Waiting For You
22 Capítulo Vinte e Um
Notas iniciais
Espero que gostem!
Edward POV.
Minhas mãos tremiam enquanto eu lavava meus cabelos, embora eu estivesse tentando me controlar. Mantive meus olhos abertos, fitando a porta, não ligando para o fato de correr o risco de o shampoo cair em meus olhos, como se eu esperasse que ela surgisse ali a qualquer momento, mesmo que isso fosse praticamente impossível.
Eu estava nervoso.
E muito.
Eu engoli em seco pela décima vez em apenas dois minutos, imaginando o que esperaria por mim quando eu saísse do banho — banho esse que estava demorando mais do que o normal, devido ao meu nervosismo e ansiedade. Será que Bella já teria pedido a pizza? Será que ela estava no quarto ainda, esperando que eu saísse para pedir?
E o que, exatamente, eu perguntaria para ela?
Soltei um suspiro trêmulo e apoiei minha cabeça na parede, enfim permitindo que meus olhos se fechassem. Durante alguns minutos, apenas fiquei ali, o chuveiro ligado, a água escorrendo pelo meu corpo e caindo no chão, apenas... pensando.
O que aconteceria quando terminássemos de conversar? Haveria a possibilidade de termos um relacionamento novamente um dia? Eu poderia tirar esse medo de ela me abandonar novamente, levando Henry para longe de mim?
Poderia parecer algo bobo — o que fazia com que eu me sentisse extremamente confuso -, mas como eu poderia prever o que aconteceria daqui para frente? Como, caso voltássemos, lidaríamos com um relacionamento à distância? E Bella? Será que ela queria algo comigo? Porque, sim, ela tinha me abandonado há quatro anos querendo me proteger, porque me amava, mas... como ela se sentia hoje? Nesse momento?
Tornei a suspirar, sem saber o que pensar. Eu não sabia exatamente como me sentir, mas de algo eu tinha certeza: pensar em Bella como uma ex, pensar que não estávamos mais conectados romanticamente, por assim dizer, doía.
E doía demais.
Sabendo que eu não poderia adiar aquela conversa e que eu tinha de resolver tudo aquilo de uma vez, deixando — pelo menos temporariamente — meus medos de lado, eu desliguei o chuveiro e puxei uma toalha, secando-me rapidamente. Enrolei-me no roupão e corri até o closet — dando uma olhada no quarto para ver se Bella ainda estava lá -, pegando uma roupa qualquer para vestir. Por fim, dei uma olhada em Henry e ajeitei as cobertas ao redor dele, antes de seguir para a sala.
Bella estava sentada no sofá, o celular entre as mãos. Ela olhava para baixo e parecia perdida em pensamentos, por isso, me permiti ficar ali, apenas admirando-a. Seus cabelos estavam presos em um coque — algo que eu sempre tinha gostado, já que deixava seu pescoço à mostra -, embora alguns fios escapassem, emoldurando o seu rosto. Ela usava as mesmas roupas do dia todo e não parecia estar incomodada com aquilo. Fiquei, durante alguns minutos, parado, olhando para ela, mas enfim decidi me pronunciar. Afinal, eu não podia ficar ali parado para sempre.
- Está tudo bem? — eu indaguei, forçando a minha voz a sair.
Ela deu um pulo no sofá, parecendo mesmo muito surpresa com a minha repentina aparição, o que fez com que eu lutasse contra um sorriso. Pigarreei, tentando disfarçar tal coisa, e me sentei na poltrona.
- Sim... — ela murmurou, ainda olhando para baixo. — Só pensando...
Eu franzi a testa, tentando entender o que ela queria dizer com aquilo, e encolhi os ombros, não comentando nada.
- Você pediu a pizza? — eu indaguei, decidido a não começar com o questionamento naquele momento.
Primeiro, comeríamos. Depois, poderíamos conversar. Queria toda a atenção dela focada em mim quando eu fizesse todas essas perguntas — ou a maioria delas, já que algumas eu ainda não sabia se teria coragem para fazer — que estavam rondando minha mente desde que eu encontrara a carta e o anel de noivado na minha cama. E eu queria prestar toda a atenção nela também, já que esperava por esse momento havia quase quatro anos.
Bella assentiu positivamente, mas não disse nada, e nós mergulhamos em um silêncio um pouco desconfortável. Eu estava prestes a abrir a boca para perguntar qual sabor ela tinha pedido, apenas para quebrar aquele silêncio, mas o interfone tocou; a pizza estava, provavelmente, aqui.
Levantei-me e caminhei até o interfone, dando permissão para o entregador subir. Voltei ao banheiro e peguei minha carteira em minha calça, antes de ir até a porta. Depois de pagar pela pizza e pegá-la, eu voltei para a sala; Bella ainda continuava na mesma posição.
- Você quer comer aqui ou na cozinha? — indaguei, ainda em pé.
Ela deu de ombros, como se não se importasse com o lugar. Segui para a cozinha, então, preferindo comer ali, e peguei dois pratos, colocando-os na bancada. Depois que terminei de nos servir, me sentei, e depois que Bella fez o mesmo, comecei a comer, ansioso para terminar logo e podermos começar a conversar.
Eu tinha tantas perguntas que nem mesmo sabia por onde deveria começar. Queria saber cada detalhe da gravidez de Henry, mesmo que fosse doer em mim por não ter vivenciado, queria saber como foi descobrir que estava grávida, como ela se sentiu, como foram os primeiros anos de vida dele... Haviam questões sobre Henry — grande parte delas, na verdade -, mas haviam outras também. Sobre ela, sobre como seria quando ela voltasse para casa... E haviam aquelas que eu não sabia se teria coragem para perguntar.
Existia a possibilidade de um ‘nós’ no futuro? Será que ela tinha alguém em sua vida?
Nós voltamos para a sala assim que terminamos de comer, sem nos importar com a pequena bagunça que tínhamos deixado na cozinha — eu cuidaria disso depois. Naquele momento, tudo o que eu queria era acabar com aquela curiosidade; lavar louça não era prioridade.
- Então... — sussurrei, logo após termos nos acomodado. — Podemos começar?
Bella me encarou por um momento, mas por fim suspirou e assentiu, entrelaçando seus dedos. Eu não podia dizer com certeza, mas algo me dizia que ela estava... nervosa, talvez?
- Você gostaria de perguntar algo? — indagou, olhando-me por um segundo, mas logo desviando os olhos.
Eu engoli em seco, e assenti.
- Sim, eu... — Parei por um momento, incerto de como deveria começar. — Eu estive me perguntando... não que eu esteja reclamando nem nada, longe disso, eu só queria entender como você ficou grávida, já que fazia controle de natalidade...
Ela corou.
- Eu, hmm... — murmurou. — Com tudo o que estava acontecendo, eu acabei me esquecendo de tomar durante alguns dias...
Eu assenti.
- E como foi? — continuei. — Quero dizer... tudo em Pittsburgh? Sei que você já disse mais ou menos, mas eu só...
Eu não consegui completar a frase, mas ela apenas assentiu, como se entendesse o que eu queria dizer. Então, apenas fiquei calado, esperando que ela começasse a falar.
Eu a vi engolir em seco e se afastar um pouco, praticamente grudando suas costas no sofá. Vi quando ela respirou fundo e abaixou a cabeça, fitando suas mãos, ainda entrelaçadas. Durante esse tempo, que ela provavelmente tomou para pensar em como começar, eu continuei calado, muito embora eu estivesse ansioso.
- Foi difícil partir — sussurrou, ainda fitando suas mãos. — Eu sabia que tinha, sabia que Laurent estava falando sério quando me ameaçou, ameaçou todos vocês, mas... ver o motorista do táxi seguindo até o aeroporto, sem saber se eu teria a chance, um dia, de me explicar, de contar por que eu tinha feito tudo aquilo... foi extremamente difícil.
Eu senti uma pontada no coração e meus olhos imediatamente se encheram de lágrimas ao ouvi-la dizer aquilo. Eu me lembrava da dor que eu tinha sentido quando eu descobri que ela tinha me abandonado — uma dor tão presente, tão nova — e lutei contra ela. Mesmo agora, depois de todo esse tempo, eu sofria. Trinquei o maxilar com força quando vi aonde meus pensamentos estavam indo, impedindo que as lágrimas caíssem. Não era o momento certo para chorar.
- Eu não sabia o que seria da minha vida dali para frente, mas nem mesmo conseguia pensar direito — continuou. — E nem me importava, também. Cheguei a Pittsburgh ainda meio incerta do que fazer e, depois de passar alguns dias em um hotel, eu comecei a procurar um emprego. Eu tinha um dinheiro guardado, então não precisava me preocupar de imediato com isso, mas não queria deixar para última hora. Por mais que eu... quisesse ficar quieta durante um tempo, por assim dizer, eu achei que era melhor ocupar minha mente com alguma coisa, ao invés de ficar parada.
Eu respirei fundo, sentindo o aperto em meu peito se tornando maior a cada minuto que passava. Senti uma pontada em minhas mãos e só assim notei que eu apertava a almofada com força. Soltei-a imediatamente e me recostei na poltrona, procurando me acalmar; ficar desesperado não me ajudaria em absolutamente nada.
- Participei de diversas entrevistas nos dias que se seguiram — sussurrou. O tempo todo ela mantinha seu rosto baixo, o que me impedia de ver seus olhos. E eu ainda não sabia se era bom ou ruim. — Até que cheguei à empresa que Jasper e eu trabalhamos. Ele me entrevistou, o que eu acho que você já sabe, e nós nos demos bem. Foi ele quem me informou, alguns dias depois, que eu tinha conseguido o emprego. E depois de dar uma olhada em todas as propostas que tinha recebido das empresa, eu decidi por começar a trabalhar ali.
Minha mente imediatamente voltou para o dia que eu tinha conhecido meu filho, meu Henry. Lembrava-me do quão assustado eu tinha ficado quando eu vi Jasper surgir com ele grudado nas pernas do tio, e de como eu tinha ficado completamente sem saber o que fazer. Nunca, durante todo o tempo que havia se passado, eu tinha imaginado que um dia Bella e eu tínhamos tido um filho.
- Eu era nova ali e havia muito o que provar, mesmo que meu chefe tenha elogiado meu currículo. — Bella levantou a cabeça pela primeira vez desde que tinha começado a falar e sorriu de forma triste. — Confesso que me esforcei mais do que devia, porque parecia mais fácil assim, sabe? Entregar-me ao trabalho, viver praticamente na empresa o tempo todo...
Eu aproveitei quando ela abaixou a cabeça novamente e fechei os olhos, porque agora parecia quase impossível impedir que as lágrimas caíssem. Meu coração batia de forma acelerada contra o meu peito e eu sentia que a qualquer momento seria demais lidar com aquelas emoções. Eu sabia exatamente do que ela estava falando. Afinal, quando Emmett enfim me convenceu a voltar a trabalhar, eu fiquei horas e horas na empresa, pensando que o trabalho me ajudaria a esquecer, a seguir em frente, muito embora, durante muito tempo, eu mantive a esperança firme e forte dentro de mim.
- Jasper e eu nos aproximamos com o tempo — ela soltou uma risada. — Ele me levava para almoçar, acho que meio assustado com o quão trabalhando eu estava. Nós não conversávamos muito, já que eu estava evitando me aproximar de alguém novamente. Nas primeiras semanas, eu achava que ser sozinha era o melhor.
“Jasper não desistia, no entanto. Ele continuava puxando assunto, falando de diversas coisas, querendo chamar a minha atenção, eu penso. Eu tentei me manter o mais distante que pude, já que não queria colocar mais ninguém em risco, mas ele sempre estava lá. Mesmo quando eu trabalhava mais do que nunca, ficava depois do horário... Ele dizia que eu precisava me distrair um pouco, que eu acabaria enlouquecendo, e, quando eu dei por mim, estava começando a confiar nele e permitir que ele entrasse um pouco nesse espaço que eu tinha criado só para mim.”
Ela tornou a parar e respirou fundo, não dizendo nada durante alguns minutos. Fiquei calado também, sabendo que eu poderia fazer alguma pergunta a qualquer momento, mas não encontrando força para fazê-las. Achei melhor esperar que ela terminasse de relatar tudo aquilo que tinha vontade e, caso eu tivesse alguma pergunta a mais depois, eu a faria.
- Alguns dias eram mais difíceis que outros, mas Jasper sempre estava lá — continuou. — Haviam momentos que eu queria comprar uma passagem e voltar correndo para Chicago, querendo me explicar, esperando que você pudesse me perdoar, mas eu sabia que não estaria colocando só a minha vida em risco... eu estaria colocando a de você e a de sua família também, e se algo acontecesse com vocês... eu me sentiria culpada demais.
Naquele momento, eu abri a boca, pronto para perguntar por que ela não tinha ao menos ligado, para aliviar o sofrimento de nós dois, nem que fosse um pouco. Porém, eu sabia a resposta dela mesmo ainda não tendo feito a pergunta. Nenhum de nós dois se contentaria com aquilo. Nós sempre iríamos querer mais. E, além do mais, quem garantia que Laurent não estava vigiando até as ligações que Bella estava fazendo?
- Eu aprendi a conviver com o vazio — sussurrou, tirando-me de meus devaneios. — Não era fácil e eu sabia que nunca seria, provavelmente, mas... tinha que tentar, não tinha? Deixei que Jasper me levasse para conversar, comecei a conversar mais um pouco com ele, embora eu nunca falasse demais, ainda com medo... Até que os enjoos começaram.
Eu me sentei direito no sofá, inclinando meu corpo em direção a ela, mais curioso do que nunca para saber sobre a gravidez. Doía saber que eu não tinha ficado ao lado dela em cada momento — porque eu sabia quão pirado e feliz eu ficaria quando soubesse que ela estava esperando um filho meu -, mas doía ainda mais não saber nada sobre ela. Já que eu não podia voltar atrás e viver aquilo com Bella, pelo menos, agora, eu podia saber mais um pouquinho sobre os nove meses que Henry passou em sua barriga.
- Eu enjoava com tudo — ela soltou uma risada. — Desde o meu perfume favorito, até bacon, o que eu amava... tudo me fazia correr até o banheiro mais perto. Escondi aquilo de todos o máximo que eu pude, achando que aquilo logo passaria, mas... não consegui negar aquilo por muito tempo. Fiquei desesperada quando pensei que poderia estar grávida, porque não sabia o que seria de mim, do bebê e de tudo caso fosse verdade. E quando o médico confirmou... bem, eu fiquei louca.
Apertei minhas mãos uma na outra, desesperado para criar aquelas imagens em minha mente. Bella preparando o café da manhã, sentindo o cheio de bacon e correndo até o banheiro... ou passando o seu perfume, o que eu tinha dado a ela, e tendo de correr até o banheiro também. Eu criei em minha mente momentos perfeitos, ao invés de focar na dor que crescia cada vez mais. Fingi que eu estava ali, seguindo-a até o banheiro, um sorriso bobo no rosto por saber a causa de tudo aquilo... fingi que eu estava ali quando o médico informou que ela estava grávida, quando ela desmaiou...
Eu gostaria de ter sido parte dessa gestação.
- Imediatamente, tudo o que eu tinha planejado para o futuro — que era, basicamente, trabalhar, trabalhar e trabalhar -, mudou. Eu quase comprei uma passagem, quase vim até aqui, te contar tudo, te explicar tudo, pedir que você não me odiasse, mas... eu... eu estava assustada, não sabia o que fazer.
“Contei a Jasper sobre a gravidez, assim como informei ao meu chefe. Eu ainda não tinha ideia do que seria da minha vida dali para a frente... Jasper tentou me perguntar do pai algumas vezes, mas eu sempre mudei de assunto, sempre pedi que ele não perguntasse nada daquilo...”
Ela suspirou.
- Eu passava os dias sem ter ideia do que seria a minha vida — disse. — Com o passar das consultas, das roupinhas e tudo o mais... Eu ainda estava assustada, mas... pensar que eu estava carregando nosso bebê... Eu nem mesmo tinha visto seu rostinho, mas já era completamente apaixonada por ele.
Eu imaginei isso também, mesmo que doesse. Imaginei como as consultas seriam, como seria observar sua barriga crescer... Balancei a cabeça, porém, quando as lembranças se tornaram muito dolorosas, porque eu sabia que choraria, caso continuasse a pensar em tudo isso.
- Por que não me avisou de alguma forma? — sussurrei, enfim a interrompendo. — Eu... eu sei que você estava com medo, que tudo era uma confusão, mas eu daria um jeito. Eu protegeria você, eu protegeria Henry... Eu... eu tinha o direito de saber, Bella.
Eu sabia que a minha voz denunciava o que eu estava sentindo, denunciava quão magoado eu estava com aquela situação. Eu sabia o porquê de Bella ter feito, sim, tudo aquilo, mas... ainda doía. E eu ainda não conseguia realmente entender.
E isso era meio... confuso.
Ela levantou a cabeça e me encarou, séria.
- Eu peguei o celular várias vezes, pensando em ligar para você e contar tudo — sussurrou. — Queria, mais do que tudo, poder falar que eu estava esperando um filho nosso, poder compartilhar cada momento com você, cada detalhe, por mais insignificante que parecesse, mas... eu não podia colocar você e sua família em risco. E, principalmente, eu não podia colocar Henry em risco.
Bella ficou calada durante alguns minutos, ainda sem me olhar, provavelmente pensando que eu tinha mais alguma pergunta para fazer, mas eu não tinha. Não naquele momento.
- Jasper me ajudou a encontrar um apartamento de dois quartos e a ajeitar tudo — continuou, quando notou que eu não diria mais nada naquele momento. — Ele continuava a tentar me fazer falar sobre você, a contar tudo a você, mas... eu não podia. Com o tempo, ele parou de insistir, embora ainda me perguntasse algumas coisas às vezes. E quando eu descobri que era um menino...
Ela tornou a parar de falar, um sorriso bobo no rosto. Eu me vi abrindo e fechando as mãos, como se estivesse me impedindo de ir até ela e puxá-la para um abraço.
- Imediatamente, a história do seu avô veio à minha mente e eu escolhi o nome dele — disse. — E embora meu pai e eu não fôssemos tão próximos quanto eu gostaria, eu escolhi colocar o nome dele em Henry também.
Eu assenti.
- E Charlie? — interrompi-a. — Você mantinha contato com ele? Ainda mantém?
- Você sabe como Charlie é, sempre quieto na dele, preso demais ao trabalho e à cidade natal — comentou. — Ele não fez perguntas quando contei que havíamos terminado. Quando contei que esperava um filho e que iria criá-lo sozinho, ele apenas perguntou se você tinha rejeitado a criança. Fiz questão de dizer que não era culpa sua, que você nem mesmo sabia que eu estava grávida. Ele questionou durante algum tempo, principalmente quando me visitava, mas acabou, assim como Jasper, aceitando. Nós conversarmos um pouco mais hoje e eu levo Henry para visitá-lo, assim como ele vem nos visitar às vezes... Não é muito, mas acho que já é alguma coisa.
Eu tornei a assentir.
- Enfim — sussurrou -, os meses foram passando, Henry foi crescendo cada vez mais... E chegou o dia do parto. Foi... assustador e excitante, ao mesmo tempo. Embora eu estivesse quase morrendo de dor, assim que eu o tive em meus braços... Foi mágico... Sempre vou ter esse momento em mente, não importe quanto tempo passe.
Eu me encolhi contra o sofá novamente, meus olhos disparando das minhas mãos para ela. Eu sabia que ela só estava contando tudo aquilo porque eu tinha pedido, porque eu queria, mas, mesmo assim, doía ter perdido tudo isso.
- Tirei licença durante alguns meses e juntei com meu mês de férias — falou -, para passar mais tempo com Henry. Ele era tão pequeno e tão dependente de mim... Às vezes, ele chorava durante à noite, não porque eu tinha que trocar a fralda, porque estava com cólica ou porque estava com fome, mas porque não queria ficar sozinho. Eu sentava em sua cadeira de balanço naquelas noites e ficava ali durante um tempo, contando sobre você para ele... Eu sei que errei muito e sei que deveria ter parado de investigar durante o começo, mas eu sempre falei dele com você.
Arregalei os olhos.
- Sério? — Eu me vi perguntando antes que pudesse me conter. — Mas... se você falava, como ele nunca me identificou como pai? Como ele nunca fez nenhuma pergunta do pai para mim, antes que eu contasse a ele quem eu era?
Bella fez uma pequena careta, uma expressão de culpa tomando conta de seu rosto.
- Eu falava de você o tempo todo quando ele estava em minha barriga e quando era novo — comentou. — Continuei falando quando ele passou dos dois anos e começou a entender um pouco, mas não falando de você como se fosse pai dele... Eu tinha medo de ele começar a querer te ver e eu não poder, naquela época. Não queria iludi-lo.
Eu assenti, mas não comentei nada.
- Entretanto, com o passar do tempo, eu fui me sentindo cada vez mais culpada — sussurrou. — Eu sabia que logo iria colocá-lo na creche, que ele conviveria com crianças que tinham os dois pais presentes... E pensar na possibilidade de escondê-lo de você, de vê-lo crescer sempre me fazendo perguntas... eu não podia ficar me esquivando. Por isso, assim que as ligações que Laurent fazia pararam e eu vi que ele não ligaria mais, eu decidi agir.
Quando ela parou de falar mais uma vez, eu pensei em como minha vida seria caso eu não tivesse meu filho em minha vida. Provavelmente, eu viveria enfiado na empresa para sempre. Henry tinha trazido luz, sentido.
Agora, eu não conseguia imaginar minha vida sem ele mais.
- Pensei em tudo o que eu tinha descoberto e, aos poucos, embora de forma sigilosa, eu voltei a fazer as minhas pesquisas. Consegui arrumar um curso na empresa de Londres e planejei tudo. Conversei com um advogado sobre o que eu precisava para mandar Henry para ficar com você, de forma que você pudesse tomar as decisões e não ter nenhum problema, e escrevi a carta, assim como separei algumas fotos. Conversei com Jasper e... pronto.
Ela sorriu um pouco e balançou a cabeça.
- Mandar Henry para cá e ir para Londres foi... surreal, assustador — completou. — Perdi a conta de quantas vezes quis desistir e voltar para os EUA, mas eu sabia que não podia. Henry só poderia ter uma vida ao seu lado, sabendo que tinha um pai e uma mãe que sempre o amariam e estariam ali por ele, caso eu resolvesse aquela situação de uma vez por todas, então, sim, eu fui.
Ela parou de falar e ambos ficamos calados durante alguns minutos, como se não tivéssemos nada mais para dizer.
- É isso — disse, por fim. — Acho que falei tudo, mas... se tiver alguma pergunta, pode fazer.
Ajeitei-me no sofá e fiquei calado durante mais algum tempo, tentando organizar meus pensamentos. Eu tinha uma pergunta em mente, uma que estava ali desde que eu tinha ficado sabendo que ela voltaria, mas... como perguntar?
- E você já pensou em como tudo vai ser quando suas férias acabarem? — sussurrei, criando coragem para indagá-la. — E quando, exatamente, elas acabam?
Bella suspirou, e mordeu o lábio inferior, remexendo-se no sofá. Eu me perguntei o que estava passando na cabeça dela, se ela tinha alguma ideia do quão tudo aquilo estava mexendo comigo.
- Eu estou de férias até o Natal — respondeu. — Devo ir embora no dia vinte e seis, ou algo assim.
Eu assenti e abaixei a cabeça, fitando as minhas mãos — fechadas em punho — durante algum tempo. Eu teria só mais algumas semanas com Henry e depois... depois ele voltaria para Pittsburgh. Eu não o veria mais todos os dias.
Eu abri a boca para perguntar como seria dali para frente, como eu veria meu filho, mas precisei pigarrear e engolir em seco; pensar em Henry vivendo longe de mim trazia lágrimas aos meus olhos e tornava difícil falar.
Afinal, eu tinha me acostumado a ter alguém para cuidar, a tê-lo perto de mim. Imaginar como as coisas seriam depois que ele fosse embora... era doloroso demais.
- Você poderá visitar Henry sempre que quiser, Edward. Vou tentar trazê-lo sempre, talvez de quinze em quinze dias... Algumas vezes todos os finais de semana... Vai depender do meu trabalho. Vou tentar pedir Jasper para vir quando eu não puder. Sei que ele gostou de Chicago e vai ficar feliz em voltar.
Eu assenti.
- Certo... Eu gostaria de registrar Henry antes de vocês voltarem, também. Já deveria ter feito isso, eu sei, mas queria que ele se acostumasse com a ideia de ter um pai antes de registrá-lo.
Foi a vez dela assentir.
- Eu pesquisei sobre isso — comentou -, antes de viajar para Londres. Você deverá ir a um cartório e registrar o reconhecimento da paternidade. O cartório vai enviar o caso ao juiz e o juiz vai pedir a minha autorização, já que Henry é menor. Deve durar cerca de alguns dias, um mês talvez, mas não deve haver nenhum problema.
Eu concordei.
- Vou olhar isso o quanto antes — sussurrei. — Quero tudo encaminhado antes de Henry e você irem embora.
Ela tornou a assentir, mas não disse nada.
A sala mergulhou em um silêncio um pouco desconfortável nos minutos que se seguiram. Diversas vezes, eu me vi abrindo a boca, pronto para perguntar como nossa relação — se é que ainda existia uma — ficaria, mas eu sempre tornava a fechá-la, sem saber como fazê-la. E antes que eu pudesse conseguir pensar em algo, eu escutei um grito vindo meu quarto.
Henry tinha acordado e estava chorando, gritando por mim. Imediatamente, qualquer assunto que eu tinha para conversar com Bella ficou para trás e eu me pus de pé, e disparei para o quarto. Eu a senti me seguindo, mas não olhei para trás. Rompi pelo quarto e acendi a luz, somente para encontrar meu garotinho chorando na cama, seus lindos olhos castanhos arregalados, seu lábio inferior tremendo.
- Ei — sussurrei, sentando na cama e o puxando para o meu colo. — O que foi? Você teve um pesadelo?
Ele assentiu, fungando.
- Você plomete que não vai embola, papai? — perguntou, seu rosto ainda escondido em minha camisa. — Plomete que não me abandona?
Eu senti meu coração apertar em meu peito por ele estar pensando isso — e também porque em breve eu teria que ficar longe, mas não por opção. Afastei-o de mim e sorri para ele, afastando tais pensamentos.
- Eu não vou te abandonar nunca, Henry, ok? — murmurei. — Foi apenas um pesadelo, campeão. O papai vai sempre estar aqui.
Ele assentiu, parecendo se acalmar um pouco.
- Dome comigo hoje, papai? — ele pediu.
Eu lancei um olhar para Bella, que estava parada perto da cama, sem saber o que dizer.
- Você pode dormir aqui hoje — ela comentou. — Eu durmo na cama dele, se não tiver problema.
Como Henry ainda estava grudado em mim, suas pequenas mãos fechadas em minha camisa com força, eu apenas assenti. Virei-me para ele e sorri, querendo terminar de acalmá-lo.
- Pronto, viu? — Beijei sua testa. — Papai dormirá com você hoje.
Ele sorriu.
Bella ficou com Henry enquanto eu corria até o banheiro para escovar os dentes. Quando eu voltei, ela estava depositando um beijo em sua testa.
- Eu te amo, Henry — ela sussurrou. — Mamãe te ama muito, ok? Não se esqueça.
- Amo você também, mamãe. — Ele jogou os bracinhos ao redor da mãe e a apertou com força, o que fez com que meu coração acelerasse ao ver quão lindos juntos eles eram. — Muito.
Assim que ela foi para o quarto ao lado, eu me deitei ao lado dele e o puxei para os meus braços. Beijei sua testa e fechei os olhos, esperando o sono tomar conta de mim.
- Papai? — Henry me chamou. — Te amo, tá? Muito também!
Imediatamente lágrimas tomaram conta de meus olhos e eu o apertei em meus braços, não acreditando que ele tinha dito aquilo, não acreditando que eu merecia uma criança daquela em minha vida, que tinha me ensinado a viver novamente. Ainda havia algumas coisas que eu gostaria de dizer e perguntar à Bella, mas eu as excluí da minha cabeça naquele momento e me foquei em Henry, meu pequeno milagre.
- Eu também te amo, filho — sussurrei, antes de me entregar ao sono. — Papai te ama muito.
Bella POV.
Eu fui para a cozinha assim que Henry e Edward foram para a creche e o trabalho, respectivamente. Não tinha conseguido dormir bem na noite passada, devido à nossa conversa, e queria tomar um café, antes de ir conversar com o proprietário do apartamento que Jasper tinha ficado durante o mês que morou, por assim dizer, aqui. Eu tinha achado melhor ficar lá durante esse período de férias, dando, assim, espaço a pai e filho.
Preparei um café e bebi, encostada à bancada da cozinha, pensando em como as coisas seriam no futuro, se Edward e eu tínhamos a chance de ficarmos juntos novamente. Entretanto, antes que eu pudesse chegar a uma resposta, a campainha tocou, o que me fez franzir o cenho e congelar. Edward não havia falado nada sobre um visitante...
Hesitei por um momento, sem saber se deveria atender ou não. Pensando, porém, que poderia ser uma faxineira ou algo assim, eu caminhei até a porta de entrada.
E encontrei alguém que não esperava encontrar.
- Olá, Isabella. — Alice sibilou, seus olhos verdes frios me fitando com atenção. — Acho que temos que conversar.
Notas finais
E esse Henry, hein? Como não querer apertar esse menino num abraço ao imaginar a cena dele falando que ama o papai dele? Por favor, que coisa fofa hahahaha.
Enfim, vamos ver o que acontece no próximo. O que será que a Alice falará com a Bella, hm? E será que ela encontrará o resto dos Cullen? hihihih.
Até domingo que vem, meninas (cruzem os dedinhos, porque o capítulo ainda não está pronto :x)
xx
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