Waiting For You

28 Capítulo Vinte e Sete


Notas iniciais
Oi, moças ♥ Mais um capítulo para vocês!
Espero que gostem (;
Leiam a N/A, ok?

Edward POV.

Eu fiquei parado durante um momento, tentando assimilar o que Bella tinha dito. Arregalei os olhos para ela quando finalmente entendi, observando seu sorriso, o modo que ela me olhava...

Ela estava brincando?

- O quê? — Eu me vi indagando, alguns minutos depois. — V-você está falando sério?

Bella sorriu novamente, e assentiu.

- Eu olhei alguns lugares hoje para morarmos — ela respondeu. — Acho que me decidi por um hoje, perto daqui. Você poderia olhar comigo amanhã, se quiser, antes de eu ter que voltar para Chicago para resolver tudo por lá.

Eu respirei fundo e balancei a cabeça, ainda sem conseguir acreditar que ela realmente estava se mudando para cá.

- Apartamento? — indaguei, ainda completamente chocado. — Espera...

Bella riu, e revirou os olhos.

- Estou falando a verdade, Edward — ela disse. — Pode demorar mais alguns dias, ou talvez umas duas semanas, mas, muito em breve, Henry e eu estaremos morando aqui, em Chicago.

Eu não sei exatamente dizer o que aconteceu em seguida. Mais tarde, talvez, eu fosse procurar desculpas pelo meu comportamento, por ter agido daquela forma, mas, naquele instante, eu não me importei. Em um momento, eu estava parado, a mesa de centro da minha sala entre nós, e, no outro, eu estava atravessando a sala às pressas e parando em frente a ela.

Observei-a durante alguns segundos — que pareceram durar horas -, quase como se eu quisesse mesmo confirmar que aquilo era verdade. Mas Bella sorria e seus olhos brilhavam... e, não sei, talvez fosse uma combinação de tudo — de eu querer fazer aquilo desde que ela tinha voltado, de eu querer saber se eu me sentiria da mesma forma tendo-a em meus braços novamente — que fez com que, em um minuto, eu estivesse parado ali, e no próximo, estivesse puxando-a para os meus braços.

Imediatamente, eu senti meu coração acelerar contra o meu peito, batendo tão forte e rápido que eu duvidava que ela não pudesse sentir. Minhas mãos tremiam enquanto eu as depositava em suas costas, puxando-a em minha direção. Eu pensei que ela recusaria, que ela se afastaria, mas sua cabeça se moveu, descansando logo abaixo do meu queixo, como ela gostava de fazer quando ainda estávamos juntos, quase automaticamente. Eu soltei um suspiro profundo e fechei os olhos, incapaz de lidar com todas aquelas emoções que tomavam conta de mim naquele momento.

Não. Não era como antes. Era ainda melhor.

- Oh, Bella... — eu murmurei, meus lábios passeando pela sua testa, pela sua cabeça... — Você não tem ideia... não sabe como eu...

Eu fechei a boca quando as lágrimas chegaram aos meus olhos, incapaz de expressar exatamente como eu me sentia. Somente apertei meus braços ainda mais ao seu redor e suspirei novamente. Era perfeito. Por mim, eu podia tê-la em meus braços para sempre.

Entretanto, cedo demais, ela começou a se afastar. E eu, querendo prolongar aquele momento o máximo que eu pudesse, afrouxei meus braços somente um pouco. Ela poderia quebrar o abraço, caso essa fosse a escolha dela, mas dependeria somente dela, não de mim.

Bella, porém, não quebrou o abraço, como eu achava que ela faria. Ela se afastou o suficiente para poder olhar em meus olhos... e eu não consegui me segurar mais. Meus olhos ficaram cerca de um segundo em seus olhos, antes de fitarem sua boca. Ela sorria um pouco e um tom de rosa tomava conta de suas bochechas — eu não pude deixar de notar. Eu vi que ela abriu a boca, mas nenhum som saiu de seus lábios. Não a indaguei o motivo; eu ainda estava perdido demais em seus lábios para me importar.

Não me perguntei se beijá-la seria o mesmo que antes. Mesmo tendo se passado mais de quatro anos, eu ainda conseguia sentir o gosto dela em meus lábios, conseguia me lembrar da sensação de tê-los contra os meus. Fosse apenas um selinho, ou um beijo mais longo... ela sempre fazia com que eu me sentisse especial.

E eu podia apostar que, agora, isso seria ainda melhor.

Ainda sem conseguir pensar direito no que eu estava prestes a fazer, puxei-a para mim novamente, praticamente colando nossos corpos, e inclinei meu rosto, fazendo com que nossos lábios roçassem...

E Henry escolheu aquele momento para entrar na sala, derrubando todos os brinquedos que estavam em seus braços — porque, como sempre, ele carregava mais do que conseguia -, fazendo com que Bella e eu pulássemos um para longe do outro. Eu fitei meu filho, um suspiro escapando dos meus lábios.

- Henry — eu murmurei -, filho, você sabe que não consegue carregar todos...

Ele olhou todos os brinquedos no chão durante alguns segundos antes de me fitar novamente.

- Mas eu quelia mostlar pla mamãe o que eu ganhei, papai — ele disse. — Eu quase consegui tlazê tudo.

Uma risada escapou dos meus lábios quando eu o vi ali, já se abaixando para pegar seus brinquedos novamente, e não consegui deixar de pensar em como tudo seria quando ele, de fato, mudasse para perto de mim, definitivamente. Eu senti meu coração acelerar em meu peito e olhei para a mãe dele, parada a alguns metros de mim, evitando me olhar. Eu continuei a fitando enquanto nosso filho mostrava tudo o que tinha ganhado para ela, me perguntando quando teríamos a chance de conversar novamente.

Haveria tempo, porém, eu sabia disso agora. Ela voltaria para Pittsburgh, sim, novamente, mas logo estaria de volta.

E, dessa vez, definitivamente.

Eu ainda não conseguia acreditar que eles se mudariam para perto de mim.

Ela e eu ajudamos Henry a guardarmos o seu brinquedo, antes de seguirmos para a cozinha, onde eu comecei a preparar o nosso jantar. Bella ofereceu ajuda, mas eu, educadamente, recusei, preferindo assistir enquanto ela brincava com Henry com o meu tablet, ambos sentados à bancada da cozinha.

- Tudo pronto — eu disse algum tempo depois, mexendo mais um pouco do macarrão. — Henry, filho, por que você não pede a mamãe para te ajudar a lavar as mãos? O papai só vai servir aqui e nós poderemos comer.

- Tá bom! — ele disse, um sorriso enorme no rosto.

Bella o ajudou a descer e passou a mão em seus cabelos, sorrindo para ele.

- Vai indo, ok? — ela murmurou. — A mamãe já vai.

Ele assentiu, ainda com um grande sorriso no rosto, e saiu correndo da cozinha, indo em direção ao banheiro. Eu fitei Bella, confuso por ela ter dito aquilo a Henry, esperando para ver se ela tinha algo para me dizer.

- O que você acha de contarmos a Henry que estaremos nos mudando em breve? — ela indagou, em um tom baixo, provavelmente porque não queria que ele escutasse.

Eu sorri para ela.

- Você acha que é uma boa ideia? — indaguei, baixo também. — Ele vai ficar ansioso...

Ela deu de ombros, nem mesmo esperando que eu terminasse de falar.

- Ele vai ver a bagunça quando formos para Pittsburgh — respondeu. — Está tudo uma loucura lá, você sabe... Acho que seria legal contarmos para ele hoje, depois do jantar, e amanhã, caso você não esteja muito ocupado, podemos olhar o apartamento que achei... O que você acha?

Eu senti um sorriso enorme nascer em meu rosto ao vê-la me incluir nos planos, ao ver todo o esforço que ela estava fazendo. Pela primeira vez, em mais de quatro anos, eu estava começando a me sentir esperançoso em se tratando de nós.

E eu não sabia, ainda, se isso era uma coisa boa ou ruim.

- Mamãe! — Henry gritou, aparecendo na porta da cozinha. — Eu não acanço a toneila.

Bella e eu rimos.

- Tudo bem, querido. — Ela caminhou até a porta e segurou sua mão. — Vamos lá.

Eu comi rapidamente, ansioso para contar a novidade ao meu filho. Tentei me conter quando terminei de comer e vi que ele não tinha terminado ainda. Procurei adiantar a limpeza das louças que tinha sujado enquanto isso, o tempo todo rindo da conversa dele com a mãe e da bagunça que ele estava fazendo enquanto tentava mostrar que era capaz de comer sozinho.

- Henry, não brinque com a comida. — Bella falou. — Henry!

Eu me virei e o vi olhar para a mãe de forma envergonhada. Eu prendi o riso quando vi o molho do macarrão espalhado por toda a sua bochecha, assim como alguns pedaços de macarrão.

- É só que eu tô feliz, mamãe — ele respondeu. — Tenho que blincá!

Antes que Bella pudesse dizer algo, eu me aproximei do meu filho, um guardanapo nas mãos. Limpei o seu rosto da melhor maneira que eu pude e sorri para ele, empurrando sua franja para longe da sua testa.

- Por que você não termina de comer logo? — eu sugeri, sorrindo um pouco. — A mamãe e eu temos uma surpresa para você, mas só vamos contar depois que você comer tudo.

Ele arregalou os olhos quase que imediatamente, olhando de mim para a sua mãe. Antes que um de nós pudéssemos dizer qualquer outra coisa, ele voltou sua atenção para o prato à sua frente e começou a comer.

Quinze minutos depois, estávamos sentados na sala, Henry em meu colo, perguntando, de minuto em minuto, o que tínhamos para contar a ele. Eu sorria, sem conseguir conter a felicidade que tomava conta de mim.

- Conta logo, papai! — ele pediu. — Eu vou ganhá outo plesente?

Eu ri.

- Não, não é isso, campeão. — Beijei sua testa e o virei para mim. — E se eu dissesse que a sua mamãe está pensando em se mudar para um apartamento perto do seu papai?

Ele franziu a testa por um momento, como se não entendesse o que eu queria dizer.

- Ela vai me deixá sozinho? — indagou.

Bella riu.

- Claro que não, filho. — Ela se aproximou de nós, e eu senti meu coração acelerar contra o peito. — O que você acha de nós dois mudarmos para perto do seu pai? Você poderia vê-lo todos os dias, assim como os seus avós, sua tia Alice, o tio Jazz...

Um enorme sorriso nasceu no rosto de Henry e ele pulou do meu colo, abraçando as pernas da mãe por um momento, antes de se jogar em mim.

- Eu vou molá peto de você e da mamãe, papai — ele disse. — Vou podê voltá pla cleche!

Eu ri novamente e o puxei para um abraço apertado, sem conseguir, ainda, acreditar que aquilo era verdade. Por cima da cabeça do meu filho, eu olhei para Bella e a fitei com um sorriso, esticando a mão e apertando a dela suavemente.

- Obrigado — eu murmurei. — Por tudo.

E ela apenas corou e sorriu novamente, fazendo-me sorrir como um idiota apaixonado.

_

Henry insistiu para que Bella ficasse naquela noite — e, confesso, eu também, embora mentalmente -, mas ela quis voltar para o hotel. Combinei-me de encontrar com ela no apartamento no dia seguinte, ainda de manhã. Ela teria de voltar para Pittsburgh logo após o almoço, já que queria resolver tudo o quanto antes.

Acordei no mesmo horário de sempre, mesmo que eu só fosse trabalhar depois do almoço naquele dia. Arrumei Henry, servi seu café da manhã e o levei até o apartamento — que, de fato, ficava a três quarteirões dali. Bella já esperava por nós, parada na porta do prédio. Eu não pude deixar de avaliar o local, e fiquei feliz por ver que havia um porteiro e que o prédio era cercado por portões.

- Mamãe! — Henry correu até a ela e a abraçou, o que me fez sorrir. — Bom dia!

Ela o puxou para o seu colo e o beijou na bochecha, mordiscando-a de leve e o fazendo rir.

- Bom dia, baby — ela respondeu. — Você dormiu bem?

Henry ignorou a última pergunta e fez bico para a mãe, cruzando os braços e balançando a cabeça de forma negativa.

- Eu não sou bebê mais, mamãe — respondeu. — Eu sou gandão.

Eu segurei o riso e vi que Bella fez o mesmo.

- Ah, é? — ela indagou, já começando a andar em direção à entrada do prédio. — Pois você vai ser sempre o bebê da mamãe, não importa quanto tempo passe.

O apartamento que Bella escolhera tinha um bom tamanho, embora não fosse tão grande quanto o meu. Havia dois quartos nele, um ao lado do outro, uma sala, dois banheiros e uma cozinha, além de um pequeno escritório e uma lavanderia. Henry correu por ele todo, dando opiniões sobre o seu novo quarto e onde tudo deveria ficar. Eu observei com cautela, procurando por qualquer defeito, dando uma olhada na planta e outras coisas mais, que eu tinha aprendido ao longo de todos esses anos como arquiteto.

- Eu posso ajudar com tudo, se você quiser — eu ofereci. — Tenho decoradores na empresa... Podemos fazer com que tudo fique pronto dentro de duas semanas, se você quiser.

Bella sorriu para mim e encolheu os ombros.

- Você acha? — ela indagou. — Não vou te atrapalhar em nada, certo? Quero dizer, eu, obviamente, vou pagar por tudo e...

- Não se preocupe com isso, Bella — interrompi-a. — Considere um modo de agradecer por você estar se mudando para cá. Eu vou amar viver perto de vo... de Henry.

Ela assentiu.

- Bem, obrigada, então — sorriu. — Você acha que eu devo trazer meus móveis ou comprar outros? Tem um casal querendo comprar o meu apartamento com quase tudo lá dentro, principalmente os móveis do quarto de Henry... Eles têm um garotinho um pouco mais novo e ele se apaixonou pelo quarto...

Eu sorri.

- Seria mais fácil se você comprasse aqui, não acha? — indaguei. — Levaria menos tempo... afinal, você só teria que empacotar as coisas pessoais e as roupas...

Ela pareceu pensar durante um momento, mas depois sorriu.

- Ok, então — ela disse. — Se você acha que pode deixar tudo pronto em duas semanas, então Henry e eu estaremos aqui.

Eu somente sorri novamente para ela, desejando que o tempo passasse mais rápido do que nunca.

Corri para a empresa depois que ela e Henry foram embora — sem choro dessa vez -, querendo muito cumprir o prazo que eu tinha prometido à Bella. Reuni com os melhores da minha equipe e assim que saímos do apartamento dela, já à noite, enviei-lhe tudo o que tínhamos planejado, querendo a sua aprovação antes que começássemos o trabalho.

As pequenas obras, por assim dizer, começaram no dia seguinte. Havia alguns detalhes que Bella tinha pedido e outros que eu tinha sugerido, querendo tornar o lugar o mais confortável possível para ela. Jasper veio ajudar como pôde depois do almoço, junto de Alice. Eu os vi de mãos dadas às vezes e conversando longe dos outros, o que me fez sorrir. Algo me dizia que eu precisaria conversar muito em breve com a minha irmã.

Eu conversava com Henry e Bella diariamente, querendo saber como tudo estava indo por lá. Ela voltaria para cá dentro de alguns dias, trazendo algumas coisas e Henry, antes de voltar — dessa vez sozinha — para terminar de ajeitar a mudança e vender o apartamento de uma vez por todas.

Eu trabalhei como nunca naqueles dias, inclusive quando Henry chegou, porque queria que tudo ficasse pronto o quanto antes. Ele ficou a maior parte dos dias com os meus pais, Alice ou Jasper, mas ele nunca reclamou, só vivia perguntando quando ele poderia se mudar para a nova casa e quando voltaria para a creche.

Quando tudo ficou pronto, eu me vi sorrindo e caminhando pelo apartamento, conferindo se tudo tinha ficado como Bella pedira. O quarto de Henry tinha outro tema agora — como ele tinha pedido. Dessa vez, era do Batman. Eu sabia que ele enjoaria dentro de algum tempo e talvez teríamos que decorar novamente, mas se ele estava feliz e queria isso, quem era eu para dizer não?

Ele pediu diversas vezes para conhecer o apartamento, principalmente o seu quarto, mas eu disse que teríamos de esperar pela mamãe. Bella ligava sempre, mas agora ela conversava não só com Henry, mas comigo também. Quando eu disse que tudo estava pronto, só à espera dos moradores, ela riu e agradeceu diversas vezes, prometendo chegar dentro de dois ou três dias.

- Você conseguiu resolver tudo? — eu indaguei.

Ela riu novamente.

- Sim, finalmente — respondeu. — Finalizei a venda hoje e vendi o resto dos móveis que o casal não queria. Todas as caixas já se encontram fechadas e só à espera do transporte. Amanhã vou ver se finalizo tudo. Caso consiga, chego aí depois de amanhã.

Ela chegou dois dias depois, como tinha previsto. Henry e eu fomos buscá-la no aeroporto, como sempre. Ela parecia exausta quando apareceu em nosso campo de visão, mas um sorriso enorme rompeu pelo seu rosto quando ela viu nós dois.

- Mamãe!

Eu sorri ao ver Henry correr até a mãe e abraçá-la, agarrando-se às suas pernas, exatamente ele fazia com todos. Ela se ajoelhou e o abraçou, dizendo o quanto sentia a falta dele.

- Nós vamos ficá agola, mamãe? — ele indagou, ainda agarrado a ela.

Ela sorriu.

- Sim, querido — respondeu. — Nós podemos dormir na nossa nova casa hoje, se você quiser.

Ele gritou, animado, pulando nela novamente.

- Oi, Bella. — Eu enfim terminei de me aproximar. — Como vai?

Ela se colocou de pé e esticou a mão, pegando a minha rapidamente.

- Tudo bem por aqui — sorriu. — Pronto para ir?

Eu a ajudei como pude com as malas que ela trouxe, levando-a até o meu carro. Nós passamos rapidamente por um restaurante, já que nenhum de nós queria cozinhar naquele dia, antes de seguirmos para o apartamento. Henry não parava quieto nem por um minuto, perguntando sempre se demoraríamos muito para chegar.

- E Jasper? — eu indaguei à Bella, depois de dizer ao meu filho que estávamos quase chegando. — Ele vai vir visitar vocês hoje?

Ela balançou a cabeça de forma negativa.

- Ele decidiu vir amanhã — respondeu. — Disse que vai deixar a gente descansar hoje e tudo o mais...

Eu assenti.

- Se você precisar que eu fique com Henry por algum tempo para que vocês possam guardar tudo, é só avisar, ok? — eu disse. — Mesmo que eu tiver em uma reunião ou algo assim, tenho certeza de que meus pais vão cuidar dele com prazer.

Ela sorriu.

- Obrigada por isso — murmurou. — Eu ligarei se precisar de algo.

Ajudei-a a levar as malas para o segundo andar assim que chegamos, rindo de um Henry muito animado. Ele tinha brincado o dia todo, mal parando quieto — já que estava ansioso para a sua mãe chegar — e não aparentava estar nem um pouco cansado, ainda. Algo me dizia que ele custaria a dormir naquela noite.

Ele mal esperou que Bella abrisse a porta e acendesse a luz para sair correndo pela casa. Eu deixei as malas na sala de qualquer jeito e o segui, com medo de que ele se machucasse — afinal, todas as luzes estavam apagadas e ele não chegava até o interruptor. Acendi a luz do seu quarto e tive o prazer de ver seu sorriso se tornar maior e ver seus olhos brilharem.

Eu ri quando ele correu até a mim e me abraçou, bem forte, querendo agradecer, e depois indo até à mãe para fazer o mesmo. Passei a próxima hora ali, tentando ajudar Bella a separar ao menos algumas roupas. Henry voltaria a frequentar a creche no dia seguinte e ela queria deixar tudo mais ou menos ajeitado, para que não tivesse que correr logo pela manhã.

Para ajudar, eu dei um banho em meu filho e tentei acalmá-lo, já que ele ainda estava muito agitado. Demorou um pouco e eu tive que ler bastante antes de ele finalmente adormecer.

Eu saí do seu quarto e encostei a porta atrás de mim, deixando-a apenas entreaberta. Soltei um suspiro pesado, sentindo-me exausto — não só por aquele dia, mas por todas aquelas duas semanas -, e segui para a sala. Bella estava dobrando algumas roupas, mas parou quando me viu e sorriu um pouco.

- Ele dormiu? — ela indagou. Eu apenas assenti. — Ótimo. Obrigada, Edward, de verdade. Se você não estivesse aqui, Henry provavelmente ainda estaria correndo de um lado para o outro.

Eu ri.

- Está tudo bem, de verdade — respondi. — Eu gosto de cuidar dele. Sempre que precisar, é só telefonar, ok? Eu venho assim que possível.

Ela sorriu.

- Eu já vou indo, então — falei. — Nos falamos em breve, ok?

Ela assentiu.

Acenei para ela rapidamente e comecei a andar em direção à saída. Destranquei a porta e já estava a abrindo quando senti sua mão em meu braço.

- Obrigada — ela murmurou. — Por tudo.

Eu peguei a mão dela e a apertei novamente, um pequeno sorriso no rosto. Meu coração batia cada vez mais rápido, e a vontade de puxá-la para um abraço e beijá-la se tornava mais forte a cada segundo.

- Nós realmente precisamos conversar — eu murmurei, sem sequer me dar conta do que eu tinha falado até ver os olhos dela se arregalarem. — Quero dizer, eu...

- Não, tudo bem — ela me interrompeu. — Nós precisamos mesmo conversar... Só preciso me organizar primeiro, pode ser? Começo no novo trabalho na semana que vem e quero deixar tudo pronto por aqui antes disso.

Eu sorri.

- Certo. — Afastei-me um pouco, incapaz de me controlar por muito mais tempo. — Só... me ligue se precisar, ok? Nos falamos em breve.

Acenei para ela mais uma vez e sorri, antes de me afastar. Durante todo o caminho para o meu apartamento, não pude deixar de sorrir nem por um minuto.

Bella e meu filho estavam perto de mim, e para tudo ficar ainda mais perfeito, só bastava que eu conseguisse me acertar com Bella.

E agora eu não tinha mais tanto tempo de pensar nisso, de me perguntar como era o futuro. Ela estava perto e em breve iríamos conversar.

E iríamos ver o que aconteceria a partir daí.

_

Passei toda a manhã seguinte em projetos e reuniões, devido às duas semanas que eu tinha praticamente me ausentado. Almocei por lá mesmo, muito ocupado para ir à casa dos meus pais ou ir a algum restaurante. Tive de interromper o meu trabalho por cerca de duas vezes, para atender ligações de Esme e Alice, respectivamente. Ambas queriam saber como tinha sido o dia anterior e pedir que Bella fosse visitá-las um dia desses.

Quando eu fui interrompido pela terceira vez, já eram cerca de duas horas e Henry estaria logo fora da creche, mas, naquele dia, eu não achava que conseguiria buscá-lo. Quando tive uma folga, parei por um momento, apenas querendo descansar um pouco. Aquilo não durou muito, no entanto.

O telefone logo tocou novamente.

Só que dessa vez era Bella.

- Bella? — Atendi rapidamente, sentindo-me ansioso de repente. — Tudo bem?

Ela riu, o que me fez sorrir.

- Sim, só tenho boas notícias — respondeu. — Estou perto da sua empresa... Você acha que tem algum problema eu passar aí bem rápido?

Meu sorriso se tornou ainda maior, se é que isso era realmente possível.

- Claro — disse. — Vou pedir à Jessica para liberar a sua entrada e esperarei por você, ok?

- Tudo bem — ela riu novamente. — Estarei aí dentro de alguns minutos...

Eu finalizei a ligação e imediatamente me coloquei de pé, ansioso demais para ficar sentado. Qual seria a boa nova de Bella? O que ela teria para me contar?

Corri para a porta do meu escritório e a abri, pronto para dizer para Jessica que Bella estaria ali em breve. No entanto, eu somente abri a boca, mas nenhum som saiu dela. Kate Denali estava parada em frente à mesa da minha secretária, tentando entrar sem a minha autorização.

- Edward! — ela me cumprimentou. — Eu poderia trocar uma palavra com você, bem rápido, por favor?

Eu fechei a cara quando a vi, esperando que ela começasse a se jogar em mim. Nós não nos víamos há alguns meses, desde o dia que ela tinha descoberto de Henry, na verdade, e eu não esperava vê-la até que chegasse a época do evento anual.

Ela costumava aparecer de surpresa, de vez em quando, mas isso foi antes do que acontecera no ano passado. O que ela poderia querer ali agora?

- Eu estou esperando alguém, Kate — eu disse. — Não é um bom momento agora...

Ela suspirou.

- É bem rápido, de verdade — insistiu. — Por favor?

Eu bufei e assenti, e dei espaço para ela entrar. Voltei-me para Jessica e prendi o riso ao vê-la revirar os olhos e fazer uma careta.

- Bella está vindo — eu disse. — Mande-a entrar assim que ela chegar, ok? Não precisa nem anunciar.

Ela sorriu e assentiu imediatamente.

- Pode deixar, senhor Cullen — respondeu.

Sabendo que Bella ficaria envergonhada caso chegasse e encontrasse a porta fechada, eu a deixei aberta. Segui para a minha mesa e parei ali, voltando-me para Kate. Ergui a sobrancelha e fiz um gesto com a mão, esperando para ver o que ela tinha para falar.

- Estou esperando — murmurei.

Ela sorriu de forma triste e assentiu.

- Eu só meio que queria pedir desculpas por tudo o que fiz no ano passado... — começou. — Não só no passado, mas... desde sempre. Não sei o que deu em mim.

Eu pisquei os olhos, surpreso por ouvi-la dizer isso.

- É, eu sei — deu de ombros. — Eu conheci alguém, vi que não valia à pena ficar correndo atrás de alguém que nunca me deu valor. Mesmo que tenhamos dormido juntos uma vez e...

Eu escutei um barulho perto da porta e me virei, e congelei ao ver Bella parada ali. Ela olhou de Kate para mim e ofegou, seus olhos se arregalando.

- Isabella. — Kate murmurou. — Eu sinto muito, não sabia que você viria aqui...

Eu abri a boca, querendo me explicar para Bella, querendo mais do que nunca tirar aquele olhar do rosto dela. Ela balançou a cabeça de forma negativa e forçou um sorriso para fora do rosto, mas não era um sorriso feliz. Eu o conhecia muito bem.

Ela sempre o dava quando estava... Não, não podia ser. Bella estava com ciúmes?

- Tudo bem — sussurrou. — Edward, eu... você poderia passar lá em casa depois do expediente? Eu realmente queria te falar algo importante...

Eu continuei a fitando, sentindo a esperança dentro de mim crescer de uma maneira tão rápida e forte que tive que me apoiar na mesa. Ela estava com ciúmes?

Porque se ela estivesse... isso poderia significar que ela ainda tinha sentimentos por mim, certo? E mesmo que esse não fosse o caso, ela não me odiava nem tinha me esquecido. Havia mesmo esperança.

- Onde está Henry? — Eu consegui perguntar. — Você já o pegou na creche?

Ela estreitou os olhos para Kate por um momento e eu vi suas mãos fechadas em punho — o que fez com que eu lutasse contra um sorriso e contra a vontade de ir até ela e puxá-la para meus braços -, antes de respirar fundo e me fitar.

- Jasper ficou de buscá-lo e de levá-lo para passear um pouco — murmurou. — Posso esperá-lo em meu apartamento, então?

Eu sorri.

- Claro — disse. — Estarei lá em breve.

Bella acenou duramente e se virou, saindo rapidamente. E eu, ansioso para acabar com tudo aquilo para ir atrás dela, virei-me para Kate e ergui a sobrancelha, esperando para ver o que ela falaria.

- Eu realmente sinto muito, Edward — ela disse. — Eu não sabia que ela tinha voltado e nem que ela viria aqui hoje... Eu só queria fechar esse capítulo da minha vida, me desculpar com você, antes de seguir em frente com o meu namorado, entende?

Eu assenti.

- Certo — falei. — Está tudo certo, Kate. Desejo sorte a você e ao seu namorado. Espero que possamos trabalhar de maneira profissional no próximo evento, ok?

Foi a vez dela assentir.

Depois de mais algumas palavras ela foi embora, e eu corri de volta para o trabalho, querendo, agora, mais do que nunca, terminar aquilo logo. Eu desisti, no entanto, alguns minutos depois, quando tive de verificar uma planta pela terceira vez.

Tudo o que eu podia pensar, naquele momento, era no olhar que eu tinha visto no rosto de Bella.

Incapaz de me concentrar, eu me despedi de Jessica e pedi que adiasse os compromissos do resto da tarde, antes de sair da empresa praticamente correndo. Dirigi como um louco pelas ruas de Chicago, mal me contendo. Eu não tinha ideia do que ela falaria, mas eu simplesmente iria perguntar algo a ela.

Precisava daquela resposta ainda naquele dia ou eu ficaria louco.

Eu corri até o seu andar depois de o porteiro liberar a minha entrada, ansioso demais para esperar pelo elevador. Bati à porta algumas vezes, assim como toquei a campainha, me sentindo a cada minuto mais ansioso.

Eu já estava prestes a pegar meu celular e telefonar para o dela, quando ela abriu a porta, aquele mesmo olhar de uma hora atrás em seu rosto.

- Deixe-me te fazer uma pergunta, antes de qualquer coisa — eu disse rapidamente, antes que perdesse a coragem. — O seu olhar no meu escritório... Você ficou com ciúmes de Kate?

Notas finais
N/A: Hmmm... Em uma escala de 1 a 10, quão vocês querem me matar agora por ter parado logo aí? hehehehehe. Mas pelo menos a Kate serviu para alguma coisa, né? Vamos ver.
Amo/sou esse Henry, apenas. A fofura dele é demais para eu conseguir lidar hahahahaha. Mas tenho certeza que todas desejaram que ele tivesse entrado na sala um minuto depois, apenas para terem um beijo. Eu sei, eu sei :33.
O próximo capítulo... hihihi, vou ficar calada. Mas algo me diz que vocês vão amar. Quem sabe não tem um beijo? Ou dois, ou três... Vamos ver.
Ah, infelizmente, acho que tenho uma ~má notícia. Semana que vem devo viajar, ficar de um dia para o outro em outra cidade, então talvez eu não consiga postar o capítulo de WFY... Vou tentar muito, de verdade, mas caso não consiga, a gente se vê daqui a quinze dias, ok?
Por hoje, é só.
Espero que tenham gostado (;
xx