Waiting For You
21 Capítulo Vinte
Notas iniciais
Espero que gostem :3
Edward POV.
Permaneci sentado no sofá, minha mente voando de uma informação para outra, até que ouvi alguém bater à porta. Eu sorri enquanto levantava, sabendo que Henry estava ali. Nós tínhamos nos visto há menos de três horas, mas aqui estava eu, já com saudade do meu garoto.
Eu não conseguia nem imaginar o que seria da minha vida quando ele voltasse com a mãe para Pittsburgh.
Abri a porta, meu sorriso se tornando ainda maior quando vi Henry ali, parado ao lado de Emmett. Meu filho sorriu para mim também, mas não se moveu. Eu o encarei por um momento, franzindo a testa, e quando vi o rosto dele todo lambuzado, olhei para Emmett, erguendo a sobrancelha.
Emmett sorriu, encolhendo os ombros.
- Ele pediu um pirulito — disse. — Não consegui dizer não para esse carinha.
Eu ri, revirando os olhos, e dei espaço para que eles entrassem.
- Poquê eu saí mais cedo da cleche, papai? — Henry indagou, voltando-se para mim. — Eu fiz coisa elada?
Eu sorri.
- Não, campeão — eu disse. — Sua mãe e eu temos apenas que resolver algumas coisas, e achamos que seria melhor se você saísse hoje mais cedo, tudo bem?
Ele assentiu.
- Eu posso ir pla casa de vovó e de vovô? — ele perguntou. — Eu quelo blincar com eles!
Eu tornei a rir. Parei para pensar durante um momento, antes de concordar. Henry poderia ficar com os meus pais enquanto Bella, eu e Emmett fôssemos para a delegacia. Ele ficaria seguro lá e teria alguém para distraí-lo. Além do mais, eu tinha certeza de que meus pais adorariam passar um tempo com eles. Eles sempre ficavam me pedindo para que eu deixasse Henry lá.
- Vem — eu o chamei, estendo a mão e pegando a sua. — Vamos lavar esse rosto e trocar essa roupa. E nada de doces mais por agora, ok? Daqui a pouco você tem que almoçar.
Ele assentiu, sorrindo para mim.
Bella estava saindo do meu quarto quando passamos pelo corredor. Ela sorriu para o filho e o puxou para um abraço, depositando um beijo em sua cabeça. Vi como ela estreitou os olhos quando viu seu rosto cheio de restos de doce e senti meu coração apertar quando ela disse que nada mais de doces até depois que ele almoçasse.
- O papai falou isso, mamãe — ele murmurou. — Eu só comi um pouquinho. Eu julo.
Eu sorri.
- Vem, Henry. — Eu tornei a chamá-lo, já começando a caminhar em direção ao banheiro social. — Vamos limpar seu rosto.
Ele assentiu.
- Emmett está na sala — eu sussurrei, alto o suficiente para que ela escutasse. — Achei melhor deixarmos Henry com meus pais, antes de irmos para a delegacia.
Eu não estava olhando para ela, mas pude ver, pela minha visão periférica, que ela concordava, assentindo.
- Vou esperar por vocês na sala, então — disse.
Eu suspirei, e levei Henry até o banheiro. Limpei seu rosto e lavei suas mãos, antes de levá-lo para o seu quarto. Troquei sua roupa e arrumei sua mochila, colocando tudo o que eu achava que ele precisaria. Ele já tinha algumas roupas e brinquedos na casa dos meus pais, então não precisei colocar muita coisa. Tentei ajeitar suas madeixas — que estavam uma completa bagunça -, mas desisti depois da terceira tentativa.
- Nós estamos precisando cortar seu cabelo, campeão — eu sorri. — Ele está enorme.
Henry fechou a cara.
- Não gosto de cotá cabelo, papai — ele disse. — É luim.
Eu ri, enquanto pegava sua mochila e a jogava em meu ombro, antes de puxá-lo para o chão. Peguei sua mão e comecei a levá-lo para a sala, meus olhos encarando seu rostinho.
- E se eu for cortar com você? — sugeri. — Você cortaria?
Ele pareceu pensar por um minuto, mas depois sorriu e assentiu.
- Tio Jazz fazia isso comigo, papai — comentou. — Eu só cotava quando ele ia comigo.
Tornei a rir.
- Tudo bem, então. Vou ver um horário para irmos juntos.
Emmett e Bella estavam nos esperando, de pé, próximos à porta. Eles pareciam estar conversando sobre algo e sorriam, mas se calaram assim que entramos em seus campos de visão. Eu estreitei meus olhos, mas suspirei, sabendo que nada mais sobre ela me dizia ao respeito.
- Vamos? — eu murmurei.
Eles apenas assentiram. Seguimos para o elevador, apenas Henry conversando. Bella disse, quando o elevador parou no saguão do prédio — já que Emmett tinha deixado seu carro estacionado na rua -, que achava melhor ela ir com Emmett e que encontraria comigo na delegacia. Eu achei isso meio estranho, mas concordei, e disse que estaria lá assim que deixasse Henry com meus pais.
Fiquei perdido em pensamentos até que chegamos lá, por mais que eu tivesse tentado focar no meu filho, que falava sem parar como tinha sido mostrar para todos seus coleguinhas que ele tinha um papai e mamãe. Usei o controle que eu tinha da garagem e entrei, estacionando o carro de qualquer jeito, já que eu não pretendia demorar mais do que cinco minutos ali.
Toquei a campainha, rindo de um Henry muito agitado, e o vi passar como um furação pelo meu pai assim que ele abriu a porta. Ele riu também, revirando os olhos.
- Oi, filho — cumprimentou-me, dando-me um rápido abraço. — Está tudo bem? Henry não deveria estar na creche?
Eu fiz uma careta, enquanto via meu filho se jogar nas pernas da minha mãe, que acabava de entrar na sala.
- Surgiu uma coisa — eu murmurei. — Bella voltou. É, eu sei. Estamos indo resolver uns problemas e eu devo demorar um pouco... Eu prometo explicar tudo quando voltar, ok? Eu só... vocês poderiam ficar de olho em Henry por mim?
Meu pai franziu a testa, e abriu e fechou a boca diversas vezes, parecendo realmente surpreso.
- Eu explicarei tudo depois, pai — suspirei. — É muito... confuso, então... podemos falar disso mais tarde?
Ele me fitou durante alguns momentos, antes de assentir.
- Vá — sorriu. — Nós ficaremos com Henry.
Eu empurrei um sorriso para fora do rosto e acenei para a minha mãe, antes de correr de volta para o meu carro. Entrei no mesmo e fechei a porta, colocando o cinto de segurança. Apoiei minha cabeça contra o volante e fechei os olhos com força, lutando contra a vontade de me render ao turbilhão de sentimentos que tomavam conta de mim desde que eu tinha descoberto que ela estava voltando. Foquei-me naquele momento, não querendo me render aos meus pensamentos, e respirei fundo.
Eu teria tempo para isso depois.
Quando cheguei à delegacia, o carro de Emmett já estava ali, e ele e Bella esperavam por mim. Eu fiquei parado por um momento dentro do carro, ainda meio sem conseguir acreditar que Laurent seria preso, que a pessoa que tinha afastado Bella de mim, que tinha me privado de três anos da vida do meu filho, seria preso. Assim como ainda era difícil acreditar que ela estava ali.
Suspirando pesadamente, eu saí do carro, não querendo adiar mais o que estava por vir. Emmett sorriu quando me viu e Bella apenas começou a andar para dentro da delegacia, e eu a segui. Provavelmente passaríamos horas aqui e eu entrei com a mente pronta para o que aconteceria, seja lá o que fosse.
Pedimos para falar com o chefe daquela delegacia e nós três entramos em uma sala. Ele se apresentou e perguntou se poderia ajudar em alguma coisa. E, pelas próximas horas, Bella falou e falou, expondo provas, as ameaças, todos os documentos que ela tinha conseguido na outra empresa. O delegado escutou tudo, interrompendo algumas vezes e assentindo. Quando Bella mostrou provas que dois estagiários tinham sido assassinados devido a isso, ele ficou ainda mais sério, e, quando percebeu que ela tinha acabado de falar, suspirou pesadamente.
- Esse Laurent está trabalhando agora? — ele indagou, voltando-se para mim e para Emmett.
Eu olhei para Emmett — já que ele que tinha combinado tudo com a segurança da minha empresa e estava verificando se Laurent estava lá — e ele apenas assentiu.
- Eu vou mandar alguns policias buscá-lo — ele disse. — Provavelmente, eu deva ir junto, caso algo dê errado. Ele tem roubado e se safado durante anos. Não acredito que ele vá aceitar ser preso tão facilmente.
Eu olhei para o lado quando Bella de repente se levantou, ao mesmo tempo em que o delegado se colocava de pé. Ele a olhou, erguendo as sobrancelhas, provavelmente pensando que ela tinha mais alguma coisa a acrescentar.
- Algum problema, srta. Swan? — ele indagou.
Ela mordeu o lábio inferior e hesitou por um momento, eu pude notar, mas por fim suspirou, seus ombros caindo em derrota.
- Eu gostaria de ir, se estiver tudo bem — murmurou. — Sei que é uma operação policial e prometo ficar longe, mas... eu esperei por esse momento durante mais de quatro anos, delegado. Vê-lo sendo preso...
Eu senti algo queimar em meu peito quando a ouvi dizer tais coisas, embora não soubesse explicar o porquê.
O delegado a encarou durante alguns minutos, mas por fim assentiu, sorrindo um pouco. Eu a vi sorrir e imediatamente desviei os olhos. Eu provavelmente estava ficando louco ou algo assim, porque as reações que eu estava tendo perto dela me deixavam cada vez mais confuso.
- Não quero nenhum de vocês muito perto — ele comentou, pegando sua arma e a colocando em seu coldre. — Vamos. Vamos acabar com isso.
Eu vi a forma que Bella segurava as provas contra o seu peito, antes de colocá-las na pasta que tinha trazido e segurar firmemente contra si. Eu a assistia, mesmo querendo desviar os olhos, mesmo querendo me mostrar imparcial. Porque, sim, acabaríamos com o que a tinha feito ir embora hoje, porém nós ainda tínhamos que conversar sobre outras coisas. Não sabia quando tal coisa aconteceria, mas não deveria demorar tanto assim.
E eu não tinha ideia de como seria.
Senti meu celular vibrar contra o bolso da minha calça e imediatamente o peguei, usando-o para me distrair. O delegado estava disparando ordens, escolhendo alguns policias e falando sobre alguns planos. Emmett estava ao meu lado e Bella ao lado dele, mas nós três estávamos calados. Suspirando, balancei a cabeça e desbloqueei meu celular, para ler a mensagem que Alice tinha me mandado.
É verdade? Ela voltou? A.
Eu suspirei. Eu tinha comentado com a minha mãe alguns dias atrás que Bella estava voltando, e tinha certeza de que ela tinha dito algo ao meu pai ou à Alice. Para a minha felicidade, porém, eles não comentaram algo. E pelo olhar de surpresa do meu pai, hoje, quando eu informei que ela estava aqui, ele não esperava que fosse tão breve.
Sim. Ela chegou ontem à noite. E.
Guardei meu celular no bolso novamente, só para ter que tirá-lo menos de um minuto depois, quando o senti e o ouvi tocar. Eu me afastei um pouco, não querendo que ela escutasse a minha conversa, e só quando julguei que estava a uma boa distância, atendi.
- Oi, Alice — murmurei, enquanto continuava encarando Emmett e Bella. — Algum problema?
Eu a escutei bufar.
- Como ela tem coragem de voltar assim, do nada? — ela indagou. — Onde vocês estão? O que vocês estão fazendo? Você não voltou com ela, voltou?
Eu suspirei, e fechei meus olhos por um momento. Eu nunca tinha parado para pensar em como seria a reação da minha família quando fiquei sabendo, por Jasper, que Bella estava voltando. Eu não tinha contado com tal hostilidade vinda de Alice, quando nem mesmo eu sabia como deveria me sentir. Era um turbilhão de sentimentos — raiva, mágoa, dor, felicidade, ânimo, tristeza... — e nem mesmo tinha me permitido pensar em tal coisa ainda.
- Alice... — eu sussurrei. — Eu não posso conversar com você sobre isso agora, ok? Eu tenho umas coisas que tenho que resolver.
Ela tornou a bufar.
- Por favor, Edward, eu só... — ela começou, mas eu resolvi interrompê-la, sabendo que não poderíamos conversar naquele momento.
- Confie em mim, por favor. — Minha voz não passava de um murmúrio. Novamente, senti aquele aperto forte em meu peito tomar conta de mim e, novamente, tive que lutar contra a vontade de chorar. — Tem muita coisa que você não sabe. Para ser completamente sincero, tem muita coisa que nem eu sei ainda.
Ela ficou calada durante algum tempo, o que eu apreciei. Eu sabia que se começasse a falar sobre tudo o que tinha acontecido desde que ela tinha aparecido em meu condomínio, eu iria chorar. E eu não podia. Não ainda.
Eu teria tempo para tal coisa mais tarde.
- Certo — ela disse, mas eu podia dizer, pelo seu tom de voz, que ela não estava nada feliz. — Entre em contato comigo quando você puder falar, ok? Eu realmente... eu realmente quero conversar com você, Edward.
Suspirei.
- Eu sei — murmurei de volta. Endireitei-me quando vi a movimentação na delegacia, já começando a andar em direção à Bella e Emmett; aparentemente, o pessoal estava pronto para ir. — Olha, eu tenho que ir, ok? Depois a gente conversa.
Desliguei antes que ela pudesse dizer qualquer coisa e segui para fora da delegacia. Emmett decidiu ir conosco no carro, dizendo que depois voltaria para pegar o dele, e então todos nós fomos juntos para a empresa. Mesmo enquanto eu dirigia, eu me vi olhando, pelo espelho retrovisor, Bella, que não conseguia parar quieta no banco de trás. Eu notei como suas mãos se mantinham firmes na pasta, em como ela olhava para fora da janela, sua perna se movendo de forma rápida. Quando chegamos, observei como ela pulava para fora do carro, já correndo em direção aos policias, sem nem mesmo esperar por nós.
Eu suspirei, e retirei o cinto, já abrindo a porta. Antes que eu pudesse sair, porém, Emmett segurou meu braço, fazendo como que eu me voltasse para ele.
- Algum problema? — eu perguntei, franzindo o cenho.
Ele não olhava para mim e sim para Bella, que conversava com o delegado.
- Só... vá com calma, ok? — ele disse, por fim, antes que eu perguntasse novamente o que havia de errado. — Sei que vocês ainda têm muito o que conversar e decidir, mas não tome decisões quando estiver de cabeça cheia ou algo assim...
Eu franzi a testa, sem entender por que ele estava dizendo aquilo, mas como não tínhamos tempo para falar sobre tal coisa, apenas assenti.
- Tudo bem — murmurei.
Emmett enfim olhou para mim e sorriu.
- Vamos? — ele chamou, saindo do carro. Eu o segui, ainda me sentindo meio confuso. — Pronto para acabar logo com isso?
Eu suspirei, assentindo.
- Você não tem ideia...
Nós seguimos para o setor de finanças, quatro policias, mais o delegado, conosco. Eu pude notar como todos olhavam para nós enquanto passávamos, já comentando um com o outro, provavelmente querendo entender por que havia cinco policias ali. Outros, que conheciam Bella, deveriam estar se perguntando o que ela fazia ali depois de tanto tempo, mas eu ignorei tudo, seguindo até o elevador.
Assim que ele apitou e abriu, indicando que havíamos chegado ao andar correto, eu saí, meus olhos procurando por Laurent. Eu observei Bella caminhar, ainda agarrada à pasta, e vi quando ela o achou. Imediatamente seus olhos se estreitaram, suas mãos tornaram o aperto ainda maior, e seu rosto se contorceu em uma expressão de fúria. Eu segui o seu olhar, meu coração batendo de forma rápida contra o meu peito, e vi Laurent, sentado à sua mesa — de costas para nós -, mexendo no computador. Eu mostrei ao delegado quem ele era e nós seguimos para lá.
À medida que passávamos, várias pessoas paravam de trabalhar, olhando para nós, se mostrando tão surpresa e/ou confusas como as pessoas do saguão. Eu ignorei, continuando a caminhar até Laurent, que ainda não tinha notado como todos ao seu redor ficavam calados. Eu observei, porém, que o estagiário — que tinha sido contratado há pouco tempo -, sorria um pouco, seus olhos arregalados. Provavelmente, ele tinha descoberto algo também e Laurent o tinha ameaçado. Imediatamente, fiz uma nota mental para comentar com o delegado sobre isso depois.
- Não, os pedidos deveriam ter chegado ontem. — Laurent falava ao telefone, parecendo estar com raiva. — Como assim atrasou?! Nós não podemos atrasar! Estou com a papelada para dar entrada ao dinheiro e preciso...
Todos nós paramos atrás de sua mesa, mas Laurent parecia tão distraído com quem quer que fosse que ele estava falando, que não parecia nos notar ali. Isso mudou, no entanto, quando Bella se moveu, ficando de frente para a sua mesa, entrando no campo de visão dele. Eu tive o prazer de vê-lo parar de falar e congelar, seus olhos se arregalando um pouco.
- Eu ligo para você de volta, Scott — ele disse. — Tente resolver esse problema o mais rápido possível. Quero os produtos aqui ainda hoje.
Ele finalizou a ligação e se colocou de pé, encarando Bella. Nós ficamos calados, todos nós, e Laurent parecia tão surpreso por estar vendo Bella ali, que ainda não tinha notado o que acontecia ao seu redor.
- Isabella Swan — ele murmurou. — Eu nunca pensei que iria vê-la novamente.
O rosto de Bella ainda estava contorcido em fúria, mas ela sorriu.
E não foi um sorriso feliz.
- Eu não perderia esse dia por nada, Laurent — ela disse, ainda sorrindo. — Por que você não olha ao redor e dê um olá aos seus visitantes? Você não quer ser mal educado, quer?
Um Laurent confuso se virou para nós e eu vi quando seus olhos arregalaram ao notar os policiais. Ele olhou de um lado para o outro, provavelmente procurando um lugar para onde pudesse correr, mas não dava. Ele tinha sido pego de surpresa, desprevenido, e não havia nada que ele pudesse fazer. Estávamos o cercando; ele não tinha lugar para fugir.
- Boa tarde — ele finalmente disse, se recompondo. — Eu posso ajudá-los em alguma coisa?
Eu dei um passo para frente.
- Descobri algumas coisas ultimamente, Laurent — eu comecei -, que, devo admitir, foram uma surpresa para mim. Eu não esperava por isso... Alguém, roubando meu dinheiro e desviando para outra empresa. Principalmente alguém responsável por um setor e alguém que eu confiava muito.
Ele arregalou os olhos, fingindo surpresa.
- Mas quem poderia estar fazendo uma coisa dessas? — indagou.
E o delegado escolheu este momento para agir. Eu tive o prazer de vê-lo colocar as algemas em Laurent, enquanto falava os seus direitos. Para a minha surpresa, ele aceitou ser preso em silêncio, mas eu percebi o olhar mortal que ele deu à Bella.
- Vocês terão que voltar à delegacia — disse o delegado. — Temos muito o que fazer ainda.
E, com os olhos em Bella, eu apenas assenti.
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Pelas próximas horas, ficamos na delegacia. Laurent se recusou a falar algo enquanto seu advogado não chegasse. Eles ficaram conversando durante algum tempo e, depois, quando as provas foram apresentadas, quiseram chegar a um acordo, mas não queríamos isso. Não queríamos que ele ficasse menos tempo do que precisava na cadeia. Ele pagaria por tudo o que tinha feito.
Quando acabamos, já tinha anoitecido. Laurent permaneceria preso, ali, até o dia que teria de ir ao tribunal, onde o juiz decidiria se ele aguardaria seu julgamento em liberdade — tendo de pagar uma fiança -, ou ficaria preso. Seus cúmplices já tinham sido localizados e muito em breve todos estariam presos também.
- Obrigada por tudo, Emmett. — Bella disse ao meu amigo, quando estávamos saindo da delegacia. — De verdade.
Ele sorriu, mostrando suas covinhas.
- Não há de quê — piscou. — Se precisar de algo, é só falar, ok? Nós nos veremos em breve.
Depois de eles trocarem um rápido abraço, Emmett se virou para mim e despediu, antes de entrar em seu carro.
Eu e Bella ficamos parados ali, durante algum tempo, ambos calados. Por fim, eu suspirei e lembrei que tínhamos que pegar Henry — já que amanhã ele tinha creche logo pela manhã. Ela apenas assentiu e começou a me seguir para o carro. Enquanto andávamos, eu aproveitei para ligar para Jessica e explicar mais ou menos o que tinha acontecido hoje. O dia tinha sido tão maluco e corrido, que eu nem mesmo tinha me lembrado de ligar para avisar que eu não apareceria na empresa e nem mesmo tinha atendido a nenhuma de suas ligações.
- Amanhã te explico tudo direito — eu disse. — Você conseguiu remarcar todos os compromissos?
Eu abri a porta do carro e entrei, fazendo tudo o que eu podia para colocar o cinto de segurança somente com uma mão. Liguei o carro, mas não dei partida, já que eu não gostava de dirigir e falar ao celular ao mesmo tempo.
- Tudo bem, senhor — respondeu. — Não houve nenhuma reunião hoje, você só se encontraria com alguns arquitetos, para vocês discutirem aquele projeto dos Thompson, mas eu consegui transferir para depois de amanhã. O dia de amanhã é tranquilo também, então qualquer problema, é só me telefonar que eu reorganizo sua agenda.
Eu suspirei.
- Certo — murmurei. — Obrigado por isso, Jessica.
Depois de me despedir, eu desliguei, e enfim coloquei o carro em movimento. Foi um pouco estranho estar com Bella dentro do carro, tão próxima de mim. Eu procurei manter minha atenção exclusivamente no trânsito, enquanto pensava nos problemas que viriam a seguir. Àquela altura, a mídia já deveria saber o que tinha acontecido na minha empresa e eu tinha quase certeza de que eles caíriam em cima de nós no dia seguinte. Por mim, tudo bem. Eu já tinha me acostumado um pouco com essa loucura. Mas se eles viessem para cima do meu filho...
Eu poderia não responder por mim.
Soltei um suspiro de alívio quando avistei a casa dos meus pais, mas ao invés de abrir a garagem e entrar, parei apenas em frente a ela, já que eu não pretendia demorar. Meus pais iriam querer fazer perguntas — e Alice também, caso ela estivesse lá — e eu, sinceramente, não estava com vontade de responder nenhuma delas naquele momento.
- Eu vou esperar aqui — murmurou Bella, antes mesmo que eu retirasse meu cinto. — Acho que vai ser melhor assim.
Eu a olhei durante alguns minutos, mas apenas assenti, sem saber o que dizer. Desci do carro e usei a minha chave para entrar. Henry estava brincando com o meu pai na sala, com um caminhão e alguns carrinhos. Eles olharam para cima quando me viram e meu filho sorriu imediatamente, se colocando de pé e correndo até a mim.
- Papai! — ele gritou, se jogando contra as minhas pernas. — Você demolou!
Eu senti um sorriso nascendo em meu rosto e o puxei para o meu colo, beijando sua testa demoradamente.
- Ei, campeão — eu o cumprimentei. — Como foi o seu dia? Você já jantou?
Ele assentiu.
- Vovô blincou comigo! — ele disse. — Eu ganhei dele no joguinho, papai.
Eu ri.
- Isso é ótimo, garoto.
Ele olhou para mim durante mais algum tempo, sorrindo, mas logo olhou para trás, parecendo estar à procura de algo.
- Cadê a minha mamãe? — perguntou. — Eu quelia mostlar ela pala o vovô e a vovó.
Eu soltei um suspiro, me sentindo um pouquinho cansado. Coloquei Henry no chão e comecei a andar com ele até o sofá, procurando seus tênis. Ele amava ficar descalço e tirava seus sapatos toda vez que tinha oportunidade.
- A mamãe está cansada e está esperando por nós no carro — eu disse, colocando-o sentado para calçá-lo. — Depois ela vem aqui conhecer seus avós, ok?
Ele emburrou um pouco, mas assentiu.
Quando terminei, virei para o meu pai, que me encarava parecendo preocupado, e sorri.
- Minha mãe saiu? — eu indaguei.
Ele negou imediatamente.
- Ela está no banho... — murmurou.
Eu suspirei.
- Henry, junte seus brinquedos, por favor — eu pedi. Esperei até que ele estivesse um pouco longe, colocando seus brinquedos em seus devidos lugares, antes de virar para o meu pai. — Eu sei que você e minha mãe devem estar querendo conversar comigo, mas... podemos deixar isso para depois, por favor? Fiquei o dia todo fora, resolvendo problemas e... eu ainda acho que Bella e eu vamos conversar hoje um pouco mais.
Meu pai suspirou, não parecendo muito satisfeito com aquilo, mas assentiu.
- Certo, Edward — ele disse. — Só procure falar conosco logo, ok? Estamos... preocupados.
Eu sorri para ele.
- Eu sei — respondi. — Só... procure ficar em casa amanhã, ok? Haverá uma quantidade de jornalistas por aí, acredito eu. Eu explicarei tudo assim que puder.
Ao me ouvir mencionar jornalistas, meu pai assentiu, parecendo ainda mais confuso. Porém, antes que ele pudesse dizer algo sobre isso, ou minha mãe surgisse, fazendo perguntas, eu me despedi e corri com Henry para o carro, louco para chegar em casa logo.
Eu ainda queria conversar com Bella sobre outros assuntos naquela mesma noite, afinal.
Bella POV.
Enquanto eu esperava Edward voltar com Henry, minha mente repassava tudo o que tinha acontecido hoje. Eu não conseguia acreditar que Laurent tinha sido preso, era... surreal. Acho que sempre me lembraria dele algemado, sendo levado pelos policias, enquanto eu os seguia, a pasta com as provas bem segura entre as minhas mãos. Eu a segurei durante todo o tempo, com medo de perdê-la. Afinal, eu tinha passado por muita coisa para conseguir tudo aquilo.
Não queria que tudo o que eu tinha feito fosse por água abaixo.
Fechei meus olhos e apoiei minha cabeça contra o vidro do carro, querendo descansar um pouco. Tanto tinha acontecido naquele dia e tanto ainda aconteceria nos dias seguintes — eu tinha certeza disso.
Além do mais, Edward e eu tínhamos ainda o que conversar... e eu não sabia se ele que viria até a mim com perguntas, ou se eu tinha que ir até a ele com explicações.
Senti um sorriso nascer em meu rosto quando escutei a voz do meu filho e abri os olhos, virando-me um pouco. Vi quando Edward abriu a porta do carro e o colocou no banco de trás, e sorri ainda mais.
- Ei, filho — sussurrei. — Você brincou muito com os seus avós?
Ele sorriu, assentindo.
- Muito, mamãe — disse. — Eu quelia que você tivesse conhecido os dois...
Eu soltei um suspiro e abaixei a cabeça. Eu tinha pedido para ficar no carro, quando Edward chegara, justamente porque ainda não me sentia pronta para enfrentar a família Cullen. Eu já tinha a certeza que Edward me odiava... E algo me dizia que seus pais e irmã não iam muito com a minha cara também.
Como poderia ser diferente? Eu o tinha abandonado, não importava o motivo, e tinha escondido Henry durante mais de três anos, mesmo que eu tivesse uma boa razão. Se eu pudesse adiar aquele encontro, eu adiaria. Não estava ansiosa para ele, de qualquer forma.
Mudei de assunto, conversando sobre a creche de Henry até chegarmos ao apartamento de Edward, não querendo mais falar daquilo. Fiz uma nota mental para procurar pelo cara que tinha alugado o apartamento para Jasper no mês que ele ficara aqui. Eu não queria abusar da hospitalidade do pai de Henry.
- Mamãe, você pode me dá banho? — ele pediu. — Pode?
Eu olhei para Edward, que encolheu os ombros, assentindo. Levei Henry até o banheiro que Edward tinha me indicado, então, e dei um banho nele.
Quando ele saiu, nós brincamos um pouco, mas Henry logo começou a bocejar. Edward o carregou para o quarto dele — o quarto onde eu tinha dormido na noite anterior e, provavelmente, dormiria naquela noite também — e o cobriu, lendo um pouquinho para ele.
Mas ele logo estava dormindo.
Eu fiquei parada ali, sem saber o que fazer, enquanto o observava com meu garotinho. Eu sentia algo apertar em meu peito cada vez que ele falava com Henry, brincava com ele, ou apenas sorria para ele. O amor que Edward sentia por Henry era imenso e ver tal coisa, trazia sentimentos que eu tinha cuidadosamente mantidos escondidos — ou não tão bem como eu pensava — à tona.
Era algo realmente incrível de se ver.
- Eu vou tomar um banho. — Edward murmurou. — Peça uma pizza ou algo assim para comermos... Pode ser?
Eu assenti, me sentindo muito tímida de repente. Ele não falava comigo com muita frequência e eu me sentia muito idiota quando isso acontecia.
- Certo — sussurrei. — Qual sabor você quer?
Ele deu de ombros, enquanto pegava uma roupa em seu closet.
- Tanto faz, você sabe que eu como qualquer um — respondeu.
Fiquei parada ali durante alguns minutos, sem saber se já deveria pedir ou se deveria esperar que ele entrasse no banho. Observei-o caminhar até o banheiro, ainda parada no mesmo lugar, Henry ressonando levemente na cama, alheio a tudo ao seu redor. Esperei que ele entrasse e fechasse a porta, para poder me mover, mas Edward parou com a mão na maçaneta e se virou para mim, seu rosto muito sério, seus olhos me encarando com atenção.
- E... Bella? — ele chamou. Eu o olhei, mas não disse nada. — Depois que comermos, nós temos que conversar. Há algumas, várias, na verdade, perguntas que eu gostaria de fazer a você.
Ele entrou no banheiro e fechou a porta atrás de si, deixando-me ali, sem esperar eu responder. Perdi completamente a fome depois de ouvir aquilo. Finalmente, iríamos conversar.
Notas finais
Me corta o coração toda vez que o Edward pensa no Henry indo embora 3. Ai, ai. Vamos ver onde isso vai dar também.
E no próximo capítulo tem a conversa deles! Aleluia, né?
Enfim, o próximo tá pronto, mas eu dei uma relida e... não curti muitas coisas nele. Vou tentar reescrever agora, mas vamos ver. Devido ao meu machucado no pulso (que tá se recuperando aos pouquinhos) e a correria dos últimos finais de semana, não consegui adiantar mais nada, então não sei como os próximos domingos serão. Vou tentar terminar o 21 hoje e escrever uns 2 no fds que vem... Torcem por mim, ok?
Por hoje é só.
Até domingo que vem (cruzem os dedinhos)
xx
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