Rebecca saiu de sua aula às cinco da tarde naquela sexta-feira, Vlad já a esperava encostado à grade que cercava o prédio do St.Hilda’s.
Ele usava tênis, calça jeans escura e uma camiseta polo envolta em uma jaqueta, ambas pretas. Em suas mãos havia um livro de capa alaranjada, não muito grosso, e em seus lábios havia um sorriso radiante, que pareceu se tornar ainda maior quando Rebecca se aproximou.
– Oi. – ela o cumprimentou com um leve selinho – Achei que só te veria à noite. Porque não avisou que viria me buscar hoje?
– Eu quis fazer uma surpresa. – ele respondeu animado – Minha aula acabou mais cedo e eu aproveitei para ir à livraria. Aliás, isso é para você.
Vlad estendeu o livro para Rebecca e ela quase pulou de felicidade ao ver o título “Um Amor Exclusivo¹” escrito em grandes letras cor de vinho na capa alaranjada.
– Ai meu Deus! – ela exclamou arrancando o livro das mãos dele – Eu estava louca por esse livro, Vlad.
– Eu sei. – ele sorriu – Você falou sobre esse livro a semana inteira e eu me lembrei que você havia mencionado que ele seria lançado hoje, então corri até a livraria e comprei para você.
Rebecca abriu um grande sorriso para Vlad e se jogou em seus braços, abraçando-o com força.
– Eu adorei o presente, amor. Obrigada! – disse ela enquanto Vlad depositava um beijo cálido em seu pescoço.
Ele simplesmente adorava quando Rebecca o chamava de amor. Era como se fogos de artifício explodissem em seu interior cada vez que ela se referia a ele daquela forma e, embora isso acontecesse raramente, quando acontecia, era maravilhoso.
– Não precisa agradecer. – ele a soltou do abraço e segurou sua mão enquanto seguiam em direção ao alojamento do St. Hilda’s – E o seu joelho, como está?
– Já está quase bom. – Rebecca ergueu a saia de seu uniforme alguns centímetros para que Vlad pudesse vê-lo.
Pouco mais de duas semanas haviam se passado desde o acidente que ela tivera com Aaron e, agora, apenas uma cicatriz fina e rosada em seu joelho denunciava as suas consequências.
– Que ótimo. – Vlad abriu um sorriso satisfeito – Quando você me ligou e disse que havia se machucado eu quase entrei em pânico.
– Eu não queria preocupar você. – Rebecca se desculpou – Sinto muito ter te assustado.
– Tudo bem. – Vlad deu de ombros e, sem aviso, a pegou no colo – Só tome cuidado com os lugares por onde passa. Não quero que se machuque de novo. – ele depositou um cálido no canto de seus lábios e a carregou pelo restante do caminho até o alojamento do St. Hilda’s, sem se preocupar com os olhares estranhos que as pessoas lhe lançavam.
Rebecca, por sua vez, recostou a cabeça na curva de seu ombro e tentou aproveitar o momento, enquanto fazia o possível para lidar com a culpa causada por todas as mentiras que havia contado para ele. Aliás, nas ulltimas semanas, ela vinha mentindo para todo mundo.
Havia mentido para Margareth quando não lhe contou sobre a cena que presenciara no apartamento de Aaron. Havia mentido para Ty quando o enganou para saber mais sobre Aaron e quando também omitiu dele tudo o que tinha visto. E havia mentido para Vlad quando escondeu dele que Aaron tinha sido o motivo de sua briga com Ty e quando não lhe contou sobre o acidente e, menos ainda, sobre a parte em que Aaron a havia oferecido uma carona e entrado em seu quarto sem sua permissão. Em resumo, todas as suas mentiras envolviam Aaron de alguma maneira e isso a irritava e a envergonhava ao mesmo tempo.
A irritava porque odiava mentir e porque parecia que, quando se tratava de Aaron, as mentiras fluíam por sua boca antes mesmo que ela pudesse contê-las e a envergonhava porque, embora houvesse uma parte dela que mentia apenas para evitar que mais brigas acontecessem entre os garotos, também havia uma parte dela – uma parte bem menor – que mentia apenas para se proteger de possíveis acusações. E isso a fazia se sentir horrível.
– E então, a festa de hoje ainda está de pé? – Vlad perguntou arrancando-a de seus devaneios e, só então, Rebecca percebeu que eles já estavam em frente à escadaria do alojamento do St. Hildas e se amaldiçoou por, certamente, ter passado uns bons cinco minutos em total silêncio enquanto ele a carregava até ali.
– Sim. Está de pé. – ela respondeu de forma automática, tentando parecer animada com a ideia de ir a uma festa naquela noite.
– Tudo bem. Então, nós nos vemos às sete. – Vlad a colocou de volta no chão e lhe deu um beijo rápido nos lábios – Diga à Cadence para não se atrasar tanto dessa vez, ok? Não quero ter de ficar esperando por quase uma hora aqui fora enquanto ela decide que par de sapatos vai usar.
– Pode deixar. Eu aviso a ela. – Rebecca assentiu e ele depositou mais um beijo rápido em seus lábios antes de seguir em direção à Brookes College.
Ela observou até que Vlad sumisse de vista e, depois, subiu as escadas e seguiu para seu dormitório, sendo inundada por seus pensamentos novamente.
Muita coisa havia acontecido ao longo daquelas duas semanas.
Ela tinha feito as pazes com Ty, depois que ele praticamente se ajoelhou aos seus pés, implorando perdão e jurando que nunca mais a trataria do jeito que a havia tratado no restaurante, deixando Rebecca sem muitas opções a não ser desculpá-lo pelos maus modos e esquecer o ocorrido. Contudo, a relação entre os dois já não era mais tão boa quanto costumava ser e as conversas, que antes fluíam entre eles com naturalidade, agora, não passavam de meros cumprimentos feitos por educação.
Ela também tinha começado a autoescola – por insistência de seus pais, que achavam que era necessário aprender a dirigir do modo inglês –, embora Rebecca já tivesse a carteira de habilitação americana e não tivesse nenhuma intenção de ter um carro enquanto estivesse em Oxford, pois os táxis bastavam para ela.
E, por último, ela tinha se dedicado a tarefa de fazer Cadence e Mikhail se aproximarem, embora essa não tenha sido uma tarefa realmente difícil já que Cadence havia gostado dele logo de cara e já que o próprio Mikhail estava sempre disposto a oferecer a ela e à Rebecca sua agradável companhia, apesar de agir com mais cordialidade que com algum interesse amoroso, mas Rebecca imaginava que ele fosse apenas tímido.
Em todo caso, seu plano de fazer com que Cadence e Mikahil se tornassem um casal parecia estar indo bem e ela já até se arriscava a dizer que Cadence, finalmente, parecia estar tirando Aaron da cabeça e, por falar em Aaron, Rebecca não pode deixar de notar que nas últimas semanas ele tinha marcado mais presença em sua vida que de costume.
Desde o incidente em seu dormitório, parecia que Aaron estava em todos os lugares. Não importava aonde ela fosse – biblioteca, jardim, lanchonete, parque –, ele sempre parecia surgir de repente em seu caminho e, após tantos encontros indesejados, Rebecca já estava começando a se perguntar se Aaron não a estava perseguindo pelo campus, apesar de ele nunca dirigir uma única palavra a ela.
Fosse o que fosse, para Rebecca, seus encontros silenciosos eram ao mesmo tempo reconfortantes e preocupantes. Todos sempre diziam que a calmaria antecedia as tempestades e ela sabia muito bem que Aaron Greed era uma tempestade e tanto. Ele era como um furacão com alto poder destrutivo.
Sacudindo a cabeça, Rebecca se obrigou a parar de pensar em Aaron e em todas as confusões nas quais tinha se metido por causa dele, antes que acabasse se metendo em mais uma e, depois de pegar a chave de seu dormitório, abriu a porta, surpreendendo-se ao encontrar Cadence deitada na cama lendo uma revista.
– Você também saiu mais cedo hoje? – ela perguntou enquanto trancava a porta do quarto e largava a mochila em um canto.
– Apenas uns quinze minutos. – Cadence deu de ombros – Quem mais saiu cedo?
– Vlad. – Rebecca respondeu sentando-se na cama para tirar os sapatos – E, por falar nisso, você ainda vai para a festa com a gente hoje, não vai?
– Com certeza! – Cadence ergueu um polegar para ela sem tirar os olhos da revista que estava lendo.
– Ótimo. Os meninos vão passar aqui às sete. – Rebecca avisou, enquanto guardava o livro que Vlad lhe dera em um espaço vazio da prateleira – É melhor você não se atrasar.
– Nesse caso, é melhor eu começar a me arrumar agora. – Cadence largou a revista em um canto e pegou sua toalha, dirigindo-se rapidamente para o banheiro – Eu tenho um plano para essa noite e você vai me ajudar a escolher uma roupa incrível. Acho que já está mais que na hora de eu e o Mikhail darmos um passo adiante nesse lance que a gente tem e essa noite está mais que perfeita para a ocasião. – ela concluiu dando uma piscadela para Rebecca que ergueu os dois polegares para ela em um claro sinal de incentivo.
– É isso aí, garota. – ela disse animada – Mostra para ele quem é que manda.
Cadence sorriu, assentindo, e então fechou a porta.
Depois que Cadence terminou seu banho, Rebecca a ajudou a escolher uma roupa legal – dentre as quais ela optou por um vestido xadrez azulado de tecido grosso, meia calça e botas pretas – e depois foi tomar seu próprio banho e se arrumar, optando por usar uma calça jeans preta, um casaco de lã, boina e botas também pretas e um cachecol vermelho.
Às sete horas em ponto, ambas estavam prontas e desceram para esperar os garotos na escada principal do alojamento, mas eles só chegaram dez minutos depois.
Vlad usava calça jeans acinzentada, blusa branca com um casaco de lã preto por cima e botas, enquanto Mikhail usava calça jeans, camiseta preta e um casaco da Seleção Russa de Basquete e Ty usava calça jeans azul marinho, camiseta polo branca e um suéter vermelho. Ambos usavam tênis e seguravam grandes mochilas, que continham toalhas de mesa, tapetes e cobertores.
– Estão atrasados. – disse Rebecca, abrindo um pequeno sorriso para os três.
– A culpa é do Ty. – Vlad denunciou – Ele demora tanto tempo para se arrumar quanto uma garota.
– Eu só demorei porque a Trinity é mais distante daqui. – Ty se defendeu.
– Seu mentiroso! – Mikhail sorriu – Você se arrumou no nosso dormitório. Essa desculpa não cola.
– Bem... Isso não muda o fato de que a Trinity é mais distante. – Ty deu de ombros e Cadence riu.
– Ok. Não importa. – Rebecca encerrou o assunto – Vamos andando, pois o The Grove Deer Park é meio longe e está muito frio para ficarmos parados aqui.
– Sim. Vamos andando. – Vlad concordou pegando Rebecca pela mão.
Cadence logo se meteu entre Ty e Mikhail e segurou a mão de Mikhail, fazendo Rebecca abrir um pequeno sorriso ao ver que a amiga não estava brincando quando disse que iria resolver as coisas entre eles naquela noite. Pelo visto, a festa no The Grove Deer Park iria render muito assunto para elas na manhã seguinte.
A festa daquela noite, porém, não era exatamente uma festa. Tinha sido organizada pelos próprios alunos da universidade apenas como uma forma de diversão e confraternização ao ar livre e estava mais para um encontro no parque que para uma festa realmente, pois não teria nenhuma estrutura e os comes e bebes estavam por conta dos próprios frequentadores, mas ainda assim todos estavam animados com a ideia de poder se divertir um pouco depois da semana cheia que haviam tido na universidade.
– Eu e o Mikhail vamos comprar algumas bebidas e algo para comer. – disse Ty entregando à Vlad a mochila que segurava – Enquanto isso vocês procuram algum lugar legal para a gente ficar, ok?
– Posso ir com vocês? – Cadence perguntou fazendo sua melhor cara de cachorrinho abandonado.
– Claro que pode. – Mikhail respondeu, ignorando o olhar de censura que Ty lançou para ele depois – O Vlad e a Rebecca conseguem arrumar tudo sozinhos e você pode até nos ajudar com as sacolas, não é Ty?
– Claro. – Ty respondeu com um pequeno sorriso, mas o tom em sua voz sugeria que ele não estava nenhum pouco satisfeito com a ideia.
Cadence, por sua vez, tratou de correr para o lado de Mikhail e entrelaçou seu braço ao dele parecendo alheia a toda discórdia que havia entre os dois.
– Obrigada. – disse ela abrindo um sorriso animado para ele.
– De nada. – ele retribuiu ao sorriso e depois entregou à Rebecca a mochila que segurava – Então, vamos. A gente se encontra daqui a pouco, galera.
Cadence e Mikhail seguiram, coversando e de braços dados, rumo as lojas próximas ao parque, sendo seguidos de perto por Ty que os encarava com uma expressão de evidente desagrado, enquanto Vlad e Rebecca seguiram para o parque.
– A Cadence é um tanto maluquinha, não é? – Vlad perguntou com um sorriso.
– Ela é meio... Intensa. – Rebecca sorriu também – Mas ela é legal.
Eles caminharam por entre as dezenas de grupos que já estavam espalhados pelo parque e decidiram ficar em um local perto de um conjunto de árvores próximo ao rio Cherwell, onde forraram o chão com os tapetes e estenderam a toalha de mesa.
Depois de mandar uma mensagem para Mikhail avisando em que parte do parque estavam, Vlad e Rebecca pegaram seu cobertor e se sentaram para esperar os outros três, que chegaram cerca de vinte minutos depois carregados de sacolas.
– Compramos refrigerante para o Vlad. Suco para a Rebecca e... Soda e Gin para nós. – Mikhail listou retirando as garrafas de uma das sacolas e recebendo alguns aplausos empolgados de Cadence – E também compramos alguns biscoitos e salgadinhos, bolo, sanduíches e uma maçã bem suculenta para a Rebecca, pois a Cadence nos disse que você gosta.
Rebecca revirou os olhos.
– Obrigada. – disse abrindo um sorriso para Cadence, antes de pegar a maçã da mão de Mikhail e dar uma bela mordida nela.
Os garotos pegaram seus cobertores e se sentaram, pegando cada um seu copo de Soda com Gin e um pacote de salgadinhos.
– Seria legal se pudéssemos fazer uma fogueira. – disse Cadence, mais uma vez sentando-se entre eles e metendo-se embaixo do cobertor de Mikhail – Está tão frio hoje, não é?
– Muito. – ele respondeu passando um braço ao redor dos ombros dela que abriu um sorriso satisfeito.
– Acho que os caras da Oriel College finalmente chegaram com o som. – Vlad apontou para uma picape preta que havia estacionado no centro do parque, numa tentativa de mudar de assunto ao ver o olhar mortal que Ty lançava para Cadence e Mikhail.
– É. Parece que sim. – disse Cadence, alheia a toda tensão que havia ali.
Ela se inclinou para também pegar um copo de Soda com Gin para si e depois pegou um salgadinho do pacote de Mikhail, abrindo um sorriso radiante para ele, que fez o rosto de Ty ficar tão vermelho de raiva que se tornou perceptível até para Rebecca, mas antes que ela pudesse fazer alguma pergunta sobre isso, a voz conhecida de Aaron preencheu seus ouvidos e ela se voltou para um grupo de pessoas que conversavam animadas sentadas próximas dali, percebendo, com uma enorme tristeza, que ela e Vlad tinham montado seu grupo bem ao lado do grupo de Aaron.
– Meu Deus, eu devo ter sido uma pessoa horrível na outra vida. – Rebecca se lamentou em voz baixa, atraindo a atenção de Vlad.
– Algum problema? – ele perguntou preocupado.
– Depende do que você considere um problema. – ela apontou para o grupo de pessoas onde Aaron estava e os olhares de Vlad, Ty, Mikhail e Cadence se voltaram ao mesmo tempo para aquela direção.
– Mas que Droga! – Ty resmungou indignado – Vocês não podiam ter encontrado vizinhos melhores, não?
– Desculpe, cara. Eu nem notei que o Aaron estava ali. – Vlad se defendeu – E, para falar a verdade, acho que ele nem estava mesmo, porque eu não me lembro de tê-lo visto. Ele deve ter chegado há pouco tempo.
– Olha, a gente pode pegar as nossas coisas e ir para outro lugar. – Mikhail sugeriu – Mas, sinceramente, eu não estou nenhum pouco a fim de fazer isso. Prefiro apenas aproveitar a festa e ignorar a existência daquele idiota.
– Acho que o Mikhail tem razão. – Cadence concordou e Ty soltou uma gargalhada.
– Ah, claro que acha! – ele exclamou em um tom cheio de ironia – Porque será que eu não me surpreendo com isso, hein Cadence?
– Ty, vai com calma. – Mikhail pediu encarando-o com seriedade.
– Eu estou calmo. – ele entornou toda a bebida de seu copo com um único gole e voltou a enchê-lo com gim e soda – Estou super calmo.
– Ok. Nós vamos ficar aqui mesmo e aproveitar a noite, está bem? – Vlad decidiu pelo grupo, aconchegando Rebecca um pouco mais apertado em seus braços – O Aaron está com a turma dele e não está dando a mínima para nós, então nós vamos fazer o mesmo.
– O Vlad está certo. – Mikhail concordou com um sorriso divertido – O Aaron parece estar bem entretido no momento.
O comentário de Mikhail fez com que Rebecca e Cadence desviassem seus olhares para o grupo onde Aaron estava acompanhado dos dois garotos que elas tinham visto com ele, no dia em que ele havia empurrado Edmond da ponte e de outras três garotas – duas morenas e uma loira – que elas ainda não conheciam.
As duas garotas morenas estavam de pé, remexendo seus corpos em uma dança sexy ao som da música eletrônica alta que havia começado a tocar na picape preta estacionada no centro do parque, enquanto a garota loira permanecia sentada no colo de Aaron, abraçando-o e enfiando as mãos embaixo de sua camiseta, enquanto depositava alguns beijos em sua boca e em seu pescoço.
– Quem é aquela garota com o Aaron? – Cadence perguntou visivelmente incomodada com a cena.
– Provavelmente é só mais uma garota burra que caiu nas mentiras dele. – Ty respondeu ainda irritado e Cadence tomou um pouco da bebida em seu copo, envergonhada.
– Eu passei na prova escrita que fiz ontem na autoescola. – Rebecca tentou mudar de assunto ao ver a expressão de tristeza no rosto da amiga que, com certeza, havia tomado para si o comentário maldoso feito por Ty – Sexta-feira eu farei a prova prática e, se eu passar, já poderei dirigir carros ingleses.
– Muito bem. –Vlad a parabenizou, depositando um beijo em sua bochecha e, então a conversa sobre Aaron foi substituída por outra mais amena.
Eles permaneceram conversando e bebendo por um longo tempo até que uma sessão de músicas da cantora Ellie Goulding começou a tocar e Cadence se colocou de pé num salto.
– Ai meu Deus! Eu amo essa música. – ela exclamou animada quando a música Burn começou – Dança comigo, Rebecca?
– Eu não sei dançar.
– Ah, deixe de ser mentirosa.Você dançou essa música comigo no nosso dormitório um dia desses. Não me deixe na mão agora, caramba. – Cadence tentou puxá-la para fazê-la se levantar, mas Rebecca endureceu o corpo e se agarrou ao tapete que estava forrado no chão para impedi-la de tira-la dali.
– Eu disse que não sei dançar. – ela repetiu, meio rindo e meio implorando – Porque você não dança sozinha?
– Vlad – Cadence parou de puxá-la e olhou para ele –, será que você poderia me dar uma ajudinha aqui?
No mesmo instante Vlad soltou seu copo de refrigerante e segurou Rebecca pelos quadris, empurrando-a na direção a Cadence e abrindo um pequeno sorriso quando ela lhe lançou um olhar enraivecido.
– Me desculpe, amor, mas eu estou doido para te ver dançar. – ele disse animado.
– E eu estou doida para te bater agora. – Rebecca retrucou, enquanto Cadence a arrastava para fora da montanha de cobertores onde estavam, já se remexendo ao ritmo da música.
– Vai lá, Rebecca! – Mikhail gritou, fazendo o grupo de Aaron e alguns outros grupos ao redor se voltarem para elas, deixando Rebecca ainda mais envergonhada.
Diante da atenção extra, Cadence se soltou ainda mais e começou a dançar de forma ousada enquanto Rebecca permaneceu parada, tão vermelha quanto um pimentão e, vendo que ela estava tão constrangida que parecia prestes a desmaiar, Vlad também se levantou e começou a dançar para incentivá-la a se soltar, arrancando risos histéricos de Ty e Mikhail.
– Eu não sabia que você dançava. – Rebecca gritou para ele, também rindo de sua desastrosa tentativa de dança.
– Na verdade, eu também não sabia. – Vlad respondeu caminhando até ela e agarrando-a pela cintura.
Ty e Mikhail também se colocaram de pé depois de um instante e, logo, todos estavam dançando tão empolgados, que Rebecca e Cadence até arriscaram uma coreografia em conjunto durante a música Lights, o que fez Aaron soltar alguns assovios que não deixaram Vlad nada contente e, então, Rebecca parou de dançar e tentou acalmá-lo para evitar que outra briga acontecesse entre os dois.
Entretanto, foi no final da festa, quando todos já estavam se organizando para ir embora, que as coisas se tornaram uma grande confusão e saíram totalmente do controle, pois Cadence que já estava totalmente desinibida por conta da Soda com Gin que tinha bebido durante toda a noite, puxou Mikhail para mais perto e o beijou, pegando a todos de surpresa.
Houve um momento de completo silêncio, enquanto todos – inclusive o próprio Mikhail – pareciam absorver o acontecimento e, no momento seguinte, Ty estava segurando Cadence pelo cabelo e puxando-a para longe de Mikhail, fazendo-a soltar um grito de dor.
Tudo aconteceu tão rápido que Rebecca mal teve tempo de tentar entender o que estava acontecendo, antes de largar o cobertor que estava dobrando e correr até Cadence e Ty para tentar fazê-lo soltar o cabelo dela.
Vlad correu para ajudar Rebecca e quando eles, finalmente, conseguiram fazer Ty soltar o cabelo de Cadence, Mikhail o segurou para evitar que ele fosse para cima dela novamente.
– Pare com isso, Ty! Você enlouqueceu? – Rebecca gritou, enquanto Ty se debatia feito louco tentando se soltar de Mikhail.
– Me larga! – ele exigiu com raiva. – Eu quero matar essa garota!
– Pode vir, seu idiota. – Cadence se lançou contra ele, obrigando Vlad a correr para segurá-la e Rebecca se colocou novamente entre os dois.
– Parem com isso agora. – ela sentenciou olhando de um para o outro com uma expressão séria – O que diabos vocês dois pensam que estão fazendo se agredindo desse jeito?
– Pergunte isso ao seu irmão. – Cadence reclamou – Foi ele quem começou isso tudo.
– Cale a boca, sua vaca! – Ty gritou para ela, enfurecido – Eu vou acabar com você!
– Você ficou louco, Ty? – Mikhail o arrastou para mais longe de Cadence e o segurou com mais força – Você não pode agredir uma garota.
– Ah, vá para o inferno, Mikhail! – Ty retrucou, ainda tentando se soltar dele – Vá você e ela para o inferno.
– Ty, pare com isso agora! – Rebecca gritou mais uma vez, já a beira do desespero. A confusão foi tão grande que as pessoas ao redor se voltaram para eles, observando tudo com atenção – Por Deus! – Rebecca levou as mãos à cabeça – Vocês dois estão enlouquecendo?
– O único louco aqui é o seu irmão. – Cadence exclamou encarando Ty com uma expressão repleta de fúria – Ele me agrediu e eu não fiz nada.
– Não fez nada? – Ty a olhou indignado – Você passou a noite inteira sendo uma vadia oferecida e ainda diz que não fez nada?
– Vadia é a sua mãe! – Cadence tentou avançar sobre ele novamente e Vlad teve de segurá-la com mais força.
– Cadence, já chega! – Rebecca pediu mais uma vez – E, Ty, não fale assim da Cadence.
– E de que outra forma você quer que eu fale dela? – Ty perguntou entredentes – Essa safada passou a noite inteira se jogando para cima do Mikhail sem nem se preocupar em disfarçar.
– E o que você tem haver com isso?! – Cadence perguntou aos berros – Está afim dele por acaso?
Ty a encarou irritado, mas não respondeu nada e seu silêncio praticamente serviu como uma confissão para Cadence, que arregalou os olhos ao finalmente compreender o motivo de toda aquela briga.
– Oh, meu Deus! – ela exclamou boquiaberta – Meu Deus, Ty! Você é gay?
Houve uma sessão de risos e exclamações vindos das pessoas que assistiam toda a confusão e Rebecca olhou para Ty esperando que ele negasse tudo e que se irritasse ainda mais com o comentário de Cadence, mas ao invés disso, ele apenas abaixou a cabeça, envergonhado, e permaneceu em silêncio encarando o chão.
– Ah, droga! Agora sim toda essa sua raiva faz sentido. – Cadence soltou uma gargalhada – Você é gay e realmente está afim do Mikhail, não é?
Ty ergueu o olhar para ela devagar e depois olhou para as pessoas ao seu redor, parando em Rebecca que o encarava com olhos arregalados, parecendo estar completamente em choque e, então, sem dizer mais uma palavra, ele se soltou de Mikhail e atravessou a multidão correndo, desesperado, em direção à saída do parque.
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