Waiting For You
23 Capítulo Vinte e Dois
Notas iniciais
Espero que gostem (;
PS: Capítulo dedicado à Jéssica Coelho e à jjbebe, por terem recomendado a fanfic! Obrigada, suas fofas ♥
Bella POV.
- Olá, Isabella. — Alice sibilou, seus olhos verdes frios me fitando com atenção. — Acho que temos que conversar.
Eu segurei a maçaneta da porta com um pouco mais de força do que o necessário, não tendo certeza se era para me manter em pé, ou se era para não fechar a porta na cara da irmã do dono do apartamento e me esconder até que ele estivesse aqui. Entretanto, eu apenas fiquei ali, encarando Alice, uma pessoa que, outrora, tinha sido a minha melhor amiga.
Ela me odiava. Eu tinha certeza que sim.
Bastava só olhar nos olhos dela.
Sem esperar que eu dissesse algo, ela passou por mim. Eu me virei, seguindo-a com o olhar, e a vi se sentando no sofá, ainda sem dizer nada. Quando me dei conta de que ela realmente iria conversar comigo agora, eu soltei um suspiro pesado e fechei a porta, antes de seguir até a poltrona e me sentar lá.
Alice continuou me encarando, provavelmente esperando que eu dissesse algo, mas eu fiquei calada, porque não tinha ideia do que iria dizer a ela, assim como não tinha ideia do que ela queria dizer para mim. Que ela me odiava, isso já era claro, mas... ela não tinha vindo até aqui para me dizer isso, tinha?
- Quando você vai embora? — ela indagou de repente, pegando-me de surpresa.
Eu engoli em seco e me recostei na poltrona, torcendo minhas mãos no colo, enquanto tentava entender o porquê de ela estar me perguntando logo aquilo.
- Parto logo após o Natal — murmurei. — Provavelmente, um dia depois.
Ela assentiu. Novamente, nenhuma de nós disse nada durante alguns instantes. Eu fiquei encarando Alice, tentando decifrá-la, embora também estivesse desejando que Edward chegasse logo — mesmo que eu soubesse que isso não iria acontecer -, porque algo me dizia que Alice não queria conversar comigo com ele por perto.
- E você e Edward já conversaram sobre como vão ser as coisas com Henry? — perguntou. — Com qual frequência ele vai poder vê-lo? Ou você só vai sumir novamente?
Eu ofeguei, meus olhos imediatamente se arregalando. Abri a boca, mas não disse nada, simplesmente porque eu não sabia o que deveria dizer diante dessa acusação. Entretanto, logo me endireitei, não querendo que ela visse o quão aquela pergunta tinha me machucado.
- Vou vir todos os finais de semana que puder — eu disse — e Edward vai em alguns também...
Ela ergueu a mão, interrompendo-me. Pela primeira vez desde que ela tinha chegado ali, notei suas mãos um pouco trêmulas e que seus olhos tinham perdido a frieza de anteriormente. A pergunta que eu queria fazer naquele momento ficou presa na minha garganta. Aparentemente, Alice não estava tão indiferente à minha presença como eu pensei que estava.
- Você não tem ideia de como foi ver meu irmão sofrendo depois que você foi embora — ela começou, abaixando a cabeça e fitando suas mãos. — Quando meus pais e eu chegamos aqui, ele estava deitado na cama, o anel na mão, abraçado ao seu travesseiro... Nós tentamos conversar com ele, mas ele ficou assim durante dias, mal comendo, mal saindo da cama... Ele te ligava, ele dizia que não queria sair, esperando que você voltasse...
Eu abaixei a cabeça e fechei os olhos com força, conseguindo visualizar essa imagem de forma perfeita na minha mente. Senti meu coração apertar no meu peito por ter insistido em procurar o culpado pelo desvio de dinheiro, desejando, mais do que nunca, poder voltar ao tempo e nem mesmo ter começado a pesquisar.
- Ele ficou quebrado, perdido — ela continuou, mas eu não ergui a cabeça para vê-la, sentindo-me incapaz de fazer tal coisa. — Ele mudou. Ele passou a trabalhar mais, quando voltou à empresa, é claro, passou a nos ver menos... Ele comprou esse apartamento e simplesmente nunca mais voltou à casa que vocês compraram juntos...
Eu olhei ao redor, meus olhos percorrendo cada detalhe da sala. Alguns brinquedos estava espalhados por ali, assim como algumas folhas e giz de cera — coisas de Henry, eu sabia. Eu me lembrava de quando eu tinha vindo aqui pela primeira vez, porém, de como tudo estava perfeitamente organizado; algo que não combinava muito com o Edward que eu tinha conhecido há alguns anos.
- Ele ria, ele sorria, mas nós sabíamos que não era real — sussurrou. — Edward nunca foi o mesmo, Isabella, até Henry aparecer. Ele é a luz da vida do meu irmão. Você já a tirou da vida dele uma vez... e não posso permitir que isso aconteça novamente.
Eu senti uma pontada no coração ao escutá-la dizer isso, sabendo que ela estava certa. Não podia julgá-la por estar com ódio de mim, por não me querer perto do irmão dela. Doía, sim, mas eu sabia que faria o mesmo caso tivesse um irmão, disso eu não tinha dúvidas.
- Eu entendo — murmurei. — Eu realmente entendo.
Eu a fitei pela primeira vez desde que ela tinha começado a falar e a vi me fitando de volta, seu rosto sério, de volta à frieza de outrora. Abri a boca novamente, querendo explicar o porquê de eu ter feito o que fiz, mas logo a fechei. Se Edward quisesse, ele contava.
- Não confio em você — ela disse. — Não sei se algum dia voltarei a confiar. Fiquei com raiva quando soube que você tinha voltado e pensei em vir até aqui imediatamente, mas eu sabia que falaria e faria coisas que me arrependeria depois. Por isso esperei alguns dias...
Eu assenti, mas não disse nada dessa vez.
- Não o machuque — ela murmurou, por fim. — É só isso que te peço.
E eu, novamente, assenti, incapaz de dizer qualquer outra coisa.
Alice saiu do apartamento alguns minutos depois, sem dizer mais nada. Eu também não fiquei muito ali, porque realmente precisava arrumar um lugar para ficar o quanto antes. Se, quando liguei para Jasper, eu ainda tinha minhas dúvidas de que precisava arrumar um lugar para ficar, agora eu tinha certeza. Eu iria embora, junto de Henry, dentro de algumas semanas, e, mesmo não querendo admitir isso, sabia que minha presença não deixava Edward totalmente confortável, por isso, eu deixaria que ele ficasse com o nosso filho sozinho, que cuidasse dele.
Era o mínimo que podia fazer.
Naquele mesmo dia, eu consegui organizar tudo, combinando com o dono do pequeno apartamento que tinha abrigado meu amigo durante um mês. Depois, com o coração apertado — e ainda não querendo voltar para o apartamento do meu ex -, eu decidi dar uma volta em Chicago, não conseguindo me lembrar da última vez que tinha feito isso, sem ter que me preocupar com alguém me seguindo, querendo machucar não só a mim, mas aqueles que eu amava também.
Eu me lembrei das palavras de Alice — carregadas de ressentimentos, assim como medo do que a partida de Henry poderia causar ao irmão — enquanto caminhava, sem estar indo a algum lugar específico, e soltei um suspiro pesado. Se ela, que era irmã, tinha me tratado daquela maneira, eu não conseguia nem imaginar o que aconteceria quando eu encontrasse os pais de Edward.
Encolhi-me contra o meu casaco quando estremeci, sem saber se estava daquela maneira por causa do frio ou por causa da imagem que tinha me vindo à mente. Virei em uma esquina qualquer, desviando de um grupo de pessoas que vinha em minha direção, e soltei um suspiro quando vi aonde eu tinha vindo parar.
Eu me lembrava dessa rua.
Edward e eu tínhamos morado aqui.
Fiquei parada ali durante alguns minutos, sem saber se deveria seguir até o final dela, ou se devia virar e ir embora. Mas por mais que a dor de vê-la fosse grande e recordar o que tínhamos vivido, assim como o que planejávamos viver, eu não consegui ir embora. Caminhei, sem pressa alguma, até ela, e dei um sorriso triste quando vi que ela parecia igual a que eu tinha em lembrança. A mesma cor, as mesmas flores, o mesmo estilo...
- Isabella!
Eu me virei, dando de cara com Natanael, que costumava ser nosso vizinho. Acenei para ele e fiquei parada ali, esperando para ver se ele iria se aproximar. Ele me puxou para um abraço quando chegou perto de mim e eu retribuí, embora estivesse um pouco encabulada. Nós tínhamos conversado algumas vezes, quando eu morava aqui, mas não muito. Natanael era um homem sozinho, divorciado, e meio que gostava de cuidar, por assim dizer, da vida dos vizinhos.
- Você sumiu, garota! — ele disse, se afastando. — Por onde andou?
Eu sorri.
- Você sabe como é — comecei -, trabalho e trabalho. Nada demais.
Ele assentiu.
- Veio olhar a casa? — indagou, apontando para a casa atrás de nós dois. — Vocês desistiram de vender?
Eu franzi a testa, confusa com o que ele tinha dito. Para mim, Edward a tinha vendido na primeira oportunidade que teve e comprado o apartamento. Eram lembranças demais; no lugar dele, eu teria feito o mesmo.
- Hmmm... — murmurei, sem saber o que dizer. — Para mim, ela já tinha sido vendida há muito tempo.
Natanael sorriu, e deu de ombros.
- Edward nunca colocou uma placa de venda aí — disse. — Não que eu tenha visto, pelo menos. Algumas pessoas já me perguntaram por essa casa, quiseram saber se ela estava à venda, já que nunca viram ninguém aqui.
- Ah, sim — sussurrei. — Não, não. Só passei para dar uma olhada mesmo...
Ele assentiu, e abriu a boca para falar, mas o barulho de um telefone tocando — provavelmente vindo da casa dele, já que ele lançou um olhar irritado a ela -, impediu-o de continuar.
- Você já está indo? — indagou. — Que tal entrar para tomarmos alguma coisa?
Eu sorri, sabendo o que aquele olhar significava. Natanael estava louco para saber o que tinha acontecido.
- Não, obrigada — respondi. — Já estou indo. Como eu disse, só passei para dar uma olhada.
Despedi-me dele o mais rapidamente que pude e comecei a caminhar para longe, não sem antes dar à casa mais uma olhada. Enquanto seguia pelo mesmo caminho que eu tinha vindo, não pude deixar de me perguntar se por dentro ela ainda continuava a mesma, como estava por fora. Perguntei-me, também, se Edward mandava alguém para fazer a manutenção, já que o jardim parecia bem cuidado demais, assim como a fachada da casa.
O barulho do meu celular tocando tirou-me de meus devaneios, o que me fez suspirar. Puxei-o da minha bolsa, um pequeno sorriso nascendo em meu rosto quando eu vi que era Jasper.
- Ei, Jazz — murmurei -, algum problema?
Ele riu.
- Não, Bella — respondeu. — Só liguei para saber se você já resolveu tudo com o cara que locou o meu apartamento... Ou se decidiu que vai ficar, durante esse tempo, com Henry e Edward.
Eu assenti, embora ele não pudesse me ver.
- Já está tudo decidido — comentei. — Vou falar com Edward hoje que amanhã vou para lá... Achei que seria melhor assim, principalmente depois do que aconteceu logo após terminarmos nossa ligação...
Resumidamente, contei a ele da pequena conversa que Alice tinha tido comigo e de como aquilo tinha me ajudado a tomar uma decisão.
- Ela está preocupada com o irmão e eu entendo, embora doa — concluí. — Vou ficar longe de Edward, porque sei que ele não quer nada comigo... Só que, Jazz, não posso deixar de imaginar como vai ser quando eu me encontrar com os pais dele... Se a irmã já me odeia, imagina os dois?
Escutei Jasper suspirar.
- Você não vai dizer nada? — eu indaguei, alguns minutos, quando percebi que ele não falaria nada.
- Não sei o que dizer, sinceramente — murmurou. — Acho que você está se preocupando à toa... É tudo muito recente. Alice perdeu uma amiga quando você partiu, você sabe... Dê um tempo... Ela vai aprender a confiar em você novamente, assim como todos os Cullen.
Eu sorri, não muito certa disso.
- Como vai ser quando Henry e eu partirmos? — Eu me vi perguntando antes que pudesse me conter. — Quer dizer, eu sei que temos que ir, que meu trabalho está aí... mas Henry está tão grudado ao pai, Jazz...
Meu amigo soltou uma risada.
- Nós vamos dar um jeito, sua ansiosa — comentou. — Procure viver um dia de cada vez, ok? E aproveite. Eu vou tentar ir aí logo. Antes do Natal, eu quero dizer.
Nós conversarmos mais um pouco, não muito, mas eu logo desliguei, quando vi que estava chegando ao apartamento de Edward. Ao invés de ir para lá, porém, passei em um restaurante e comi rapidamente, não querendo preparar almoço e nem mesmo ficar mexendo nas coisas dele.
Só depois voltei ao apartamento e fui direito para o quarto de Henry, onde eu tinha deixado as minhas coisas. Comecei a arrumá-las, um sorriso nascendo em meu rosto quando eu vi que a mala com os presentes de Henry ainda estavam ali. Fui tirando um por um, colocando-os na cama, sabendo que ele adoraria vê-los quando chegasse da creche com o seu pai.
Depois que terminei tudo, tomei um banho rápido e fiquei vendo televisão na sala, esperando os dois chegarem. Eles atrasaram um pouco, mas eu entendi o motivo quando vi ambos chegaram, os cabelos um pouco mais curtos.
- Ei, amigão — eu sorri para Henry. — Cadê o resto do seu cabelo?
Henry riu.
- Eu cotei, mamãe — ele disse. — Papai e eu cotamos.
Eu o puxei para um abraço e depositei um beijo em sua testa.
- A mamãe deixou umas supresinhas que ela trouxe da viagem para você na cama — comentei. — Por que você não vai lá ver enquanto eu converso com o seu papai?
Imediatamente, um grito animado escapou dos lábios do meu filho, o que me fez rir. Eu esperei que ele tivesse sumido, sentindo meu coração apertar em meu peito de ansiedade, e só então virei-me para Edward, que estava parado próximo à porta da cozinha.
- Algum problema? — ele perguntou.
- Não — eu respondi. — Eu só queria que você soubesse que eu aluguei o apartamento que Jasper estava ficando, para essas três semanas... Achei que você deveria saber que já peguei as chaves e vou para lá amanhã.
Ele me fitou durante alguns segundos, mas depois assentiu.
- Certo — murmurou. — Se é isso o que você quer.
Sentindo uma pontada ainda mais forte em meu peito por ele não ter me pedido para ficar, eu assenti também e não falei mais nada, simplesmente porque não havia como dizer algo sem deixar de chorar.
É. Aparentemente, todos os membros da família Cullen me odiavam.
Edward POV.
Quando acordei no dia seguinte ao pesadelo de Henry, notei que ele ainda estava grudado em mim, sua mãozinha esquerda fechada com força em minha camisa. Eu continuei deitado, apenas o curtindo, embora meu despertador já tivesse tocado, informando que, caso eu não levantasse logo, tanto Henry quanto eu chegaríamos atrasados. Mesmo assim, fiquei ali, observando seu peito subir e descer, devido à sua respiração, seus cabelos caindo na testa, seus olhinhos fechados, seus cílios quase encostando em suas bochechas... Eu tinha mesmo ajudado a fazer esta criança? Ele era tão... perfeito, tão... tão ele, que eu nem mesmo conseguia imaginar como a minha vida seria quando ele fosse embora e eu não pudesse mais segurá-lo em meus braços todos os dias.
Suspirei pesadamente, e balancei a cabeça, não querendo pensar nisso naquele momento. Eu tinha mais algumas semanas com Henry e planejava aproveitá-las o máximo que eu podia. Lamentar-me ficaria para quando ele fosse embora.
- Henry? — eu murmurei, sabendo que deveríamos nos levantar logo. Passei a mão em seus cabelos, afastando-os de sua testa, e depositei um beijo ali, curtindo o momento um pouco. — Filho? Está na hora de acordar...
Um sorriso nasceu em meu rosto quando ele começou a resmungar e se apertou mais em meus braços, fechando sua mão com mais força na minha blusa, como se quisesse me impedir de me levantar.
- Não quelo, papai — ele resmungou novamente. — Aqui tá quentinho.
Eu ri.
- Vamos lá — eu respondi, já começando a me afastar. — O papai vai dar um banho quente em você.
Ele resmungou novamente, mas enfim abriu os olhos, me permitindo ver o chocolate ali, o que só fez com que meu coração acelerasse. Ele era tão igual a mim, todos diziam isso, mas bastava ele me olhar que eu via Bella nele.
- Por que você não vai até o seu quarto e chama a sua mãe enquanto eu preparo o seu banho? — sugeri, depois de descê-lo da cama. — E pegue seus bichinhos também, hoje vou deixá-lo tomar um banho na banheira.
Um Henry mais feliz e animado saiu correndo do quarto, o que me fez rir e balançar a cabeça. Segui para o banheiro e preparei o banho dele, querendo estar presente na vida dele o quão fosse possível nas semanas que se passassem. Tínhamos três antes que ele e a mãe fossem embora. E eu aproveitaria cada minuto do dia.
Depois que Henry e eu estávamos devidamente vestidos e alimentados, eu deixei que ele se despedisse de Bella, antes de sair com ele do prédio. Levei-o até a creche, cantando suas músicas favoritas com ele, e depois de deixá-lo lá, entrei no carro novamente.
Antes de seguir para a empresa, corri até o cartório mais próximo, os papéis que Bella tinha mandado com Jasper guardados dentro do envelope. Conversei com a moça que estava lá e preenchi algumas coisas, antes de seguir para a empresa. Ela disse que demoraria um pouco, mas, como Bella, ela achava que não haveria nenhum problema e que logo Henry teria o meu sobrenome e eu constaria como pai dele em sua certidão de nascimento.
Henry Charlie Cullen. Cullen.
Meu garoto.
Embora minha mente, vez ou outra, insistisse em lembrar da conversa que Bella e eu tínhamos tido na noite anterior, frisando o fato de que não tínhamos falado sobre nós, eu não consegui parar de sorrir durante todo o dia, só conseguindo pensar no que eu faria quando, de fato, eu tivesse a nova certidão dele nas mãos. A certidão que teria o meu nome.
Era bom demais para ser verdade.
Saí um pouco mais cedo naquele dia, por dois motivos. Primeiro, porque eu estava ansioso para ver o meu pequeno e, segundo, porque eu finalmente havia lembrado de levá-lo para cortar os cabelos. Nós dois estávamos precisando daquilo, afinal.
- Nós não vamos pla casa, papai? — ele me indagou, quando eu disse que nos atrasaríamos um pouquinho. — Onde nós vamos?
Eu sorri.
- Vamos cortar o cabelo, campeão. — Eu o olhei pelo espelho retrovisor e uma risada escapou de meus lábios quando vi seus cabelos, grandes demais, quase impedindo-o de ver. — Eu não tinha te dito que faríamos isso?
Ele assentiu.
- Você vai cotá também? — perguntou. — Poque eu não quelo cotá sozinho.
Eu tornei a rir.
- Claro que sim — disse a ele. — O papai prometeu, não prometeu?
Ele reclamou um pouco quando o Teddy, o cara que cortava meus cabelos há anos, começou a aparar suas madeixas, mas logo se acalmou, assim que me sentei ao seu lado. Quando nós saímos de lá, alguns minutos mais tarde, estávamos bem mais apresentáveis, e, por ele ter se comportado, eu lhe comprei um sorvete.
Ele correu para Bella assim que chegamos ao apartamento, mas não ficou muito ali, já que ela falou sobre presentes. Curioso, devido à sua expressão, eu perguntei se havia algum problema e desejei não ter feito isso quando ela contou que estaria indo para outro lugar no dia seguinte.
Escondi isso, porém, não querendo que ela visse quão afetado eu ficava só de pensar nela longe de mim. Eu ainda tinha sentimentos muito fortes por Bella, isso eu não podia negar, e pensar nela partindo novamente... doía.
E muito.
- Eu vou tomar um banho — comentei. — Tudo bem?
Ela assentiu, mas não disse nada. Caminhei até o banheiro e, como na noite anterior, demorei ali mais do que eu devia, simplesmente porque eu não queria que ela visse quão fragilizado eu estava. Tudo ainda era uma tremenda bagunça, inclusive meus sentimentos, e agora era o momento que eu estava me permitindo demonstrar tal coisa.
Quando eu saí, busquei pelo meu celular pela primeira vez no dia e fiquei surpreso ao ver a quantidade de ligações não atendidas, assim como as mensagens. Quando eu vi que todas elas eram de Alice, minha mãe e meu pai, eu soube que não iria jantar com meu filho e Bella esta noite. Eu já os tinha enrolado demais e, embora não quisesse falar sobre o assunto, sabia que eles estavam preocupados e mereciam saber como tudo estava.
Voltei à sala, por fim, depois de pronto, e encontrei Henry mostrando diversos brinquedos à mãe, o que me fez sorrir.
- Ei — eu murmurei, chamando a atenção dos dois. — Surgiu um problema e eu vou ter que sair... Provavelmente vou chegar aqui um pouco tarde...
Henry correu até a mim e abraçou as minhas pernas, fazendo-me sorrir novamente. Eu passei a mão em seus cabelos, agora um pouco mais curtos, e esperei para ver se ele tinha algo a dizer.
- Mas... papai! — ele disse. — Eu ganhei blinquedos! Nós temos que blincá.
Eu ri.
- Amanhã a gente brinca, ok? — Puxei-o para o meu colo e depositei um beijo em suas bochechas. — Papai promete.
Ele fez beicinho, mas assentiu.
Coloquei-o de volta no chão e acenei rapidamente para Bella, antes de dizer que ela podia ficar à vontade na cozinha, caso quisesse preparar o jantar, ou que ela podia pedir algo, se assim desejasse.
- Tudo bem — ela respondeu, apenas. — Eu preparo alguma coisa para nós dois.
Eu lhe dei um sorriso rápido e acenei para o meu filho, antes de sair do apartamento, seguindo direto para a casa dos meus pais. Fiquei parado no carro durante alguns minutos quando cheguei, sabendo que eles e Alice estavam ali, preparando-me para contar o que tinha acontecido. O porquê de Bella ter partido.
Depois de quinze minutos relutando, eu finalmente criei coragem e saí, me dirigindo para a porta e usando a chave reserva que eu tinha.
Meu pai imediatamente olhou para cima, desviando o olhar da televisão, assim como Alice. Eu sorri para ambos e acenei, trancando a porta atrás de mim.
- Oi — eu os cumprimentei. — A mamãe está por aqui? Acho que precisamos conversar.
Alice correu até a mim e meu deu um abraço, seus olhos — iguais aos meus — fitando-me com atenção. Eu sorri para ela, como se quisesse mostrar que tudo estava bem e que ela não deveria se preocupar.
- Eu vou chamar a mamãe — ela murmurou. — Já volto.
Caminhei até o sofá assim que ela me soltou e cumprimentei o meu pai com um abraço rápido. Nós trocamos algumas palavras, nenhum de nós realmente dizendo algo importante, até que a minha mãe entrou, seus olhos me fitando com preocupação.
- Oh, querido. — Ela correu até a mim assim como Alice tinha feito. Eu a abracei de volta e deixei que ela me apertasse, sabendo que ela precisava disso. Por fim, quando ela me soltou, permiti que ela segurasse meu rosto entre suas mãos, nunca desviando meus olhos dos seus. — Você está bem?
- Estou bem, mãe — sorri. — Eu só vim aqui contar tudo a vocês, para que vocês não se preocupassem e tudo o mais. Tenho muito o que falar, então... por que você não se senta, hein?
Ela sorriu também, e assentiu.
Assim que todos nós estávamos acomodados, eu contei tudo a eles, tudo o que Bella havia me contado. Eles me interromperam em alguns momentos, fazendo-me perguntas, mas passaram a maior parte do tempo calados, esperando que eu contasse tudo.
E quando eu acabei, eu apenas os fitei, sabendo que não havia mais nada a dizer.
- É isso? — Alice indagou. — É por isso que ela foi embora?
Eu assenti, sem entender direito a sua pergunta. Uma olhada em Alice, porém, me fez reconhecer o olhar de culpa em seu rosto, o que me fez me perguntar o que ela tinha feito.
- O que foi, Allie? — perguntei. — O que você fez?
Ela me deu um sorriso rápido e deu de ombros.
- Eu meio que fui conversar com Bella hoje e pedir que ela não machucasse você mais — sussurrou. Eu arregalei os olhos. — Ela não me disse nada sobre isso...
Eu suspirei.
- Alice — balancei a cabeça, sem saber o que falar -, você não precisava ter feito isso...
Ela deu de ombros novamente.
- Eu entendo o que ela fez, mas isso não quer dizer nada — disse. — Ainda não confio nela, para ser sincera, e preferiria que ela estivesse longe daqui.
Eu tornei a suspirar, mas não disse nada, sabendo que não adiantava falar nada à minha irmã naquele momento. Olhei para os meus pais, então, que não tinham dito nada desde que eu terminara de falar, esperando para ver o que eles diriam.
Minha mãe suspirou e mordeu o lábio inferior, olhando para suas mãos, que estavam repousadas em seu colo.
- É difícil julgar — ela murmurou. — Vamos ver o que acontece daqui para frente, não é?
Eu assenti, e então olhei para o meu pai. Ele sorriu e deu de ombros, como se não tivesse o que comentar.
- Concordo com a sua mãe — disse, por fim. — Vamos ver o que acontece.
Sorri para ele, sem saber o que aquilo significava.
Depois de alguns instantes em silêncio, minha mãe suspirou alto e se pôs de pé, falando que terminaria o jantar. Eu me encostei no sofá e olhei para a televisão, sabendo que os três só me deixariam sair daqui depois que eu comesse.
- Ah, Edward? — Esme chamou, já quase chegando à cozinha. Eu olhei para ela, mas não disse nada, esperando que ela falasse, ao invés disso. — Eu quero que você traga Bella para jantar aqui amanhã, por favor.
Eu arregalei os olhos, um pouco surpreso.
- O quê? — ela indagou. — Como eu disse, vamos ver o que acontece. Então, espero vocês três aqui amanhã, logo após Henry sair da creche.
Eu engoli em seco, mas assenti. Voltei meu olhar para a televisão, então, sem realmente prestar atenção no que estava passando. Encolhi-me no sofá e suspirei, implorando para que tudo desse certo no dia seguinte, embora não soubesse exatamente o porquê.
Depois de quase quatro anos, Bella se encontraria com meus pais novamente. E eu não sabia se isso era uma coisa boa ou ruim.
Notas finais
Sofri de amor com o Edward indo ao cartório ♥ Se ele já ficou assim só de imaginar o Henry com o sobrenome dele, imagina quando ele receber a notícia de que tudo foi concretizado?
E esse Henry? Jesus, esse menino ♥ Quero roubar e fim.
Agora, os Cullen. O encontro deles seria nesse capítulo, mas resolvi deixar para o próximo. Vamos ver o que acontece.
Então, por hoje é só.
Mais uma vez, obrigada às lindas da Jéssica Coelho e jjbebe pelas recomendações, amei ambas ♥ Espero que tenham gostado do capítulo!
Até semana que vem, mocinhas
xx
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