Waiting For You
10 Capítulo Nove
Notas iniciais
Espero que gostem!
PS: Leiam a nota final, ok? (;
Edward POV.
Eu senti meu coração parar de bater durante um momento, enquanto minha cabeça se movia de forma rápida e frenética, à procura de um menino pequeno de três anos. Deixei o cereal que eu segurava cair, não conseguindo me focar em nada naquele momento.
Eu havia perdido meu filho na primeira vez que tínhamos ido ao supermercado juntos.
Deixando o carrinho de compras para trás, comecei a andar de forma desesperada pelos corredores, meus olhos disparando para todos os lugares. A cada momento meu coração batia mais forte e rápido, não conseguindo acreditar que aquilo tivesse mesmo acontecido.
E se… e se ele tivesse saído do supermercado?
- Por favor, com licença. – Eu parei duas senhoras que estavam escolhendo algumas frutas. – As senhoras viram um menino, pequeno, muito parecido comigo, usando jeans e uma camisa vermelha?
Elas sorriram gentilmente para mim, mas, para o meu azar, negaram.
Pelos próximos dez minutos, parei algumas pessoas e fiz as mesmas perguntas, até que encontrei o gerente. Ele passou a descrição de Henry para alguns funcionários e, juntos, começamos a procurar por ele.
- Tem algo que ele gosta muito? – o gerente me perguntou. – Algo que ele sempre compra quando vem ao supermercado, por exemplo?
Eu balancei a cabeça de forma negativa, até que um pensamento me ocorreu. Arregalei os olhos, começando a andar rapidamente, quase correndo, até um local específico do supermercado.
Caso ele não estivesse lá... Eu realmente não saberia onde se encontrava...
Porém, para o meu alívio, assim que entrei na sessão de chocolates, encontrei meu filho sentado no chão, rodeado por algumas barras. Ele tinha aberto somente uma delas e a comia com felicidade.
- Henry! – soltei um suspiro de alívio, correndo até ele.
Ele levantou a cabeça quando escutou seu nome e sorriu para mim, mostrando seu rosto todo sujo de chocolate. Ajoelhei-me ao seu lado e o puxei para os meus braços, apertando-o ali com força.
- Nunca, nunca mais faça isso comigo! – eu disse. – Por que você não me esperou?
Ele sorriu.
- Eu quelia chocolate, Edwad – respondeu. – Eu vim só escolher qual eu quelia.
Suspirei, tentando esconder um sorriso.
Agradeci ao gerente pela ajuda, garantindo que eu pagaria pelos chocolates, antes de voltar até a sessão que estava outrora e colocar todas as barras que Henry tinha deixado espalhadas no carrinho. Mantive minha mão firme na sua pelo resto das compras, me recusando a soltá-lo até mesmo quando eu necessitava usar as duas mãos.
Eu realmente não queria perdê-lo outra vez.
Quando terminamos as compras, eu o levei diretamente para o carro e o prendi na cadeirinha, antes de guardar as sacolas no porta-malas. Depois nos levei até em casa, me sentindo dez anos mais velho depois do que eu tinha passado hoje.
Deixei-o brincando no mesmo lugar de ontem, enquanto preparava o jantar. No entanto, antes que eu pudesse chamar Henry para se sentar, como havia feito na noite anterior, meu celular tocou.
E era Jasper.
- Ei, Edward – ele me cumprimentou. – Tudo bem por aí?
- Olá – sorri, depois suspirei. – Na verdade, tenho algo para te contar...
Narrei rapidamente tudo o que tinha acontecido hoje para ele, e depois de rir, ele me perguntou se eu tinha repreendido Henry.
- Repreender? – indaguei, erguendo a sobrancelha.
- É – tornou a rir. – Acredito que ele já tenha feito isso com Bella uma vez, quando era mais novo... Você precisa dizer a ele que isso não está certo. Comprar os chocolates que ele queria e deixar tudo como está… ele vai achar que está tudo bem sair de perto de um adulto e tal coisa vai se repetir mais vezes.
Suspirei.
- Eu… eu não sei se posso xingá-lo – murmurei, observando-o brincar da porta da cozinha. Ele mantinha um sorriso no rosto enquanto apertava os botões do controle remoto do carrinho. – Nós mal nos conhecemos e… e eu nunca fiz isso antes e... Não sei se vai dar certo.
- Você precisa aprender, não precisa? – indagou. – Ele está crescendo, é normal aprontar... Bom, deixe-me falar com ele, ok? Vou explicar que o que ele fez foi errado e depois você só reforça.
Eu ri.
- Obrigado por isso.
Caminhei até o fogão e desliguei o fogo, antes de me dirigir novamente à sala e chamar Henry.
- Seu tio quer falar com você – eu sorri, estendendo meu celular.
Sentei Henry no sofá e me sentei ao seu lado, enquanto o escutava falar com Jasper. Em algum momento, seu sorriso sumiu do rosto e ele ficou sério, somente concordando com tudo o que Jasper dizia. Quando eles terminaram, tornei a falar com ele e depois desliguei.
- Entendeu tudo direitinho, campeão? – indaguei. – Você não pode sumir assim... Nós não sabíamos para onde você foi e ficamos preocupados...
Ele assentiu, sua cabeça ainda baixa, e quando me fitou novamente, seus olhos castanhos estavam cheios de lágrimas.
- Antes de viajar, minha mamãe disse pala eu ser bonzinho... – disse. – Selá que agola ela não vai queler voltar mais?
Eu senti meu coração apertar em meu peito.
- Oh, Henry, é claro que ela vai voltar – puxei-o para o meu colo. – Ela nunca iria te deixar sozinho... Ela vai voltar quando puder, ok?
Ele assentiu.
- Só não faça mais isso, tudo bem? – indaguei. – Você realmente me assustou.
Ele tornou a assentir.
- Sinto muito, Edwad – disse. – Eu só quelia chocolate.
- Eu sei – sorri. – Mas da próxima vez, fale com o adulto que estiver com você, ok? Agora, vamos jantar e, depois, cama, mocinho.
Levantei-me, com ele ainda em meu colo, e fiz cócegas nele enquanto o levava até a cozinha, rindo de suas próprias risadas.
Era incrível como ele já tinha tomado conta do meu coração, embora estivesse na minha vida há tão pouco tempo.
Jantamos em meio a risadas e depois, eu tornei a começar a ler um livro para ele, mas, exatamente como na noite anterior, Henry não demorou muito para adormecer.
_
Henry e eu criamos uma boa rotina nos próximos dias que se seguiram. Incrivelmente eu me via aprendendo mais com ele, quando deveria ser o contrário. Continuei a ir para a empresa na parte da manhã e ficar até a tarde, enquanto Henry ficava na casa dos meus pais. No nosso primeiro final de semana juntos, mal paremos em casa. Fiz questão de levá-lo para passear em todos os locais que eu gostava de ir quando era pequeno, e fiz questão de conhecer locais novos também.
No entanto, à medida que o evento se aproximava, eu comecei a trabalhar mais, ficando mais tempo na empresa. No começo, ninguém da minha família questionou tal coisa; eles sabiam como eu ficava nesta época do ano. Eu sabia que deveria estar ficando mais tempo com Henry, mas… não conseguia. Reviver todas aquelas memórias do último evento que ela e eu tínhamos ido juntos… e em como ela me deixara pouco depois, como se não fosse nada demais.
Doía.
Mesmo depois de tanto tempo.
Voltei a querer o controle de tudo, como minha vida vinha sendo desde o momento em que eu aceitara que ela sumira e que começara a perder as esperanças de que não voltaria. Passei a deixar um Henry ainda sonolento na casa dos meus pais, por volta das seis da manhã, e pegá-lo – também já sonolento – à noite, às vezes até depois das dez.
Era uma época difícil e tudo o que eu queria fazer era trabalhar.
- Senhor Cullen? – Jessica me chamou, em uma terça, tirando-me de meus devaneios.
- Pois não, Jessica? – Eu a olhei rapidamente, tirando meus olhos da planta que estava analisando apenas por um segundo, antes de olhá-las novamente.
- Há uma ligação para o senhor na linha dois... – ela murmurou. – Eu disse que o senhor estava ocupado, mas ela insistiu...
Suspirei pesadamente, já adivinhando quem era. Somente uma pessoa era capaz de me interromper nestes dias, nesta época do ano.
- Tudo bem, Jessica – eu disse. – Eu vou atender a Srta. Denali.
Ela assentiu e se retirou, com um sorriso de desculpas no rosto, deixando-me novamente sozinho. Respirei fundo, e olhei para o telefone durante algum tempo, antes de puxar o fone, colocá-lo no meu ouvido e apertar o número dois.
- Olá, Kate – eu disse formalmente, voltando a olhar a planta. – Algum problema?
- Oh, Eddie, não vai nem perguntar como estou? – ela indagou, sem nem mesmo me responder, o que fez com que eu suspirasse.
- Estou um pouco ocupado aqui, Kate – murmurei. – Há algum problema com o evento?
- Não, não – disse. – Mas você disse que me ligaria, Eddie, e não ligou! Eu fiquei esperando você ligar, sabia?
Segurei o suspiro que queria escapar da minha boca, tentando com todas as forças focar minha atenção nas plantas e não em dar atenção aos dramas de Kate. Eu a conhecia há anos e já tinha desistido de lhe dizer que nunca teríamos nada. Todo ano ela tentava, sempre que tinha a oportunidade.
E infelizmente, ela era boa em seu trabalho. Porque se não fosse por isso...
- Sinto muito – eu murmurei, embora não sentisse. – Eu ando meio ocupado, então resolvi pedir a Jessica para te ligar... Não quero que nada dê errado, você sabe, por isso não podemos nos atrasar.
Ela soltou uma risadinha, e eu imediatamente fiz uma careta.
- Você vai ficar até tarde na empresa, não vai? – indagou, parecendo esquecer o fato de que estava “supostamente” magoado por eu não ter ligado. – Eu poderia passar aí, te fazer relaxar um pouco...
Fechei os olhos com força, não acreditando que ela tinha realmente dito aquilo.
- Não, Kate – respondi imediatamente. – Vou sair mais cedo, tenho compromissos com a minha família. E eu agradeceria se você parasse de falar comigo deste jeito, ok?
Ela riu, e eu bufei. Eu já não sabia mais o que fazer para livrar-me dela.
- Tudo bem… mas eu não vou desistir – disse. – Nos vemos em breve, Eddie!
Coloquei o telefone de volta ao lugar dele e voltei a prestar atenção às minhas plantas, sabendo que Kate tinha dito a verdade quando mencionara que não desistiria. Eu já tinha feito de tudo, provavelmente, e mesmo assim, mesmo depois desse tempo, ela continuava a insistir que deveríamos tentar ter um relacionamento.
Entretanto, não consegui voltar minha atenção ao trabalho. Ao invés disso, guiei minha mão até debaixo da mesa e puxei a chave que ficava pregada a uma fita ali. Ergui e a examinei, sentindo meu coração acelerado, antes de levá-la até a fechadura da primeira gaveta. Talvez fosse um erro guardar coisas como aquela ali, mas eu sinceramente não podia resistir.
Precisava olhar. Precisava comprovar que tinha sido real, mesmo que eu tivesse uma concreta vivendo comigo temporariamente.
Parei por um momento, com a gaveta já destrancada, ponderando se deveria fazer aquilo ou não. As memórias estavam surgindo a todo o vapor durante esses dias. Mesmo depois de ter mudado a data do evento, mesmo depois de todo o esforço que eu fizera… constantemente eu ainda me lembrava dela. E todo ano, não importava a data, perto do evento, eu ficava assim.
Suspirando pesadamente, e sabendo que essa era uma briga que eu não podia vencer, abri a gaveta e prendi a respiração ao ver o conteúdo da mesma.
Por ser uma gaveta trancada em um escritório, as pessoas poderiam pensar que era uma combinação de um cofre, ou algo da empresa que eu mantinha muito bem escondido e guardado, mas não era isso. Milhares de fotos de nós dois, presentes e outras coisas mais, ali estavam guardadas. Coisas que eu não era capaz de me livrar e nem de deixar na casa que há anos eu fingia que estava à venda.
Puxei uma das fotos, observando cada detalhe dela. Era uma simples, no penúltimo evento que fomos juntos, e Bella estava tão linda usando um vestido cinza, simples, que a valorizava...
Deixei meus olhos caírem em outras fotos e analisei cada uma delas. Parti para os pequenos presentes logo em seguida, e, por fim, avistei a carta...
A carta que ela deixara antes de ir embora da casa que era nossa, como se aqueles dois anos não tivessem acontecido. Lutei contra a memória desse dia, sabendo que eu só me sentiria pior caso revivesse tal coisa, e empurrei a carta para o fundo, não me sentindo preparado para relê-la, não hoje, não agora.
Respirei fundo, tornando a fechar a gaveta, sabendo que se não fizesse tal coisa naquele momento, eu nunca voltaria ao trabalho.
Permaneci na empresa até por volta das nove da noite, só saindo porque eu realmente estava precisando dormir. Jessica já havia ido embora há muito tempo – provavelmente sem entender porque até alguns dias atrás eu estava saindo tão cedo e porque agora eu voltara a sair tão tarde –, assim como todos os outros funcionários, só restando Jefferson, que mal notara a minha presença, como sempre.
Este já estava mais do que acostumado comigo trabalhando até tarde.
Dirigi em direção à casa dos meus pais, sabendo que Henry provavelmente já estava quase dormindo, como vinha acontecendo ultimamente. Estacionei o carro de qualquer jeito quando parei em frente à casa deles e saí, louco para ir para o meu apartamento.
Eu estava realmente precisando de um banho e de minha cama.
- Oi, filho. – Meu pai sorriu de forma gentil para mim quando abriu a porta. – Eu pensei que você iria chegar mais cedo hoje...
Dei de ombros, enquanto lhe dava um sorriso fraco.
- Dia agitado – eu disse, dando de ombros. – Henry já dormiu? Eu ficaria mais, mas preciso tomar um banho e dormir um pouco...
Meu pai suspirou.
- Não, ele quis esperar você – disse. – Você vai entrar?
Eu sabia que, se ficasse ali, minha mãe e irmã fariam perguntas que eu não estava disposto a responder, então apenas balancei a cabeça de forma negativa, uma desculpa já formada em minha mente.
- Não dá, sinto muito – murmurei. – Banho e cama, lembra? Eu prometo passar depois aqui.
Ele suspirou novamente, mas assentiu.
Minha mãe apareceu na porta rapidamente, com um Henry já sonolento no colo, apenas para me cumprimentar e ‘se certificar que eu estava bem’, de acordo com ela. Dei-lhe um abraço e um beijo, e prometi a mesma coisa que eu tinha prometido para o meu pai, antes de puxar meu filho para o meu colo.
- Edwad. – Ele disse, sorrindo assim que me viu. – A gente vamos blincar?
Eu sorri para ele, já o levando para o carro.
- A gente vai – corrigi. – Depois, ok? Eu estou um pouco cansado e tenho certeza que você também.
Coloquei-o na cadeirinha e entrei no banco da frente, já colocando o carro em movimento. Dirigi até em casa, perdido em meus próprios pensamentos. Tão perdido que eu tinha achado que Henry estava adormecido quando entramos na garagem do condomínio. Mas assim que fui pegá-lo no banco de trás, encontrei-o bem acordado, seus olhos me fitando com atenção.
- Sem sono, campeão? – eu indaguei, puxando-o para os meus braços. – Eu pensei que você tinha brincado hoje...
- Eu blinquei – disse, apenas.
Nós entramos em casa e eu já guardei tudo meu no lugar, antes de fazer a mesma coisa com a mochila de Henry. Levei-o para o banho e vesti seu pijama, e o carreguei até o seu quarto logo em seguida, já o colocando na cama.
- Você não gosta mais de mim, Edwad? – ele indagou, me assustando. Ele tinha se mantido calado desde que tínhamos entrado e eu só tinha pensado que ele estava cansado.
- Claro que eu gosto! – eu respondi, me sentando na ponta da sua cama. – Por que eu não gostaria?
- Você não blinca mais comigo – ele sussurrou. – Eu fiz bagunça?
Passei as mãos em meus cabelos, incerto do que responder.
- Eu não brinco com você porque estou um pouquinho ocupado, Henry – disse. – Não porque não gosto mais de você. Os próximos dias serão um pouco agitados, mas logo logo eu vou desocupar e nós poderemos voltar a brincar, ok?
Ele assentiu, seus olhinhos – tão iguais aos dela – brilhando de felicidade.
- Você plomete, Edwad? – indagou.
- Prometo – sorri.
Henry logo dormiu, mas, diferente dos outros dias, eu não saí de imediato. Apenas fiquei ali, observando a forma que seu peito subia e descia, sua respiração, ou como ele se revirava na cama às vezes.
Suspirando, inclinei-me na cama e depositei um beijo em sua testa, antes de ajeitar a coberta ao seu redor. Apaguei a luz e deixei a porta entreaberta, não querendo que ele se assustasse caso acordasse à noite. Por fim, fui até o meu quarto, após tomar um banho e colocar meu pijama, me joguei na cama.
E eu logo estava dormindo.
Não por muito tempo, no entanto. Talvez duas horas depois acordei ao ouvir pequenos passos pela casa, algo que me fez franzir a testa. Inclinei a cabeça um pouco, me perguntando se aquilo tinha sido minha imaginação, e voltei a deitá-la quando não ouvi nada, pronto para voltar a dormir...
E então, uma vozinha ecoou chorosa pelo meu quarto.
- Edwad?
Estiquei minha mão e liguei o abajur, apenas para dar de cara com um Henry ali. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e ele agarrava o peixe de pelúcia com força, apertando-o contra o seu peito. Eu imediatamente me sentei e o puxei para o meu colo, embalando-o.
- O que foi, campeão? – eu indaguei. – Aconteceu alguma coisa?
- Eu tive um sonho mal, Edwad – sussurrou contra a minha camisa. – Eu posso dormir aqui com você?
Sorri contra a sua cabeça e assenti, já mudando minha posição na cama. Coloquei-o no lugar que eu estava dormindo, apenas porque este já estava bem quente, e me deitei ao seu lado, arrumando meu enorme edredom ao redor de nós dois.
- Você quer falar do seu sonho? – eu indaguei, fitando seus olhos com atenção.
- Você plomete que não vai embola, Edwad? – ele devolveu com uma pergunta. – Plomete que vai blincar comigo?
Senti um aperto no meu coração e imediatamente o abracei.
- Claro que eu não vou embora, campeão – eu disse. – Prometo, ok? Ninguém vai deixar você.
Segurei-o nos meus braços e o embalei até que ele voltou a ressonar, desta vez mais tranquilamente. Não demorei muito para segui-lo, dormindo com ele ao meu lado, seu peixe de pelúcia deitado entre nós.
_
Continuei chegando tarde nos próximos dias, só querendo que aquele evento chegasse e passasse logo. Henry teve mais alguns pesadelos, e sempre me procurava à noite. Às vezes ele perguntava quando ela voltaria, quando seu tio voltaria… e às vezes me fazia prometer que eu não o deixaria.
E aquilo mexia comigo de uma forma que eu nunca tinha imaginado.
Quando enfim o dia do evento chegou, era um sábado, e logo pela manhã eu já estava desejando que ele acabasse. Minha mãe e meu pai geralmente iam, mas minha mãe, naquele ano, preferiu ficar com Henry, junto com uma babá – que eu contratara, apenas para que ela não se cansasse. No lugar dela, Alice iria, como acompanhante do meu pai.
E eu, como vinha acontecendo nos últimos anos, iria sozinho.
Despedi-me de Henry logo após o almoço, simplesmente porque não estava conseguindo lidar com os sentimentos que estavam tomando conta de mim naquele dia. Fui para a pequena academia que eu tinha – e que não usava há algum tempo – assim que ele saiu, mas não consegui ficar muito tempo ali. Correr e me exercitar não estava ajudando nem um pouco, por isso, segui para o bar, me servi com uma dose de whisky e comecei a beber.
Eu realmente precisaria de algumas doses para passar por aquele dia.
Me sentindo um pouco alegre, embora não estivesse bêbado, segui para o banho pouco antes do evento começar, mal me importando com o horário, para ser bem sincero. Tomei uma xícara de café e comi alguns salgadinhos antes de sair, apenas porque eu não queria dar uma vexame, e logo em seguida saí, torcendo para que tudo acabasse rápido.
E então, eu só teria que me preocupar com tal coisa novamente no ano que vem.
Empurrei um sorriso para fora do rosto assim que estacionei em frente à grande porta do salão e saí do carro, sendo alvo de vários fotógrafos. Entreguei à chave ao manobrista e continuei sorrindo enquanto seguia até a porta, acenando ocasionalmente. Geralmente, eu dava algumas entrevistas, falava algumas coisas, mas… não mais.
Não desde que ela partira. Fui rodeado por várias pessoas quando entrei, e pela próxima hora me vi fazendo pequenas rondas, conversando… e bebendo um pouco.
- Eddie!
Fiz uma pequena careta e pedi licença a um dos doadores, antes de me virar para trás e sorrir de forma gentil para Kate. Ela usava um vestido longo, lilás, e me olhou de cima a baixo assim que viu que tinha minha atenção.
- Você está ótimo, querido – ela sorriu. – Gostando de tudo o que planejei?
Eu sorri para ela e assenti.
- Claro que sim – respondi. – Obrigado por tudo, Kate.
Ela se inclinou e depositou um beijo em minha bochecha.
- Não há de quê, Eddie – riu.
A banda escolheu aquele momento para mudar de música, para uma mais lenta. Eu percorri o salão rapidamente, esperando encontrar alguém que pudesse me salvar do que eu sabia que aconteceria, mas não encontrei ninguém. Meu pai dançava contente com Alice pelo salão, e ambos riam.
- Ah, eu amo essa música! – ela tornou a rir. – Venha, Eddie, dance comigo.
Sabendo que ela não me deixaria em paz caso eu não fizesse tal coisa, eu a segui. Coloquei a mão na sua cintura e peguei sua mão, nos rodando pelo salão, mantendo uma distância razoável.
- Como anda a vida? – ela indagou, sorrindo. – Você anda trabalhando muito, aposto.
Eu sorri, e encolhi os ombros.
- O que posso dizer? – devolvi com outra pergunta. – Eu gosto do que faço.
Ela riu.
- Sei – murmurou. – Sabe, Edward, ultimamente você anda um pouco mais… feliz, não sei. Conheceu alguém que valha a pena?
Meu sorriso imediatamente morreu e eu desviei os olhos, não querendo falar de tal coisa.
- Olha, Kate, eu...
- Eu não te entendo, Edward – ela murmurou. – Juro. Eu sei que às vezes sou chata e que, mesmo quando você era compromissado, pego no seu pé. Mas, vamos lá, o que há demais em um encontro, hein?
Suspirei pesadamente.
- Eu não quero nada agora, Kate – disse. – Não estou pronto para isso ainda.
Ela sorriu para mim de forma gentil.
- Eu sei disso, mas… não estou pedindo por casamento nem nada disso – deu de ombros. – Apenas uma chance, sabe? Bella se foi, há quase quatro anos, e… eu sinto muito por dizer isso, mas… ela não vai voltar.
Afastei-me de Kate, meus olhos arregalados, meu coração batendo de forma forte. Olhei-a durante um segundo, sem saber porque tinha falado com ela aquilo e tinha aceitado que ela dissesse aquilo também, e saí, indo em direção à varanda.
Mas ela me seguiu.
Passei por um garçom e peguei uma dose de conhaque, engolindo-a e já pegando outra. Observei o movimento de Chicago pela varanda, sabendo que ela estava atrás de mim, mas não querendo que ela me visse naquele momento.
Falar de Bella neste dia… não era algo com o qual eu podia lidar.
- Ela te deixou, Edward – ela disse, alto o suficiente para eu escutar, já que ainda estava parada na porta. – Ela não vai voltar. Por que ficar esperando por ela, dizendo não a mim e a todas as outras mulheres que, eu sei, procuram por você?
Continuei calado, e queria poder dizer que eu não estava escutando o que ela estava dizendo, que aquelas palavras não estavam me atingindo.
- Só deixe ir – ela murmurou. – Viva por uma noite, esqueça do que aconteceu... Você pode ser feliz de novo, sabia? E mesmo que você não esteja pronto ainda, o que há demais em tentar?
Virei o resto do conhaque, engolindo-o em um só gole, e me virei, fitando Kate à minha frente. Ela me assistiu durante alguns segundos e logo se aproximou, seus olhos nunca desviando dos meus.
Assim que parou à minha frente, ela ergueu a mão e, com o dedo indicador, acariciou minha gravata. E quando voltou a falar, sua voz não passava de um sussurro.
- Você tem o direito de ser feliz – repetiu. – Você deve tentar... Eu não vou implorar por um namoro ou por um casamento… eu só quero uma chance. Vai doer se você fizer isso?
Segurei a sua mão que me acariciava cada vez com mais vontade, mas ao invés de separá-la apenas a puxei para mais perto de mim, fazendo-a ofegar. Deixei o copo em cima da mesa que havia ali e enlacei sua cintura, antes de descer meu rosto em direção ao dela e tomar seus lábios nos meus.
Eu poderia tentar, certo? Eu tinha esse direito, eu poderia seguir em frente. Eu tinha passado todos esses anos me lamentando, vivendo só para o trabalho… curtir um pouco não me faria nenhum mal, faria?
Empurrei Kate contra a parede próxima à porta e explorei mais de sua boca, evitando pensar. Somente segui meus instintos… e logo estávamos dentro de um dos banheiros do salão.
Não foi calmo, nem gentil. Nenhum de nós tirou completamente as roupas. Eu desci minha calça e minha cueca, e Kate apenas retirou sua calcinha e levantou seu vestido. Parei apenas por um momento, só para pegar o preservativo que eu sempre colocava na minha carteira, e eu logo a penetrei.
Rude, forte, em uma estocada só.
Enterrei minha cabeça em seu pescoço e a puxei para mais perto de mim, não sendo capaz de olhar em seu rosto naquele momento. E quando decidi fazer tal coisa, foi um erro, porque eu olhei em seus olhos – seus olhos castanhos – e não consegui mais me segurar.
Diversas memórias de todas as vezes que eu estive com Bella invadiram minha mente, cada uma delas não duravam mais de um segundo em minha mente, mas o suficiente para que meu peito se apertasse, ao mesmo tempo em que eu endurecesse ainda mais dentro de Kate.
- Oh, Eddie – ela gemeu, sorrindo, sua cabeça jogada para trás.
Seus olhos me fitaram novamente e ela puxou minha cabeça para si, beijando-me de forma forte, na mesma intensidade que os nossos movimentos em baixo. Puxou-me para mais perto dela, suas pernas me abraçando com mais vontade, enquanto suas paredes me apertavam por dentro. Movimentei-me com mais pressa e força, sabendo que ela estava chegando ao seu limite. E assim que ela alcançou o clímax, permiti alcançar o meu também.
E o banheiro, outrora coberto por barulhos nossos, se mergulhou em um profundo silêncio.
Apoiei minha cabeça no ombro de Kate, enquanto recuperava o fôlego, ainda dentro dela, sentindo-me um pouco tonto, mas ainda assim não bêbado, devido a todas as doses que eu tinha tomado e ao que acabara de acontecer.
E então, de repente, eu me arrependi.
Kate me perseguia por anos, e com o que tínhamos acabado de fazer, ela só iria piorar – eu tinha certeza. Deixar que ela me atingisse com algumas palavras – sendo verdades ou não – não fora o certo. Nada disso podia ter acontecido.
- Eu tenho que ir – murmurei, já retirando suas pernas da minha cintura e as colocando no chão.
Retirei a camisinha do meu pênis e a joguei fora, antes de começar a ajeitar minha roupa. Parei em frente ao espelho, o tempo todo evitando olhar para a mulher que ainda estava parada no mesmo local, e me arrumei o mais rápido possível. Quando terminei, caminhei até a porta e a destranquei, mas ao invés de sair, parei com minha mão na maçaneta.
- Eu sinto muito, mas isso não deveria ter acontecido – disse, enfim erguendo minha cabeça e a fitando nos olhos. – Eu… só esqueça, ok?
Saí de lá às pressas e dei uma parada no corredor, apenas para me recompor. Passei as mãos no rosto várias vezes, tentando me livrar do que eu havia feito há pouco, tentando me livrar de todas as memórias que tinham me invadido naquele momento – não só naquele momento, mas todas que tomaram espaço em minha mente durante aquela longa semana. Entretanto, quando saí daquele corredor e voltei para o salão, colocando um sorriso falso no rosto, eu sabia que não conseguiria me livrar de nada.
As lembranças que eu tinha com ela, com a mulher que iria se casar comigo, construir uma família comigo, me atormentavam há quase quatro anos.
E eu não tinha ideia se algum dia seria capaz de conseguir seguir em frente, sem um dia olhar para trás.
Notas finais
E todas que chutaram acertaram lol. Henry realmente foi à sessão de chocolates hahahaha. Esse menino é muito fofo ♥ E vou logo dizendo que nos próximos vocês vão se apaixonar ainda mais por ele (;
Enfim, espero que tenham gostado.
A gente se vê, se Deus quiser, no domingo que vem!
xx
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