Waiting For You

11 Capítulo Dez


Notas iniciais
Mais um domingo, mais um capítulo de menino Henry pra vocês!
Espero que gostem (;

Edward POV.

Peguei uma bebida ao voltar a circular pelo salão, ainda sorrindo, não querendo que ninguém descobrisse o que havia acontecido há pouco. Aos poucos, enquanto conversava com as pessoas, fui me sentindo mais calmo; ninguém parecia ter notado a minha ausência. Conversei com meu pai durante alguns minutos, ouvindo-o falar, feliz, sobre as doações que já havíamos recebido, e depois voltei a andar... Procurei conversar com todos, a todo minuto olhando o relógio, só querendo que as horas passassem mais rápido.

Parei por um momento durante alguns discursos – discursos que eu já não fazia há algum tempo – e me encostei na parede, me permitindo relaxar um pouco. Conferi o relógio, talvez pela décima vez em cinco minutos, e soltei um suspiro quando vi que ainda tinha mais umas duas horas pela frente antes que eu pudesse ir embora.

– Aproveitando a festa?

Eu virei a cabeça imediatamente e assenti de maneira automática quando vi minha irmã parada ali, seu rosto sério demais. Voltei meus olhos para a multidão, me perguntando se tinha alguma maneira de fazer com que o tempo passasse mais rápido.

Só de saber que, depois de hoje, eu só teria que me preocupar com este evento novamente no ano que vem...

– Sabe, Edward... – Alice de repente falou, fazendo com que eu voltasse minha atenção para ela novamente. Quando a olhei, percebi que ela não me encarava; ao invés disso, ela observava o discurso de nosso pai, que agradecia por todas as doações. – Todos nós, sua família e seus amigos, sabem que esses dias são difíceis para você, que você geralmente se mergulha no trabalho, se afasta um pouco...

Engoli em seco, tornando a olhar para frente, não querendo ver quando ela olhasse para mim.

– Eu acho que você pensa que somos idiotas e não notamos, mas enfim – ela deu de ombros. – Nós te respeitamos, afinal, sabemos pelo o que você passou há alguns anos...

– Aonde você quer chegar com isso, Alice? – eu a cortei, minha voz até gentil demais. – Eu sinceramente não estou com vontade alguma de ouvir um sermão agora...

Tornei a olhá-la, mas desta vez não desviei os olhos.

– Sei que é difícil, sei disso – murmurou. – Nós sabemos como você ficou durante semanas depois que ela se foi, mas… você tem um filho agora, Edward, alguém que precisa de você. Se afastar, fazer merdas, se desligar e mergulhar no trabalho… você não pode simplesmente decidir fazer isso.

Suspirei pesadamente.

– Se pegar com alguém no banheiro não é a coisa certa a fazer – soltou, fazendo-me congelar. Quando viu meu olhar, ela revirou os olhos. – Fala sério, você acha que eu não notei? Que meu pai não notou?

Engoli em seco.

– Alice, eu...

– Não tente negar, por favor, eu vi vocês se beijando na varanda – ela fez uma careta. – Tinha ido até você, porque vi o estado em que se encontrava enquanto caminhava para lá, e… devo dizer que estou impressionada. Muito impressionada. Kate, Edward? Jura? E logo aqui?

Abaixei a cabeça, sem saber o que falar.

– Você tem um filho – ela me lembrou. – Você gostaria que ele tomasse isso como exemplo? Que um dia ele tivesse um filho, o ignorasse durante um tempo e simplesmente se entregasse ao trabalho?

– Eu sei – murmurei. – Eu sei. Só tem sido… difícil.

– Henry sente sua falta – disse. – Ele brinca conosco, mas a todo o momento pergunta por você, sempre que o horário que você costumava chegar se aproxima. Ele não sabe que você é pai dele ainda, mas ele já gosta de você. Aproveite isso, Edward, aproveite seu filho agora.

– Eu sei – tornei a assentir.

Ela sorriu para mim.

– Ótimo – continuou. – Vai para casa agora, ok? Passe na casa dos meus pais, pegue seu filho, vá dormir... E amanhã, quando vocês acordarem, saia com ele, se divirta, ok?

– Não posso ir agora – fiz uma careta. – Sou o CEO da empresa, preciso ficar aqui, garantir mais doações e...

Ela revirou os olhos e ergueu a mão, me interrompendo.

– Vá, apenas vá – sorriu. – Eu e papai resolvemos tudo por aqui.

Eu pensei em lhe dizer mais alguma coisa, mas fiquei calado, sabendo que caso eu não aceitasse, ainda teria de ficar ali mais algum tempo. Abracei minha irmã e agradeci, e comecei o processo de me despedir de todos, alegando cansaço. Por fim, após falar com o meu pai, saí do salão e dirigi direto para a casa dos meus pais.

– Edward? – Minha mãe arregalou um pouco os olhos quando me viu. – Aconteceu alguma coisa?

– Não, não – sorri. – Eu sei que Henry já dormiu, provavelmente, mas eu passei para pegá-lo. Quero sair com ele amanhã, assim que ele acordar.

Minha mãe sorriu.

– Claro, querido – disse. – Entre, vou levá-lo até a ele.

Peguei a mochila de Henry e guardei tudo, antes de pegá-lo no colo e levá-lo com cuidado até o meu carro. Ele não acordou enquanto eu fazia tudo isso, o que agradeci. E nem mesmo quando o tirei do carro e o pus na sua cama, assim que entramos no meu apartamento.

Sentei-me na ponta da mesma durante algum tempo, observando-o dormir, pensando no que Alice tinha me dito mais cedo. Eu tinha perdido três anos da vida de Henry. Não acompanhara a gravidez, não o tinha visto nascer e nem crescer... Não sei qual foi a primeira palavra dele e nem mesmo estava lá para ajudá-lo a andar quando ele precisou... Não sei o que é ser um pai, não sei como criar uma criança. Eu não era perfeito, sabia que cometeria erros ao longo do caminho… mas eu sabia também que não podia fazer tal coisa com ele. Mesmo que eu não conseguisse esquecer do que a mãe dele tinha feito, mesmo ela tendo o escondido de mim durante todo esse tempo... Alice estava certa; eu tinha que aproveitar.

E eu faria isso.

Inclinei-me na cama e acariciei seu rosto, sentindo algo muito poderoso tomar conta de mim. Henry estava na minha vida há pouco tempo e eu sabia que ainda tinha muito o que aprender, mas eu já o amava. Ele era meu filho. Alguém que contaria comigo para sempre.

E eu não podia decepcioná-lo.

Ainda não tinha ideia de como iria fazer tudo isso.

Mas, pelo menos, eu iria tentar.

Edwad? – Henry abriu seus olhos castanhos quando eu depositei um beijo em sua bochecha e me encarou, sonolento.

– Ei, campeão – eu sorri. – Volte a dormir, ok? Durma, porque amanhã nós vamos sair bem cedinho.

Ele sorriu, mas não disse nada, dormindo logo em seguida. Observei-o durante alguns minutos e beijei sua testa novamente, antes de me dirigir para o meu quarto. Retirei minha roupa com pressa, antes de seguir para o banheiro, querendo tirar de mim o que havia acontecido neste mesmo dia. Deixei que a água batesse em meu corpo e encostei minha cabeça na parede, perguntando-me por que eu tinha feito aquilo com Kate.

Eu já estava arrependido e não tinha se passado nem um dia.

E tinha a absoluta certeza de que ela ficaria ainda mais grudada em mim – se é que isso era mesmo possível.

Terminei de tomar meu banho alguns minutos depois e me joguei na cama, após colocar uma cueca e uma calça qualquer. Suspirei pesadamente, pensando em tudo o que Alice tinha me dito, principalmente sobre como Henry se sentia.

Peguei-me sorrindo ao pensar em tudo o que já começava a planejar para nós dois e não demorei muito a dormir, ansioso para que o dia seguinte chegasse.

_

Eu senti algo me incomodando no braço, não algo que doía, longe disso, mas resmunguei, tornando a me ajeitar contra as cobertas, esperando que o sono voltasse… somente para algo novamente me cutucar no braço, seguido por uma vozinha que eu conhecia bem.

Algo que me fez sorrir.

­- Edwad? – Henry me chamou, sua voz não passando de um sussurro. Parecendo não satisfeito por eu não ter acordado, ele tornou a me chamar logo em seguida, sua voz um pouco mais alta do que o normal: – Edwad!

Sem conseguir segurar o riso, eu gargalhei alto, finalmente abrindo meus olhos e encontrando um garotinho um tanto quanto emburrado, seus cabelos – tão iguais aos meus – bagunçados e seu rosto ainda um pouco amassado; não parecia que ele estava acordado há muito tempo. Ele abriu um sorriso assim que me viu, seus olhinhos castanhos brilhando, e tentou escalar a minha cama. Eu o ajudei, puxando-o para o meu lado.

– Bom dia, campeão – murmurei. – Algum problema?

– A gente vamos saí? – ele indagou, se sentando e me encarando com atenção.

Eu sorri para ele e estendi a mão, bagunçando seus cabelos ainda mais.

– A gente vai – corrigi. – E sim, vamos. Deixe-me só levantar, preparar um café para a gente, arrumar e iremos, ok?

Ele assentiu.

– Tá bom! – disse.

Utilizei o banheiro rapidamente, enquanto pedia a Henry que escolhesse a roupa que ele queria vestir naquele dia. Segui para o seu quarto logo em seguida e o ajudei, antes de arrastá-lo para o banheiro e deixá-lo mais ou menos pronto. Tudo o que tínhamos que fazer era vestir sua roupa e calçar seus tênis; eu não seria louco de fazer isto antes de ele tomar seu café da manhã, é claro.

Comemos panquecas com calda de chocolate e leite para acompanhar, como nós gostávamos. Henry comeu mais depressa do que normalmente, aparentemente ansioso para sair comigo. Isso fez com que eu me sentisse um pouco culpado; eu estava tão concentrado em minha vã tentativa de esquecer do passado, que nem mesmo de dei conta de que ele sentia minha falta.

Arrumei-o e me arrumei rapidamente assim que terminamos de tomar café, pouco me importando em cuidar da pequena bagunça que tínhamos feito naquele dia. Se tudo desse certo naquele dia, Henry ficaria cansado quando chegássemos em casa à noite e eu teria tempo para cuidar de outras coisas enquanto ele estivesse dormindo.

– Pra onde vamos, Edwad? – ele me indagou, depois que estávamos prontos e a caminho da garagem.

– Você vai ver – eu disse.

Pela manhã, o levei ao parque e o assisti brincando com outras crianças. Ele parava a cada cinco minutos, apenas para ver se eu continuava o assistindo, e sempre acenava ou me mostrava algo que ele estava fazendo, o que me fazia sorrir.

Como eu já podia estar completamente na mão de um garotinho de três anos, que eu conhecia há tão pouco tempo?

Na hora do almoço, levei-o até um restaurante – resistindo aos seus olhos pidões quando eu disse que não iríamos comer um sanduíche naquele dia –, e deixei que ele escolhesse o que ia comer e ainda tivesse sua sobremesa. Depois disso, fomos até lugares que eu gostava de ir quando criança, embora muitos deles tivessem mudado. Eu apenas queria que Henry conhecesse um pouco mais sobre seu pai, mesmo que ele ainda não soubesse que eu era isso dele.

Eu tinha mais coisas planejadas para nós, talvez outra ida ao shopping ou um passeio à casa dos meus pais, mas decidi voltar para o condomínio e levar Henry até a piscina do mesmo. Da última vez que tínhamos nadado na casa dos meus pais, ele tinha adorado, e eu sabia que ele se divertiria novamente.

Coloquei uma sunga nele e peguei a minha, antes de descer até a área de lazer do meu prédio, que estava incrivelmente vazia – o que eu até agradeci. Passei protetor solar no meu filho e coloquei sua bóia, antes de levá-lo até a piscina e entrar com ele.

Passamos horas e horas nadando, jogando bola dentro da piscina um para o outro, eu brincando de correr até ele, fingindo ser um tubarão... Naquela tarde, esqueci de todos os problemas e me preocupei somente em me divertir com Henry, como não fazia há algum tempo. Fiz com que ele parasse um pouco, apenas para que tomasse um suco e comesse alguma coisa, e fiz com que esperasse alguns minutos, antes que voltasse a entrar na água.

Conforme a tarde foi avançando, crianças e mais crianças, juntamente com outras pessoas, foram chegando à área da piscina, e Henry começou a se divertir com todas elas, dando-me um tempo para descansar. Permaneci sentado em uma das cadeiras próximas à piscina, de olho nele. Eu não confiava totalmente nas bóias que usava.

– Senhor Cullen?

Desviei os olhos do meu filho por um momento, somente para encontrar a Sra. Wood, sorrindo para mim de forma gentil. Eu a cumprimentei de volta e olhei rapidamente para Henry, apenas para checá-lo.

– Aquele garotinho ali é o seu filho, não é? – ela indagou, se sentando na cadeira ao meu lado. Eu tornei a sorrir e assenti, não podendo esconder o quão orgulhoso eu estava de ser pai dele. – Ele é realmente parecido com o senhor...

– Eu sei – disse-lhe. – Todo mundo diz isso.

Ela riu.

– Eu não sabia que você era pai... – ela se inclinou, sorrindo para mim mais do que deveria sorrir, e eu imediatamente fiquei tenso.

– É, bem – dei de ombros. – Eu sou...

Henry escolheu aquele momento para me chamar, o que eu agradeci muito. Afastei-me da Sra. Wood com um aceno rápido, me aproximando da piscina e me abaixando.

– O que há, carinha? – eu indaguei, passando minha mão em seus cabelos extremamente molhados.

– Você não vai blincar comigo mais, Edwad? – ele perguntou. – Vem jogá bola com a gente!

Como eu poderia dizer não a ele?

Quando subimos para o meu apartamento, se passava das seis horas. Henry tinha insistido para que ficássemos mais um pouco, mas estava esfriando e já tínhamos passado a tarde praticamente toda na piscina, então insisti para que subíssemos, tomássemos um banho e assistíssemos um filme juntos.

E ele aceitou.

Dei-lhe um banho e tomei o meu rapidamente, com a porta do banheiro do meu quarto aberta, enquanto Henry assistia a um desenho deitado na minha cama. Depois que saí, deixei-o brincar em seu quarto enquanto eu preparava o jantar para nós dois.

Lasanha. Somente porque eu sabia que ele gostava.

Eu estava terminando de colocar os pratos na mesa, enquanto a lasanha ainda estava no forno – e provavelmente ficaria lá durante mais alguns minutos –, quando Henry chegou correndo na cozinha, um sorriso enorme no seu rosto.

– O que foi, amigão? – eu indaguei, pegando a jarra de suco na geladeira.

Ele balançou uma folha de papel para mim.

– Eu fiz um desenho pala você, Edwad – ele disse, ainda sorrindo.

Sentindo meu próprio sorriso crescer em meu rosto, andei até a ele e peguei o papel em sua mão, sentindo um sentimento bom tomar conta de meu coração.

– Oh, Henry – eu me ajoelhei ao seu lado, ainda analisando o desenho. – Obrigado.

Ele sorriu, batendo suas mãozinhas de forma animada.

– Você gostou, Edwad?

Eu apenas assenti, incapaz de dizer qualquer outra coisa.

Ele tinha desenhado dois palitinhos, um homem alto, com olhos verdes e cabelos vermelhos, e uma criança ao seu lado, com cabelos vermelhos também e olhos castanhos. Havia uma piscina ao lado dos dois e alguns brinquedos, e mesmo sendo um desenho simples, que qualquer criança deveria fazer para o seu pai e mãe, eu não pude deixar de pensar em quão sortudo eu era.

Durante quatro anos eu tinha me martirizado, tinha mergulhado no trabalho sem ver sentido algum na vida, já que Bella tinha me deixado e não tinha dado indício algum de voltar. Eu ainda sofria muito com sua partida e não tinha alguma ideia se algum dia seria capaz de me esquecer completamente, mas ela tinha me dado um presente.

Ela tinha me dado Henry.

– Obrigado, amigão – puxei-o para um abraço. – Eu adorei.

Ele sorriu novamente.

– Eu posso fazer outlo desenho, Edwad? – ele indagou.

Eu ri.

– Claro que pode – baguncei seus cabelos. – Apenas não demore muito, ok? O jantar está quase pronto.

Deixei-o voltar para o seu quarto e fiquei olhando para o desenho durante mais alguns minutos, antes de seguir para o meu escritório e guardá-lo ali. Seria bobo demais se eu comprasse algo somente para emoldurar aquele pedaço de papel?

Eu chamei Henry para jantar quinze minutos mais tarde, assim que a lasanha esfriou um pouco. Ele ainda não tinha terminado o desenho, mas eu prometi que o deixaria fazer isso quando terminássemos de jantar. Coloquei-o na cadeira um pouco mais alta, que eu havia comprado especificamente para ele, e coloquei seu babador.

Eu me peguei sorrindo enquanto comíamos, satisfeito por ele ter ficado feliz pelo simples dia que tínhamos tido. Eu não tinha feito nada demais, nem comprado nada para ele, só saído e me divertido, e ainda assim, ele agia como se tivesse sido a melhor coisa do mundo.

– Eu posso desenhar agola, Edwad? – perguntou. – Já comi tudo!

Eu me levantei e o ajudei a descer da cadeira, retirando seu babador e conferindo se ele não tinha sujado seu pijama. Depois disso, deixei-o ir para o quarto e arrumei tudo por ali. Assim que terminei, liguei para a minha mãe e para Jasper, apenas para conversar rápido com eles e lhes informar sobre Henry.

Caminhei para o quarto do mesmo quando finalizei ambas as ligações, sabendo que estava tarde e que provavelmente deveríamos ir dormir.

– Ei, terminou o desenho? – Eu perguntei a ele assim que entrei no quarto, encontrando-o espalhado pelo chão, com folhas, lápis de cor e canetinhas ao seu redor. – Está na hora de dormir.

Ele assentiu e se levantou, trazendo para mim outra folha. Eu sorri para ele antes mesmo de pegá-la e me abaixei ao seu lado, trazendo-o para um abraço e já puxando o desenho para as minhas mãos.

E ao olhar para o desenho, eu senti meu coração parar de bater por um segundo.

Desta vez havia três pessoas nele. Eu, Henry e… ela. Seus olhos tinham o mesmo tom do de Henry, o que me fez sorrir. Ela estava ao lado do filho, a mão na dele, e eu estava do outro lado, segurando sua mão também.

– É a mamãe, campeão? – Eu consegui dizer, enquanto engolia em seco.

– É sim, Edwad – respondeu. – Eu gosto de você, sabia? E eu tenho ceteza que minha mamãe vai gostar também! Por isso eu desenhei a gente!

Engoli em seco, e assenti para ele, incapaz de dizer qualquer outra coisa.

Agradeci-o pelo desenho alguns minutos depois e o levei para o banheiro, onde o fiz escovar os dentes e perguntei se ele precisava de alguma coisa antes de ir dormir. Deitei-o em sua cama e arrumei a coberta ao seu redor, pegando um livro e começando a ler para ele. Mas como o dia tinha sido agitado para nós dois, ele logo dormiu, seu peito se movendo lentamente devido à sua respiração.

E ali, enquanto eu o observava dormir, eu me lembrei de quando eu conheci a sua mãe.

A mulher que, literalmente, virou meu mundo de cabeça para baixo.

Flashback.

Eu corri o mais rápido que pude para o meu carro assim que fiquei pronto para ir à reunião que eu tinha marcado às nove da manhã, em uma Starbucks próxima ao aeroporto. Eu preferia realizar reuniões como essa em minha empresa, sentado confortavelmente à minha mesa, mas o cliente tinha que pegar um avião ainda nesta manhã e como eu queria resolver o assunto o quanto antes, resolvi aceitar sua sugestão.

Eu não estava atrasado nem nada do tipo, mas procurei ser rápido enquanto seguia em direção à Starbucks, querendo chegar lá antes de Marcus. Fiz meu pedido e o peguei, antes de me sentar à mesa e esperar por ele.

Nós resolvemos tudo mais rápido do que eu esperava, até. Assim que todos os papéis estavam assinados e tudo estava resolvido, eu segui em direção à empresa. Tive um dia um pouco mais agitado que o normal, cheio de contratos para fechar, revisar e conversas com os advogados responsáveis pelos bens da empresa. Quando eu saí da mesma, já se passavam das oito da noite… e eu ainda tinha que passar no supermercado.

Procurei ser rápido e preciso enquanto pegava tudo o que eu precisava para o decorrer daquela semana. Eu sabia que teria de voltar no final de semana, mas, até lá, eu teria mais tempo e poderia voltar com mais calma.

Puxei meu carrinho e virei em um corredor, minha cabeça baixa enquanto eu verificava do que eu mais precisava. Estava tão concentrado e com pressa que não percebi outra pessoa correndo em minha direção, e antes que eu me desse conta, ela estava no chão e as coisas que carregava em sua mão espalhadas ao seu redor.

– Me desculpe – eu pedi, movendo ao redor do meu carrinho e me abaixando, somente para ajudá-la a pegar tudo aquilo que precisava.

– N-não, tudo bem – ela gaguejou. – A culpa foi minha...

Levantei a cabeça quando escutei sua voz e parei com um pacote de macarrão nas mãos quando a vi, sentindo meu coração parar de bater por um momento. A morena diante de mim tinha a cabeça um pouco baixa, enquanto juntava umas latas de molho ao seu redor, mas mesmo assim, eu conseguia vê-la com perfeição.

A luz do supermercado batia em seu cabelo castanho, mostrando umas mechas meio avermelhadas. Seu rosto estaria completamente pálido, se não fosse pelo tom rosado que tomava conta de suas bochechas; em um momento de devaneio, eu me perguntei qual seria a textura dele e se o local corado estaria quente. Sua boca era rosada e estava entreaberta, e vez ou outra, ela mordia o lábio inferior, dando a ele um pouco mais de cor. E por fim, quando ela levantou o rosto, eu pude ver seus olhos; olhos do tom mais intenso de chocolate.

Ela era incrivelmente… linda.

Engolindo em seco e balançando a cabeça, terminei de juntar suas coisas e me pus de pé, estendendo a mão livre e a ajudando a se levantar.

– Novamente, me desculpe – eu murmurei, sorrindo para ela.

Ela corou novamente e assentiu.

– Tudo bem – sorriu. – Foi minha culpa, estou um pouco mais apressada do que o normal.

Peguei um cesto que estava largado mais ao canto do corredor e coloquei suas coisas ali dentro, antes de entregar a ela. Ela tornou a agradecer, seu rosto o tempo todo corado. E eu achava isso simplesmente adorável.

– Sou Edward – estendi a mão, apertando a muito macia dela na minha.

Perguntei-me novamente se o rosto dela seria tão suave quanto a mão, e se ela me permitiria confirmar minha teoria.

– Bella – ela murmurou.

– Você mora por aqui, Bella? – eu indaguei, antes que pudesse me conter, adorando a forma que seu nome saía de meus lábios.

Ela assentiu, parecendo meio confusa pela minha pergunta. Eu apenas sorri, satisfeito com sua resposta.

– Então, acho que nos vemos mais vezes por aqui – eu disse apenas, antes de acenar e começar a me afastar.

Mas antes que eu pudesse chegar ao final do corredor – já tendo esquecido completamente o que eu tinha ido comprar ali –, ainda a escutei sussurrar.

– É… acho que nos vemos por aqui.

Fim do Flashback.

Respirei fundo, balançando a cabeça e não querendo pensar nisso, e voltei a fitar Henry.

– Eu já não posso pensar em não te ter mais na minha vida, campeão – sussurrei, enquanto velava o seu sono.

Depositei um beijo em sua testa e tornei a ajeitar sua coberta ao seu redor. Após ficar mais alguns minutos ali, apenas o assistindo dormir, levantei-me e segui para o meu quarto, prometendo a mim mesmo que eu repetiria dias como este com Henry.

Eles, definitivamente, valiam à pena.

_

Nós fomos almoçar com meus pais e Alice no domingo, e novamente Henry nadou, só que desta vez na casa dos meus pais. No decorrer do dia, ele foi ficando mais quieto, querendo só ficar perto de mim, então eu decidi que era melhor nós voltarmos para o meu apartamento.

– Eu posso assistir desenho no seu quato, Edwad? – ele me pediu assim que chegamos.

Eu assenti para ele e o levei até lá, deixando-o deitado na minha cama, assistindo um de seus desenhos. Aproveitei tal coisa e peguei alguns papéis no escritório, decidido a analisá-los enquanto vigiava Henry.

Ele não quis brincar mais naquele dia, o que eu estranhei um pouco. Relutou para comer – mesmo sendo a lasanha que tinha sobrado na noite anterior –, o que era um pouco estranho, e foi dormir um pouco mais cedo do que o costume.

Mas eu somente achei que ele estava cansado devido ao dia que tínhamos tido.

Aproveitei e fui dormir cedo também, já que trabalharia no dia seguinte. Joguei-me na minha cama e me envolvi nas minhas cobertas, e não demorou muito e logo eu estava dormindo...

Somente para ser acordado por alguém me chamando cerca de duas horas depois.

– Henry? – eu murmurei, grogue, mal abrindo os olhos. – Está tudo bem, campeão?

– Eu tive um pesadelo, Edwad – sua voz soou manhosa. – Eu posso deitar com você?

Ainda sentindo muito sono, apenas estiquei meu braço e o puxei da melhor maneira que pude, aconchegando-o nos meus braços. Levantei minha mão e fui afastar seu cabelo da sua testa, como eu já estava acostumado a fazer, e me afastei quando a senti quente demais.

Imediatamente me sentei na cama e o analisei melhor, agora não me sentindo nem um pouco com sono. Ele já tinha voltado a fechar os olhos, mas não parecia estar dormindo. Estava suando um pouco e seu pijama estava um pouco molhado.

– Henry? – eu chamei, inclinando-me um pouco para ele. – Você está passando mal, amigo?

Ele resmungou.

– Minha gaganta dói, Edwad – ele sussurrou. – E minha cabeça também. Aqui, óh...

Senti meu coração apertar quando o vi apontar para a sua testa, e olhei de um lado para o outro, sem saber o que fazer. Eu tinha passado dois dias nadando com ele, até mais tarde do que deveria, e provavelmente era por isso que ele tinha ficado doente...

E agora, o que eu deveria fazer?

Sentindo-me desesperado – e sem me importar com as horas – eu peguei meu celular e disquei para o celular do meu pai. Podia não ser nada, mas eu não queria arriscar. Eu não tinha ideia do que fazer com uma criança doente e eu queria saber, pelo meu pai, se eu deveria levá-lo a um hospital.

Edward? – Meu pai atendeu imediatamente. Eu ouvi a televisão ao fundo e soltei um suspiro de alívio; eu não o tinha acordado. – Está tudo bem?

– Henry está com febre, dor de garganta e cabeça – eu disse, sem perder tempo. – O que eu faço? Será que eu o levo para o hospital?

Surpreendentemente, meu pai riu.

Você verificou a temperatura dele primeiro? – ele perguntou.

– Eu… eu não tenho um termômetro aqui – disse. – Acho melhor levá-lo ao hospital, eu não sei o que...

Respira, Edward. – Carlisle me interrompeu, ainda rindo. – Toda criança adoece. Vou me trocar e estarei aí dentro de alguns minutos, ok? Por que você não prepara um banho frio para Henry enquanto isso?

– Certo – eu respondi. – Um banho frio. Eu posso fazer isso.

Agradeci ao meu pai e desliguei, voltando minha atenção para o meu filho. Ajeitei-o no meio da cama, assim ele não cairia caso se movesse muito bruscamente, e corri para o banheiro. Liguei o chuveiro e tampei a banheira, deixando que a água se enchesse. Verifiquei a temperatura cerca de cinco vezes, antes de voltar ao quarto e puxar o corpo de um Henry meio sonolento e resmungando um pouco para os meus braços.

– Daqui a pouco você vai se sentir melhor, filho – eu murmurei, enquanto retirava seu pijama. – Eu prometo.

Eu estava terminando de secá-lo quando o meu pai entrou no quarto, sua maleta na mão. Ele pegou seu termômetro e se sentou na cama, enquanto conversava gentilmente com Henry.

– Respira, Edward – ele riu. – Eu te disse, a coisa mais normal do mundo é criança adoecer, se machucar...

Deixei-o com Henry por alguns minutos e fui até o banheiro, cuidar da pequena bagunça que eu tinha feito ali. Quando eu voltei, Henry já estava vestido com uma roupa mais fresca e dormia tranquilamente.

– O que ele tem? – eu indaguei.

– Não é nada sério, como eu disse – ele sorriu. – Já lhe dei um remédio para abaixar a febre. Gostaria de verificar sua garganta amanhã novamente, apenas para ver se há alguma placa, se ele vai precisar de antibióticos...

– Tudo bem – eu assenti. – Você vai dormir aqui, não vai? Porque se ele piorar eu não sei o que fazer, e...

– Edward, respire. – Carlisle repetiu aquilo pela décima vez, tornando a rir.

– É minha culpa, pai – eu disse, um pouco desesperado. – Eu o deixei brincar demais na piscina, não o olhei direito e… eu não faço nada direito...

Meu pai revirou os olhos.

– Vou ter que te pedir para parar de falar mais uma vez? – ele me interrompeu. – Henry está bem, filho. Vou deixar o remédio de febre com você e caso ela suba novamente, é só dar a ele, ok?

Suspirei pesadamente, e assenti.

– Certo – respondi, olhando rapidamente para o meu filho. – Desculpe-me te fazer vir aqui, pai, é só que...

Ele sorriu.

– Tudo bem – deu de ombros, enquanto fechava a sua maleta. – Me ligue se precisar de algo, ok?

Segui meu pai até a porta de entrada do apartamento e acenei para ele antes de fechar a porta. Voltei então para o meu quarto e observei Henry durante alguns minutos e sorri ao vê-lo parecer estar mais tranqüilo depois de ter tomado o remédio.

Edwad? – ele sussurrou de repente, mal abrindo seus olhinhos. – Deita aqui comigo...

E mesmo sabendo que eu não iria conseguir dormir direito, eu obedeci.

Notas finais
N/A: *um minuto de silêncio para sofrer de fofura por causa do Henry*
Meu Deeeus, essa criança é muito fofa! Até eu fico toda sofrendo de amores quando o escrevo haha. Quero roubar para mim, apenas.
Alguém aí se candidata a cuidar dele doente, hein? haha.
Enfim, meninas, como vocês podem ver, Edward está aprendendo (aos pouquinhos, mas está). Ele já é louco pelo filho, isso eu garanto. Então, sim, ele cometeu alguns erros e tudo o mais, mas está aprendendo. E acho que ele até está se saindo bem (:
Próximo capítulo é... meu Deus, estou ansiosa para postá-lo! Henry fará uma pergunta a Edward, hmmmm... vamos ver hihi.
Espero que tenham gostado!
Até o próximo xx
PS: Continuem lendo, continuem aguardando. Logo, logo, vocês saberão da Bella haha